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PROIBIDO USAR SEDA E SAIR À RUA AO ANOITECER NO BRASIL ESCRAVOCRATA

“De um lado, havia a mulher branca reclusa, religiosa e submissa, sempre sobre os cuidados e as ordens do pai ou do marido. De outro, a mulher negra sensual, voluptuosa, cujo descontrole sexual seria responsável pela corrupção dos bons costumes da América Portuguesa”

São dois dos estereótipos femininos principais aos olhos do Brasil masculino apontados pela historiadora Sheila de Castro Faria no livro “Escravidão” da segunda trilogia do jornalista e escritor Laurentino Gomes.

Na verdade, as mulheres brancas e negras desempenharam papel importante no período do Brasil escravocrata. Muitas já eram chefes de família e empreendedoras. As mulheres escravas trabalhavam para alforriar seus maridos e filhos. Ao contrário do que se pensava, constituíram famílias.

De acordo com a historiadora Sheila, “a ideia comum nos relatos sobre a colônia era de que as índias e as negras, sobretudo as mulatas, só serviam para a fornicação, pois teriam vocação libidinosas, pondo a perder os homens”. Laurentino descreve que haviam leis rigorosas da Coroa Portuguesa contra as mulheres, como a proibição de que elas usassem vestidos de seda e que saíssem à rua ao anoitecer.

Nos livros, a maioria dos historiadores coloca a mulher negra como sexualmente disponível, “a que nos iniciou no amor físico e nos transmitiu, ao ranger da cama de vento, a primeira sensação completa de homem”, como na imagem bucólica de Gilberto Freyre, mesma visão tinha ele a respeito das indígenas.

Narra Gilberto que “as mulheres eram as primeiras a se entregarem aos homens, as mais ardentes indo esfregar-se nas pernas desses que supunham deuses. Davam-se ao europeu por um pente ou um caco de espelho”.

Laurentino destaca que o médico maranhense Nina Rodrigues atribuía à mulata a tendência promíscua da sociedade brasileira no campo sexual. Segundo ele, uma das heranças nocivas da escravidão. Como resultado de todas essas influências desfavoráveis, a energia de todo povo degenerou em indolência e gozos sensuais e para sair dessa situação serão necessários séculos – afirmava Nina.

O ministro José Bonifácio de Andrada e Silva tinha a ideia de que a escravidão corrompia os costumes e comprometia o futuro da sociedade brasileira, em especial devido à facilidade com que as mulheres negras se prostituíam.

São conceitos distorcidos que se perpetuaram através dos séculos. Para o autor de “Escravidão”, o papel da mulher na sociedade colonial foi muito além da satisfação sexual do homem, da procriação e do cuidado da casa.

Segundo ele, desde o primeiro século da invasão portuguesa, muitas delas foram donas de engenhos, fazendas, minas de ouro, vendas, tabernas e outros negócios. No Nordeste chegaram a labutar na criação de gado como vaqueiras. Outras foram benzedeiras e curandeiras. A grande maioria de brasileiros veio à luz com ajuda de parteiras cativas ou libertas, muitas amas de leite.

As constituições primeiras do arcebispado da Bahia, promulgadas em 1707, por D. Sebastião Monteiro da Vide, definiam que as mulheres podiam se casar a partir dos doze anos de idade, e os homens aos catorzes.

Em 1764, a inglesa Jemima Kindersley, que visitou Salvador, registrou que as senhoras da elite colonial levavam uma vida de ócio e sedentarismo, engordavam rapidamente. Ficam velhas muito depressa.

A historiadora Leila Mezan Algranti cita que a sociedade classificava a mulher brasileira em três grupos, as com honra, castas e casadas, as sem honra (escravas, negras, mestiças forras e prostitutas) e as desonradas. Para ela, a sociedade tendia a ser mais tolerante com as mulheres sem honra do que com as desonradas. Também existiam as mulheres de freiras que se refugiavam nos conventos.

Os historiadores descrevem que o convento era ainda um lugar para proteger mulheres e filhas das tentações. Alguns maridos deixavam suas mulheres temporariamente enclausuradas enquanto viajavam.

A Igreja e as autoridades civis impunham normas rígidas contra as mulheres. Uma das sugestões do bispo do Rio de Janeiro, por volta de 1702, era que as mulheres fossem proibidas de sair de casa depois do anoitecer. O governador da Bahia determinava aos soldados que prendessem todas as mulheres encontradas na rua à noite. Quem transgredisse as leis seria punida com degredo e até excomunhão.

Somente tempos depois o Conselho Ultramarino decidiu que não caberia proibir as mulheres de sair à noite. No entanto, em 1703, uma carta régia foi despachada para o Rio de Janeiro proibindo as escravas de usarem roupas com seda e ouro. Em 1709, a Câmara da Bahia reclamava junto ao Conselho sobre o excesso de luxo com que os negros e mulatos se vestiam.

 

 

 

PROJETOS NA ÁREA CULTURAL VÃO AJUDAR ARTISTAS CONQUISTENSES

Não é muita coisa porque nos últimos anos a cultura nesses país só tem ficado com as sobras, mas a “Lei Paulo Gustavo”, de R$3,8 bilhões, vetada pelo capitão-presidente e agora restaurada pelo Congresso Nacional com a pressão da classe artística, destinada a ações emergenciais no setor, vai proporcionar uma boa ajuda aos artistas conquistenses que, como tantos outros, continuam no sufoco, principalmente depois de dois anos parrados por causa da pandemia.

Pelo critério de divisão, de acordo com a proporcionalidade populacional e do Fundo de Participação dos Municípios, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel de Conquista poderá abocanhar cerca de R$2,7 milhões, podendo beneficiar cerca de 500 artistas em diversas linguagens. Dois terços serão aplicados em projetos audiovisuais e os outros restantes nos demais segmentos. Os recursos são provenientes do superávit do Fundo Nacional de Cultura (FNC).

EFEITOS DA COVID-19

Conforme o projeto, cujo relator foi o senador Alexandre Silveira, a União terá de enviar o dinheiro aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, para aplicação em iniciativas que visem combater e reduzir os efeitos da Covid-19 na cultura. Esses entes serão responsáveis pela indicação das ações, formação de comissão de seleção dos editais abrangendo todas linguagens artísticas, entre outros atributos

A proposta foi feita em homenagem ao ator Paulo Gustavo que morreu vítima do vírus, em maio de 2021. Essa lei é a segunda aprovada pelo Congresso para auxiliar a área cultural, mas ainda é muito pouco. Outro projeto é o PL 1.518/21, chamado de Lei Aldir Blanc 2, no valor de R$3 bilhões de fomento à cultura, a partir de 2023, devendo vigorar até 2027. A lei é também uma homenagem ao artista que faleceu em 2020 de Covid.

O último apoio aos artistas conquistenses em forma de edital ocorreu no final do ano passado, beneficiando 400 participantes, num valor em torno de R$300 mil, verba do Fundo Cultural e do orçamento da Prefeitura Municipal. Cada selecionado recebeu cerca de R$750 reais, uma pequena quantia que não atendeu às necessidades dos participantes, Em 2020, em plena pandemia, Conquista recebeu cerca de R$2,2 milhões da Lei Aldir Blanc 1, quando 500 artistas de variadas linguagens foram contemplados.

 

LEI ALDIR BLANC 2

Essa Lei Aldir Blanc 2 foi proposta pela deputada Jandira Feghali e mais outros cinco deputados, tendo como relator o parlamentar Veneziano Vital do Rego. Esses recursos de R$3 bilhões, em cada ano, deverão ser investidos em 17 ações, como festivais, exposições, espetáculos, feiras, prêmios, bolsas para estudantes, intercâmbio cultural, aquisição de obras, digitalização patrimonial, reformas de centros, bibliotecas, teatros, dentre outros setores.

De acordo com o projeto, 80% dessa verba serão destinadas a ações de apoio na área cultural, como editais, prêmios, cursos, manutenção de espaços artísticos, dentre outras iniciativas correlatas. Os outros 20% vão para incentivo a programas e projetos em locais periféricos urbanos e rurais, bem como em comunidades tradicionais.

PROJETO PAULO GUSTAVO

De acordo com informações dos produtores culturais Jardiel Alarcon e Afonso Silvestre, o projeto Paulo Gustavo precisa ser publicado oficialmente em âmbito federal, devendo sair ainda nesta semana. A lei será regulamentada pela Presidência da República, com detalhamentos sobre seu funcionamento, num tempo de cerca de um mês.

Os estados e os municípios devem apresentar seus planos de trabalho junto ao governo federal com respaldo da participação social através de seus conselhos, plenárias ou audiência pública, dentro de um prazo de 60 dias.

Estes entes vão se habilitar, com base em suas burocracias, ao recebimento da verba que lhes cabem e uso do montante financeiro, com seus regramentos e regulamentações por meio de decretos e resoluções.

Os municípios e estados devem fazer seus empenhos gerais para seus fundos culturais para que os recursos sejam liberados ainda neste ano de 2022. A partir daí, lançam seus editais com cronograma legitimado pelo jurídico.

Pelo padrão, os editais locais devem ter prazos de inscrições, contratação de comissão de seleção, avaliação dos inscritos, resultado, tempo para recorrer e publicação de resultado final no Diário Oficial. Existem outros trâmites burocráticos que devem ser observados pelos beneficiários dos recursos federais.

 

O QUE DIZ A ESCULTURA?

Por si só, a natureza já é uma arte, e esta, esculpida por ela com uma ajuda repentina de uma escavadeira manejada pelo homem, que suspendeu os bagaços e garranchos da seca do sertão, faz o observador criar várias imagens e refletir sobre o seu escultor. É de um sertanejo nordestino a pedir socorro, ou de um conselheiro que cura nossas dores? É de um velho viajante do tempo? De um andarilho com seus mistérios da vida? De uma rezadeira que tira os males do corpo? De um índio em extinção, ou mesmo de um orixá caçador Oxóssi ou guerreiro Xangô? Pode ser um deus extraterrestre flagrado pelas lentes da minha máquina quando aterrissava de um disco voador em plena caatinga do sudoeste baiano? Faça, você mesmo, a sua interpretação. Procurei dar um nome, mas, no momento, minha cabeça não anda muito boa da imaginação. O que diz a escultura e como ela se chama? Você mesmo pode dar o seu nome, ou é melhor deixá-la no anonimato? Pode ser José, João, seu Silva, Severino. Não importa o nome.

 

QUEM É ESSE ENCANTADO?

De autoria de Jeremias Macário

Quem é esse encantado,

De alma menino,

Que tanto nos fascina,

Como mito divino,

Que encurta caminhos,

Filho da América Latina,

Que escreveu em sua lápide:

Por aqui passei, sempre amei,

E tudo deixei.

 

Quem é esse encantado,

Sem mitra e estola,

Que fez da vida sua escola?

É o índio guerreiro?

General das guerras vencedor?

Escravo liberto do seu senhor?

Sábio viajante do tempo?

Ou espírito amante cantante?

 

Tentei decifrar seu encanto,

De encantado profundo,

Religioso e profano,

Que sabe rir e sofrer,

Sem ser pecador e santo,

Que só o canto da viola,

Desencanta seu mundo.

 

Quem é esse encantado,

De tanto mistério na terra,

Que aprendeu subir e descer a serra,

Conhece os enigmas do ar e do mar?

 

Quem é esse encantado,

Que tanto encanta o humano,

Pescador de poesia,

Resistente como planta

Do nosso sertão nordestino,

Que rege seu próprio destino,

E vive da sua filosofia?

 

 

MAIS UM CASO A SER ARQUIVADO

Como o caso do menino Maicon, que ninguém mais se lembra, as mortes dos ciganos (fato mais recente), a chacina numa periferia de Vitória da Conquista, o assassinato do jornalista João Alberto no final dos anos 90, dentre outros, a morte do jovem Yuri Oliveira, filho do jornalista Tico Oliveira, pelo pelotão Peto da polícia militar, será mais uma ocorrência destinada a ir para o arquivo morto.

Conforme relato de Bianca, esposa da vítima, que deixou dois filhos menores, um de 12 e outro de 10 anos, os policiais invadiram sua residência sem mandado judicial, o que constitui em crime contra a Constituição, e Yuri foi colocado na viatura, possivelmente já morto. Será que eles não sabem que entrar numa residência privada só com um mandado da justiça? Fariam isso se fosse na mansão de um ricaço ou de um político?

Os familiares só foram saber do seu falecimento horas depois, no Hospital de Base. Bianca ainda relatou que implorou para entrar em sua casa no momento da invasão, mas foi impedida pela polícia. Quando conseguiu, a casa estava cheia de sangue, segundo informações da própria.

Como sempre acontecem nessas ocasiões, o comando militar sempre anuncia que vai apurar e investigar a ação irregular de seus subordinados, mas o tempo passa e tudo cai no esquecimento. A mídia também comete o pecado de não acompanhar o resultado da investigação. O sistema já está errado quando é regra geral a polícia investigar polícia, no caso a corregedoria que cheira com corporativismo.

A impunidade neste país é mãe da violência. O pior de tudo isso é que boa parte da sociedade compactua com esses atos, dizendo que a polícia tem mesmo é que matar. Eu mesmo já ouvi muito isso da boca de certas pessoas em Conquista, não imaginando que um dia pode acontecer com elas ou com alguém da sua família.

É mais um fato brutal que nos faz lembrar os tempos da ditadura civil-militar de 1964 e do AI-5 onde os direitos humanos foram simplesmente abolidos. Não importa se a pessoa tem passagem pela polícia, se o procedimento ultrapassa os limites constitucionais e termina em morte que poderia ser evitada através da prisão do perseguido, ainda quando este estava dentro da sua residência. Não dá para entender que uma pessoa sozinha com um revólver vá enfrentar policiais fortemente armados, só se estiver com o intuito de se suicidar.

 

 

OS “BEBUNS” DO JENIPAPO

Nas andanças da vida, a gente vê e observa coisas hilárias, inusitadas e outras cotidianas que vamos incorporando aos nossos arquivos de lembranças. Os cronistas do tempo, desde a Grécia Antiga, delas se aproveitavam dessas matérias-primas para nos ofertar belos textos, muitos dos quais em forma de comédia, humor e até tragédias.

Pois é, na semana do São João estava eu numa dessas andanças pelas bandas de Juazeiro, Senhor do Bonfim e Jacobina, com intuito de encerrar as festas juninas em minha querida Piritiba, mas meu desejo de curtição evaporou-se por causa dessa pandemia. Em Bonfim tinha parentes com covid e, quando estava no distrito de Jenipapo, recebi notícia semelhante sobre a situação de Piritiba.

Com essa frustração toda, fui obrigado a retornar para Juazeiro, mas antes pernoitei na casa da minha irmã que reside atualmente no distrito de Jenipapo, que uns dizem pertencer a Jacobina e outros a Miguel Calmon, vizinho de Piritiba. Bem, isso é menos relevante que os “bebuns”.

É só para dizer que recebi o castigo dos deuses para atravessar mais um ano (agora são três) sem ver a cara da festa mais popular nordestina que mais adoro, apesar de terem descaracterizado. Até o prefeito do município de Laje, na Bahia, tentou proibir que se fizessem fogueiras no seu asfalto novo. Pense num absurdo…. dizia o ex-governador João Mangabeira.

Não quis o santo que eu tomasse nem um quentão, comesse uma canjica, um milho e nem saboreasse um amendoim cozido. Imagino que fiz alguma coisa contra ele para merecer essa punição de não cair na gandaia dos folguedos e me esbaldar como sempre faço.

Estou enrolando com isso tudo e ainda não falei dos “bebuns” do Jenipapo, mas vamos lá. Logo que cheguei, por volta das 13 horas, me deparei na rua principal da entrada (só existem umas duas ou três, e haja quebra-molas!) com um grupo de três ou quatro “cachacistas”, em pleno dia de semana, numa batucada infernal com uma pequena caixa de som estragado do tipo “bate estaca”. A coisa estava animada e só rolava a pinga braba misturada. Como não tinha mulher, dançava homem com homem no chão batido na porta da rua. Abraço pra lá, amigo pra cá e até beijo de cumpadi.

A fome começou a bater, e ai fui providenciar uma bar-restaurante para forrar a barriga que já roncava. Comida fria cheia de comim, mas a fome fala mais alto. Tomei umas geladas, que ninguém é de ferro e, na volta, os “bebuns” continuavam ainda mais animados. A tarde caiu, e os “pingunços” entraram pela noite a dentro ao som da caixa. Sem luz no casebre, a farra foi mesmo no escuro.

Cá de longe a tudo “filmava” e me divertia para esquecer que não ia mais farrear meu São João em Piritiba. Quanta saudade! Quando já era tarde, lá vem eles falar comigo com aquele bafo de álcool e conversa mole, para me convidar a se juntar a eles.

Tive que dar uma saída de que não bebia, mas o melhor estava reservado quando por volta das 24 horas, saiu de um bar, não de onde, um “bebum” caxingando de uma perna e arrastando chinela pela aquela rua deserta sem mais uma viva alma.

Uma cena hilariante! O “bebo” dava dois passos pra frente e três para trás. Uma luta danada para vencer sua embriaguez, até que se aprumou e encurtou a distância para sua casa, sem antes dar uma parada e mijar na rua. Que alivio deve ter sido!

Fiquei assuntando sua peregrinação etílica até chegar na porta do casebre. Foi a cena que me deixou mais descontraído porque o “bebum” demorou uns cinco minutos para abrir a porta. Ia de vez e voltava de costas, tentando acertar a chave na fechadura.

Naquela agonia, pensei até em ir lá para ajudá-lo, mas teve uma vez que mirou o alvo e lá caiu de vez na sala, deixando tudo aberto. Fui dormir e não soube mais o que aconteceu porque logo cedo peguei estrada, deixando Jenipapo dos “bebuns” para trás.

LINDO POR FORA E ESTRAGADO POR DENTRO

Muitos discordam e outros que é derrotismo, mas a realidade nos mostra que temos um Brasil lindo por fora de oito mil quilômetros de belas praias e encantadas paisagens naturais, e outro estragado por dentro desde que aqui chegou Cabral e depois mais uma leva de invasores que nessa terra, onde tudo dá, plantaram a corrupção, a esperteza de passar a rasteira no outro e a malandragem. No geral, somos filhos de pais com mau caráter e desvios de condutas.

São 522 anos de história cheia de ciclos econômicos e ziguezagues de Pau Brasil, Cana-de-Açúcar, Corrida do ouro e do diamante, do Café e da Borracha, uma parte de capitanias hereditárias para manter o luxo dos reis de Portugal no período colonial e a outra nas mãos de senhores oligarcas e coronéis opressores do povo que até hoje continua inculta e submissa de cabeça baixa. Temos um sistema eleitoral onde nada muda e sempre permanecem os mesmos viciados em roubar e tramar contra a República.

A parte linda de suas florestas, cachoeiras, rios, litoral, mar, baías, biomas exuberantes, biodiversidade, a fauna e a flora está sendo derrubada e queimada criminosamente, poluída e usada desordenadamente para dela extrair o capital para cada vez mais concentrar renda e aumentar as desigualdades sociais. Os índios praticamente foram dizimados pelos brancos, e os que restaram estão sendo violentamente massacrados pelos garimpos clandestinos e expulsão de suas terras.

Existe ainda uma parte linda, mas com um futuro desastroso, cujo impacto ambiental foi acelerado nesses últimos quatro anos nesse governo criminoso do capitão-presidente que mandou esvaziar e desmantelar os órgãos fiscalizadores e promotores da preservação. O Pantanal, a Floresta Amazônica e até a nossa caatinga estão sendo desfigurados e se tornando regiões desérticas.

Tudo isso está acontecendo aos olhos dos brasileiros e do mundo, com a anuência de um presidente e de um Congresso Nacional comprado e corrupto. Praticamente não existem clamor, indignação, revolta e protestos, mas somente conversas de blábláblás de cientistas, especialistas, ativistas, artistas e intelectuais que preferem ficar atrás das câmaras dando suas opiniões, ou no silêncio perturbador.

Cadê toda essa gente nas ruas, praças e avenidas para defender o direito das nossas futuras gerações e brigar para que o lindo não se torne feio, para que o mau canceroso seja extirpado. Não é somente a natureza, o nosso lindo patrimônio cultural, museus, monumentos e bibliotecas também estão sendo destruídos pelo fogo ou pelo tempo por falta de manutenção. Muitos dos nossos bens imateriais, costumes e tradições seculares estão desaparecendo e outros tantos nem existem mais. As nossas festas juninas, por exemplo, viraram shows de funks, hip-hop, lambadas, as comidas típicas substituídas por hamburguês, cachorro-quente e os folguedos se foram.

Como citei antes na abertura, o Brasil, infelizmente, nasceu estragado, que precisa ser jogado no lixo para que venha um novo. O nosso país tem um passado estragado vergonhoso de 350 anos de escravidão brutal que, de certa fora, perdura até hoje no trabalho e no tratamento para com seus filhos. Tem um longo passado de ditaduras de governos tirânicos torturadores, mais que liberdade e democracia. Tem a má formação colonial, imperial e republicana, todas sem a participação popular que sempre foi relegada e esmagada quando tentou se rebelar.

Para completar o estrago, temos dois brasis ou mais, um de lindas avenidas luxuosas e outros de ruelas, becos e esquinas de casebres subumanos, sem água potável e vivendo em pleno esgoto a céu aberto. Temos crianças raquíticas sem escolas, ingerindo drogas ou vendendo balas nas sinaleiras. Temos cracolândias e milhares morando nas ruas e viadutos. Temos um ser humano degradado que perdeu a esperança e tem medo de sair às ruas.

A parte estragada do nosso gigante Brasil está nas safadezas de cafajestes políticos carcamanos mafiosos, na elite capitalista que não quer divisão social, nas mordomias nababescas dos três poderes, nos extremistas fascistas, terraplanistas e fanáticos religiosos ou não, que primam pela prática do preconceito, do racismo, da homofobia, da misoginia e uma nação retrógrada nas ideias e no pensamento, inclusive pedindo uma intervenção militar ditatorial.

O estragado está também nessa esquerda arcaica, de linguagem velha, que esqueceu suas bases junto ao povo, para se agarrar ao poder, inclusive se juntando a essa direita quando é da sua conveniência. Está nos quase cem anos de atraso na educação, nos mais de 30 milhões de famintos, nos doze milhões de desempregados, nas violências bárbaras, nas matanças de cidadãos pelas polícias, nas favelas desumana, nos corredores da morte dos hospitais superlotados e na própria população que se deixou contaminar pelos malfeitos que vêm lá do alto, gerando a falta de respeito para com o outro do seu mesmo nível de pobreza.

A parte estragada está em nós mesmos egoístas que não reagimos, mas nos contentamos com o pouco de ter um carrinho na garagem, uma viagem vez ou outra e uma cervejinha em final de semana. Está estragado no conservadorismo, na forma de planejar o crescimento econômico e na priorização do individual pelo senso coletivo. Está na falta de consciência política, no voto vendido e comprado por favores, na ignorância de milhões de incultos, nas filas dos auxílios, nas doações como esmolas e na crença idiota de que foi Deus que assim sempre quis.

“MOMENTO HISTÓRICO”

Carlos González – jornalista

O título de uma das principais matérias do Diário Oficial de Vitória da Conquista da última sexta-feira (dia 1 º) chama atenção para suas primeiras palavras: “Momento histórico”. Na leitura do texto concluímos que esse relevante acontecimento, que entrará para os anais do município, se resumiu numa simples transmissão de cargo, no qual a prefeita Sheila Lemos, que vai fugir do frio por 15 dias, cede sua cadeira ao presidente da Câmara de Vereadores, Luís Carlos Dudé.

O papa Bento XVI entregou as chaves da sede da Igreja Católica Romana ao cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que se tornou papa Francisco; o rei João Carlos I, da Espanha, abdicou em favor do seu filho Felipe VI, de quem sou um respeitoso súdito. Esses e outros atos similares vêm ocorrendo há séculos, sem afetação, principalmente nos países de regime parlamentarista, com constante troca de chefes de governo.

Para que amanhã Conquista não venha a ser comparada com Sucupira,  a risível cidade criada pelo escritor baiano Dias Gomes (1922-1999), não vejo necessidade de se repetir as formalidades, daqui a 15 dias, quando a prefeita retornar de seu merecido e tropical descanso. Um aperto de mãos e um abraço firmam a transmissão de poder.

Mas, em vez de um simples cumprimento, na presença de poucas testemunhas, em seu gabinete, a prefeita optou por uma festa cívica, num auditório decorado, na presença de políticos, servidores municipais, dirigentes de entidades empresariais e financeiras, e da imprensa – os veículos considerados independentes ficaram de fora. O texto do decreto de posse e assunção do cargo foi encadernado e recebeu as bênçãos de um sacerdote cristão.

Creio que o presidente Jair Bolsonaro – o governador Rui Costa, “persona non grata” desta gestão, nem foi lembrado – não foi convidado, porque, certamente, não perderia a oportunidade de promover mais uma motociata nas ruas de Conquista. Usando e abusando das aeronaves da FAB, o destemperado Messias atravessou os três anos e meio de seu (des)governo passeando pelo país, e “inaugurando” obras dos outros, uma delas, o Aeroporto Glauber Rocha.

“Não tenho dúvida que aqui se registra um momento histórico da maior grandeza”, admitiu Sheila Lemos no discurso de passagem do cargo, lembrando que Luís Carlos Dudé “é um amigo de muitos anos”, que adquiriu experiência política com os amigos que fez.

Ao agradecer, Dudé elogiou a gestão de Sheila, com realização de obras nos “quatro cantos da cidade” (não mencionou o caos na saúde e na educação e o abandono da zona rural); destacou o fato de ter nascido na Alegria (zona oeste), onde mora até hoje; de ter ganhado as primeiras moedas vendendo picolé e cocada; de sua identidade com o catolicismo. Dudé se referiu ao ex-prefeito José Pedral como “meu professor e como o maior político na história de Vitória da Conquista”.

Em cima do tema em questão eu perguntaria: quem acredita que Bolsonaro vai passar a faixa presidencial a Lula? Ele já disse que vai deixar o Brasil, mas não informou o destino. Suas divergências com chefes de governo, por causa da sua política em relação a Amazônia, vão lhe mostrar que só há um caminho: a Hungria, cujo primeiro-ministro, Viktor Orbán, é um ultradireitista, que, praticamente, amordaça a imprensa.

 

 

 

 

AS TORTURAS CONTRA OS ESCRAVOS

Castigar, segundo a ideologia da violência no Brasil escravista “era uma eficiente forma de controle social, destinada a servir de exemplo aos demais cativos. Por isso, muitas sessões de açoite eram executadas em praça pública, com o escravo amarrado no pelourinho, o símbolo do poder régio nas vilas do Brasil colonial, como mostram os famosos quadros e ilustrações de Jean-Batiste Debret e Johann Mortz Rugendas do começo do século XIX”.

A descrição é do jornalista e escritor Laurentino Gomes na segunda trilogia das obras “Escravidão”, no capítulo intitulado ”A Violência”. Mais adiante ele diz que no imaginário escravista, o castigo, além do seu caráter educativo e pedagógico, era também uma maneira de disciplinar e organizar a força de trabalho cativa.

Por isso, de acordo com Laurentino, após as sessões de açoite, aplicavam-se sobre as feridas misturas consideradas cicatrizantes, como salmoura (uma combinação de água morna com sal), suco de limão, vinagre, pó de carvão moído ou mesmo urina. Muitas vezes, o feitor picava a carne do escravo com uma navalha, para aplicar as misturas, conforme relatam historiadores da época.

Descreve ainda o autor que nas chamadas casas de correção, caso do prédio conhecido até hoje como Calabouço, no Rio de Janeiro, havia espaços especialmente destinados ao castigo dos escravos que para lá eram mandados a fim de serem punidos por desobediência ou falhas pequenas.

Era, na verdade, torturas institucionalizadas pelo Estado, e o fazendeiro pagava uma quantia para ter seu cativo castigado, muitas vezes com até 200 e 300 chibatadas. “No livro caixa eram anotados os custos dos serviços judiciais, que incluíam o açoite e a permanência do escravo no local, e que depois seriam reembolsados pelo seu dono”.

Era impressionante a lista dos instrumentos utilizados nas torturas. O historiador Arthur Ramos classificou em três categorias, como os de captura e contenção, os de suplício e os de aviltamento. “Para prender os escravos, eram usadas correntes de ferro, gargalheiras (que se prendiam ao pescoço), algemas, machos e peias para os pés e as mãos, além do tronco, que era um pedaço de madeira dividido em duas metades com buracos nos quais se introduziam a cabeça, os pés e as mãos dos cativos. A máscara de folhas de flandres servia para impedir o escravo de comer cana, rapadura, terra ou engolir pedras de diamante e pepitas de ouro”.

“Os fugitivos eram marcados com ferro em brasa com a letra F no rosto ou nas costas ou obrigados a usar o libambo, uma argola de ferro que lhes era presa ao pescoço, com uma haste apontada para cima, às vezes equiparada com chocalhos, para denunciar os movimentos do escravo”.

Destaca Laurentino que, em 1692, o padre jesuíta Barnabé Soares escreveu um regimento para regular a vida no engenho Pitanga, na Bahia, no qual se previa pena de até 24 açoites para crimes comuns cometidos por cativos. Dizia ele que, para trazer bem domados e disciplinados os escravos, é necessário que o senhor não lhes falte com o castigo, quando eles se demandam e fazem por onde o merecerem.

O jesuíta Jorge Benci também salientava que não é crueldade castigar os servos, quando merecem por seus delitos ser castigados, mas antes é uma das sete obras da misericórdia que mandam castigar os que erram. Existiam leis régias que mandavam punir os fazendeiros que exagerassem nos castigos, muitas vezes até com mortes, mas essas normas não eram obedecidas. O braço da justiça não alcançava os longínquos sertões do Brasil.

“Os holandeses, que ocuparam parte do Nordeste, entre 1624 a 1654, seguiam as mesmas fórmulas de castigos. Quem quiser tirar proveito de seus negros, há de mantê-los, fazê-los trabalhar bem e surrá-los melhor; sem isso não se consegue serviço, nem vantagem alguma, recomendava Johannes de Laet, diretor da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.

Os religiosos aconselhavam que os castigos fossem ministrados com prudência. Jorge Benci, por exemplo, indicava que o número de açoites nunca ultrapassasse quarenta por dia, de modo a não mutilar o escravo e nem incapacitar para o trabalho. No entanto, segundo Laurentino, no século XVIII, havia notícias de sessões de duzentas e até quatrocentas chibatadas.

Um dos maiores torturadores da época foi o mestre de campo Garcia D´Ávila Pereira Aragão, da ilustre Casa da Torre, na Bahia, pelas heresias que fez aos seus escravos. Contam que Garcia “colocava ventosas com algodão e fogo nas partes pudentes das escravas. Uma delas, surpreendida enquanto dormia fora de hora, teve uma vela acesa inserida pelas suas partes venéreas. Certa vez, usara uma torquês de sapateiro para arrancar de uma só vez chumaços de cabelos de uma mulher. A um menino ele deitava e pingava dentro da via (o ânus) cera derretida. Um escravo fora açoitado por três horas seguidas e, depois, pendurado pelos pulsos, por mais duas horas, com um peso enorme atado aos testículos e torniquetes presos aos dedos dos pés”.

 

LANÇAMENTO DO MUSICANTE 2022

Foi lançado nesta sexta-feira (dia 1/07), num café da manhã, no salão Rafiki, o Musicante 2022 – 2º  Festival de Música Estudantil do Sudoeste Baiano, com as presenças dos deputados federal e estadual, Waldenor Pereira e José Raimundo, respectivamente, o diretor do Núcleo Estadual de Educação, Ricardo, o presidente do Conselho Municipal de Cultura, Jeremias Macário, professores, estudantes e demais convidados da sociedade conquistense.

O evento é uma promoção do Núcleo Territorial de Educação-NTE20, cuja diretora é a professora Nellyne Celene, com apoio financeiro da Secretaria de Educação do Estado e emendas parlamentares de Waldenor e José Raimundo. O concurso do festival, como qualquer outro, segue suas regras de seleção, e os vencedores serão premiados com verbas e troféus.

A solenidade de lançamento foi encerrada pelo cantor e compositor Evandro Correia e Igor de Brito, vencedor da primeira edição do Musicante, realizado de forma presencial e virtual em 2021, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, quando contou com a participação de 24 municípios da região sudoeste e 51 escolas.

O 2º Musicante deste ano será totalmente presencial no mês de novembro, no Centro de Cultura, devendo contar com maior número de inscritos, conforme previsão da diretora do NTE, Nellyne Celene, que se mostrou muito entusiasmada com a adesão dos estudantes ao Festival Estudantil, um sucesso de público.

Na ocasião, do lançamento do 2º Musicante, falaram os deputados Waldenor e José Raimundo enaltecendo a cultura e a arte que, segundo eles, foram mutiladas no atual governo federal, inclusive com o fim do Ministério da Cultura, mas reafirmaram que sempre sobreviverão às dificuldades do tempo.





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