Cortei toda a Bahia, do sudoeste de Vitória da Conquista até o norte de Juazeiro, na divisa com Pernambuco (visitei meu Velho Chico e tomei a sua benção), e em nenhum posto vi gasolina de seis reais o litro. Entre Baixa Grande até próximo de Senhor do Bomfim, encontrei o combustível de cinco reis e quarenta e nove centavos. Nos outros, variavam de cinco e sessenta a cinco e setenta. A mais cara foi de cinco e noventa centavos.

Uma pergunta que não quer calar: Por que o combustível de Vitória da Conquista, que pega o produto a 150 quilômetros de distância, em Jequié, está sendo cobrada a seis reais e vinte centavos, e até mais que isso em alguns lugares, a mais cara da Bahia? Com a palavra os economistas para desvendar esse mistério, ou imbróglio.

Só pode ser cartel e usura dos empresários, e as autoridades nada fazem para conter essa ganância. Sobre a gasolina de cinco e quarenta e nove, pedi informações e me disseram que é de boa qualidade, que não existia perigo de ser usada. Ainda por cima, ela vem de uma distância de cerca de 350 a 400 quilômetros, com o frete bem mais alto.

Cadê a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de Vereadores, o Ministério Público e o Procon que nada fazem para nos livrar desse tormento? Se fosse possível, e é, bem que os usuários de Conquista deveriam parar tudo por pelo menos um dia e fazer um boicote aos postos de combustível da cidade.

Os argumentos dos donos não se justificam. Como explicar que ali em Anagé, com cinquenta quilômetros a mais, a gasolina não chega a seis reais? É só sair de Conquista, e a gasolina é mais barata em qualquer estrada. Tenho pensado comigo que a razão mais plausível e principal é porque Vitória da Conquista é uma cidade só de ricos, de barões do dinheiro, que não estão nem aí para o alto custo das mercadorias.

Aliás, Conquista tornou-se a cidade da carestia, onde não tem lugar para pobre, como é o meu caso. Há 30 anos, quando aqui me aportei, não era assim, muito pelo contrário. Em Juazeiro, por exemplo, os produtos do comércio em geral têm preços mais baixos que a nossa cidade, inclusive alimentação e bebidas nos bares e restaurantes. Deve ser também nas outras grandes cidades da Bahia.

Nos últimos anos, Conquista experimentou um grande avanço no crescimento. Isso é bom! O ruim é que no rastro desse desenvolvimento veio a carestia, só comparada a de Salvador, incluindo os setores da construção civil, o imobiliário, a saúde, a alimentação, o comércio, o transporte e até a educação particular. Por isso que digo que Conquista não é mais uma cidade para pobre morar.

Nesse bojo está o preço escorchante dos combustíveis, especialmente o da gasolina onde está embutido o cartel dos empresários, e a usura de sempre querer ganhar mais e mais, para manter o alto padrão. Aqui só os endinheirados podem sair em final de semana para almoçar com a família fora de casa.

Será que aqui a mão-de-obra é mais cara? Não existe uma pesquisa sobre esse item, mas acho que essa se estagnou, e até baixou, como em todo Brasil de 15 milhões de desempregados. O que mais me deixa intrigado é essa cobrança absurda da gasolina, e cada vez mais subindo. A diferença de cinco e quarenta e nove para seis e vinte é alarmante, e não dá para se justificar. O resto é conversa para boi dormir.