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FILHO DA REGIÃO LANÇA LIVROS EM CAETITÉ

O médico e professor universitário Getúlio Borges Fernandes estará lançando na próxima sexta-feira (dia 22), às 20 horas, no auditório da Casa Anísio Teixeira (Praça da Catedral, 57), em Caetité, os dois livros de poemas de sua autoria, “A Vida Humana e a Natureza” e “A Terra dos Homens Nus”, editados pela Fontenele Publicações, respectivamente em 2021 e este ano.

Clínico e cardiologista, com mais de 30 anos dedicados à Medicina, Getúlio Fernandes pretende com essa iniciativa manifestar sua gratidão ao Sudoeste baiano onde passou sua infância e juventude até ingressar na Universidade. Nascido em Igaporã, em 13 de fevereiro de 1954, onde cursou as primeiras letras, transferiu-se para Caetité, onde completou o Ginásio e o Científico, antes de residir em Salvador.

Dr. Getúlio aproveita a oportunidade para relembrar o passado com os conterrâneos, que certamente estarão presentes a esse amável encontro.

LEGISLATIVO PRESTA CONTAS DOS TRABALHOS DO PRIMEIRO SEMESTRE

Em coletiva ontem à imprensa (dia 19/07), o presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Luis Carlos Dudé, fez uma prestação de contas dos trabalhos realizados pela Casa durante o primeiro semestre de 2022.

No entanto, evitou tocar na questão dos possíveis endividamentos do executivo nos empréstimos de 72 milhões de dólares concedidos pelo legislativo, nem na aprovação do polêmico projeto de criação da taxa de lixo, que teve repercussão popular negativa. Disse que esses recursos serão destinados à pavimentação de bairros e ruas que ainda não foram contemplados

Na ocasião, Dudé falou da sua satisfação de ter assumido a Prefeitura Municipal por quinze dias na ausência da prefeita Sheila Lemos e, mais uma vez, contou sobre sua trajetória de vida até chegar a ser vereador. Estiveram presentes mais de vinte veículos da mídia local, na grande maioria blogs e emissoras de rádio.

No balanço do primeiro semestre, o presidente assinalou a aprovação de 59 projeto de lei do legislativo, 24 requerimentos da Tribuna Livre, 1.219 indicações, 14 projetos de lei do executivo, 29 audiências públicas e 102 requerimentos. Sobressai, como sempre, o número de indicações, muitas das quais não atendidas.

Pelos projetos da Câmara foi criada a Campanha do Agasalho; tornou obrigatória para empresas de grande porte, a realização de palestras sobre violência doméstica; Campanha Maio Moderno para valorização dos cuidados das gestantes e puérperas; Ações para conscientização do uso racional de medicamentos, dentre outros.

Com relação ao executivo, foram aprovados projetos que criou o Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa; autorizou o executivo a conceder o reajuste salarial para os servidores; projeto sobre auxílio fardamento destinado aos servidores da Guarda Municipal, entre outros.

Realizou ainda duas sessões itinerantes, várias ações das comissões do legislativo nas áreas de fiscalização e cobranças das obrigações da Via Bahia, Samu 192, postos de saúde, agricultura familiar, recuperação da zona rural após as fortes chuvas, fiscalização em postos de combustíveis e revendedoras de gás, combate à violência contra idosos e debateu diversas atividades, como matrizes do forró, conselhos municipais de educação e cultura, além de moções de aplausos e diplomas a importantes personalidades.

Sobre a Rádio Câmara, afirmou que deixará de funcionar durante o período eleitoral porque muitos dos parlamentares conquistenses são candidatos a deputados estadual e federal. Essa é uma forma, segundo ele, de evitar abusos e complicações com a lei eleitoral. Ele destacou ainda neste semestre, a reforma no prédio da Câmara.

 

O PACTO QUE ALIMENTA A FOME

TEMOS MAIS DE 50 MILHÕES DE PÁRIAS: A MAIOR VERGONHA BRASILEIRA

Para começar, não sou contra ao pacto para socorrer e dar comida para a pobreza extrema que passa fome, mas todos sabem que não é a solução. Há 30 anos houve a campanha do “Betinho”, e a situação de lá para cá só fez piorar. A briga, nua e crua, é partir para uma luta de manifestações e cobranças por políticas públicas que melhorem as condições e a autoestima do nosso povo.

Só não enxerga essa realidade quem é cego, mudo e surdo. Cego porque prefere não ver, mudo porque fica em silêncio profundo e surdo porque não quer ouvir. A questão é matemática. As mordomias e a corrupção dos poderes, mais a ausência de um líder sem medo de enfrentar esse Congresso calhorda e canalha, mais a     falta de educação, é igual a fome. As fórmulas estão erradas e a equação nunca bate.

O PT passou 20 anos no poder e não resolveu o problema. Veio um satanás seguidor da morte, com seus impropérios nazifascistas de desagregação humana exclusiva e piorou ainda mais o quadro. Nos últimos anos só nos dão pestilências, ódio e intolerância. Eles são os verdadeiros culpados por tudo que está acontecendo de ruim.

O que o nosso pobre-rico país precisa é de uma liderança forte, desprendida do poder, que se coloque ao lado da vontade popular, de modo que o Congresso fique sem ação e uma carta na manga para depor o presidente. Sempre tem acontecido o contrário: É o presidente que se rende e se torna refém. Essa é uma praga que temos que extirpar do nosso organismo.

Por que não jogar esse legislativo contra o povo? Basta ter seriedade, honestidade e vontade política, unindo a população num mutirão de programas sociais que insiram essa gente no mercado de trabalho. Por que não abrir frentes de serviços de obras na área pública, aproveitando esse contingente desempregado não especializado para ganhar seu próprio dinheiro, ao invés das esmolas de doações e auxílios da miséria?

Mais uma vez, nada contrário ao pacto porque, como se diz, a fome tem pressa, mas cadê nossos estudantes, trabalhadores, intelectuais, artistas, ongs e entidades sindicais nas ruas para protestar e exigir mudanças urgentes nessa política eleitoreira de perpetuação do poder? Essa elite arcaica, burguesa e oligarca precisa ser pressionada e banida através de boicotes, porque ela não admite repartir e ver a classe inferior subir em suas condições de vida.

Até quando vão perdurar esses pactos da fome, essas campanhas de doações e esses auxílios, até para taxistas e caminhoneiros, quando se sabe muito bem que a realidade já nos ensinou que não são essas medidas comodistas que vão colocar nosso Brasil no rumo do desenvolvimento e da distribuição de renda? “Errar é humano, persistir no erro é pura burrice”, e é isso que estamos a fazer por séculos e séculos.

Dezenas de governos se passaram e o nosso país só fez envelhecer, cheio de doenças crônicas por todo seu corpo doido, sempre entre a UTI e a enfermaria, com pequenas altas médicas que logo sofre recaídas e volta ao mesmo estado de saúde frágil, com seu sistema imunológico debilitado e aos frangalhos.

Historicamente temos um povo sem revolução, sem a “ira” da indignação, individualista e submisso de cabeça baixa pela sua própria cultura, ao contrário de outras nações que reagem com suas revoltas, inclusive com exemplos de vizinhos e hermanos ao nosso lado, que partem unidos na busca de melhoras sociais.

A nossa alienação e indiferença nos levaram a sermos detentores da mais profunda desigualdade social, de piores índices na educação e no tratamento da saúde, de sermos considerados um dos mais violentos com registros de matanças e massacres em massa, sem contar as constantes violações dos direitos humanos e desrespeito às diferenças de gêneros e a cor da pele.

Sem os requisitos da indignação e revolta, não são esses pactos ocasionais para alimentar a fome que vão nos dar dignidade e levantar nosso orgulho de sermos brasileiros. Não vão devolver nossas esperanças e nem revigorar a fé. Por estas e outras é que os estrangeiros passaram a ter pena de nós.

Com esses populistas oportunistas de plantão que estão aí só de olho no poder, o medo vai continuar, mesmo com esses pactos paliativos que entram em modo, arrebanham a adesão eufórica de multidões, sem pensar e refletir, de modo a usar mais a razão que o emocional. Estamos numa encruzilhada perigosa de um semáforo, onde o avançar sem o raciocinar pode nos levar aos acidentes da morte.

 

OS QUILOMBOS E OS CAPITÃES DO MATO

A palavra kilombo, no português quilombo, vem do quicondo e do quimbundo, línguas faladas na África Central. Significa acampamento, arraial, união ou cabana. Entre os povos imbangalas de Angola, indicava sociedade guerreira de rigorosa disciplina militar. No Brasil virou sinônimo de reduto de escravos fugitivos, chamado de mocambo.

Em “Escravidão”, segundo volume da trilogia do jornalista e escritor Laurentino Gomes, no capítulo “Fugitivos e Rebeldes”, ele começa a descrever sobre o Quilombo de Cruz da Menina, na Serra da Borborema, no agreste da Paraíba. Na produção do açúcar e do café, todos cativos chegaram ali por volta do final do século XVIII e início do XIX.

COMUNIDADE FEMININA

O nome foi dado em memória de uma menina branca de nome Dulce, filha de retirantes da grande seca de 1876, que ali teria morrido de sede. Para trás ficou uma comunidade feminina e matriarcal. Restou a essas mulheres fortes a tarefa de cuidar dos filhos e sozinhas enfrentar os desafios da vida.

Laurentino ressalta que história semelhante pode ser observada no município vizinho de Alagoa Grande, terra do cantor e compositor Jackson do Pandeiro. Na mesma Serra, a comunidade quilombola de Caiana dos Crioulos se dividiu em duas em razão da seca.

Uma parte dela permaneceu ali e a outra metade urbana e masculina em Pedras de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro. As duas mantêm intenso intercâmbio.  No início de 2020, as mulheres de Caiana, depois de muitas lutas, conseguiram o reconhecimento e a titulação de suas terras, coisa que não ocorreu com Cruz da Menina.

Herança do sistema escravista, como diz o escritor, atualmente existem milhares de quilombos espalhados pelo Brasil. Em 2019 era 3.212 certificados pela Fundação Palmares. “Com 1,2 milhão de moradores, dos quais 75% em estado de pobreza extrema, os quilombos ocupam uma área de 1,2 milhão de hectares.

A soma de todos quilombos, segundo Laurentino, resulta numa área inferior à ocupada pelas dez maiores propriedades do agronegócio do país. A fazenda Piratininga, entre Tocantins, Goiás e Mato Grosso, se estende por 135 mil hectares.

ORELHAS CORTADAS

Durante a escravidão, a violência contra os quilombos pode ser medida através dos relatos dos historiadores. Um deles conta que, ao retornar a São Paulo, em 1751, depois de atacar inúmeros redutos numa região de Minas Gerais e Goiás, o bandeirante Bartolomeu Bueno do Prado levava como troféu colares com 3.900 pares de orelhas cortadas. Pelas leis portuguesas, o corte da orelha era uma das punições previstas para os fugitivos.

De acordo com o autor de “Escravidão”, o Código Negro, do governo francês, de 1768, estabelecia que na colônia de São Domingos (Haiti), escravos ausentes por mais de quatro dias seriam submetidos a 50 chibatadas e ficariam amarrados no tronco até o pôr-do-sol. Oito dias de ausência, 100 chibatadas e o uso de uma corrente amarrada a um peso de ferro de dez quilos por dois meses.

Na Louisiana (EUA), os fugitivos tinham as orelhas cortadas e costas marcadas a ferro quente. Três fugas resultariam em sentença de morte. No Suriname, um cativo recapturado depois de algumas semanas de fuga poderia ter o tendão de Aquiles cortado ou amputação da perna direita. Proposta semelhante chegou ao Brasil, mas não foi adotada.

Em 1719, o conde de Assumar, governador de Minas Gerais, tentou implantar a pena de morte, mas não conseguiu. A medida acarretaria prejuízos para os mineradores. Para o escravismo, era melhor um escravo fugitivo do que um escravo morto, conforme assinala o historiador Carlos Magno Guimarães.  Também, a Câmara de Mariana, em 1755, propôs cortar o tendão de Aquiles. O conde dos Arcos surpreendeu contestando ser uma tirania e condenou as sevícias dos donos dos escravos.

De todos os quilombos, o que mais resistiu foi o de Palmares, na Serra da Barriga, estado de Alagoas. Lutou durante mais de um século contra portugueses e holandeses até a morte do seu último líder Zumbi, em 20 de novembro de 1695. Entre os séculos XVIII e XIX surgiram milhares, inclusive em regiões mais distantes, como na Amazônia. Outros funcionavam em áreas próximas às cidades, como na floresta da Tijuca (Rio de Janeiro) e Quilombo do Jabaquara (São Paulo).

No Grão-Pará e Maranhão existiram cerca de 80, entre 1734 e 1816. Em Minas Gerais 160 no século XVIII. Alguns eram grandes comunidades, como Quilombo do Ambrósio (Quilombo Grande), em Minas Gerais, na região de Araxá, atacado por duas expedições (1746-1759). Chegou a reunir mil cativos. Foi descrito como quase reino por Bartolomeu Bueno.

Em Mato Grosso, o Quilombo do Quariterê (1730), resistiu durante mais de meio século e reuniu 79 negros e 30 índios, sob o governo de um rei e uma rainha. Ainda em Mato Grosso, o de Vila Maria chegou a abrigar 200 negros armados. “Na defesa de seus redutos, os quilombolas seguiam estratégias de disciplina militar, desenvolvida na África (Angola, Congo, Nigéria). No quilombo Buraco do Tatu, nas vizinhanças de Salvador e destruído em 1763, os esquemas de defesa eram africanos, com trincheiras cavadas ao chão e cobertas com estrepes de madeiras pontiagudos.

Houve um grande quilombo na bacia do rio Trombetas, afluente do Amazonas. Um relatório dizia que teve dois mil habitantes. Os cativos chegaram a essa região por volta de 1780 nas fazendas de gado e cacau.  O reduto foi atacado em 1823, mas tempos depois foi reativado e deu origem a outros, mantendo relações abertas com o mercado de brancos, aldeias indígenas e exportação de cacau.

Na descrição do historiador Flávio dos Santos Gomes, fugas e quilombos aumentavam mais em períodos de guerras, caso dos holandeses e portugueses que deram alento a Palmares, e divergências entre os brancos. O mesmo fenômeno pode ser observado na primeira metade do século XIX nos conflitos Cabanagem (Pará), Balaiada (Maranhão), Revolução do Cabanos (Pernambuco e Alagoas), Farroupilha (Rio Grande do Sul). No Maranhão, o quilombo Campo Grande mobilizou um exército de três mil ex-escravos para participar da Balaiada.

A repressão das autoridades era implacável. Governadores reclamavam dos contínuos delitos cometidos por bastardos (brancos pobres fora da lei), carijós (índios), mulatos e negros. Em Minas Gerais foi proposto a pena de morte para combater as quadrilhas de salteadores. O governador de Minas temia que seu território poderia se transformar num Palmares. Ele dizia que os quilombos eram pequenos estados ou reinos organizados à maneira africana. Em Campo Grande haviam mais de 600 negros, com rei e rainha. As referências a reis e rainhas apareciam em diversos relatórios.

No Mato Grosso, entre 1770 e 1795, existiu também o Quilombo da Carlota, governado por uma mulher, em homenagem à princesa Carlota Joaquina, mulher de D. João VI.

Um caso interessante narrado por Laurentino, seguido de negociação (espécie de greve) ocorreu no final do século XVIII, em Ilhéus, com o engenho Santana, fundado no século XVI, com 300 cativos. Em 1789, um grupo de escravos, sob a liderança de Gregório Luis, fugiu depois de matar o mestre de açúcar. O engenho ficou parado durante dois anos. Sob pressão das autoridades, os fugitivos decidiram propor um tratado de paz ao dono do engenho, listando dezenas de reivindicações. Trata-se de um caso raro onde os escravos falavam sobre as condições em que viviam no cativeiro, desejos e expectativas.

Treze das demandas se referiam às condições de trabalho e pediam redução de 30% da cota diária de cana obrigados a corta. Outras reivindicações falavam de folgas semanais e ao direito de revender no mercado o que produzissem através de seus meios. Queriam também jogar, descansar, cantar e dançar.

Nessas condições de escravos, se mostraram dispostos a retornar ao engenho. Exigiam apenas que os antigos feitores fossem demitidos e novos fossem eleitos mediante aprovação deles. O dono do engenho Manuel da Silva Ferreira fingiu aceitar as propostas, mas os traiu, prendendo o Gregório e vendeu os demais para o Maranhão.

No entanto, um caso bem-sucedido aconteceu em 1800, na antiga capitania do Espírito Santo, onde muitas áreas estavam infestadas de quilombos (300 fugitivos). O governador Silva Pontes dispunha de uma tropa de 100 homens, mesmo assim decidiu negociar. Deu um prazo de 30 dias para os fugitivos retornarem. Em troca seriam anistiados. O plano funcionou.

A FALTA DE RESPEITO É REVOLTANTE

O ser humano é a pior espécie entre os animais, e ele se acha inteligente, superior e civilizado, só não sabe que seu QI é baixo. Não usa nem 10% da sua capacidade racional. Para começar, ele é desumano, individualista e de uma falta de respeito revoltante para com o outro. Acha que doar uma cesta básica, um quilo de feijão ou um cobertor é tudo.

Quer constatar o fato é só tirar um dia nas ruas das cidades, principalmente as de porte médio e as grandes, como no caso de Vitória da Conquista. No campo, onde estão as pessoas menos instruídas, o respeito com seu semelhante, o companheirismo e a solidariedade são bem maiores. O QI deles é mais alto.

Dia desse tive que ir ao Posto de Saúde da Vila América e estacionei meu carro em frente da unidade, em local adequado. Depois que entrei apareceu um sujeito imbecil e colocou seu veículo no fundo do meu, fechando por completo minha saída.

Quando retornei não acreditei no que vi. Procurei o segurança e saímos avisando em todas as salas e na fila de vacinação, perguntando em voz alta quem era o proprietário ou motorista que havia trancado minha saída. É inacreditável, meu amigo, mas ninguém respondeu. Simplesmente o beócio ficou em silêncio.

Tive que esperar uns quinze a vinte minutos para o elemento sair de lá dos fundos com a maior cara de pau e abrir o veículo para sair. Tentei conversar com o estúpido, mas ele não deu satisfação. Ligou o automóvel, deu ré e foi embora cometer outro desrespeito lá na frente.

Fosse outra pessoa violenta igual a ele, porque isso é uma forma de praticar a violência, teria partido para a ignorância. Muitos casos e tragédias acontecem porque a humanidade perdeu o senso de respeito para com o outro. Muitos param o carro em qualquer lugar e nem está aí para quem vem atrás.

A maioria dos indivíduos só pensa em levar vantagem em tudo, passar a rasteira e achar que os outros são bestas, até encontrar um igual a ele para dar o merecido troco. É esse mesmo tipo de gente que critica os políticos pelos seus malfeitos.

Nesse mesmo dia, na Praça Tancredo Neves, outro “meliante” jovem estava com um carrão, com os alertas ligados, estacionado na vaga de um idoso. Dei o sinal indagando se ele ia sair, no que respondeu de forma negativa. Como tinha uma vaga ao lado, parei meu carrinho e sai para falar com o desumano burro, mas percebeu o erro e saiu.

Um senhor, também idoso, que chegava viu toda a cena de total desrespeito e falou: Se fosse o meu caso no momento, onde eu iria encontrar uma vaga? Certamente ficaria rodando o centro e teria que ir para um estacionamento particular.

Na rua Ascendino Melo, em frente do Itatiaia, flagrei a mesma ocorrência de um moço usando a vaga de um idoso. Como se nada tivesse acontecido, fechou o veículo e entrou numa clínica na maior naturalidade. Toda essa falta de respeito recai também na ausência de fiscalização. A impunidade é mães de todos malefícios e mazelas.

Sair às ruas aqui em Conquista para resolver problemas do dia a dia e realizar compromissos está me deixando com traumas psicológicos de tanto ver atitudes de falta de respeito e individualismo. Por todo lugar me deparo com idiotas, e tenho que presenciar absurdos e arrogâncias.

Na sociedade cruel e irracional de hoje, sem educação e formação familiar de bons exemplos a partir dos pais, o ser humano só piora, mas ele acha que é civilizado porque tem a “merda” de um celular na mão para ficar o dia todo fofocando sobre a vida alheia, compartilhando fake news, mentiras e boatos sem fundamento.

SERÁ QUE AINDA EXISTE RETORNO?

Depois das reuniões sobre o clima e a preservação do meio ambiente, os representantes de suas nações retornam para suas casas e mandam que as pessoas consumam mais e mais, para aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) de suas economias. Enquanto isso, o aquecimento global está cada vez mais visível. O planeta só recebe lixo tóxico, como este jogado em plena caatinga, contaminando a natureza, toda fauna e a flora. Algumas Ongs, empresas e órgãos mostram práticas isoladas de sustentabilidade e ações para proteger a terra, mas será que ainda existe retorno e salvação? É muito pouco o que estão fazendo. Na minha visão, com a estupidez e a ignorância humana, o caminho é a destruição da terra dentro de mais alguns séculos, ou menos que isso. Os gazes venenosos a partir do uso dos fósseis (petróleo e o carvão, principalmente), as guerras destruidoras e o lixo estão por todas as partes que mostram essa triste realidade. Até o nosso lindo sertão nordestino está virando um deserto, e seu chão salinizando, tornando-se improdutivo. Será que ainda existe retorno?

ESCRAVIZADOS

De Danilo Jamal, em POFESTO – Ação Direta, Editora EDU O.

Pela frente ou por trás,

Nenhum deles sabe o que faz.

Nos tiram o direito,

Alegando que é em nome da paz.

Nos jogam em qualquer lugar

Feito animais,

Mancham nossa história

E esquecem nossos ancestrais.

Nos colocam em vitrines,

Para ver quem paga mais.

São essas as grandes

Injustiças sociais.

A PROCRIAÇÃO E A POBREZA EXTREMA

Por que a geração de muitos filhos em famílias sem instrução anda de mãos dadas com a pobreza extrema no Brasil, quando deveria ser o contrário pela lógica? Dá para entender esse paradoxo que sempre acontece nos países mais atrasados do planeta? Ouvia dizer, até em tom jocoso, que antigamente ter doze parições era porque não havia televisão em casa. Vieram a TV, a internet, o celular e haja parir. Agora é culpa da tecnologia?

Os sociólogos, os médicos e cientistas da reprodução que se debruçam sobre o assunto têm explicações plausíveis e apontam algumas causas, como a falta de educação (ignorância e o analfabetismo), ausência de políticas públicas dos governos na área do controle da natalidade e a religião, através da Igreja Católica e até a evangélica, que condenam métodos anticonceptivos.

No momento o que vemos são imagens da fome que se alastra em nosso país, e o mais chocante ainda é ver muitas mulheres na extrema pobreza com três, quatro e cinco crianças pequenas e grávidas esperando a chegada de outro bebê. Mais grave ainda é que a maioria vive sozinha sem assistência, nem que seja mínima, do pai. O pai transa e some. A maioria também vive em estado de penúria.

Se a fome já é um horror e triste, bem sabe quem já passou, pior ainda é ver uma penca de crianças chorando pelos cantos de um casebre pedindo alimento porque a barriga não espera. Essa prole numerosa entre a pobreza extrema só acontece nos países mais atrasados e retrógrados do mundo, e aí entram a falta de instrução e a interferência religiosa fanática, principalmente.

Para as igrejas, ainda nos tempos de hoje, em pleno século XXI, é pecado interromper a concepção, mesmo com o sacrifício monstruoso de deixar crianças sofrendo, sem educação, perspectiva de vida e ainda com a grande probabilidade de engrossar os batalhões de marginais e bandidos na sociedade, gerando mais violência. Qual alegria e felicidade botar mais um ser humano para sofrer e passar fome na vida?

É só dizer que Deus dá um jeito para tudo? Que foi ele quem assim quis? Será que Deus concorda com esse pensamento teológico ou doutrina irracional criada pelos homens da Igreja? Qual é o maior pecado, deixar de gerar e parir muitos filhos, de modo a evitar sofrimentos, ou tê-los à vontade, sem as mínimas condições financeiras para sustentá-los, largados à própria sorte e à caveira da fome? Quem são os culpados por tudo isso?

Os governos não estão nem aí, e quando se fala em controle de natalidade, os conservadores caem de pau e até resistem com cartazes e manifestações de ruas. Por que eles não tomam conta das criancinhas famélicas e raquíticas proliferadas pela pobreza, especialmente no Nordeste? Por que as igrejas não assumem as responsabilidades de cuidá-las e educa-las? No máximo fazem umas doações merrecas e depois viram as costas.

O interessante é que esses religiosos fanáticos de nível aquisitivo melhor não têm tantos filhos. O que esses hipócritas fazem para gerar menos? Os ricos, por exemplo, não querem mais que um ou dois rebentos, que são criados pelas babás. Estão mais preocupados em ganhar dinheiro que acompanhar o crescimento e a formação das crianças.

Na situação em que se está, o Brasil já era para ter uma política com rígido controle de natalidade, como na China e outros países, com campanhas instrutivas (seminários, palestras, cursos e propagandas), distribuição de anticoncepcionais (camisinhas, pílulas) e métodos para não engravidar, a começar pelos adolescentes pobres das grandes periferias. Certas Ongs prestam algum serviço nesse sentido, mas com pouca abrangência.

Com essas políticas, educação para todos e outras ações de assistência social, os governos gastariam bem menos que com bolsas famílias, que até estimulam ter mais filhos, e esses auxílios de bilhões de reais todos anos, na maioria eleitoreiros para ganhar o voto da miséria ignorante. Em poucos anos teríamos uma redução da pobreza e da fome, porque não dá mais para esperar pela educação universal e de qualidade. Essa tardará muitos anos a vir.

AS FARRAS DAS EMENDAS PARLAMENTARES E O CAOS SOCIAL NO BRASIL DO MAPA DA FOME

O Congresso Nacional se transformou no pior câncer do Brasil ou num vírus que já matou mais que a Covid-19, enquanto juristas de tendência política cravam suas garras no Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo que a corte deu um golpe com suas sentenças ao interferir nos outros poderes, sobretudo no executivo.

Não restam dúvidas que estão todos apodrecidos, mas o STF é apenas provocado e ainda procura defender a nossa frágil democracia de uma ditadura militar. Ainda é uma trincheira a favor de eleições livres. No entanto, o Congresso é o maior vilão, principalmente a partir do “Centrão” comprado por emendas escandalosas, enquanto mais de 50 milhões passam fome e ficam nas filas do osso e das peles de animais para fazer um escaldado para enganar o estômago.

CATAM LIXO NAS RUAS

Crianças aparecem raquíticas e desnutridas como nas cenas degradantes e desumanas em Biafra, Senegal, na Guiné, no Haiti e no Congo. Milhões de desempregado catam lixo nas ruas, e a polícia todos os dias joga jatos de água em moradores de rua e desloca as cracolândias para outras praças e avenidas. Vivemos um verdadeiro caos social, com matanças indiscriminadas pela violência e massacres de seres humanos. Lá fora, nós somos vistos com pena pelos estrangeiros.

Enquanto isso, por apoiar presidentes da Câmara, do Senado e o próprio capitão-presidente psicopata, deputados e senadores recebem polpudas emendas parlamentares secretas para aplicar em projetos escusos eleitoreiros. São 15, 20, 30 e 50 milhões que recebem quando ocorre uma votação de interesse particular para manter o poder, como a recente que aumenta o auxílio “emergencial”, como se isso fosse resolver o problema da miséria.

O próprio senador Marcos do Val, do Podemos, achou estranho ter sido aquinhoado com uma emenda de 50 milhões de reais para o estado do Espírito Santo. Até o próprio ficou estarrecido e foi perguntar o motivo. A resposta foi porque ele apoiou o Pacheco para ser eleito presidente do Senado. Mesmo sendo eleitos e com direito como os outros, alguns ficam com apenas 10 ou 15 milhões.

Por si só, essas emendas já são uma aberração, especialmente agora com um tal orçamento secreto. São verdadeiros vendilhões do templo, e ainda aparecem os cínicos e os caras de pau na televisão falando que estão trabalham pelo povo, pela causa social. O Congresso, meus senhores, é uma quadrilha organizada e, tanto a direita, a esquerda, a extrema e o centro se unem quando o negócio é saquear os cofres públicos ou aprovar leis eleitoreiras para que todo esse sistema permaneça como está.

Em outro país, de gente não submissa e indignada, que não aceita ser explorada, já teria ocorrido uma revolução ou invasão dos palácios imperiais, como aconteceu agora no Siri Lanka, na Ásia. Aqui, todos baixam a cabeça e ainda agradecem as migalhas que recebem, dando seu voto de misericórdia a esses malfeitores e salteadores. Temos uma massa manobrável sem nenhum nível crítico que foi construída e moldada ao longo da história desses 522 anos de corrupção e falta de educação.

Escrevo esse texto transbordando toda minha revolta quando em minha mente passa todos os dias esse quadro de terror em meu país, que muito gostaria que fosse outro, não com essa tirania social de milhões passando fome e amontoados em casebres fedorentos, sendo aos poucos exterminados. São, na verdade, milhões de mortos-vivos. São fantasmas!

Depois das eleições é comum ouvir de “cientistas políticos” e das próprias estatísticas feitas por agências de pesquisas que o Congresso, as assembleias e as câmaras de vereadores tiveram renovação de 50 e até 60%, mas tudo isso não passa de mais um engodo. Na verdade, são os velhos caciques que entregam o bastão do poder para seus filhos e parentes mais novos, que já carregam o DNA dos pais e avós, com os vícios das malandragens.

Depois de mamar por muitos e muitos anos e encher as burras de dinheiro, o pai, ou o avô, chama o filho ou o neto e simplesmente diz que vai dar 100, 200 ou 300 mil votos para eleger sua cria. Outras vezes o cara resolve subir para a Câmara Federal ou Senado e seus mesmos votos elegem seu herdeiro para uma assembleia estadual, como nos velhos tempos dos coronéis e oligarcas latifundiários.

Esse esquema anacrônico já perdura há séculos. Então, não existe nada de mudança, só ilusão para os olhos de quem não enxerga. A grande maioria dos brasileiros está cega, muda e surda; sofre de amnésia; continua a cometer os mesmos erros do passado porque não tem história; e a outra parte menor aproveita dessa cegueira para roubar e fazer suas falcatruas. Isso tem passado de geração em geração, mas essa galinha dos ovos de ouro um dia pode secar.

PRIMEIRO ENCONTRO DOS POVOS DE AXÉ

POR UMA PRAÇA DOS ORIXÁS EM CONQUISTA

Com um ato religioso das mães de santo, acompanhadas pelos sons dos ataques, na abertura dos trabalhos, foi realizado em Vitória da Conquista, no último dia 9 (sábado), na Praça de Alimentação do Centro Cultural Glauber Rocha, o 1º Encontro dos Povos de Axé, com a representação de vários terreiros, do secretário de Desenvolvimento Social, Michael Farias Alencar Lima, do presidente do Conselho Municipal de Cultura, Jeremias Macário, dentre outros convidados do candomblé e da sociedade civil e militar.

Na avaliação de Mãe Graça, presidente da Rede Caminhos dos Búzios, uma das organizadoras do evento em conjunto com o Coletivo de Entidades Negras e Associação Cultural Agentes de Pastoral Negros, o encontro foi muito proveitoso por ter colocado em discussão questões atuais relacionadas aos povos de axé e aos negros em geral, como a intolerância religiosa, a retomada da Fundação Palmares, políticas públicas para os negros, o racismo que continua arraigado em nossa sociedade, as dificuldades que atravessam os terreiros em Conquista (mais de 70), a assistência social a essa gente, dentre outros problemas que afligem os afrodescendentes.

Na ocasião, ocorreram mesas redondas, rodas de conversas com temas sobre religião, racismo, participação do povo de Axé na política e outras abordagens. O encontro que teve início por volta das 9 horas da manhã, só terminou no final da tarde, com várias posições dos participantes contra a falta de políticas públicas dos governos em relação aos povos negros que têm sido vítimas de ações de violência e discriminação por parte de policiais.

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Segundo Mãe Graça, o encontro, que contou com a participação de mais de 160 pessoas, foi um marco, e outros virão para unir mais ainda os povos de axé, visando alcançar seus objetivos e demandas. Em sua fala na abertura, o presidente do Conselho de Cultura condenou a intolerância religiosa que ainda perdura em pleno século XXI, e disse que não devíamos estar mais discutindo esse assunto, se houvesse mais compreensão e respeito religioso. Infelizmente, ainda estamos num país atrasado em pleno 2022.

Ainda em seu pronunciamento, sugeriu, com apoio e iniciativa do legislativo e do executivo, que seja criada em Vitória da Conquista, a Praça dos Orixás, como já existe a Praça da Bíblia, do Índio e outras em homenagens a personalidades da nossa história. O secretário de Desenvolvimento Social prometeu realizar ações de assistência social junto às comunidades de terreiro ainda nesses próximos meses.

O encontro teve ainda as presenças das mães de Santo Olinda, babalorixá e coordenadora da Igualdade Racial, Carminha, Cris, Lena, Paula, dos pais de Santo Idailton, Marcos, Santinho, Luciano, Ricardo, de Thais Pimenta, do Conselho de Cultura e do Núcleo Territorial de Cultura do Estado, do vereador Alexandre Xandó, também integrante titular do Conselho de Cultura, representantes do Conselho Titular da Criança e do Adolescente, da OAB, de outros órgãos e entidades da sociedade conquistense.





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