:: 9/dez/2021 . 21:20
TEATRO PEDE SOCORRO
É tanta falta de sensibilidade para com a cultura (a alma da vida) neste país, que o “Teatro Carlos Jheovah”, em Vitória da Conquista, na Praça da Bandeira, construído em 1982, está em péssimas condições físicas, ao ponto do seu uso não ser recomendado, pois corre risco de desabamento. Por fora ainda corre boatos, por conta de especulações do setor imobiliário, de que o equipamento pode ser demolido pela Prefeitura Municipal. Seria mais um ato insano e a morte de uma alma cultural que alimenta saber, conhecimento e entretenimentos. Ao seu lado, o mercado de artesanato também se encontra em grave situação, e muitos artistas denunciam ações de despejos por parte de prepostos do poder público. Para salvar esses sagrados locais, um grupo de jovens está se mobilizando, inclusive junto à sociedade, entidades, Câmara de Vereadores e outras instituições, no sentido de que o executivo agilize, com urgência, a reforma do teatro e do mercado. É triste ver mais uma vez um espaço cultural pedir socorro para não desaparecer. A cultura deveria ser a nossa joia mais preciosa, quando, na verdade, não passa de um pato manco nos gabinetes dos governantes. Todos os dias ela está sendo ultrajada, como se fosse uma criminosa de alto risco para o nosso povo.
PASSADO QUE ARDE
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sou seu animal ancestral,
Que rosna em seu presente,
Com mente canibal.
Do Brasil Raízes, encarnado,
Da chibata que sangra a carne,
Sou passado que ainda arde.
O vento segue a corrente do tempo,
Como as injustiças no lamento,
De uma gente que sempre mente.
Sou fardo que nasceu do parto,
Vida que sempre sonhou,
Num país que esqueceu o amor.
As ondas se batem no mar,
E se acabam no mesmo lugar,
Como a morte que lhe rouba o ar.
Sou pôr-do-sol dessa tarde,
Do amanhã o alvorecer,
De um passado que ainda arde.
UMA PÁTRIA DESIGUAL NÃO PODE SER AMADA
Como uma pátria tão desigual, de mais de 30 milhões passando fome, e uma minoria que detém mais de 10% de toda renda brasileira, vivendo no luxo e esbanjando riquezas, pode ser chamada de amada? Uma pátria tão desigual não pode ser amada.
Não existe um projeto ou um planejamento sério nas áreas da educação, da pesquisa, da saúde e do saneamento básico para reduzir esse fosso da desigualdade, que só faz aumentar, e é uma das piores do mundo.
Nos últimos 20 ou 30 anos só vimos programas sociais eleitoreiros, de socorro emergencial, como Bolsa Família, Bolsa Gás e outros do tipo para a perpetuação do poder, sem apontar uma alternativa, ou uma porta de saída da miséria.
Com a pandemia, como já era de se esperar, a situação só se agravou, e agora entra outro com a mesma roupagem, que muda apenas o nome. Não fossem as doações de grupos e ongs, milhares ou milhões já teriam morrido de fome em casebres desumanos, fétidos, cheios de ratos e animais de esgotos a céu aberto.
Temos uma longa trajetória de extrema injustiça na lista dos campeões em beneficiar poucos, enquanto o povo é privado da alimentação digna, da segurança e do saneamento básico. Estudo divulgado pelo Laboratório das Desigualdades Mundiais, integrante da Escola de Economia de Paris, coloca o Brasil como um dos mais desiguais do mundo. A elite nunca aceitou dividir seus ganhos com as camadas mais necessitadas.
Com a pandemia, essa desigualdade se acentuou no mundo inteiro onde os bilionários ficaram mais bilionários e os pobres mais pobres. No Brasil, que já apresentava altos índices de desigualdades entre ricos e os mais pobres, esse quadro foi mais visível.
É um grande cinismo e hipocrisia se falar em “pátria amada” onde a grande maioria de seus filhos vive abaixo da linha de pobreza, sem falar na violência, na falta de segurança, na destruição do meio ambiente e com uma “democracia” sob o manto da censura e da ameaça de uma intervenção militar.
Sinceramente, essa não é a minha “pátria amada” que gostaria de viver meu resto de vida. Os que têm condições estão deixando essa “pátria amada”. Outros estão abandonando por sofrer perseguições e até ameaças de morte por criticar o retrocesso, o negacionismo, o fanatismo religioso e a extrema-direita genocida.
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