AS ESTAÇÕES PERDEM SUAS CORES
Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Por Deus, Alá e por Jheová!
Deixem de atanazar a natureza,
E sugar de cada Estação,
O vigor sublime da sua beleza.
Os deuses da tecnologia e da ciência,
Estão poluindo o ar, a terra e o mar,
E do humano a consciência escravizar.
Lá se vão os contrastes das Estações,
A noite virou um clarear do dia,
Com a energia da luz artificial,
Que tirou a magia do espaço sideral,
No Nordeste, o verão chicoteia no reio,
Com um fino outono e rala primavera,
Na era do escasso inverno que não veio.
O céu noturno, nosso templo sagrado,
De lua e estrelas no infinito universal,
Que previam o futuro com o ritual,
De fartura das colheitas do arado.
As bruxas voadoras em suas vassouras,
Cortavam as noites como os cometas,
Para anunciar as mudanças nos planetas.
As Estações não eram preguiçosas,
Cada qual exibia suas cores,
Os pastores tinham o tempo certo,
Do rebanho curral e das colinas viçosas.
Existia o limite entre frio e calor,
Com o toque dos tambores dançantes,
E o sopro nas orgias dos berrantes.
No Brasil já devastam os ciclones,
Queimam as florestas do Xavante,
O Pantanal vai perdendo seus clones,
E a Estação faz sua mudança rasgante.











