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NOVA CEASA AO NÍVEL DE CONQUISTA

Estive neste sábado pela manhã (dia 06/08) visitando o novo Centro de Abastecimento de Vitória da Conquista com meu amigo jornalista Carlos Gonzalez e gostei do que vi em termos de estrutura e organização, se bem que ainda não esteja em pleno funcionamento (ainda falta muita coisa).

Agora sim, Conquista vai contar com uma Ceasa ao nível da cidade, porque a antiga na Avenida Juracy Magalhães, com aquela sujeira e desorganização, era uma vergonha, não somente para moradores e visitantes. A nova empresa, na saída para Anagé e Brumado e outras cidades do nosso sertão, na boca da caatinga, é fruto de um consórcio de empresários de Jaguaquara.

Por falar nisso, o crescimento de Conquista deve-se muito à iniciativa privada em vários setores, como na educação e na saúde. Há 32 anos venho acompanhando esse processo, principalmente com minha narrativa jornalística. Até o final dos anos 90, Conquista só tinha a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb sofrendo uma carência enorme no ensino de nível superior.

Para contornar o problema, foi um grupo de empresários que tomou a frente para criar faculdades, com a oferta de vários cursos, “forçando” o poder público a também entrar nessa luta para trazer a Universidade Federal e o Ifba. Da mesma forma ocorreu na área da saúde, com a vinda de muitas clínicas e hospitais, de baixa, média e alta complexidade.

Quanto a nova Ceasa, não deixa nada a dever com relação a outras existentes em cidades do seu mesmo porte na Bahia, inclusive Salvador, de certa forma até melhor e maior. O empreendimento, com praça de alimentação, lojas comerciais, prédio de administração, galpões de varejo e atacado e um vasto espaço para estacionamento, vai beneficiar milhares de comerciantes da região, abrangendo cerca de 70 a 80 municípios.

Como ainda não está em plena atividade, entendo que seja construída uma rotatória em sua entrada, para evitar acidentes, visto que o movimento de carros é intenso na proximidade da cidade. É uma obra que vai gerar milhares de empregos diretos e indiretos, sem contar os benefícios para os consumidores em geral, que terão outras opções de compra.

A INGLATERRA E A ESCRAVIDÃO (Final)

A INGLATERRA DECRETOU A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM 1834, MAS, AO INVÉS DOS CATIVOS, INDENIZOU OS SENHORES COM O TESOURO DOS PRÓPRIOS CONTRIBUINTES, E AINDA RETARDOU A LIBERDADE DOS NEGROS AFRICANOS POR SEIS ANOS.

Até o final do século XVIII, as vozes contra a escravidão africana eram esparsas e desconectadas, mas sempre existiram manifestações desde o século XVI, incluindo textos de missionários capuchinhos, relatos de viajantes e outros documentos que criticavam a maneira como os negros eram escravizados e tratados.

Essa descrição do quadro é do jornalista e escritor Laurentino Gomes na segunda trilogia de “Escravidão”, acrescentando que, em sua gênese, o abolicionismo teve um importante componente religioso. “A grande revolução começou de forma religiosa, no adro das igrejas da Inglaterra e dos Estados Unidos”. Entre seus líderes estavam os quakers, uma vertente do protestantismo, criada em 1652 pelo inglês George Fox.

Os quarkers eram um grupo pequeno. Por volta de 1750 havia cerca de 90 mil nos Estados Unidos e no Reino Unido. Eram ricos, letrados, banqueiros, comerciantes, armadores e financiadores do negócio negreiro, influentes em suas comunidades. Foram convocados a desistirem do tráfico de cativos.

A esse grupo coube a criação da primeira sociedade de abolicionistas, sediada na Filadélfia e Nova York (EUA) e Londres e Manchester (Inglaterra). Nove dos doze da “Sociedade para Abolição do Tráfico de Escravos”, estabelecida em 1787, na capital britânica, eram quarkers.

Essa instituição serviu de modelo para outras organizações. Elas traziam uma mudança significativa. Refletiam a ideia de que a sociedade humana poderia ser algo maior do que apenas lucro, ganância e poder, conforme observou o historiador David Brion Davis.

O movimento reunia pessoas de diferentes origens e perfis sociais, de acordo com Laurentino. Quase todos tinham alguma filiação religiosa, como Anthony Benezet, francês de pais protestantes, professor de uma das raras escolas para negros existente nos EUA, na primeira metade do século XVIII, e líder dos quarkers na Filadélfia.

Outro foi Benjamim Franklin, inventor do para-raios e um dos pais da Independência dos Estados Unidos. Tinha sido senhor de escravos até resolver libertá-los e aderir ao movimento abolicionista. Também John Wesley, teólogo anglicano, precursor do movimento espiritual que daria origem à Igreja Metodista, em 1739.

O reverendo John Newton foi capitão de navio negreiro antes de se converter, tornar-se abolicionista e compor um dos hinos religiosos de todos os tempos – Amazing Grace (Maravilhosa Graça), incorporada à cultura pop na voz de Elvis Presley.

Na Inglaterra destacaram-se Granville Sharp (o mais veterano), Thomas Clarkson e William Wilberforce. Granville defendia a causa dos negros escravizados desde 1765. Foi autor de um plano para criação de uma colônia para ex-cativos na costa da África que daria origem ao atual país de Serra Leoa.

Clarkson foi o mais infatigável de todos abolicionistas. Durante sua campanha, teria viajado 50 mil quilômetros pela Grã-Bretanha fazendo pesquisas a respeito do negócio negreiro e divulgando suas ideias.

Segundo Laurentino, o abolicionismo foi também a primeira campanha popular a usar técnicas modernas de propaganda de massa com fins políticos. Seus líderes tinham a consciência de que não bastava a defesa de princípios morais e valores cristãos para convencer a opinião pública quanto o abolicionismo.

Reuniões, palestras e comícios nas ruas e praças ajudaram na promoção dos milhares de abaixo-assinados que chegaram ao Parlamento. A participação feminina foi intensa e importante, como o boicote do açúcar produzido nas colônias escravistas do Caribe. O abolicionismo, além de uma filosofia, tinha um cunho ativista.

Um caso particular de crueldade do tráfico se tornou comoção nacional. Foi a tragédia ocorrida a bordo de um navio negreiro entre a África e o Caribe, no dia seis de setembro de 1781, com o navio Zong, de Liverpol. Essa nau saiu da África para Jamaica com excesso de carga.

No meio do Atlântico, em novembro, 60 negros já haviam morrido. Temendo perder toda carga, o capitão Luke decidiu jogar ao mar todos escravos doentes ou desnutridos. Em três dias, 133 negros foram atirados vivos da amurada, e só um conseguiu escapar.

Era um horror a viagem nos porões, como narra  Laurentino. Lá  dentro, a cada homem adulto cabia um retângulo de 1,82 metro de comprimento por 40 centímetros de largura. Cada menina espremia-se numa faixa de 1,22 metro por 35,6 centímetros. A altura entre as diferentes plataformas era de 1,70 metro.

Nos Estados Unidos, um grupo liderado por Benezet conseguiu fazer aprovar, na Pensilvânia, em 1780, uma primeira lei de emancipação gradual. Medidas idênticas foram aprovadas depois em Massachusettes, Vermont, Connecticut, Nova York, Nova Jersey e Alto Canadá.

Na Inglaterra, em 1805, o governo concordou em banir a importação de cativos para os territórios da Guiana e ilha de Trinidad. No ano seguinte proibiu os súditos de se envolverem no comércio de escravos com domínios e colônias estrangeiras.

Em março de 1807, o tráfico foi totalmente proibido a partir de primeiro de janeiro do ano seguinte, mesma data em que os EUA proibiram a importação de novos cativos em seus domínios. No entanto, a abolição total só viria mesmo em 1865, após a Guerra da Secessão.

Portugal, Espanha e o Brasil foram as últimas potências escravistas do hemisfério ocidental a extinguir o tráfico. Entre 1820 a 1880, cerca de 2,3 milhões de africanos escravizados embarcariam em navios negreiros rumo a América, a maior parte com destino a Cuba e Brasil.

Em 1834, o movimento conseguiu a tão sonhada vitória que foi a abolição, não apenas do tráfico, mas da própria escravidão em todos os territórios britânicos, só quer a um grande custo para o Tesouro. O parlamento abolia a escravidão comprando de seus donos, 800 mil cativos.

O dinheiro foi usado não para indenizar os escravos pela exploração do trabalho cativo, mas para compensar os senhores pela perda do que consideravam um investimento e um valioso patrimônio. Lord Harewood, um dos mais ricos da época recebeu 26 mil libras esterlinas pela alforria de 1.277 negros. Além disso, a liberdade foi somente para crianças com até seis anos de idade. Os demais tiveram que ficar mais seis anos com seus antigos donos na condição de “aprendizes”, sob a orientação de seus senhores.

O ATRASO E O MORALISMO NUM PAÍS CRISTÃO DE HERANÇAS CONSERVADORAS

Na verdade, alimentamos diariamente nossos espíritos de mentiras, até nas juras de amor no altar, como bem disse o nosso cancioneiro do rock Raul Seixas, e nas histórias dos vencedores contra os vencidos, dos brancos com relação aos índios, enganados com presentes fajutos. Mentimos nas trapaças e ainda queremos impor nossa moral. Tentamos enrolar o meio ambiente, mas este nos dá o troco. Pouco evoluímos, se mentimos para nós mesmos.

Todo atraso e moralismo de uma sociedade cristã-judaica foi exportado de Portugal para o Brasil quando aqui aportou Cabral com suas naus. A primeira chaga se deu com a escravidão a partir do século XVI, um sistema que durou cerca de 350 anos, o último a ser “abolido” no hemisfério ocidental, mas que ainda persiste de forma estrutural e institucional por uma elite egoísta que se acha raça superior e recusa mudar seus conceitos medievais de propriedade.

O atraso e o moralismo andam de mãos dadas e criaram um quadro desumano e cruel. Na escravidão, a Igreja Católica foi conivente e ainda exerceu fortemente o papel de escravista, até fazendo parte do tráfico negreiro. Hoje pede perdão pelos males, mas continua em seu pedestal confortável conservadorista, fora algumas ações pontuais. Na cisão luterana do século XVI, as ideias de renovação transformaram os evangélicos de hoje num bando de fanáticos extremistas, com algumas exceções de pastores com outra visão mais moderna.

Outra marca registrada foi o patriarcalismo coronelista corrupto e trambiqueiro, que até nos tempos atuais perdura, por mais que se tenha combatido e contestado. Ainda não inventaram uma substância química para limpar essas nódoas. Essas pragas sempre receberam a cobertura do moralismo e da impunidade, protegidos por um paradoxo de montanhas de leis criadas para serem burladas pelos poderosos.

Nesses 522 anos continuam vivos o atraso e o moralismo, este mais que safado e promíscuo de duas faces. Uma com aparência de bom cristão que disfarça seu racismo e homofobia quando o indivíduo diz numa entrevista que não carrega consigo o preconceito. A outra face está oculta quando se fala uma coisa para ficar bem na imagem da entrevista e se faz outra totalmente diferente entre quatro paredes. É o cruzamento entre dois animais de espécies diferentes que só gera aberrações.

Nos últimos anos temos visto estes atrasos e moralismos se expandirem cada vez mais. São inúmeros os casos que podemos aqui citar sem pejo de dizer que vivemos num país que nos envergonha. Um deles é a pobreza extrema de famílias com numerosos filhos, justamente dentro de um cenário de fome, como do menino de cinco irmãos com um celular que pede socorro à polícia por comida. Fica a interrogação sobre qual a prioridade, o aparelho ou o alimento, sem contar que existem milhões na mesma situação? Na mentalidade cristã, não deve haver controle de natalidade através dos métodos científicos.

Outro moralismo irracional é a criminalização das drogas ditas “ilícitas” cunhadas pelo sistema, mas a liberação de outras até piores com direito a propagandas e incentivos do capitalismo. É um atraso e absurdo como tratam a maconha até hoje, vista como coisa do demônio. Para se obter o óleo da canabis com fins de tratamento de crianças autistas e pessoas que sofrem de epilepsia, convulsões e outros transtornos parecidos, é preciso ter a liberação da Anvisa e autorização da justiça superior. Não é um atraso moralista?

Há cinquenta anos ou mais já se gastaram bilhões de reais com tanques, fuzis, metralhadoras e soldados nas ruas e favelas para combater o tráfico de drogas, com resultados cada vez mais nefastos, como os massacres e as matanças, sem considerar o crescente aumento desse comércio entre os bandidos. A ponta dos negociantes é relegada a segundo ou terceiro plano. Esse esquema estúpido não solucionou o problema, muito pelo contrário.

Para o Estado e o “cristão” moralistas fariseus, a descriminalização das drogas é um palavrão e coisa de comunista marginal. É para quem está com o satanás no corpo, ou é ateu. Do outro lado, consentem, permitem e fazem vistas grossas para as bebidas alcoólicas e outros vícios consumidos largamente, inclusive entre jovens menores nas baladas das noites etílicas de “músicas” levianas com sentidos de até violência.

A publicidade é proibida para o cigarro, mas não para a cachaça, o uísque e a cerveja. Prostituta é quem vive no prostíbulo, tratada com desprezo e discriminação. Mulher de programas é uma profissão sofisticada e até respeitada pelos moralistas de plantão. Servem de companhias para altas negociatas irregulares, para depois serem usadas nas comemorações.

No fim, somos todos escravos do moralismo que há séculos se enraizou em nossos conceitos de falsos espíritos cristãos, os quais vão para as igrejas, rezam, mas quando saem dali, se for preciso, passam a rasteiro no irmão do lado, por dinheiro ou interesse individual.

Fazemos de conta que vivemos numa plena democracia, mas todos os dias estamos violando os direitos humanos, negando a educação, explorando os trabalhadores, convivendo com a fome e os bárbaros crimes como coisas naturais. Trocamos o certo pelo errado e o normal pelo anormal. Um dos piores moralismos é o silêncio dos bons que proporciona o crescimento do mal.

BELA, PORÉM ABANDONADA

Em minhas andanças como repórter jornalístico, até hoje me emociona e sempre paro para tirar uma foto quando vejo uma capelinha, pois, como já disse várias vezes, sou mais as capelas do que as catedrais, porque nelas (as capelas) está a simplicidade e a sinceridade da fé dos pobres sertanejos. Nas catedrais, os nobres exibem suas aparências e falsidades, como narram as histórias. Não há religiosidade tão fervorosa como nas capelinhas. Na semana passada, quando fui a Belo Campo participar da Feira Literária, antes de adentrar ao evento, me deparei com esta bela capelinha, porém abandonada, quando deveria estar bem conservada e limpa. Confesso que fiquei triste de ver seu estado. Imaginei quanto fieis e orações ela acolheu no silêncio dos pensamentos! Ela está situada na bela Praça da Prefeitura, que já deveria ter acionado seus prepostos e combinar com a Igreja para reformar esse belo monumento, de forma a combinar com o nome da cidade.

NA CONTRAMÃO

Do livro Pofesto – Ação Direta, de Danilo Jamal

Na contramão a arte,

Que tenta fugir dessa estrutura de tanta

Amargura.

Quem for artista que se cuide!

Repressão retada, truta!

Se vacilar eles vão querer de dar um pega

E não uma trufa.

Sempre eles, os donos da verdade

Absoluta.

Do outro lado, nós na luta,

Ferozes na labuta,

Por não aceitarmos esses filhos da puta,

Cheios de falhas na conduta,

Que não respeitam artistas de rua,

Que suam, todos os dias, para sobreviver,

Vencer e entender…

Por que nos prender?

Ah, tá! Eles pensam em deixar as ruas

Limpas, mas, pra quê?

Tem lógica esse pensamento?

Realmente, sinceramente…

O que falar dessas vendas nos olhos?

Incentivo só para os playboys nos postos.

Acidentes, sociedade no puro ódio,

Tempos retrógrados…

Quem é artista que fique ligado,

Negócio vai ficar pegado,

Alívio mesmo, só quando for carburar

Distante dos folgados.

Observem o que o cabresto faz?

Nos tira todas as possibilidades reais.

 

CÂMARA REABRE TRABALHOS PROMETENDO NOVO PLANO DIRETOR

Com a presença da prefeita Sheila Lemos, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista, composta de 21 membros, reabriu ontem, dia 03/08, os trabalhos do segundo semestre de 2022, depois do recesso parlamentar, prometendo aprovar um novo Plano Diretor para a cidade, o qual vem sendo discutido desde o início do ano.

O presidente da Casa, Luis Carlos Dudé, abriu as atividades da sessão ordinária dando a palavra à prefeita que da tribuna defendeu a harmonia entre os poderes legislativo e executivo em prol dos projetos para Conquista. Na ocasião, ela reconheceu que são grandes e legítimas as demandas da população, mas que existe um orçamento que não é suficiente para atender todas as reivindicações.

No momento, os setores mais carentes de Vitória da Conquista, com uma população de mais de 400 mil habitantes, são os da saúde e da infraestrutura, especialmente a partir de comunidades de bairros que solicitam o asfaltamento de ruas esburacadas e até sem o serviço de drenagem.

Com relação à saúde, as críticas partem dos usuários dos postos onde ainda persiste a falta de profissionais, como médicos, técnicos e enfermeiros. A marcação de exames é outro problema sério, pois existem pacientes com mais de seis meses e até um ano na espera da fila para ser atendido em sua solicitação.

Na área da educação, a prefeita vem também enfrentando manifestações dos servidores e professores que requerem reajustes salariais e promoções de cargos nas carreiras em que atuam. Conquista hoje é uma das cidades que mais cresceu no Norte e Nordeste nos últimos anos e, com esse desenvolvimento, também vieram juntas as necessidades em diversos segmentos da população.

Na abertura das atividades, o presidente da Câmara ressaltou a importância dos poderes trabalharem juntos no sentido de dar continuidade a esse desenvolvimento, bem como pontuar as prioridades. A aprovação de um novo Plano Diretor, tão cobrado pela sociedade, servirá de diretrizes básicas para a implementação das políticas públicas.

Além da prefeita e de dezessete vereadores, se fez também presente ao ato o secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai). Nesse campo, uma das discussões que vem sendo travada pelos artistas e intelectuais é quanto a criação do Plano Municipal de Cultura, bem como, que a Secretaria de Cultura seja desmembrada do Turismo, Esporte e Lazer, com um orçamento próprio.

QUERIA SÓ ENTENDER ESSA LOUCURA DE CONSIGNADO PARA QUEM TEM AUXÍLIO!

Existem coisas no Brasil que só acontecem mesmo no Brasil, e não em nenhum outro lugar do planeta. Essa do capitão-presidente, com anuência desse Congresso Nacional nojento aumentar o auxílio de 400 reais para 600 em período eleitoral, com mais o absurdo do executivo autorizar empréstimo consignado para quem recebe essa grana eleitoreira, é mais uma de estarrecer e deixar qualquer ser pensante com a cabeça baratinada.

Como se dizia no programa humorístico “Planeta dos Macacos”, só queria mesmo entender! Não é para entender, meu caro! Tudo que sai desse governo aloprado, que já transgrediu todas as leis, inclusive da gravidade e de que a terra não é redonda, se tornou normal. Não constitui mais nenhuma surpresa! Você aí pode me explicar alguma coisa, pois sou um burro de baixo QI que já passou fome na vida e dormiu na rua.

Os ditos agressivos, palavrões, expressões homofóbicas, racistas, misóginas, xingamentos a jornalistas, desprezo pelos índios e meio ambiente, ataques contra a democracia e completa falta de postura, se tornaram marca registrada de um governo. São ações negativas que vão ficar como inéditas na história brasileira. Quem se importa com tudo isso? São palavras levadas ao vento!

Às vezes dou uma escorregada e lá vou eu entrando em outras questões. É porque o recheio do bolo indigesto é muito grande, mas o assunto principal é o empréstimo consignado para quem está recebendo o auxílio. Como é que o propósito desse programa de 600 reais, que visa especificamente a compra de alimentos para matar a fome de mais de 30 milhões, pode ser desviado e retalhado para aquisição de outros produtos que não sejam de primeira necessidade? Qual a prioridade entre a comida e um celular?

É até hilário, para não dizer ridículo! O governo dá 600 reais e aí você pode tomar um empréstimo, baseado nesse auxílio, para, em prestações com juros a perder de vista, descontar todo mês cerca de 200 ou mais, a depender do montante contratado. No final das contas, o indivíduo só vai ter os 400 de antes, ou menos que isso, que já não são suficientes para adquirir todos alimentos. O restante retorna novamente para os bancos oficiais.

Existe alguma coerência nisso? Coisa de louco! Além do endividamento dessas pessoas a curto e a longo prazo, a fome vai aumentar mais ainda. A maioria dessa gente, vamos ser realistas e verdadeiros, é desprovida de formação educacional e é facilmente levada pela empolgação do consumismo, estimulado pelo comércio e a mídia, que distorce seu papel de informar. As “matérias” no âmbito lojista viraram propaganda publicitária para as pessoas consumirem mais, sobretudo em datas comemorativas. É um tal de já comprou seu presente?

Essa massa coitada é fácil de ser manipulada. Deslumbrada por itens do consumo supérfluo, vai tomar empréstimo consignado, gastar o dinheiro que vai fazer falta na hora de ir à feira ou a um supermercado. O auxílio não é para matar a fome dos milhões que estão aí nas filas das peles de frangos e ossos bovinos? Você é uma besta mesmo, inocente! A intenção é deixar terra arrasada.

O esquema é especialmente comprar o voto do miserável que já vive na sarjeta da vida. Povo gado! Povo ferrado no estouro da boiada! Governo não é para atuar dentro da lógica. É para confundir, polarizar, dividir e criar clima de ódio e intolerância. Governo é para comer o fígado dos ignorantes e triturar as massas numa máquina de moer pedra. Governo tem raiva e pavor dessa tal de consciência política. É para transformar o errado no certo, o anormal no normal.

Quando esse pessoal estiver endividado pela carestia dos produtos, quem vai pagar a conta social? Tudo é incerto. Tudo é confuso quando não existem planejamentos e políticas públicas para tirar essa miséria do buraco sem fim. Qual vai ser o futuro desse país quando terminarem as eleições? Ficar no mesmo? Voltar ao passado, ou seguir em frente com novas ideias para juntar os cacos e tentar limpar toda essa sujeira jogada debaixo do tapete?

OFENSAS AOS “MULATINHOS ROSADOS”

Carlos Albán González – jornalista

Numa das suas últimas falas impregnadas de ódio, dirigida aos seus fanáticos seguidores, no cercadinho do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro garantiu que sua vitória nas urnas em outubro “é tão certa como o Flamengo ganhar do Bangu”. Sua declaração foi contestada pela maioria dos 250 mil habitantes de Bangu, um dos bairros mais pobres e populosos do Rio de Janeiro, que abraçam o clube alvirrubro como um valioso patrimônio.

Os moradores do bairro proletário mandaram dizer ao ex-capitão que o mais provável é uma vitória do Bangu, o que vem ocorrendo em jogos decisivos ao longo de mais de 100 anos. Entre 1904 e 2022, o clube da Zona Oeste obteve 344 vitórias contra o Flamengo.

Uma delas, lembram os mais velhos, ocorreu na final do Campeonato Carioca de 1966, vencida pelo Bangu por 3 a 0, placar que poderia ser ampliado, caso o atacante do Flamengo, o possesso Almir Pernambuquinho (assassinado aos 35 anos numa briga de bar, no Rio) não iniciasse uma briga, no começo do segundo tempo, movendo o árbitro a expulsar cinco jogadores do rubro-negro, e encerrando a partida.

Os números não mentem, rebatem os banguenses, aconselhando ao psicopata do Planalto a fazer comparações com o Íbis, de Pernambuco, ou o Atlético Mogi, de São Paulo, que carregam o título de “piores times do mundo”, com uma média de 55 jogos sem vencer.

O negacionista do Planalto, provavelmente. não conhece a história de um dos mais tradicionais e antigos clubes brasileiros. Fundado oficialmente em 17 de abril de 1904, com o nome de Bangu Athletic Club, adotou o vermelho e o branco, as cores de São Jorge, padroeiro do Reino Unido. Seus fundadores foram industriais britânicos, que, junto com o maquinário da Fábrica de Tecidos Bangu, trouxeram bolas de futebol.

Com 103 participações em campeonatos cariocas – o primeiro título foi conquistado em 1933 -, o Bangu, desde a formação do seu primeiro time, provocou a revolta de uma numerosa parcela preconceituosa da sociedade da antiga capital da República, o bolsonarismo de hoje, ao reunir negros e operários.

Pressionado pelo racismo, enraizado nas “viúvas” do escravagismo, doutrina que até hoje tem seus seguidores, os “Mulatinhos Rosados” (singelo apelido dado pelos seus torcedores) se afastaram em 2007 das competições futebolísticas, retornando dez anos depois para sua casa, construída nesse período e recebendo a denominação de Estádio Proletário Guilherme da Silveira, mais conhecido como Moça Bonita, com capacidade para 15 mil pessoas.

O reconhecimento ao primeiro passo para popularizar o futebol no Brasil só ocorreu em 21 de abril de 2001, por iniciativa da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, aprovando, por unanimidade, através da Resolução 788/2001, a concessão ao clube alvirrubro da Medalha Tiradentes, a mais alta condecoração do governo fluminense. Justificou-se a homenagem, “pelo destemor e pioneirismo na luta para superar preconceitos discriminatórios contra atletas, e pelos relevantes serviços prestados pela agremiação à causa pública”.

O Bangu derrubou outra barreira discriminatória, o machismo no futebol, elegendo em 2003 para o cargo de presidente a associada e conselheira Rita de Cássia Trindade.

A melhor fase do Bangu deu-se entre os anos 60 e 80, Apadrinhado pelo “banqueiro” do jogo do bicho Castor de Andrade, o clube fez excursões pela Europa, Estados Unidos e América do Sul, ganhando 13 dos 44 troféus de sua galeria; participou de uma edição da Taça Libertadores da América; venceu o Campeonato Carioca de 66; seus jogadores foram convocados 96 vezes para a Seleção Brasileira. Nas matas brasileiras inexiste o castor, mas o simpático roedor está desenhado como mascote no uniforme do Bangu.

Alguns dos nomes mais consagrados do futebol brasileiro vestiram a camisa alvirrubra, começando por Zizinho (melhor jogador da Copa de 50), Zózimo, Paulo Borges, Gilmar, Domingos e Ademir da Guia, Arturzinho, Mauro Galvão, Aladim e Moacir Bueno. Entre os treinadores deixaram seus conhecimentos em Moça Bonita: Aimoré Moreira, Yustrich, Flávio Costa, Evaristo de Macedo, Didi, Martim Francisco, Carpeggiani e Zagallo.

 

 

 

BELO CAMPO REALIZA SUA PRIMEIRA FEIRA LITERÁRIA COM MUITAS ATRAÇÕES

Com uma homenagem à escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, conhecida internacional com 14 obras traduzidas no exterior, e estandes dos baianos Jorge Amado e poeta Castro Alves, do paraibano-pernambucano Ariano Suassuna, Ziraldo e a Turma da Mônica, de Maurício de Souza, a cidade de Belo Campo, através da sua Secretaria de Educação, deu seu primeiro passo e realizou, na Praça da Prefeitura, de 27 a 31 de julho, a I Feira Literária e Gastronômica (I FLIBELÔ).

Carolina ganhou um espaço especial no centro da praça, em formato de um casebre, muito procurado, com textos sobre sua biografia, materiais que representaram seus trabalhos como favelada, catadora de lixo e fatos da sua vida simples e pobre. Foi uma significativa e acertada homenagem para uma negra escritora que ganhou o mundo pela sua autenticidade, notoriedade e forma como narrou nua e crua a questão social do nosso país.

LITERATURA INFANTIL

O evento deu um destaque especial para a literatura infantil, mas também foi marcada pela diversidade de outros autores destinados aos mais jovens e adultos, como amostra da livraria Sebo (Conquista), lançamento de livros de acadêmicos da Academia Conquistense de Letras, dos jornalistas e escritores Ismael e Jeremias Macário que apresentou suas obras “Uma Conquista Cassada”, “A Imprensa e o Coronelismo” e “Andanças”, dentre outros da própria terra, como Roberto Letiere sobre a história do município.

Durante todos os dias, a movimentação foi intensa dos moradores e de outras cidades vizinhas que tiveram a oportunidade de entrar em contato mais próximo com a cultura e o conhecimento, principalmente através das apresentações de shows musicais e peças teatrais das escolas municipal e estadual de autores infantis. Ocorreram rodas de contações de causos, estórias, declamações de poemas e diversas atividades literárias.

Além dos estandes literários com obras dos escritores, a I Feira Literária também abriu espaço para o artesanato da Associação de Artesãos de Belo Campo e individuais de outras cidades, inclusive de Vitória da Conquista, com Vandilza Gonçalves que expos seus trabalhos de tapetes e cachecóis de croché.

Os estandes de Jorge Amado, Ziraldo, Turma da Mônica, Ariano e Castro Alves foram os mais frequentados, especialmente pelas crianças e jovens, sempre curiosos para aprender mais sobre a vida e a obra dos escritores. O Colégio Estadual Carlos Santana fez uma pequena mostra de peças antigas utilizadas pelos traficantes de escravos e senhores donos dos cativos, como as correntes de ferro, chibatas e pequenas naus negreiras, com especial atenção para Castro Alves, o poeta dos escravos.

Nesse âmbito da escravatura, houve uma lacuna quanto a presença de Luiz Gama, Lima Barreto, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e outros que estiveram à frente na defesa da libertação dos negros e precursores do abolicionismo. Machado de Assis, também um escritor negro, merecia seu espaço. Ariano Suassuna chamou a atenção por seus escritos dramaturgos, como o Auto da Compadecida, O cantinho dos cordéis também teve seu lugar de apreciação.

Os coordenadores, como Janet e Misael Lacerda, sempre foram prestativos no apoio aos visitantes, sobretudo os de foram que lá estiveram para agregar e fortalecer o evento cultural literário, que vem sendo ultimamente realizado em várias cidades do interior, menos Vitória da Conquista que ainda está planejando uma programação dessa natureza, conforme já foi anunciada pela prefeita Sheila Lemos.

Como foi a I FLIGBELÔ, ainda houve algumas falhas em termos de estrutura física, que deverá ser aprimorada nas seguintes, mas o primeiro passo já foi muito importante para a cidade próxima de Conquista. Faltou, por exemplo, mais presença de escritores da região, e uma rodada de conversa com esse pessoal para mostrar seus talentos, iniciação à escrita, dificuldade de publicação e distribuição, dentre outras experiências vividas para lançar seus livros. É uma sugestão que fica para ser apreciada e colocada em prática na II FLIBELÔ.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A INGLATERRA E A ESCRAVIDÃO (I)

No começo do século XVIII, o tráfico negreiro ainda era uma instituição sólida e lucrativa na Inglaterra, tanto que em 1713 fizeram uma procissão solene e uma festa para celebrar a boa fase nos negócios de uma nova companhia, a “South Sea Company” dedicada ao ramo de cargas de cativos.

Quem registra o fato é o jornalista e escritor Laurentino Gomes, na segunda trilogia de “Escravidão”. Em 1713, essa empresa se tornara detentora do monopólio de fornecimento de mão de obra cativa pelos trinta anos seguintes para o império colonial espanhol nas Américas.

De acordo com Laurentino, tinha como sócios principais o rei Felipe V, da Espanha e a rainha Ana, da Inglaterra. Entre os minoritários, o matemático Isaac Newton e dois escritórios, Daniel Defoe e Jonathan Swift, autores de clássicos da literatura Robinson Crusoé e As viagens de Gulliver. Em sua curta existência de pouco mais de uma década, forneceu 64 mil africanos aos espanhóis.

CAPITAL MUNDIAL DO TRÁFICO

A cidade portuária de Liverpool era considerada a capital mundial do tráfico negreiro. Passara de um pacato vilarejo de pescadores para a segunda cidade mais populosa da Inglaterra. O número de moradores passou de cinco mil, em 1700, para 34 mil, em 1773. Liverpool também se tornou o principal porto de mercadorias da Revolução Industrial, cujo centro seria a cidade de Manchester.

Dezenas de itens compunham a carga de um navio que deixou os portos da Inglaterra em 1787 rumo à África, como peças de algodão e linho, lenços e tecidos de seda, balas e barras de chumbo, panelas e frigideiras, pólvora, taças e copos de vidro, bijuterias e pedras preciosas, espadas, couro, capas de chuva, tabaco, bebidas e tantos outros.

Os navios britânicos transportavam anualmente, no total, mais de 100 mil africanos escravizados para o Novo Mundo, dos quais 60 mil para os engenhos de açúcar na Jamaica e Barbados, onde os africanos compunham cerca de 90% da população. A Jamaica recebeu sozinha mais de um milhão de cativos, número superior ao da Bahia. Barbados, meio milhão.

Nessa época, também se intensificou, a bordo dos navios negreiros, o comércio de escravos para o sul dos Estados Unidos, grande produtora de arroz, tabaco e algodão. Entre 1730 e 1740, os britânicos se tornaram os campeões mundiais do tráfico de gente escrava, ultrapassando pela primeira vez no período, o número de portugueses e brasileiros.

O ABOLICIONISMO

Nas quatro décadas seguintes, mais de 800 mil seriam traficados. O auge foi atingido entre 1780 e 1790, quando transportaram 350 mil cativos. Mesmo assim, nesses dez anos aconteceram os debates que fariam desabar o arcabouço do sistema escravista, que foi a campanha do abolicionismo britânico e norte-americano, mudando a face do planeta no século seguinte.

De acordo com o autor de “Escravidão”, o movimento ganhou folego em meados da década de 1780. Vinte anos mais tarde levaria à proibição do tráfico negreiro na Inglaterra e nos Estados Unidos. Mais duas décadas e meia, em 1833, resultaria na abolição da escravatura na Inglaterra, completando com o 13 de maio de 188 no Brasil.

Com relação à questão da abolição, sugiram várias explicações de historiadores, algumas até românticas plantadas pelos britânicos e norte-americanos, como de que teria sido resultado de uma obra filantrópica dos brancos em favor dos negros, mas isso não se sustentou.

Em 1944, um estudo revolucionário de um homem crioulo de Trinidad Tobago, chamado Eric Williams abriu várias discussões. Segundo ele, a escravidão havia se tornado economicamente insustentável no longo prazo. Diante da marcha dos acontecimentos do século XVIII, como as novas tecnologias, as descobertas científicas e métodos de produção, seria inevitável a substituição da mão-de-obra cativa pelo trabalho assalariado.

Pelo sistema capitalista, conforme as análises dos historiadores, os ex-escravos, convertidos em assalariados seriam também consumidores para os novos produtos da economia industrial britânica. Eric também defendeu a tese de que a escravidão teria sido a primeira fase da economia capitalista, cujos lucros financiaram a Revolução Industrial, tornando o trabalho cativo obsoleto.

A terceira e última explicação para o desfecho abolicionista dizia ele que o sistema escravista trazia dentro de si a semente da destruição. Então, teria sido resultado da resistência dos próprios escravos. O abolicionismo coincidiu com o período de rupturas dentro das ordens estabelecidas pelos brancos, como a Independência dos EUA e a Revolução Francesa. Esses episódios abriram espaços para a liberdade.

Num curto intervalo de apenas 43 anos, entre 1789 a 1823, ocorreram mais de vinte revoltas em todo continente americano. Nesse clima, conforme analisa Laurentino, os escravos teriam aguçado nos senhores o medo de uma “bomba social”. A Revolução do Haiti, em 1791, e a Revolta dos Malês, na Bahia, em 1835, foram dois grandes exemplos.

As ideias revolucionárias do iluminismo no século XVIII foram abrindo espaços para violentas revoluções. O escravismo já era uma máquina enferrujada, que precisava ser abandonada em favor de um equipamento mais novo e eficiente.

Essa de filantropia dos brancos não colava diante dos fatos de que grandes líderes escritores, intelectuais e agitadores negros já defendiam o abolicionismo, como no caso da Inglaterra dos africanos Olaudah Equiano, Ottobah Cugoano e Charles Sancho, este um ex-escravo que se tornara compositor e primeiro afrodescendente a ter o direito de voto na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, segundo apurou Laurentino, a relação de abolicionistas negros tem quase quarenta nomes, incluindo o escritor Frederick Douglas, James William Charles, primeiro afrodescendente a estudar na Universidade Yale, e o também ex-escravo Harriet Tubman, homenageado pelo presidente Barack Obama.

No Brasil houve o abolicionista Joaquim Nabuco, branco conhecido como “Quincas, o Belo”. Ao lado dele tiveram o fluminense José do Patrocínio, o advogado baiano Luis Gama, o engenheiro baiano André Rebouças e a escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, autora de Úrsula, primeiro romance publicado por uma mulher negra.

ATIVA E VIGOROSA

Quanto a explicação da inviabilidade econômica não convence certos historiadores, pois pesquisas mostram que, no final do século XVIII, a escravidão estava longe da exaustão. Estava ativa e vigorosa, como demonstrou o historiador Seymour Drescher, opositor de Eric William. Pelo ponto econômico, não haveria como acabar com a escravidão. Na visão  de Drescher, a abolição teria mergulhado as colônias britânicas num declínio econômico.

Ao assumir o governo britânico, em 1783, o primeiro-ministro William Pitt estimou que 80% de todas as receitas auferidas pela Grã-Bretanha no comércio ultramarino vinham de suas colônias no Caribe. No período de 1750 a 1805, nunca tantos cativos foram transportados da África para a América, antes da abolição nos EUA e Inglaterra. A própria Guerra da Sucessão entre o Sul e o Norte, em que mais de 750 mil pessoas morreram, comprova que o sistema estava vigoroso.

Também, “a teoria de que a abolição resultou da teoria da pressão dos próprios negros não fica de pé sozinha e precisa ser calibrada diante dos fatos. Houve várias rebeliões, mas nenhuma, com a exceção do Haiti, chegou a ameaçar a ordem escravista. A maioria optou por outras estratégias silenciosas de resistência, como relação de laços familiares mediante o compadrio (irmandades religiosas, alianças sutis com seus senhores)”.

Na chamada Revolta de Tacky, na Jamaica, em 1760, os rebeldes pregavam a aniquilação dos brancos  e a tomada do poder, onde continuariam a produzir o açúcar pela escravização dos negros. No Quilombo Oitizeiro, no sul da Bahia, os fugitivos utilizavam o trabalho de outros escravos na produção de mandioca.             

 

 

 

 





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