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“PARA INGLÊS VER”

Essa expressão “para inglês ver” é muito comum no Brasil, mas muita gente não sabe explicar a origem correta. É dita muitas vezes quando se promete uma coisa que não é cumprida, não é concretizada, como fazem nossos políticos. As eleições são espelho disso.

Tudo começou lá pelo início do século XIX com a escravidão, quando o nosso país, por volta de 1831, assinou uma lei parlamentar prometendo acabar com o tráfico negreiro, isto é, com a importação de escravos da África. O Brasil não somente burlou com suas malandragens, maracutais e conluios entre as próprias autoridades, como aumentou o comércio ilegal.

O autor da trilogia “Escravidão”, Laurentino Gomes descreve muito bem isso em detalhes no capítulo “Para Inglês Ver”. “O Brasil nunca importou tantos africanos escravizados, e em tão pouco tempo, quanto na primeira metade do século XIX”.

O tráfico só foi interrompido em 1850, com a assinatura da chamada Lei Eusébio de Queirós. Mesmo assim, o tráfico continuaria entre as províncias brasileiras, e alguns traficantes se aventuram atravessar o Atlântico para comprar escravos na Costa da África.

Narra Laurentino que inúmeros tratados internacionais foram assinados e jamais cumpridos. Uma lei de 1831 chegou a ser aprovada no parlamento brasileiro, acabando com a importação de cativos. O imperador Pedro I chegou a empenhar sua palavra.

“A proibição de 1831, segundo Laurentino, passaria para a história com o apelido jocoso de lei para inglês ver. Enquanto isso, navios negreiros abarrotados continuaram a desembarcar homens e mulheres escravizados ao longo do litoral brasileiro sob o olhar cúmplice das autoridades”.

Bem antes disso, em 1810, o príncipe regente D. João assinou com o governo britânico um tratado comercial que incluía uma clausula sobre o tema. Falava-se de uma abolição gradual do tráfico de escravos. Em janeiro de 1815, Portugal assinou um segundo tratado, ratificado por Carta de Lei, em 1817, pelo qual se comprometia coibir o tráfico ao norte da linha do Equador. Tudo se fazia para transgredir as normas.

O acordo autorizava oficiais britânicos a abordar navios mercantes suspeitos de tráfico ilegal. Os infratores e seus navios seriam apreendidos e levados a tribunais especiais estabelecidos no Rio de Janeiro e outro em território britânico na África Ocidental.

Em 1826, D. Pedro I assinou um tratado com a Inglaterra, no qual o Brasil assumia, além de uma dívida de dois milhões de libras esterlinas feita originalmente por Portugal, o compromisso de honrar os acordos celebrados anteriormente pelo governo português com os ingleses em relação ao tráfico. Prometia extinguir o tráfico em três anos. Nada disso ocorreu, muito pelo contrário.

Em seu terceiro livro, Laurentino documenta em detalhes que todos os tratados e leis foram burlados por traficantes, juízes, fazendeiros, capitães de navios, forças armadas e altas autoridades dentro do próprio império. O escritor cita vários casos em que uns acobertavam os outros com propinas e subornos, de modo que o tráfico continuava a todo vapor.

A coisa era tão escancarada, que navios negreiros faziam o desembarque à luz do dia com gente bem armada, e os guardas imperiais nada faziam. Embarcações trocavam de bandeiras para enganar a marinha britânica. O negócio era tão escandaloso que até comerciantes ingleses se envolviam no tráfico ilegal.

As armações, as mutretas, falsificações de documentos e a impunidade daquele tempo do meado do século XIX são as mesmas de atualmente quando se trata de leis, as quais continuam para inglês ver. Praticamente nada mudou quando os infratores são poderosos do chamado colarinho branco.

GUERRA SANTA BRASILEIRA

Carlos González – jornalista

O insurgente abandonou a trincheira, desfez-se da camuflagem, e se declarou contra o estado laico. Uma nova “guerra santa” estava declarada, incentivada por pregações durante serviços litúrgicos, nas redes sociais e até do alto dos trios elétricos. O objetivo é manter o poder político numa nação de maioria católica, mesmo que seja necessário o uso de armas de fogo, que vão poder ser compradas até em supermercados.

Numa época em que há uma preocupação com a fome, o desemprego, a agressão ao meio ambiente e ao surgimento de novas doenças, o governo brasileiro monta um cenário de guerra da Idade Média. São os talibãs da América Latina.

Oficializada a intolerância religiosa, recente reportagem da “Folha” revelou que caiu o silêncio na maioria dos lares brasileiros, onde religião e política são temas proibidos, principalmente durante as refeições.

“Em nome de Deus”, pastores, alguns deles investigados e condenados por atos ilícitos, no Brasil e no exterior, promovem uma lavagem cerebral nos seus seguidores, incutindo-lhes o medo do comunismo, um fantasma que deixou de assombrar com a dissolução da União Soviética, em 1991.

O teatro de guerra vem sendo montado há anos, por meio de atos terroristas, denunciados às delegacias de polícia de cidades de todo o país, inclusive de Vitória da Conquista. Rituais de religiões de raízes africanas continuam sendo interrompidos por práticas violentas, como a invasão dos terreiros, destruição de símbolos sagrados e agressões às filhas e mães de santo.

A repressão não se prende apenas aos afro-brasileiros. A Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Seprom) atendeu em 2021 a 270 casos de intolerância religiosa na Bahia. A de maior repercussão ocorreu na cidade de Itatim, a 214 kms de Salvador, onde um jovem evangélico quebrou imagens e móveis de uma igreja e de uma capela (cenário do premiado filme “Central do Brasil”). O padre José Bento Farias Filho teve que interferir para impedir que a população revoltada linchasse o criminoso.

A tentativa de agressão ao padre Lino Allegri, de 82 anos, indignou os católicos da Paróquia da Paz, em Fortaleza, em julho de 2021. A igreja foi invadida por bolsonaristas, protestando contra o tema do sermão do sacerdote, alusivo ao combate à Covid-19 por parte do governo federal. Padre Lino deixou o local escoltado pela PM.

A Justiça de São Paulo determinou nessa terça-feira (dia 24) que o empresário bolsonarista, membro de um grupo golpista, Luciano Hang, indenize o padre Júlio Lancellotti, vigário da Paróquia de Mooca (SP), em 8 mil reais, por danos morais. O religioso foi chamado de bandido por fornecer sopa e cobertores aos moradores de rua nas madrugadas frias paulistanas.

A sucessão de ataques a templos católicos, com nítida característica de desrespeito à liberdade de religião, remete-nos a dois condenáveis acontecimentos, ocorridos em épocas distintas, que tiveram a cidade de Salvador como palco.

Nas comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil, o nome da abadessa Joana Angélica de Jesus (1762-1822) deve ser lembrado como uma das mártires das atrocidades cometidas pelas tropas portuguesas, que invadiam e saqueavam moradias e instituições católicas, a procura de revoltosos brasileiros. No dia 19 de fevereiro de 1822, num ato de extrema bravura, a madre recebeu um golpe de baioneta ao tentar barrar a entrada dos soldados lusos no Convento da Lapa.

A outra profanação ocorreu em 8 de agosto de 1968, no período mais desumano da ditadura militar, com constantes perseguições violentas aos estudantes. Naquele dia, centenas deles que protestavam contra o regime na Praça Castro Alves, se refugiaram no Mosteiro de São Bento, perseguidos por militares. O abade Dom Timóteo Anastácio 1910-1994), que se notabilizou por dar acolhida aos que lhe pediam ajuda, não impediu a invasão, mas propiciou tempo para que os estudantes, orientados pelos beneditinos, saíssem pela porta do fundo do convento.

No intervalo dos dois turnos das eleições presidenciais de 2018, bolsonaristas, gritando palavras de ordem, invadiram uma reunião da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Chamados de comunistas – até o papa Francisco é citado como adepto dessa ultrapassada ideologia -, altos prelados da Igreja assistiram em silêncio a um surto psicótico, que só poderia ser contido com camisa de força, assim como na Idade Média.

 

 

 

“NOSSO TEMPLO”

Uma vez estávamos aqui numa discussão acalorada e aí levantou-se um amigo para apaziguar os ânimos e disse: Vamos baixar o tom gente, porque estamos num templo sagrado! Aquilo me marcou, não no sentido religioso das palavras, mas, essencialmente cultural porque em nosso espaço, onde realizamos nossos memoráveis saraus com artistas, professores, intelectuais, visitantes e outras categorias, grandes autores brasileiros e estrangeiros nos vigiam e nos inspiram, sem contar o artesanato, as esculturas, as pinturas, as fotografias, as coleções de facas e até os chapéus, dos quais tanto ciúmo. Aqui nos confraternizamos, debatemos temas importantes, declamamos, contamos causos e histórias da vida, trocamos ideias, tudo ao som do canto cancioneiro da viola violada do cantor compositor. Não vou aqui citar os nomes dos frequentadores, a maioria com mais de dez anos, porque poderia faltar alguém, mas a todos agradecemos a participação, e digo que nos enriquecemos com a permuta de conhecimentos e saber. Estamos retomando nossos saraus com mais força nesse templo sagrado com cerca de seis mil itens que só nos fazem engrandecer, ao ponto de ter gente que já sugeriu tombar, e outros perguntarem se era um espaço público. Esse templo é carinhosamente chamado de “Espaço Cultural A Estrada” que já se imortalizou nas mentes dos estradeiros. Aqui é onde se sacode a poeira da labuta do corpo e do espírito. No final de setembro, ou início de outubro, estaremos de voltar para nos reencontrarmos.

A CONTA NÃO BATE

Mais uma produção do jornalista Jeremias Macário sobre a destruição do meio ambiente

Da ficção nasce o real,

Em cenas chocantes,

De gemidos lamuriantes:

Labaredas lambem a terra,

Da serra derrete o gelo,

Pelo calor infernal,

Que vai esquentar o mar.

 

É o dragão soltando fogo,

O beija-flor pingando água,

E a campanha entra no jogo,

Pra ver quem consome mais,

Na disputa dos canais.

 

Quando se planta uma árvore,

Milhões são derrubadas,

Gases tóxicos vão ao ar,

O sal come o chão,

E só se vê destruição.

 

A conta nunca bate,

Nem existe empate,

Nesse diário planetário.

 

Em noites de orgias,

De caras taras de famas,

A fome revira o bagaço,

O bilionário caga no espaço,

E a floresta se arde em chamas.

 

A mente cria outro invento,

Para a indústria lucrar;

Lá fora sopra um vento,

Como alma penada a vagar.

 

O dia vai ficar escuro,

Em ruínas de monturo,

Sem mais fonte cristalina,

Só escorre esgoto de latrina;

Nem o vermelho pôr-do-sol,

Pra acender nosso farol.

A CULTURA E O TURISMO DEVEM SE UNIR PARA BEBER DA MESMA FONTE

Como vender Vitória da Conquista para o turista de outros estados, de modo que ele aqui fique por três ou mais dias rendendo dividendos para a cidade? Só por ser uma cidade do frio? Que tem um bom sistema privado de saúde e gera bons negócios? Pelos biscoitos que produz ou pela gastronomia? Pelas suas festas de São João e Natal? Só com os nomes de Glauber Rocha e Elomar Figueira? Nessa panela não estão faltando mais ingredientes atrativos?

São perguntas que, em minha opinião, o próprio Plano Municipal de Turismo, que ora está sendo construído e concluído, deve fazer. Não está faltando aí um Plano Municipal de Cultura para que unidos os dois possam beber da mesma fonte? Não é somente citar os grandes nomes famosos que divulgam Conquista, mas possuir um arcabouço de eventos culturais fixos que tragam gente de fora, não somente da região. O turista da saúde vem apenas cuidar de seus doentes.

Não sou muito entendido em projetos e planos, e sei que essa tarefa é para consultores e especialistas no assunto. Não é fácil sua elaboração porque carecem de pesquisas e diagnósticos. No entanto, acho que o mais difícil é colocar tudo em prática, se não existirem elementos vivos da cultura para que o turista se sinta motivado a se deslocar do seu estado ou região para visitar Conquista.

Não bastam ter o São João, o Natal, o Festival de Inverno (mostra de shows musicais), se não temos feiras literárias, festivais de música, de teatro, de dança, de audiovisuais, de cinema, como exemplo em Gramado, salões de artes plásticas, todos com premiações. Tudo isso e mais você vai encontrar num Plano Municipal de Cultura que o Conselho está lutando para implantar, de modo a alavancar o Plano de Turismo.

Além de tudo isso, temos que rever e debater a questão da conservação do nosso patrimônio material e imaterial que, na verdade, necessita de conservação e revitalização. Todos sabem que não temos um centro antigo, como em Salvador e outras grandes cidade, porque o nosso de Conquista foi praticamente destruído pela ganância do setor imobiliário.

Na situação atual, no âmbito municipal, infelizmente não temos espaços para apresentações de artes cênicas. O Teatro Carlos Jheová está interditado há uns dois anos. O antigo Cine Madrigal, administrado pela Secretaria de Educação, virou um impasse. A Casa Glauber Rocha, onde deverá ser um local multifacetado, abrigando várias artes (cinemateca), também não sai das discussões. O Museu Padre Palmeira, o Monumento do Cristo, a Praça J. Murilo (Praça Céus, no Alto Maron) precisam ser reformados, reequipados e urbanizados. Os terreiros de candomblé são outros patrimônios importantes de vitalização turísticas. Como fazer com que eles sejam pontos visitados?

No campo do imaterial, Conquista precisa fortalecer nosso folclore (Ternos de Reis), não somente em final de ano, e outras festas populares que estão aí soltas na zona rural e nas periferias, sem o devido e merecido apoio do poder público, segundo comentam por falta de verbas. Tem a capoeira que deveria ter o seu lugar de apresentação pública, sem falar nos vários tipos de samba.

São essas peças essenciais que deverão estar inseridas no Plano Municipal de Cultura e que vão funcionar como engrenagem para o desenvolvimento do turismo. Como atrativos elas devem ser vendidas em propagadas institucionais e em campanhas lá fora através de feiras, panfletos, publicidades e matérias jornalísticas nas mídias, e até no “boca a boca”. Vamos sair dessa teoria e partir para a realidade,  mas tudo isso precisa de uma decisão política, colocando a cultura como uma das prioridades.

Não adianta pegar o dinheiro do contribuinte, elaborar um projeto caro e depois deixar numa vitrine. Ele precisa ser incluído na Lei Orçamentária do Município, para que funcione e gere emprego e renda, bem como fator de desenvolvimento para a cidade, inclusive na redução das desigualdades sociais. Não estou dizendo que vai ser mais um programa engavetado, mas um alerta para que a proposta de lei seja posta em prática, inclusive pelas outras administrações.

 

GRUPO GESTOR DA PRAÇA CÉUS SERÁ ELEITO PRÓXIMO DIA 30

A Praça J. Murilo, mais conhecida como Praça Céus, que vem atravessando uma série de dificuldades desde 2020, ocasião da pandemia da Covid-19, terá seu grupo gestor tripartite eleito no próximo dia 30, às 18 horas, conforme edital de inscrições publicado pela Secretaria de Cultural, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel.

De acordo com informações da Secretaria, serão eleitos quatro membros de cada eixo com representantes do governo municipal, da sociedade civil, inclusive do Conselho Municipal de Cultura e da comunidade, que vão ter o poder deliberativo do equipamento por dois anos, de setembro de 2022 a setembro de 2024.

De acordo com Gabriela Pereira de Souza, umas das candidatas inscritas que já fez parte do grupo entre 2018 e 2020, a participação da comunidade (A Praça está localizada no Bairro Alto Maron) é de suma importância para que o espaço volte a funcionar a contento, tendo em vista as suas necessidades urgentes de reformas.

Quanto a esta questão, a Sectel informou que a utilização de recursos para os serviços de reparos nos itens de iluminação, pintura e reposição geral em suas instalações só será possível após a eleições. Sabe-se até que existe uma emenda parlamentar destinada a estas obras de reforma.

Uma das principais reivindicações da comunidade e do antigo grupo gestor é a reabertura do seu cine teatro que se encontra fechado há dois anos, incluindo pinturas e iluminação que se encontram em estado precário.

A expectativa é que as coisas melhorem a partir da eleição do grupo gestor. Todos esses problemas foram discutidos durante reunião realizada pelo Conselho Municipal de Cultura a pedido de representantes da comunidade e da sociedade civil.

A Praça Céus, hoje denominada de J. Murilo, em homenagem ao artista plástico conquistense, construída com recursos federais, foi inaugurada em 2015 no governo do prefeito Guilherme Menezes.

O espaço foi concebido para funcionar atividades socioculturais, recreativas, esportivas, de lazer, qualificação de pessoal, acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e econômica, teatro, aulas de capoeira e outras ações, muitas das quais interrompidas a partir de 2020 com a pandemia da Covid-19.

O equipamento conta ainda com quadra poliesportiva, pista de skate, biblioteca, parque infantil, sala multiuso e outras instalações. Por falta de condições estruturais, algumas atividades culturais, como de teatro, por exemplo, estão fazendo suas reuniões no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima que pertence ao estado.

COMEÇOU A CORRIDA DO OURO OU A TEMPORADA DO CAÇADOR E DA CAÇA

“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte” – Van Wolfgang Goethe

Eles já vinham fazendo seus aquecimentos e investidas fora da época, burlando as anacrônicas leis eleitorais, cujo Tribunal faz de conta que segue à risca, mas agora começou para valer a corrida do ouro, ou melhor do poder, que vale mais que o metal.  Os concorrentes e as bandeiras nas ruas são praticamente os mesmos. Pouca coisa muda.

É o tempo do caçador atrás da caça, que sempre é uma presa fácil, sem falar que nunca escasseia. Tem umas mais difíceis de entrar na arapuca ou serem abatidas, mas a maioria é só moleza. Sentem o cheiro da ração e comem na mão do caçador. O papo, ou a prosa ruim e chata, não modifica. Os chavões de tudo pelo povo, pela igualdade e justiça social se repetem.

Nessa temporada, que agora é de dois em dois anos, as caças ficam todas no cio e até brigam e se matam em defesa de seus caçadores. É muito masoquismo. O incrível é que elas gostam mesmo de sofrer. Nesse período de dois ou três meses, haja xingamentos, ódios e intolerâncias, sem contar as mentiras e as notícias falsas, agora sofisticamente chamadas de fake news.

Tem aquelas caças que ficam meio cabreiras, distantes, desconfiada e se camuflam nas folhas. Outras que são camaleões, e muitas ainda que, para se entregarem, ficam de olho até o final da corrida para conferir mesmo quem vai ser o caçador vencedor. Aliás, tem todo tipo de caça que você quiser para escolher, numa variedade imensa de espécies.

As regras de caçada são as mais sujas possíveis e sempre levam vantagem os caçadores mais velhos no jogo por serem astutos e possuírem mais armas. É, por assim dizer, uma corrida desigual, como aquela do oeste norte-americano. Tem que ser bom atirador e rápido no gatilho para cativar e até comprar a caça.

Fiz uma letra, musicada por Papalo Monteiro, intitulada “Ciladas da Lua Cheia” que se refere às eleições, denominando esses caçadores de hienas, ratos, lobos, raposas e outros bichos predadores. Quem quiser ouvir pode abrir a música que está postada em meu blog www.aestrada.com.br.  Lá, você tira sua própria conclusão.

Eu também sou a caça, mas acredite, estou cheio desses caçadores, desse sistema de normas que regem essa corrida e desses animais selvagens cheios de tramoias e mutretas. Não entro nessa bobeira de ser enganado com falsas promessas, não que seja tão esperto e mais sábio que os outros, mas pelo tempo nessa posição de ser caçado. O tempo me ensinou a não confiar.

O pior de tudo é que logo eles vão invadir seus lares com aquela mesma lorota e efeitos de imagens para impressionar a caça. Jogam luzes no palco; fazem malabarismos; e soltam até palavrões contra seus adversários.  Muitas caças imbecis e ignorantes, que não são poucas por esse Brasil a fora, entram na onda, e umas até ficam inimigas das outras. Existem até separações.

Depois da corrida ou da caçada, os caçadores desaparecem e vão banquetear suas presas em mesas fartas e suculentas. Muitos até se disfarçam para não serem reconhecidos. Tem aqueles, que não contentes com as benesses que recebem, passam a roubar por aí. Outros passam o tempo se preparando para a próxima caçada.

As caças, coitadas, a maioria delas volta para sua locas miseráveis e comem o pão que o diabo amassou. Não aprendem a lição, mesmo porque também a elas são negadas. Umas ficam por aí zanzando desempregadas e vivendo de esmolas. Inventam umas tais de bolsas disso e daquilo, mas não dão uma saída, de modo que a caça sempre continue sendo caça. Caso contrário, a espécie pode ser extinta.

 

A POLÊMICA LEI ÁUREA

Art. 1º – É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Art. 2º – Revogam-se as disposições em contrário.

“Assim era o texto da lei número 3.353, de 13 de maio de 188, mais conhecida como Lei Áurea, talvez a mais importante de toda história do Brasil”, conforme descreve o jornalista e escritor Laurentino Gomes no seu terceiro volume de “Escravidão”.

O projeto de lei, tão sucinto, foi apresentado à Câmara dos Deputados em três de maio, e foi cercado de grandes polêmicas até sua aprovação final no dia treze e sancionada pela princesa Isabel naquele ano.

Os proprietários de terras, senhores coronéis e a oligarquia ficaram enfurecidos, e não perdoaram o império, quando deram o troco ao apoiar, no ano seguinte, a derrubada do imperador, com a proclamação da República.

Segundo o advogado e historiador Antônio Evaristo de Moraes, durante a votação a Câmara permaneceu cercada, como em estado de sítio. Pelas pesquisas de Laurentino, em 1888, restavam ainda cerca de 750 mil homens e mulheres escravizados no império brasileiro.

Nos três séculos e meio, o Brasil tinha sido o maior território escravista do hemisfério ocidental. Era o mais avesso a qualquer proposta de mudança. Os primeiros africanos escravizados chegaram ao Brasil por volta de 1538. Nos 350 anos seguintes, o total chegaria a quase cinco milhões.

Em três de maio, coube à princesa abrir os trabalhos parlamentares, mas, em sua fala, em momento algum falou o termo escravidão. O tom foi de elogio aos fazendeiros, e citou apenas que o país precisava extinguir o elemento servil. O seu pai, D. Pedro II se encontrava na Europa, e o projeto desencadeou a primeira grande campanha popular de rua na história do Brasil.

Logo nos debates acalorados, os latifundiários do café, naquela época, exigiram que fossem indenizados em 20 milhões de libras esterlinas, o mesmo que foi pedido e aceito pela aristocracia rural e industrial da Inglaterra, em 1834.

A proposta só veio chegar à Câmara no dia oito, numa terça-feira, pelas mãos do ministro da Agricultura, deputado Rodrigo Augusto da Silva. No mesmo dia foi discutida e aprovada por uma comissão composta pelo deputado pernambucano Joaquim Nabuco.

Colocado em votação no dia 10, o projeto recebeu os votos favoráveis de 83 deputados. Nove foram contra e outros 33 preferiram ficar em casa para não se expor. No dia 11, a lei foi remetida ao Senado. A Câmara alta era o templo da elite escravocrata brasileira – como assinalou o autor de “Escravidão”.

A votação final no Senado se deu numa manhã de treze de maio. Foram 46 votos favoráveis, seis contrários e oito ausentes. A aprovação era tão dada como certa que, no mesmo dia, os jornais do Rio de Janeiro (entre seis a cinco) abriram suas manchetes convocando a população a ir às ruas para as comemorações que duraram uma semana.

Para sancionar a lei, os jornais, logo eles que vendiam anúncios de venda, aluguel e compra de escravos, fizeram uma campanha para doar uma caneta cravejada de ouro, esmeralda e diamantes para a princesa Isabel, cuja peça encontra-se exposta no Museu de Petrópolis.

Outro fato irônico nisso tudo veio da Igreja Católica, através de suas ordens religiosas. A instituição, que tanto explorou a escravidão, inclusive fazendo parte do tráfico negreiro, no final apoiou a ideia da abolição e esteve ao lado dos grandes abolicionistas, como André Rebouças, Joaquim Nabuco, Luiz Gama e José do Patrocínio.

“O RESTO É MAR/É TUDO QUE NÃO SEI CONTAR” (Música “Wave”, de Tom Jobim)

(Chico Ribeiro Neto-jornalista)

Restou um homem ainda cheio de carinho e muita vontade de acreditar, no ser humano, na força do coletivo e na grande arma da paz.

Um cara com qualidades e defeitos, mas a poesia junta tudo e nos joga num grande lago cercado de verde e crianças brincando nas margens. A gente costuma mentir um pouco quando fala de si mesmo.

Aos 74 anos, acho a pior coisa do mundo um velho que não acredita mais em nada. Creio na vida, na natureza e em nossa imensa capacidade de criar. Só se muda e fica vivo através da criação. Aposentado, se não escrevesse pelo menos uma crônica por semana eu já tinha morrido (ou ficado maluco). Um dos momentos mais felizes da minha vida é quando, aos domingos, toco no comando PUBLICAR no Facebook e posto minha nova crônica.

Disse Fernando Pessoa: “A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta”.

Quero um dia ter fôlego e inspiração para escrever um romance. “Haja assunto”, dizia um amigo meu. O pior deve ser escrever o final. O início também é uma luta, e o resto vai saindo. Tem gente que decide se compra ou não um livro depois que lê as primeiras linhas. Nunca esqueço o que me disse um antigo vendedor da Livraria Civilização Brasileira: “Se tivesse mais tempo eu ia ler muito mais”.

Resta um homem que renasce com as manhãs, que adora caminhar, ouvir música e passarinhos, estar com a família e amigos e tomar cerveja. Não sou muito paciente, mas ainda consigo ouvir até o final a música “Eduardo e Mônica”, de Renato Russo. Não tenho paciência é pra torneira pingando nem pra fila de espera em restaurante.

Fiz jornal durante mais de 40 anos. Nada se parece mais com a vida. Como na vida, ninguém quer ler a edição de ontem. A cada manhã tem uma nova edição. Jornal é isso: mal acabou de imprimir a última edição e você já começa a preparar a próxima. Uma vez um taxista me perguntou: “Onde é que vocês acham tanta notícia pra encher tanta página?” Outra coisa aprendi na minha vida profissional: todo chefe que xinga e dá murro na mesa esconde uma incompetência.

Hoje é triste ver o jornal encalhado nas bancas servir para o cocô do cachorro ou para embrulhar peixe. Outro dia vi um cartaz numa banca: “Vendo jornais velhos”.

Resta um homem do signo de Gêmeos com ascendente em Peixes, cheio de lembranças da infância, dos amores e dissabores, das conquistas e perdas, dos beijos e das agressões, dos pecados e dos perdões, dos adeuses e dos senões, das friezas e dos tesões, dos sins e dos nãos. Resta um homem ainda com uma grande capacidade de amar e de se indignar.

Resta um senhor sentado numa pedra da Praia do Unhão olhando o mar, coração tranquilo. “Esse é o meu melhor advogado”, me disse uma vez uma senhora apontando para o mar no Farol da Barra, e explicou: “É só olhar pra ele que resolvo tudo”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

FLORES DOS CIPÓS

Dentro do próprio bioma da Mata Atlântica, ou da própria caatinga e até da ciliar, existe a chamada mata de cipó, uma espécie de vegetação que se entrelaça entre as árvores numa ramificação que se estende por toda floresta. Os cipós, os mais grossos, são até utilizados por micos e macacos como forma de ponte para se comunicarem e buscar comida em folhas e plantas frutíferas. Poucos sabem, no entanto, que os cipós brotam lindas flores como na imagem sobre o telhado do meu rancho.  Como o mandacaru e o cacto, os cipós são resistentes e não precisam de chuvas para suas subsistências, certamente por causa de suas profundas raízes que se nutrem da água do subsolo, pois corto todos os anos e, em pouco tempo, lá estão eles, que são utilizados para fazer cestos, jarros, caçuás e muitas outras peças artesanais, inclusive esculturas. Flores dos cipós também fazem parte do meu quintal, ou da minha pequena floresta caseira, já que ainda não tive a benção de retornar ao campo, como pretendo ainda em vida.





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