Como uma pátria tão desigual, de mais de 30 milhões passando fome, e uma minoria que detém mais de 10% de toda renda brasileira, vivendo no luxo e esbanjando riquezas, pode ser chamada de amada?  Uma pátria tão desigual não pode ser amada.

Não existe um projeto ou um planejamento sério nas áreas da educação, da pesquisa, da saúde e do saneamento básico para reduzir esse fosso da desigualdade, que só faz aumentar, e é uma das piores do mundo.

Nos últimos 20 ou 30 anos só vimos programas sociais eleitoreiros, de socorro emergencial, como Bolsa Família, Bolsa Gás e outros do tipo para a perpetuação do poder, sem apontar uma alternativa, ou uma porta de saída da miséria.

Com a pandemia, como já era de se esperar, a situação só se agravou, e agora entra outro com a mesma roupagem, que muda apenas o nome. Não fossem as doações de grupos e ongs, milhares ou milhões já teriam morrido de fome em casebres desumanos, fétidos, cheios de ratos e animais de esgotos a céu aberto.

Temos uma longa trajetória de extrema injustiça na lista dos campeões em beneficiar poucos, enquanto o povo é privado da alimentação digna, da segurança e do saneamento básico. Estudo divulgado pelo Laboratório das Desigualdades Mundiais, integrante da Escola de Economia de Paris, coloca o Brasil como um dos mais desiguais do mundo. A elite nunca aceitou dividir seus ganhos com as camadas mais necessitadas.

Com a pandemia, essa desigualdade se acentuou no mundo inteiro onde os bilionários ficaram mais bilionários e os pobres mais pobres. No Brasil, que já apresentava altos índices de desigualdades entre ricos e os mais pobres, esse quadro foi mais visível.

É um grande cinismo e hipocrisia se falar em “pátria amada” onde a grande maioria de seus filhos vive abaixo da linha de pobreza, sem falar na violência, na falta de segurança, na destruição do meio ambiente e com uma “democracia” sob o manto da censura e da ameaça de uma intervenção militar.

Sinceramente, essa não é a minha “pátria amada” que gostaria de viver meu resto de vida. Os que têm condições estão deixando essa “pátria amada”. Outros estão abandonando por sofrer perseguições e até ameaças de morte por criticar o retrocesso, o negacionismo, o fanatismo religioso e a extrema-direita genocida.