Será que existe no planeta terra, de cerca de 200 países, um tão fora da curva quanto o nosso Brasil de hoje? Confesso que não me sinto bem ouvir e escrever sobre coisas tão irracionais que fazem deprimir o nosso espírito e nos sentir como derrotados.

Nesses quase três anos só colecionamos destruição contra a vida, avalanches de fake news, miséria cada vez degradante, seres que não têm mais empatia para com o outro, trambicagens de pessoas que já perderam a alma, com um capitão-presidente que tanto fala em pátria e família, mas que tem o hálito da morte.

Desde cedo, quando aqui engrossou a pandemia da Covid-19, se posicionou contra as vacinas, e assim permanece, mesmo com os resultados positivos com a imunização. Agora quando praticamente toda nação exige a apresentação de um passaporte para entrar em seu país, o cara resiste à norma e chama o atestado de coleira, o que nos faz lembrar peça que se usa no pescoço de cachorro bravo.

Como se não bastasse seu ímpeto por destruir o nosso país, ele passou a ser sagaz no método de confundir os incultos e ignorantes ao dizer que estão querendo fechar o espaço aéreo, numa referência à recomendação da ANVISA- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ele tem sede de morte? Os 616 mil não foram suficientes?

Será que a psicanálise tem explicação para este tipo de comportamento? Não se falou em fechamento de espaço aéreo, mas em fiscalizar a entrada de passageiros através do passaporte de vacinação. Em mais de 100 países já existe a obrigatoriedade da vacina contra a malária para o visitante, e ninguém reclama, nem chama isso de coleira.

Sinto-me mal em falar dessas coisas tão absurdas, quando até nos tempos mais remotos, os países procuravam controlar suas fronteiras quando do surgimento de doenças contagiosas, como a peste e a gripe espanhola. O que os brasileiros fizeram para merecer tanta maldade?

Um ministro “terrivelmente evangélico” no Superior Tribunal Federal está sendo motivo de comemoração pelos seguidores fieis da religião, num país que mentirosamente é chamado de laico. O general de pijama Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, acaba de autorizar o avanço de sete projetos de exploração de ouro numa região preservada da Amazônia.

Tudo isso é fruto de um entulho político que vem se arrastando há anos no Brasil onde os brasileiros, não mais suportando tantos fracassos e promessas vãs, resolveram partir para o retrocesso. Criou-se um ódio e dele nasceu um bruto. Tudo isso é resultado de um passado de sujeiras, de ditaduras, de arbitrariedades, de ganâncias pelo poder, o qual passa por cima do bem-estar das pessoas. Estamos pagando por esse pecado ancestral.