:: 6/maio/2021 . 22:37
OS CILINDROS DA VIDA
Foto do jornalista Jeremias Macário. Flagrante de um descarregamento de cilindros em frente de um hospital da cidade
Nunca eles foram tão protagonista nesta pandemia da Covid-19 como meio de salvar vidas intubadas para devolver ar aos pulmões afetados nas UTIs dos hospitais. São os cilindros da vida que em Manaus, com sua escassez, provocaram dor, choro e lágrimas de muitos parentes que estavam com seus entes queridos à beira da morte. Eles são essenciais para o respirar. A mídia sempre está falando neles quando existe uma ameaça de falta nas unidades de saúde. Sem eles, talvez o número de mortes no Brasil, mais de 417 mil, poderia até ser o dobro. Em Manaus, inclusive, e outras cidades, muitos vieram a óbito quando as fábricas não conseguiram atender a grande demanda. Quem não viu as cenas de gentes desesperadas nas filas lutando para adquirir esse valioso tubo de oxigênio? Infelizmente, no lugar dos cilindros, o insensível governo federal mandou cargas de cloroquina. Eles não são usados para tratar um “gripezinha” qualquer. Já imaginou se o Brasil dependesse do fornecimento da China, que está irritada com as declarações desastrosas de um capitão-presidente que nem está aí para as mais de 400 mil mortes? A impressão que temos é que em nosso país temos um governo com a intenção de fazer uma seleção humana, eliminando os mais fracos, ou todos aqueles que não são assintomáticos. Está havendo um genocídio, e um dia a história vai nos punir por termos sido omissos e tolerado tantas barbaridades dos negacionistas da ciência. Ainda bem que temos os cilindros da vida.
AS ESTAÇÕES PERDEM SUAS CORES
Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Por Deus, Alá e por Jheová!
Deixem de atanazar a natureza,
E sugar de cada Estação,
O vigor sublime da sua beleza.
Os deuses da tecnologia e da ciência,
Estão poluindo o ar, a terra e o mar,
E do humano a consciência escravizar.
Lá se vão os contrastes das Estações,
A noite virou um clarear do dia,
Com a energia da luz artificial,
Que tirou a magia do espaço sideral,
No Nordeste, o verão chicoteia no reio,
Com um fino outono e rala primavera,
Na era do escasso inverno que não veio.
O céu noturno, nosso templo sagrado,
De lua e estrelas no infinito universal,
Que previam o futuro com o ritual,
De fartura das colheitas do arado.
As bruxas voadoras em suas vassouras,
Cortavam as noites como os cometas,
Para anunciar as mudanças nos planetas.
As Estações não eram preguiçosas,
Cada qual exibia suas cores,
Os pastores tinham o tempo certo,
Do rebanho curral e das colinas viçosas.
Existia o limite entre frio e calor,
Com o toque dos tambores dançantes,
E o sopro nas orgias dos berrantes.
No Brasil já devastam os ciclones,
Queimam as florestas do Xavante,
O Pantanal vai perdendo seus clones,
E a Estação faz sua mudança rasgante.
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