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A OLIMPÍADA DA PANDEMIA

Carlos González – jornalista 

Criados em 1894 pelo francês René de Fredy, o Barão de Coubertin (1863-1937), os Jogos Olímpicos nesses 127 anos foram desestabilizados e manchados por acontecimentos com perfis bélico, terrorista, ideológico e por corrupção. Pela primeira vez o maior evento esportivo do planeta foi ameaçado por um vírus letal, que já havia provocado o adiamento por um ano da XXXII Olimpíada da Era Moderna, realizada entre os dias 23 de julho e 8 de agosto, na populosa cidade de Tóquio, no Japão.

Contrariando a opinião da maioria dos moradores da capital japonesa, as autoridades locais e o Comitê Organizador, pressionados pelas empresas patrocinadoras, realizaram os Jogos, mesmo sem a presença de público, numa decisão similar recente adotada por alguns brasileiros indiferentes à vida humana, capitaneados pelo presidente Bolsonaro, quando da promoção da Copa América. Sob estado de emergência – somente no dia 31 ocorreram 4.058 novos contaminados pela Covid-19 – o Japão recebeu 12.500 atletas de 206 países.

A partir do próximo dia 24 a população de Tóquio vai ser submetida a um novo período de tensão, com a abertura dos Jogos Paralímpicos, que se estenderão  até 5 de setembro, com possibilidade de aumento de infectados  – na última Olimpíada foram 246 casos, incluindo 26 atletas, nenhum brasileiro. O  motivo para preocupação é muito simples: o competidor (deficiente físico ou mental) não tem a mesma estrutura músculo-esquelética e metabólica do atleta profissional.

Esta semana encerrou a quarentena de 14 dias, submetida as 52 membros, sendo 27 atletas, da representação brasileira à Paralimpíada, cuja viagem foi antecipada ao Japão para adaptação ao fuso horário e aos locais das provas. As autoridades sanitárias japonesas determinaram o isolamento depois de detectar dois casos de Covid-19.

Potência olímpica

O 12º lugar (sete medalhas de ouro, seis de prata e oito de bronze) atingido pelo Brasil nos Jogos de Tóquio foi a nossa melhor campanha desde 1920 quando fomos representados por 22 atletas nos Jogos de Antuérpia, na Bélgica, mas ainda estamos distantes do que qualificamos de potência olímpica.  Com 10.950 km de litoral e a maior reserva de água doce (rios e lagoas) do planeta, o Brasil contou apenas com um representante no remo; o basquete (masculino e feminino) não foi a Tóquio. Como justificar o fracasso das duplas de vôlei de um país com mais de 7 mil quilômetros de praias?

A Rede Globo, dona dos direitos exclusivos de transmissão da Olimpíada, tentou mostrar o contrário. Seus narradores e comentaristas, como torcedores arrebatados (o G1 publicou várias fotos de Galvão Bueno fazendo “caras e bocas”)  bem que se esforçaram durante as madrugadas, instalados numa cabine em São Paulo.

O fuso horário foi um dos fatores determinantes do pouco interesse dos brasileiros pelos Jogos. Também não se pode ignorar que o povo vive apreensivo com as atitudes absurdas que chegam de Brasília, idealizadas por um psicopata.

Até o torneio de futebol, nosso esporte mais popular, passou despercebido. O título ganho com ajuda da arbitragem ficou em segundo plano diante da atitude dos jogadores, violando um acordo feito com o COI, relacionado à empresa patrocinadora da delegação brasileira. No pódio, Daniel Alves e seus companheiros exibiram a marca usada pela CBF. A transgressão disciplinar vai parar na Justiça.

Mesmo sendo considerado como emergente no concerto das nações com maior potencial olímpico, o Brasil ainda está muito distante dos Estados Unidos, China, Japão, Rússia, Canadá. Fora das escolas (Fernando Scheffer admitiu que a medalha de bronze ganha em Tóquio foi resultado de preparação numa universidade norte-americana), e dos  clubes sócio-esportivos, o esporte nacional carece da implementação de políticas públicas, tanto do governo federal quanto de estados e municípios; do investimento de empresas privadas, sem priorizar, por exemplo o futebol e o basquete, que têm maior visibilidade na televisão, ou optar por um atleta de ponta.

Dois programas bancados pela União ajudam no treinamento de centenas de atletas que estão nas melhores posições nos rankings de modalidades esportivas, de acordo com as respectivas confederações. O Bolso Atleta, administrado pela Secretaria Especial de Esportes, destina uma verba mensal de 370 a 3.100 reais a jovens candidatos a vagas em Olimpíadas e Mundiais.

O programa do Ministério da Defesa, o PAAR, com recursos de 38 milhões de reais anuais,  incorpora nas Forças Armadas, nos postos de recruta a 3º sargento, com soldo máximo de 4.000 reais, atletas de alto rendimento, com uma única obrigação: o aprimoramento nos locais de treinamento  militar. O Time Brasil em Tóquio contou com 91 militares, entre os quais os medalhista Kahena Kunze (vela), Ana Marcela e Fernando Scheffer (natação), Hebert Conceição e Beatriz Ferrreira (boxe), Alison dos Santos e Abner Teixeira (atletismo) e Daniel Cargnin.

O COB premiou os medalhistas individuais com 250, 150 e 100 mil reais. Nos esportes coletivos, o futebol recebeu 750 mil e o vôlei feminino 300 mil reais.

A conclusão a que chegamos é que o Brasil esportivo trabalha a médio prazo, sem lançar a vista para o futuro, na esperança de quer suja um atleta-exceção, como a skatista paraense Raissa Leal

O Nordeste, particularmente a Bahia, comemora, com todos os méritos, as medalhas conquistadas por seus filhos em Tóquio.  São chamados de “atletas exceção”, como os alunos do mestre Luís Dórea, que há mais de 40 anos forma campeões em sua academia no bairro periférico da Cidade Nova, em Salvador. De lá saíram Popó e Robson Conceição, e agora Hebert Conceição, medalha de ouro em Tóquio.   No mesmo bairro, Raimundo Ferreira ensinava a arte do boxe a um grupo de garotos, sendo observado por sua filha Bia, que, com o passar do tempo tornou-se aluna do seu pai, e hoje, no seu currículo são mais de 100 lutas, muitas delas fora do país. A medalha de prata na Olimpíada a tornou conhecida dos seus conterrâneos.

 

 

 

 

“INTELECTUAIS DAS ÁFRICAS” (Final)

Este livro conta com a participação do professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) Itamar Aguiar.

“África tem uma História”. Esta frase está no volume I de “História Geral da África”, de Joseph Ki-Zerbo. Era fins da década de 1970.

Silvio de Almeida Carvalho Filho e Washington Santos Nascimento, organizadores da obra, nos oferecem um apanhado geral sobre as ideias dos grandes intelectuais da África que interpretaram os conceitos do Pan-Africanismo e da Negritude do continente pré-colonial e pós-colônia.

Frantz Fanon foi um dos primeiros pensadores desse povo que por séculos viveu sob o jugo dos dominadores – assinalam.

Para elaborar o livro “Intelectuais da África”, por intermédio dos autores convidados, Silvio e Washington adotaram o significado de intelectual como indivíduo que reflete, teoriza, projeta e produz sobre as sociedades, imaginando novas formações sociais, políticas e econômicas.

Os intelectuais foram hábeis na arte de representar, seja na escrita, no cinema ou na música, como Fela Kuti, Sembène, Soyinka, Fatema e outros – escreveram.

O termo intelectuais, de acordo com os expositores do assunto, tem sua origem em fins do século XIX, na França, por conta do caso Dreyfuss, condenado injustamente por traição à pátria.

Como dizem os autores do capitulo da obra, os estudos sobre os intelectuais entraram em descrédito após a década de 1920. No entanto, o papel deles na França foi fortalecido durante a guerra da Argélia (1954-1961). Eles interferiram na história, em especial Jean Paul Sartre.

Textos de Anta Diop, Senghor e Fanon eram divulgados no bojo do Pan-Africanismo ou da Negritude, como forma de resistência à argumentação de que a África não tinha história, e seu pensamento era atrasado e selvagem – acusam os acadêmicos.

Silvio e Washington afirmaram que o surgimento dos intelectuais está ligado a três origens, como o universo (ancestral), o isolamento e a escolarização europeia. Esses processos se misturaram e se divergem em algumas regiões – afirmaram.

Formados no período do colonialismo europeu, um traço comum entre eles foi o engajamento frente a todos os problemas nacionalistas, nas lutas pela a emancipação e nos direitos das mulheres, contribuindo para a transição de descolonização do conhecimento.

Nos textos do livro, existem fortes influências de matrizes pré-coloniais. Esses pensadores, conforme apontam, foram tragados pelo Pan-Africanismo e a Negritude. Como estrangeiro, Fanon escreveu sobre os efeitos do colonialismo na África e participou da luta pela independência da Argélia. Essa intelectualidade viveu o processo do fim da colonização, da descolonização e da emergência dos novos Estados.

O Pan e a Negritude foram dois importantes movimentos de resistência político-ideológico. O primeiro foi na questão da ancestralidade que levaria a um sentimento racional gerador da solidariedade entre os povos.

A Negritude tratou da questão específica do orgulho de ser negro e adoção da sua cultura. Esse movimento surgiu em fins da década de 30 no poema lírico “Diário de um Retorno ao País Natal, do antilhano da Martinina Aimé Césare. Senghor desenvolveu essas ideias em diferentes obras, servindo de base para outros intelectuais.

O orgulho da África, a luta, não contra o sistema, mas seus abusos, foram marcas do Pan, segundo Silvio e Washington. Somente depois do Congresso Pan-Africano (1945) e da invasão da Etiópia por Mussoline, em 1935, a luta pela independência entra na agenda dos intelectuais – relatam.

Tudo isso contribuiu para a obra cinematográfica do senegalês Sembène. A partir daí, formou-se uma rede de solidariedade contra o colonialismo. Dentro dessa ideia de coparticipação, o pan-africanista Amílcar Cabral, líder da independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau, na década de 60, postulava que a libertação na África não poderia caminhar apenas na linha da independência de cada colônia, mas de toda África.

Esse Pan-Africanismo passou a estimular a unificação de toda a África em um único Estado, mas esbarrou nas divergências e nos sentimentos de soberania de cada território. Nkrunah, líder de Gana (1957 -1966) foi um dos difusores da ideia. O Pan também foi prejudicado pela xenofobia entre os estrangeiros africanos, pelas distâncias geográficas, pela a esquerda e direita, pelas prioridades econômicas e interesses de cada governo.

“Os dirigentes africanos se dividiram em dois grupos, os que queriam uma união política forte e os que desejavam uma confederação com soberania. A ideia caminhou para uma união entre os estados independentes, visando combater o imperialismo. Dessa forma, surgiu em 1963, a Organização da União Africana (OUA).”

Sobre este ângulo, a escritora nigeriana Adichie faz um de seus personagens lembrar de que o negro é uma criação branca, impregnada de autoritarismo e corrupção. Com as bandeiras do combate ao racismo e da negritude, o Pan obteve a simpatia de vários intelectuais africanos. Os dois se caracterizaram por sua face racial, de provar a não inferioridade da raça negra.

Adichie em seu livro Meio Sol Amarelo (2006) fez uma personagem sustentar que os negros foram e são emparelhados pela mesma opressão branca. Porém, a crítica à branquitude teve suas reservas nas falas de Pepetela, Soyinka e Mia Couto. O próprio Soyinka propôs uma valorização das culturas do continente, sem a negação de qualquer porte. Pepetela e Mia também não defenderam uma idealização da raça negra, se colocando abertos às misturas das culturas, não acreditando numa raiz pura e intocada.

Um Rio Chamado Tempo e Uma Casa Chamada Terra, Mia narra numa conversa entre família onde um membro se espanta que nela haja tantos mulatos. “Nesse mundo, todos somos mulatos”. “Ao longo dos séculos, as culturas africanas sempre se aproveitaram de traços culturais entre si e de outras fora do continente.”

Na década de 60, o músico Fela-Kuti propôs uma arte voltada para a solidariedade negra. Tanto Amílcar Cabral, Sembène e Adichie rejeitaram a ideia homogeneizante de uma única identidade africana, Admitiram a existência de uma pluralidade cultural. Adichie fez um personagem sua declarar que o negro era em grande parte uma criação branca.

Para Mbembe, o importante não é a volta ao passado, mas a autocriação e a auto explicação realizadas pelos africanos em cada lugar da sua história através de seus instrumentos, como a religião, a música, a literatura e das artes em geral.

“Em linhas gerais, os intelectuais africanos procuraram exercer influencias sobre a opinião pública em relação a fatos, como o colonialismo, a descolonização ou os Estados e as questões sociais emergentes no pós-independência, interpretando as realidades do continente”.

Os autores desse capítulo citam a nigeriana Adichie que questiona a subalternização das mulheres africanas, testemunhas das injustiças que, diante das quais, as mulheres se calavam. Ressaltam também a luta de Soyinka contra as ditaduras nigerianas, sendo preso durante a guerra da Biafra (1967-1970).

“Alguns desses intelectuais participaram de governos, como Senghor que foi presidente do Senegal (1960-1980) e Pepetela vice-ministro da Educação angolana (1976-1982). “Tiveram de lidar frequentemente no mundo ocidental com um desconhecimento ou uma visão estereotipada dos problemas africanos. Levantaram questões embaraçosas para o colonialismo ou para os regimes autoritários ou sociedades conservadoras em África. Lutaram contra diversas formas de poder, suas estruturas estatais autoritárias no período colonial e nos pós-independência”.

“Uns engendraram no campo político e outros, como Pepetela, na literatura após deixar a cena político-partidária. Enfim, lutaram pela promoção da liberdade dos africanos e pelo conhecimento crítico das realidades vivenciadas pela África. Muitos acreditaram que a independência era o início do processo de emancipação, chegando alguns, a pensarem realidades novas, às vezes, utópicas, enquanto outros acharam que era a sua conclusão”.

“Em geral, permaneceram críticos do poder, marginais ou exilados, não sendo cooptados por governos e empresas. Poucos renegaram essa vocação. Muitos, ao assumirem governos, abandonaram a posição extremamente crítica mais fácil aos intelectuais de oposição, tendo de justificar regimes ao lado dos quais passaram a assumir a liderança ou a defesa, traindo, consequentemente, companheiros”.

“Muitos, após a independência, com o assumir de regimes autoritários e corruptos, passaram a denunciar que todas as dificuldades atuais da África, tais como ditaduras, guerras, genocídios, machismo, fanatismo e poluição não podiam ser só atribuídas à colonização. Entre estes, “podemos apontar Soyinka, Pepetela e Fatema Mernissi”.

 

 

ATLETAS NÃO PRECISAM DE COMENDAS E SIM DE UMA POLÍTICA DE INCENTIVOS

MAIS UMA VEZ ESSAS OLIMPÍADAS SERVIRAM PARA MOSTRAR A FORÇA DE VONTADE E A CARA DE POBREZA DO NOSSO POVO. O BRASIL CONTINUA UM GIGANTE ADORMECIDO EM BERÇO ESPLÊNDIDO.

Com todas as dificuldades financeiras de sempre, choros, suor e lágrimas, os atletas brasileiros nas Olímpiadas de Tóquio, no Japão, conseguiram arrancar na tora e na garra 21 medalhas, superior que a última, no Rio de Janeiro. O número reflete a falta de políticas públicas para os esportes. A mídia faz estardalhaços com berros e sensacionalismos, mas esconde a realidade do corte de verbas para a formação e treinamento, que neste ano foi de 47% (dois bilhões de reais).

Os representantes da Bahia, de origens pobres, saídos das miseráveis periferias, se destacaram no evento, e o governo, mais uma vez, promete implantar um programa de incentivo com centros de treinamentos, que depois são esquecidos (acabaram com as piscinas olímpicas). Na apresentação da medalha, político quer posar ao lado do campeão, especialmente se for de ouro.

Para fazer sua média política, a Assembleia Legislativa da Bahia aprova a criação de comendas aos atletas que conquistaram medalhas. Isso é um engodo! Faltam investimentos na base para desenvolvimento de novos esportistas, inclusive nas escolas públicas.

Em 2020 liberaram emendas parlamentares de 30 milhões de reais para quadras e estádios, mas no final falta verba para alambrado e outros equipamentos. A obra fica inacabada e termina sendo depredada. As estatais nacionais não mais dão ajuda para os esportes.

Conforme saiu na coluna de José Medrado (edição do A Tarde, dia 11/08), a senadora Leila Barros, ex-jogadora de vôlei da seleção, fez um pronunciamento no Senado Federal onde apontou que dos 309 atletas, 131 não têm patrocínio (empresas pouco investem em cultura, esporte e lazer), 36 realizaram permutas, 41 promoveram “vaquinhas” para arrecadar recursos (uma vergonha!), 33 conciliam esportes com o emprego e 78 nem sequer estão inclusos no programa Bolsa Atleta.

É triste ver um atleta como o Darlan Romani, que conquistou o quarto lugar no arremesso de peso, treinar no quintal da sua casa, com um técnico lhe orientando por telefone. Existe uma lei, a chamada “Pelé”, mas até hoje o governo não apresentou o Plano Nacional de Desportos. No lugar, aparecem os oportunistas para darem comendas.

Falta também da parte dos nossos atletas uma consciência política (negaram também a educação a eles) para nesse momento botarem a boca no trombone e denunciar essas mazelas. Deviam se recusar a sair nas redes sociais ao lado desses políticos e governantes que só querem capitalizar o voto nesses momentos de pódio. São verdadeiros caras-de-pau!

Pelo tamanho e riqueza do nosso país, pelos talentos adormecidos que existem, pelas modalidades praticadas com afinco, persistência e força de vontade, e se nossos atletas tivessem total apoio, o Brasil já teria superado o dobro de medalhas nas olimpíadas. Vinte e uma medalhas são poucas frente a outros países até menores. Não vou aqui fazer comparações com os Estados Unidos, China, Japão e Rússia.

“BRASIL: NUNCA MAIS”

Fotos de Evandro Teixeira

Entre milhares delas pelo mundo a fora, essas duas fotos do meu amigo e grande fotógrafo Evandro Teixeira são também marcantes e históricas que dizem tudo da ditadura civil-militar de 1964, e que essa maldita nunca mais volte como está registrado no livro “Brasil: Nunca Mais”, organizado pelo arcebispo de São Paulo D. Paulo Evaristo Arns, em conjunto com igrejas protestantes.  Nesta semana, nos causou calafrios ver aqueles tanques desfilando na Esplanada dos Ministérios, num ridículo circo armado para entregar um convite ao capitão-presidente e intimidar a Câmara dos Deputados que votou contra a volta do voto impresso. Mais ridículo ainda foi ver aqueles generais de pijama subservientes ao “chefe”, envergonhando a imagem das forças armadas brasileiras. Não deveriam se prestar a esse papel de oportunismo barato. Ficaram feios na foto e se foram calados. Foi uma passagem melancólica, mas devemos ficar vigilantes 24 horas para que ela nunca mais no Brasil. Não vamos mais deixar passar essa boiada de carrascos que prenderam, torturaram e mataram.  Todas essas ameaças ainda acontecem porque as feridas da ditadura ainda continuam abertas, quando a anistia de 1979 não puniu os torturadores, como fizeram nossos países vizinhos. O dia dele vai chegar, sem intervenção militar como quer um grupo de nazifascistas que há anos viviam no armário porque não tinham ninguém para dar voz a eles, e nem havia espaço para tanta loucura.

O HOMEM QUE CHORA

Versos inéditos do jornalista e escritor Jeremias Macário

O homem em seu interior chora,

E lá fora bate o vento atrás do monte,

Até no horizonte onde secou toda fonte.

 

Nuvens anunciam tempestade de chuva,

Foguetes voam nesse espaço de engaço,

Da terra que produz da mandioca a uva,

Mas morre de fome a criança sem nome.

 

No infinito solitário da eternidade,

Náuseas desse falso existir solidário,

O homem perdeu seu sonho e o amor,

E só lhe restou a dor da tirana saudade,

Na espera de um verde no calendário.

 

Repente, repentistas desse Nordeste,

Cantam esse chão cauboy faroeste,

Do retirante a vagar com sua viola,

A solar a canção do homem que chora,

Nas noites frias a pedir uma esmola.

 

Sou a voz desse homem que chora,

Que perdeu a fé até em Nossa Senhora,

Sou a voz desse homem que chora,

Por justiça social que virou pedra de sal.

“CARRO-PIPA PRECISA DEIXAR DE SER TROCA DE MOEDA NA POLÍTICA”

A questão do abastecimento de água em Vitória da Conquista foi um ponto de destaque nas falas dos parlamentares na sessão de ontem (dia 11/08), na Câmara de Vereadores, cuja plenária continua com o péssimo hábito das conversas em paralelo quando alguém está discursando. O assunto foi abordado quando muitos locais urbanos e na zona rural convivem com a escassez do precioso líquido tão vital para as pessoas.

Em seu pronunciamento, o vereador Augusto Coutinho foi enfático quando disse que o “carro-pipa precisa deixar de ser troca de moeda na política”, ao citar que uma mulher esteve em seu gabinete para que ele intercedesse junto às autoridades do município por um desse serviço de oferta de água. Há anos que o carro-pipa faz parte do cenário de seca no semiárido baiano, inclusive na região sudoeste.

Isto me fez lembrar dos tempos em que fazia coberturas jornalísticas sobre estiagens no sertão. O carro-pipa sempre foi objeto de troca de voto e, por incrível que pareça, ainda continua sendo. O parlamentar bradou que isso tem que acabar através da prometida construção de uma barragem, para ele sobre o Rio Pardo, próximo a Inhobim, que atenda toda demanda da população, com água encanada na cidade e no campo. Essa barragem seria o dobro da capacidade das atuais Água Fria I e II.

Outro que mirou o problema da falta de água foi o parlamentar Admilson Pereira, apontando também a urgência de implantação de outra barragem, antes que se corra em outro risco de racionamento, levando em consideração que ainda vamos ter um período extenso sem chuvas, além do inverno seco que ainda estamos atravessando.

O tenente Muniz criticou a situação das estradas vicinais da zona rural, as quais se encontram intransitáveis, como no povoado de Muritiba. O colega Dinho dos Campinhos tratou dos problemas da saúde no município, cuja população mais carente não tem tido o devido acesso.

Alexandre Xandó mostrou a precariedade dos transportes coletivos em Conquista, e disse que testemunhou o quadro numa van que ele mesmo usou para se deslocar até a Câmara.  Não é de hoje que este tema da mobilidade urbana tem sido o carro-chefe nas discussões entre os parlamentares e os usuários que dependem do transporte para o trabalho e a realização de outras atividades cotidianas.

A Tribuna Livre ficou por conta de representantes jovens da Ordem Demolê, que explicaram sobre papel da instituição na comunidade, principalmente de assistência educacional, de esportes e lazer para a juventude mais pobre. Falaram do Dia da Juventude e reivindicaram mais políticas públicas voltadas para as crianças e os jovens.

UM PAÍS FAMÉLICO E UM DOS MAIORES PRODUTORES DE ALIMENTOS DO MUNDO

Nossos contrastes e paradoxos estão visíveis em todas as partes no campo político, social, econômico e educacional. A começar, somos uma país rico de um povo historicamente pobre e desigual. As riquezas naturais são imensas e belas, mas estão sendo destruídas, casos específicos dos nossos biomas pantanal e amazônico, sem falar do cerrado, da caatinga, da mata atlântica e dos pampas.

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o vice-campeão, mas é também um país de gente famélica de cerca de 50 milhões de habitantes que têm profundas deficiências nutricionais. Uma grande parte populacional vive à base do feijão com arroz, isto quando consegue comprar esses produtos, agora os vilões dos altos preços.

O Nordeste é a região que mais passa fome (só na Bahia quase um milhão), tanto que seu povo apresenta deficiências em sua estrutura física em termos de tamanho e massa corpórea. Morre-se mais cedo. É onde está o maior índice de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, que mal fazem uma refeição por dia. Nossas crianças já nascem sem futuro.

Tudo isso é muito irônico e vergonhoso quando o Brasil é o maior produtor de café, de soja e carne bovina do mundo.  É também um dos maiores na produção de frutas, hortaliças, milho, cana-de-açúcar, carne suína e avícola. Temos comida para abastecer parte do mundo.

Mesmo com essa grandeza, falta alimento na mesa de milhões de brasileiros, principalmente agora com a alta inflacionária que incide sobre esses produtos, a maioria com preços cotados no mercado internacional. O economista pode até explicar esse processo cambial do sistema capitalista da oferta e da procura que faz os preços oscilarem, mas não convence o pobre quando se trata de barriga vazia. Nas sinaleiras crescem o número de cartazes avisando “Tô com fome, ajude!

Além dessas matérias-primas agrícolas de exportação, onde o Brasil é autossuficiente, existem produtos, a exemplo do arroz, que o país é deficitário, isto é, o consumo é maior que a demanda, mas, mesmo assim, a preferência é exportar para o exterior. O contraste é que toda produção é vendida lá fora, e o governo é obrigado a importar o arroz de outros países asiáticos a um custo maior. Lá se vão nossas reservas cambiais.

A agropecuária no Brasil é altamente subsidiada, a começar pelo crédito a juros mais baixos, e quase tudo que produz é comercializado para fora, na cotação internacional. Então, o brasileiro de menor poder aquisitivo paga o mesmo valor de outro país, cujo povo possui melhores condições financeiras.

Outra ironia que pagamos por essa política de priorizar o mercado externo é que os produtores sempre se fazem de “bonzinhos”, dizendo que são responsáveis por colocar comida em nossas mesas, o que é uma mentira. Acima de tudo, o negócio deles são os dólares, e quem puder que siga o câmbio. Os outros que passem fome. Isso, no mínimo é desumano.

Existe também outra ironia e paradoxo. Para o exterior, os alimentos de melhor qualidade, como a manga, o mamão, o melão, a carne e outros itens, que são selecionados para esse fim. O consumidor brasileiro fica com a parte inferior, com o refugo e as sobras, pagando o mesmo valor. As frutas, principalmente, estão carregadas de agrotóxicos venenosos.

Quem ainda ameniza essa situação de penúria e não é reconhecido pelo governo, especialmente o atual, é o agricultor familiar que dá um duro danado, sem recursos para aumentar a produtividade e enfrentar as adversidades climáticas. Este ainda é roubado pelo atravessador; termina ficando praticamente sem nada; e passa necessidades também, inclusive fome.

O familiar ainda tem a virtude de preservar o meio ambiente. O contrário do agroindustrial que derruba e queima nossas florestas para plantar soja para a China. Para quem está distante dessa cruel realidade fica até com pena quando vê um empresário desse setor se queixando e derramando “lágrimas de crocodilo”. Eles não estão nem aí para quem está passando fome. É a lei do mais forte. Como educar um país famélico? Sem educação não existe desenvolvimento, e as desigualdades sociais só aumentam.

O PÂNICO DA ENTREVISTA DE EMPREGO

Dentre de muitas coisas nesse Brasil tupiniquim, uma que sempre me deixa encabulado e intrigado é quanto a etiqueta padronizada para a tão temida entrevista de emprego. Os consultores da área de recursos humanos, especialmente, criaram um pânico no entrevistado frente ao entrevistador.

A entrevista de emprego passou a ser mais difícil que um concurso, ou uma prova de conhecimento. A tal entrevista está acima até do que qualquer teste psicológico. É o bicho papão dos candidatos que já entram tremendo na sala do ilustre avaliador. Na véspera, o pretendente a uma vaga não consegue dormir à noite. O cara tem que ter um treinador especial no assunto, como o advogado faz com sua testemunha antes de se apresentar numa audiência judicial.

Para a entrevista, existe uma vestimenta apropriada, corte de cabelo adequado dentro das normas, unhas bem aparadas, perfume certo para a ocasião, maneira correta de se sentar, como pegar na mão (agora não pode por causa da pandemia), como piscar o olho, sapato impecável (nada de tênis), cores da camisa ou da calça (vestido ou saia se for mulher), gestos refinados, entre tantos outros infindáveis protocolos de conduta.

Jamais invente de ir de chapéu ou boné meu caro amigo interessado por um trabalho em qualquer empresa pública ou privada. Gostaria de saber desses orientadores de entrevistas se isso tudo identifica a verdadeira personalidade do indivíduo? Muitas vezes, o homem ou a mulher, seguem essas regras de certinhos, mas quando estão lá começam a mostrar realmente quem são.

Acho tudo isso uma babaquice inútil dessa fútil sociedade que só dá valor para a aparência do vestir e do se comportar falsamente. Afinal de contas, vivemos num sistema repleto de regras e, infelizmente, temos que seguir as normas para a própria sobrevivência do ganha pão. O mercado de trabalho está aí, e é ele quem dita como você deve se apresentar, senão terá a cabeça cortada.

Por falar em entrevista, queria aproveitar para deixar um recado para nossos coleguinhas jornalistas. A maioria deveria voltar a frequentar uma sala de aula na faculdade, para aprender como fazer uma entrevista que renda uma boa matéria. Essa entrevista de que estou falando, não tem nada a ver com a outra de emprego.

“INTELECTUAIS DAS ÁFRICAS”

O livro “Intelectuais das Áfricas”, organizado por Silvio de Almeida Carvalho Filho e Washington Santos Nascimento, é uma obra elaborada e comentada por várias cabeças intelectuais, inclusive conta com a colaboração do acadêmico e professor Itamar Pereira Aguiar, que nos adiantou já ser um sucesso de leitura, colocado como o 12º mais procurado no Amazon.

Não resta dúvida ser um trabalho inestimável em termos de contribuição para o conhecimento humano sobre o continente africano, e de grande valia para estudantes, professores, cientistas políticos e outros interessados pelo assunto, principalmente em salas de aulas.

Como o próprio título já diz, acadêmicos e estudiosos se debruçam em traduzir o pensamento de grandes intelectuais da África que abriram o desconhecido e construíram pilares culturais mais sólidos rumo a novas mudanças políticas continentais, especialmente no pós-colonialismo europeu.

“Intelectuais das Áfricas” é prefaciado pelo filósofo Renato Nogueira que abre o texto com Anta Diop, citando o professor Leakey na questão do povoamento do mundo onde viviam os primeiros seres na região dos Grandes Lagos. “Isso quer dizer que toda raça humana teve sua origem, exatamente como supunham os antigos, aos pés das montanhas da Lua” –

No quesito civilizações humanas, de acordo com Nogueira, a África é o continente mais antigo do planeta. Em referência aos intelectuais, objeto de abordagem do estudo, o filósofo destaca o senegalês Cheikh Anta Diop que, de uma forma ou de outra, influenciou o mundo acadêmico africano.

Para o prefaciador do livro, Diop foi o primeiro grande intelectual africano do século XX. Foi ele que deu voz em favor do protagonismo investigativo de africanas e africanos para contarem sua própria história, apresentando suas teses sobre os fenômenos filosóficos, sociais, artísticos, científicos e políticos – disse. Diop abriu caminho para todos os outros que vieram depois.

Em seguida, Nogueira aponta Achile Mbembe, Valentim Mudimbe, Paulim Jidneu, Malek Chebel, Fatema Mernissi (marroquina), Osmane Sembene, Fela Kute e o afrobeat Wole Soynka, Uanhenga Xitu, Mia Couto, Chimamanda Adichie (feminista nigeriana), Pepetela, Amílcar Cabral e Frantz Fanon. Todos eles “usam um sotaque africano para expor o que pensam”.

Nogueira fala de Isabelle Christine de Castro que faz um retrato de Fatema como uma das pioneiras no projeto de fazer uma tradução sociológica e jurídica do lugar feminino no mundo do islamismo, com uma crítica do lugar patriarcal.

Outro que fez uma incursão na cultura árabe-islâmica foi o argelino Chebel, ao argumentar que o islã  não se opõe ao ocidente. Nesse capítulo do livro, quem faz a apresentação de Chebel é o acadêmico Murilo Sebe Bon Meihy. Quem traduz o pensamento do filósofo Valentim é Regiane Augusto de Mattos. Na sua visão, Valentim é um intelectual feito no mundo colonial, herdeiro de uma tradição cultural africana, formado pela cultura católica beneditina.

Na obra aparece o professor Itamar Aguiar que descreve o pensamento do costa marfinense Paulim Jidenu. “Aguiar tem a felicidade de fazer uma bela radiografia da trajetória e interesses intelectuais de Jidenu”. Trata-se de “um filósofo influente que abriu várias linhas de investigação, incontornável quando o assunto é história da filosofia africana contemporânea” ´ressalta Nogueira.

Do nigeriano Soynka, o autor do prefácio cita seu livro “O Leão e a Jóia”. Para ele, é um trabalho onde a modernidade e a tradição disputam protagonismo na África do presente. Quem fala da literatura de Soynka é Divanize Carbonieri.

Sobre Antônio Emílio Leite Couto, Mia Couto, muito conhecido no mercado literário de língua portuguesa, Tânia Macedo abre seu texto tecendo comentários sobre uma entrevista dado pelo intelectual moçambicano onde declara que deixou a militância política para continuar fazendo política através da sua escrita.

Quem também passou a fazer militância política através da literatura foi o angolano Uanhenga Xitu. Quem se debruça sobre ele no livro é Washington Nascimento. Xitu esteve ligado às missões cristãs, inicialmente ligadas à Igreja Católica, e depois acolhido por grupos protestantes. O intelectual chegou a ser membro do Movimento Popular de Libertação de Angola.

O historiador Silvio de Almeida Carvalho Filho escreveu sobre o escritor angolano Artur Carlos Maurício dos Santos, conhecido como Pepetela. O capítulo escrito por Amilton Azevedo apresenta Fela Kuti, um dos grandes nomes da cena musical mundial, “uma reinvenção da África imersa no contexto daquilo que passou a ser chamado de renascimento africano”

Amílcar Cabral, de Guiné-Bissau, foi uma figura marcante no processo político de descolonização africana. Fábio Baqueiro deixa explícito que Cabral, apesar de ter vivido pouco (assassinado aos 48 anos), foi um ativista e líder político que influenciou todo o continente.

Muryatan Barbosa escreve sobre Frantz Fanon, que viveu apenas 36 anos, mas que foi um divisor de águas para os estudos pós-coloniais, segundo Renato Nogueira. Fanon foi um pensador muito lido pelo Movimento Negro no Brasil, nos anos 70.

E, finalmente, José Rivair Mecedo, apresenta o camaronês Achile Mbembe, um dos maiores intelectuais públicos do mundo contemporâneo. “Este livro cumpre o papel de provocar com a devida qualidade, mobilizando leitoras e leitores para descolonizar a África, abandonar ficções míticas sobre o continente, injetando em nossos corações e mentes, doses largas de elementos críticos para releitura da realidade” – finaliza Nogueira.

 

 

SUAS “EXCELÊNCIAS” SÃO DIPLOMADAS E FAMÍLIA DE CIGANOS FOGE DE ABRIGO

Esse enredo ainda não teve um final conclusivo, e não terá, que seria a apuração rigorosa dos fatos que já resultaram na morte de oitos ciganos de uma mesma família (um menor não está na conta).

Pelas informações da Polícia Civil, eles e o pai, de 58 anos, que se encontra preso, participaram, no último dia 13 de julho, no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, do duplo assassinato do tenente Luciano Libarino Neves e do soldado Robson Brito de Matos.

Enquanto a tragédia, com requintes de violência, escorraçou os ciganos de Conquista, suas “excelências” foram diplomadas com elogios pela atuação, como o 1º cl Cleonildo Silva Lima, lotado no 3º Pel/Anagé pela diligência que culminou na apreensão de três armas de fogo e auto de resistência de três ciganos que, de acordo com a própria corporação, fizeram parte dos assassinatos, no dia 13 de julho.

A diplomação não fala explicitamente em mortes, cujos cadáveres foram vilipendiados (profanados) no Hospital de Anagé). A condecoração lembra coisa de período de guerra contra um inimigo externo. Será o caso dos ciganos? Devemos comemorar operações que resultam em mortes de seres humanos? Ou eles não são?

Nessa “guerra” de violências, doze pessoas da etnia cigana fugiram de um abrigo do Programa de Proteção a Vítimas de Testemunhas (Provita/SP) porque descobriram que o dono da casa alugada para protegê-las seria de um policial militar, segundo informações do presidente do Instituto dos Ciganos do Brasil (ICB), Rogério Ribeiro. É o mesmo que colocar a raposa no galinheiro. Se é verdade, que proteção é essa?

Entre essas pessoas está a matriarca de 52 anos que teve oito filhos mortos em confronto com as guarnições da polícia militar, conforme notas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Outros dois filhos estão foragidos. Com a mulher estão ainda quatro noras viúvas e sete crianças (seis netos e uma filha). Sabe-se que uma outra filha também se encontra em local ignorado, com três filhos.

Segundo Rogério, o grupo que fugiu apavorado do abrigo foi resgatado em uma rodoviária, com ajuda de outras famílias ciganas, e encaminhado a outro local mais seguro. Disse que essas pessoas precisam de ajuda, pois saíram de Conquista sem nada levar, como nos velhos tempos das correrias ciganas.

Ainda muito abalada, a matriarca da família divulgou um áudio onde implora que os filhos foragidos se entreguem à Polícia Civil. Ela se dirige, principalmente, ao mais jovem, afirmando que está sofrendo muito com a morte de seus oito filhos e teme pela vida dos demais.

Em matéria no jornal “A Tarde”, edição de ontem (dia 5/08), a assessoria da Polícia Civil confirmou que o procedimento com relação ao duplo homicídio dos policiais militares foi concluído na semana passada pela DH-Conquista, e está sendo encaminhado para a Justiça. Diz a nota que os detalhes do caso não estão sendo divulgados nesta fase das investigações.

 





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