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:: 7/dez/2021 . 23:38

UM PAÍS FORA DA CURVA

Será que existe no planeta terra, de cerca de 200 países, um tão fora da curva quanto o nosso Brasil de hoje? Confesso que não me sinto bem ouvir e escrever sobre coisas tão irracionais que fazem deprimir o nosso espírito e nos sentir como derrotados.

Nesses quase três anos só colecionamos destruição contra a vida, avalanches de fake news, miséria cada vez degradante, seres que não têm mais empatia para com o outro, trambicagens de pessoas que já perderam a alma, com um capitão-presidente que tanto fala em pátria e família, mas que tem o hálito da morte.

Desde cedo, quando aqui engrossou a pandemia da Covid-19, se posicionou contra as vacinas, e assim permanece, mesmo com os resultados positivos com a imunização. Agora quando praticamente toda nação exige a apresentação de um passaporte para entrar em seu país, o cara resiste à norma e chama o atestado de coleira, o que nos faz lembrar peça que se usa no pescoço de cachorro bravo.

Como se não bastasse seu ímpeto por destruir o nosso país, ele passou a ser sagaz no método de confundir os incultos e ignorantes ao dizer que estão querendo fechar o espaço aéreo, numa referência à recomendação da ANVISA- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ele tem sede de morte? Os 616 mil não foram suficientes?

Será que a psicanálise tem explicação para este tipo de comportamento? Não se falou em fechamento de espaço aéreo, mas em fiscalizar a entrada de passageiros através do passaporte de vacinação. Em mais de 100 países já existe a obrigatoriedade da vacina contra a malária para o visitante, e ninguém reclama, nem chama isso de coleira.

Sinto-me mal em falar dessas coisas tão absurdas, quando até nos tempos mais remotos, os países procuravam controlar suas fronteiras quando do surgimento de doenças contagiosas, como a peste e a gripe espanhola. O que os brasileiros fizeram para merecer tanta maldade?

Um ministro “terrivelmente evangélico” no Superior Tribunal Federal está sendo motivo de comemoração pelos seguidores fieis da religião, num país que mentirosamente é chamado de laico. O general de pijama Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, acaba de autorizar o avanço de sete projetos de exploração de ouro numa região preservada da Amazônia.

Tudo isso é fruto de um entulho político que vem se arrastando há anos no Brasil onde os brasileiros, não mais suportando tantos fracassos e promessas vãs, resolveram partir para o retrocesso. Criou-se um ódio e dele nasceu um bruto. Tudo isso é resultado de um passado de sujeiras, de ditaduras, de arbitrariedades, de ganâncias pelo poder, o qual passa por cima do bem-estar das pessoas. Estamos pagando por esse pecado ancestral.

 

A ILUMINAÇÃO DE NATAL E A CULTURA

Foi inaugurada, ontem, (dia 6/12), a iluminação de Natal da Praça Tancredo Neves, a antiga conhecida Praça da Borboleta, ou para quem quiser, Praça da Catedral, com as presenças do secretário de Cultura, Xangai, e do coordenador Alexandre Magno, entre outras autoridades. Logo cedo, por volta das 18 horas, muitas famílias com suas crianças já estavam na expectativa das luzes se acenderem, e não demorou muito para o local se transformar no espírito natalino.

No entanto, é bom que se diga e que se registre que a Prefeitura Municipal não pode apenas pontuar a realização dos eventos natalinos e do São João como como feitos culturais. É preciso que o poder público, e aqui merece menção a outros governos passados, entenda que a cultura não se resume apenas a esses atos. Ela clama por muito mais que isso e seja extensiva às diversas linguagens artísticas.

A nossa cultura, como um todo no município, a bem da verdade, está abandonada e carece de incentivos por parte do executivo. A literatura, o teatro, as artes plásticas em geral, a dança, o audiovisual e, principalmente, a cultura popular estão esquecidos, e os respectivos artistas vivem de cuia na mão. A cultura sempre foi renegada, e nesses tempos de retrocessos, ela está sendo jogada na cesta do lixo.

O novo Conselho de Cultura, empossado nesse final de ano, em suas primeiras seis reuniões, está disposta a resgatar a nossa cultura, de forma que ela volte à efervescência dos anos 50 e 60, quando grandes nomes se tornaram reconhecidos nacionalmente. Vitória da Conquista de ontem e de hoje sempre teve e ainda tem grandes talentos que carecem de apoio para divulgar seus trabalhos.

Agora mesmo, o Conselho vem discutindo a questão do Teatro Carlos Jheovah e o Mercado de Artesanato que se encontram em péssimas condições, inclusive com ameaças de demolição. As reformas desses equipamentos demandam urgência, bem como a reativação do Cine Madrigal e da Casa Glauber Rocha.

O Conselho por si só não pode fazer muita coisa sem o apoio da classe artística, da sociedade e dos empresários que podem ser beneficiados com esse mercado criativo que, até então, tem sido desprestigiado. Precisamos de um plano cultural para dar mais solidez às prioridades do setor, e este é mais um objetivo do Conselho a partir do próximo ano. Estamos apenas começando um árduo trabalho de retomada da nossa cultura com vistas a colocá-la no lugar merecido.





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