A VOLTA DA MOSTRA DE CINEMA CONQUISTA MARCA SUA 15a EDIÇÃO
Em sua décima quinta edição, a Mostra de Cinema Conquista – um olhar para o novo cinema, que passou dois anos sem se apresentar por causa da pandemia da Covid, teve início ontem (dia 15/11), às 19h30min, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, com dois curtas “Eu Carrego um Sertão dentro de Mim” (homenagem a Geraldo Sarno) e “Central de Memórias” (documentário), seguidos do longa de “Alice dos Anjos”, de Daniel Almeida.
A Mostra é uma idealização do saudoso Jorge Melquisedeque, seguida por Esmon Primo, mas sua trajetória teve a participação do professor Itamar Aguiar. Os trabalhos foram abertos com as presenças do secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai), do seu coordenador de Cultura, Alexandre Magno, representantes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb e cineastas presentes ao evento.
São quinze edições de democratização e acesso ao cinema brasileiro, mostrando um panorama atualizado de cada certame da significante produção cinematográfica surgida nos quatro cantos do nosso país. Durante esse período da Mostra de Cinema foram exibidos mais de 700 filmes de longas e curtas metragens contemporâneas, muitos inéditos em circuito nacional.
Os filmes estabelecem uma radiografia da nossa imensa identidade plural. Além das exibições, a Mostra proporciona – por meio das mesas temáticas, conferências, papo de cinema e oficinas com cineastas, professores e profissionais audiovisuais – uma reflexão sobre esta produção. Em 2022, a Mostra Cinema Conquista – ano 15, retornou em formato presencial.
A iniciativa conta com apoio cultural do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia, do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, TV Sudoeste, Uesb e outras entidades. Tem o apoio financeiro da Prefeitura Municipal por meio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. O Centro de Cultura esteve superlotado na noite de ontem.
A mostra de Cinema prossegue até o dia 18/11 com uma vasta programação de atividades, inclusive de seminários e oficinas. Nesta quarta, a partir das 15 horas, serão exibidos os curtas Muxima, de Juca Badaró, o Ovo, de Rayane Teles, Chão de Fábrica, de Nina Kopko, a Máquina Infernal, de Francis Vogner, O Retrato do Mal e Veneno, de Kauan Oliveiraos. Temos ainda os longas Fé e Fúria, de Marcos Pimentel, Carro Rei, de Renata Pinheiro e o Cemitério das Almas Perdidas, de Rodrigo Aragão.
Na quinta feira, também a partir das 15 horas, teremos vários curtas, como Stone Heart, de Humberto Rodrigues, Sideral, de Carlos Segundo, O Sonho de Zezinho, de Edmundo, Cabeça de Nego, de Deó Cardoso, entre outros, e dois longas, Manguebit, de Jura Capela e Madalena, de Madiano Marchheti por volta das 20 horas.
Na sexta, dia 18/11, segue a mesma programação no mesmo horário das 15 às 20 horas com uma série de curtas e longas metragens. Durante os dias 16, 17 e 18/11 serão realizadas mesas temáticas pela manhã e à tarde com diversos palestrantes, abertas ao público interessados, principalmente professores, cinéfilos e estudantes.
SARAU A ESTRADA VALORIZANDO A NOSSA CULTURA HÁ DOZE ANOS
Com o tema “Escravidão II” e subtema “A Marchar dos Abolicionistas e os Confederados Norte-Americanos”, os amigos do “Sarau Colaborativo A Estrada” fizeram neste sábado (dia 12/11), uma noite sublime de valorização da nossa cultura, com cantorias, declamações de poemas e causos. Tivemos uma parada de dois anos por causa da pandemia, mas retornamos com toda força.
Os trabalhos foram abertos com os informes do português Luis Altério sobre o lançamento, em breve, do livro de textos poéticos do jornalista Jeremias Macário e o anúncio do artista Dorinho Chaves do próximo sarau, no dia 10 de dezembro próximo, com o tema “Tropicalismo”. O evento será realizado em sua mansão no Bairro Brasil.
Em seu bate papo, Jeremias Macário destacou os quatro principais abolicionistas – o baiano e advogado rábula Luiz Gama, o pernambucano advogado graduado Joaquim Nabuco, o carioca farmacêutico José do Patrocínio e o baiano de Cachoeira, engenheiro militar André Rebouças.
Cada um com seu papel (em comum todos foram jornalistas) dentro do contexto da escravidão, todos desempenharam sua função para o avanço da Abolição em 1888, principalmente a partir de 1870 com o fim da Guerra do Paraguai, a Lei do Ventre Livre, em 1871, e a dos Sexagenários, em 1885.
Luiz Gama, o único de origem social pobre que amargou o cativeiro durante oito anos, conseguiu com suas defesas libertar mais de quinhentos negros das garras dos senhores fazendeiros. Joaquim Nabuco, o branco “Quincas, o Belo”, era mais moderado e achava que a Abolição era coisa para os políticos e as instituições. Em sua opinião, os negros não deveriam se envolver nessa luta da libertação. Foi também um reformador do Império.
José do Patrocínio, o sarará, mais afoito e brigão, fazia a população delirar em seus comícios e movimentos. Sofreu muito com o preconceito. Monarquista, foi ele quem deu o título à princesa Isabel de “A Redentora”. André Rebouças foi um dos que mais se atormentou com a discriminação racial, especialmente quando esteve nos Estados Unidos (Nova York) e foi barrado nos hotéis e restaurantes. Isso lhe fez entrar num processo profundo de depressão. Foi para África do Sul e de lá para a Ilha das Madeiras onde faleceu. Num certo dia, seu corpo apareceu boiando no rio.
Sob a batuta do diretor ´musical Mano Di Souza, que trouxe seus instrumentos e equipamentos, foi montado um palco onde Marta Moreno, Cleide, Dorinho, Aurelício Oliveira Amorim, cantando de sua autoria “Mãe Preta”, e outros abriram a voz para prestigiar a música popular brasileira. Foi mais uma noite fraternal e memorável. Até o nosso professor Itamar Aguiar, o maior frequentador do nosso sarau, se revelou numa cantoria acompanhando Mano e outros.
O sarau, como sempre, abriu espaço também para os poetas e contadores de causos (Dorinho Chaves) que declamaram poemas de suas autorias, como a poetisa Regina Chaves. No mais, o papo rolou com a troca de ideias sempre no âmbito da cultura, sem essa discussão de política partidária que procuramos sempre evitar.
A anfitriã do “Espaço Cultural a Estrada”, Vandilza Silva Gonçalves a todos recebeu com muita dedicação, brindando os participantes do encontro com uma deliciosa dobradinha que, segundo José Carlos, o atrasado, foi de rezar e lamber os beiços, no que os demais concordaram.
Odete Alves Marlini, representante da Casa da Cultura (olá Poliana, sentimos sua ausência) a tudo registrou nas redes sociais e foi uma autêntica assessora de imprensa e relações públicas. Participaram ainda do nosso evento cultural colaborativo, a professora da Uesb, Lídia Nunes Cunha, Humberto Lima de Oliveira, Sônia, Rosângela de Oliveira, Conça Andrade, Alexsandra, Rodrigo Celino e outros convidados. Para finalizar, as cantorias e as declamações vararam a madrugada num ambiente cordial, divertido e de intercâmbio de conhecimentos.
O PROCESSO DO BRANQUEAMENTO
Na onda da abolição da escravatura, os senhores fazendeiros e latifundiários começaram em pensar na substituição da mão de obra escrava africana pelos imigrantes europeus já com a ideia introduzida por alguns intelectuais sobre o processo de branqueamento do povo brasileiro. A primeira leva começou logo por volta de 1846 com a chegada de prussianos e da região da Bavária.
Centenas começaram a chegar aos portos brasileiros que antes recebiam os cativos vindos da África. Os colonos recebiam diversos incentivos, como passagem entre a Europa e o Brasil, hospedagem durante os oito primeiros dias após o desembarque e transporte terrestre para toda família, tudo por conta do Tesouro Nacional. Cada adulto receberia uma subvenção pessoal de 150 mil réis. As crianças teriam direito à metade.
De acordo com Laurentino Gomes, autor da trilogia “Escravidão, a importação de colonos estrangeiros era um projeto antigo, ainda da época da corte de D. João VI, em que foram criados pequenos núcleos com alemães e suíços, mas o plano foi adiado devido a abundância de mão-de-obra cativa.
O programa foi retomado com a proibição do tráfico negreiro, em 1850, através da Lei Eusébio de Queirós. A partir dali os preços dos escravos começaram a disparar, mesmo com a comercialização entre as províncias, despencando após a Lei Áurea de 1888.
Segundo Laurentino, entre 1886 e 1900, com o estímulo à imigração, o Brasil receberia cerca de 1,3 milhão de europeus, 60% dos quais eram italianos. Isso era quase o dobro de toda população escrava existente no país no ano da Abolição. O projeto era uma questão de sobrevivência nacional.
Os próprios abolicionistas Joaquim Nabuco e André Rebouças defendiam a criação de um imposto territorial como forma de acabar com o latifúndio improdutivo, democratizar a propriedade da terra e atrair imigrantes de outros países. André Rebouças, inclusive, defendia a reforma agrária, coisa que provocou a ira dos fazendeiros até com movimentos de revolta.
Nabuco acreditava que a redução do latifúndio estava ligada ao fim da escravidão como forma de acelerar o desenvolvimento do país. Dizia que era preciso destruir a obra da escravidão. O manifesto da Confederação Abolicionista, fundada em 1883, no Rio de Janeiro, acusava os grandes latifundiários e o sistema escravista de levar o país à ruína ao inviabilizar todo incentivo ao trabalho livre.
“O hábito de distribuir sesmarias era praticado pela Coroa Portuguesa ao longo de todo período colonial, mas o sistema foi sendo desvirtuado após a Independência do Brasil pelas relações de promiscuidade entre o governo imperial e sua base de apoio agrária”- destacou Laurentino. Havia um limite para a área de terra a ser doada de até 12 mil hectares. Depois da independência passou a valer a lei do mais forte, chegando a mais de 200 mil hectares.
Ao contrário dos Estados Unidos, a Lei de Terras Brasileira ergueu barreiras à aquisição dela tanto por parte de negros libertos como de imigrantes pobres que chegavam da Europa. No entanto, havia exceções, como no caso dos confederados norte-americanos.
A lei dos EUA, em 1862, atraiu mais de 5 milhões de imigrantes. Na mesma época, no Brasil, o número não passava de 50 mil. A lei de 1850, conforme descreve Laurentino, foi responsável por boa parte do legado de desigualdades e concentração de privilégios que marcariam o futuro do país.
No âmbito da imigração, a primeira tentativa partiu do senador Nicolau dos Campos Vergueiro, um traficante clandestino de escravos africanos. No começo do século XIX, Vergueiro conseguiu da Coroa vastas poções de terras na região de Piracicaba, Limeira e Rio Claro.
Em 1846 ele iniciou o assentamento de imigrantes na fazenda Ibicaba pelo sistema de parceria. Os colonos assinavam um contrato pelo qual o fazendeiro pagava as passagens, transporte e alimentação até o local de trabalho. Em troca, o colono assumia o compromisso de cultivar as lavouras até ressarcir o proprietário, com 6% de juros por ano. As primeiras famílias vieram da Bavária e da Prússia. Vergueiro colocava o colono na situação de escravo branco.
O tratamento dispensado pelos feitores era semelhante ao vigente nas antigas senzalas. Como resultado, houve uma revolta de estrangeiros na fazenda Ibicaba, em 1857. As denúncias de maus tratos levaram alguns países, como a Prússia, a proibir a vinda de imigrantes para o Brasil.
A TEORIA DO BRANQUEAMENTO
Além de substituir a mão-de-obra cativa, Laurentino assinala que a chegada dos colonos cumpria a tarefa de realizar um dos projetos mais acalentados pela elite brasileira escravocrata no século XIX, o de branqueamento da população, sob a influência das teorias raciais onde se dizia que o negro era inferior e que deveria ser devolvido para a África.
Um dos maiores defensores dessa teoria foi o juiz, deputado e crítico literário Sílvio Romero, desde 1881. “ A vitória na luta pela vida, entre nós, pertencerá no povir ao branco” Ele defendia a extinção do tráfico de africanos e o desaparecimento dos índios, e de outro, a imigração europeia.
Também, o médico Domingos José Nogueira afirmava ser preciso aperfeiçoar a raça no cruzamento do africano com o mulato e este com o branco. O deputado alagoano Aureliano Cândido ia mais longe quando enfatizava que um Brasil só habitado por brancos teria sua riqueza triplicada.
O médico francês Louis Couty foi um dos principais teóricos da inferioridade racial do negro. Era misógino e racista atém a raiz. Couty via a mulher negra somente como objeto sexual que qualquer um poderia possuir.
UM ANO SEM A NOSSA SAUDOSA FOTÓGRAFA EDNA NOLASCO
Faz um ano que ela nos deixou no sentido mortal da vida, se bem que a fotógrafa jornalista Edna Nolasco continua no nosso eu espiritual irradiando bondade, serenidade e generosidade. Recebo pelo ZAP do meu amigo companheiro de muitas lidas de reportagens, o fotógrafo José Silva (o Zé Silva), um registro para lembrar que hoje, dia 11 de novembro de 2022, faz um ano que a nossa querida Edna Nolasco partiu ou nos deixou para um outro além.
Zé Silva pediu para que eu escrevesse alguma coisa, mas pela sua grandeza de alma, sua ética e atenção para com os companheiros, tudo que eu fale aqui, Zé, será pouco, daí que peço que cada um de nós faça sua reflexão, e o melhor é seguir seu exemplo de vida, com ponderação e respeito de cada um para com o outro. Foi isso que Edna nos ensinou em toda sua trajetória, com seu sorriso inconfundível, como mais uma passageira desse trem maluco que vai deixando as pessoas em suas estações de desembarques.
Sei que cada um tem algo para dizer e se expressar a respeito da nossa colega, sempre serena, capacitada e responsável com seu trabalho. Da minha parte, só gratidão e privilégio por ter conhecido Edna logo que aqui cheguei em Vitória da Conquista, em 1991, para assumir a gerência da Sucursal do jornal A Tarde. Nos momentos mais difíceis da minha profissão, esteve sempre ao meu lado, dando todo apoio necessário. Eternos agradecimentos.
FLORES DA FILIPINAS
As estações se misturam, como o frio em plena primavera, o verão em inverno e vice-versa, mas, de qualquer forma, as flores conseguem um jeitinho para explodir suas cores, como os ipês na Avenida Filipinas, em Vitória da Conquista, registrados pelas lentes da minha máquina fotográfica. É bem verdade que no nosso Brasil tropical e, principalmente, no nosso Nordeste catingueiro do semiárido não existem mais tempos definidos. Em Conquista é também assim, e esses períodos estão cada vez mais incertos e nos pegam de surpresa por causa do aquecimento global. No corre-corre do dia a dia da cidade, muitos nem param para observar a beleza desse colorido de encher os olhos e nos tornar mais amigos da natureza, tão maltratada pelo homem tecnológico, sem lógica. Vamos louvar o meio ambiente, mas, infelizmente, ele está se aquecendo e nem as chuvas e o sol chegam mais no período certo. As tragédias e as catástrofes são cada vez mais frequentes. Enquanto isso, vamos louvar e nos encantar com as Flores da Filipinas.
PARABÓLICA ESTRELADA
De Jeremias Macário, uma homenagem ao aniversário de Vitória da Conquista
O bandeirante impiedoso e destemido:
Os bravos índios da sua terra expulsou,
Com artimanha venenosa numa bebida, ´
O conquistador com sua ira banqueteou,
E de crueldade ainda para Deus rezou.
A vitória, dizem foi de Nossa Senhora,
Mãe se tornou da Conquista das Flores;
Abençoou e a ornamentou de estrelas,
Onde havia sofridas lágrimas de dores,
E nos deixou uma Parabólica Estrelada.
O homem dos anéis que só a ele adora,
Matou a Serra e aterrou o Poço Escuro;
Acabou com as minações e seus painéis;
Não pensou nos filhos e netos do futuro;
E a mãe do alto acolhe o filho que chora.
Parábolica Estrelada deve ser só de glória,
Da Conquista como pediu Nossa Senhora;
Se todos os fiéis estendessem o seu manto,
Para a todos proteger do mal aqui e agora,
E preservar tudo que marcou nossa história.
No inverno implacável, rói o osso o frio,
E se embriaga de vinho o menestrel Elomar;
Na boêmia cantoria aparece o Glauber,
Com as mágicas cenas do sertão e do mar,
Entre poções de poesia de um caudaloso rio.
BR Avenida parte ao meio o leste e o oeste,
Do potente mercado dos eletros ao fino café,
Misturado ao aroma poético de Jesus Camilo,
Com todas as religiões que professam sua fé,
E na elegante mulher com seu estilo se veste.
Daqui se ouve o som de todo universo,
Captado pela parabólica toda estrelada,
De energia que irradia por qualquer lado;
No beijo abençoado da noite enluarada,
Que inspira nos brutos o romântico verso.
Terra das Boiadas, da “Viola Quebrada”
Deus e o Diabo e o Cristo do seu Cravo,
Do matuto sertanejo que faz sua morada;
Planalto mestiço do melado do escravo,
Dos tropeiros da Ressaca da toada dobrada.
Conquista das intrigas e lutas dos coronéis,
De seus casarões e sobrados de finos lençóis,
Nasceu do gado e do comércio se desenvolveu,
Pede perdão pelo extermínio dos Mangoiós,
E ora para nos livrar de todas tragédias cruéis!
CONQUISTA COMPLETA 182 ANOS COM A ABERTURA DO FESTICCON
Pela passagem dos 182 de emancipação de Vitória da Conquista, hoje a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 400 mil habitantes, esbanjando desenvolvimento, com uma economia pujante, foi aberto ontem à noite (dia 9/11) o Festival de Educação e Cultura de Conquista, o Festeccon, com as presenças da prefeita Sheila Lemos, do secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai) e do secretário de Educação Edgar Larry.
O evento, que contou com exposições de vários produtos do município, como licores, biscoitos, artesanatos, ações realizadas na área da educação, salão de artes plásticas dos grandes artistas e shows musicais, está instalado no Espaço Glauber Rocha, localizado no Bairro Brasil, e ficará aberto à visitação até o próximo dia 12 (sábado).
O Festeccon foi uma programação conjunta das secretarias da Cultura e da Educação através da Prefeitura Municipal para comemorar os 182 de emancipação do município, mostrando todo potencial de Conquista, principalmente nos setores da cultura e da educação. Merece ser visitado por todos moradores porque representa a memória do município, principalmente seu desenvolvimento nos tempos atuais.
Além dos estandes com produtos e apresentações de atividades na área educacional, a população vai contar com shows musicais de reconhecimento nacional e internacional, como Elomar Filgueira, nesta quinta-feira, e Guilherme Arantes no fechamento do Festiccon. No palco armado no Espaço Glauber Rocha estarão também artistas locais com suas bandas.
UM POUCO DA SUA HISTÓRIA DE VILA DA VICTÓRIA A UM DOS MAIORES PÓLOS DE DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE
Os índios mongoiós ou monochós, também conhecidos como camacans, além dos pataxós e amborés, ou imborés, eram os verdadeiros donos das terras do sudoeste baiano, compreendidas entre os rios Pardo e das Contas, indo da região do São Francisco até São Jorge dos Ilhéus.
Eles guerreavam entre si, mas eram livres dos brancos colonizadores. Depois tornaram-se escravos e foram praticamente extintos. As terras chamadas de “Sertão da Ressaca”, a Imperial Vila de Nossa Senhora da Victória, antes Arraial da Conquista, virou Vitória da Conquista e se tornou um dos polos mais dinâmicos de desenvolvimento do Nordeste e do país.
Em 2022, no dia 9 de novembro, o município completou 182 anos de emancipação política, esbanjando crescimento. A Vila da Victória foi criada pelo Decreto Imperial número 124, em 19 de maio de 1840, desmembrando-se da Comarca de Caetité.
A data política, no entanto, é comemorada em nove de novembro, quando aconteceu a posse da primeira Câmara Municipal em forma de “Concelho”, com “c” mesmo, conforme a ortografia da época. Com a Proclamação da República, a Vila passou a se chamar Cidade da Conquista, em 1º de junho de 1891. E, em 1943, recebeu o nome de Vitória da Conquista.
O pequeno povoado, fundado entre finais do século XVIII e início do XIX, cresceu a partir das primeiras habitações de taipa. Em 1817, conforme registrou o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, em visita, o lugarejo já contava com 40 casas. A Vila expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome; e começou a prosperar a partir da década de 1960, com a chegada da rodovia BR-116 (Rio-Bahia).
A cidade ampliou sua economia com a introdução da cafeicultura em meados dos anos 70; e se firmou no início do século XXI com a implantação de novos projetos nas áreas de educação e da saúde, transformando-se num dos maiores polos regionais da Bahia e do Nordeste, sendo hoje a 3ª cidade do estado.
SERTÃO DA RESSACA
Quanto a ocupação do “Sertão da Ressaca”, o historiador Ruy Medeiros escreveu em 2009 sobre o tema, tomando como base os documentos da Torre do Tombo (Arquivo Nacional), do Arquivo Histórico Ultramarino (ambos em Lisboa) e do Arquivo da Propaganda Fide em Roma.
Da Torre do Tombo, Medeiros cita a carta de Pedro Barbosa Leal onde propõe a conquista de toda faixa de terra entre os rios Pardo e das Contas, nos “campos que abeiram as matas que se avizinham do mar”, e as terras entre os rios Doce e Jequitinhonha.
Outro documento refere-se ao “Regimento” onde Pedro Leolino Mariz conferiu a André da Rocha Pinto o título de cabo maior da conquista das terras ocupadas pelo gentio bravo, desde Rio das Contas até o rio São Matheus. Declara Medeiros que o documento de Pedro Barbosa é muito importante porque dele pode-se extrair o grau de conhecimento que os portugueses possuíam, por volta de 1720, da vasta região entre os rios Pardo e das Contas.
A partir disso, fica claro que Pedro Barbosa queria ocupar o planalto de Conquista. Sua estratégia era desencadear uma operação de guerra com o aprisionamento de índios como escravos, estabelecendo um arraial no Morro de São Paulo, meio caminho entre Salvador e Rio das Contas. A motivação para a invasão do Sertão era também a procura de ouro e os estabelecimentos de arraiais.
O documento da Torre do Tombo “Regimento” que Pedro Leolino passou a André da Rocha, tem caráter estratégico-militar, conforme assinala Ruy Medeiros. Foi organizada uma bandeira para ocupar as terras, incluindo o Planalto da Conquista. Os objetivos eram encontrar minas de metais preciosos; estabelecer fazendas de gado; e travar guerra com os índios. Há quem julgue que João Gonçalves da Costa e sua gente (primeiro aqui esteve João da Silva Guimarães) foram enviados para o Sertão da Ressaca “pela corte de Portugal para vigiar e fiscalizar a saída ilegal do ouro e outros metais.
Há também quem argumente que a história de Conquista precisa ser recontada. Quem tem essa caixa-preta é a Igreja Católica. Como João Gonçalves da Costa conseguiu fazer tão grande fortuna e João Guimarães ter morrido pobre? Outros documentos da ocupação se encontram no Arquivo Histórico Ultramarino. Um é o ofício de João Gonçalves da Costa, em 1783, ao Ouvidor de Porto Seguro dando conta das conquistas feitas no “Sertão da Ressaca”.
Outro é a Memória Sumária e Compendiosa da Conquista do Rio Pardo, de 1806. Pelo primeiro documento, o capitão já andava pela encosta do planalto (Jequié e Ipiaú), região Pastoril de Itapetinga, mencionando lutas contra os índios mongoiós e imborés.
O segundo contém informações sobre os índios e a luta sobre a conquista, especialmente a ocorrida na proximidade de Couro D`Anta. Quanto ao rico acervo do Arquivo da Propaganda Fide, da Ordem dos Capuchinhos, em Roma, Medeiros menciona que a historiografia conquistense ainda não explorou esse documento.
Na maioria são cartas e relatos dos capuchinhos italianos que trabalharam na bacia dos rios Catulé, Verruga e Pardo, na área de Itambé, Itapetinga, Potiraguá e Cachimbo (Ribeirão do Largo). Atuaram nessa região frei Ludovico de Livorno (camacãs e aimorés por volta de 1817/20); frei Francisco Antonio de Salerno, entre mongoiós e imborés pela região de Inhobim; frei Rainero de Ovada, na Barra do Catulé (aimorés).
Todos deixaram escritos e cartas que estão no Arquivo da Propaganda Fide, inclusive do frei Ludovico, datada de 14 de julho de 1817. Na busca por riquezas, especialmente o ouro, a primeira investida no sertão da Bahia foi feita pelo castelhano Francisco Bruzza de Spinosa, em 1553, acompanhado de 12 portugueses, partindo de Porto Seguro e indo até o rio São Francisco. A passagem dos bandeirantes pelas terras dos índios significava expulsão, escravidão e morte. A descoberta de ouro nas imediações do Rio das Contas e em Jacobina, no início do século XVIII, aumentou o povoamento em Minas Gerais.
Já em 1724, a hoje cidade Rio de Contas passava à categoria de vila, com a implantação de vários órgãos de administração pela coroa portuguesa. Como descreve a historiadora Maria Aparecida Silva de Sousa, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, no seu livro “A Conquista do Sertão da Ressaca: povoamento e posse da terra no interior da Bahia”, por volta de 1728, o coronel Pedro Leolino Mariz recebe do governo português a missão de desbravar diversas áreas do interior da Bahia e do norte de Minas Gerais.
Essa personagem aparece como importante figura da história que realizou investigações nos rios das Contas, Paramirim e Rãs, chegando a ocupar o posto de superintendente geral de todas as minas da Bahia e das Minas Novas do Araçuaí.
Sabedor de que essa porção de terra era uma das melhores do Brasil para criação de gado e a cultura de lavouras, o Governo de Portugal mandou que Pedro Leolino averiguasse as notícias. Em recompensa pelo seu trabalho, o superintendente recebeu uma sesmaria em 1743.
Visando obter o mesmo êxito conseguido na região vizinha de Rio das Contas e Jacobina com a descoberta de ouro, o coronel organizou uma bandeira, sob a direção de André da Rocha Pinto, para conquistar o sertão entre os rios das Contas, Pardo e São Mateus. A intenção era também a de encontrar ouro, estabelecer fazendas de gado e matar os índios que se opusessem à conquista.
A HOMENAGEM A CARLOS JHEOVAH PELA CASA DA CULTURA FOI UM SUCESSO
Com cantorias de violeiros e declamação de poemas, a Casa da Cultura, nas pessoas da presidente Poliana Policarpo e do diretor Artístico Dorinho Chaves, realizou, nesta última segunda-feira (dia 07/11), uma homenagem ao grande poeta e incentivador cultural conquistense Carlos Jheovah, no Bar Imperial, no Bairro Jurema, do nosso amigo Jhesus.
Como sempre, a atividade foi um sucesso cultural com muita gente que lá compareceu para prestigiar o evento, como os artistas Marta Moreno, Mano Di Souza, Papalo Monteiro, Jânio Arapiranga, Baducha e tantos outros amigos do Carlos Jheovah que deixou um grande legado cultural para Vitória da Conquista.
Dorinho, sempre contando suas histórias e causos, fez as declamações rolarem entre as cantorias, como de Jhesus que, com sua maestria e entonação, nos presenteou com “Viola Quebrada”, de Camilo de Jesus Lima. Jeremias Macário, de sua autoria, e sua esposa Vandilza, apresentaram “Se o Tempo Pudesse Parar” e “Vielas Noturnas”.
Foi uma bela noite de confraternização que jorrou cultura e lembranças dos grandes artistas, cantores, compositores, músico e escritores da nossa Bahia e do Brasil. Isso é o Nordeste do qual nos orgulhamos de ser de gente forte, de grandes talentos, potencial de conhecimento e pessoas alegres que chegam juntos quando são chamados para fazer cultura.
Poliana Policarpo, com sua simpatia costumeira a todos recebeu com delicadeza e agradeceu a participação de todos, elogiando o trabalho de Carlos Jheovah e explicando quem ele foi em vida, deixando eternas memórias da sua arte.
Dorinho, ali no compasso musical, foi uma espécie de mestre de cerimônia e ia anunciando os companheiros artistas, cancioneiros e poetas. Tudo foi cultura e troca de ideias no espaço do bar do nosso amigo Jhesus. Foi também um encontro para rever muita gente e colocar o papo em dia, como se fala no popular.
O MUSEU KARD SÓ CRESCE
Pela quarta vez estive no Museu de Kard no último domingo e fiquei impressionado com seu crescimento durante um ano, com novas obras dedicadas aos povos indígenas, bules, os lápis e tantas outras na parte ao lado do tão monumental labirinto que faz referência às crianças perdidas pelo Brasil a fora, sem contar o acervo de quadros (pinturas autorais) e esculturas dentro da famosa pirâmide.
Digo sempre que são as mentes e as mãos espirituais do nosso amigo multiartista Alan Kardec que não cessam de produzir, para deixar para a posteridade o trabalho monumental que já é conhecido não somente em Vitória da Conquista, mas em boa parte do Brasil e logo ganhará o mundo.
Na ocasião da minha visita fiz um comentário em vídeo dizendo que o museu já é o maior em céu aberto do Norte e Nordeste e o segundo no Brasil, só superado pelo do Brumadinho, se não estou enganado. Não há quem não se sinta encantado ao adentrar nesse templo que já é sagrado.
Além do Cristo do artista Mário Cravo que está sendo urbanizado pela Prefeitura Municipal, o local, além de ser uma atração turística, já é também o cartão postal de Conquista. Disse da necessidade de fortalecer a nossa cultura através de um plano municipal porque a nossa cidade possui um grande potencial a ser explorado, além do seu desenvolvimento econômico.
A cultura, a chamada economia criativa, dita por consultores e economistas, tem que caminhar de braços dados com o crescimento econômico, e não se cria um turismo sem um pujante setor cultural planejado onde aconteçam eventos multlinguagens durante todo o ano, não somente os festejos do São João e do Natal.
O Museu de Kard é como se fosse um faixo de luz para nos iluminar de que o nosso potencial para atrair visitantes de todas as partes do país e do exterior está aqui, e não o inventando Portal da Chapada Diamantina que já tem o seu próprio atrativo natural e montado pela sociedade civil e os poderes públicos de suas cidades.
O criador dessa obra tão importante em Conquista é um visionário que certamente no início não foi compreendido e devem até terem chamado ele de maluco quando instalou aquelas estátuas na cerca em torno do terreno onde hoje está o museu na saída de Anagé, ou na boca do sertão do sudoeste, no sapé da Serra do Periperi.
OS CONFEDERADOS E A AMAZONAS
Os países sempre olharam a Amazonas como pulmão da terra para evitar a emissão de gás carbônico na atmosfera e contribuir para redução do aquecimento global. No entanto, poucos sabem que sempre existiu outro olhar, especialmente dos norte-americanos, no sentido de colonizar a região e anexá-la aos Estados Unidos, tornando um território de negros escravizados e libertos.
Este outro lado apareceu lá pela metade do século XIX, principalmente a partir de 1865 no final da Guerra da Secessão dos Estados Unidos (início de 1861) quando os Estados Confederados perderam para as tropas da União.
A ideia era se livrar dos negros de modo que a nação ficasse livre dos africanos para assegurar o domínio por pessoas de ascendência europeia. Antes da guerra, até o Lincoln era um dos simpatizantes dessa ideia. Os negros libertos deveriam ser exportados para outras fronteiras. A ausência seria uma benção para os EUA que se livrariam de uma maldição.
Um eloquente defensor do plano foi Matthew Fontaine Maury. Em 1850, antes da guerra, Maury traçou um plano de ocupação da Amazonas por colonos norte-americanos, acompanhados de seus escravos. Seria o primeiro passo para sua anexação definitiva ao território dos EUA. O documento definia os brasileiros como povo “imbecil e indolente”. Seu pensamento não era isolado. Existia um plano para Brasil e Estados Unidos se aliarem para fazer frente à Inglaterra abolicionista.
Os representantes do Sul queriam criar um país independente, separado da União. Na guerra morreram 620 mil soldados, sendo 260 mil dos Confederados e 360 mil da União. O total de vítimas foi de 750 mil. Os escravos do Norte, mais industrializado, aderiram ao abolicionismo. O Sul, (Vale do Mississipi, Louisiana, Nebraska, Kansas) mais agrícola, era escravista até a medula.
A eleição de Abraham Lincoln (defendia a deportação dos negros) serviu de pretexto para a criação da Confederação. Muitos optaram pelo Alasca, comprado dos russos por 7,2 milhões de dólares. O Brasil aparecia como outro destino não tocado pelos abolicionistas, e o Império foi, entre todos governos da América Latina, o que mais deu apoio ao Sul Escravista dos EUA. “Era como se o Brasil fosse apenas mais um dos Estados Confederados da América”, observou o historiador Gerald Horne.
Muitos sulistas disseminaram a ideologia de se fazer uma limpeza racial, o chamado “branqueamento” jogando os cerca de quatro milhões de negros para o Amazonas onde ali se formaria um país, como aconteceu na Libéria e no Siri Lanka. A intenção era tomar a Amazônia, mesmo na base das armas.
A trilogia “Escravidão”, do jornalista e escritor Laurentino Gomes, narra essa passagem em sua obra onde os derrotados Confederados tentaram concretizar esse projeto, mas não deu certo, sobretudo por causa das adversidades do local. Muitos terminaram morrendo de malária e outras doenças.
Nesse trajeto de se mudarem para o Brasil, outros criaram, com total apoio e ajuda de D. Pedro II, as colônias de Santa Bárbara do Oeste e Americana, tudo com o dinheiro do Tesouro Nacional e terras de graça, enquanto os negros nem foram indenizados pelos 350 anos de cativeiro e sofrimento.
Laurentino descreve que, em novembro de 1865, último ano da Guerra da Secessão, um texto com o título “Emigração para o Brasil” chamava a atenção dos leitores do jornal Enquirer, de Columbus, na Geórgia. Era uma convocação aos agricultores Confederados que tinham perdido tudo no conflito civil.
O primeiro destino seria Belém, no Pará, e de lá para um local na floresta Amazônica, como o nome de “Colônia Pioneira do Major Warren Hastings”. Um livro seu guiava a marcha para o oeste em que milhares de pessoas cruzaram as montanhas rumo a Oregon e à Califórnia.
Durante a guerra civil, seus olhos se voltaram para a Amazônia Brasileira, grande fronteira do continente a ser ocupada pelos norte-americanos. Para observar a região, ele fez quatro expedições. Manteve contatos com o governo do Pará e com o Império. Na travessia, muitos morreram de doenças e naufrágio.
Na quarta tentativa, um grupo de 109 colonizadores consegui chegar a Santarém, no final de 1867, a bordo do navio Inca, mas Hastings morreu de febre amarela no meio da jornada, sem ver seu sonho realizado, ou a terra prometida. O governo do Pará prometeu dar abrigo e alimentação por seis meses (desembolsou 13 mil dólares) e vender seis léguas quadradas de terras nas margens do rio Tapajós.
No começo de 1868 a colônia já contava com cerca de duzentas pessoas sob o comando do coronel Miguel Antônio Pinto Guimarães. Hastings queria total autonomia em relação ao governo brasileiro, mas as autoridades imperiais não aceitaram, se bem que fizeram outras concessões. A colônia teve vida curta.
De acordo com Laurentino, entre 1865 e 67, os norte-americanos instalaram seis colônias agrícolas no Brasil, como em Linhares, no Espírito Santo, Paranaguá, no Paraná, Juquiá e Ney Texas, divisa de São Paulo com o Paraná, Santa Bárbara do Oeste e Americana (São Paulo).
Nas celebrações de seus eventos eles hasteavam a bandeira dos Confederados, usando os mesmos símbolos que acompanhavam os soldados em direção aos campos de batalhas. Um obelisco emoldurado pela bandeira deles marca a entrada do cemitério, criado depois que um funcionário do município de Santa Bárbara recusou sepultar os imigrantes presbiterianos no local reservado aos católicos.
Em 1972, Santa Bárbara recebeu a visita de dois ilustres, o então governador da Geórgia e futuro presidente dos EUA, Jimmy Carter e sua esposa, que foram lá homenagear a memória dos confederados. Até hoje, como descendentes dos Confederados temos a cantora Rita Lee Jones, a ministra aposentada do STF, Ellen Gracie e o falecido engenheiro fundador da Engesa, José Luiz Ribeiro.
O autor de “Escravidão” conta o caso curioso de Steve Watson, um escravo alforriado do após guerra que acompanhou seus antigos donos na mudança para o Brasil. Ele e seu proprietário se instalaram na colônia New Texas, entre Paraná e São Paulo.
Pelos contratos, o governo venderia terras em qualquer uma de suas colônias, nas localidades que os imigrantes preferissem. As escrituras eram lavradas de imediato. Os que comprassem terras teriam direito à cidadania após dois anos de residência, ou até antes disso, sendo naturalizados brasileiros, com todas regalias, inclusive de não participarem da Guerra do Paraguai.
Pela ideologia do “branqueamento”, “o Brasil oferecia aos imigrantes todos direitos, garantias e privilégios que sempre foram negados a milhões de outras pessoas residentes no território nacional, incluindo indígenas e os escravos” – destacou o autor de “Escravidão”.
Junto com as novas técnicas de cultivo agrícola, os Confederados trouxeram dos Estados Unidos as práticas cruéis no tratamento de escravos, tanto que em 1873 um cativo, por ser tão castigado, matou a enxadadas o imigrante coronel Oliver. Os vizinhos lincharam o negro e o penduraram no galho de uma árvore. Era a chamada Lei de Lynch (linchamento).


















































