Uma população inteira de Vitória da Conquista foi dizimada. Simplesmente desapareceu do mapa, como se estivesse sido exterminada por uma bomba. Calma gente, não é nada disso! Conquista continua viva com o mesmo número de habitantes, mas também está sendo sacodida pela pandemia que já ceifou a vida de mais de 333 mil pessoas em nosso país, o mesmo contingente de humanos da nossa cidade do Sertão da Ressaca.

O dado é só para ilustrar a dimensão do estrago que a Covid-19 já fez no Brasil, e só aumenta a cada dia, ultrapassando mais de quatro mil mortes por dia, o maior índice do mundo. No entanto, minha intenção é fazer uma relação entre a gravidez de mulheres nesse período de pouco mais de um ano e a doença. Trata-se de um assunto pouco comentado pela mídia.

DUPLO PERIGO

Não sou nenhum infectologista ou especialista nesse campo, mas qualquer um sabe que é um duplo risco para a mulher se engravidar nesse tempo tão aterrador. Confesso que ainda não li e não vi nenhuma reportagem mais específica e profunda, mostrando os perigos para a mãe e o bebê no caso de a mulher vir a ser contaminada.

Mesma que a grávida de Covid tenha um parto sem problemas, a criança pode nascer com sequelas de deficiências, como ocorreu no caso da Zica? Entendo que o risco seja bem maior para a mãe infectada que já tenha doenças crônicas, como pressão alta, diabetes, asma e deficiência coronária.

Como jornalista, creio que é uma pauta importante para uma matéria esclarecedora. Nesse ponto, e diante do atual quadro, os casais têm pensado nessa questão antes de decidir ter um filho? Dá para mensurar se nesse período de Covid houve um aumento, ou uma redução no número de partos nos hospitais? Outra questão é a falta de vagas nas unidades de saúde, especialmente do SUS.

O que mais me espanta, ou aliás, já era de se esperar, é perceber que as mulheres mais grávidas são as mais pobres e que já têm três e quatro filhos pequenos numa situação de desnutrição alimentar, o que demonstra, mais uma vez, a falta de educação e instrução para evitar nascimentos nesse panorama de pandemia, desemprego e fome.

É a cara de um Brasil desigual onde a miséria aparece ao lado da Covid-19 como uma praga que está exterminando os brasileiros mais fracos. O insignificante auxílio emergencial mais as iniciativas de doações de grupos e associações não estão dando conta da demanda de milhões de bocas famintas.

Todas essas mazelas são resultado da falta de uma liderança no comando central e de uma coordenação que ouvisse as recomendações científicas de combate ao vírus desde o seu início, numa frente de isolamento social e adoção dos protocolos de higienização, como o uso de máscaras e outras medidas de restrição.

No entanto, o que temos é um governo de negacionistas que ainda acredita que a terra é plana e que a pulga vem da areia. É um governo que se indispôs com nações das quais tanto necessitamos de negociações para aquisição de mais vacinas para imunizar a população. É um governo que se isolou do resto do mundo e disse que ser pária é bom. É um governo que levou o Brasil a bater o recorde de mortes no mundo.