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TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS JORNALISTAS NESTA DATA COMEMORATIVA DO 7 DE ABRIL

Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profissão como revisor, no início de 1973, ano da minha graduação como bacharel em jornalismo para Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos difíceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de expressão quando os homens da farda faziam o papel de cão de guarda para censurar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso onde atuava.

Apesar de toda mordaça, os jornalistas eram mais combativos e participativos e tudo faziam para driblar a opressão dos generais. Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associações brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas. Naquela época, nem se falava de “fake news”, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual onde grande parte da atividade foi banalizada, e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.

Nada contra a evolução tecnológica onde a notícia é mais veloz que uma bala e pode ser mortal. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (não precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espaços da profissão, e poucos que optaram pela área e passaram a frequentar as escolas seguem a carreira. Caiu o nível de formação e aumentou o noticiário de matérias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investigação.

Quando aqui cheguei, em 199,1 fui o primeiro jornalista formado da cidade e logo passei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), chegando a vice-presidente. Atualmente, como graduado sou o decano e, durante essa longa caminhada, já enfrentei muitos desafios. Continuo escrevendo porque é o alimento da minha vida e, se tivesse que recomeçar, seria novamente jornalista.

DIA DO JORNALISTA

Toda essa abertura, em forma de “nariz de cera”, é para lembrar do 7 de abril, Dia do Jornalista (quinta-feira), infelizmente menos comemorado que até no período duro do regime militar onde existia mais união e celebração com aqueles memoráveis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. É dia de reflexão e protestos porque hoje vivemos num governo federal que, com sua tropa antidemocrática belicosa, desvaloriza, ameaça, menospreza, ataca, agride e xinga jornalistas com palavras de baixo calão. Será que não estamos num período mais difícil ou igual àqueles vividos há mais de 50 anos?

Vamos dar uma pequena pausa nesse comentário para focar propriamente no Dia do Jornalista, pouco rememorado pela própria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). O dia foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reunião de coletiva de imprensa. Uns dos motivos é que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a própria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associação situa-se no Rio de Janeiro, e é um centro de ação que tem como objetivo assegurar os direitos à classe jornalística.

Também no dia 16 de fevereiro foi comemorado o “Dia do Repórter”, que está ligado a um episódio da nossa história do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, morto no dia 22 de novembro de 1830. Ele participou de diversas lutas a favor da Independência do Brasil. Era proprietário do jornal “Observador Constitucional” e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje tão vilipendiada, bem como a nossa Carta Magna.

Libero Badaró teve uma morte misteriosa, mas, segundo a história, inimigos políticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento à população e culminou na abdicação do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.   

Só para reportar a história, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doação de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que dá nome ao principal prêmio concedido a jornalistas.

No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a instituição chama-se Faculdade Gásper Liberó e localiza-se no prédio da Gazeta, na Avenida Paulista.

TEORIA E PRÁTICA

Quando adentrei na redação era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas registrados no Ministério do Trabalho. Na década de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos. Dizia-se que jornalismo era uma vocação, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da notícia, o que não deixava de ser uma verdade, mas a formação teórica com a prática fortalecia ainda mais a profissão.

A briga gerou uma disputa de ações na justiça para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se não me engano, entre as décadas de 80 e 90. A ação caiu nas mãos do Superior Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contrário ao diploma, fez uma leviana comparação entre a culinária e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar não precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.

As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a própria Facom da Ufba, a Uesb que começou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estruturação) e tantas outras particulares. Mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas dão mais preferência aos formados, valorizando a formação escolar e o conhecimento.

Para marcar a data, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da área costumam fazer reflexões importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os salários e o futuro da profissão.

O curso de Jornalismo é ministrado nas principais universidades do país durante quatro anos ou oito períodos. Os estudantes têm aulas teóricas, como teoria da comunicação, história da imprensa e ética e legislação, história da arte, práticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.  

O jornalista é o profissional que informa fatos à sociedade. Ele pode atuar em meios de comunicação, como rádio, TV, jornal, revista e internet. Também é comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunicação e imprensa e, mais recentemente, em mídias digitais, tais como redes sociais e blogs.

TEMPOS DIFICEIS E O ESTRESSE

De acordo com pesquisa entre cerca de sete mil profissionais no Brasil, 66,2% dos jornalistas se sentem estressados. Dos entrevistados, 34,1% foram diagnosticados clinicamente com lesões por esforços repetitivos; 40,6% sofreram assédio moral no trabalho; 11,1% assédio sexual. A categoria é formada por maioria de mulheres (58%), inclusive negras.

É esse, mais ou menos, o perfil do jornalista brasileiro. Da amostragem, 44,2% disseram que seus esforços no trabalho não são reconhecidos. Os dados ainda confirmam que houve uma redução do volume de vínculos empregatícios pela CLT, bem como, 24% prestam serviços de freelancers, MEI, pessoa jurídica ou sem contrato. De toda classe, 42,2% trabalham mais que oito horas por dia. O estudo da Fenaj (Rede de Estudos sobre Trabalho e Identidade dos Jornalistas), de agosto a outubro de 2021, conseguiu coletar mais de sete mil respostas, sendo 6.594 válidas.

 

CURIOSIDADES DO TRÁFICO NEGREIRO (VI)

O livro de Laurentino Gomes, “ESCRAVIDÃO” mostra curiosidades do tráfico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravidão no Brasil.

Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles sobre os sofrimentos dos negros no cativeiro:

No capítulo sobre “O Brasil”, o autor faz uma relação direta entre o que representava o açúcar para a escravidão, dizendo que “o açúcar era sinônimo de escravidão”. Até um pouco depois da independência, em 1822, o produto era o principal item da pauta de exportação brasileira. Em 1760 correspondia a 50% do total, contra 46% da mineração. Somente em 1831, o café passou a ser o novo rei da exportação.

“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente” – escreveu por volta de 1710 o padre jesuíta André João Antonil.

Originário do sudeste asiático, a cana de açúcar percorreu um longo caminho até chegar às terras escuras e úmidas da Zona da Mata pernambucana e do Recôncavo Baiano, no início da colonização. Na antiguidade, o cultivo era praticado na Pérsia e na região de Bengala, na Índia. Depois os árabes levaram para as margens do Mar Mediterrâneo. A cana tornou-se uma das fontes de renda dos cavaleiros cruzados cristãos que ocuparam a Palestina entre os séculos XII e XIII. Dali espalhou-se para outras partes do mundo, como Espanha, Portugal (Ilhas da Madeira, Canárias e Açores).

De acordo com Laurentino, com as lavouras e os engenhos, seguiam também os escravos. Para historiadores, açúcar, escravidão e ocupação da América são histórias interligadas. Da moenda numa pedra circular, os engenhos foram se evoluindo. Da Madeira, a cana saltaria para a América (Caribe) através de Cristóvão Colombo em sua viagem de 1493.

A cana se adaptou bem no Nordeste brasileiro por ter terras em abundância, solos férteis e clima quente ensolarado. Faltava apenas o quarto item: mão de obra escrava. A solução definitiva começou a ser adotada em 1559, quando Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil ordenou a redução em 40% das tarifas alfandegárias para a entrada de cativos africanos no Brasil, com objetivo de estimular a produção de açúcar.

A chegada dos primeiros escravos africanos coincide com o vertiginoso ciclo da cana, que viria a transformar a paisagem brasileira, bem como os costumes e os hábitos. Em 1664, a prosperidade gerada pelo açúcar era tão grande que D. João IV definiria o Brasil como uma “vaca de leite” de Portugal.

A cultura do açúcar nos trópicos, segundo Laurentino, caracterizava-se pelo binômio casa-grande e senzala. Os donos dos maiores engenhos exploravam o trabalho de 100 a 150 escravos. O produto era consumido em quase toda Europa, e uma das grandes entusiastas era a rainha Elizabeth I, da Inglaterra. Na próxima coluna vamos mostrar os sofrimentos dos escravos nos trabalhos degradantes e desumanos nas usinas e nas lavouras.

 

 

“PRAÇA DO GIL”, OU “GILBERTO GIL”?

Há 30 anos ou mais que isso, a popularmente “Praça do Gil” foi ponto de encontro dos jovens com seus barzinhos em finais de semana (tirava o sossego de muita gente) e palco dos encontros dos trios, blocos e cantores das saudosas micaretas. Até hoje ainda é conhecida com esse nome, mas nela reina a tranquilidade, fora os movimentos dos carros em seu redor. Para quem não sabe, seu registro verdadeiro é Praça Orlando Leite, outrora presidente da Câmara de Vereadores e até prefeito tampão. Foi ele que, sob pressão do exército, colocou em pauta a cassação do prefeito Pedral Sampaio, em maio de 1964, início da ditadura civil-militar. Lá se vão 58 anos, e muitos malucos ainda pedem que a maldita volte. Mas, “Praça do Gil” foi assim apelidada em homenagem ao Dr. Gil Moreira, pai do grande compositor, poeta e cantor Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura. O que ninguém está sabendo é que existe hoje, em Vitória da Conquista, um pequeno grupo de adeptos que gostaria que o logradouro passasse em definitivo a se chamar de Praça Gilberto Gil, que não nasceu na cidade, mas que por certo seria uma homenagem merecida pelo tanto que já fez pela música e pela cultura brasileira, sem contar que ele é hoje membro da Academia Brasileira de Letras. Será que seria correto mudar o nome, aliás os dois nomes, o último do pai para o filho?

AÇÚCAR É ESCRAVIDÃO

Mais um poeminha inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

A África fez o Nordeste,

Nação de grandes mestres;

Açúcar é cristal escravidão,

No melaço amargo da cana;

Fogo fervente da escuridão,

De cativos vindos de Gana;

Negreiros Benin e da Guiné:

Massacres de religião e fé.

 

Açúcar é escravidão,

Do tráfico negreiro malvado,

Nas borbulhas do caldo;

Fornalhas caldeiras do inferno;

Tachos melados no cobre,

Suor no couro subalterno,

Do senhor engenho nobre:

Açúcar é ouro e escravidão.

 

Açúcar é escravidão,

Nas correntes e algemas de ferro;

Chicote lacerado do corpo,

Moído no vinagre e no sal,

Da última dor, morto no berro;

No corte do feitor do canavial;

Lenhas nas ventas das bueiras;

Facão afiado, cantante vigilante,

Pra mutilar moedeiras:

Açúcar é escravidão.

 

PROJETOS NA ÁREA CULTURAL VÃO AJUDAR ARTISTAS CONQUISTENSES

Não é muita coisa porque nos últimos anos a cultura nesses país só tem ficado com as sobras, mas a “Lei Paulo Gustavo”, de R$3,8 bilhões, aprovada pelo Senado Federal, para ações emergenciais no setor, vai proporcionar alguma ajuda aos artistas conquistenses que, como tantos outros, estão no sufoco, principalmente depois de quase dois anos parrados por causa da pandemia.

Pelo critério de divisão, de acordo com a proporcionalidade populacional e o Fundo de Participação dos Municípios, a Secretaria de Cultura de Conquista poderá abocanhar cerca de R$2,7 milhões, podendo beneficiar cerca de 500 artistas em diversas linguagens. Dois terços serão aplicados em projetos audiovisuais e os outros restantes nos demais segmentos. Os recursos são provenientes do superávit do Fundo Nacional de Cultura (FNC).

Conforme o projeto, cujo relator foi o senador Alexandre Silveira, a União terá de enviar o dinheiro aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, para aplicação em iniciativas que visem combater e reduzir os efeitos da Covid-19 na cultura. Esses entes serão responsáveis pela indicação das ações.

A proposta foi feita em homenagem ao ator Paulo Gustavo que morreu vítima do vírus, em maio de 2021. Essa lei é a segunda aprovada pelo Congresso para auxiliar a área cultural, mas ainda é muito pouco. Outro projeto é o PL 1.518/21 chamado de Lei Aldir Blanc 2, no valor de R$3 bilhões de fomento à cultura, a partir de 2023, devendo vigorar até 2027. A lei é também uma homenagem ao artista que faleceu em 2020 de Covid.

O último apoio aos artistas conquistenses em forma de edital ocorreu no final do ano passado, beneficiando 400 participantes, num valor em torno de R$300 mil, verba do Fundo Cultural e do orçamento da Prefeitura Municipal. Cada selecionado recebeu cerca de R$700 reais, uma pequena quantia que não atendeu às necessidades dos participantes, Em 2020, em plena pandemia, Conquista recebeu cerca de R$2,2 milhões da Lei Aldir Blanc 1, quando 500 artistas de variadas linguagens foram contemplados.

Essa Lei Aldir Blanc 2 foi proposta pela deputada Jandira Feghali e mais outros cinco deputados, tendo como relator o parlamentar Veneziano Vital do Rego. Esses recursos de R$3 bilhões, em cada ano, deverão ser investidos em 17 ações, como festivais, exposições, espetáculos, feiras, prêmios, bolsas para estudantes, intercâmbio cultural, aquisição de obras, digitalização patrimonial, reformas de centros, bibliotecas, teatros, dentre outros setores.

De acordo com o projeto, 80% dessa verba serão destinadas a ações de apoio na área cultural, como editais, prêmios, cursos, manutenção de espaços artísticos, dentre outras iniciativas correlatas. Os outros 20% vão para incentivo a programas e projetos em locais periféricos urbanos e rurais, bem como em comunidades tradicionais.

A POLÊMICA DA “SIQUEIRA CAMPOS”

A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista provocou uma polêmica danada ao criar um corredor exclusivo para ônibus na Avenida Siqueira Campos e retirar 62 estacionamentos. A primeira gritaria partiu dos lojistas da área que reclamaram perdas dos clientes. Em seguida vieram os motoristas de veículos leves devido aos longos engarrafamentos.

Em minha modesta opinião, não vejo nenhuma necessidade estabelecer uma pista exclusiva para ônibus num pedaço de uma avenida (nem um quilômetro). Não faz muita diferença, quando existem outras alternativas. Só entendo isso como uma mania de grandeza em querer imitar as grandes capitais, como Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em Conquista, na “Siqueira Campos”, os ônibus passam num intervalo entre 10 e 10 minutos. Que me perdoem os usuários de coletivos, mas a diferença é pequena, com ou sem corredor exclusivo. Basta deslocar os estacionamentos para as transversais da avenida, a partir do Centro de Cultura até as imediações da Rua Coronel Gugé (Ponto do Saruê).

As avenidas mais antigas em Conquista são estreitas, como a Frei Benjamim, Maranhão, Pará e a própria Siqueira Campos, e esta última é a que tem a menor circulação de ônibus. A Regis Pacheco é larga e curta. A Bartolomeu de Gusmão tem duas vias e a Fernando Spínola não tem como fazer esse procedimento.

É verdade que a questão da mobilidade urbana é um dos principais problemas de Vitória da Conquista, mas essa experiência só provoca mais confusão e transtorno. A única saída da Siqueira Campos é retirar os estacionamentos, ou impedir que os coletivos cortem o centro, passando pelo Banco do Brasil. Não vejo razão nessa chiadeira dos comerciantes.

O mais grave no momento, no setor de transportes, é a demora do poder executivo na licitação de novas empresas para substituir as duas que entraram em falência, sem falar da falta de regulamentação das vans e outros veículos particulares que rodam na cidade de forma clandestina. Os coletivos andam superlotados, sem contar que sempre passam atrasados nos pontos.

DECISÃO INUSITADA DE UM MINISTRO

A liberdade de expressão de um artista num show musical, quanto mais quando não conta com recursos públicos, não pode ser cerceada, como aconteceu neste final de semana no Festival Lollapaloza com Pabllo Vittar e Marina que se colocaram a favor do ex-presidente Lula.

A manifestação não pode ser encarada ou classificada como propaganda politico-eleitoral, conforme interpretou um ministro do Superior Tribunal Eleitoral, que determinou a proibição e ainda estipulou multa de 50 mil reais para cada vez que a ordem fosse desobedecida.

Trata-se de mais uma decisão inusitada, como sempre tem acontecido neste pais, que nos últimos anos vive sob ameaça de uma ditadura. Quando uma empresa contrata um artista, ela não pode dizer o que ele deve ou não falar. O partido do PL acionou a corte sob o argumento de que a posição dos artistas caracterizou uma propaganda política. E se fosse ao contrário?

Não estou aqui defendendo partido “A” ou “B”, ou nome de quem quer que seja, mas sim a favor da liberdade de expressão. Num palco, o artista fala o que quiser, desde que com responsabilidade, que não ultrapasse o limite do respeito ao outro, ou use o microfone para atentar contra a democracia.

A empresa do Festival alegou que não pode agir como censora privada, controlando e proibindo o conteúdo de falas de artistas. O cantor Marcelo D2 recorreu ao Supremo Tribunal Federal. Na sexta-feira, durante sua apresentação, Pabllo gritou “Fora Bolsonaro”.

O artista ainda desceu até a plateia e ergueu uma bandeira com a imagem de Lula. A cantora britânica Marina xingou o capitão-presidente Bolsonaro e o russo Vladimir Putin.

O movimento “Cala Boca já Morreu” também se posicionou contrário à decisão do ministro do TSE. São essas e outras coisa neste Brasil que aos poucos vão minando nossa democracia, daí a necessidade de todos estarem vigilantes contra esses absurdos.

OS PASTORES ALOPRADOS VENDILHÕES DOS TEMPLOS

Os fanáticos dominadores antigos, como os navegadores-descobridores portugueses e espanhóis dos séculos XV e XVI, em conluio com a Igreja Católica, tinham convicções de que, além da exploração das riquezas naturais, suas missões eram salvar almas pagãs, mesmo que fosse a ferro e fogo, como ocorreu com o tráfico negreiro durante cerca de 350 anos.

Para esses conquistadores, a escravidão era justificável porque estavam dando aos cativos a oportunidade de se elevarem a Deus e ganhar um lugar no reino celestial. Portanto, os castigos e as torturas eram merecidos. Era esse o pensamento predominante da maioria dos jesuítas e outras ordens, inclusive do famoso padre pregador Antônio Vieira.

Em pleno século XXI, nas mesmas terras brasis, temos hoje os pastores aloprados, ou seriam os vendilhões dos templos que, em nome do seu Deus e de Jesus Cristo, se lambuzam em postos de um governo fascista teocrático radical, para tirarem proveito próprio, misturando religião com promiscuidade. O pensar deles não difere muito do de antigamente, só que os métodos são diferentes, e acham que podem transformar o Estado num reduto evangélico.

Na ganância do poder e de se tornarem mais ricos, esses ditos representantes de Deus se infiltraram justamente no Ministério da Educação, cujo titular é um outro pastor, para com o dinheiro do povo, escravizar o nosso próprio povo brasileiro. Educação para eles é catequizar e evangelizar um rebanho inculto e ignorante, tanto que angariavam verbas até para comprar Bíblias.

Esses evangelizadores não passam de um bando de aloprados que ficaram deslumbrados quando as portas do governo do capitão-presidente se abriram para eles. Acham que assim estão contribuindo para arrebanhar mais fiéis para suas igrejas, crescendo seus poderios e tomando territórios, não importando os meios, se são imorais, estapafúrdios, aberrantes e indecentes. A diferença é que esses aloprados só pensam exclusivamente neles, acima do “salvar almas perdidas”.

Como disse em sua canção nosso cantador e poeta Raul Seixas, eles rezam a Deus, para agradar o diabo. Para liberar verbas aos prefeitos, eles pediam em troca quinze, quarenta mil reais e até um quilo de ouro, o equivalente a mais de trezentos mil. Seria o “ouro de tolo” de Raul Seixas, ou a corrida do ouro, como nos tempos do faroeste norte-americano, onde prevalecia a lei do mais forte?

Todos sabem que esse filme não é desconhecido. Sempre está se repetindo porque a palavra punição para esses crimes do colarinho branco foi banida da nossa Justiça. O enredo da recente película não passa de mais uma franquia dos governos passados, desde os tempos coloniais. Pior que a maior parte do público acha tudo normal, e outros nem estão aí.

O tráfico de influência é tão antigo quanto o Brasil, e os agentes só mudam de nomes, agora sob o comando de uma turma do evangelho que, em nome de Deus, tira do pobre para contemplar suas luxúrias. São os mesmos que jogam pedras nos terreiros de candomblé e discriminam homossexuais.

Esses falsos profetas de Cristo misturam o espiritual com o terreno e ministros de Deus com Ministério da Educação. Como eles se sentem pregando os ensinamentos de Cristo, de orai irmãos para não cairdes em tentação? Falam dos pecadores que vão arde no fogo do inferno. Rodam as sacolas em nome de satanás. O mais repugnante nisso tudo é que os “fiéis seguidores” aplaudem seus atos nefastos e nojentos.

O Brasil sempre foi uma “vaca leiteira”. Essa vaca só trocou de dono. Passou da mão da coroa portuguesa para as elites políticas, oligarquias empresariais, governos federal, estadual e municipal, chegando agora aos pastores evangélicos. Todos querem mamar em suas tetas. Ela sempre tem leite porque sãos as classes mais pobres que a alimenta todos os dias, com o suor de seus rostos.

Quando veio a Lava-Jato, muitos disseram que o Brasil iria ser passado a limpo. Que seria um marco divisor de águas da nossa história. Que corrupção jamais. Não acreditei nisso porque o próprio sistema, como ele foi montado, funciona como uma fonte inesgotável para saciar a sede de dinheiro e poder desses malfeitores malignos que nem pensam no futuro de seus filhos.

CURIOSIDADES DO TRÁFICO NEGREIRO (V)

O livro de Laurentino Gomes, “ESCRAVIDÃO” mostra curiosidades do tráfico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravidão no Brasil.

Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles sobre os sofrimentos dos negros no cativeiro:

Conta o historiador Laurentino que existiam algumas leis de punição para quem torturasse ou matasse um escravo, sem motivos, mas elas não funcionavam.

O autor narra que, em 1737, por ter matado dois cativos e um negro alforriado, um dos quais foi deixado pendurado pelos testículos em um gancho de ferro até expirar, Pedro Pais Machado, senhor de engenho de Capanema, na Bahia, foi preso, porém, logo libertado.

Em meados do século XVIII, Garcia D´Ávila Pereira Aragão, herdeiro da Casa da Torre, uma das maiores propriedades rurais da colônia na época, e um dos homens mais ricos da Bahia, foi denunciado à Inquisição por uma série de atos de sadismo e extravagâncias físicas e sexuais contra suas escravas. Apesar das evidências, foi absolvido pelo tribunal.

De acordo com a classificação feita em 1938 pelo historiador Artur Ramos, havia três categorias de castigo de escravos no Brasil. A primeira era a dos instrumentos de captura (correntes e colares de ferro, algemas, machos e peias). A máscara de folha de flandres era usada para impedir o escravo de comer cana, rapadura ou engolir pepitas de pedras preciosas.

A segunda categoria eram as torturas. Uma das modalidades era o “anjinho”, instrumento de suplício de origem medieval. Torniquetes introduzidos nos dedos dos escravos produziam dores atrozes. A terceira eram as surras com palmatória e o bacalhau (chicote de cabo curto com cinco pontas de couro retorcido).

Para identificar escravos fugitivos, utilizavam-se marcas gravadas a ferro quente com a letra F, além do libambo, uma argola de ferro que era presa ao pescoço do cativo. Na prática, três instrumentos eram aplicados com mais regularidade, como o chicote, o tronco e os grilhões. A punição mais comum era o açoite nas costas ou nas nádegas.

Ora, o mais hilário é que no começo do século XVII, o jesuíta italiano Jorge Benci, que viveu 17 anos na Bahia, recomendava que as chibatadas não ultrapassassem o número de 40 por dia, para não machucar o escravo. “Trinta ou quarenta hoje, e outras tantas daqui a dois dias. Daqui a outros dois dias, outros tantos”.

Apesar dessas recomendações do jesuíta, ao invés de condenar qualquer tipo de castigo, narram viajantes que havia punições absurdas de 200, 300 e até 600 açoites. Essa quantidade deixava as costas do escravo em carne viva. O risco de morte por infecção e gangrena era alto. Para evitar isso, banhava-se o escravo com uma mistura de sal, vinagre ou pimenta malagueta.

Outros tipos de torturas incluíam enfiar tições de brasa incandescente na boca dos cativos, e a aplicação do lacre (cera derretida sobre as feridas). Por tudo isso, existia uma elevada taxa de suicídios.

Nos manuais dos jesuítas (eles próprios donos de milhares de escravos e indígenas) sobre a administração de escravos no Brasil, havia recomendações de natureza psicológicas sobre como aplicar as punições aos infratores.

O padre Manuel Ribeiro Rocha, por exemplo, aconselhava que houvesse um certo tempo entre a suposta falta e o castigo, para serenar os ânimos. Dizia que o castigo não deveria ser ministrado com cólera e furor, e sim, com brandura e caridade. Ele orientava o uso da palmatória, cipós e prisão. O Manuel recomendava ainda que os senhores não permitissem que os feitores dessem coices na barriga das mulheres grávidas.

Destaca o autor da obra que o cativeiro separava pais e filhos, maridos e mulheres, famílias e comunidades inteiras que, na África, tinham convivido e compartilhado os mesmos costumes e crenças por muitas gerações. “A escravidão não apenas divide; ela também une o que divide” – observou o sociólogo francês Roger Bastide, um dos grandes estudiosos da cultura africana no Brasil.

Segundo Laurentino, ainda durante a viagem, vínculos se formavam entre os próprios africanos. Os sofrimentos compartilhados forjavam amizades entre cativos de diferentes regiões, etnias e linhagens, algumas das quais eram até rivais entre si na África. Esses novos companheiros de travessia do oceano eram chamados de “malungos”, do quimbundo (Angola) correntes de ferro. Sempre existiam laços de solidariedade.

NEM NA FEIRA

É meu amigo, a coisa anda feia até nas feiras livres onde se encontrava produtos frescos com preços mais baixos. Atualmente, com esta carestia, nem na feira o pobre consegue comprar a mesma quantidade de antes, isto com relação há poucos meses. Com a grana escassa, a maioria das pessoas não vai mais com a mesma frequência à feira, um lugar popular onde desde a antiguidade agricultores e consumidores se reuniam para fazer suas trocas e rever os amigos. Quando vou à Ceasa ou à Feirinha do Bairro Brasil, sempre lembro dos meus tempos de menino, em Piritiba, eu ajudando a vender farinha com meu pai. Mas, o assunto aqui é o galope da inflação que está deixando o pobre ainda mais pobre. Há pouco tempo se comprava um litro de andu por cinco reais e hoje mais que dobrou de preço. Além dos combustíveis e dos preços das commodities no mercado internacional, existe ainda o fator psicológico que influi nos custos dos alimentos. Quando se passa do controle, a inflação se comporta como uma onda em cadeia na elevação dos preços, e certos produtos sofrem automaticamente reajustes sem relação alguma com as causas acima citadas. Mesmo sem motivo de ser, o vendedor aponta a alta da gasolina como vilã, e não adianta discutir. Interessante que os preços subiram, enquanto caiu a qualidade das frutas e hortaliças, por exemplo, inclusive nas feiras, que estão mais vazias nos últimos tempos.





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