BALANÇA PARA LÁ…
Poema do jornalista e escritor jeremias Macário, que pode ser encontrado em seu livro “ANDANÇAS”.
Olha o balanço das árvores,
Que o vento dá,
Balança pra lá, balança pra cá,
Depois começa tudo,
Como nas ondas do mar.
Olha o tempo passando,
Ligeiro e devagar;
Olha a morte chegando,
Com a benção de Alá.
Parte rasgando o avião,
Lotado de gente zumbi;
Criaturas saem da terra,
E aparecem como saci.
Olha a dança das folhas,
Girando pra lá e pra cá,
Levando saudades no ar.
Na avenida zunem os tiros;
Balas voam perdidas;
Criança tomba no asfalto,
No ataque dos vampiros.
Carnaval de sunga suada;
Empurra pra lá e pra cá;
Pula, pula a pipocada,
No axé do arrocha cambada.
Vadia a bela, ou a feia,
Na orgia da bundada;
Balança pra lá e pra cá,
Pra gringo e nativo
Namorar sua sereia.
No sol do meu sertão,
Balança o pau-de-arara,
Cortando o cinzento chão
De espinho, fogo e vara,
Na poeira da estrada.
Virgulino, meu capitão,
Que diz dessa nossa vida,
E da traiçoeira morte,
Sem aviso e sem razão;
Que diz da canção,
De Vandré que chora,
Mandando fazer a hora.











