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O VÍRUS DA MEDIOCRIDADE NUM MUNDO FÚTIL E IDIOTA VIRTUAL DA INTERNET

O filósofo e pensador italiano Humberto Eco prognosticou que o advento da internet e a disseminação das redes sociais tornaria o mundo mais imbecil e idiota. Estamos sim, presenciando essa dura realidade onde a mediocridade hoje tem mais valor que a meritocracia e o conteúdo.

Vemos nas redes sociais um monte de baboseiras, besteiras e palhaçadas que viralizam e transformam a futilidade de seus mentores em famosos que ganham as imagens das televisões. Até há poucos dias ouvi falar num tal “Luva de Pedreiro”, um baiano, se não me engano, que saia do seu ofício com o material para pegar no gol de um baba de várzea e fazia suas papagaiadas.

De uma hora para outra o cara se tornou “celebridade” televisa da Globo. No entanto, ele não está só nesse mundo tão fútil e imbecil virtual. Não adianta você fazer um vídeo sério com conteúdo sobre nossos reais problemas que atravessamos porque quase ninguém curte, apenas poucos amigos que lhe conhece.

Para as idiotices, milhões de seguidores. Faça um comendo bosta, titica de galinha, terra, capim ou uma dança maluca com caretices que logo viraliza (de vírus) nas redes! Em pouco tempo o indivíduo terá milhões de curtições e “joinhas”, o que estimula a ele fazer mais e mais mediocridades. Ninguém quer ler mais um texto ou uma poesia, nem que seja um só parágrafo ou uma estrofe.

Agora apareceu um tal de “influenciador digital”! Seria o mesmo que o formador de opinião que é designado para jornalistas sérios que prezam pela responsabilidade da notícia? Não sei, só sei que não vai demorar muito para implantarem o curso de “influenciador digital”, com direito a faculdade e tudo, inclusive com diploma.

Nesse Brasil e nesse planeta, uns poucos milhões devem se sentir como um peixe fora d´água que não se encaixam mais nesse mundo da imbecilidade. A pergunta que vem é o que estou mais fazendo aqui? Estou fora desse espaço. Sou como um ferro velho perdido numa sucata. Muitos perdem o gosto de produzir e até se isolam. Aliás, já são chamados de retrógrados atrasados que não se encaixam mais nesse esquema.

Essa mediocridade da qual eu falo não está somente nas redes sociais das fofocas, dos xingamentos, injúrias, ódios e mentiras. Está em todo lugar do nosso cotidiano. Ela se escancara nas repartições públicos, nos plantonistas da burocracia, nas escolas, nos políticos, entre os jovens atuais que detestam ler, na quase ausência de conhecimentos gerais, na falta de interesse pela nossa história, pela nossa cultura, no desprezo pela memória e na inversão de valores entre o que é o certo ou errado, normal e anormal.

A ideia do levar vantagem em tudo; passar a rasteira nos outros; e achar que ser corrupto também estão na lista das mediocridades que têm suas origens na formação familiar. Quando os pais não dão exemplo, a tendência é que os filhos também se tornem mau caráter e optem pelo desvio de conduta.

A ética, a inteligência, a capacidade e a honestidade estão em desuso e fora de moda. Foram todas engolidas pela mediocridade. O QI (Quem Indica) está acima da meritocracia. O medíocre hoje de fala mansa e todo engomadinho tem muito mais visibilidade e admiração que o desarrumado de conhecimento, mesmo porque ele não é mais entendido.

CINISMO DE UMA CORJA SINISTRA NUM BRASIL SEM ÉTICA E IDEOLOGIA

Até há poucos dias o presidente da Câmara dos Deputados, o Arthur Lira, era visto pela esquerda como um mero puxa saco mequetrefe do capitão-presidente psicopata que enterrou mais de cem pedidos de impeachment contra o chefe da nação. Seu nome é sujo como pau de galinheiro. Foi só terminar as eleições e o PT sair vitorioso para tudo mudar, como se troca de camisa, sem ética e ideologia, coisas raras nesse nosso país.

Basta o barco começar a afundar e a ratazana pula fora para outro mais seguro, caso do histórico centrão mamão. A direita vira esquerda e a esquerda direitona para se agarrar ao poder. É sempre assim que a banda toca. Não existe o mínimo de decência, e as palavras voam aos ventos quando o próprio eleito disse que não iria interferir na eleição do Congresso Nacional. Vivemos e nos alimentamos de mentiras todos os dias.

O Lira agora é o nome dos partidos das bandeiras vermelhas como candidato para permanecer na presidência da Casa. É o cinismo de uma corja sinistra num Brasil sem ideal político onde o eleitor não passa de um metal vil enferrujado que só presta para clicar os números nas urnas.

Eles têm até três aposentadorias, ou mais, como a concedida agora pelo Lira para o capitão, na faixa de 30 mil reais, e ninguém cede um milímetro de suas benesses, verbas de indenização, gabinete, comissões e outros penduricalhos. Todos na fartura unidos para dar um cala boca de osso e pelancas para os mais de 60 milhões, sem projetos para acabar com essa miséria vergonhosa que mancha o Brasil.

Eles fazem seus conluios espúrios para liberar bilhões para o Bolsa Família de seiscentos reais e mais cento e cinquenta para cada filho de até seis anos, mais um estímulo para a procriação de mais bebês que não deveriam vir ao mundo. Os pobres têm uma penca de filhos sem perspectivas de um futuro melhor. Deveria haver um programa de controle familiar.

Quero deixar bem claro aqui que não sou contra socorrer os famintos porque a fome é a pior dor do ser humano. Só quem já passou conhece bem a cara dela. É feia e cavernosa com suas armaduras da morte. No entanto, esse esquema cheira a comodismo e treita de quem tem o interesse de deixar tudo no mesmo para dele tirar proveito no voto lá atrás.

Além do mais, significa decretar a falência fiscal do Brasil, sem falar na inflação que vai correr o mesmo auxílio. Até quando vamos continuar mantendo essas esmolas que só envergonham o cidadão, como já dizia nosso cancioneiro Luiz Gonzaga?

Todos são bonzinhos desde que os desgraçados excluídos não invadam suas mansões e latifúndios. Não existe ideologia de direita e de esquerda, mas ajuntamentos para que as castas permaneçam abastecidas, cada um com seus poderes e mordomias. A ideia é que todos saiam bem na foto com cara de piedosos.

Tudo isso é feito fora do teto de gastos do orçamento. Ninguém até agora apresentou programas alternativos em paralelo de geração de emprego e renda para reduzir essas astronômicas despesas, dando trabalho e autoestima às pessoas. É uma Bolsa Família ad infinitum.

O que o país precisa mesmo é de uma revolução social de base para quebrar de vez esse ciclo assistencialista. Isso só será possível através de educação maciça de qualidade que levará o país ao desenvolvimento e à redução das profundas desigualdades de ganhos. É um sistema perverso que só faz engrossar a ignorância para aplaudir essa corja que há séculos mama nas tetas da população.

“FLUXO E REFLUXO”

“Do Tráfico de Escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos, do Século XVII ao XIX”.

Ele nasceu em 1902, em Paris. Foi fotógrafo, etnólogo e antropólogo. Em 1946 começou sua pesquisa sobre as influências entre o Golfo do Benin ou Costa da Mina, e a Bahia de Todos os Santos. O resultado desse trabalho lhe deu o título de doutor de terceiro ciclo na Sorbonne. Passou grande parte da sua vida em Salvador onde desenvolveu estudos sobre o culto aos orixás para o Instituto Francês da África. Converteu-se ao candomblé assumindo o nome de Pierre Fatumbi Verger. Morreu em 1996, em Salvador.

O livro “Fluxo e Refluxo” foi resultado de uma pesquisa de vinte anos, apresentado pela primeira vez na Sorbonne, em 1966. No entanto, só foi lançado no Brasil, em 1987. A obra se converteu num marco historiográfico sobre o tráfico negreiro para o Brasil, com destaque para a Bahia, província que no início do século XVII ao XIX mais recebeu cativos vindos da Costa da Mina (Castelo de São Jorge da Mina) que abrange especialmente o Benin, antigo reino de Daomé, da cidade de Uidá ou Ajudá. Judá, Fidá entre outros nomes.

Na introdução do livro de quase mil páginas, Verger destaca que a presença dos costumes de habitantes do Golfo de Benin é tanto mais notável na Bahia quanto as influências bantas do Congo e Angola são mais aparentes no resto do Brasil. Ele classifica o tráfico de escravos em direção à Bahia em quatro períodos, como o Ciclo da Guiné no século XVI, de Angola e do Congo no século XVII, o da Costa da Mina nos primeiros quartos do século XVIII e o do Golfo do Benin, os daomeanos ou jejes, entre 1770 e 1850.

Os nagôs-iorubás, da região da Nigéria aqui chegaram na Bahia no último ciclo, ou seja, entre os séculos XVIII e XIX e eram de classe mais elevada, prisioneiros de guerra, sacerdotes e mais conscientes do valor de suas instituições, ligados aos preceitos de uma religião, o islamismo. Nesse sentido, essa etnia era mais rebelde e unida, surgindo daí a rebelião dos malês, em 1835.

Verger cita os estudos de Luiz Vianna Filho onde ressalta que “os bantos foram os primeiros negros exportados em grande escala para a Bahia, e aqui deixaram de modo indelével os marcos de sua cultura” na língua, na religião e no folclore. Eles falavam melhor o português que os negros da Costa da Mina. A mercadoria mais importante na troca de escravos era o tabaco da Bahia que não tinha muita importância na Guiné, Angola e Congo, mas boa aceitação na Costa da Mina.

Na introdução da obra, o autor faz referências à queima de documentos sobre os escravos vindos da África por ordem de Rui Barbosa, ministro das Finanças entre 1890/91. Sobre a destruição desses registros existe uma grande polêmica entre os historiadores.

Uma versão diz que Rui Barbosa e o governo da época, com apoio do legislativo, tiveram a intenção de apagar para sempre a lembrança e os traços da escravidão no país. Outros que o propósito foi o de impedir que os proprietários dos cativos não pudessem entrar com petições de indenizações, como fizeram os ingleses e francês quando da abolição da escravatura. Muita coisa foi perdida dificultando o trabalho mais aprofundado por parte dos  pesquisadores.

 

PRAÇA GUADALAJARA OU NORMAL

Em toda parte do mundo sempre existe um ponto (praça, avenida, monumento ou centro histórico) onde as pessoas se reúnem para expressar suas manifestações e protestos a favor e até contra a democracia e a liberdade. Dalí nascem os grandes ativistas com seus discursos e pronunciamentos que mudam os destinos de uma nação e de um povo. Em Salvador temos a Praça Castro Alves, a Sé; São Paulo, a Avenida Paulista; Rio de Janeiro, a Cinelândia e assim por diante como nas grandes capitais estrangeiras, só para citar Pequim, Paris, Londres, Madrid, Lisboa, Nova York e tantas outras. Em Vitória da Conquista nós temos a Praça Guadalajara ou simplesmente Escola Normal (foto), um patrimônio que, infelizmente, o Estado está demolindo. Aqui vai o meu repúdio. Essas praças se tornaram e fizeram história na luta pelos direitos humanos (contra ditaduras), reivindicações dos trabalhadores, passeatas LGBT, movimentos sociais e até encontros religiosos e “gritos de guerra” de blocos de carnavais, micaretas e festas em geral. Da Guadalajara partiram organizações contra e a favor de presidentes da República formando-se um colorido de bandeiras e camisas amarelas e vermelhas. As ideias e as discussões se afloram. Para o bem e para o mal, de lá saíram até alaridos que ferem a nossa pátria como os pedidos de intervenção militar no país. Cartazes criativos os mais diversos se juntam na Guadalajara e estampam frases lamentosas sobre o desemprego, a má qualidade na educação e na saúde e até para dizer que estou com fome, quero comer. São locais que devemos reverenciar porque representam nossas ágoras gregas que nunca podem ser esquecidas e servem de recordações memoráveis para o resto de nossas vidas como participantes ativos dessa sociedade, na maioria das vezes desumanas.

EU VI TUDO

Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Parodiando o cancioneiro Raul,

Te conheci há cinco mil anos,

Do leste oeste, norte a sul,

Trago comigo o sangue cigano,

Alma negra, mestiça- iberiana,

E vivi no mundo dos insanos.

 

Não mais me importo,

Com a inveja de fulano;

Vivi até no faroeste americano,

Vi Cristo nascer em Belém,

Na palestina de Jerusalém.

 

Vi tudo nesse mundo imundo;

Aníbal estraçalhar os romanos;

Spartacus com cem mil escravos,

Derrubar gauleses, celtas e eslavos.

 

Vi Portugal criar a escravidão,

Lá em Gana na Costa da Mina;

A triste sina da chibata africana;

O terror dos senhores da cana,

Dos cafezais e da mineração.

 

Vi a Igreja conivente trair sua fé;

Hitler e Stalin matar milhões;

Fidel e Cheguevara tomar Cuba;

Toda essa loucura capitalista,

Estuprar o ideal socialista.

 

Vi o muro de Berlim cair;

A terra girar em torno de mim;

Roma ser incendiada por Nero,

E em seu violino cantar bolero.

 

Vi a Revolução Francesa

Cortar cabeças de reis e rainhas,

E me embriaguei nas vinhas.

Quando perdi o existir da certeza.

 

De carro de boi ao lombo de burro,

Fui até sacristão e seminarista;

Só não aprendi ser pilantra vigarista;

Lutei em guerras contra a ditadura;

Sofri prisão, cusparada e tortura;

Sol quadrado sem lua enluarada.

 

Tive amores de prazeres esquecidos,

Sem meus sonhos ficarem perdidos:

De voltar pro meu sertão relicário,

Para contemplar as raízes do chão;

Ouvir o som da alma violeira,

Ao lado da morena cabocla faceira,

No meu eu pensador solitário.

 

Na vida fui até conselheiro;

Aluguel matador pistoleiro;

Boiada, vaqueiro e boiadeiro;

Invisível dessa raça desprezível.

AS CONFERÊNCIAS CLIMÁTICAS E A REAÇÃO CONTÍNUA DA NATUREZA

Abordei aqui por várias vezes o blábláblá dos discursos e manifestações das conferências sobre o clima onde os países mais ricos prometem conter o avanço do aquecimento global, mas retornam para suas casas e fazem o contrário do que foi assinado nos planos dos papéis sem valor.

Eles só querem saber de mandar foguetes para o espaço, incentivar o crescimento do deus PIB, o tal Produto Interno Bruto, e pedir a todos que consumam mais, principalmente nessa época do ano com suas festas luxuosas regadas a muitas comidas, bebidas e orgias.

Há séculos que o meio ambiente vem sendo duramente castigado ao ponto de as previsões meteorológicas terminarem em verdadeiros chutes e imprevisíveis porque as mudanças são cada vez mais bruscas. O que tem sido feito em termos de preservação é ínfimo se formos considerar o tamanho do rombo provocado no buraco.

A natureza continua reagindo fortemente, como nos exemplos mais recentes dos deslizamentos de terras, quedas de pontes, de barreiras nas estradas e alagamentos no Brasil nos últimos dias. Só não vê quem é cego ou simplesmente prefere não enxergar, mas a nossa mãe terra está sendo aos poucos destruída.

Como numa maldição ou lei natural das coisas, os pobres (as nações) estão sendo os mais prejudicados e serão os primeiros eliminados. As medidas praticamente isoladas de economia sustentável, reciclagem dos produtos e as campanhas de não jogar lixo no chão não vão deter essa regressão. A conta nunca bate.

No caso específico do Nordeste brasileiro, por exemplo, já foi constado por cientistas que será a região que mais irá sofrer com o aquecimento global, e isso já vem ocorrendo há anos. O planeta está se acabando com as tempestades, as catástrofes e as tragédias e muitos territórios vão desaparecer.

PRAÇA GANHA ORNAMENTAÇÃO ECOLÓGICA E TÚNEIS RETANGULARES DE LUZES

Com mais de um milhão de micro lâmpadas, a Praça Tancredo Neves, em Vitória da Conquista, ganhou uma iluminação ecológica de Natal com caixas de led de 10 metros e túneis retangulares de luzes com mais de 80 metros. É um encantamento para todos os moradores e visitantes que não se cansam de tirar fotos para guardar como recordação.

Desde o ano passado, segundo o coordenador da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Alexandre Magno, que os cordões de lâmpadas não são mais colocados nas árvores, uma recomendação do próprio secretário da pasta, Eugênio Avelino (Xangai), de acordo com ele, para preservar o meio ambiente.

“Tivemos, então, que buscar um novo formato com estruturas metálicas visando proteger a fauna e a flora” disse Alexandre. Na verdade, o estilo ficou bem mais atrativo para todas as idades, principalmente a criançada que fica deslumbrada com a nova ornamentação natalina e se diverte o tempo todo.

Logo em frente da Catedral de Nossa Senhora das Vitórias você se depara com um túnel de luzes e outro retangular na entrada da praça na parte superior. Outra iluminação que chama a atenção foi a do monumento erguido em homenagem aos presos políticos baianos que tombaram durante a ditadura militar de 1964.

O presépio em louvor ao Menino Jesus e as fontes de água são os locais mais visitados todas as noites pelas famílias, crianças e jovens namorados que não param de fazer suas selfies românticas para compartilhar com os amigos e até fazer seus álbuns digitais de lembranças.

Há quem arisque um palpite de que seja a praça natalina mais bem ornamentada do interior baiano pela quantidade de lâmpadas e a criatividade de preservação da natureza. Toda essa beleza que introduz as pessoas no sentimento do clima de Natal e final de ano ficará exposta até o dia seis de janeiro quando se comemora a Festa de Santos Reis. Todas as noites o local está superlotado com barraquinhas em torno da iluminação, a qual pode ser vista dos pontos mais altos da cidade.

OS ENDIVIDADOS

Tem aquele consumidor compulsivo como jogador viciado, o que entra na carneirada para não ficar de fora e até é recriminado como mão de vaca por não ter comprado o presente, o necessitado consciente que só adquire o essencial, aquele pobre que tem a mania de imitar o rico e outras espécies de animais irracionais. No final, a grande maioria termina sendo incluída no rol dos endividados.

Dia das mães, dos namorados, dos pais, São João, das crianças, agora a Black Friday e Copa do Mundo, Natal e final de ano funcionam como estouro da boiada. Ninguém resiste às viagens dos feriadões. A família sempre arranja aquele jeitinho do empréstimo e até deixa de quitar a mensalidade escolar do filho.

Basta um tiro ou o rojão de um foguete para o gado sair em disparada. Somente vaqueiros experientes conseguem controlar o rebanho para não cair no abismo. Na corrida, muitas rezes são pisoteadas ou se arrebentam numa ribanceira.

Assim são os endividados, título que poderia se tornar num filme comportamental da sociedade, sobre finanças, numa comédia grega trágica ou até de humor vendo aquelas expressões de desespero e “felicidade” das pessoas nas lojas avançando em objetos e produtos de desejo, todas atraídas pelas propagandas de liquidação, a maioria enganosas. É uma disputa acirrada onde cada consumidor se acha vencedor.

Com as novas tecnologias da internet tem aqueles que acham mais chique e cômodo ficar clicando naquela foto bonita de embalagem exuberante e finalizar a suas compras, muitas com o aviso de frete grátis. Todos acreditam nessa lorota, e aí de quem contestar.

O comprador se acha um esperto que aproveitou a “promoção” e sai contando seu feito para os amigos. Nessa embolada, muitos são vítimas do atraso, da clonagem de cartões e até do calote. Aí o bicho pega, meu camarada! São coisas do mundo moderno que para muitos corresponde a ser feliz e realizado, mesmo que seja por pouco tempo. É a ilusão do imaginário que funciona como a pílula contra a depressão e a ansiedade.

No momento existe a sensação do prazer pessoal para depois entrar na lista dos milhões de endividados. A ressaca vem depois. Aí sua vida vira um inferno de boletos, faturas e papéis na mão com as datas vencidas de pagamento.

Na fase do atraso entra a turma da cobrança ameaçando tornar seu nome sujo na praça ou apreender seu bem móvel. Vem a dor de cabeça, e o devedor parte para os remédios para combater até insônia. É a parte de terror do filme de os endividados. Em cena entra a voz dos economistas para dar aquelas dicas costumeiras para o derrotado.

Não se preocupe, anuncia o credor com a arma da anistia ou o desconto com juros mais baixos. Os lucros do comércio lá atrás com os preços extorsivos e obtidos mediante aqueles que quitaram suas contas abrem espaço para os endividados aliviar seu tormento.

O consumidor fica contente, limpa o nome e parte para outras compras, principalmente torrando seu décimo terceiro salário. É o chamado ciclo vicioso que não acaba nunca. Tudo se repete e a roleta volta a girar. Façam seus jogos que no final uns pagam pelos outros. O único que não perde é o dono da casa.

A MARCHA DOS ABANDONADOS, A EUGENIA E A QUEIMA DE REGISTROS

Numa espécie de êxodo, foram cenas de proporções bíblicas. Assim descreve o jornalista e escritor Laurentino Gomes na obra final da sua trilogia “Escravidão”, no capítulo “O Dia Seguinte”, ao se referir à Lei Áurea da Abolição de 13 de maio de 1888.

Essa debandada das fazendas de café do Vale do Paraíba (SP) e da zona da mata de Minas Gerais foi seguida da tentativa do esquecimento por parte das autoridades de que houve um regime escravista no Brasil, tão cruel como em outros países. Na época centenas de documentos foram queimados por ordem do baiano Rui Barbosa.

“Milhares de homens, mulheres e crianças se puseram em marcha, sem destino algum”. Simplesmente vagavam pelas estradas, pelo menos gozando da liberdade do ir e vir. Não demorou para serem tratados como vadios, vagabundos e malfeitores preguiçosos, surgindo daí a Lei da Vadiagem, com pena de prisão.

“Alguns acampavam ao redor de vendas e tabernas, onde passavam as noites dançando e cantando em celebrações de alegria”. O jornal Novidades, de Vassouras, registrou que eles perambulavam em grupos.

Do outro lado, os cafeicultores, nos anos seguintes, entraram em pânico e muitos que não se prepararam foram à falência. O plantel de escravos valia mais que as terras. Com a desvalorização dos imóveis, a Abolição comprometeu parte dos fazendeiros de contrair crédito bancário. Antas os cativos funcionavam como garantias.

No entanto, conforme citou Laurentino, embora não tenham sido indenizados como queriam, os produtores, inclusive com a República, obtiveram generosas linhas de crédito agrícola. Os cofres públicos foram abertos numa tentativa de pacificar os senhores que queriam indenização.

Surgiu um boato que, através de um acordo secreto entre governo e senhores, a Lei Áurea havia sofrido uma emenda de que os ex-escravos deveriam servir mais sete anos em regime de escravidão, antes do direito à liberdade definitiva.

Não houve isso, mas ninguém lhes daria trabalho. Os negros, famintos e esfarrapados, continuaram a esmolar de casa em casa, de fazenda em fazenda em busca de comida e amparo. Outros dirigiram aos centros das cidades e nas periferias criaram as chamadas favelas, existentes até os dias atuais.

Muitos estavam morrendo de fome ao longo das estradas, sem local onde abrigar. Ninguém os queria e ainda eram perseguidos, assinalou o escritor Coelho Neto, maranhense da cidade de Caxias. Com o passar do tempo, os ex-cativos voltaram às fazendas e entraram num acordo com os senhores fazendeiros, morando nas mesmas senzalas de antes, sob as mesmas condições, em troca de um minguado salário. Permaneceram escravos.

Espertos no campo da exploração, muitos proprietários abriram suas próprias vendas e lojas dentro de suas terras para fornecer alimentos, roupas e outras mercadorias aos libertos. Vendiam fiado e a crédito a preços extorsivos, de modo que o trabalhador ficasse endividado e impossibilitado de deixar a fazenda antes de quitar o débito.

Diz Laurentino que as antigas senzalas passaram a se chamar de dormitórios de empregados. Na ala feminina, as tarimbas de madeira ganharam o nome de quartos de empregadas. Os alojamentos dos libertos eram descritos como casa coberta de telhas. Os feitores e capatazes cruéis foram ser apontadores. No lugar do chicote, espingardas e revólveres. Nas cidades, a casa-grande se tornou mansão, e a senzala em favela.

Em Salvador, os comerciantes ficaram incomodados com as festas que os negros promoviam e pediam providencias para criação da Lei da Vadiagem. Queriam que os negros voltassem logo ao trabalho. Em 1890, Alberto Brandão, diretor do Tesouro do Estado da Bahia, preparou um relatório ao governo do Rio de Janeiro onde exigia que um artigo do Código Penal fosse aplicado para forçar os libertos a retornar às fazendas.

O baiano abolicionista César Zama, entretanto, defendia que os ex-escravos tinham o direito de exigir instrução e educação para que pudessem representar o papel de cidadãos úteis à pátria. “Quem se encarrega de quebra as cadeias da escravidão tem também o dever de quebrar as da ignorância”.

A EUGENIA E A QUEIMA DE REGISTROS

De acordo com Laurentino, o período da Abolição coincidiu com o nascimento de uma pretensa nova ciência, a eugenia, que estaria na raiz do extermínio dos judeus, ciganos e outras populações consideradas indesejáveis na Alemanha nazista.

No Brasil, dentre os expoentes dessa ciência, podemos apontar Henrique Roxo, médico do Hospital Nacional, que afirmou em 1904, no II Congresso Médico Latino-Americano, que os negros e pardos eram tipos que não evoluíram e ficaram retardatários na história humana.

Em 1911 tivemos João Batista de Lacerda, diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que defendia ideias semelhantes. Ele afirmava que dentro em breve a herança africana desapareceria do sangue brasileiro dando lugar a um Brasil branco e civilizado.

Em 1929 o antropólogo Roquette Pinto chegou a prever em que ano exatamente o Brasil deixaria de ser negro. Em 2012, segundo ele, a população seria composta por 80% de brancos e 20% de mestiços. Não haveria negro e índio.

Quanto ao esquecimento, o próprio hino da República, em janeiro de 1890, proclamava em sua letra: “Nós nem cremos que escravos outrora/Tenha havido em tão nobre país!”

Como assinalou Laurentino no final do terceiro livro, caberia ao baiano Rui Barbosa, como ministro da Fazenda, ordenar em dezembro de 1890, a queima de todos registros sobre a escravidão existentes em arquivos nacionais.

Sobre essa medida há quem diga que foi visando apagar a escravidão no Brasil. Para outros teve o sentido de evitar que os senhores da terra entrassem na justiça para reivindicar as pretendidas indenizações por conta da Abolição.

O próprio, que deixou o cargo em 1891, justificou que a iniciativa foi um ato humanitário em benefício dos ex-escravos. Era necessário apagar e esquecer o “passado negro” do Brasil.

Conta o autor da trilogia “Escravidão” que em 13 de maio de 1893 várias autoridades e cidadãos de todas as classes sociais reuniram-se no Campo da Pólvora, em Salvador, e receberam dois carroções com papéis que foram destruídos numa fogueira por várias horas.

Apesar de tudo isso, muitos documentos sobreviveram à ordem de Rui Barbosa, os quais servem para comprovar que o escravismo brasileiro foi tão brutal e cruel quanto em qualquer outra parte do mundo.

POR UMA POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL CONQUISTENSE

Fellipe Decrescenzo A. Amaral 

Ao descrever os aspectos físicos e sociais da ocupação inicial do Arraial da Conquista e da sua evolução urbana, Mozart Tanajura, em seu livro “História de Conquista: crônica de uma cidade”, detalha aspectos muito comuns aos de outras vilas e cidades do período colonial: casas térreas em sua maioria, com paredes feita em taipa ou adobe; presença da Igreja Matriz na principal praça da cidade; desenvolvimento do tecido urbano por meio de um arruamento irregular; bem como a presença apenas esporádica dos fazendeiros na vila.

Adicione-se a isso a modernização de tais residências ao longo do século 19, que recebiam platibandas e ornamentos diversos; a crescente presença de edificações comerciais na paisagem urbana, com sua sequência de portas que denotam o crescimento da própria atividade comercial; e a forma como todas essas edificações eram implantadas, alinhadas às laterais e à testada dos lotes, promovendo-se o contínuo alinhamento das edificações, ainda hoje notado nos centros históricos brasileiros que sobreviveram à sanha demolidora de alguns.

Fotos de Zé Silva

O crescimento exponencial de Vitória da Conquista a partir de meados do século 20, contudo, encontrou uma cidade despreparada para lidar com os problemas daí decorrentes, promovendo-se uma intensa transformação urbana. Esse crescimento se deu, em grande medida, pela consolidação da cafeicultura enquanto uma atividade econômica de peso no município.

Na década de 1970, as políticas do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e os recursos do Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à Agro-Indústria do Norte e do Nordeste (Proterra) contribuíram sobremaneira para a expansão das lavouras de café no interior da Bahia, não somente na região do Planalto da Conquista, mas também na Chapada Diamantina.

No caso dessa última região, entretanto, se suas principais cidades também não estavam necessariamente preparadas para as consequências de um intenso crescimento, pelo menos contaram com importantes ações de preservação do seu patrimônio, possibilitando que chegassem até nós vestígios importantes da sociedade baiana do século XIX, em específico daquela que se desenvolveu em torno da mineração de ouro e diamante.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) instaurou o processo para tombamento de Lençóis em 1971, concluindo-o em 1973, enquanto o de Rio de Contas, iniciado em 1973, foi concluído em 1980. O caso de Mucugê é ainda mais significativo porque a solicitação para que o conjunto fosse tombado surgiu justamente em decorrência da ameaça de demolição de dois imóveis por parte do Banco do Brasil, que chegava à cidade vislumbrando o potencial econômico da cafeicultura e dos demais empreendimentos agroindustriais que se instalavam ali. As discussões para sua patrimonialização tiveram início em 1977, efetivando-se o tombamento também em 1980.

O patrimônio conquistense não teve o mesmo destino. Ao longo das últimas décadas do século XX, assistimos à destruição de muitos dos nossos bens arquitetônicos mais antigos em prol de modernizações que pouco ou quase nada agregaram à paisagem urbana e à cidade como um todo. Isso não quer dizer, contudo, que o discurso da preservação estivesse completamente ausente do debate público.

A Casa da Cultura, fundada na década de 1970, nos parece ter se constituído no principal difusor do debate cultural naqueles anos e, desde maio de 1993, Vitória da Conquista passou a contar com uma legislação específica para tratar da preservação do patrimônio municipal: a Lei nº 707/93, sancionada pelo então prefeito José Fernandes Pedral Sampaio. Diz o seu Art. 1º:

“O Município de Vitória da Conquista procederá, na forma desta Lei, ao tombamento total ou parcial de bens móveis e imóveis, de propriedade pública ou particular, existentes no seu território, cujo valor cultural, histórico, artístico, arquitetônico, documental, bibliográfico, urbanístico, ecológico ou hídrico merecem proteção do Poder Público”.

Define, na sequência, que constituem o patrimônio histórico, artístico, paisagístico e cultural do município “as construções e obras de arte de valor ou qualidade estética, principalmente representativas de determinada época ou estilo; as edificações, monumentos e documentos quando vinculados a fato representativo da história local ou ligado a pessoa de excepcional notoriedade; os monumentos naturais, sítios e paisagens”.

Em 1996, os primeiros bens culturais foram então tombados: a casa do ex-governador Régis Pacheco, que hoje abriga o Memorial Régis Pacheco, a Serra do Periperi e a Lagoa das Bateias. Já em 2000, na gestão do ex-prefeito Guilherme Menezes, foi tombada a sede da Rádio Clube. Não buscamos aqui discutir a atualidade do texto e da sua concepção de patrimônio, mas sim o fato de que há quase trinta anos possuímos um dispositivo para tratar do patrimônio local.

Ao longo dessas quase três décadas não chegou a se constituir, entretanto, uma verdadeira política de preservação do patrimônio cultural da cidade, enquanto as transformações urbanas caminharam em ritmo cada vez mais acelerado. Embora os tombamentos tenham sido realizados por decreto do Poder Executivo, pressupõe-se a existência de um departamento vinculado à Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Sectel) para executar uma politica de preservação.

Isso consistiria, dentre outras coisas, na elaboração de pesquisas de identificação para seleção dos bens culturais; no desenvolvimento de estudos para atribuição de valor a esses bens, bem como em sua gestão; além da realização de uma série de iniciativas para promoção e valorização do patrimônio. Um departamento composto por uma equipe multidisciplinar (com a presença de arquitetos e urbanistas), cujo papel seria também o de dar suporte técnico ao Conselho Municipal de Cultura – instância deliberativa acerca dos processos de patrimonialização.

Em 2016, o Ministério Público, por meio da Recomendação 03/2016, pediu providências à Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC) quanto à preservação do patrimônio cultural, destacando a inexistência de informações atualizadas sobre a questão e destacando o valor de diversos bens arquitetônicos que até hoje se encontram legalmente desprotegidos. Embora o município tenha regulamentado a Lei nº 707/93 por meio do Decreto nº 18.918/2018 e criado, em 2019, o Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Município, no âmbito da Sectel, não se tem noticia sobre a efetiva atuação desse departamento.

Enquanto isso, acumulam-se as notícias de depredações e demolições de imóveis de interesse histórico e cultural, tornando extremamente atual uma mensagem que o ex-presidente da Casa da Cultura, Carlos Jehovah, escreveu, em outubro de 1993, em um ofício encaminhado ao então prefeito solicitando o tombamento da casa do ex-governador Régis Pacheco: “Mais um atentado à memória de Vitória da Conquista deverá acontecer, ao ritmo dos martelos e alavancas dos demolidores da história, em nome de um nefasto progresso”.

Somente neste último mês de outubro foi noticiada em veículos de comunicação locais a demolição de dois imóveis, localizados na Rua 2 de Julho e na Praça Tancredo Neves. Mas, para além da comoção que tais notícias possam despertar na comunidade conquistense, é preciso destacar que o apagamento silencioso de outros bens e manifestações culturais, não necessariamente de interesse arquitetônico, também fazem parte do cotidiano da cidade.

Não há, por exemplo, ações significativas para a salvaguarda da memória e da cultura indígena, sobrevivente em seus descendentes, que são bens culturais de natureza imaterial de suma importância para a formação cultural conquistense e que necessitam de medidas de apoio para sua documentação, valorização e transmissão. Cito, a título de exemplo, o trabalho com barro desenvolvido pelos indígenas paneleiros-mongoiós. Aí se inserem também os bens da cultura afro-brasileira.

No balanço da gestão que esteve à frente do Conselho Municipal de Cultura entre 2019-2021, publicado no Avoador, menciona-se a realização do primeiro dossiê para tombamento de um terreiro de candomblé, o que corresponde a um avanço duplo: a realização de um estudo prévio ao invés do tombamento de ofício e a seleção de um bem ligado às religiões de matriz africana. Contudo, nem são claras as informações a respeito da consumação do tombamento, nem existe, enquanto o Núcleo de Preservação não receber atenção e recursos do Poder Público municipal, a estrutura necessária para fazer a gestão de um bem cultural dessa natureza, que demanda ações específicas e um olhar cuidadoso a respeito dos valores culturais que devem ser salvaguardados.

Por fim, é imperativo frisar que as ações de preservação ao alcance do município não dependem dos órgãos de preservação estadual ou federal, podendo o Poder Público municipal ser protagonista na preservação do seu patrimônio cultural material e imaterial. Para isso, urge a necessidade de transparência quanto às ações empreendidas e à própria efetivação do Núcleo de Preservação enquanto instância executora de uma verdadeira política de preservação, que encare o ato do tombamento não como o fim em si, mas como uma dentre tantas outras medidas de proteção e valorização dos nossos bens culturais. Quem sabe assim não tenhamos mais que lamentar e sofrer com o constante apagamento de elementos da nossa memória coletiva.

Fellipe Decrescenzo é arquiteto e urbanista. Possui mestrado em Conservação e Restauro pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (PPG-AU/UFBA). Faz parte dos grupos de pesquisa “Arquitetura Popular: espaços e saberes”, e do “Projeto, Cidade e Memória”. Além disso, atua como docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Independente do Nordeste (FAINOR).

Artigo publicado no site Conquista Repórter

fellipe decrescenzo a. amaral

Arquiteto e Urbanista – estúdio DNZO

Professor Me. – FAINOR

Pesquisador – GP Arquitetura Popular: espaços e saberes | Projeto, Cidade e Memória (PPGAU/UFBA)

 

 





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