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JOSÉ DE ALENCAR – SUCESSO DE PÚBLICO (I)

Filho do ex-padre José Martiniano de Alencar, casado com a prima Ana Josefina, o escritor José de Alencar nasceu em 1º de março de 1829, em Mecajura – Ceará. Seu pai torna-se senador em 1832 e presidente da província do Ceará entre 1834 a 37, seguindo depois para o Rio de Janeiro no ano seguinte. Alencar, então, contava com apenas nove anos de idade.

A viagem do menino por terra, do Ceará até a Bahia, causou profunda impressão no futuro escritor, conforme relata o biógrafo e historiador, José Luiz Beraldo, em “Literatura Comentada”.  Por volta de seus 45 anos, José de Alencar faz referência a essa viagem em seu livro “O Sertanejo”.

No Rio de Janeiro, Alencar completa sua instrução primária, em 1840, e em 1844, aos 15 anos, inscreve-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo, no mesmo ano da publicação de “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo.

O adolescente ficou bastante impressionado com o primeiro romance brasileiro de sucesso. Como estudante, começou a ler os clássicos Balzac, Alexandre Dumas, Alfredo de Vigny, Chateaubriand e Victor Hugo. Foi em São Paulo onde ele começou a lançar seus primeiros escritos e funda a revista semanal “Ensaios Literários”, na qual publicou um artigo de crítica “Questões de Estilo” sobre o índio Camarão.

Seu primeiro romance “Os Contrabandistas” saiu em 1848, aos 18 anos. Tempos depois o escritor conta que os originais da obra foram destruídos por uma colega que usava suas folhas para acender o cachimbo, na república dos estudantes. Ainda aos 18 anos transfere-se para a Faculdade de Direito de Olinda, e a literatura continua sendo sua principal preocupação, além das leis e dos estudos de Direito.

Em Olinda interessa-se pelas crônicas do período colonial, como fonte de personagens e enredos. Nessa época começa a redigir dois romances “A Alma de Lázaro” e “O Ermitão da Glória”. Em fins desse mesmo ano (1848), manifestam-se nele os primeiros sinais de tuberculose e retorna para São Paulo onde se forma em 1850.

Aos 22 anos (1851), Alencar inicia-se na profissão de advogado exercida até o final da sua vida, com raras interrupções. O escritor chegou a viajar para Europa, para tratamento de saúde, em 1877, mas de volta ao Rio morre aos 48 anos, em 12 de dezembro do mesmo ano.

Na literatura ele é muito conhecido pelo seu gênero indianista, como “O Guarani”, marca do seu maior sucesso. Em sua vida, também atuou como jornalista. Chegou a ser deputado e ministro da Justiça. Desiludido com a política, passou a se dedicar à literatura quando aumentou seu sucesso, mas também sofreu terríveis ataques da crítica.

 

OS CILINDROS DA VIDA

Foto do jornalista Jeremias Macário. Flagrante de um descarregamento de cilindros em frente de um hospital da cidade

 

Nunca eles foram tão protagonista nesta pandemia da Covid-19 como meio de salvar vidas intubadas para devolver ar aos pulmões afetados nas UTIs dos hospitais. São os cilindros da vida que em Manaus, com sua escassez, provocaram dor, choro e lágrimas de muitos parentes que estavam com seus entes queridos à beira da morte. Eles são essenciais para o respirar. A mídia sempre está falando neles quando existe uma ameaça de falta nas unidades de saúde. Sem eles, talvez o número de mortes no Brasil, mais de 417 mil, poderia até ser o dobro. Em Manaus, inclusive, e outras cidades, muitos vieram a óbito quando as fábricas não conseguiram atender a grande demanda. Quem não viu as cenas de gentes desesperadas nas filas lutando para adquirir esse valioso tubo de oxigênio? Infelizmente, no lugar dos cilindros, o insensível governo federal mandou cargas de cloroquina. Eles não são usados para tratar um “gripezinha” qualquer. Já imaginou se o Brasil dependesse do fornecimento da China, que está irritada com as declarações desastrosas de um capitão-presidente que nem está aí para as mais de 400 mil mortes? A impressão que temos é que em nosso país temos um governo com a intenção de fazer uma seleção humana, eliminando os mais fracos, ou todos aqueles que não são assintomáticos. Está havendo um genocídio, e um dia a história vai nos punir por termos sido omissos e tolerado tantas barbaridades dos negacionistas da ciência. Ainda bem que temos os cilindros da vida.

AS ESTAÇÕES PERDEM SUAS CORES

Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por Deus, Alá e por Jheová!

Deixem de atanazar a natureza,

E sugar de cada Estação,

O vigor sublime da sua beleza.

 

Os deuses da tecnologia e da ciência,

Estão poluindo o ar, a terra e o mar,

E do humano a consciência escravizar.

 

Lá se vão os contrastes das Estações,

A noite virou um clarear do dia,

Com a energia da luz artificial,

Que tirou a magia do espaço sideral,

 

No Nordeste, o verão chicoteia no reio,

Com um fino outono e rala primavera,

Na era do escasso inverno que não veio.

 

O céu noturno, nosso templo sagrado,

De lua e estrelas no infinito universal,

Que previam o futuro com o ritual,

De fartura das colheitas do arado.

 

As bruxas voadoras em suas vassouras,

Cortavam as noites como os cometas,

Para anunciar as mudanças nos planetas.

 

As Estações não eram preguiçosas,

Cada qual exibia suas cores,

Os pastores tinham o tempo certo,

Do rebanho curral e das colinas viçosas.

 

Existia o limite entre frio e calor,

Com o toque dos tambores dançantes,

E o sopro nas orgias dos berrantes.

 

No Brasil já devastam os ciclones,

Queimam as florestas do Xavante,

O Pantanal vai perdendo seus clones,

E a Estação faz sua mudança rasgante.

 

A BARBÁRIE NO BRASIL

TENTO AQUI FALAR DE COISAS BOAS DO NOSSO BRASIL, MAS ESTÁ DIFÍCIL ENCONTRAR. SERÁ QUE SOU TÃO TRÁGICO COMO NAS NOVELAS GREGAS?

No momento mais complicado e difícil, com mais de 400 mil mortes pela Covid-19, que não é nenhuma “gripezinha”, faltando vacinas da CoronaVac em todos os estados para que as pessoas tomem a segunda dose, o cara volta a atacar a China, a maior fornecedora de insumos para o produto principal.

Isso é uma barbárie, e mais uma prova de que o capitão-presidente é contra a vacinação do povo e quer empurrar goela abaixo a cloroquina. Na “CPI do Fim do Mundo”, até a tropa de choque do governo federal fica de mãos atadas sem saber como defender o chefe.

A esta altura, o mandatário chinês deve estar dizendo que só vai mandar a matéria-prima quando o desastrado estiver sob controle. Não é o cara que está sendo punido, mas toda a população brasileira. Não dá mais para suportar tanta crueldade! Somos um povo que não nos indignamos contra o caos de um governo. Por menos, os nossos países vizinhos se revoltam.

A outra barbárie de Salvador onde dois rapazes que furtaram uns quilos de carne no Atacarejo e foram entregues aos traficantes para serem mortos, praticamente caiu no esquecimento. Cadè os movimentos negros, o Ministério Público, a OAB, a sociedade e outras instituições defensoras dos direitos humanos?

Não se comenta mais sobre o homem negro que foi espancado até a morte pelos seguranças do Supermercado Carrefour, em Porto Alegre, e aqui quero pedir desculpas pelo equívoco que cometi em outro comentário sobre o assunto ao citar o Pão de Açúcar.

Além do rastro de mortes que o coronavírus está deixando em nosso país, por total negligência e estupidez do governo federal, estamos chocados e estupefatos com outras barbáries, como a do vereador Jairinho, com a cumplicidade da sua companheira (mãe do menino), no Rio de Janeiro, que tirou a vida de uma criança inocente depois de cruéis torturas.

O pior é que, em pouco espaço de tempo, uma brutalidade supera a outra no Brasil, como se estivéssemos numa comunidade amaldiçoada pela ira dos deuses. Em Santa Catarina, um bárbaro entrou com uma adaga numa creche e deferiu golpes fatais em três crianças e duas professoras. Um ato sanguinário que não se lê nos registros macabros das histórias de guerras.

Infelizmente, não temos coisas boas nos noticiários da mídia brasileira do dia a dia, que juntas superem as barbaridades. Ainda hoje estava lendo o livro “a guerra não tem rosto de mulher”, da autora Svetlana Aleksiévitch, onde num trecho de sua narração sobre as atrocidades da guerra, indaga onde está a fronteira entre o humano e o desumano? Mais na frente ela diz: Por que não nos espantamos com o mal; falta em nós o espanto diante do mal?

O BRASIL DO SISTEMA SANFONA

A impressão que temos é que a pandemia no Brasil é interminável, ou vai ser o último dos países a se livrar desse vírus maldito. Em nosso país, infelizmente, funciona o sistema sanfona do abre e fecha, como agora para comemorar o dia das mães. Todo mundo vai às compras com as lojas abertas normalmente e depois acontecem os almoços com as mães, avós, filhos e netos, como se tudo já estivesse acabado.

Interessante que as pessoas falam das comemorações neste ano com o sentimento de que no ano passado não houve, como se a situação agora fosse melhor. Pelo contrário, o número de mortes e casos aceleraram mais ainda. Os hospitais estão mais lotados e existe o agravamento de novas cepas e linhagens. Mesmo havendo o risco, vamos celebrar e se ajuntar em famílias.

Houve um fato que saiu na revista “Piauí” em que sete irmãs, depois de algum tempo ausentes, resolveram se encontrar num almoço. O resultado foi que depois quatro morreram de Covid-19. As prefeituras, a exemplo de Vitória da Conquista e Salvador, relaxaram as medidas. Mais quinze ou vinte dias, no final de maio pode vir outra pancada.

Logo depois entram as festas juninas e, como no ano passado, o nordestino, principalmente, não aguenta ficar sem as fogueiras e sem reunir os amigos e parentes para as bebidas e comidas típicas da época, mesmo que não haja o São João oficial nas prefeituras. Mais uma vez, ocorre o sistema sanfona do abre e fecha.

Do outro lado, a vacinação segue a passos lentos e faltando doses para a segunda imunização que não atingiu 8% da população dos 230 milhões de habitantes. As vacinas continuam chegando aos tiquinhos e no Ministério da Saúde é só confusão. Ora manda que as prefeituras reservem lotes para a segunda aplicação, ora sai uma ordem para que sejam usadas. É por isso que sempre digo que não basta falar que vai passar, como se essa graça fosse cair do céu.

Nos países da Europa onde a vacina está bem avançada, os governos estão abrindo as atividades, inclusive shows, eventos culturais e esportivos, e se preparando para receber turistas estrangeiros (menos brasileiros), isso depois de um longo período de isolamento social.

Aqui temos os negacionistas da ciência que não tiram férias para contrariar as recomendações dos especialistas. Será que o propósito é fazer uma seleção humana para eliminar os mais fracos e pobres? Tentaram até mudar a bula da cloroquina onde a droga seria também incluída no tratamento do coronavírus.

No Brasil, praticamente não houve isolamento social e nem uma política planejada de vacinação, mas como sempre o país adora imitar os outros, como os Estados Unidos, vá lá que resolva fazer o mesmo, liberando de vez o uso de máscaras e a realização de grandes eventos, como shows e festivais, sem primeiro fazer o dever de casa.

Por essas e outras é que estamos no mesmo caos da Índia, os dois países do mundo com os maiores índices de contaminação e mortes por dia. Os dois são parecidos nesse aspecto. Tanto lá como cá, a fome é outra pandemia que mata impiedosamente. O nível de educação e instrução é baixo e existe a cultura das aglomerações nas cerimônias religiosas que não são poucas.

Nesse sistema sanfona, vamos dançar de acordo com o ritmo da Covid-19, e o seu tom é de um forró ou de um samba bem acelerados onde muitos não conseguem ir até o final da festa por falta de ar nos pulmões. A maioria prefere subestimar o inimigo invisível e fazer de conta que está tudo n

UMA SOCIEDADE CRUEL E ESTÚPIDA

Os segmentos da sociedade pouco reagiram, somente as famílias foram às ruas protestar e a mídia apenas deu alguns registros do fato. Estou me referindo à brutalidade cometida contra dois rapazes negros que furtaram uns quilos de carne no Supermercado Atacarejo, em Salvador, na última semana.

Diante de tanta crueldade e estupidez de crimes hediondos, a nossa sociedade, de tão insensível, não reage mais, e ainda tem muitos que acham que eles deveriam mesmo era morrer nas mãos dos traficantes, conforme foram entregues pelos seguranças do estabelecimento.

A pergunta que não quer calar é se essa não é uma prática adotada pelo supermercado, ao invés de chamar a polícia para registrar o ocorrido na delegacia?  Como se trata de pobres negros, essa será mais uma atrocidade que irá cair no esquecimento e entrar na pasta dos arquivos mortos.

Não interessa se eles tinham ou não passagens na polícia e quais foram as intenções ao pegarem os pacotes de carne, se por motivo de fome ou se para fazerem uma farra. Enquanto isso, os corruptos de colarinho branco da falecida Operação Lava-Jato estão todos sendo soltos e inocentados pelos seus roubos aos cofres públicos.

Ao ver aquela cena dos dois sentados num canto ao lado dos pacotes, com semblantes de pavor, terror e medo de serem mortos, lembrei imediatamente quando eu e um colega inventamos de cometer um furto de doces, chocolates e biscoitos para comer no Supermercado Paes Mendonça, do Politeama, na mesma Salvador, no início dos anos 70.

Quando fomos pegos pelos seguranças e fomos ameaçados de serem entregues à polícia, ficamos aterrorizados e pedimos clemência. Nessa época a sociedade não era tão desumana, e os guardas tiveram compaixão de nós e nos liberaram. Nessa época estávamos atravessando aquele aperto de passar fome por falta de dinheiro. Foram tempos duros na vida.

Poderíamos ter sido mortos também por causa de uns pacotinhos de comida, mas tivemos a sorte da piedade dos vigias, que contou a nosso favor. Os dois do Atacarejo foram entregues aos algozes que certamente receberam algum benefício parta eliminar duas vidas humanas, coisa que não se faz isso nem com os bichos.

A selvageria e a violência tomaram conta dessa sociedade podre e hipócrita que não mais se abala com os crimes mais primitivos e aterrorizadores. Tudo é encarado como normal, comum e legal. As instituições não mais reagem como como deveria. A imprensa apenas se presta a noticiar o factual, e logo ninguém mais comenta a crueldade, como no caso do homem negro que foi espancado até a morte no Pão de Açúcar de Porto Alegre.

Os culpados serão mais uma vez premiados pela impunidade, e não tarda muito a acontecer outra estupidez. Aqui em Vitória da Conquista ninguém mais recorda da chacina cometida por um grupo de policiais num bairro da periferia, que agora não me vem o nome na cabeça.

Vários jovens de uma mesma família foram assassinados friamente porque um militar havia sido morto por um bandido. Promotores foram ameaçados de prosseguir com a investigação. Como membro da ABI (Associação Bahiana de Imprensa) dei uma nota de apoio ao trabalho da Justiça. Fui repreendido por um “cidadão” ao afirmar que as vítimas tiveram o merecido e que deviam ser mortos mesmo.

Temos hoje um Brasil tipo faroeste bang-bang dos filmes norte-americanos onde o episódio, como o dos rapazes da carne, se resolve na tortura e na bala. Só faltou arrastarem as vítimas pelas ruas, não puxados por cavalos, mas por carros, com uma placa “esses furtaram uns quilos de carne, que o castigo sirva de exemplo”.

RUBEM BRAGA – O MAIOR CRONISTA BRASILEIRO EM CONSTANTE ATIVIDADE

Conterrâneo do cantor e compositor Roberto Carlos, o cronista Rubem Braga nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, em 12 de janeiro de 1913, véspera da I Guerra Mundial. O menino travesso era filho de Francisco Carvalho Braga e Raquel Coelho Braga. Começou seus estudos no colégio de dona Palmira Wanderley.

Sua biografia, história e crítica são contadas em “Literatura Comentada” por Paulo Elias Allane Franchetti e Antônio Alcir Bernardez Pecora. Tempos depois de muita curtição no interior, de férias na fazenda e na praia, Rubem Braga foi morar em Niterói onde terminou os estudos secundários em 1928.

No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, mas em 1931 transfere-se para Belo Horizonte onde concluiu o curso. Trocou a advocacia pelo jornalismo. Seus primeiros ensaios literários foram em “O Itapemirim”, no Grêmio do Colégio.

Em Cachoeiro, manteve uma crônica regular o “Correio Maratimba”, no Correio do Sul, jornal fundado pelo seu irmão Armando.   Em Minas, ainda como estudante, entra em contato com a imprensa e faz suas crônicas na redação do “Diário da Tarde”.

Em 1932, no Governo de Getúlio Vargas, ele já tinha 19 anos e enfrentou uma aventura durante a revolta dos paulistas. Com a Revolução Constitucionalista, Braga é enviado pelos “Diários Associados” para fazer uma reportagem na frente de guerra da “Mantiqueira”, do lado getulista.

Como o jornal era favorável à Revolução, o repórter foi preso em Manacá, sob suspeita de espionagem e enviado de trem para Belo Horizonte onde foi libertado. As notícias referentes às vitórias paulistas eram censuradas e as que expunham insucessos eram barradas pelo jornal.

De Belo Horizonte, Rubem Braga foi para São Paulo e, em fins de 1933 torna-se cronista e repórter do “Diário de São Paulo” onde estavam Alcântara Machado e Mário de Andrade. Segundo um jornalista, “há plantas que nascem e crescem depressa; outras que são tardias e secas”.

A amizade de Rubem com Antônio se assemelha às primeiras, e a com Mário às últimas. Quando Alcântara foi para o Rio de Janeiro, em 1935, convidou o amigo para trabalhar no “Diário da Noite”. Rubem também escreveu para “O Jornal”.

Depois da morte de Alcântara Machado, ainda em 1935, Rubem vai para Recife onde dirige a página policial do “Diário de Pernambuco”. Pela primeira vez consegue publicar uma notícia de suicídio, contrariando a filosofia do jornal. Com o desentendimento, funda a “Folha do Povo”, apoiando a Aliança Nacional Libertadora.

Em setembro vai para Porto Alegre e depois para o Rio onde trabalha no jornal “A Manhã”. Com a reação à tentativa de golpe comunista, o jornal é fechado, e o repórter desempregado. Braga deu a volta por cima. Em 1936, a editora José Olympio edita “O Conde e o Passarinho”, o primeiro livro do jornalista com as melhores crônicas, com boa aceitação.

No mesmo ano retorna a Belo Horizonte e trabalha na “Folha de Minas”. Logo que se casou, voltou ao Rio e depois São Paulo onde fundou a revista “Problemas”. Em 1937, em 10 de novembro é decretado o Estado Novo. Ele acompanha a notícia pelo rádio da casa de Oswaldo de Andrade com o amigo Sérgio Buarque de Holanda.

Em 1938 já está no Rio de Janeiro escrevendo para o jornal “O Imparcial”. Com Samuel Wainer e Azevedo Amaral, funda a revista “Diretrizes”. Perseguido pelo regime Vargas, se refugia no sítio de Carlos Lacerda. Quando Ademar de Barros é nomeado interventor em São Paulo, é para lá que Braga vai. Irrequieto, de lá segue para Porto Alegre, em 1939, onde trabalha no “Correio do Povo” e na “Folha da Tarde”.

Quando começa a II Guerra, Braga entrevista um membro da colônia polonesa que, com júbilo comemora o episódio, entendendo que dessa vez a Polônia teria a oportunidade de esmagar a Alemanha e a Rússia, mas só que ocorreu o contrário. Como comentarista político, chegou a ser preso e enviado de navio para Santos. Acontece que ele consegue desembarcar em Paranaguá, no Paraná, e de lá vai para São Paulo onde trabalha em “O Estado de São Paulo”.

Braga deu uma grande guinada em sua vida e, entre 1941 e 42, passa a vender pedras semipreciosas e a trabalhar em publicidade. Foram épocas de amarguras, ameaças, censuras e temores. Em 1943, Rubem ocupa o cargo de chefe de publicidade do Serviço Especial de Saúde Pública. No ano seguinte publica, em São Paulo, pela Editora Brasiliense, sua segunda coletânea de crônicas “O Morro do Isolamento”.

Nesse ano o Brasil envia tropas para a Itália, para combater os nazistas. Braga foi designado pelo “Diário Carioca”, para fazer a cobertura das atividades da Força Expedicionária Brasileira e seguiu para o front em setembro. Todos acontecimentos foram anotados para suas crônicas de guerra. No final, Rubem volta para o Brasil e publica “A FEB na Itália”, reunindo as melhores crônicas enviadas ao “Diário Carioca”. Com essa obra, Braga se torna um sucesso na nossa literatura moderna.

Em 1946, no “Correio da Manhã” e em “O Estado de São Paulo”, Rubem vai a Buenos Aires cobrir a eleição de Peron. Em 1947 trabalha ao lado de José Lins do Rego no jornal “A Manhã”. Depois, como correspondente de “O Globo”, foi por alguns meses correspondente em Paris.

Rubem escreve seu terceiro livro “Um Pé de Milho”, em 1848. No ano seguinte veio “O Homem Rouco”. Em 1950 retorna a Paris como correspondente do “Correio da Manhã”. Na volta ao Brasil, em 1951, escreve “50 Crônicas Escolhidas”. Em 1952 funda “Comício”. Faz mais uma escala em Paris. A partir de 1953 escreve para a “Manchete”. Em 1954, ano do suicídio de Vargas, o Serviço de Documentação do Ministério da Educação edita o livro de Braga, intitulado “Três Primitivos” (vida e obra de três pintores).

Em 1955, Braga é nomeado chefe do Escritório de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil, no Chile, cargo do qual desiste logo cedo. No mesmo ano publica “A Borboleta Amarela”. Em 1956 é enviado aos Estados Unidos pelo “Diário de Notícias” e “Manchete”, para cobrir as eleições do general Eisenhover. Entre 1957 e 60 publica mais três livros “A Cidade e a Roça”, “100 Crônicas Escolhidas” e “Ai de Ti Copacabana”.

Nessa época, torna-se embaixador e vai para Marrocos onde permanece até 1963 quando pede sua exoneração do cargo. Dois anos mais tarde viaja para Índia. Em 1967 funda com Fernando Sabino a Editora “Sabiá” que publicou seu livro “A Traição das Elegantes”. No ano seguinte trabalha no “Diário de Notícias” e “Última Hora”.

Em 1977 escreve “Crônicas Escolhidas” e colabora na coletânea “Para Gostar de Ler”, com Drummond de Andrade, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. Nesse ano começa a atuar na Rede Globo de Televisão.  Morre em 19 de dezembro de 1990, depois de um câncer, como o maior cronista brasileiro de todos os tempos.

 

 

 

AS MORTES E A VACINAÇÃO

 

Infelizmente, em decorrência de um monte de fatores negativos que todos os brasileiros estão cansados de saber, chegamos na fúnebre cifra de mais de 400 mil mortes no país vítimas da Covid-19, enquanto falta vacinas em vários lugares para imunizar a população. Muitas mortes e poucas vacinas. Desde o início do ano que os estados e municípios recebem os tiquinhos de lotes de doses que logo se acabam, sem contar o gasto astronômico que o país tem para transportar pequenas quantidades quando seria menos dispendioso se fossem grandes volumes em poucas vezes. Somente nesses quatro primeiros meses de 2021 foram mais de 200 mil mortes, um pico que coloca o Brasil como o segundo do mundo em número de vidas que se foram, sendo apenas superado pelos Estados Unidos, que estão em declínio por causa da vacinação em massa. Mesmo assim, o Brasil tem as portas abertas para a entrada de pessoas vindas de fora, sem medidas de restrição, enquanto nação nenhuma quer receber brasileiro em seu território, e quando entra, é obrigado a entrar em quarentena. Na “CPI do Fim do Mundo”, que não vai resultar em nada, batem boca, e o povo que se lasque.

O DESERTO E O MAR

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O deserto é o mar de mortais poeiras,

O mar é o deserto de águas traiçoeiras,

Eu sou o deserto rasgante incerto,

Você é o mar nas ondas a cortar.

 

Cada um com seu mistério profundo,

O Saara africano é o maior do mundo,

O deserto é o mar seco árido infértil,

Que um dia já foi Crescente Fértil.

 

Temidos pelo viajante aventureiro,

Os dois são muralhas contra invasão,

E o poeta escreveu “Navio Negreiro”,

Em alto mar condenou a escravidão.

 

Novas rotas uniram ilhas e continentes,

Numa procissão de veleiros imponentes,

Com suas surpresas de armadilhas de teias,

Como o deserto com suas nuvens de areias.

 

Os faróis da era acendem seus pavios,

As caravanas de camelos são como navios,

Com suas cargas escravas, virgens e marfim,

Nos horizontes de ouro das linhas sem fim.

 

Engolem vidas e escondem piratas,

Com seus oásis e montanhas de pratas,

O deserto da sede cria visões e miragens,

E o mar a balançar nas galeras selvagens.

 

Sacudidos pelo calor dos testes atômicos,

O deserto foi dos peregrinos islâmicos,

Vias de mercadorias para levar o Alcorão,

E pelo mar, o jesuíta fez o nativo cristão.

 

 

 

E TOME MAIS TRAPALHADAS!

Um diz que tomou a vacina escondida, certamente com receio do chefe saber. O outro ataca novamente a China de quem tanto precisa para comprar medicamentos e insumos químicos. Confunde uma vacina alemã com americana.

O capitão-presidente sai de Brasília com sua tropa para uma cidadezinha, na Bahia, gastando o dinheiro do povo para inaugurar uma estrada de apenas 22 quilômetros que durou quatro anos para ser concluída.  Para provocar o Governo do PT, faz aglomerações para disseminar o vírus e visita um batalhão da polícia.

ESPETÁCULO DANTESCO

Sem máscaras, os seguidores da morte aplaudem, tiram selfies, salivam entre eles, cospem e fazem festas. Que espetáculo dantesco nesses tempos de pandemia de quase 400 mil mortes! Só no Brasil se vê essas cenas bizarras, enquanto o povo passa fome e não tem vacinas para combater a Covid-19.

Todos os dias tem mais trapalhadas no placo Brasil. Na Câmara dos Deputados começam a armar o circo de uma “CPI do Fim do Mundo”, com discursos mentirosos de que estão empenhados em esclarecer e punir os culpados por esse genocídio.

O Renan Calheiro, o homem beneficiário das propinas da Lava-Jato (foi sepultada), com pose de ético e moral, condena os negacionistas, as negligências contra a pandemia e os absurdos cometidos na área da saúde. Pela primeira vez, o filho do Bozó se mostra preocupado com a aglomeração da CPI. Coisa inusitada, merecedora de registro jornalístico. Ele agora não é mais negacionista da ciência!

Tudo não passa de um filme desgastado com mais umas pitadas de horrores, de bruxarias e suspenses. Os feiticeiros são praticamente os mesmos, e os enredos seguem um roteiro macabro com alguns ingredientes extraídos dos ossos de cadáveres que a terra já consumiu.

Cada vez mais o circo vai ficando mais pesado, com apresentações recomendadas só para adultos sem problemas coronários ou de pressão. Zumbis, lobisomens, fantasmas do mal, monstros e outras criaturas dos infernos travam uma batalha entre si onde depois todos se abraçam. É só uma simulação com efeitos especiais como em filmes de ficção.

A plateia ignara e desmemoriada aplaude os personagens atores, como se fosse uma peça nova, e acreditam que novos tempos virão. “A caravana passa enquanto os cães ladram”. Outros nas arquibancadas de madeira, debaixo da lona suja e rasgada, xingam, jogam pedras, atiram cascas de bananas e promete morte aos construtores do circo. Na saída, cada um segue para suas casas, destilando raiva e prometendo vingança. Uns mais otimistas dizem que tudo vai passar, tudo vai melhorar, mas as trapalhadas continuam e parecem não terem fim.

Parece fora de contexto, mas não é. O autor do livro “Uma Breve História do Mundo”, Geoffrey Blainey, cita no final da sua obra, que a religião floresce quando a vida corre perigo e quando existe dor. Ela continua a florescer nas enchentes, nas catástrofes, quando a fome bate nas portas e a morte precoce é expectativa da maioria das pessoas. A religião floresce quando uma colheita é arrasada por pestes, secas e exaustão do solo ou tempestades.

“Monarcas poderosos ganhavam muito ao sustentá-la. A religião oficial lhes permitia proclamar que eram mesmos descendentes de deuses”. Portanto, desobedecer ao rei significava desobedecer aos deuses. No século XX, segundo o autor, ela enfraqueceu por causa da prosperidade e da longevidade. No entanto, ela retorna forte quando ressurgem os flagelos, como agora em nosso país.





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