A MONSTRUOSIDADE DA PRF
Só pode ser a senha do demônio o que a Polícia Rodoviária Federal fez com um rapaz no estado de Sergipe, chegando ao ponto de asfixiá-lo no porta-malas do veículo até a morte. Quando uma pessoa civil comete um crime hediondo, a polícia costuma chamar o indivíduo de monstro, e o cara paga pelo que fez. O que a PRF fez, é o quê? Qual termo se usa para isso?
Nos últimos anos, essa corporação aprendeu a imitar a mesma violência da polícia militar, e em desvio de funções. Gostaria de saber, por exemplo, o que a PRF estava fazendo na operação no Rio de Janeiro quando mais de 20 pessoas foram mortas? O papel dela, como o próprio nome diz, não é patrulhar nossas rodovias para punir com multas motoristas irregulares e apreender drogas e contrabando em trânsito? Isso se chama desvio de conduta.
O que esses policiais fizeram em Sergipe é de uma brutalidade e covardia imensuráveis. Como sempre, os seus chefes superiores soltam uma nota de que vai apurar o caso e tomar as providências, mas sabemos, antecipadamente, que essa investigação não vai resultar em nada. É a mesma coisa que falam as ouvidorias das polícias militares: “Vamos apurar os fatos”. As imagens, por si só, já dizem tudo. Nem precisam mais de provas.
Colocar uma pessoa num porta-malas e jogar gás lacrimogênio, não passa de uma barbárie. Pior ainda é emitir explicações de que assim agiram para conter o moço, e que só dispunham daqueles instrumentos para deter apenas um cidadão desarmado e sozinho. É uma crueldade que faz partir o coração de qualquer um que viu as cenas horrorosas. Imagina agora para os pais e parentes!
Por que tanta estupidez vem acontecendo em nosso país nos últimos anos, e sem punição? Os brasileiros não param mais para refletir e pensar, porque toda essa violência se tornou banal. No nosso Brasil de hoje, milhões até concordam com ações desse tipo. Pior do que numa guerra, estão matando os pobres, os negros e quem for minoria.
Nada acontece para reverter essa situação, e ficamos aqui parados, esperando que outra brutalidade aconteça, para dizerem a mesma coisa de que vão apurar. Logo depois, todos esquecem, inclusive a nossa mídia, e os monstros voltam aos seus postos. Ninguém fala mais nisso. Todos nós somos culpados, mas, é só dar uma cesta básica “solidária” para “apaziguar” a consciência. “Que país é esse”?
OS FRUTOS DA TERRA
Como é bom plantar e colher os frutos da terra com seu próprio suor; ver e sentir a árvore brotar! Tudo isso faz lembrar a canção “Cio da Terra”, do nosso grande compositor e cantor Milton Nascimento, como na voz do Quinteto Violado. O flagrante das minhas lentes dessa obra da natureza vem lá do sítio do meu amigo Robson. No entanto, o homem é perverso e cruel com a nossa mãe terra, jogando nela o veneno dos agrotóxicos, derrubando e incendiando as florestas. Maldito seja quem não cuida bem do nosso chão, e dele só visa tirar o lucro do capital! Não são esses gananciosos dos grãos e dos bois de exportação que nos alimentam, mas o pequeno agricultor familiar que dá duro, enfrenta a seca e espera a chuva para lançar as sementes da esperança. Os gananciosos do dólar e dos altos preços, que destroem a natureza, deveriam ser amaldiçoados para sempre. Molhar o solo, colher os frutos da terra é como fazer uma poesia bem carregada de palavras, sentimentos e emoções da vida, bem diferente daqueles que matam a terra.
PRECISO RESPIRAR!
Novo poeminha de Jeremias Macário
Preciso respirar!
Preciso respirar!
Preciso de ar!
Estou sufocado,
Com essa fumaça da Amazônia,
O fogo do Pantanal;
Tenho insônia,
Angústia existencial.
Preciso respirar!
Preciso de ar! Gritar!
Dos automóveis, a fuligem,
Monóxido, metano, dióxido,
Carbono dos fósseis;
Não posso abrir minha janela;
Bate a poluição sonora,
Sem ar, trancado nessa cela;
Virgem Maria, Nossa Senhora!
Tanto lixo a entupir o mar;
Meu respirador, seu doutor!
Preciso respirar:
Novas ideias,
Sem polarizar;
Fugir dessa gente farsante,
De falso sorriso,
Palavra de vento errante;
Minha garganta, seu moço!
Tem um caroço.
Preciso respirar!
A vista se faz escura!
Nesse sistema sem cura;
Preciso de ar!
TRÁFICO NA BALA, PUTEIRO E BORDEL
Gostaria de indagar quem sabe há quantos anos os governantes e as polícias tentam combater o tráfico de drogas na base da bala nos morros do Rio de Janeiro e em outras capitais, mas o crime e a violência só aumentam? Alguém também pode responder o porquê de mesmo assim esse método ainda permanece na pauta deles? Qual a intenção de permanecer no erro, ao invés de realizar um trabalho conjunto de assistência social e educacional que ofereça melhorias de vida para que esse povo saia da miséria?
É o único país do mundo que insiste em gerar violência com mais violência através de armas e tanques em operações que deixam mais de vinte mortes todas as vezes que eles entram nas favelas, como a mais recente no Rio de Janeiro, agora contando com os aplausos do psicopata capitão-presidente, que transformou o Planalto num verdadeiro puteiro de sua história. Combater e questionar essas insanidades não se trata mais de questão política, por que, isso deixou de existir em nosso país.
No Brasil, como na Venezuela, o que temos hoje é um povo de massa, sem nenhuma informação. Não é mais cidadão. A classe média, que possui mais poder de entendimento, simplesmente está se acabando. No lugar está ficando apenas a pobreza alienada dependente do Estado e totalmente controlada pelo narcotráfico, evangélicos fanáticos e as milícias. Isso já está ocorrendo em todos estados brasileiros, inclusive no Nordeste.
Estamos num Brasil falido, e o Congresso Nacional virou um bordel, o qual vive de armadilhas, trocas de aprovações de projetos entre os partidos, rachadinhas, vendas de emendas parlamentares, orçamento secreto, formação de bolão do Fundo Eleitoral, Quadrilhas, leis de emendas da Constituição de interesses deles próprios, bancadas da bala, rural, da Bíblia e outras para roubar, conchavos entre esquerda e direita, dentre outros cem números de mutretas, roubalheiras e corrupções.
Todos eles só querem viver na luxúria e nas orgias, tanto os que pregam o neoliberalismo, as ideias moralistas de família, pátria e tradição, os que dizem temer a Deus, os ditos socialistas, os que defendem o prato de comida na mesa dos brasileiros e o fim das desigualdades sociais.
Todos formam uma só corja de cafetões de bordeis que vivem às custas dos trabalhadores que, por mera ignorância e ilusão, entram no jogo deles. Todos os dias, cada um passa na Casa da Luz Vermelha, Verde e Amarela para pegar o seu michê do dia, que não é pouca coisa. O Bozó gastou 28 milhões de reais no cartão corporativo e colocou tudo no sigilo por 100 anos. Estão nos tirando o resto que existe da educação e da saúde. O SUS virou uma legião de vivos-mortos.
Criaram uma guerra cultural e política para que uns fiquem contra os outros, enquanto os safados aproveitadores tiram proveito das rivalidades, tal como Portugal, Inglaterra, Holanda e outros países europeus faziam com as etnias e reinos africanos nos séculos passados, principalmente no XVIII, com a finalidade de obter mais prisioneiros cativos para encher seus navios negreiros nos porões assassinos.
Eles estão nos rifando, nos levando a leilões e, inconscientemente, nem percebemos. Como na escravidão, estamos sendo vendidos no mercado como animais e, cada um, passa a pertencer ao seu patrão, que mal nos dão a ração do dia com uma chibata em punho. Nesse sistema, em cada um foi introduzido um chip onde todos são monitorados por câmaras.
“FIADO SÓ AMANHÔ
Colaboração do meu amigo e companheiro jornalista de longas jornadas Chico Ribeiro Neto
Curto e grosso, esse é o melhor cartaz sobre fiado que conheço e que ainda hoje figura nas paredes e balcões de muitos bares e lojas. Não há mensagem mais direta nem mais esperta: “Fiado só amanhã”.
Há muitas formas de se enfrentar o fiado. Muitas vezes não adianta simplesmente dizer Não, tem que pendurar alguma mensagem pra ver se desencoraja o cara. Gosto muito de um antigo cartaz onde havia dois comerciantes. Um dizia “Eu vendi a dinheiro” e era gordo, com charuto na boca, todo feliz, a porta do cofre estufada de tanto dinheiro. Ao lado dele um cara esquálido, prateleiras vazias, ratos passeando pelo cofre que estava vazio, e a frase: “Eu vendi fiado”.
Emprestar dinheiro também é igual a vender fiado. No interior havia um ditado para dizer de alguém que emprestou dinheiro a um cara que é mau pagador: “Amarrou o dinheiro no cabo do veado”. Como o veado é muito veloz, ele não vai recuperar esse dinheiro nunca.
Existe a tática do pequeno empréstimo. Havia um repórter numa Redação de um jornal local de Salvador que sempre pedia dez reais emprestados a algum colega. Nunca era mais, sempre dez. Como a Redação tinha umas 60 pessoas, quando ele voltava ao primeiro o cara já tinha esquecido. Nesse rodízio do fiado ele sempre se dava bem. Além do mais, quem é que vai cobrar dez reais de um colega? Acaba mesmo esquecendo.
E tem gente que sabe pedir dinheiro emprestado. Não precisa contar história de que a sogra morreu, o carro quebrou ou precisa completar o dinheiro pra comprar um remédio. Ele puxa uma conversa bem amena com você e no meio da prosa dá a facada com a naturalidade de quem pergunta as horas: “Me empreste dez reais aí”. Difícil negar.
Ainda há bares onde existe o “prego”, um pequeno vergalhão ponteagudo, fixado numa base de metal, onde se enfiam os “vales” depois de assinados pelos consumidores. Quando o cara paga, o dono do bar vai lá, arranca o vale do prego e dá para o cliente devedor rasgar. Muitos se recusam a aceitar o valor do vale (“não foram oito cervejas, foram somente cinco”), mas é por isso que o dono pede pro consumidor assinar o vale, para não haver dúvida. No dia seguinte o cara sempre acha que bebeu menos.
Existe uma boa história do “prego”, contada pelo cronista e boêmio José Carlos Oliveira (1934-1986), Carlinhos Oliveira, “o mais ecumênico dos ateus”, como ele se definia. Ele estava num famoso bar do Rio de Janeiro, já era madrugada, quando chegaram cinco assaltantes. Carlinhos, que estava perto do balcão, quatro amigos e o português dono do bar foram rendidos por quatro bandidos enquanto outro raspava o caixa. De repente Carlinhos, mãos ao alto, disse para o bandido que o rendia: “O prego”. O cara entendeu, deu um sorriso cúmplice, foi até o prego, arrancou todos os vales e os colocou no bolso, para desespero do português, que xingava Carlinhos entredentes – “filho da puta” – pois tinha uma certeza: o cronista fazia aquilo por interesse próprio.
Outro cartaz interessante sobre o fiado diz assim:
“Nota de falecimento: Faleceu neste estabelecimento o Dr. FIADO, deixando a viúva – DONA CONTA – e seus três filhos: CALOTE, PENDURADO e DEPOIS EU PAGO. A família pede que não mandem FLORES, mandem dinheiro. O FIADO é muito PROCURADO, mas aqui não será ENCONTRADO”.
Outros cartazes sobre fiado:
“Fiado é igual a barba; se não cortar, só cresce”.
“O fiado é assim: eu vendo, você acha bom! Eu cobro, você acha ruim!”
“A gente só vende fiado para a Rainha da Inglaterra”.
“Fiado: só para maior de 99 anos acompanhado dos avós”.
“Fiado, nem a cunhado”.
“Fiado, nem água”.”
“Quem dá fiado, dá dado”.
“Porco fiado, todo o ano grunhe”.
Um dos cartazes admiráveis sobre fiado é este:
“CAMPANHA FIADO NÃO:
Não vendo FIADO pra ajudar você a ficar bem… Percebi que quando vendo fiado nos dias de pagar adoece alguém, um parente morre, quebra o carro, o beneficio é cortado, o salário atrasa, água e luz tá cortada. Então, pra não acontecer esse tipo de coisa não venderei fiado, porque não quero prejudicar você, já que toda vez que vendo acontecem várias tragédias. Portanto, pra evitar eu destruir sua vida, fiado não!”
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
TUDO É COM DEUS, OU A CULPA É DELE
Ao ler dois textos poéticos da minha autoria intitulados “Bruxa da Inquisição” e “Preciso Respirar”!, que falo da falta de apoio ao artista, hoje visto como demônio comunista, e sobre a natureza, meu amigo parceiro letrista Edilson Barros, lá de Fortaleza, da boa Ceará dos grandes talentos, me chamou de cruel. Simplesmente respondi que cruel é o homem com sua destruição que bota a culpa em Deus.
Ele riu, e disse ser verdade. Pois é, tudo que acontece hoje de anormalidade no clima, como a onda de frio fora do tempo no sul do país, seguida de ciclones de fortes ventos, foi Deus quem determinou, como se Ele fosse culpado de tudo. Quando as águas dos rios Madeira e o do Negro sobem no Amazonas, ou no Acre, e invadem as casas, o homem simples olha pesaroso e repete o mesmo.
Tem aquela história do “Deus que assim quis” para tudo que acontece de bom e ruim. Se chove demais, foi o Supremo Divino quem ordenou. Se bate a seca e o sertanejo dela foge em retirada, foi castigo de Deus. Na realidade, usam o nome Dele em tudo para esconder o conformismo e se eximir como vilão predador do meio ambiente.
Nem Freud e Lacan explicam essa psicologia do tudo pôr a culpa em Deus, e dizer que foi Ele quem quis, até quando se tem dez filhos em plena miséria humana. Não foi o Criador que lhe deixou na ignorância e sem educação, impedindo-o de prosperar na vida. Sem essa de que “a voz do povo, é a voz de Deus”, e ainda de que “Ele é brasileiro”. Seria muita maldade da Sua parte nos deixar nessa situação a qual vivemos hoje, com um maluco odioso, racista e homofóbico no governo, que manda “passar a boiada” para derrubar a Amazônia.
Em cada jogo de futebol que acontece nos campeonatos, Deus sempre está torcendo para algum time, e justamente para aquele que vence. “Ganhamos, graças a Deus”. “Fiz um gol, graças a Deus”. Até o pistoleiro faz a sua oração antes de partir para matar o seu “próximo” a mando do patrão do crime. Existe também a “guerra santa” dos islâmicos que explodem bombas contra outros em nome de Alá.
É comum a pessoa afirmar que Deus o salvou quando sobrevive a um desastre natural ou num trágico acidente. Quer dizer que Deus não estava ao lado dos outros porque eram infiéis? Até num jogo de baralho, dama, dominó ou nas lotéricas da Caixa Federal usa-se o nome em vão de Deus. Quando se pratica o mal, também, tanto que o cara se saia bem. É que Deus estava ao seu lado.
Esse Deus passa as 24 horas se “virando nos trinta”, inclusive para gente que não presta, não vale nada, como é o caso do capitão-presidente. Ele mesmo já disse certa vez ser o enviado de Deus. Será que esse Deus é tão ruim assim que escolheu ele para fazer maldades? Em nome de Deus, os pastores das igrejas evangélicas foram lá ao Ministério da Educação rezar e cobrar propinas dos prefeitos.
Para os fanáticos fundamentalistas, a pandemia da Covid-19 que ceifou milhões de vida no mundo foi obra de Deus para repreender a rebeldia e os malfeitos da humanidade. Por falar em pandemia, a mídia agora está dizendo que o analfabetismo dos estudantes é culpa dela. A educação no Brasil sempre foi uma das mais deficitárias no mundo, mas isso já é outro assunto.
CONQUISTA NÃO É PORTAL DA CHAPADA
Tem um movimento aí de empresários que querem transformar Vitória da Conquista em Portal da Chapada. Esse grupo deveria lutar junto ao poder público e toda sociedade para que Conquista se torne numa cidade turística de verdade, pois possui todo potencial para tanto, dependendo tão somente de um planejamento entrelaçado entre todos os segmentos.
Em minha opinião, Portal da Chapada nessa região mais próxima, é Ituaçu, Contendas do Sincorá, Dom Basílio e Nossa Senhora do Livramento, ali bem ao lado de Rio de Contas. Trazer turistas de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo ou Rio de Janeiro só serve aos interesses do setor hoteleiro e das agências de viagens. Aqui é o Planalto da Conquista.
Por enquanto, o visitante que vier para aqui de avião não tem praticamente nada para se ver em Conquista, não passando de simples passageiro de pernoite, do tipo bate e volta. A agência de viagem leva ele para a Chapada e no retorno pega seu voo e vai embora. Conquista hoje só tem um monte de bares e restaurantes que oferecem músicas ao vivo (nem todos) onde isso existe em todos lugares.
Para começar e dar vida à cidade, precisamos instituir uma política pública cultural, com atividades definidas durante todo ano, não somente as festas de São João e Natal. Infelizmente, não temos uma feira literária, um festival de música (não falo desse da TV Bahia), um salão de artes plásticas, uma semana do teatro e da dança, uma jornada de cinema e audiovisual, entre outras festas culturais.
Para movimentar todo ano com apresentações variadas, Conquista conta com bons equipamentos, como o Teatro Carlos Jheová, o antigo Cine Madrigal, Casa Glauber Rocha, adquirida pela Prefeitura Municipal, os museus Regional, Padre Palmeira, de Kard, Cajaíba, localizado na Serra do Periperi, o monumento do Cristo de Mário Cravo, o Espaço Glauber Rocha e o Memorial Regis Pacheco, só que são subutilizados, e muitos estão desativados. O Museu de Kard, o maior a céu aberto do Norte e Nordeste, já constitui numa grande apresentação lá fora.
Numa ação conjunta, num sistema de parceria público privada, esses pontos carecem de reformas e instalações adequadas parta que funcionem, cada um exercendo a sua função, com total incentivo e apoio aos artistas para que desenvolvam suas expressões e suas linguagens. Temos grandes talentos, só que estão adormecidos.
A área do Cristo deveria ser estruturada com um estacionamento, um restaurante e lojas de artesanato e comidas típicas. Como no Rio de Janeiro (claro que não necessita dos mesmos equipamentos), um bonde elétrico faria a ligação entre o centro da cidade e o topo da Serra, inclusive até certo horário da noite, sem falar da vista do pôr-do-sol. Tudo isso com total segurança das polícias e da guarda municipal. É um projeto arrojado, mas realizável através de parcerias e decisão política.
Ainda como parte desse pacote turístico, os museus teriam que abrir suas portas nos finais de semana, como acontece em outras partes do mundo. Conquista ainda deveria ter uma praça dos artistas, com bares oferecendo saraus, músicas ao vivo, comidas de botecos (concursos), lojinhas de biscoitos, artesanatos, livros de autores regionais e outros objetos da terra.
Depois de toda essa estrutura de opções montada e organizada, os poderes público e privado entrariam com a divulgação massiva nos meios de comunicação para atrair e convencer os turistas de passagem a ficarem mais tempo aqui. Todos ganhariam com isso, desde o artista aos empresários, comercial, de serviço e o industrial.
Como passeios ecológicos ainda poderiam ser criadas trilhas no Maçal, pela Serra do Periperi, visitas à Barragem de Anagé, fazendas de café e outros caminhos com guias treinados. Teríamos ainda roteiros programados aos terreiros de candomblé. Enfim, todos tirariam proveito, e Conquista passaria a ser conhecida como uma cidade turística, e não como Portal da Chapada.
“ANTÔNIA ONÇA E O MESTRE EM AMANSAR BRANCOS”
TRAJETÓRIAS E SABERES INDÍGENAS E AFRICANOS NO SERTÃO DA BAHIA
Esta semana foi profícua no lançamento de livros em Vitória da Conquista. Na quarta-feira (dia 18/05), o historiador Washington Nascimento, como organizador, lançou na área do Proler, do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, a obra “Antônia Onça e o Mestre em Amansar Brancos”. Na quinta (dia 19/05), na Livraria Nobel, o ex-deputado Aldo Arantes, como prefaciador, apresentou a biografia do baiano de Caetité, Haroldo Lima, também ex-deputado federal do PC do B e que fez parte das lutas contra a ditadura civil-militar de 1964.
Quanto ao primeiro lançamento, a professora Marisa de Santana, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), comenta que nesta obra se aliam história e antropologia, quando se busca pensar que, para além dos documentos, são importantes os dados orais”.
Por meio de entrevistas, os textos contam histórias culturais dos indígenas do centro-sul baiano e como elas se entrelaçam com as dos povos africanos. Como descreve a sinopse na contracapa, o livro percorre as histórias e lutas dos Maraká, Kariri-Sapuyá, Kamakã, Paneleiro, Botocudo… e o encontro de suas trajetórias e saberes com as populações africanas e negras, sobretudo no que se refere às práticas de cura e ao segredo de matriz indígena e africana, presentes nas umbandas e candomblés da região.
Washington, nascido em Jequi-Bahia, foi graduado em história pela Uesb; fez mestrado em Antropologia pela PUC-SP e doutorado em História Social pela USP. Atualmente é professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Participou com artigos acadêmicos do livro “Intelectuais das Áfricas” e é também autor de outras obras que falam das questões africanas e indígenas.
Como organizador da “Biografia Haroldo Lima”, esteve em Conquista o ex-deputado Aldo Arantes para o lançamento da obra publicada pela Assembleia Legislativa da Bahia. Aldo também foi ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1961, e esteve à frente das lutas políticas contra o regime militar no Brasil.
O evento foi realizado na Livraria Nobel, na noite de quinta-feira (dia 19/05) e contou com as presenças do deputado estadual pelo PCdoB, Jean Fabrício, ex-deputado federal Elquison Soares, do vereador Chico Estrela, do advogado Ruy Medeiros, Elias Dourado, professores da Uesb, intelectuais e estudantes.
Conforme o prefaciador da obra, Aldo Arantes, na verdade, “Biografia Haroldo Lima” é praticamente uma autobiografia da vida do político que narra sua trajetória de vida desde estudante, ativista político durante a ditadura civil-militar, sua prisão e torturas sofridas durante a ditadura, sua participação nos movimentos pela redemocratização do país e como presidente da Agência Nacional do Petróleo nos governos do PT.
NOSSOS MUSEUS!
Nesta semana foi celebrado o “Dia Nacional do Museu”, tão pouco visitado no Brasil, tanto quanto a leitura de livros, o que denota que ainda somos um país atrasado culturalmente e, por consequência, não alcançamos um nível mais civilizado como em outras nações. Sem educação e cultura, não existe desenvolvimento. Vitória da Conquista não é uma exceção. Aqui temos o Museu Padre Palmeiras, o Museu Regional, as esculturas de Cajaíba, que estão no topo da Serra do Periperi, e agora o Museu de Kard, o maior do Norte e Nordeste a céu aberto, montado com recursos próprios do artista plástico Alan Kardec. Para o porte da cidade, com cerca de 400 mil habitantes, ainda são poucos. Mesmo assim, essas unidades, que guardam nossa história e conhecimento da arte, são raramente visitadas pelos seus moradores, a não ser algumas vezes por estudantes e professores, para cumprirem deveres escolares. Nos países europeus, eles são fontes de saber e renda. Estão sempre abertos, inclusive nos finais de semana. Aqui no Brasil, especialmente na Bahia e em Conquista, são fechados nesses dias, justamente quando deveriam estar com suas portas abertas. Além do mais, são mal preservados porque os governantes em geral não dão importância para a cultura. Tratam a arte como coisa secundária, sem valor. Os monumentos estão se perdendo com o tempo, como no caso do Cristo de Mário Cravo que pode vir abaixo por falta de manutenção.
NÃO SOU DESSE MUNDO
Mais um poeminha inédito de Jeremias Macário
Não sou desse mundo,
Do sistema que mata o humano;
Estou mais para amante,
Do poeta do canto profundo;
Na campina ouvir,
O solar do Bem-te-Vi.
Difícil ser romântico,
Nesse planetário quântico,
Conhecer a si mesmo,
Nesse vazio esmo.
Procuro quem sou,
Na angústia da dor,
Se sou caça, ou caçador.
Não dá para tapar,
O sol com a peneira;
Saravá, meu orixá!
Me salve dessa cegueira.
Na praça, a câmara me vigia;
Quer saber o que penso;
Segue meus passos noite e dia;
Acusa que não tenho senso,
Nem incluso nesse censo.
Não sou desse mundo covil;
Vou virar bicho mocó;
Viver em minha loca,
Sem ser pororoca,
Nem broca desse metal vil.
Não sou desse mundo,
De tanta amargura,
Sem quase ternura.




















