:: 9/abr/2021 . 22:08
“VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ”
Dizem os críticos literários que “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá” foi a melhor obra do escritor Lima Barreto, embora o público em geral sempre comenta e aponta “Triste Fim de Policarpo Quaresma” onde ele fala dos costumes da sociedade da época, com suas trambicagens e velhacarias. inclusive com personagens ciganas.
Em “Literatura Comentada”, da Abril Educação, Antônio Arnoni Prado destaca que neste livro o narrador Augusto Machado traça um esboço biográfico de seu dileto amigo Gonzaga de Sá, um velho bacharel em Letras, solteirão e voltairiano, religioso sem deixar de ser cético e maníaco por balões.
Na narrativa de Augusto, o autor vai alternando o relato biográfico com suas próprias reflexões sobre a vida e os homens. O tom é cheio de ternura pelo amigo, morto quando se abaixava para colher uma flor, numa tarde que ele e o narrador se encontraram no Passeio Público.
Entre os escritos do amigo falecido, Augusto encontra, numa página perdida de papel o que considera ser a teoria filosófica de Gonzaga, com a ideia de que só o acaso decide sobre a sorte das coisas. O texto de Gonzaga se refere ao inventor de uma máquina de voar que passa anos e anos montando seu engenho e se decepciona no momento de fazer o aparelho subir. Por um acaso, a máquina não sai do chão.
Gonzaga era ele mesmo um homem sem ilusões, frio e espirituoso. Evitou doutorar-se para fugir das hipocrisias das solenidades. Contentou-se em não ir além de mero funcionário da Secretaria dos Cultos, com intuito de sobrar mais tempo para estudar. Tinha uma verdadeira febre de conhecimento.
Através de árduas pesquisas, ele cultivava uma visão crítica de seu tempo, lendo tudo o que caia nas mãos. Para tanto, evitou o casamento e se afastou das obrigações mundanas.
Augusto vai recolhendo as impressões críticas de Gonzaga, um anônimo das ruas do Rio de Janeiro. Para Gonzaga, de acordo com a narrativa, havia muitas coisas erradas na nossa terra, como a insuficiência nas artes do desenho até a nossa estúpida mania da aristocracia, o preconceito em relação aos negros, o elitismo e a injustificada idolatria pelo “doutor”.
Gonzaga se orgulhava de fazer parte do povo mais humilde que se formou em nossa terra, e detestava a gente de Petrópolis. “Eu sou Sá, sou o Rio de Janeiro, com seus tamoios, seus negros, seus mulatos, seus cafuzos e seus “galegos” também”. Passava os momentos de folga andando no meio do povo, perambulando pelos bairros populares distantes. Havia nele uma certa nostalgia do passado, uma espécie de busca do espaço perdido da infância e dos tempos felizes de moço. Ele é o primeiro a apontar a causa social na modernização arquitetônica do Rio de Janeiro. Sente no começo do século o isolamento entre os bairros e o distanciamento entre ricos e pobres.
Quanto a este assunto, é um cético que se apieda pelos indivíduos. Um cético que tem opiniões práticas acerca do Barão Rio Branco que havia transformado o Rio em uma chicana particular, distribuindo o dinheiro do Tesouro como bem entendia.
De acordo com o narrador, Gonzaga deplorava a comercialização da cultura, a linguagem descuidada dos jornais e os falsos intelectuais reformadores, que só sabiam mostrar o radicalismo de suas convicções nas mesas de cafés. Sua consciência da realidade se agravava diante da miséria e do analfabetismo daqueles que eram explorados e “viviam sob o aguilhão dos deveres”.
Gradativamente, ele vai se resignando, encolhendo-se diante da opressão e da injustiça. Começa a achar que a única saída para os oprimidos estava na morte. “A morte tem sido útil… toda civilização resultou da morte”, cultivando a ideia de que o intelectual não deve, com suas teses, conspurcar a pureza dos ingênuos. Admitia que só o sofrimento engrandecia o homem.
O narrador Augusto Machado, como que pressentindo a morte do amigo Gonzaga, experimenta a tristeza de sua ausência, aproveitando ao máximo os últimos momentos de convivência e refletindo sobre o sentido da vida.
O BRASIL VIVE UM GENOCÍDIO E PRECISA DE AJUDA HUMANITÁRIA INTERNACIONAL
É preciso que se tenha a coragem de dizer, e não é nenhum exagero, que está havendo um genocídio no Brasil pelo descaso no combate à pandemia da Covid-19. Diante do atual quadro aterrador de mortandade em massa, o país precisa com urgência de uma ajuda humanitária internacional.
A história se repete, como ocorreu e ainda ocorre com as guerras e a fome em diversos países do continente africano onde as nações ricas e poderosas fazem de conta que nada está acontecendo. Pela primeira vez, o país está registrando maior número de óbitos que nascimentos. Tem 2,7% da população mundial, e acusou 27% de todas as mortes. É um disparate.
André Cairo faz o seu protesto num apelo aos governadores e prefeitos em defesa da vida. Seu cartaz já diz tudo. O povo necessita de ajuda humanitária.
A COVID E A FOME
Os brasileiros não merecem ser julgados e sentenciados ao cadafalso da morte porque têm um governo que, ao invés de unir esforços com governadores e prefeitos para combater o mal, só tem praticado desagregação; subestimado a doença como “gripezinha”; se posicionado contra os protocolos de isolamento; incentivado aglomerações; e adotado uma diplomacia ideológica externa desastrosa que emperrou a compra de vacinas.
Os dados estatísticos e os fatos não negam, a começar pelo número diário de mortes, o maior do mundo, com recordes acima de quatro mil, sem contar o colapso nos hospitais e os milhares de casos de vidas perdidas por falta de insumos e vagas nos leitos de UTI. Do outro lado, a vacinação é lenta, e agora se agrava com a escassez de doses, o que indica que o quadro tende a se agravar, como prevê os cientistas.
Como se não bastasse, num momento de mais de 14 milhões de desempregados, a Covid fez escancarar a peste da fome que também está deixando uma multidão debilitada de barriga vazia e morrendo aos poucos por falta de comida nas geladeiras e nas panelas. É um quadro aterrador que está a carecer de uma ajuda humanitária internacional porque as doações e o parco auxílio emergencial não estão dando conta da demanda.
O problema não está apenas restrito ao Brasil, mas afeta também os outros países, principalmente os nossos vizinhos da América do Sul. Portanto, é uma questão mundial. Os cientistas brasileiros estão sendo amordaçados por suas posições de alerta, e até as instituições, das quais fazem parte, chegam a sofrer cortes de verbas para desenvolver seus trabalhos.
O último mês de março foi tenebroso e o mais letal depois de um ano que o coronavírus aterrissou em nossa terra e encontrou um campo fértil. Os infectologistas fazem um prognóstico ainda mais terrível para abril, podendo chegar a mais de cinco mil mortes por dia. Até agora, mais de 345 mil pessoas perderam suas vidas, deixando famílias destroçadas para sempre.
Sem vacinas suficientes (somente pouco mais de 10% de uma população superior a 230 milhões de habitantes receberam a primeira dose) para imunizar o povo, o Brasil foi emboscado pelo vírus numa encruzilhada da morte. A nação brasileira não pode ser punida por uma diplomacia desastrosa de um governo negacionista que criou atritos com laboratórios e países fabricantes de matérias-primas para as vacinas.
Existe um conjunto de fatores negativos que transformaram nosso país num cenário de genocídio, como numa guerra onde o inimigo invisível só faz avançar porque encontrou aqui um “exército” desorganizado, bagunçado, sem liderança no comando e sem as armas avançadas para neutralizar o exterminador.
As aglomerações nas portas dos bancos são verdadeiros convites à Covid-19 que só faz elevar o número de mortes em mais de quatro mil por dia no país. Aonde vamos parar? 
Aqui mesmo em Vitória da Conquista temos os reflexos disso com uma prefeitura que está mais preocupada com o movimento do comércio lojista do que com a vida, e vem rebatendo as medidas restritivas do Governo do Estado. Tem sido inerte com relação a iniciativas próprias que outros municípios vêm tomando nas áreas política e social. Com quase 400 mortes, a cidade registra hoje uma média de três óbitos por dia, o que é um número bastante alto.
“A REGRA DO JOGO”
No último 7 de abril foi lembrado o “Dia do Jornalista”. Diria que não se tem muito a comemorar diante do atual quadro político do Brasil onde a categoria tem sido hostilizada, principalmente pelo chefe da nação, mas me faz voltar aos tempos das redações barulhentas, fumacentas e de muitas discussões sobre as matérias que estavam saindo do forno diretamente para o público leitor, ou telespectador. Infelizmente, temos hoje um sindicato bem mais enfraquecido. Mesmo durante aquele período tenebroso da ditadura civil-militar, tenho saudades daquele jornalismo à prova de fogo onde se questionava “A Regra do Jogo” que muito nos ensinou Cláudio Abramo em seu livro título. Nesse dia, presto a ele uma homenagem e a todos os profissionais que fizeram “O Pasquim”, um jornalismo alternativo, satírico, de contestação, de reportagens inéditas que sabiam driblar a censura do regime militar. Sobre Abramo, comentou Jânio de Frietas na orelha da sua obra que, “apesar disso, surge um Cláudio. Surge na multidão de jornalistas, um ao qual o tempo pode magoar, mas não pode vencer: Seu talento é mais forte do que a pressão de todos os relógios”. Para ele, ressalta Jânio, o jornal morria com a rapidez de um dia, mas seus artigos entravam para sempre na memória de milhares e milhares de leitores… “Podia fazer melhor, não fosse a exiguidade do tempo”. Abramo foi morto em agosto de 1987, deixando um grande legado, como a modernização dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. “Suas lições percorrem todo espectro da atividade e da ética jornalística”- disse Mino Carta, no prefácio da obra. Não desmerecendo o jornalismo de hoje da internet, não se se tem mais pauteiros e chefes de reportagem como antigamente que, sem muitos recursos tecnológicos, apresentava mais criatividade, imaginação e tramavam matérias mais empolgantes e históricas. Não quer dizer que naquele tempo não haviam falhas, mas as reportagens eram mais consistentes, investigativas e completas, sem deixar furos clamorosos como atualmente. Hoje se usa o “ctrl c, ctrl v” bem mais que o “gilete press” daqueles tempos. A busca pelo furo era mais intensa e emocionante. Os repórteres hoje precisam melhor formular as entrevistas e pesquisar mais o tema da matéria. Existe uma deficiência no preparo, talvez pelo vício demasiado da internet.
A IDEIA É ESSA
Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário
A ideia é essa, meu amigo,
Seja como vaga-lume na escuridão,
Se não tem certeza da sua opção,
Se vai dar certo ou errado,
Se arrisque fundo no desafio,
Mesmo que seja na luz do pavio.
A ideia é essa, meu amigo,
Para desvendar o seu segredo,
Nunca tenha medo do castigo,
Seja qual for o final do enredo,
Ouça a mensagem da canção,
Que vai guiar sua difícil decisão.
A ideia é essa, meu amigo,
Nunca deixe de regar a sua flor,
Seja na alegria ou na triste dor,
Sempre encare seu presente,
Curta os momentos da vida;
Construa bem seu futuro abrigo,
Com sua mente mirando o mar.
Ao lado do seu grande amor.
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