Poema do jornalista e escritor jeremias Macário, que pode ser encontrado em seu livro “ANDANÇAS”.

Olha o balanço das árvores,

Que o vento dá,

Balança pra lá, balança pra cá,

Depois começa tudo,

Como nas ondas do mar.

 

Olha o tempo passando,

Ligeiro e devagar;

Olha a morte chegando,

Com a benção de Alá.

 

Parte rasgando o avião,

Lotado de gente zumbi;

Criaturas saem da terra,

E aparecem como saci.

 

Olha a dança das folhas,

Girando pra lá e pra cá,

Levando saudades no ar.

 

Na avenida zunem os tiros;

Balas voam perdidas;

Criança tomba no asfalto,

No ataque dos vampiros.

 

Carnaval de sunga suada;

Empurra pra lá e pra cá;

Pula, pula a pipocada,

No axé do arrocha cambada.

 

Vadia a bela, ou a feia,

Na orgia da bundada;

Balança pra lá e pra cá,

Pra gringo e nativo

Namorar sua sereia.

 

No sol do meu sertão,

Balança o pau-de-arara,

Cortando o cinzento chão

De espinho, fogo e vara,

Na poeira da estrada.

 

Virgulino, meu capitão,

Que diz dessa nossa vida,

E da traiçoeira morte,

Sem aviso e sem razão;

Que diz da canção,

De Vandré que chora,

Mandando fazer a hora.