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SE CRISTO RETORNASSE À TERRA E FOSSE UM BRASILEIRO NORDESTINO

Poderia ser na Bahia, na Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará ou Maranhão, nessas terras áridas e secas de séculos de sofrimento, parecidas com a Palestina antiga dominada por Roma, em meio a um povo explorado pelos senhores coronéis das fortunas e do poder! Como seria sua linguagem evangélica?

Creio que seu discurso seria mais na linha política que filosófica e cristã ao condenar os fantasmas embusteiros e se levantar contra sulistas nazifascistas que desejam morte aos nordestinos. Iria correr trechos numa Kombi, numa Van ou numa moto com seus seguidores convocando as pessoas a se unirem a não baixar a cabeça para os poderosos. Faria diariamente marchas de protestos.

Com certeza ficaria horrorizado com esses pastores peritos em lavagem cerebral na corrida para serem eleitos e fazer bandidagens no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Repeliria energicamente esses evangélicos fanáticos que em seu nome jogam pedras em terreiros de candomblé, odeiam outras crenças, praticam o racismo e a homofobia.

Muitos católicos e padres carolas conservadores que só estão ali para pregar aquele evangélio antiquado e enfadonho sem sal nas falas seriam também alvos de suas bordoadas. Suas palavras teriam um tom socialista e seria renegado e chamado de comunista por esses falsos cristãos. Claro que sofreria constantes ameaças de morte e viveria cercado de seguranças.

Será que Ele rogaria ao Pai para que perdoasse porque eles não sabem o que fazem? Ou pediria que todos fossem castigados e condenados ao fogo do inferno como nas narrações do Antigo Testamento com relação aos ímpios, cruéis e fariseus? Usaria seu poder divino da chibata para expulsar esses vendilhões dos templos?

Em suas andanças pelo agreste do sertão nordestino, pelas ruas e cidades pequenas e grandes derramaria lágrimas ao se deparar com tanta ignorância, violência, brutalidades, atos desumanos, fome e miséria.  Em suas preces rogaria ao seu Pai misericórdia e punição severa aos corruptos, ladrões, mentirosos, falsários que enganam o povo falando em pátria, família, liberdade e Deus acima de tudo.

Ficaria enojado com aqueles que passam o dia usando seu nome e o do seu Pai em vão, até em jogos de azar, para praticar a maldade e tirar dos pobres para se enricar, comprar mansões, manter suas orgias e ainda tripudiar da fraqueza alheia.

Descarregaria toda sua revolta e protestos contra aqueles que fazem do povo massa de manobra em defesa de seus interesses particulares. Seus manifestos seriam duros e impiedosos. Ordenaria que parassem de citar seu nome sob pena de serem jogados nas valas dos esquecidos com morte lenta e penosa.

Do outro lado, se sentiria infinitamente angustiado com essa justiça feita pelos homens que nada tem de igual para todos, mas que protege os ricos e prende os fracos em presídios sujos, fedorentos e superlotados.

Como suportaria a dor em ver os bandidos de colarinho brancos soltos por aí, enquanto muitos inocentes encarcerados, inclusive aqueles que não tiveram chances de alcançar uma vida melhor e partiram para o crime? Oh quanta tristeza! Oh quanto desengano, absurdos e trevas ver uma nação caminhar para o amargedon! Diria, Pai afasta de mim este cálice!

Todos eles não passam de Caifases, aqueles sumos sacerdotes que participaram do julgamento de Jesus Cristo perante o Sinédrio de Jerusalém. Estão mais para traidores do verdadeiro cristianismo, lobos vestidos em peles de cordeiros. Certamente Cristo retornaria envergonhado diante de tanta barbárie cometida por gente que diz, com maior cinismo na cara, ser seu representante na terra.

PRESSÃO DA INGLATERRA ACABA COM O TRÁFICO NEGREIRO NO BRASIL

Depois de ser humilhado e até sofrer um bloqueio naval por seis dias no Porto do Rio de Janeiro, o governo imperial de D. Pedro II se apressou em decretar, em 1850, o fim do tráfico negreiro através da lei chamada de Eusébio de Queirós Coutinho Matoso Câmara (africano de ascendência portuguesa nascido em Luanda), mas, mesmo assim, muitos continuaram fazendo algumas importações de cativos africanos de forma clandestina.

A lei parlamentar de 1831, apelidada depois para “inglês ver”, não evitou o tráfico e isso irritou os britânicos que fizeram diversas ameaças ao Brasil, inclusive com o aprisionamento de navios em portos e águas territoriais. O próprio Eusébio de Queirós era conivente e acobertava os capitães de navios, os fazendeiros do café e os traficantes.

O jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor da trilogia “Escravidão” narra os episódios que levaram o Brasil à proibição do tráfico de africanos, como no capítulo da terceira obra intitulada de “Na Mira dos Canhões” onde cita o incidente ocorrido no Porto de Paranaguá, no Paraná, justamente em 1º de julho de 1850.

O tiroteio aconteceu na antiga Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, construída na Ilha do Mel para proteger a entrada da barra. Na ocasião, o embaixador da Inglaterra no Rio de Janeiro, James Hudson chegou a dizer que “a coragem não é uma virtude brasileira”.

A guarnição do forte chegou a trocar tiros com um cruzador britânico, o HMS Cormorant, cujo comandante estava inspecionando navios suspeitos e apreendia todos que estivessem praticando o tráfico de escravos. Três barcos foram atrelados ao cruzador para serem rebocados para fora da baía quando o chefe da Fortaleza reagiu. Após o ocorrido, o capitão inglês mandou queimar dois navios, o Leônidas e o Sereia.

Na época, o litoral do Paraná, ainda sob a jurisdição da província de São Paulo, era um dos locais mais concorridos para refúgio do tráfico clandestino. Não muito longe dali se situavam as ricas fazendas de café, no Vale do Paraíba.

Diz Laurentino que em Paranaguá, o comércio ilegal de gente envolvia as mais altas autoridades, incluindo o delegado de polícia José Francisco Barroso, o juiz municipal Filastro Nunes Pires e o coronel Manuel Antônio Guimarães, comandante da Guarda Nacional. Mesmo assim, essa gente recebia títulos de nobreza do imperador.

Pelo revide, o padre Vicente Pires da Mota, presidente da província, elogiou a guarnição da fortaleza e os civis que participaram do combate. No entanto, o governo imperial, por temer retaliações militares e diplomáticas mais duras, preferiu se explicar perante a Inglaterra.

A partir disso, o governo inglês impôs que o Brasil parasse de traficar escravos africanos. Na época, os britânicos eram uma potência marítima e industrial. A única saída era mesmo acabar de uma vez com o comércio clandestino de escravos.

No mesmo mês de julho de 1850, o ministro da Justiça, Eusébio de Queirós convocou a Câmara dos Deputados para, às pressas, dar andamento a um projeto emperrado nos meandros da burocracia legislativa desde 1837.

Numa tramitação relâmpago, o projeto de Eusébio foi aprovado pelos deputados em 17 de julho. Em meados de agosto passou também no Senado. Em 4 de setembro de 1850 tornou-se lei sancionada pelo imperador.

Como destacou Laurentino, foi literalmente sob a mira dos canhões britânicos que o Brasil concordou em acabar com o tráfico de africanos escravizados no Atlântico. Logo depois, a marinha brasileira passou a se empenhar na repressão ao tráfico. Alguns dos principais traficantes estrangeiros, como os irmãos portugueses Antônio e Manuel Pinto da Fonseca foram presos e expulsos do país.

 

POLUIÇÃO DE TORRES

Depois de invadida por moradias clandestinas, depredada por exploradores de areia, terra e pedras por muitas décadas, com a modernização das tecnologias de comunicação, principalmente, a Serra do Periperi, tombada em 1996, se não me engano, pelo governo de José Pedral, está poluída de torres e fios elétricos, de telefone e operadoras de internet. Infelizmente, mesmo tendo sido transformada em “parque de preservação ambiental”, a Serra, com seu lindo pôr-do-sol, ainda é pouco visitada pelos conquistenses e visitantes, quando já deveria ser um cartão postal de Vitória da Conquista. Além das invasões constantes que ainda acontecem, sem falar nos incêndios, ela hoje está com seu visual poluído por torres na parte mais alta. Despois de tantos estragos praticados pelo ser humano, principalmente pelo poder público que dela retirou toneladas de materiais, como durante a construção da BR-116, a chamada Rio-Bahia, ainda nos restou um pedaço de mata do Poço Escuro e o monumento ao Cristo que o executivo promete urbanizar a área. No entanto, não adianta realizar obras de beneficiamento se não houver total segurança, pois até hoje as pessoas têm medo de subir à Serra para fazer algumas imagens e apreciar a cidade lá de cima.

MEU NORDESTE CATINGUEIRO

De Jeremias Macário. Uma homenagem ao Dia do Nordeste 8 de outubro.

Não vou falar de escritores,

Poetas, cancioneiros e sanfoneiros,

Mas de Maria, João e José,

Das rezadeiras e parteiras,

Do homem forte e contrito,

Que a seca vence com fé.

Da cantoria do adjutório,

Da batida da palha do feijão,

Das belezas do litoral e do sertão,

Do couro aboiador vaqueiro,

Do meu Nordeste,

De espinho catingueiro.

 

Falo dessa terra árida,

De alma pensativa cálida,

Do sol o ano todo a brilhar,

Da chuva a explodir em cores,

Dessas raras aves e flores,

Do luar no meu terreiro,

Do meu Nordeste,

De espinho catingueiro.

 

Falo da foice e da enxada,

Do “Velho Chico” a irrigar,

De tanta gente em procissão,

Para ao Supremo pedir e orar,

Que conserve sua bravura,

E das ervas tenha cura.

 

Daqui nasceu o Brasil,

Feito rebeliões dos malês,

Alfaiates, balaiadas e sabinadas;

Cruzou tropeiros e mascates,

E o samba veio da Bahia,

Em nome de todos orixás,

Com cheiro de amor no ar.

 

Falo do frevo pernambucano,

Do retirante valente estradeiro

Do meu Nordeste agreste,

De espinho catingueiro.

A BAIXARIA QUE O BRASIL NÃO MERECE

LULA DEVERIA TER SAÍDO CANDIDATO A PRESIDENTE, LOGO ELE SENDO O MAIOR ALVO DO ÓDIO DO INIMIGO? POR QUE O PT NÃO APOIOU OUTRO NOME?

Por ser um alvo tão fácil e que já serviu de ódio nas eleições de 2018, o PT e, principalmente, o ex-presidente Lula não deveria ter saído candidato pelo bem do Brasil. No entanto, vá dizer isso aos petistas que você será trucidado, triturado e moído, sem falar que será chamado de idiota e até de apoiador do Bozó, do bicho cão dos infernos.

Não importa que os processos de Lula tenham sido anulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e por outras estâncias judiciais, mas para trás ficou um rastro de condenações, inclusive de prisão, o caso do mensalão, do petrolão, dos delatores e da Lava Jato que todos sabem se transformaram num mar de lama na cabeça dos brasileiros.

Tudo isso fica entranhado no consciente e no subconsciente das pessoas, e o outro, mesmo que seja um satanás, belzebu, mentiroso, psicopata, falsário, fascista ou coisa assim, iria aproveitar para lançar seus torpedos a fim de liquidar com o inimigo. Fosse outro candidato de outro partido sem esse passado, o adversário seria mais neutralizado para ser derrotado e apaziguaria o país.

É esse cenário que envolve a vida de Lula o maior combustível para as baixarias a que somos obrigados a engolir até o dia 30 de outubro. O Brasil não merece essa enxurrada de sujeiras e lixo despejados a cada minuto nas redes sociais e nas emissoras de rádio e televisão. Até o papa está sendo envolvido nesse fogo cruzado. Praticamente, nada de projetos e propostas de governo.

A insensatez, a sede de poder, a prepotência, o orgulho de não reconhecer seus erros do passado, a falta de humildade e a ideia de que somente eles teriam força para bater o inimigo da nação levaram o PT a ser o próprio alvo. Pode isso nos levar ao suicídio coletivo.

Essa baixaria já era previsível como uma tragédia anunciada que causa estragos incalculáveis. Caso houvesse mais senso na política e se pensasse no bem do Brasil, o PT, tão odiado pelos fanáticos evangélicos, pelos extremistas nazifascistas, pelos negacionistas e moralistas de plantão, ficaria de fora desse pleito para apoiar um candidato ou candidata com um passado sem essas fixas corridas ou boletins de ocorrências.

Não vou aqui discutir se o Lula é inocente ou não, apenas a certeza de que ele iria ter uma grande rejeição e, ao invés de unir, iria dividir e levar a campanha para um nível de baixaria descomunal. Até o dia 30 vamos ter que aturar mais sujeiras nojentas.

Não é somente o problema dessa baixaria que logo irá terminar no final do mês com o resultado das eleições no dia 30, mas o risco que o Brasil corre de entrar nas trevas medievais por mais quatro anos. Se isso ocorrer, apenas pergunto quem serão os culpados por essa desgraça? Não é somente triste. É tenebroso.

 

 

COMO FAZER TURISMO EM CONQUISTA SEM FORTALECER A NOSSA CULTURA?

Tenho dito aqui repetidas vezes que nos últimos anos a cultura em Vitória da Conquista passou a se resumir em festa junina e Natal. Podem até me chamarem de chato, mas continuarei batendo na mesma tecla até que um governante tome consciência política e implante um Plano Municipal de Cultura que sirva de base e diretrizes para nortear as atividades do setor e prestigiar os artistas em todas suas linguagens.

Recentemente a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, em parceria com o Sebrae, elaborou o Plano Municipal de Turismo, mas em seu diagnóstico se percebe uma lacuna por não contemplar projetos culturais. A minha pergunta é como falar de turismo sem fortalecer a nossa cultura? Turismo é acima de tudo ter cultura para apresentar ao turista.

O visitante de fora não quer apenas ver a cidade, fazer trilhas, subir morros, se banhar em cachoeiras, mas conhecer também seu patrimônio histórico preservado e participar de eventos, como uma feira literária, um festival de música com premiações, festival de dança, de um salão de artes plásticas, peças teatrais e outras expressões populares da terra.

Para uma cidade do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia, que já viveu no passado momentos de efervescência cultural, lamentavelmente ainda deixa a desejar por falta de uma política que privilegie o setor, com uma Secretaria desmembrada do esporte e lazer e recursos orçamentários suficientes para atender a demanda.

A Conquista cultural de hoje está com seus equipamentos fechados, como o Teatro Carlos Jheová, a Casa Glauber Rocha e o Cine Madrigal, adquirido no governo Guilherme Menezes por um milhão e cem mil reais, em 2015, hoje sob a gestão da Secretaria da Educação (não dá para entender).

Temos ainda a Praça J.Murilo (Praça Céus), lá no Bairro Alto Maron, um local multiuso para a comunidade, com espaço de teatro, quadras de esporte, parque para crianças, skate, sala de reuniões e outros serviços, mas funciona precariamente. Além do mais, está a necessitar de reformas gerais em suas instalações.

Quanto ao Teatro Carlos Jheová, este está interditado desde a pandemia para reforma e não se tem uma definição se será ampliado ou até mesmo demolido. Há um ano os artistas de artes cênicas fizeram um movimento em defesa da sua abertura, mas continua lá sendo destruído pelo tempo.

O prédio do Cine Madrigal há anos se encontra também fechado. A informação que temos é que existe um projeto em licitação para obras de reformas, de maneira que seja adequado no conceito de acessibilidade com entradas e saídas de segurança em caso de incidentes. A aspiração dos que lidam com a arte e cultura é que ali seja transformado num Cineteatro, mas nada definido.

Outro equipamento parado é a Casa Glauber Rocha, na Rua Dois de Julho, também comprado pela Prefeitura Municipal. Existem muitas propostas para ocupar aquele espaço, como transformar ali num tipo museu do som e imagem, semelhante ao que hoje existe em Salvador, na Cidade Baixa.

Por meio de recursos visuais e sonoros, em cada ponto da Casa Glauber poderia ser contada a história de Conquista desde sua formação, com destaques para os principais personagens do município nas áreas da cultura, social, da política, das artes em geral, da economia e da indústria. O nome permaneceria o mesmo do cineasta conquistense.

Conquista cresce por todos os lados, de leste ao oeste, de norte ao sul e se desenvolve de forma acelerada, mas, infelizmente, estamos atrasados no quesito cultura, sem um plano de ações artísticas para preencher durante todo ano, não somente com São João e Natal.

Não temos nem um centro cultural ou um centro de convenções para realização de seminários, congressos e outros eventos. Como então pretender atrair turistas de fora sem um suporte forte na cultura? É preciso entender que a cultura, também chamada de economia criativa, rende emprego e dinheiro para a cidade e atrai visitantes, mas os governantes não enxergam assim.

Nos últimos anos, os prefeitos só têm pensado em ladrilhar avenidas ricas, calçadões para beneficiar o comércio e nem tem cuidado bem das nossas escolas, dos nossos postos de saúde, dos monumentos e preservação do pouco que ainda resta do nosso patrimônio histórico. Muitas edificações estão ameaçadas de desaparecimento. Vamos lutar pela cultura!

 

O ISOLAMENTO DO NORDESTE

  1. Carlos Albán González – jornalista
  2. O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais irrompeu entre os seguidores fanáticos de Jair Bolsonaro uma onda de insultos contra os nordestinos. O nazifascismo tropical, que usa desrespeitosamente o verde e o amarelo, quer transformar a terra berço do Brasil num imenso campo de concentração. Costurada por um presidente que há quatro anos faz de conta que trabalha, uma cortina de ódio foi erguida nas nossas divisas.“Morte (a bala ou de fome) aos nordestinos”, esbravejam os mais exaltados. Os parâmetros de retaliação criados por mentes poluídas vão desde a venda das nossas praias (a idéia do ministro Paulo Guedes, da Economia, esbarra na Constituição), à morte – seria em câmeras de gás como nos campos de concentração nazistas ? . Houve até quem sugerisse a construção de muros nas divisas dos estados nordestinos (o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump seria consultado).Se uma barbárie desabar sobre a cabeça dos brasileiros no dia 30, o nordestino, no futuro, vai precisar de salvo-conduto para ir a uma cidade do Sul ou Sudeste, ou a Brasília. O capim será nosso alimento, como induz o presidente, mesmo porque, os que passam fome, imaginaram um dia comer carne humana.

    O incitamento à violência, à intolerância religiosa, à xenofobia – que não é de hoje – contra o nordestino revelam que o Brasil pode se tornar o bastião da extrema direita no continente. A cruzada antidemocrática do militar expulso do Exército foi reforçada pela eleição para o Congresso do que há de mais retrógado neste país, em termos de política.

    Antes mesmo da posse os radicais escarrados das urnas já falam em alterar a Constituição para tornar permanente o orçamento secreto, o que significa seqüestrar as verbas da merenda escolar, das pesquisas, das universidades, da cultura e da saúde.

    Além dos assédios moral e sexual, a classe trabalhadora vem sendo vítima de um novo tipo de assédio, o eleitoral. A opressão do empregador bolsonarista tem ocorrido principalmente no meio rural.  Uma produtora de Luís Eduardo Magalhães (um dos dois municípios baianos onde o ex-capitão venceu) divulgou um vídeo pedindo a “demissão sem dó do eleitor de Lula”.

    Servidores da Prefeitura de Salvador reclamam de que estão sendo pressionados para votar em ACM Neto. Esse tipo de coação, que pode ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho e aos sindicatos, está enquadrado no artigo 301 do Código Eleitoral, sujeito a pena de quatro anos de reclusão,

    Separatismo

    No Brasil nunca houve uma forte tendência separatista entre regiões, muito menos entre os nordestinos, embora a cantora paraibana Elba Ramalho tenha sugerido oficializar a música “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, como hino da região. Lá pelas bandas do Sul, o gaúcho, de tempos em tempos, reúne seus vizinhos do Paraná e de Santa Catarina, para reacender o sonho de criação de uma nação que se chamaria Pampas..

    A Espanha, minha segunda pátria, convive há quase um século com os movimentos de independência da Catalunha e do País Basco.  Líder de uma das mais longevas ditaduras (1936-1975) no mundo, Francisco Franco procurou sufocar os opositores, inclusive proibindo que os povos de diferentes etnias que unificaram o país se comunicassem em suas próprias línguas, no caso, o catalão, o basco e o galego.

    O Generalíssimo, como gostava de ser chamado, enfrentou uma guerra civil, que matou 500 mil espanhóis, nos seus três primeiros anos no poder, graças ao apoio que recebeu de outros dois ditadores europeus, Adolf Hitler e Benito Mussolini. Para demonstrar força, Franco pediu ao III Reich que bombardeasse uma das cidades do norte da Espanha.

A pequena Guernica, no País Basco, com apenas 5 mil habitantes, foi atacada em 26 de abril de 1937. A aviação nazista lançou 22 toneladas de bombas, matando 1.645 pessoas. O massacre inspirou o artista andaluz Pablo Picasso a pintar “La Guernica”, a mais famosa tela do século XX, mantida num museu de Nova Iorque até o fim da ditadura franquista.

O sentimento separatista de catalões e bascos não se rompeu com a morte de Franco em 1975 e a conseqüente volta da Espanha ao regime democrático. O ETA, organização nacionalista basca, que evoluiu para o terrorismo, vive hoje na clandestinidade. A Catalunha optou pelo repúdio à monarquia, ao hino, à bandeira e ao idioma espanhóis.

“Matar, em nome de Deus”

Para evitar uma punição após a passagem da faixa presidencial pelos crimes cometidos durante seu mandato, Bolsonaro vai usar de todos os meios, lícitos e ilícitos, para vencer no segundo turno. Neste fim de semana, desagradando seus apoiadores evangélicos,  compareceu ao Círio de Nazaré.

O arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, divulgou nota informando que Bolsonaro não foi convidado e que não permitiria que o evento da Igreja Católica fosse usado com fins políticos. Contrariado, o “penetra” ficou confinado num navio da Marinha..

Afinal, qual a religião professada pelo genocida? Isso não importa para os líderes evangélicos do Brasil. Leonel Brizola, um dos mais brilhantes políticos brasileiros, ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, perguntou certa vez: “Qual a legitimidade de tantos pastores no governo fluminense? Assumem posição ambígua, se queixam de tudo, fazem denúncias, mas não deixam os cargos que ocupam”. E profetizou: “Se necessário, matarão em nome de Deus, para chegarem ao poder”

“Fundamentalismo evangélico ameaça a democracia”, título do artigo assinado há nove anos pelo Reverendo Carlos Calvani, publicado num jornal de Campo Grande (MS). Membro da Igreja Anglicana no Brasil, Calvani advertiu que os pentecostais “têm um projeto político muito perigoso para o Brasil, utilizando as Escrituras Sagradas como lhes convém”.

Calvani comparou o movimento evangélico carismático com o fanatismo islâmico do talibã, movimento nacionalista e fundamentalista difundido no Paquistão e Afeganistão, países asiáticos onde a mulher é humilhada.

 

 

“ESSE SAPATO É A SUA CARA”!

(Chico Ribeiro Neto) – jornalista

“Parece que foi feito de encomenda. E aproveite logo, porque só tem esse do seu número, é o único par. E essa semana vai ter aumento”.

Atendimento nas lojas tem hora que é fogo! Tem aquele vendedor que gruda logo em você assim que você entra na loja e não lhe deixa à vontade para circular e escolher.

Se o sapato está apertado nos dedos: “É bom assim, porque depois folga, e esse couro elastece bem”.

Se o sapato está folgado: “Melhor assim, porque os dedos ficam soltos e não incomoda”.

Uma amiga de São Paulo me contou que lá o chinês da loja já fica aborrecido quando você pega um segundo produto na hora de escolher. Ele acha que se você pega o primeiro produto tem que pagar logo e ir embora. E o pior é que quando paulista chega aqui diz que é mal atendido.

Mas também tem o comprador chato. Aquela mulher que experimenta mais de dez pares de sapatos e depois vai embora prometendo voltar. “O meu nome é Ivan”, diz o vendedor sem acreditar muito no retorno daquela escolhe-escolhe.

Meu irmão Zé Carlos, de saudosa memória, trabalhou na seção de tecidos da loja Duas Américas, na época a melhor loja da Rua Chile ou talvez de Salvador. Ele contou que às vezes chegava uma mulher, pedia amostras de 12 tipos de tecidos e depois ia embora: “Qualquer coisa eu volto”.

E o atendimento no serviço público? Com exceção do SAC, onde você é sempre bem atendido e em pouco tempo, o resto é brabo. Quem já precisou resolver alguma coisa na Secretaria de Educação sabe o que é padecer. Tem muita secretaria em que logo atrás da recepção está colado um cartaz em letras garrafais: “Artigo 331 do Código Penal Brasileiro: Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – Detenção de seis meses a dois anos ou multa”.

Tem aquele funcionário que perdeu a voz e só sabe apontar onde fica o próximo atendimento. Tem a funcionária que está limpando as unhas com um palito e que dispara logo: “Estou no meu horário de descanso, a outra moça tá vindo aí”, e retorna ao celular. Acho que uma boa solução seria tudo virar SAC.

Ainda não aprendi a comprar pela Internet. Mas ela também tem os seus chatos. Outro dia consultei preços de máquina de lavar e logo depois choveram ofertas no meu Face.

Enfim, não acredite muito quando o vendedor disser: “Essa camisa é a sua cara”. Um cara de pau.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

AS REBELIÕES E OS MANUAIS DOS SENHORES

Entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do XIX, os senhores escravocratas passaram a ter comportamentos mais brandos com seus cativos diante das rebeliões e fugas dos negros que pipocavam em vários estados contra a escravidão, lembrando sempre o massacre que ocorreu no Haiti, em 1791, quando milhares de brancos foram mortos cruelmente.

Diante dos fatos, os patrões começaram a formular cartilhas e manuais para tratar os pretos com mais moderação nos castigos, recomendando mais divertimento, folga do trabalho aos domingos para a prática da religião, folguedos e até cederam pedaços de terra para o cultivo, de modo a evitar levantes e preservar seu capital investido. Com a proibição do tráfico, os negros ficaram mais caros.

Quem narra essas mudanças é o jornalista e escritor Laurentino Gomes em sua trilogia “Escravidão” e cita dois manuais importantes divulgados pelo baiano Miguel Calmon Du Pin e Almeida e Carlos Augusto Taunay que orientavam os fazendeiros de como não perder seus cativos, mas sempre com disciplina, não deixando de castigá-los quando cometessem “erros”.

No capítulo “Medo, Morte e Repressão” ele começa a descrever a revolta dos Malês, em 1835, na Bahia, que deixou as autoridades apreensivas e reforçaram as seguranças. Na noite em que tudo aconteceu celebrava-se a “Noite do Destino” e o encerramento do Ramadã pelos haussás e os nagôs iorubás da Nigéria.

Na noite de 24 de janeiro, os boatos corriam na Cidade Baixa nas proximidades do porto do Mercado Modelo, de que cativos mulçumanos procedentes de Santo Amaro tinham ali desembarcado para se juntar a um africano de nome Ahuna, líder envolvido em algum tipo de conspiração.

Houve vazamento, e uma mulher de nome Guilhermina procurou um vizinho de chamado André Pinto da Silveira que comunicou tudo ao juiz de paz José Mendes da Costa Coelho. Este foi ao palácio e fez um relato ao presidente da província, Francisco de Souza Martins. O que se viu em seguida foi uma explosão de violência que se desdobrou em brutais confrontos entre forças militares e negros escravizados.

Na manhã seguinte já havia cadáveres espalhados por diversas ruas, praças e ladeiras da capital. Estima-se em setenta o número de mortos. Nessa devassa, mais de quinhentos pessoas foram punidas com penas de morte, prisão, deportações e açoites. A revolta dos malês levou pânico a outras regiões do país.

Nas quatro primeiras décadas do século XIX foram mais de trinta na capital, no Recôncavo e outras províncias. Metade delas, segundo Laurentino, ocorreu entre 1826 e 1830. Nunca houve uma sequência tão grande de fugas e rebeliões. Os senhores ficaram assustados.

A primeira delas, liderada pela etnia haussá, se deu em 1807. Em 1814 e 1816, os haussás fizeram uma série de ataques no Recôncavo e em bairros de Salvador. Em 1826, um grupo procedente do “Quilombo Urubu” tentou invadir Salvador aos gritos de “morra branco e viva o negro”.

Na revolta de 1835, a rebelião foi antecipada por cousa das delações, mas ampliou-se em vários lugares, como no centro, nas imediações do Campo Grande e Cidade Baixa. Tudo começou na Ladeira da Praça com a prisão de líderes, como Aprígio e Manuel Calafate. No local, cerca de cinquenta negros enfrentaram os soldados com pistolas e espadas. No confronto inicial morreram um africano e um soldado.

Mesmo às pressas, os rebeldes conseguiram arregimentar quinhentos combatentes que passariam as três horas seguintes enfrentando os agentes da lei nas ruas de Salvador. Acuados pela guarda, eles se espalharam entre o Terreiro de Jesus e na Praça Castro Alves. Seguiram depois rumo ao Bairro da Vitória. Houve assaltos no quartel da polícia no Largo da Lapa.

A última batalha aconteceu no Quartel da Cavalaria (Água de Meninos). Cerca de duzentos escravos participaram da luta com porretes, pistolas, espadas e lanças. Foram recebidos a bala e muitos terminaram sendo retalhados e baleados, enquanto outros se refugiaram no mato, morros e até se afogando no mar. Na conspiração ficou evidenciado que o levante teve motivação religiosa. A liderança era toda mulçumana com aspecto de guerra santa, uma jihad.

Laurentino destaca que, na época da Revolta dos Malês, entre oito a dez mil africanos escravizados desembarcavam anualmente no Porto de Salvador, a grande maioria do Golfo do Benin (Togo, Benin, Nigéria e Camarões). A região se converteu na principal fonte de escravos enviados à Bahia durante o século XVIII em razão da prolongada guerra entre o reino do Daomé e seus vizinhos.

Eram designados como pretos minas, devido a proximidade do antigo castelo de São Jorge da Mina, Elmina, em Gana. O censo de 1808, realizado em Salvador e freguesias próximas, constatou que dos 250 mil habitantes, só pouco mais de 50 mil eram brancos.

Nesse período de 1835 reinava ainda um clima de agitação originária da independência brasileira. Na Bahia, negros, mestiços, cativos e libertos foram recrutados e participaram de episódios como a Conjuração Baiana (Revolta dos Alfaiates), de 1798, da Independência da Bahia em 2 de julho de 1823 e da Sabinada, movimento republicano e federativo comandado por Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira.

Outras revoltas ocorreram durante a Regência entre a abdicação de D. Pedro I, em 1831, e a maioridade de D. Pedro II, em 1840, em Minas Gerais e no Maranhão, em 1838, com a Balaiada. Essas rebeliões escravas fizeram com que as autoridades adotassem medidas drásticas. Na Bahia, as batidas policiais depois de 1835 resultaram na detenção de centenas de suspeitos.

Essas questões serviram de roteiro para uma série de manuais e roteiros, muitos deles escritos por grandes fazendeiros, com o objetivo de adequar aos novos tempos o tratamento dedicado aos escravos. Alguns eram chamados de manuais agrícolas.

O baiano Miguel Calmon, por exemplo, escreveu “Ensaio sobre o Fabrico de Açúcar”, aconselhando moderação com os cativos, como fornecer moradia, alimentação e vestuário mais decentes, liberação de pedaços de terra para o trabalho deles, que constituíssem famílias, cuidados com a criação dos filhos dos escravos, divertimentos e castigos com prudência.

 

UMA CARTA DE REPÚDIO AOS FASCISTAS

INTELECTUAIS, OAB, PROFESSORES, ESTUDANTES, CLASSES, CATEGORIAS, TRABALHADORES, ARTISTAS E TODO POVO NORDESTINO, ESTÁ NA HORA DE SE UNIR EM TORNO DE UMA CARTA ABERTA DE REPÚDIO EM DEFESA DO NOSSO QUERIDO NORDESTE. NÃO SOMOS BAGAÇOS DESSES SENHORES TIRANOS. ATÉ QUANDO VAMOS CONTINUAR LEVANDO CHIBATADAS SEM DAR UM BASTA NISSO TUDO? AFINAL, FOI AQUI QUE NASCEU O BRASIL. FICO UMA FERA QUANDO FALAM MAL DO MEU NORDESTE.

No Rio de Janeiro eles são chamados de “paraíbas” e em São Paulo de “baianos”. Não se trata de carinho, mas de chacotas e discriminação, uma maneira de tratar os nordestinos de forma desprezível e preconceituosa, como se fossem gente inferior, esquisita, não civilizada fora do contexto padrão do resto do país.

Como se não bastasse tudo isso, nos últimos anos nas eleições, principalmente agora na voz do psicopata nazista capitão-presidente que injeta ódio em seus seguidores, os sulistas aproveitaram para descarregar seus xingamentos ao povo do Nordeste, chegando a apelar para a pratica da matança.

Contra esses bárbaros, o que mais nos incomoda é o silêncio perturbador e a falta de indignação, inclusive por parte da mídia. Tem um ditado que diz: “Quem cala consente”. Estamos agindo como o escrevo que baixa a cabeça diante do seu senhor para não ser chicoteado.

Na Faculdade de Direito de São Paulo, um movimento se uniu para defender a democracia ferida pelos agressores extremistas que se manifestaram a favor de uma ditadura. Foi divulgado uma carta em defesa do estado de direito e da liberdade de expressão.

Somos humilhados, chamados de candangos imprestáveis e não reagimos. Passou da hora dos intelectuais, dos artistas, líderes políticos da esquerda, estudantes, professores, trabalhadores em geral, entidades e associações, sindicatos, OAB e outras instituições fazerem uma carta aberta em defesa da nossa região.

O que me deixa inquieto é que poucos levantam a voz pedindo respeito para calar a boca desses imbecis cretinos que ainda falam em pátria, Deus, família e liberdade, mas não passam de anticristos demoníacos que só destilam veneno e nada têm de cristãos, muitos menos prezam o livre pensar.

O Nordeste que já fez tantas rebeliões, como a conjuração baiana, a revolta do malês, a balaiada, canudos, a expulsão dos portugueses na Bahia, com a independência do Brasil, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e em seus outros estados, agora se faz submisso e se deixa ser humilhado como raça inferior.

Onde está a fibra do nordestino, celeiro da cultura e das artes, de gente forte e destemida que enfrenta todas as adversidades, como a inclemência da seca, e não arreda pé de uma boa briga, nem leva desaforo para casa? Vamos continuar inertes ouvindo xingamentos e preconceitos xenófobos contra nós, sem nada fazer? Viro uma fera quando falam mal do meu Nordeste.





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