:: 17/dez/2021 . 23:05
“EXPOSIÇÃO ARTE CONQUISTA”
Em homenagem ao centenário da Semana da Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, um marco divisor das linguagens artísticas no Brasil, culminando com o movimento antropofágico de Oswaldo de Andrade, a prefeita Sheila Lemos e o secretário de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer, Xangai abriram, ontem (dia 17/12), a “Exposição Arte Conquista”, no Memorial Régis Pacheco, em frente à Praça Tancredo Neves.
O evento, com a participação de 25 artistas conquistenses de diversas áreas e cerca de 80 obras, ficará aberto ao público até o dia 28 de fevereiro de 2022. Literatura, pintura, escultura, cordel, fotografia e outras linguagens fazem parte da mostra que celebra os 100 anos da Semana da Arte Moderna. A prefeita falou da importância da exposição para a cultura de Vitória da Conquista e elogiou os trabalhos dos artistas da terra.
Logo após a abertura da solenidade, o violeiro, compositor e cantor Xangai apresentou suas cantorias e também destacou a importância do evento para a cidade, ao convidar as pessoas, principalmente estudantes, professores, intelectuais e interessados a conhecerem as obras durante sua permanência na Casa Régis Pacheco. A artista e cantora Rosa Aurich falou da Semana da Arte Moderna e ainda abrilhantou o público com alguns números musicais.
Estão participando da Exposição Arte Conquista, os artistas Alan de Kard, Alex Emmanuel, Alberto David, Ailton Dias, Cassiano Ribeiro, Domícios Campos, Edméia de Oliveira, Geraldo Bope, Jeremias Macário, João Marcos Oliveira, Lilian Morais, Liva Andrade, Marisa Correia, Mida Magnavita, Mozart Tanajura Júnior, Orlando Sena, Romeu Ferreira, Rosa Aurich, Sérgio Souto, Sílvio Jessé, Tina Rocha, Valy Matos, Valéria Vidigal e Yamanu.
“JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO E O DESENVOLVIMENTO SOCIAL”
Desigualdade e vulnerabilidade social, a inclusão do jovem nas leis de aprendizagem e do estágio no mercado de trabalho, a empresa que não segue os ritos da lei, a informalidade, a evasão escolar e a necessidade do emprego para o sustento familiar são questões pertinentes e atuais abordadas pelo professor, conselheiro-presidente do Instituto Alfam, gestor e consultor empresarial Fabrício Vieira Silva em um dos capítulos do livro “Relações Humanas-desafios e perspectivas”.
Todos esses problemas, como aponta o mestre em Desenvolvimento e Gestão Social pela Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia, terminam refletindo no desenvolvimento do país, detentor de grandes riquezas, mas com instabilidade econômica e social de toda ordem, bem como escassez de recursos para assegurar as condições básicas à população (educação, saúde precárias) menos favorecidas- assinalou.
Fabrício diz estar longe de apresentar soluções para situações tão complexas, mas deixa claro que a saída é a educação completa do jovem para enfrentar a competitividade do mercado, cada vez mais exigente em termos de qualificação da mão-de-obra. “O abandono escolar perpetua o ciclo de pobreza e a vulnerabilidade social”, termo sempre repetido por ele em seu artigo.
Quando se discute o aspecto do trabalho, Vieira destaca que o país tem características peculiares em relação a outras nações do mesmo porte, por dispor de instrumentos de inserção dos jovens no mercado formal de trabalho, como o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei de aprendizagem (Lei do Jovem Aprendiz) e a lei do estágio. “Mesmo assim, o país patina na tentativa de encontrar as soluções para tornar-se mais igualitário e com melhor desempenho no mundo do trabalho”.
Ele salienta que, “embora o estágio não seja considerado regime formal de trabalho, o destacamos como uma oportunidade disponível de inserção dos jovens no mercado de trabalho, desde que a prática não seja utilizada pelas empresas como mera substituição precarizada do empregado formal, que respeite a área de atuação na qual o estagiário esteja estudando e também o quantitativo máximo estabelecido pela lei”.
O articulista ressalta que em suas atividades profissionais tem captado diálogos empresariais, dentre algumas, que lhe intrigam, tais como, há vagas no mercado, o que falta é gente qualificada! A legislação é muito rigorosa quanto as exigências à inserção dos jovens! Eu não consigo “aproveitar” os jovens que passam por aqui, pois estão “verdes” e despreparados! Não tenho condições de fazer da minha empresa uma escola, pois fica caro fazer o jovem aprendiz, e acabo cumprindo a lei para não ser multado.
Em sua opinião, Fabrício entende que existe um distanciamento entre a formação profissional e acadêmica e o mercado de trabalho formal. O mercado carece de pessoas mais qualificadas, muitas vezes mais comportamentais e psicológicas do que técnicas, sem negligenciar o conhecimento do ofício – destaca
Um ponto que sempre o professor chama a atenção é quanto a vulnerabilidade social das famílias. “Um país como o Brasil, em desenvolvimento, ainda amarga um elevado número de famílias em condições de pobreza ou de extrema pobreza que vivem se deparando com diversas carências”…
De acordo com o IBGE, conforme cita, em 2018 o país tinha 13,5 milhões de pessoas com renda mensal per capita inferior a 145 reais, critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza.
Ainda sobre o tema vulnerabilidade social, Vieira aponta dois pensadores Richard Castell e Carolina Moser. Para o primeiro, os indivíduos passam a integrar à sociedade por meio de dois processos: O mundo do trabalho e as proximidades pelas relações familiares de vizinhança. Essas relações proporcionam sensação de pertencimento (proteção e segurança). Sobre a questão do trabalho, Castell apresenta as possibilidades de inserção pelo trabalho estável, assegurando direitos, e o precário, sem contratos, sem vínculos formais e garantias e, por fim, a não inserção por compor o quadro de desempregado ou incapacidade para o exercício.
Para Moser, a vulnerabilidade teria duas origens, por ausência ou escassez de ativos; ou por uso inapropriado dos recursos que se tem por parte dos indivíduos, famílias e comunidades. Segundo ela, as estratégias de enfrentamento centram-se na disponibilização de ativos às pessoas e no apoio para a adequada utilização dos recursos de que se dispõe.
Em seu trabalho, Fabricio enfatiza que o Brasil tem uma mão-de-obra bastante jovem e que, se bem preparada, poderia dar saltos na contribuição para um país bem mais estruturado no campo social e econômico. No entanto, existe uma oscilação crescente no número de desemprego de 2012 a 2019, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
O crescimento do desemprego, segundo Fabrício, empurra o jovem para o mercado de trabalho informal de baixa qualidade, de vínculos empregatícios precários e de menor remuneração, ou infantil. Conforme o IPEA, “trabalhar na informalidade no início da carreira pode comprometer toda a sua trajetória profissional”. O consultor Fabrício vai mais além quando afirma que quando o jovem entra na informalidade sofre a real possibilidade de abandono dos estudos para ajudar a família. “Não hesita em abrir mão da escola quando vislumbra ter mais ganho mediante o aumento da carga de trabalho”.
O professor diz que a atividade remunerada na vida desses jovens representa, sobretudo, uma renda para o complemento do ganho familiar, bem como a satisfação de consumo desses próprios jovens. “Com isso, os jovens trabalhadores se sentem úteis e importantes em seu meio social. A valorização é maior quando se trata de trabalho formal, fazendo o emprego assumir mais importância na sua vida (Moura, 2009, p. 11).
Ainda sobre a evasão escolar, Vieira alerta que esse fato faz diminuir as expectativas de um futuro melhor e mais digno para o jovem e sua família e, com isso perpetua o ciclo de pobreza e vulnerabilidade social. Ainda no mesmo artigo, o professor Fabrício discorre sobre família, trabalho, escola e desenvolvimento social, destacando que famílias com vulnerabilidade social tendem a estimular os jovens ao trabalho como saída para ampliação da renda, por questão de sobrevivência.
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