:: 7/abr/2021 . 23:41
AMOR PELA NATUREZA
Nona Alves Fernandes – jornalista
Para aliviar os momentos tensos e exaustivos vividos em 2020, o médico Getúlio Borges Fernandes escolheu a Ilha de Itaparica para passar um período de descanso nos primeiros dias de janeiro. Na maior parte do tempo era a Natureza que preenchia os momentos de reflexão do cardiologista. Ao término do curto período de férias, Getúlio já não podia esconder para si mesmo que estava apaixonado por algo que significa vida para o ser humano.
Numa dessas manhãs de verão, “contaminado” pelo clima de serenidade do lugar, que contrastava com a aflição e a dor dos hospitais, manifestou em Getúlio a ideia de editar os versos escritos na época de estudante e os mais recentes, a maioria dedicada à Natureza. Entre bulas e reclamos de medicamentos e com a ajuda de sua secretária Lizandra Nunes, os versos rascunhados em receituários foram reunidos no livro “A Vida Humana e a Natureza”
Prefaciado pelo escritor Eduardo Olympio da Silva Braga, o primeiro trabalho literário do doutor Getúlio contem 142 páginas e 124 poemas. Editado pela Fontenele Publicações, em São Paulo, encontra-se à disposição dos amigos, colegas e clientes do escritor nas principais distribuidoras de livros do país, podendo ser adquirido pela internet.
“Amor pela Natureza” é o título de um dos poemas do médico-poeta. Numa das estrofes, ele adverte:: “Se cometer o pecado/ da natureza lesar/nunca será perdoado,/seu ato será levado pra no futuro julgar”. Observa-se que a métrica usada pelo autor se aproxima da figura poética das redondilhas (versos de sete a nove silabas). Itaparica, celeiro de inspiração e “beleza por todo o canto”, foi lembrada pelo escritor ao citar a água da Fonte da Bica, uma das atrações turísticas da ilha. “Viva o povo brasileiro/ Escreveu nosso poeta”, é uma lembrança, uma homenagem, ao mais conhecido dos itaparicanos, o “imortal” da Academia Brasileira de Letras (ABL), João Ubaldo Ribeiro.
Médico e escritor Getúlio Borges Fernandes
A dedicação de profissionais da Medicina pela literatura pode ser constatada numa consulta aos anais da ABL. Vamos encontrar entre dezenas de médicos acadêmicos os nomes de Ivo Pitanguy, Miguel Couto, Deolindo Couto e Moacir Scliar. Com 24 livros (poemas, contos e romances) publicados, o pediatra Aramis Ribeiro Costa presidiu em duas oportunidades a Academia Baiana de Letras.
Membro da Academia de Letras de Vitória da Conquista, o jornalista, escritor, poeta, escultor e produtor de vídeos, Jeremias Macário, num passeio pelo seu jardim, como faz diariamente para esquecer a covid-19, comentou: “Tente refletir sobre o mistério contido numa flor. Vamos apreciar com mais atenção a natureza. As flores me deixam menos tenso nesses tempos de pandemia e de crise política, econômica e social”
Getúlio Borges Fernandes nasceu em 13 de fevereiro de 1954, em Igaporã, no sudoeste da Bahia, onde iniciou os estudos; os cursos ginasial e colegial foram feitos em Caetité. Adolescente, transferiu-se para Salvador, onde ingressou na Faculdade de Medicina da UFBa, especializando-se em cardiologia e clinica médica. Em seu consultório, no Itaigara, atende há mais de 35 anos uma clientela fiel. Suas atividades profissionais incluem a docência universitária nos cursos de graduação em Medicina e de pós-graduação em Clínica Médica.
A GRAVIDEZ E A PANDEMIA
Uma população inteira de Vitória da Conquista foi dizimada. Simplesmente desapareceu do mapa, como se estivesse sido exterminada por uma bomba. Calma gente, não é nada disso! Conquista continua viva com o mesmo número de habitantes, mas também está sendo sacodida pela pandemia que já ceifou a vida de mais de 333 mil pessoas em nosso país, o mesmo contingente de humanos da nossa cidade do Sertão da Ressaca.
O dado é só para ilustrar a dimensão do estrago que a Covid-19 já fez no Brasil, e só aumenta a cada dia, ultrapassando mais de quatro mil mortes por dia, o maior índice do mundo. No entanto, minha intenção é fazer uma relação entre a gravidez de mulheres nesse período de pouco mais de um ano e a doença. Trata-se de um assunto pouco comentado pela mídia.
DUPLO PERIGO
Não sou nenhum infectologista ou especialista nesse campo, mas qualquer um sabe que é um duplo risco para a mulher se engravidar nesse tempo tão aterrador. Confesso que ainda não li e não vi nenhuma reportagem mais específica e profunda, mostrando os perigos para a mãe e o bebê no caso de a mulher vir a ser contaminada.
Mesma que a grávida de Covid tenha um parto sem problemas, a criança pode nascer com sequelas de deficiências, como ocorreu no caso da Zica? Entendo que o risco seja bem maior para a mãe infectada que já tenha doenças crônicas, como pressão alta, diabetes, asma e deficiência coronária.
Como jornalista, creio que é uma pauta importante para uma matéria esclarecedora. Nesse ponto, e diante do atual quadro, os casais têm pensado nessa questão antes de decidir ter um filho? Dá para mensurar se nesse período de Covid houve um aumento, ou uma redução no número de partos nos hospitais? Outra questão é a falta de vagas nas unidades de saúde, especialmente do SUS.
O que mais me espanta, ou aliás, já era de se esperar, é perceber que as mulheres mais grávidas são as mais pobres e que já têm três e quatro filhos pequenos numa situação de desnutrição alimentar, o que demonstra, mais uma vez, a falta de educação e instrução para evitar nascimentos nesse panorama de pandemia, desemprego e fome.
É a cara de um Brasil desigual onde a miséria aparece ao lado da Covid-19 como uma praga que está exterminando os brasileiros mais fracos. O insignificante auxílio emergencial mais as iniciativas de doações de grupos e associações não estão dando conta da demanda de milhões de bocas famintas.
Todas essas mazelas são resultado da falta de uma liderança no comando central e de uma coordenação que ouvisse as recomendações científicas de combate ao vírus desde o seu início, numa frente de isolamento social e adoção dos protocolos de higienização, como o uso de máscaras e outras medidas de restrição.
No entanto, o que temos é um governo de negacionistas que ainda acredita que a terra é plana e que a pulga vem da areia. É um governo que se indispôs com nações das quais tanto necessitamos de negociações para aquisição de mais vacinas para imunizar a população. É um governo que se isolou do resto do mundo e disse que ser pária é bom. É um governo que levou o Brasil a bater o recorde de mortes no mundo.
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