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BURRO DE CARGA

Mesmo com toda tecnologia do século XXI, o desenvolvimento de locomoção rodoviário de veículos e outros meios como o ferroviário, fluvial e viário, o burro ainda continua sendo um servidor do homem mais pobre no transporte de objetos e mercadorias, inclusive de produtos alimentícios para as feiras, como na imagem flagrada pelo jornalista Jeremias Macário. Como se diz no popular: o chamado “burro de carga”, ou o jumento que estão exterminando para virar carne e couro de exportação para a China. Verdadeiramente, o homem é um ingrato, inclusive aqueles que têm um animal desse tipo e ainda maltratam, batendo e colocando peso excessivo em seu lombo. Por falta de educação e ignorância, esse homem bruto não reconhece o seu serviço, que lhe dá o sustento do ganha pão do dia a dia.  Quando estão velhos e não servem mais para o uso do transporte, muitos abandonam esses animais nas estradas e nas ruas. Existem leis que punem os indivíduos que comentem crimes contra os animais, só que na prática não funcionam, sem falar no poder público que não fiscaliza os abusos cometidos pelos seus donos.

O FRIO ME CONSOME

Poema inédito de autoria de Jeremias Macário

O frio me consome,

Nessa solidão que lambe,

O meu verbo poemar,

Entre ondas geladas do mar,

Com a neve a engolir o ar.

 

O tempo parece não se mover,

Sem nunca esquecer de você.

 

Imagino o colorido da cigana,

Da dança religiosa-profana,

De temperatura-tortura,

Sem vontade de levantar,

Nem da vida o lidar.

 

Vejo até leão na savana,

Do outro lado de lá.

Rodando minha cabana.

 

Tomo uma taça de vinho,

Sinto o cheiro do cio,

Com as ideias no ninho.

 

Não consigo respirar;

Entender a alma latina,

De tanta gente com fome,

Do poder da mão assassina,

Nesse frio que me consome.

 

Da boca sai a fumaça,

Desse frio carrasco,

Que meu neurônio se assa,

Preso num frasco.

 

No alerta do radar

Vem o desejo de amar.

 

Estou condenado,

A ficar aqui isolado,

Sem saber se sou homem,

Lobo ou lobisomem.

Foi-se o mentiroso sol;

Minha mente escrava cativa,

Liga em Assaré Patativa,

Do agreste nordestino,

Nuvem Orixá, ente divino.

 

Esse frio me consome;

Preciso me aquecer;

Rogo voltar pra mim,

Com seu cheiro de alecrim.

 

Esse frio me consome,

Às vezes troco seu nome,

Mas grudou o amor que ardia,

Naquele verão do lindo dia,

Que me ensinou a te amar,

Em qualquer lugar.

 

Como vira-lata enlatado,

Aqui todo enrolado,

Como pacote fechado,

Sem forças para respirar

Nesse louco frio,

Que me rouba o brio,

Pensando pegar a pista,

Da minha querida Conquista,

Pra Juazeiro, Piauí ou Ceará

Natal ou até o Pará.

 

Seu moço,

Esse frio me consome,

Me impede de circular,

Mas sempre vou te amar.

 

O corpo arqueado doído

Fica ainda mais dolorido,

E o espírito pede passagem,

Para outra viagem,

No calor do meu amor.

 

O frio me consome,

Solitário de mim,

Em meus diários,

De segredos sagrados,

Como relicários.

 

Minha alma banha em lágrimas,

Nessa garoa fria e calma;

E só o amor me guia,

Nessa acelerada via,

Errante, pensante, delirante,

Nesse frio que me consome.

 

O MAIOR ENGAVETADOR DOS CRIMES E DA CORRUPÇÃO CONTRA NOSSO PAÍS

Era uma vez…  Não, esse negócio de era uma vez é coisa de estória de carochinha e de fada para criança dormir. Na verdade, temos no Brasil uma nação alienada de joelhos, que atenta contra a liberdade e a democracia. Temos o maior engavetador de processos criminosos praticados pelo capitão-presidente, o Catilina e seus seguidores corruptos que tramam um golpe de Estado.

Quando falo de engavetador estou me referindo à PGR – Procuradoria Geral da República, comandada pelo senhor promotor Augusto Aras, a vergonha da Bahia a serviço das loucuras de um presidente, e não do nosso país. Sua gaveta já não deve nem mais fechar de tanto papel manchado de sangue e sujo pelas mãos dos conspiradores dos nossos sonhos e ideais. O que ele vai fazer com todo esse entulho?

Por muito menos, os ex-presidentes Collor de Mello e Dilma sofreram impeachment porque o cancro do Congresso Nacional não foi totalmente banqueteado e satisfeito com todas as benesses escandalosas que pretendia. Com esse legislativo, cerca de 200 pedidos de cassação foram engavetados pelo presidente da Câmara, Fernando Lira, abrindo espaço para um golpe. Dentre tantos outros, temos mais um título de país dos engavetamentos.

Quem são os verdadeiros culpados por estar em andamento esta marcha do golpe, dizendo que as eleições, antes de acontecerem, são uma fraude? Por que não foi logo cortada a cabeça do monstro? Agora já é tarde porque ele está mais faminto, na companhia maior de outras espécies bizarras da natureza. O combate está se tornando cada vez mais difícil, e requer ações mais estratégicas para exterminar esse exército de exterminadores.

Não são simplesmente cartas com três, cinco ou dez mil assinantes que vão conter a fúria golpista que, se ocorrer, a história vai apontar os culpados que ficaram em seus gabinetes de ar condicionando nos blablabás das conversas floreadas e recheadas de neologismos, sem convocar o povo para as ruas, antes que o mal pior aconteça. Depois, é só chorar pelo leite derramado. Vacilo e comodismo são nomes mais corretos. O pior é o silêncio dos bons.

Não basta a defesa de princípios morais e democráticos, porque ele também fala em democracia no seu sentido de intervenção militar para golpear o pleito. Além dos milhares de abaixo-assinados, são necessárias reuniões, palestras e comícios nas ruas e praças para combater o AntiCristo que fala em família e pátria, enquanto nos envergonha lá fora no exterior; pratica o racismo e a homofobia; e nega a vida como fez durante os dois anos mais agudos da pandemia da Covid-19.

Os engavetadores da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e outros braços do judiciário enterraram com cimento e passaram uma pá de cal na Operação Lava-Jato, liberando geral para que todos voltassem ao poder, que sempre foi colocado acima de uma sociedade mais justa e igualitária.

O chefe da PGR, com seus desvios de funções, preferiu servir ao seu presidente aloprado do que à própria República, para a qual foi indicado. Jogou seu diploma no lixo para se aliar aos malfeitores e salteadores da pátria. Não vai tardar, e a história vai registrar sua lambança de baiano que manchou o nome do grande jurista Ruy Barbosa. Aliás, a essa altura ele deve estar se revirando no túmulo.

Podemos pagar muito caro por que nós brasileiros nos portamos como indiferentes, comodistas e individualistas, só se preocupando com seu próprio umbigo. Não passamos do bate-panelas nos apartamentos, e não saímos do nosso conforto para cobrar e exigir respeito ao nosso país.

O nosso egoísmo é tão enorme que nem pensamos nas nossas novas gerações que podem sofrer mais ainda as drásticas consequências que virão por aí. Tudo isso me faz lembrar a canção do grande cantor e compositor Geraldo Vandré quando disse “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”

PROFESSOR ITAMAR AGUIAR VAI RECEBER TÍTULO DA LIBERDADE JOÃO MANGABEIRA

Na campanha para reitor da Uesb

O caráter, os princípios de justiça, a seriedade no que faz, a força de vontade e persistência no trabalho, conhecimento e saber são atributos e virtudes que valem mais que qualquer dinheiro ou bens materiais na vida. Assim é o professor Itamar Pereira Aguiar, que no próximo dia 25 de agosto, às 15 horas, no plenário do Palácio Deputado Luiz Eduardo Magalhães receberá o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira, concedido pela Assembleia Legislativa da Bahia.

Com quarenta anos como professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, doutor com teses no campo da filosofia e das ciências sociais (religiões afro-brasileiras em Vitória da Conquista), artigos publicados em várias revistas, jornais, livros e cargos públicos, como secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura Municipal de Conquista, a homenagem proposta pelo deputado Jean Fabrício Falcão é merecida a esta personalidade ponderada que trilhou seu caminho de luta e tanto tem feito ao longo de sua vida no sentido de construir um ser humano melhor. Tenho o privilégio de ser um dos testemunhos dessas suas qualidades há 30 anos de convívio.

Antes de ser aprovada pela Assembleia Legislativa, a proposta encaminhada pelo deputado, em 26 de agosto de 2019, passou por um longo processo de tramitação, a começar pela Comissão de Constituição e Justiça – Comissão Diretora, Departamentos de Atos e Ofícios, Controle do Processo Legislativo, Secretaria Geral das Comissões até receber seu parecer favorável pela plenária da Casa. É uma comenda que honra também a cidade de Vitória da Conquista e por onde o professor passou disseminando suas ideias e prestando seus serviços intelectuais.  Na foto com dona Dió na Lavagem do Beco

SUA TRAJETÓRIA DE VIDA

O professor Itamar tem uma longa trajetória de vida, a começar por Iraquara-Ba (nascido no Poço de Manoel Felix), na Chapada Diamantina, onde cursou os três primeiros anos da antiga escola primária. De família simples, sem muitos recursos, nasceu em 25/07/1950, filho de Antônio Braga Aguiar e Alda Pereira de Aguiar.

Em 1963, foi estudar o quarto ano primário no Mosteiro de Jequitibá, localizado no município de Mundo Novo-Ba, uma instituição educacional, internato somente para alunos do sexo masculino, na escola de 1ª a 5ª série, com três turnos de atividades pedagógicas.

Em março1964 prosseguiu seus estudos em Lenções no Colégio Municipal Afrânio Peixoto, onde concluiu a 5ª série “do primário”, seguida de admissão ao ginásio, cursando logo depois a Escola Normal. Ainda jovem e sem muita experiência como gestor, enfrentou seu primeiro desafio da vida no período de 1974 a 1979, quando dirigiu o hoje Colégio Municipal de Lençóis (ginásio e Escola Normal), ao mesmo tempo que fazia a graduação em Filosofia na Universidade Federal da Bahia. No ano seguinte dirigiu o Colégio Municipal de Iraquara, em Iraquara – BA.

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Na campanha política, em Iraquara,  com Waldir Pires a governador da Bahia

Ainda no final de 1970 e início dos anos 1980 atuou como auxiliar de pesquisa do Dr. Ronaldo de Salles Senna, estudando os “Jarês” na Chapada Diamantina. Em março de1983, ingressou como professor na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB, na categoria de auxiliar, onde permanece até os dias atuais já na categoria especializada em metodologia do ensino superior (PUC Minas Gerais, 1986).

MESTRADO E DOUTORADOS

Itamar Aguiar fez mestrado em Ciências Sociais (PUC, São Paulo 1999), defendendo a dissertação intitulada “As Religiões Afro-brasileiras em Vitória da Conquista: Caminhos da diversidade”. Foi candidato a reitor da Uesb; participou de encontro com Gilberto Gil quando ministro da Cultura; militou na campanha política de Waldir Pires para governador da Bahia (discurso na cidade de Iraquara); esteve com o educador Paulo Freire nos anos 80 em Conquista; e com o autor José Wilker nos anos 70 durante as filmagens de Diamante Bruto, de Orlando Senna.

Com o educador Paulo Freire

O professor Itamar nunca parou de estudar e pesquisar enquanto escreve e ensina. Entre uma labuta e outra, fez o doutorado em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia, (PUC, São Paulo, 2007), defendendo a tese “Do Púlpito ao Baquiço: religião e laços familiares na trama da ocupação do Sertão da Ressaca”.

Não contente com o que já possuía de conhecimento na área do saber, partiu na busca do Pós-Doutorado em Ciências Sociais pela UNESP, “Campus de Marília-SP, em 2014), apresentando o trabalho intitulado: “As Mudanças no Campo Religioso em Vitória da Conquista, entre 1999 a 2012”. Portanto, pela sua dedicação e coragem, não restam dúvidas que o professor é uma autoridade nesse setor da religião e da filosofia, suas origens e efeitos no ser humano.

LIVROS E ARTIGOS

Mesmo com seu tempo de serviços, o professor não se aposentou e, além das dissertações, tese de doutorado e do texto para o pós-doutorado, produziu e ainda produz vários artigos, individualmente e coletivamente, publicados em revistas e periódicos no Brasil, bem como em alguns países, a exemplo de Portugal, Cuba e Venezuela.

Como se não bastasse sua trajetória de estudos e pesquisas, Itamar  publicou vários livros em parceria com autores amigos e colegas, sendo os mais conhecidos “Os Sertões da Bahia, Formação Social, Desenvolvimento Econômico, Evolução Política e Diversidade Cultural”, organizado por Erivaldo Fagundes Neves, em 2011; “Remanso-Uma  Comunidade Mágico Religiosa: O fantástico”, apoiado em uma mundividência afrodescendente, aspectos das ambiências sociais, geográficas e históricas, cujos autores são  Ronaldo de Salles Senna e Itamar Pereira de Aguiar. A obra foi lançada em 2016.

Com artigo acadêmico, o professor Itamar participou do livro “Intelectuais das Áfricas, tendo como organizadores, Silvio de Almeida Carvalho Filho e Washington Santos Nascimento. Esse trabalho de expressivo alcance entre professores, estudantes e interessados no tema, foi publicado em 2018.

Atualmente, Itamar é professor Pleno da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, lotado no departamento de Filosofia e Ciências Humanas – DFCH, vinculado ao mestrado em Relações Étnicas e Contemporaneidade (PPGREC-UESB). Lide do grupo de pesquisa “Religião, Cultura e Sociedade”.

 

 

RETOMADA DO SARAU A ESTRADA FOI UM SUCESSO EM NOITE INSPIRADA

Com o tema “Escravidão” na abertura dos trabalhos, comentado pelo professor Itamar Aguiar e o jornalista Jeremias Macário, a retomada do Sarau A Estrada, em nosso Espaço Cultural de mesmo nome, na última noite de sábado (dia 23/07), foi um sucesso total numa noite inspirada de poetas, contadores de causos, declamações, violeiros e cantores de renome nacional.

O artista Xangai (Eugênio Avelino) com seu Cuzco colorido andino e também mexicano na visão de outros, nos presenteou com lindas canções, inclusive de cancioneiros do Chile e da Venezuela, sendo acompanhado por Alex Santos e Baducha no violão. Os participantes do evento, mais de vinte, numa noite fria, mas esquentada pelo calor humano, ficaram encantados com a costumeira performance carismática do nosso violeiro-cantador conquistense, com seu canto apaixonante.

CASA DA CULTURA

Outro que apareceu com sua viola e seus causos foi o nosso Dorinho Chaves, representando a Casa da Cultura como diretor artístico, bem como não poderia deixar de vir o nosso cantor e compositor Manu Di Souza, com sua esposa Cleide e sua filha Maria Luiza. A nossa encantada cantora Marta Moreno também nos abrilhantou com sua arte. Outro que nos brindou com canções de Raul Seixas foi Alexandre Magno, com sua voz forte e vibrante.

O evento recebeu mais gente nova que se incorporou ao nosso Sarau, como o português poeta Luis Altério e sua esposa professora Lídia, a também esposa de Xangai, Carne Freire de Mendonça, nosso produtor cultural Afonso Silvestre, a professora Viviane Gama, que ficou impressionada com o acervo do nosso Espaço Cultural, ao ponto de sugerir seu tombamento pelo poder público, a esposa de Alex Santos e outros que aqui estiveram pela primeira vez.

Não poderia deixar de citar também as presenças de José Carlos, que já se tornou um grande frequentador e apreciador do nosso Sarau Colaborativo, a professora Céu, esposa de Baducha, os fotógrafos José Silva e José Carlos D´Almeida, Denis, o professor Jovino e nossa querida e simpática Tânia, dentre outros.

Como sempre, todos contribuíram para seu sucesso com comidas (tira-gostos) e bebidas, com destaque para o vinho, para combinar com o inverno, mas o principal da noite foi o bode cozido com andu e salada que saiu das mãos delicadas da nossa anfitriã Vandilza Silva Gonçalves. Como sempre, ela a todos recebeu com sua dedicação e carinho. O sabor da sua comida satisfez a todos depois de belas canções e declamações de poemas. No Sarau todos ganharam no intercâmbio do saber e da arte, o respirar de nossas vidas.

Depois de mais de dois anos de interrupção por causa da pandemia (o último foi realizado em fevereiro de 2020 quando completava dez anos de existência), o Sarau Colaborativo foi reiniciado com mais força ainda, como se fala no popular, com “pé firme”, tomando todas as precauções porque o vírus ainda não nos deixou. Foi uma reinauguração de alto nível com a troca de conhecimentos, ideias, discussões no âmbito cultural e um bom papo agradável e descontraído, num clima fraternal.

ESCRAVIDÃO

O tema “Escravidão”, além da apresentação de Xangai, foi a atração da noite quando o professor Itamar nos passou uma visão geral do que foi o sistema no Brasil, desde o ciclo do Pau Brasil e outros que vieram depois, como o da cana-de-açúcar, a mineração e o café, sem deixar de citar o da pecuária, que se utilizaram da mão-de-obra cativa.

O jornalista e escritor Jeremias Macário dissertou sobre dois temas mais específicos, que foram “Os Quilombos e as Torturas” que ocorreram durante os mais de 350 anos de escravismo em nosso país. As crueldades praticadas pelos senhores de escravos, apontadas pelo explanador e baseadas nos livros de Laurentino Gomes, chocaram as pessoas, principalmente as heresias do mestre de campo Garcia D´Ávila Pereira Aragão, da ilustre Casa da Torre.

Uma das particularidades é que no Brasil de hoje existem mais de 3.200 quilombos (dados da Fundação Palmares de 2019), com 1,2 milhão de moradores, dos quais mais de 80% vivendo na extrema pobreza. Esses quilombos ocupam 1,2 milhão de hectares de terra, área essa inferior as dez maiores propriedades do agronegócio no Brasil. Só a fazenda Piratininga, entre Tocantins, Goiás e Mato Grosso, se estende por 135 mil hectares.

No final dos debates, todos concluíram que a escravidão no Brasil contra o povo negro e pobre ainda permanece, de uma forma mais sofisticada, em pleno século XXI, com a fome e a exploração da mão-de-obra. Diante de todo esse quadro macabro e triste, foi lembrado que o Brasil foi o último do mundo a decretar a abolição da escravatura, uma vergonha para todos nós brasileiros.

 

OS QUILOMBOS: CUSTOS PARA OS DONOS E LUCRO PARA OS CAPITÃES DO MATO

No relato de Laurentino, em sua obra “Escravidão” (segundo volume), a recuperação de um escravo fugitivo requeria altos custos para o dono, incluindo pagamento para o capitão do mato, despesas de carceragem, taxas referentes à documentação, além dos dias trabalhados que deixaria de executar.

Os senhores gastavam em torno de 15% do valor estimado do cativo. Quando preso poderia ser entregue ao dono, mas era mais encaminhado à cadeia pública até completar o processo de reconhecimento. Em caso de o dono não procurar, o escravo seria vendido em leilão.

As recorrentes fugas eram desafios para a própria ordem escravista brasileira. Aumentava o medo das autoridades e da população a respeito de ameaças de haver uma associação de negros com objetivo de assaltar fazendas e viajantes.

Esse medo era ainda maior em Minas Gerais onde havia maior concentração de escravos no século XVIII. Ordens proibiam cativos de usar armas. Um regulamento de 1726 permitia o uso de facas e porretes, com o consentimento de seus donos.

As fugas e a proliferação de quilombos fizeram surgir uma tropa especializada na recaptura de fugitivos. Seus membros recebiam denominações variadas, como soldado do mato, cabo do mato, capitão do mato e sargento-mor do mato. No entanto, a que mais pegou foi a de capitão do mato, criado em Minas.

O historiador baiano Luiz Mott, no entanto, diz que já existia em Pernambuco, em 1612, ano em que o donatário Alexandre Moura solicitou à Coroa, a nomeação de um caçador de fugitivos com esse nome.

Em 1625, a Câmara de Salvador dispunha de uma escala de recompensa. Também, em 1672, a Câmara de Cachoeira possuía uma postura municipal com funções iguais às do Rio de Janeiro.

O regimento dos capitães do mato, criado no governo de Minas, estabelecia critérios de atuação e remuneração a ser paga pelos senhores de escravos fugitivos, na base da distância em que o cativo era capturado.

Se o escravo fosse encontrado em um quilombo, em companhia de pelos menos quatro fugitivos, havia uma recompensa padrão de vinte oitavas de ouro (72 gramas), mais de 22 mil reais de hoje.

Caso o escravo resistisse e fosse morto, sua cabeça seria exibida no alto de um poste em praça pública, para servir de exemplo. Muitos capitães andavam a cavala pelo interior carregando uma cabeça de um escravo, salgada e acondicionada dentro de um saco.

O capitão Francisco de Mattos chegou a receber a quantia de 7,5 quilos de ouro, cerca de 2,4 milhões de reais com a missão de extinguir os negros calhambolas nos distritos da região de Vila Velha (Ouro Preto).

Bartolomeu Bueno do Prado teve melhor resultado quando acabou com o Quilombo do Ambrósio, em 1759. Os capitães também faziam respeitar a ordem de recolher, e verificavam se os cativos tinham autorização de seus senhores para frequentar determinados lugares ou circular pelas ruas tarde da noite.

Severino Pereira se apresentava com a designação de capitão-mor de estradas e assaltos, chefe de milícia da redução dos escravos foragidos e dos fortificados nos quilombos ou coitos. Seu campo de atuação era o distrito de São José das Itapororocas (Feira de Santana), terra de Maria Quitéria.

Muitas vezes os capitães vendiam escravos, sem devolvê-los aos seus donos, uma vez que os preços em Minas Gerais eram muito superiores às recompensas pelas recapturas. Haviam escravos que prestavam serviços aos seus senhores para capturar outros cativos fugitivos.

Também existiam casos de proprietários de escravos (mestre de campo Inácio Correia Pamplona), em Minas, que armavam seus próprios cativos (58) para expedições de captura.

O historiador Donald Ramos destaca que em Minas, a maioria dos quilombos era de pequeno porte e se localizavam próximos às áreas de mineração, e que nunca ameaçaram a ordem escravista. Mantinham intercâmbio com as vilas e as comunidades.

Segundo ele, o quilombo nunca ameaçou a sociedade luso-brasileira. Nas zonas de mineração nunca houve rebelião escrava significativa ao longo do século XVIII. Nada parecido com o que aconteceu na Bahia, em 1835.

Da mesma forma havia pouca solidariedade entre negros fugitivos e índios nos sertões do Brasil. Indígenas ajudavam os portugueses nas operações de recaptura, como fizeram os tapuias na destruição de Palmares. Em alguns lugares, porém, a mistura era mais comum. No Quilombo do Piolho, em Mato Grosso, moravam 79 negros e 30 índios.

Conforme relatos de Laurentino, em algumas regiões, os quilombos eram parte de uma vasta rede clandestina de roubo, desvio e comércio dos mais variados produtos. Em Itu (SP), os quilombos não só vendiam café furtado para comerciantes locais, como também roubavam vacas e porcos por encomenda dos próprios comerciantes.

Quando perseguidos, muitos se refugiavam nas senzalas das três fazendas da Ordem Beneditina Gondê, Outeiro e Iguaçu. Os quilombolas forneciam produtos agrícolas, animais, peixes e caças aos taberneiros da região que, em troca, lhes dava proteção.

AINDA NA IDADE DO CARVÃO

A imagem das fotos em plena caatinga do nosso sertão nordestino representa o estrago que os fornos de carvão fizeram e ainda fazem contra a nossa exaurida natureza desse bioma raro no mundo. Quantos milhões de árvores foram queimados, para produzir carvão para alimentar as siderúrgicas? Com as denúncias e movimentos dos ambientalistas, houve uma certa contenção, mas continuam infringindo as leis, não importando o mal que fazem contra o meio ambiente! Este é um forno abandonado, mas ainda estamos na idade do carvão em pleno século XXI, com o uso desse fóssil no planeta terra, sem falar no petróleo, para produzir energia, quando existem outras tantas alternativas limpas. Quando flagrei este forno com minha máquina, veio-me à cabeça as lembranças das reportagens sobre as carvoarias da década de 90 na região sudoeste da Bahia. Eram matérias perigosas, assim chamadas porque as denúncias implicavam ameaças de vida dos donos dessa extração mineral através da lenha contra repórteres que registravam a existência clandestina desses fornos escondidos no matagal, bem como do transporte irregular, sem a devida licença ambiental. Por fim, os fornos de carvão sempre lembram a escravidão da mão-de-obra humana, inclusive de crianças doentes e lambuzadas pelo pó preto e respirando, diariamente, aquela fumaça, num trabalho infernal.

QUEM É ESSE ENCANTADO?

Quem é esse encantado,

De alma menino,

Que tanto nos fascina,

Como mito divino,

Que encurta caminhos,

De origem asiática ou latina,

Que escreveu em sua lápide:

Por aqui passei, sempre amei,

E tudo deixei.

 

Quem é esse encantado,

Sem mitra e estola,

Que da vida fez escola?

 

É índio guerreiro?

General das guerras vencedor?

Escravo liberto do seu senhor?

Sábio viajante do tempo?

Ou espírito amante cantante?

 

Quem decifra seu encanto,

De encantado profundo,

Religioso e profano,

Que sabe rir e sofrer,

Sem ser pecador e santo,

Que só o canto da viola,

Desencanta seu mundo?

 

Quem é esse encantado,

De tanto mistério na terra,

Que sabe subir e descer a serra,

E conhece os enigmas do ar e do mar?

 

Quem é esse encantado,

Que tanto encanta o humano,

Pescador de poesia,

Resistente como planta

Do nosso sertão nordestino,

Que rege seu próprio destino,

E vive da sua filosofia?

 

HOMENAGEM AO PROFESSOR “BIRA” EM ENTREVISTA AO LIVRO “UMA CONQUISTA CASSADA”

 

Falecido nesta quarta-feira (dia 20/07), com 88 anos, o professor Ubirajara Brito, quando vivo, concedeu entrevista ao jornalista Jeremias Macário para seu livro “Uma Conquista Cassada-cerco e fuzil na cidade do frio”, publicado pela Assembleia Legislativa da Bahia, por intermédio do deputado Fabrício Falcão, e lançado em 2013.

LIGAÇÕES POLÍTICAS EM MINAS GERAIS

Ubirajara Brito nasceu na pequena Tremedal, no sertão do sudoeste baiano, mas foi adotado em Vitória da Conquista onde estudou no respeitado e admirado Ginásio Padre Palmeira. Frequentou também o Colégio Estadual da Bahia entre os anos 1951/55. Formou-se engenheiro civil pela Universidade Federal da Bahia-UFBA aonde chegou a ser professor. Ajudou a construir um dos trechos da BR-101, no início dos anos 1960, em Sergipe. Passou um tempo exilado na Europa e foi ministro de Governo.

O professor e cientista Ubirajara Brito, nascido por volta de 1934, desenvolveu suas ações políticas em Minas Gerais, precisamente na cidade de Nanuque onde seu tio era prefeito. Por suas ligações no Governo de João Goulart chegou a ser consultor durante suas viagens à Bahia.

Foi preso como subversivo, em Minas Gerais. Ubirajara confirmou que Jango lhe conferiu poderes para trabalhar no nordeste de Minas Gerais, na coordenação de obras em alguns municípios da região, inclusive com apoio do então governador Magalhães Pinto. Ele conta que em Nanuque, os adversários contra o governo da República eram perigosos, e o PSD era reacionário e alienado. Tratava-se de um partido dos grandes fazendeiros.

Em Nanuque e Juiz de Fora

Após o golpe civil-militar, em razão de suas atividades do passado na Bahia, o professor respondeu ao IPM – Inquérito Policial Militar, em Nanuque, sendo depois processado em Juiz de Fora. Como Ubirajara era filiado ao PCB, entre 1956 até 1964, sua situação se complicou. Em abril daquele ano foi preso pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de Belo Horizonte, ficando até junho de 1964, incomunicável por 20 dias. Não houve tortura física, mas muita luz na cara e pressão psicológica.

Com certa ironia, “Bira” como é conhecido, narra que os agentes tinham certo temor da sua família por ser nordestina. Eles (os militares) faziam ligações com pistolagem e cangaceirismo. Em Minas Gerais, o homem da Companhia da Polícia era o capitão Silvio Souza que, para disfarçar de sua função era presidente da Associação Cultural Brasil/Estado Unidos. Por coincidência, havia sido delegado em Nanuque e conhecia nosso pessoal. O capitão sempre questionava que havia atividades subversivas no nordeste de Minas (Bandeira), no Espírito Santo e extremo sul da Bahia.

Em sua versão do militar, em Minas Gerais, o comandante era Ubirajara Brito. Na verdade, “Bira” aponta que existiam três bases revolucionárias que contavam com respaldo de Cuba, “mas eu não tinha ingerência”. Diziam também que eu fundei e comandei o “Grupo dos Onze”. Em Nanuque existia essa agremiação, mas informa que foi criada pelo secretário municipal da Educação e pastor da Igreja Presbiteriana. Havia ainda os núcleos do PCB, PC do B (ligados aos soviéticos) e dos brizolistas com afinidades com Cuba que fomentavam a reforma agrária, mas com poucos recursos.

Ubirajara não foi solto por ato jurídico. Em tom irônico afirma que chegaram à conclusão de que estava dando muitas despesas. “Por isso me mandaram ir embora”. Depois de libertado, como era normal naquela época, o professor passou uns tempos sobressaltado e se escondeu na fazenda de seus pais. O pior era a boataria de que seria novamente preso. Para não ser detido de surpresa, resolveu fugir altas horas da madrugada num avião de um amigo para Foz do Rio Doce. De lá seguiu para Salvador (final de 1964) onde procurou a Universidade Federal para trabalhar, mas não deu certo.

No pós 1964, em se tratando do pessoal de Vitória da Conquista, Ubirajara recorda que só teve ligações clandestinas com Franklin Ferraz Neto, em São Paulo. Revela que, sem uma ocupação, viu com tristeza Franklin (nomeado juiz do Trabalho) se transformar num fotógrafo de binóculo com seu primo, na capital paulista. Na época, Franklin estava apaixonado por uma moça de Poções e planejava ir para o exílio casado com ela. Terminou se casando, mas não saiu do Brasil porque morreu logo – como informa Ubirajara.

Sobre outros contatos em Conquista, o professor cita Everardo de Castro e Hemetério Pereira, presidente do Comitê Local do PCB. Com relação a Pedral Sampaio, assinalou que sua relação era de muito tempo antes do Golpe.

FUGA E “BOI DE PIRANHA”

Antes de sair o decreto de sua prisão preventiva (a ordem foi passada para o Quartel da VI Região), “Bira” foi para o exterior, em 1965, seguindo o roteiro de Feira de Santana – Vitória da Conquista, Rio de Janeiro e São Paulo. Ubirajara revelou que tinha um informante que lhe passou as coordenadas sobre sua prisão. Para sua fuga do país, o Partido Comunista o ajudou. Com muita sutileza para despistar a atenção dos agentes federais, tomou um avião para a Itália indo depois para Paris onde ficou até 1974 e foi professor de Geofísica Nuclear na Universidade D´Orsey – segundo Campo Científico.

Explicou que sua amizade com Oscar Niemayer se deu no Brasil, antes do exílio, e em Paris (1966) onde também estava Waldir Pires que ensinava Direito Constitucional Comparado em Dijon, distante 150 quilômetros da capital. Era uma situação ingrata – lamenta Ubirajara, adiantando que Waldir teve que estudar muito, pois sabia pouco francês quando foi para lá.

Seu retorno ao país, em 1974, conforme assinalou, foi montado através de um acordo entre o general Ernesto Geisel e Jango, utilizando alguns exilados como bois-de-piranhas, incluindo seu nome na lista. Na posse da presidência, Geisel mandou um emissário, comandante do Estado Maior, acompanhado do jornalista Castelo Branco, conversar clandestinamente com Jango. A negociação foi um teste que fazia parte da distensão lenta, mas não poderiam voltar o padre Lage, Leonel Brizola, Miguel Arraes e Francisco Julião (chefe das Ligas Camponesas).

Jango não aceitou o esquema, mas, mesmo assim retornaram 10 ou 20 exilados. Ubirajara fez a viagem de navio até Salvador onde um tenente o interrogou e recomendou para não fazer mais declarações. Disse que ao desembarcar sentiu não existir mais movimentos, só saudosistas. “Ia sempre para o Rio de Janeiro conversar com Niemayer”. Da capital foi para sua fazenda no extremo sul da Bahia e, como professor, começou a procurar trabalho, inclusive na UFBA, mas nem o setor privado abriu as portas. Como não tinha alternativa, Ubirajara passou a criar porcos, fazer farinha, requeijão e vender jaca.

Depois de uma temporada nessa labuta, resolveu criar uma empresa de agrimensura, isto até 1981. A partir daí decidiu em 1982 ser candidato a deputado estadual pela Bahia. Não deu certo. Em 1983, Tancredo Neves se elege governador de Minas Gerais e convidou Ubirajara para trabalhar com ele. Em 1984 Tancredo renuncia ao governo do estado para ser candidato nas Diretas Já, através do Colégio Eleitoral.

De acordo com sua história política, Tancredo o levou para Brasília. Nesse ponto, Ubirajara interrompe a entrevista para fazer questão de dizer que sua carreira inicial na administração pública não tem nada a dever à Bahia. No entanto, abre uma exceção para o deputado Carlos Santana por ter lhe convidado para ser chefe da Assessoria Técnica do Governo da Constituinte no período de Sarney na Presidência da República, que assumiu no lugar de Tancredo Neves após sua morte.

Em 1987 ocupou o cargo de superintendente de Ciências Básicas do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), e depois Sarney o convidou para ser secretário Geral no Ministério da Educação, isto em 1988, chegando a ser ministro da pasta. No final do Governo Collor, por intermédio de ACM (Antônio Carlos Magalhães) e Ângelo Calmon de Sá, foi secretário executivo do Ministério da Ação Social e ministro por pouco tempo.

No governo de Itamar Franco foi ser diretor-executivo das Pioneiras Sociais (Rede de Hospitais Sarah). Logo depois, durante cinco anos ocupou a função de secretário de Planejamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, incluindo uma parte do governo de Fernando Henrique Cardoso.

CONTRA A LUTA ARMADA

Sobre os movimentos da luta armada no Brasil a partir do final dos anos de 1960, Ubirajara diz que, apesar de admirar Che Guevara e respeitar quem participou do processo, não concorda com a teoria do guerrilheiro, nem daqueles que fizeram a mesma coisa no país.  Em sua opinião, tudo não passou de um foquismo importado de Debret, com a ideologia de fomentar a revolução a partir de focos espalhados no território com pretensão de derrubar o regime.

Para ele, deu certo em Cuba porque a concentração era grande, e o governo estava desmoralizado. Não se tratava, conforme sua análise, da nossa questão que era um país diferente, inclusive em termos territoriais. Declarou ter se sentido humilhado em Paris numa reunião entre jovens que defendiam essa teoria. Por discordarmos (ele e outro grupo), nos chamaram de revisionistas.

“Não era a luta armada que iria salvar o nosso problema. A ditadura sabia de todos os movimentos e iria nos destruir”. Referindo-se à estratégia do PCB, criado em março de 1922, citou que estava se fazendo um trabalho pacífico. Aí entraram as organizações armadas com as dissidências, a partir de 1966, que foram todas esmagadas pelos militares. – Depois disso, o regime se voltou contra a gente (PCB) na chamada Operação Limpeza, ou Operação Radar (1973/76) – aponta Ubirajara que relaciona as prisões e as torturas ocorridas na fronteira com o Uruguai.

Em sua interpretação, o governo não provoca, responde à provocação. Ubirajara só esqueceu de dizer que logo após o golpe de 1964 a repressão foi dura contra o PCB, inclusive com perseguições, brutalidades e mortes. O “Partidão” só foi resguardado pelos militares entre os anos 1968/73 porque estava no encalço feroz dos grupos armados.

Só para rememorar, o PCB já estava clandestino desde 1947, depois da Segunda Guerra Mundial. E os torturadores devem ser punidos? “Bira” entende que a vingança não tem mais sentido, e completa que ela foi feita quando o pessoal das lutas pela democracia voltou e ocupou o poder. Por sua vez, destaca que quase todos torturadores morreram, restando apenas uns “velhos gagás” como Newton Cruz e Brilhante Ustra (falecidos). “Não tenho nada a cobrar”.

“OS MILICOS QUE SE LASQUEM”

E a abertura dos arquivos da ditadura? Ubirajara considera ser necessária para que a história seja corrigida já que ela foi deturpada durante mais de 20 anos. Desabafa que o golpe de 1964 destruiu toda uma cultura armazenada ao longo dos anos na sociedade. “Os milicos que se lasquem no Brasil”. Até antes estava se construindo uma cultura no teatro, no cinema, na literatura e na política através dos diretórios acadêmicos e da UNE (União Nacional dos Estudantes), interagindo com os sindicatos e os operários. Tudo isso, na visão do professor, era a construção da cultura brasileira que os militares acabaram em 1968. Do AI-5, de 1968, aponta o Decreto 477 que expulsava qualquer jovem do colégio ou da universidade, com alegação de manifestações políticas e atos considerados por eles como subversivos.

A partir de 1968, Ubirajara define a juventude como uma geração sem cor, pálida e perdida que meteu na cabeça o ideal americano: O importante é vencer pessoalmente. Até hoje se trabalha com esta geração do conceito de que a questão é vencer “e o resto que se lasque.” A solidariedade acabou, a amizade desapareceu, desabafa. Em tom de tristeza e melancolia, alfineta que qualquer jovem atualmente queima a bandeira brasileira por um bom emprego numa multinacional. “É uma geração alienada” – denuncia, adiantando que para reverter este quadro, só com decência.

Em sua análise sobre os tempos atuais (final do século XX e início do século XXI), Ubirajara não poupa também a mídia, afirmando se tratar de um segmento alienado que, infelizmente, faz a cabeça da opinião pública. Coroando toda essa alienação lá está o Congresso Nacional – descarrega sua artilharia. “Continuo no PCB. O partido foi que se acabou. Não sou mais filiado porque as fichas sumiram”.

PRAÇA CÉUS DO ALTO MARON PEDE REFORMA E ELEIÇÃO DO GRUPO GESTOR

No disposto do Regimento Interno, instituído pelo decreto número 18.888, de 11 de setembro de 2018, Gabriela Pereira de Souza e Paulo Roberto Oliveira Teixeira, representantes da comunidade e da sociedade civil da Praça Céus, localizada no Bairro do Alto Maron, estão solicitando do poder público, através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel, a realização de novas eleições do grupo gestor e uma urgente reforma de suas instalações.

O Centro de Artes e Esportes Unificados-CEU é um equipamento público estadual, instalado em áreas de vulnerabilidade social, visando integrar atividades socioculturais, sócioassistenciais, recreativas, esportivas, deformação e de qualificação.

O equipamento foi construído durante a gestão do governo Guilherme Menezes, do PT, e está a necessitar de uma série de reparos nas quadras esportivas, pista de skeite, sistema de iluminação na sala de artes cênicas, multiuso, biblioteca, entre outros pontos do prédio. Devido a essas deficiências e a eleição de uma nova gestão, a praça não está funcionando à noite.

De acordo com a coordenação da Secretaria de Cultura, providências estão sendo tomadas, como a publicação de um edital para eleição do grupo gestor e a liberação de uma verba de emenda parlamentar para a execução dos serviços de reforma. A praça está situada no Alto Maron, mas abrange outras comunidades, como o Flamengo, Panorama e imediações que se utilizam da área, principalmente os jovens.

A gestão do CEU  é feita de forma compartilhada, por meio da constituição de Grupo Gestor Tripartite através de lei, decreto ou portaria, com poder deliberativo e mandato bienal. Essas praças foram construídas com recursos federais, mas toda manutenção e funcionamento são arcados pelo município, que nem sempre dispõe de recursos para tanto.

De acordo com Gabriela, o grupo gestor será composto paritariamente por membros da sociedade civil organizada, comunidade do entorno do CEU e do poder público do município. Será instituído e regido por estatuto próprio, por lei, decreto ou portaria do executivo local.

Cabe ainda ao grupo gestor deliberar sobre as decisões, as atividades, o funcionamento e a gestão da praça, definindo disposições que deverão ser registradas em atas das reuniões e assembleias realizadas.

Essas questões e outras, como eleição e a reforma estarão em discussão na próxima reunião do Conselho Municipal de Cultura, no próximo dia primeiro de agosto, conforme solicitação de seus representantes.





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