O DESERTO E O MAR
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
O deserto é o mar de mortais poeiras,
O mar é o deserto de águas traiçoeiras,
Eu sou o deserto rasgante incerto,
Você é o mar nas ondas a cortar.
Cada um com seu mistério profundo,
O Saara africano é o maior do mundo,
O deserto é o mar seco árido infértil,
Que um dia já foi Crescente Fértil.
Temidos pelo viajante aventureiro,
Os dois são muralhas contra invasão,
E o poeta escreveu “Navio Negreiro”,
Em alto mar condenou a escravidão.
Novas rotas uniram ilhas e continentes,
Numa procissão de veleiros imponentes,
Com suas surpresas de armadilhas de teias,
Como o deserto com suas nuvens de areias.
Os faróis da era acendem seus pavios,
As caravanas de camelos são como navios,
Com suas cargas escravas, virgens e marfim,
Nos horizontes de ouro das linhas sem fim.
Engolem vidas e escondem piratas,
Com seus oásis e montanhas de pratas,
O deserto da sede cria visões e miragens,
E o mar a balançar nas galeras selvagens.
Sacudidos pelo calor dos testes atômicos,
O deserto foi dos peregrinos islâmicos,
Vias de mercadorias para levar o Alcorão,
E pelo mar, o jesuíta fez o nativo cristão.











