Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Sou seu animal ancestral,

Que rosna em seu presente,

Com mente canibal.

 

Do Brasil Raízes, encarnado,

Da chibata que sangra a carne,

Sou passado que ainda arde.

 

O vento segue a corrente do tempo,

Como as injustiças no lamento,

De uma gente que sempre mente.

 

Sou fardo que nasceu do parto,

Vida que sempre sonhou,

Num país que esqueceu o amor.

 

As ondas se batem no mar,

E se acabam no mesmo lugar,

Como a morte que lhe rouba o ar.

 

Sou pôr-do-sol dessa tarde,

Do amanhã o alvorecer,

De um passado que ainda arde.