“FRAGMENTOS”
O lançamento do livro “Fragmentos”, da advogada, poeta e psicanalista em formação, Ana Priscila C. Luz, ontem (dia 03/09), sexta-feira, às 17 horas, marcou a reabertura das atividades da Biblioteca Municipal José de Sá Nunes, que ocorrerá oficialmente no próximo dia 8 (terça-feira) depois de uma temporada praticamente fechada por causa da pandemia.
A poetisa conquistense, estudiosa de idiomas e cozinheira autodidata, como ela mesmo se expressa, sempre foi apaixonada pela literatura desde criança. Suas influências vão de Adélia Prado e Francesco Petrarca. Ela é também autora de “Poeta em Pânico” e editora-chefe da Rádio Melodia.
Júlia Cândido Viera escreve na orelha da obra que o leitor vai mergulhar no interior da autora, “reconhecendo em cada verso, o resultado da sua busca por localizar-se nessa existência”.
“Ao ler seus poemas somos levados a imergir para seu Eu e saborear tudo aquilo quem a torna quem é, uma mulher inquieta, que não se contenta com o óbvio e que já compreendeu que a dúvida é aquilo que nos leva a encontrar nossa melhor versão” – destaca.
A apresentadora de Ana Priscila diz que este livro é uma forma de mostrar ao mundo que, mesmo em situações adversas, é possível tornar belo aquilo que nos fere. Afirma ainda que os estudos da psicanálise a levou a tornar verso tudo aquilo que um dia foi tormenta.
Dentre alguns de seus poemas podemos citar “Cena Primitiva” onde a poetisa escreve: O mundo inteiro transa/menos nossos pais/Essa imagem mental/já é demais. Em “Nessun dorma” – O sono cai como uma luva/no meu corpo/É meu cismar torto/que resiste. Noutro verso intitulado “Liv e Ingmar” – Viviam em ilha recôndita./Juntos, eram a pangeia./Imersos, solidão ontogênica./Tão definitivos/quanto impermanentes. “Quando me apaixonei”, Ana narra Invadiu minha fronteira,/se instalou de vez. /Sem eira nem beira,/coisa de tez.
O evento foi realizado na Biblioteca Municipal, hoje dirigida pela atriz Jean Marie que, durante este período da pandemia, operou várias mudanças e deixou o ambiente mais aprazível para a leitura. Ela e sua equipe recuperaram todo material referente à memória de Vitória da Conquista e abriram um espaço de exposição de livros só de escritores da terra.
O funcionamento da Biblioteca, após mais de um ano com atendimento limitado, ficará restrito a 50% da ocupação do espaço, dentro de todos os regramentos recomendados contra a Covid-19. A sua sede está localizada no Bairro Conquistinha, próximo ao centro da cidade.
Fotos da Biblioteca Municipal, cujas atividades serão oficialmente reabertas no próximo dia 08/09 (terça-feira) com limitação de 50% da sua ocupação por causa da pandemia. Fotos de Jeremias Macário
AS NUVENS E O TEMPO
Do meu quintal cercado de plantas (algumas floridas), pássaros a cantar, o beija-flor a bailar e entre hortas da terra viçosa, fico a mirar as nuvens e o tempo que sempre estão mudando de posições, de acordo com a direção do vento, ora forte e fraco, do sul, do oeste, leste e norte como se fossem nossas vidas cotidianas. A depender do tempo, as nuvens mudam, ficam leves esparsas e pesadas, cuspindo suas rajadas como que anunciando tempestade, como nas imagens captadas pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. São imprevisíveis como os seres humanos dos tempos atuais, que sempre mudam de roupagem. É a metamorfose ambulante como na canção do poeta compositor Raul Seixas. Com as bruscas mudanças climáticas, decorrentes da intervenção humana na natureza, o vento quente, repentinamente, se torna frio. Assim vivemos no Brasil de hoje onde predominam as incertezas, com nuvens sombrias e tempos de medo e falta de esperança. Quando o céu está limpo, dizem que é céu de brigadeiro, de se voar tranquilo. Na atualidade, quando olhamos para o alto, só enxergamos nuvens carregadas, ventos incertos de trovoadas de correntes elétricas, num tempo de divisões, com imagens e figuras estranhas como as nuvens que cortam nossas cabeças.
NÃO VIM PARA CONSTRUIR
Versos satíricos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Não vou mais comprar arroz e feijão,
Vou comprar fuzil pra matar meu irmão,
Ser um idiota ignorante nesta terra plana,
Não vou usar máscara e tomar vacina,
Pra você uma banana, fela da puta sacana.
Sou AntiCristo ladrão de palmito,
Tenho o meu direito individual,
De cagar na corte do Supremo Federal,
Canalhas jornalistas, gays comunistas,
Meus seguidores me chamam de “mito”.
Não vim como o messias construir,
E sim com minha loucura destruir,
Essa maldita subversiva cultura,
Derrubar cada pau dessa Amazônia,
Com minha democrata ditadura.
Negro se vende por quilo e arroba,
Índio tem que ser expulso e morto,
Cada dia falo minha merda ôba-ôba,
Rio tem que ser enterrado com mercúrio,
Sou Deus pelo caminho curvo e torto,
Militar bom é quem atira e rouba.
Vou detonar todo esse Pantanal,
Acabar com essa bicharada no lamaçal,
Com esse Mané, José e Juvenal,
Estourar essa tal camada de ozônio,
Com minha bombinha de plutônio.
Tenho meus generais de pijama,
Que ora urinam no pinico e na cama,
Todos são uns velhos frangotes,
Iludo meus apoiadores com lorotas,
Que acreditam que ainda tenho botas.
Sou o capitão expulso da negação,
Desmascarado da moto da morte,
Os malucos ainda entram na minha,
E na dos meus filhos da rachadinha
Que morra o fraco e viva o forte.
Fui até contrabandista garimpeiro,
Detesto todo cabra do estrangeiro,
Menos meu Tio Sam Trampeiro,
Meu Brasil dourado, Pátria Amada,
Eu sou a pregação besta fera do nada.
Que morram todos de fome e pandemia,
Alegria, Alegria e viva a mordomia,
O sol não bate mais nas bancas de jornais,
Bate nas fake news das redes sociais,
E o Brasil do dia a dia conta seus mortais.
Povo armado jamais será escravizado,
Atiro em quem não estiver do meu lado,
O coletivo social que vá pro espaço,
Sou o tirano desse povo colonizado,
E para vocês mando chupar o bagaço.
PRESTAÇÃO DE CONTAS DE VEREADORES E COBRANÇA POR SERVIÇOS DA VIA BAHIA
NÃO VAI DEMORAR MUITO TEMPO E LOGO A CÂMARA DE VEREADORES VAI VIRAR UM CULTO EVANGÉLICO
Prestação de contas de vereadores e mais uma cobrança da Via Bahia para que a empresa realize serviços no Anel Viário de Vitória da Conquista, de modo a reduzir o número de acidentes de veículos foram os principais assuntos em destaque dos parlamentares na sessão de ontem (dia 01/09), na Câmara Municipal.
Os vereadores evangélicos sempre usam a tribuna com uma citação da Bíblia antes e depois de suas falas. Não que tenha nada contra religião (cada um tem o direito de professar sua fé e ter sua igreja), mas dizem que o nosso Estado é laico, conforme dita a Constituição.
Uns chegam até a ser agressivos quando misturam religião com política, xingando raivosamente os adversários e defendendo o governo do capitão-presidente. O vereador Augusto Coutinho, por exemplo, meteu o malho em Lula e no PT como se fossem satanás, chamando o pré-candidato à presidência da República de ex-presidiário. Suas críticas contaram com reações da oposição no legislativo.
Depois de lido os requerimentos, as indicações de sempre e as moções de aplauso e pesar, o primeiro a falar foi Admilson Pereira (o falatório na plenária é ensurdecedor), que fez um apelo ao poder executivo para que construa quebra-molas no povoado de Cabeceiras (o município já é campeão desses monstrengos) e aproveitou para prestar contas de seu mandato.
O colega Nildo de Freitas também enumerou uma série de serviços que vem realizando em sua vereança e solicitou da Secretaria de Mobilidade Urbana a instalação de mais radares na Avenida Brumado, de forma que os motoristas tenham mais prudência ao trafegar naquela via.
A vereadora Lúcia Rocha fez uma espécie de prestação de contas da sua viagem a Salvador na semana passada, segundo ela, para tratar do problema de escassez de água em Conquista.
Na ocasião, disse ter mantido contato com o presidente daquela Casa, Geraldo Júnior, quando foi bem recebida pelo legislativo da capital, que ficou de lhe outorgar o título Maria Quitéria pelos seus oito mandatos (32 anos) como parlamentar conquistense. Lúcia ainda pediu ao poder público a revitalização das praças locais e da Lagoa das Bateias.
A reforma da pista de skate e do Ginásio Raul Ferraz foram as principais reivindicações do vereador Alexandre Xandó. Afirmou que está trabalhando junto ao deputado federal Waldenor Pereira para que faça uma emenda parlamentar em benefício das atividades da capoeira em Conquista.
Orlando Filho e Ivan Cordeiro citaram a inauguração, na semana passada, da casa Escuta Protegida para Crianças e Adolescentes como um projeto exemplar na Bahia, que contou com a presença da ministra Damares, dos Direitos Humanos, elogiando as ações do governo Bolsonaro e criticando o PT.
A vereadora Viviane Sampaio rebateu seus colegas dizendo que eles esqueceram de falar que as ações de proteção à criança começaram no governo do PT, a exemplo do Conquista Criança. “A construção dessa casa tem todo um histórico, com início em 2013 através do Centro de Atendimento à Criança”.
Fernando Jacaré assinalou que o projeto é uma vitória de todos. Na oportunidade, voltou a fazer duras críticas à concessionária Via Bahia que até o momento não cumpriu com sua parte de ampliação da Rio-Bahia (BR-116) e construção das passarelas e viadutos no Anel Viário. “Conquista não aguenta mais esse descaso da Via Bahia”.
SAUDADES DOS TEMPOS QUANDO ERA RESIDENTE UNIVERSITÁRIO
Eram os anos iniciais da década de 1970, e o regime ditatorial com o general Médici era de chumbo e tirania. A duras penas frequentava a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia-Ufba (terminei a graduação em 1973). Nos primeiros meses de 1970 lutava aguerridamente para conseguir uma vaga na Residência Universitária, mas meu pai, um roceiro, não tinha documentos exigidos pela reitoria que provasse ser pobre necessitado. Questão da maldita burocracia!
Para sobreviver, vivia de bicos (quando arranjava) morando num pardieiro ali no Politeama (centro), comendo pão três vezes ao dia, misturado com mel Karo feito do milho. A barriga roncava e pedia socorro quando passava nas portas dos restaurantes. Da calçada olhava lá dentro as pessoas realizando suas refeições. Às vezes enganava o estômago quando um amigo trazia do restaurante universitário uma comida dentro de uma lata vazia de Nestlé.
Basta de lamento. Meu foco era mesmo morar na residência universitária, destinada aos estudantes carentes, e eu era um deles, mas o processo estava emperrado. Lembro que todos dias passava no Departamento da UFBA que administrava as três residências, localizado na Rua João das Botas, no Canela. A ansiedade era grande e todos os dias revisava a lista dos aprovados, que fica no balcão. Para ter certeza, olhava duas e até três vezes para certificar seu meu nome não estava incluído, e nada.
Fotos arquivo “A Tarde”
Aquilo me deixava ainda mais angustiado porque o cerco se fechava, mas não dava trégua à briga para conseguir minha vez. Quando se está na pior, os argumentos brotam mais fortes como uma explosão vinda do coração. Para encurtar, um dia cheguei lá com minha surrada malinha, e o responsável pelas casas, de tanta insistência, liberou o meu nome. Não consegui me conter de tanta alegria.
Não me lembro muito bem, mas já era o segundo semestre de 1970 e lá fiquei na R1, a maior de todas, no Corredor da Vitória, até o final de 1973. Foram três anos e meio de muitas boas lembrança, de farras de caipirinhas, aventuras e confabulações entre colegas. Não tinha nada, mas era feliz.
O mais difícil era que os homens da ditadura nos vigiavam dia e noite. Quando entrava uma cara nova, nós ficávamos com as antenas ligadas porque poderia ser um agente espião, e aí nada de grupinhos a três trocando ideias proibidas. Aliás, era proibido pensar. Duas pessoas falando já era perigo à vista. Compensávamos a repressão e o medo com as curtições de final de semana no pátio da Residência (a R1), tomando umas cachacinhas (não tinha grana para cerveja em bar).
O bom era que não me preocupava mais com passar fome porque tinha a moradia e mais duas refeições garantidas (o café da manhã a gente se virava como podia). Sem dinheiro, fazia os percursos entre as faculdades onde tinha disciplinas na base da velha paleta, mas sem reclamar. Vivia numa boa, dentro do possível. Não me importava com dinheiro e nem com roupas.
Não sei como, me tornei vice-presidente da R1 ao lado de Aroldo que fazia medicina. Vez por outra o regime trancafiava alguém e sumia com um estudante. Assim aconteceu com meu companheiro presidente, e aí tive que assumir o seu lugar. Podia ser a bola da vez. Andava apreensivo, e os colegas ficavam na butuca quando pintava alguma coisa fora do normal. Algumas vezes tive que dormir fora, inclusive nas moitas do Abaeté.
A ditadura torturava, matava e desaparecia, como fizeram com meu amigo residente Machado, um negro do curso de engenharia. Sumiu sem deixar rastro. Todos os anos, no dia 7 de setembro, as residências eram cercadas por policiais militares, do exército e os federais. Ninguém saia. Certamente os generais temiam que fizéssemos um levante e, sem armas na mão, derrubássemos a dita cuja. Dificilmente um confiava no outro, mas tínhamos aqueles grupos mais seguros com os quais trocávamos nossas figurinhas.
Lá se foram 50 anos e não é que estão passando sobre nossas cabeças aquelas nuvens sombrias e pesadas que achávamos que não mais existiam! Sempre me recordo daqueles tempos de estudante da R1. A R2 ficava e ainda fica no Largo da Vitória e a R3, a Feminina, no Canela.
Neste domingo (dia 29/08) as lembranças jorraram outra vez quando vi e li uma matéria no jornal “A Tarde” sobre a situação das residências universitárias, com uma foto da escadaria de entrada do prédio neoclássico. Logo bateram as saudades quando era residente universitário.
Confesso que me imaginei ali descendo e subindo todos os dias. Muitos acontecimentos, muitas discussões, brigas e amizades seladas. Pena que as notícias não são nada animadoras. Hoje tem mais uma unidade na Avenida Garibaldi (quatro ao todo), e todas juntas têm capacidade para 389 alunos. Com a pandemia, só a metade está sendo ocupada. Muitos voltaram para suas cidades de origem.
Para começar, as residências sofreram drasticamente os efeitos dos cortes de verbas federais destinadas ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Foram subtraídos R$6,5 milhões somente neste ano, 18% menor que o investido em 2020. Mesmo assim, a número um, (a R1) está sendo reformada porque seu prédio já é antigo e carece de cuidados.
A R1, da qual tive o privilégio de morar (adquirida pela Ufba em 1950) entrou em processo de tombamento, e o atual prefeito de Salvador, Bruno Reis, chegou a assinar o pedido, mas depois voltou atrás e revogou o decreto alegando que se trata de um patrimônio federal e que a prefeitura não tem recursos para bancar sua preservação.
Pode ter outros interesses escusos por detrás por parte do setor imobiliário que já derrubou a maioria dos casarões do Corredor da Vitória (ainda tem o Museu Costa Pinto), transformando o local numa selva de pedra. A situação da R2 (Largo da Vitória) não é diferente. A R3 (antiga residência feminina) foi transferida para uma casa alugada na Graça, que abriga 100 estudantes. A R4 foi construída em 2012, na Avenida Garibaldi, e atende até 190 estudantes.
Por causa das reformas e a pandemia, a R1 está com apenas 40% da sua capacidade de 80 alunos. Lembro que cheguei a morar no térreo, um local mais fechado e úmido que atualmente apresenta mais problemas na estrutura, e também no primeiro e segundo andares.
Sem recursos, a gente mesmo lavava nossos “paninhos de bunda” nuns tanquinhos que ficavam na parte externa. Sábado era o dia das “lavadeiras”. Ao lado fica o restaurante (saudades dos bandejões e das batidas de talheres quando a comida não estava boa). Os milicos ficavam de olho em nós. Todos eram vistos com subversivos e perigosos comunistas.
Para entrar hoje na residência é necessário ter renda familiar de até um salário mínimo e meio, estar regularmente matriculado na Ufba e não ter outra graduação em paralelo. O candidato tem que ser do interior. As exigências não mudaram muito de lá para cá, mas meu pai não tinha renda fixa. Vivia da lavoura e dependia do tempo chuvoso ou seco. Tive que conseguir meu teto na “tora”, no convencimento de que era lascado mesmo.
OS RETARDATÁRIOS IGNORANTES E O FUZIL NO LUGAR DO FEIJÃO
“Ao invés de comprar feijão, idiota, compra fuzil”. O pior de tudo isso é que ainda tem gente na frente do Palácio Alvorada para ouvir e aplaudir uma barbaridade desse tipo. Em que país estamos vivendo, em que mundo, em que idade? Acreditem! Estamos no Brasil e em pleno século XXI.
Atrás desse cara abominável, representando o AntiCristo, seguem milhões de ignorantes retardatários entre jovens e idosos que insistem em não se vacinar contra a Covid-19, argumentando ser um direito individual. Oh Senhor, perdoe porque eles não sabem o que dizem ou fazem! Será que alguém que atenta contra a vida de outro merece perdão?
A nível federal estamos sendo sugados por uma forte enxurrada para uma “boca de lobo”, mas as autoridades municipais e governamentais, em consonância com a Justiça, precisam, urgentemente, tomar medidas drásticas para punir esses elementos perniciosos que confundem o individual com o coletivo.
Essas pessoas, se é que são mesmo, devem ser punidas através de diversos instrumentos que lhes privem de determinados benefícios, como continuar trabalhando em qualquer empresa privada ou pública, serem proibidas de frequentar bares e restaurantes, eventos, estádios, viajar, participar de concursos, editais, entre outras atividades. Elas não têm mais o direito de ir e vir, como reza a Constituição.
Por que com tanto avanço tecnológico dos meios eletrônicos, com tantas invenções e criações científicas, com o homem explorando a vastidão do espeço sideral e a evolução da internet, milhões preferem o retrocesso e escolhem as trevas no lugar da luz? A inteligência está regredindo? Não vai demorar muito e os seres humanos vão perder a fala.
O que passa na cabeça dessa gente que prefere o fuzil ao feijão e se recusa a se imunizar, mesmo diante de todas as evidências científicas provando ser a saída para sairmos dessa pandemia? Algum transtorno ou trauma mental de infância? Uma necessidade de se aparecer diante dos outros para dizer que é diferente? Neurônios deteriorados, apodrecidos? Influência das fake news nas redes sociais?
Aqui mesmo em Vitória da Conquista um médico que não se vacinou, terminou sendo contaminado e veio a óbito. Ele não foi sozinho. Deve ter levado outros para o além, ou pelo menos empurrado um familiar ou amigo para um leito de intubação hospitalar. Que direito individual é esse? Na própria Constituição, a sua vida e a do outro está acima de tudo. Oh quanta ignorância!
Não dá para conviver com pessoas desse tipo. Não se trata de uma questão de intransigência. Estamos falando de vida. Seja imbecil, retrógrado, extremista em seus pensamentos, de direita ou o que quiser em termos ideológicos, mas não atente contra a vida do outro através da contaminação de um vírus que é mortal e deixa sequelas horríveis. Para esse tipo de pessoa, eu quero é distância e que não pise os pés em minha casa.
COORDENADORIA DE CULTURA DECIDE IMPASSE NA FORMAÇÃO DO CONSELHO
O impasse de dois empates na votação dos nomes de Thais Ariane Pimenta e Rosa Marie Falcão Aurich para compor o eixo cinco – patrimônio cultural material (patrimônio histórico) e imaterial (culturas populares) – representativo da sociedade civil do Conselho Municipal de Cultura levou à coordenadoria da pasta da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer a escolher ontem (dia 27/08) o nome da titular.
A Coordenadoria de Cultura optou pelo nome de Rosa Aurich, ficando Thais Pimenta como suplente, fechando assim o número dos dez representantes da sociedade (cinco titulares e cinco suplentes) que irão fazer parte do próximo Conselho para o biênio 2021/23. De acordo com a própria Coordenadoria, o desempate nesses casos foi baseado no regimento interno do órgão. Os outros cinco titulares são indicados pela Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores.
A reunião que discutiu o eixo cinco foi realizada nesta quarta-feira (dia 25/08), no Memorial Casa Regis Pacheco, com a presença do secretário de Cultura, Xangai, que abriu os trabalhos falando da importância do Conselho para alavancar as atividades da cultura em Vitória da Conquista e montar uma política que atenda aos anseios dos artistas e de toda sociedade conquistense.
A votação entre Thais e Rosa ficou empatada entre seis a seis. Então, a Coordenação de Cultura resolveu fazer outra eleição, dessa vez entre os novos conselheiros e, novamente, houve impasse de cinco a cinco. O que chama a atenção é se a pasta da Cultura pode indicar um representante da sociedade quando ocorrem empates dessa natureza. Não seria o caso de se realizar outra chamada para uma nova escolha do eixo cinco?
No dia 19 de agosto, um encontro no auditório do Cemae, na Avenida Olívia Flores, votou os nomes dos representantes dos eixos um – artes plásticas e visuais, audiovisual (gráfica, gravura, artesanato, fotografia e exposição), do dois – música, do eixo três – artes cênicas (cinema, teatro, circo, ópera e mímica) e dança, e do quatro – literatura, livro, leitura e biblioteca.
As discussões para a votação do eixo cinco foram coordenadas pelo coordenador da Secretaria de Cultura, Alexandre, ao informar que tão logo sejam indicados os representantes do poder público, os novos conselheiros tomarão posse para iniciar os trabalhos dos dois próximos anos.
Antes da votação, houve uma sessão de debates entre os candidatos que, além de apresentar seus nomes e funções que exercem na comunidade, defenderam suas propostas e intenções como possíveis membros do Conselho. Uma das metas seria sugerir o cadastramento e tombamento dos terreiros de candomblé de Vitória da Conquista, bem como fortalecer e apoiar as culturas populares do município.
Na reunião, que contou com as presenças dos eleitos dos outros quatro eixos do Conselho, um ponto ganhou um denominador comum que será a luta para que a sociedade tenha mais participação nas decisões do órgão consultivo, deliberativo e fiscalizador, inclusive que seus membros procurem e interajam com os diversos segmentos e linguagens artísticas que fazem parte da nossa cultura. Nesses encontros para a formação do Conselho, por exemplo, foi fraca a presença de pessoas da sociedade, muito pela falta de divulgação na mídia.
Outra questão é que Vitória da Conquista estruture, em definitivo, uma política cultural que contemple todos os eixos ou linguagens artísticas, de modo que tenhamos diretrizes de realizações de eventos, capacitação e treinamento profissional, pesquisas para averiguar as necessidades de cada setor da cultura, conferências, seminários e outras ações.
Na verdade, cultura é um grande agente de desenvolvimento econômico gerador de emprego e renda para o município. Sem um plano, Conquista nunca teve, por exemplo, uma Feira do Livro, como vem acontecendo em outras cidades. Há muitos anos que não se realiza um salão de artes plásticas e fotografia, nem se faz festivais da música, de teatro e da dança.
“PERCURSOS TRANSLOCAIS: VALENTIN MUDIMBE E O PÓS-COLONIAL”
As suas produções intelectuais foram voltadas para a salvação do seu país, o Zaire, hoje a República Democrática do Congo. Em suas teses filosóficas sempre defendeu que a cultura nacional autêntica era uma mistificação. Quanto ao continente africano, “não existe uma cultura unificada”.
Como monge de formação beneditina, Valentin Mudimbe estudou e lecionou em várias universidades como doutor nos Estados Unidos e na França. Em 1968 formou-se em Sociologia na Universidade de Paris-Nanterre. Na interpretação da acadêmica Regiane Augusto de Mattos, ele é comentado como um dos expoentes africanos no livro “Intelectuais das Áfricas”.
Nos anos 60, de acordo com Regiane, foram para Mudimbe e outros universitários africanos um período de despertar político, no qual o marxismo, e depois o socialismo africano, tornaram-se inspiração, não somente politicamente para os movimentos de independência da África, como para compreender academicamente as sociedades africanas.
Em seu livro “A Invenção de África: gnose, filosofia e a ordem do conhecimento”, publicado em 1988, Mudimbe apresenta a ideia de África como uma invenção epistemológica na área das ciências sociais, defendendo que o conhecimento seria um conhecimento estritamente controlado por procedimentos específicos elaborados por europeus, que ele denomina gnose.
De acordo com Regiane, o intelectual em que ela se refere, não apenas criticou a antropologia clássica e a etnologia europeias, como rejeitou o movimento político cultural Negritude (Aimé Césaire, poeta da Matinica, foi o primeiro a usar esse termo) promovido por intelectuais negros, afirmando que também era uma concepção influenciada por uma episteme ocidental da África, mas representada por africanos e seus descendentes.
Para a intérprete de seus pensamentos, desde o final do século XIX, intelectuais africanos empenharam-se em transformar a visão que imperava na África de um continente formado por sociedades sem história. Após a segunda Guerra Mundial, esses intelectuais escreveram trabalhos em torno da problemática colonial, tendo um papel importante nas lutas de libertação do continente. Nesse âmbito, ganhou destaque, como ramo específico do pan-africanismo, o movimento da Negritude.
O principal teórico do movimento foi Léopold Senghor, mais tarde presidente do Senegal, permanecendo no poder entre 1960 a 1980. O meio de debate e divulgação do movimento das ideias era a revista Présence Africaine, criada em 1947.
No pensamento de Mudimbe, os africanos deveriam criar suas próprias perspectivas através da ruptura, rejeitando as teorias do desenvolvimento contínuo de uma cultura africana, fechada e única. Ele propôs que os intelectuais africanos inventassem suas próprias concepções do conceito de africano.
Para ele, os ocidentais se entendem como vetores de um modelo cultural pretensamente universal. Entretanto, essa universalidade não é construída através de uma experiência real da pluralidade, pois viveram a alteridade de modo marginal ou deformado, partindo da sua própria identidade.
Mudimbe defende a importância da singularidade das experiências históricas. Os africanos teriam a capacidade de gerar suas próprias normas de inteligibilidade e de interpretação, sem a necessidade da utilização de categorias criadas por outras experiências. Classificou a lógica binária local/global ou singular/universal como uma divisão que não é totalmente absoluta.
Em seus estudos, disse que todos têm o direito de usar o conhecimento sobre o continente para construir uma identidade que pode ser compartilhada. Se para ele, sua própria experiência foi bem-sucedida, a crítica à colonização recai sobre o processo colonial falhar na conciliação entre as tradições africanas e europeias. Assim, a África e os africanos poderiam também ter êxito, se soubessem conciliar o passado colonial às suas próprias experiências históricas.
AS PALMEIRAS E A CULTURA
As nossas centenárias e imponentes palmeiras da Praça Tancredo Neves, em Vitória da Conquista já fazem parte da nossa cultura, mas quantos não passam por ali todos os dias e nem param para admirá-las e refletir o quanto a natureza é bondosa conosco? Da Casa Regis Pacheco, bem em frente da bela praça, as lentes da máquina do jornalista e escritor Jeremias Macário registrou essa imagem que se eleva aos céus e se une à nossa cultura. Lá estão elas, as palmeiras, numa intimidade com o vento e as nuvens a balançar suas folhas para lá e pra cá, refrescando os que passam apressados pelos afazeres do dia a dia, principalmente em épocas de muito calor. Felizmente, ainda é o local mais conservado e aprazível da cidade porque também todas as outras praças deveriam ganhar os mesmos privilégios. Praça, não é somente lazer e turismo para adultos e crianças. É também cultura porque é nela que se troca ideias, que uma pessoa rever a outra que há muito tempo não se via e é parada para um bom bate-papo entre amigos. É ainda onde namorados se encontram para a troca de beijos e carícias. É reconciliação e, acima de tudo, uma benção e um presente da natureza que merece toda atenção e cuidados, sem essa de jogar lixo no chão. Quem apenas só quer ser servido e não serve ao outro, é um ignorante ingrato que nem merece continuar a existir.
VISÕES DAS ÁFRICAS
Versos inacabados do jornalista e escritor Jeremias Macário
Nasci na Região dos Grandes Lagos,
Sou filho da Montanha da Lua,
Mãe nua das florestas e dos matos,
Fui rei do Reino dos Magos,
Não sou mais preto e branco,
Sou um lambuzo dos mulatos,
Visões geográficas das Áfricas.
Sou parto colonizado do colonizador,
Do Congo, da Guiné, Angola e Senegal,
Portos de correntes, massacres da dor,
Culturas do chicote curadas com sal,
Kunta Kinté do patrão fugidor,
Nas visões das lendas das Áfricas.
Sou Soynka, Mia Couto e Cabral,
Diop, Fela-Kuti, Mudimbe e Fatema,
Ketu e Bantu com sua raiz cultural,
Arte da escrita, música e do cinema,
Cada um com sua história nos anais,
Nas visões dos intelectuais das Áfricas.


























