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A EVOLUÇÃO DO FUTEBOL EUROPEU E A DECADÊNCIA DO SUL AMERICANO

É como diferença da água para o vinho assistir a Copa América e depois ligar na Euro Copa. Um com seu futebol amarrado, truncado, de bolas voadoras, cabeçadas e pancadas dos dois lados, com capoeiras e porradas. No outro, a bola roda redonda, desliza rasteiro no gramado milimetricamente de pé em pé, com chutes certeiros de fora da área.

Um é feio, e o outro dá gosto de se ver, com uma técnica mais refinada e evoluída. Na seleção do Brasil, que está disputando a Copa América, de craque mesmo só tem o Neymar e, mesmo assim, indisciplinado e que ainda tem a mania de cair muito em campo. O restante dos jogadores são medianos se comparados com a seleção de 1970 ou 1982. Não dá nem para se fazer uma comparação.

Tem um ditado que diz que “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. É o caso do técnico Tite que enfrenta as seleções do Paraguai, Equador, Peru, Bolívia, Venezuela, Colômbia e até mesmo Uruguai, Argentina e Chile que já tiveram um bom futebol em tempos passados, quando eram fortes adversários.

Agora a equipe do Brasil passa por todos e, em algumas partidas, ainda com dificuldade. Pela mídia esportiva, o Tite é só elogios, e os torcedores ficam todos empolgados, achando que a nossa seleção é imbatível, e que só tem craques em campo. Com essa decadência, seria até um absurdo o Brasil não se classificar para a Copa de 2022 e não ser campeão da Copa América.

Com esse futebol pobre e decadente, que não se evoluiu no tempo, o nosso país mais uma vez vai cair para uma seleção europeia na próxima Copa, como aconteceu há três anos na Rússia. O Tite continua com aquele mesmo modelo enfadonho de passinhos pra lá e pra cá, com atacantes querendo fazer gol debaixo da trave.

O nosso futebol só tem descido ladeira abaixo nos últimos anos, e o Campeonato Brasileiro está aí como prova disso, de baixo nível. Os grandes times, como Grêmio, São Paulo, Santos, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Internacional e até o próprio Palmeiras só têm decepcionado suas torcidas. Por que os times que sempre foram considerados de menores estão sobressaindo no campeonato?

Tudo isso só pode ser resultado de uma má gestão dos clubes que devem bilhões de impostos, taxas, jogadores e aos seus fornecedores. Qual time não deve hoje no Brasil? Muitos deles estão com suas finanças em frangalhos. Os atletas de melhor nível foram e estão indo para o exterior, e muitos até se naturalizam no país que joga. Gostaria de saber onde está todo esse dinheiro da venda de jogadores? Rola uma tremenda grana nas negociações, que termina ficando entre os cartolas.

Com essa mentalidade atrasada de se trocar de técnico como se troca de camisa, com um futebol que não muda e não se evolui nunca, o cara só é convocado para a seleção brasileira se for jogar lá fora, sem contar os trambiques que existem na Confederação Brasileira de Futebol, com corrupções as mais diversas e até denúncias de assédios moral e sexual.

Na Europa são técnicos mais preparados que deram outro nível ao futebol, sem muitas firulas, mas com um jogo matemático, estudado e até de preparo físico melhor. Não um futebol de bola voadora, mas que cola no gramado, com passes precisos. Até quando vamos ficar nessa de que o nosso futebol tem suingue e jinga? Tudo isso tem dado algum resultado positivo?

“REMANSO-UMA COMUNIDADE MÁGICO-RELIGIOSA” (II)

“A CONSCIÊNCIA MINERAL DA MAGIA”

“O diamante chama o seu dono através de luz e som: o garimpeiro ouve batidas nas picarras e vê a luz correr a serra”. … O diamante é visto como ser encantado”…

A obra dos acadêmicos Ronaldo Senna e Itamar Aguiar é dividido em seis  capítulos: A Consciência Mineral da Magia, Garimpagem do Diamante de Minis Gerais à Bahia, Garimpagem e a Cultura Diamantina na Bahia, O Jarê, o Garimpeiro e os Diamantes em Lençóis, Comunidade de Remanso e Marimbus, Joia Viva da Natureza.

Em “A Consciência Mineral da Magia”, os professores colocam o homem garimpeiro como um deslumbrado pela magia do diamante, com sua cultura e ritos que procura sair das trevas para se encontrar com a luz que é a pedra preciosa, a qual irá transformá-lo. Falam da dualidade benefício/malefício.

“O diamante em seu estado bruto, natural, puro, tende, normalmente, a ser visto como portador maior do encantamento – nas suas mais diversas manifestações – que aquele que já se encontra lapidado, com mais equilíbrio e brilho”.

“O homem é um ser que se criou a si mesmo ao criar a linguagem” (Paz, 1990,p. 34) … O homem constrói sua própria natureza…( Berger, 2001, p 72).  Nesse capítulo, os autores destacam que “a sacralidade faz o homem sair do seu casulo, interagir com a sobrenatureza necessária e responder as perguntas mais exultantes que a si mesmo sempre fez: Quem sou eu, de onde vim e por que estou aqui”?

“Não há luz sem trevas, enquanto o inverso não é verdadeiro”… (Durand, 1989, p, 49). Quanto a esse enunciado, os escritores ressaltam que tanto o conhecimento como a sabedoria, são vistos comumente como a luz que se projeta sobre as trevas; A luz do conhecimento e do saber que aclara e realça os elementos das trevas e da ignorância”.

Ronaldo e Itamar fazem uma descrição do poder do mito, do encantamento da pedra que encanta o homem. Reza a mitologia, que cada pedra preciosa tem o seu dono único. Ele, o homem, crê nessa magia e, por isso, muitos garimpeiros recorrem ao Jarê, ao orixá que vai lhe conduzir, lhe orientar para que o diamante seja só seu.

Os escritores de Remanso, antes de falar diretamente sobre a comunidade afro-brasileira, e não propriamente quilombola como muitos a consideram, descrevem sobre o poder do diamante que risca e corta. “Sim: Aquilo que risca e corta possui, em sua natureza, o poder de escolha do objeto ou do outro (daquele) a ser atingido”.

“…O mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada através de perspectivas múltiplas e complementares”. ( Eliade, 1972, p, 11). Sobre o encanto do diamante, os acadêmicos citam a crença que concebe a união espiritual do diamante com os astros. “Para cada estrela no céu existe um diamante na terra e, nenhum garimpeiro conseguirá apanhá-lo se a força de seus astros não permitirem o bambúrrio”…

Na história do imaginário, Ronaldo e Itamar lembram frases populares como, um é pouco, dois é bom e três é demais. Cavalo ganhou uma vez, sorte; duas, coincidências; cavalo ganhou três vezes: Aposte no cavalo – dito chinês. De acordo com um velho garimpeiro, o diamante tem três “Ds” – diamante, dia e dono. Os autores relatam sobre a chegada das dragas quando, então, os garimpeiros perdem suas obrigações rituais, perdem a magia e deixam de procurar o Curador Jarê.

 

OS EFEITOS DA PANDEMIA

As imagens captadas pelas lentes do jornalista e escritor Jeremias Macário, em sua viagem de Vitória da Conquista a Juazeiro, na Bahia, demonstram muito bem os efeitos da pandemia nos setores de bares e restaurantes nas estradas, com o fechamento de muitos estabelecimentos, inclusive de postos de combustíveis, oficinas e borracharias.  Muitos desses locais onde fazia paradas em minhas andanças, como o da foto na BR-242, entre os acessos de Andaraí e Rui Barbosa, na Chapada Diamantina, foram abandonados. Viraram pontos fantasmas. Observei muitos comércios de pequeno porte que encerraram suas atividades como resultado da primeira onda da Covid-19. Esses micros negócios não tiveram o suporte financeiro dos governantes e foram obrigados a fechar suas portas. Só os maiores resistiram, mesmo assim tiveram seus movimentos reduzidos e, somente agora, estão tentando se recuperar, com muito sacrifício. Claro que a vida deve estar acima da economia, mas a ausência do Estado nessa crise de “guerra epidêmica” provocou o desemprego de milhares de famílias pelo Brasil a fora, aumentando mais ainda a pobreza e gerando fome. São os efeitos da pandemia, difíceis de serem anulados. O estrago foi grande.

QUANDO E O AGORA

Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quando a cultura nascia com o bebê,

Sedento de conhecimento e saber,

Era discutida como torcida de futebol,

Pelas noites etílicas e pela luz do sol,

Nas praças, botequins e restaurantes,

Livros nas mãos aprendendo a lição.

 

Lá fora cartazes e faixas gigantes,

Os jovens enfrentavam a censura,

Com o livre amor, todos vibrantes,

Marchavam contra a tirana ditadura.

 

A nova geração do aqui e agora,

Perde todo tempo, e nem faz a hora,

No youtuber, twiter, face e zap-zap,

Entre códigos pq, mt e vap-vap,

Troca o ser pelo capital do ter,

Joga no lixo toda nossa memória,

Mata a língua mãe e nada de história,

Nem se importa com Sofia e política,

Não sabe o que é lógica e crítica,

E acha você um careta que ler.

 

O CERCO ESTÁ SE FECHANDO E “UM DÓLAR POR VACINA”

O TÍTULO MAIS LEMBRA FILME DE FAROESTE DO DIRETOR SÉRGIO LEONE E MÚSICA DE ÊNIO MORRICONE, UM BANG-BANG COM TRAIÇÕES, MUITOS TIROS E DUELOS NO FINAL. POR FALAR EM FILME, ESTAMOS ASSISTINDO AS MESMAS IMAGENS DE GOVERNOS ANTERIORES, COM ACERTOS DE PROPINAS EM RESTAURANTES, E CHURRASCOS DE CINCO MIL REAIS. ESTE FAROESTE É MAIS VIOLENTO E TEM MUITO MAIS CHEIRO DE SANGUE.

Sob a proteção dos generais de pijama e do “Centrão”, que foi chamado de ladrão, ele está tentando se esconder em matas, grutas, grunas e capoeiras, mas o cerco está se fechando por ter cometido improbidade administrativa, prevaricação, genocídio por ter emperrado a compra de vacinas, destruição do meio ambiente, negação da ciência, prepotência contra jornalistas, deboche, autoritarismo,  manifestações em favor de uma intervenção militar, fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso, e até atos de corrupção em um governo destrambelhado.

Como diz o ditado popular, “está mais perdido que cego em tiroteio”, ou no mato sem cachorro. O cara está mandando fogo em tudo que vê. Até uma ala do exército, que ele afirma que é seu, se virou contra o mesmo, e não demora muito para o “Centrão” oportunista, do toma lá, dá cá, começar a pular do barco furado. Nessa hora, os ratos de esgotos caem fora. Ele não se sustenta por muito tempo porque não tem consistência, e o seu fim é o mesmo do Donald Trump, dos Estados Unidos.

Depois dos panelaços, o povo se agita nas avenidas e praças pedindo o seu impeachment. Com o mais recente já são 125 na Câmara dos Deputados, muitos dos quais sem nenhum cunho ideológico partidário, mas pela vida e contra seus crimes. Milhões que votaram nele com raiva do PT e das esquerdas estão hoje arrependidos. Milhares de famílias amarguradas que perderam seus entes queridos, contaminados pela Covid, que ele chamou de “gripezinha”, o chamam agora de infeliz e monstro.

Com Dilma, a coisa estava ruim, e Lula com seu rompante, tripudiou com o “é nós contra eles”, sem contar o assalto contra a Petrobrás, alianças espúrias com malfeitores de direita e conluios com construtoras para receber benesses. Com ele, que veio para destruir e não construir, conforme sempre pregou, o Brasil piorou mais ainda e desceu mais umas camadas em direção ao total fundo do poço, que no Brasil sempre tem mais degraus. Veio a Covid e tudo deteriorou. O odor do enxofre está insuportável.

Pela sua vida pregressa na Câmara dos Deputados, só uma coisa ele não cumpriu, que foi acabar com a corrupção. Em seu lugar, fez de tudo para bombardear a Operação Lava-Jato. O resto estava em seu script de fascista de extrema-direita, racista, homofóbico e desequilibrado mental.

Procurou ser dono da Polícia Federal, das forças armadas, da Procuradoria Geral da República (Ministério Público), dos Ministérios e do próprio Brasil, mas se perdeu, se embananou, como se fala no popular. Agora está igual a um biruta, e logo vai dizer que nada sabia de propinas, superfaturamentos de vacinas e equipamentos médico-hospitalares.

Diante de toda essa bagunça administrativa, com quase 520 mil mortes pelo vírus, 15 milhões de desempregados, 20 milhões passando fome, inflação subindo e o país isolado, visto como atrasado no resto do mundo, um novo quadro se vislumbra para as próximas eleições de 2022. A população está saturada de tantos candidatos que só fazem e fizeram merdas. Outra resposta está a caminho, e oxalá não seja mais um desastre.

Nisso tudo, vejo uma tendência para outro nome que não seja mais do capitão-presidente destruidor do futuro, com seus generais ajudantes de ordens, e nem o do Lula que se tornou inocente, mas com uma ficha do passado que continua suja e sem mais a moral.

Os arrependidos raivosos não votam nem em um, nem no outro. Pelo andar da carruagem, vai pintar outra alternativa. Mudança de jogo com outro número, para tentar recuperar o estrago da noite de trevas de muito azar. Até quando vamos continuar votando errado, para depois correr atrás do prejuízo? O nosso país não aguenta tanta pancada, mas o cerco está se fechando.

 

A GASOLINA DO CARTEL E DA USURA MAIS CARA DO ESTADO DA BAHIA

 

Cortei toda a Bahia, do sudoeste de Vitória da Conquista até o norte de Juazeiro, na divisa com Pernambuco (visitei meu Velho Chico e tomei a sua benção), e em nenhum posto vi gasolina de seis reais o litro. Entre Baixa Grande até próximo de Senhor do Bomfim, encontrei o combustível de cinco reis e quarenta e nove centavos. Nos outros, variavam de cinco e sessenta a cinco e setenta. A mais cara foi de cinco e noventa centavos.

Uma pergunta que não quer calar: Por que o combustível de Vitória da Conquista, que pega o produto a 150 quilômetros de distância, em Jequié, está sendo cobrada a seis reais e vinte centavos, e até mais que isso em alguns lugares, a mais cara da Bahia? Com a palavra os economistas para desvendar esse mistério, ou imbróglio.

Só pode ser cartel e usura dos empresários, e as autoridades nada fazem para conter essa ganância. Sobre a gasolina de cinco e quarenta e nove, pedi informações e me disseram que é de boa qualidade, que não existia perigo de ser usada. Ainda por cima, ela vem de uma distância de cerca de 350 a 400 quilômetros, com o frete bem mais alto.

Cadê a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de Vereadores, o Ministério Público e o Procon que nada fazem para nos livrar desse tormento? Se fosse possível, e é, bem que os usuários de Conquista deveriam parar tudo por pelo menos um dia e fazer um boicote aos postos de combustível da cidade.

Os argumentos dos donos não se justificam. Como explicar que ali em Anagé, com cinquenta quilômetros a mais, a gasolina não chega a seis reais? É só sair de Conquista, e a gasolina é mais barata em qualquer estrada. Tenho pensado comigo que a razão mais plausível e principal é porque Vitória da Conquista é uma cidade só de ricos, de barões do dinheiro, que não estão nem aí para o alto custo das mercadorias.

Aliás, Conquista tornou-se a cidade da carestia, onde não tem lugar para pobre, como é o meu caso. Há 30 anos, quando aqui me aportei, não era assim, muito pelo contrário. Em Juazeiro, por exemplo, os produtos do comércio em geral têm preços mais baixos que a nossa cidade, inclusive alimentação e bebidas nos bares e restaurantes. Deve ser também nas outras grandes cidades da Bahia.

Nos últimos anos, Conquista experimentou um grande avanço no crescimento. Isso é bom! O ruim é que no rastro desse desenvolvimento veio a carestia, só comparada a de Salvador, incluindo os setores da construção civil, o imobiliário, a saúde, a alimentação, o comércio, o transporte e até a educação particular. Por isso que digo que Conquista não é mais uma cidade para pobre morar.

Nesse bojo está o preço escorchante dos combustíveis, especialmente o da gasolina onde está embutido o cartel dos empresários, e a usura de sempre querer ganhar mais e mais, para manter o alto padrão. Aqui só os endinheirados podem sair em final de semana para almoçar com a família fora de casa.

Será que aqui a mão-de-obra é mais cara? Não existe uma pesquisa sobre esse item, mas acho que essa se estagnou, e até baixou, como em todo Brasil de 15 milhões de desempregados. O que mais me deixa intrigado é essa cobrança absurda da gasolina, e cada vez mais subindo. A diferença de cinco e quarenta e nove para seis e vinte é alarmante, e não dá para se justificar. O resto é conversa para boi dormir.

 

 

REMANSO – UMA COMUNIDADE MÁGICO RELIGIOSA

O FANTÁSTICO APOIADO EM UMA MUNDIVIDÊNCIA AFRO-DESCENDENTE – ASPECTOS DAS AMBIÊNCIAS SOCIAIS, GEOGRÁFICAS E HISTÓRICAS.

Estou lendo e gostando do livro dos meus amigos acadêmicos Ronaldo Senna e Itamar Aguiar, que tem como objeto de estudo a comunidade de Remanso, em Lençóis, encravado na Chapada Diamantina. Os professores fazem uma distinção muito clara do que seja uma comunidade quilombola e afro-brasileira, objeto de estudo de Remanso, confundido com a primeira classificação popular.

Na apresentação da obra, a professora Graziela de Lourdes Novato Ferreira, ressalta que os próprios autores informam que o grupo não se autorreconhece como quilombola e faz referência como “terra de herança”. Os professores usam a nomenclatura comunidade auto-indígena brasileira. Quilombo nasce dos negros fugidos das chibatas dos patrões que se refugiavam em algum lugar. Trata-se de um movimento de resistência.

No caso de Remanso, são pessoas remanescentes dos garimpos de diamantes, que também subsistem da pecuária e da agricultura. “ Remanso é uma comunidade com características de preservação de valores culturais próprios de um pertencimento ao arquétipo das populações da Chapada Diamantina. Traz fortes elementos ligados ao processo de garimpagem do diamante. Sua vivência e tradições se traduzem num místico cultural e religioso…”Os autores são defensores da preservação ético-culturais da região.

A professora explica que Itamar, em suas conversas sempre fala dos traçados dos caminhos, capaz de nos fazer viajar por um universo mágico-poético, com seus apaixonados relatos sobre Lençóis e sobre a manifestação religiosa, denominada de Jarê, um candomblé dos encantados caboclos, que se dá sob o toque da viola. “Vejo uma presença indígena aí muito forte, salve os caboclos! Orixás, caboclos e encantados que agregam elementos indígenas e católicos.

Itamar conceitua que o Jarê demonstra a pluralidade das expressões religiosas neste nosso “sertão profundo”. No prefácio do livro, editado pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Josildeth Gomes fala das lavras diamantinas e diz que a obra é o resultado do esforço de dois apaixonados pelo mundo do garimpo que não chegaram às lavras em busca do diamante, mas que se tornaram garimpeiros da alma e de coração.

Ele classifica Remanso como uma comunidade garimpeira afro-indígena. Diz que os autores procuram esclarecer que Remanso é uma comunidade resultante da ocupação de negros, provavelmente de origem banto, que se deslocaram no século XVIII para a região direita dos Marimbus, um imenso pantanal existente na região.

O Jarê é uma expressão religiosa de origem africana que cultua orixás e caboclos, um candomblé de caboclos, ou candomblé do sertão.  Nessa religião, o Caboclo Boiadeiro ocupa o lugar de maior destaque no Jarê de Remanso, mas faz seu ritual é feito através do vaqueiro cuidador do gado. O Boiadeiro é mais o dono da fazenda e da boiada.

Ao lado do Boiadeiro, os caboclos Sete Serras e o Tomba Morro fazem parte dos personagens mais representativos da cultura da Chapada. O primeiro numa alusão à mineração, aos mistérios da mata. O segundo na presença do jagunço arruaceiro briguento.

Nas considerações iniciais, o professor Itamar faz uma viagem sobre o tempo dos coronéis (Horácio de Matos) e o papel dos jagunços como servidores dos mandantes do poder na época, muito diferente dos cangaceiros. Ele traça um mapa geográfico da região com seus municípios, grutas e principais rios que formam o marimbus.

O leitor é fisgado pelas histórias do coronel Horácio de Matos, um dos mais famosos do sertão nordestino, espécie de governador do interior dentro de um estado. Descreve sobre a criação da vila de Jacobina, em 5 de agosto de 1720, por determinação do rei. Jacobina abrangia uma vasta região que ia do Arraial da Conquista, das Minas Gerais, Cachoeira, Ilhéus e o Vale do São Francisco.

Em sua introdução, Itamar descreve a estrutura coronelista da época, sobre os donos de garimpos, lapidários, pedristas, campamgueiros, bambúrrios e demais comerciantes de pedras, Cita vários pesquisadores do assunto, como Américo Chagas, Olímpio Barbosa, Walfrido Moraes, dentre outros.

Em 1906, quando os diamantes estavam esgotados. Itamar lembra da criação do de um dos primeiros colégios do interior em \ponte Nova (Wagner) por missionários presbiterianos, de onde saíram grandes cabeças intelectuais. Tem também as histórias dos valentes João Requisado que enfrentava do alto da serra as tropas do Governo do Estado, do curador Zé Rodrigues, o tenente Zacarias, do deputado, poeta e intelectual Manoel Alcântera de Carvalho, Horácio de Matos e do jagunço Montalvão.

São histórias empolgantes que despertam a curiosidade do leitor, ávido pelos causos contados pelos nossos ancestrais e que serviram de subsídios para pesquisadores e estudiosos. Quem já ouviu fala do livro de São Supriano da Capa Preta? De acordo com a lenda, a reza era capaz de transformar o “devoto” numa moita, num touco, num animal e tantos outros seres. Possuía o encantamento de tornar invisíveis o jagunço, o valente ou o coronel aos olhos dos seus inimigos. Leia que é muito interessante o trabalho de Ronaldo e Itamar. .

COMEMORAÇÃO DE UMA MORTE HUMANA

A sociedade hipócrita e desigual que cria bandidos e marginais violentos, é a mesma que comemora o fim deles através de uma violência ainda maior, coisa que nem se faz hoje no caso de uma fera selvagem. Houve uma inversão de valores. O fim trágico do criminoso Lázaro Barbosa, crivado de balas, foi comemorado por cerca de 300 policiais que não tiveram a competência de prender o indivíduo nos primeiros dias de sua fuga.

São bárbaros comemorando a barbaridade. Ao fim de uma caçada de quase 20 dias, com um aparato pesado de helicópteros, drones, armamentos, viaturas e cachorros farejadores, fizeram rituais de vitória e soltaram fogos. Aproveitaram o emocional de um povo que pouco pensa e reflete para dar uma demonstração de guerra vencida. Isso é uma covardia!

Fosse um bicho qualquer, a morte por armas de fogo teria uma grande repercussão entre as sociedades de proteção dos animais e até dos ambientalistas. Até o governador de Goiás e o secretário de Segurança Pública usaram do momento para fazer seus marketings, pousando de heróis. Infelizmente, isso ainda acontece no Brasil e em algumas sociedades atrasadas.

A sociedade cega, muda, surda e irracional aplaude a ação de comemoração quando deveria lamentar porque fomos nós mesmos que criamos monstros quando elegemos governantes que nunca priorizaram a educação, e foram os responsáveis pelo agravamento das desigualdades sociais no país. É correto comemorar a morte de um ser humano, seja ele quem for?

Outros Lázaros surgirão. Aliás, estão aí dentro das penitenciárias e fora delas. Nos acostumamos com as barbaridades cotidianas dos crimes hediondos e com a violência policial que só gera mais violência. Sinceramente, não vejo nada para comemorar, principalmente nesse caso específico de Lázaro.

Deveríamos nos penitenciar por vivermos num país desumanizado e violento que prefere criar mais penitenciárias, gastar altas somas com armas, tanques, viaturas e policiais despreparados, para combater um mal que poderia ter sido evitado se não houvesse tanta exclusão, ignorância e pobreza.

Depois de tantas atrapalhadas, de provas de incompetência e gastos desnecessários com o dinheiro público (não se sabe o custo dessa mobilização), comemorar o quê? Confesso que me sinto constrangido quando vejo essas imagens de festa e pronunciamentos hipócritas dessas “autoridades” que aproveitam da desgraça social para se aparecer e capitalizar votos. Deveriam ter vergonha na cara e não fazer comemorações quando se mata um ser humano que não teve o amparo que merecia quando entrou no crime!

QUEIMADAS NA CAATINGA

Foto do jornalista João Martins

A foto do meu amigo e companheiro jornalista, João Martins, me lembra muito quando atuava como chefe da Sucursal do Jornal A Tarde de Vitória da Conquista e elaborávamos muitas matérias denunciativas sobre a derrubada de árvores da caatinga para serem queimadas em fornos e se transformarem em carvão. A grande maioria das queimadas era irregular, como o transporte do carvão para as siderúrgicas mineiras. Ele pela revista “Integração”, e eu com meu amigo fotógrafo José Silva pelo o A Tarde estampávamos reportagens denunciando os destruidores do nosso milenar bioma, chamando a atenção de que a caatinga ia virar um deserto. De certa forma isso ocorreu em várias partes do nosso sertão. Em nossas andanças, cortando estradas por esse semi-árido cruzávamos com caminhões rumo a Minas Gerais, principalmente. Nos postos de combustíveis lá eles estavam carregados de carvão. Como era muito perigoso para a nossa profissão, tinhamos que ter muito cuidado para flagrar  os fornos no meio da caatinga e o transporte, quase sempre clandestinos. Os fornos sempre usavam mão-de-0bra, que muito lembrava o sistema escravagista diante das condições dos trabalhadores, inclusive crianças de rostos esfumaçados e doentes dos pulmões. Conversei com meu amigo João sobre o assunto e, para meu alívio, disse-me que esse quadro praticamente não mais existe devido a intensa vigilância e fiscalização do Inema. É uma boa notícia, mas os estragos ficaram na paisagem da nossa natureza, difíceis de serem recuperados quando se trata da caatinga, sempre seca.  Os municípios que mais queimavam carvão eram Sebastião das Laranjeiras, Palmas de Monte Alto, Caculé, Igaporã, Riacho de Santana, dentre outros.

VIOLAÇÃO

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, do seu último livro “ANDANÇAS”

Mesmo o mais contrito do santo,

Tem no seu lamento o seu pranto,

Com a revolta varando o seu peito,

Pela violação sagrada do direito.

 

A alma em secura não mais chora;

Tortura do pau-de-arara e choque;

Abafa os gritos, a censura lá fora,

Calando canção suingada do Rock.

 

Nos porões desaparecem os mortos,

Na selva sepultam quebrados corpos,

Sem punição, sangrados como porcos.

 

A justiça cheira como um coliforme,

E nas cadeias simulam os suicídios,

Com mentiras impostas pelo uniforme.





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