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A CORRUPÇÃO VEM DOS TEMPOS COLONIAIS

Desde quando o Brasil passou a ser colonizado por Portugal, uma das marcas registradas em todos setores, inclusive durante os 350 anos do tráfico negreiro, foi a corrupção. A Coroa Portuguesa, que se esbaldou com as nossas riquezas, principalmente levando nosso ouro e diamante, era sempre passada para trás pelos seus enviados governadores e vice-reis que aqui chegavam com a missão de acabar com a roubalheira.

O jornalista e escritor Laurentino Gomes e visitantes estrangeiros retratam muito bem esse quadro ao longo de seus três livros intitulados “Escravidão”. Essa corrupção nasceu de cima para baixo e foi se espalhando por todas as camadas da sociedade, dos mais ricos aos mais pobres que sempre tiveram o intuito de tirar proveito em tudo. Ela passou a ser institucionalizada e até os mandatários ensinavam as técnicas do roubar para se dar bem.

Em diversos trechos de suas obras, Laurentino destaca depoimentos de visitantes que passavam pelo Brasil, sobretudo pelas atuais capitais do Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Essas observações mostram uma colônia isolada, como nos tempos atuais, atrasada e sem educação… dominada pela escravidão, que não se acabou.

“A maioria da população era pobre, analfabeta e carente de tudo. Foi o que registrou a inglesa Jemima Kindersley, em agosto de 1764, ao fazer uma escala em Salvador a caminho da Índia”. Entre outras coisas, ela diz que aquele povo lia pouquíssimos livros, “pois o conhecimento não está no rol de suas preocupações. É política assente do governo manter o povo na ignorância, já que isso o faz aceitar com mais docilidade as arbitrariedades do poder”.

Nada mudou, e tudo continua como antes, há mais de 300 anos. O filme é o mesmo. Tudo isso pode ser dito e repetido nos tempos atuais, talvez com mais ênfase. Vejamos o que fala o próprio autor dos livros sobre essa situação descrita por gente de fora: “Injusto, desumano e violento, o sistema escravista português e brasileiro era corrupto e corrompido dos alicerces até o topo da pirâmide. Seu funcionamento dependia do suborno, extorsão, malversação dos recursos públicos, contrabando, sonegação de impostos, clientelismo e nepotismo, entre outras contravenções”.

Autora de um importante estudo sobre o tema, segundo o jornalista, a historiadora Adriana Romeiro, doutora pela Universidade Estadual de Campinas e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, assinalou “que durante o período colonial brasileiro, enriquecer no exercício de um cargo público não constituía, por si só, em delito. Ao contrário, esperava-se que os funcionários reais aproveitassem as oportunidades para acumular fortunas que pudessem engrandecer suas casas e redes de clientelas e parentelas”.

Nesse contexto, ela cita a frase pronunciada pelo rei dom João V, em 1495, ao se despedir do capitão-mor Lopes Soares de Albergaria, recém nomeado governador da Fortaleza de São Jorge da Mina, entreposto de tráfico de escravos na costa da África: “Eu vos mando à Mina, não sejais tão néscio (tolo) que venhais de lá pobre”. Sem maiores comentários em relação aos nossos tempos.

A IMPRENSA BRASILEIRA PRECISA DE UMA GRANDE REFORMA AGRÁRIA

Na semana passada estava aqui em meu “Espaço Cultural A Estrada” escarafunchando meus alfarrábios e encontrei uma entrevista que concedi, em 2007, ao informativo “O Piquete Bancário”, do Sindicato Regional dos Bancários, em que tratava da democratização dos veículos de comunicação, intitulada “A Imprensa Brasileira Precisa de uma Grande Reforma Agrária”.

Infelizmente, esse assunto foi esquecido, talvez por causa do advento da internet onde a mídia virou virtual, mas o problema continua o mesmo, isto é, a sociedade é dominada e manipulada pelas grandes emissoras de televisão e jornais do sul (São Paulo e Rio de Janeiro), que ainda conseguiram sobreviver à onda tecnológica da computação.

A matéria, tipo pig-pong, de perguntas e respostas, diz na abertura que “tornam-se mais fortes os gritos de comunicadores, intelectuais, estudantes, entidades e movimentos sociais acerca da democratização da comunicação. São ativistas que buscam a caracterização de uma mídia onde estejam representadas a pluralidade e a diversidade de opiniões e interesses existentes na sociedade”.

No sub-lide, destaca a entrevista que “no Brasil, menos de dez famílias controlam a mídia escrita, falada e televisada (não mudou muito de lá para cá), caracterizando um verdadeiro latifúndio midiático. Sobre a democratização da comunicação, “O Piquete Bancário” conversou com o jornalista Jeremias Macário, autor do livro “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, e que tem contribuído com a discussão em nível de Bahia”.

Na indagação, por que se tornou tão relevante a discussão sobre o tema, o entrevistado assinala que o sistema de comunicação do Brasil é um dos mais verticalizados do mundo. Segundo ele, a imprensa brasileira tornou-se um latifúndio e, como no campo, precisa de uma reforma agrária. Cita que em 2006, Lula incluiu em seu programa de governo um projeto de democratização da comunicação. Na verdade, tudo ficou no campo das intenções.

Perguntado qual o modelo ideal, respondeu que estimulando e prestigiando a imprensa alternativa, como a do interior, mas sempre foi excluída. Não basta somente implantar Tvs públicas. Financiar pequenas empresas comunitárias corre-se o perigo das mesmas ficarem reféns dos governantes.

Como, então, estimular? Uma das formas seria elaborar um programa que inclua a comunidade no núcleo da informação, beneficiando as empresas na política de democratização. Na época, o Governo Wagner criou um núcleo de trabalho de políticas públicas de comunicação social através da promoção da Conferência Estadual de Comunicação Social, que não deu em nada. Sugeri a instalação de um fórum comunitário de comunicação, pois a informação é um direito de todos.

Por fim, digo que a democratização da mídia fortalece a democracia. Ainda temos uma democracia que engatinha (ainda está pior que isso), com a permanência de políticos da época do coronelismo (nada mudou). Poucos representam o povo. A maioria age em prol de seus interesses e das elites. Para atualizar, diria que ainda hoje poucos têm acesso à informática e, como consequência, são desprovidos de consciência crítica. Nesse caso, temos que ampliar o debate para a questão da pobreza na educação.

 

ESTÁ NO SISTEMA… ESTÁ NO SISTEMA…

O cotidiano nos oferece muitas matérias-primas para escrever nossas crônicas da vida. Tudo hoje, meu amigo do outro mundo, gira em torno do sistema, e não adianta protestar. Se ele sai do ar, é aquele estresse geral, uma reprovação de ira e revolta porque o tempo não para, e seu problema não é solucionado. A tecnologia do aplicativo do passo a passo quase sempre não funciona no Brasil. E você vai para a fila do presencial, levando sol e chuva.

Os funcionários burocráticos, técnicos do virtual se tornaram escravos do sistema, e não adianta apelar para sua razão humana, só vale o que está ali. O seu dia a dia vira um inferno, e você tem que ter nervos de aço, senão seu espírito vai para o espaço. O sistema diz que seus dias estão contados, e lá está escrito seu prazo de validade. As câmaras lhe vigiam dia e noite. Nada de reagir e se indignar. Ele é o ditador da sua vida.

É o sistema, meu amigo, e não adianta espernear. Na semana passada, por exemplo, fui garroteado pelo sistema, e por uma cara irredutível que o segue fielmente como se fosse seu Deus Supremo, como no caso de Abraão que foi mandado sacrificar seu filho. Só uma voz do além do todo Poderoso o impediu de derramar o sangue do menino Isaac no altar.

Para não pagar mais caro, fiz outro contrato na Vivo, transferindo meu nome para o da minha esposa, uma saída para não aumentar a prestação, conforme explicou o atendente. Tudo andou nos conformes, mas o operador do tal sistema não deu baixa do meu nome.

O tempo se passou, crente de que tudo funcionou normalmente. Continuamos pagando tudo certo, todos os meses, como manda o figurino do todo mês você é freguês. Lego engano! Foi só eu solicitar uma portabilidade do meu celular da Oi para a Vivo que lá apareceu que não podia fazer porque estava devendo três parcelas. Foi um susto, e me senti constrangido perante outras pessoas no balcão de atendimento.

A solução estava nos comprovantes de pagamento e lá atestavam, como dois e dois são quatro, que tudo estava quitado, mas em nome da minha esposa. Tudo bem, pensei comigo, o que importa é que nada devemos. Não interessa se foi João, José ou Mané. O que conta é que tudo comprova quites. Assim é o raciocínio lógico do mercado, não?

Qual nada, meu amigo! Levei os comprovantes e expliquei como tudo ocorreu, tintim por tintim, nos mínimos detalhes, como dizia aquele cara chato do programa humorístico da “Praça é Nossa”. Gosto de explicar nos mínimos detalhes!

Do outro lado, com cara sisuda de quem não está ali por vontade ou satisfação do seu serviço que faz de receber com humor e gentileza os clientes (isso hoje é coisa cada vez mais rara.), o moço abriu o tal sistema e lá constava e registrava, impiedosamente, que estava devendo.

Entrei com meu argumento, que tudo bem, mas os recibos provavam que as três mensalidades estavam pagas, nada a dever, não importando o nome de quem fez a quitação. Nada adiantou gastar meus neurônios para convencê-lo que foi o colega dele que não deu baixa. Nada tinha a ver com isso. Não se tratava da minha culpa.

Indaguei a ele se era justo pagar tudo novamente para a empresa operadora. Nada adiantou minha pergunta, porque ele só repetia que estava no sistema e assim tinha que ser, sem apresentar, ao menos, uma forma de solução. Só respondia enfático: Está no sistema, está no sistema, está no sistema.  É o sistema, meu amigo!

Um funcionário interveio e se dispôs a resolver a questão, mas, até o momento, quem manda mesmo é o sistema, o senhor que nos conduz, nos molda, que funciona como bitola de trem e diz o que você é obrigado ou não a fazer, e ai de que não o obedece cegamente, porque você cai na rede dele e está preso condenado à morte.

CURIOSIDADES DO TRÁFEGO NEGREIRO (XX)

O livro de Laurentino Gomes, “ESCRAVIDÃO” mostra curiosidades do tráfico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravidão no Brasil.

Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles sobre os sofrimentos dos negros no cativeiro:

A ESCRAVIDÃO, A IGREJA E A LEI ÁUREA

Treze de maio é o Dia da Lei Áurea e, sobre a data, a maioria dos movimentos negros não reconhece. Prefere homenagear Zumbi dos Palmares no 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Alega que a princesa Isabel só fez assinar um documento e nada em termos de reparação dos danos de 350 anos de escravidão, o que, em parte, é uma verdade. No entanto, ela bem que tentou, mas D. Pedro II sempre foi pressionado pelas oligarquias da cafeicultura e outros setores da economia que se posicionaram contra qualquer tido de indenização. As elites nunca aceitaram repartir e distribuir.

O jornalista e escritor Laurentino Gomes fala muito dessa questão em sua obra “ESCRAVIDÃO” em três volumes. No primeiro, em um trecho do seu livro ele tece comentários sobre a Igreja Católica, a qual sempre tomou partido favorável à escravidão e, em algumas vezes, seu posicionamento quanto ao tema era dúbio.

“Só em 1888, às vésperas da assinatura da Lei Áurea, o papa Leão XIII condenou a prática de forma inequívoca. São inúmeros os exemplos da íntima associação que, a partir dessas bulas papais, se estabeleceu entre Igreja, o tráfico de escravos e o Reino de Portugal. Em 1482, ao final da construção do Castelo de São Jorge da Mina, atualmente Gana, destinado ao comércio de cativos, o papa Sisto IV concedeu indulgência plenária a todos os cristões que ali falecessem a serviço da coroa portuguesa”.

Laurentino comenta mais na frente que, o simples fato de morrer no castelo do tráfico negreiro lhes garantia o total perdão dos pecados e a garantia da vida eterna. Descreve o autor que na África, as instituições religiosas possuíam e comercializavam escravos com a mesma naturalidade de qualquer outra empresa ou associação dedicada ao tráfico. Em Angola, por exemplo, os jesuítas tinham, em 1558, mais de 10 mil escravos trabalhando em seus quinhentos sítios e fazendas, de acordo com o relatório do governador João Fernandes Vieira enviado à coroa portuguesa.

Segundo o historiador Roquinaldo Ferreira, no começo do século XVII, a Companhia de Jesus era a maior proprietária de escravos de Angola. Da mesma forma, instituições religiosas ganhavam muito dinheiro vendendo escravos para o Brasil. Um outro resíduo da trágica história da Igreja relacionada à escravidão africana é o preconceito racial. Conforme a historiadora Larissa Viana, a Ordem dos Carmelitas Descalços Teresianos, estabelecida em Olinda, em 1686, manteve a mais rigorosa e persistente contra pessoas de alguma descendência africana, mesmo que longínquo.

Como pregava o padre Antônio Vieira, os pardos eram quase sempre malcriados e foram banidos do colégio porque as famílias brancas não toleravam ver seus filhos ao lado de pessoas de vil e obscura origem, de costumes corrompidos e com audaciosa soberba. Acrescentava que por esta razão, nesta costa do Brasil, já lhes está totalmente fechado o ingresso ao sacerdócio e aos claustros religiosos e a qualquer função governativa.

De acordo com o autor das obras “Escravidão”, “a pureza de sangue do seminarista tinha de ser provado por meio de inquérito judicial para apurar se pais e avós de ambos os lados estavam isentos das tais máculas raciais, ou “sangue defeituoso”, e aí estavam também incluídos os judeus. Os estatutos da Ordem Terceira de São Francisco, de Mariana (MG), determinavam que todo candidato à confraria teria de ser de nascimento branco legítimo…”

Não entendo essa quizila toda dos movimentos negros contra a princesa Isabel que sempre foi defensora da abolição e concedeu centenas e milhares de cartas de alforrias. Com a Igreja Católica, existe hoje um sincretismo religioso entre o candomblé e o catolicismo, sem ranços raciais, talvez por consciência pesada pelo que cometeu de maldades no passado.

Contra a Igreja não existe essa renegação, como contra o 13 de maio. Na época, final do século XIX, o próprio Ruy Barbosa, ministro da Fazenda, por pressão dos fazendeiros e empresários em geral, mandou para a fogueira vários documentos para evitar pedidos de indenização por parte dos escravos, que nunca receberam seus direitos por trabalharem séculos debaixo da chibata. A escravidão no Brasil, na verdade, não acabou, e está aí mais que visível nos fatos do dia a dia, principalmente com a reforma trabalhistas, que está mais para reforma escravista.

 

ROLINHAS E O PERFUME DAS FLORES

Na barafunda das cidades de concreto, do corre-corre e do vaivém das multidões, cada um com seus problemas existenciais, ainda existe um pouco de verde que acolhe nossas aves, inclusive do nosso sertão catingueiro, como as rolhinhas que, vez por outra, visitam meu modesto quintal, talvez atraídas pelo perfume das flores. Outros pássaros aqui pousam para cantarolar, principalmente ao amanhecer e no poente, para sugar o néctar do café da manhã e do jantar antes do pernoite. O flagrante das nossas lentes sempre está a registrar esse aconchego da natureza que faz acalmar nossos espíritos atribulados diante de tantos fatos desumanos que não se cansam de acontecer. Tudo isso nos faz refletir mais e mais sobre a malvadeza do homem contra o nosso meio ambiente, o qual está sendo, pouco a pouco, destruído pela ignorância e ambição gananciosa desse capital assassino que só visa o consumismo. Quando a harmonia entre o homem e a natureza se esvai, é sinal de que o fim está se aproximando. Abençoados sejam as rolinhas e o perfume das flores do meu quintal.

BRUXA DA INQUISIÇÃO

De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

A arte virou bruxa da inquisição,

Com vassouras e armas na mão.

 

Não me encontro nesse presente;

Do passado, aprendiz das lembranças;

Prefiro seguir em frente,

Na procura de um novo futuro,

De um porto firme e seguro,

Sem as amarras dessas alianças.

 

Arrebentaram as cordas do meu violão,

Minha voz está ferida e rouca,

Foi-se o perfume da linda canção;

A linguagem ficou louca,

Até a flor da arte está murcha,

Virou bruxa da inquisição.

 

Não sou nenhum Dom Quixote,

Nesse moinho de tanta ilusão,

Nem açoite dessa boiada;

Perdi o compasso do mote,

Nessa cultura ensanguentada;

Não mais viver nessa contramão.

 

A FELICIDADE NO TRABALHO

Quantos no Brasil de hoje, principalmente depois da reforma escravagista do Temer, o mordomo de drácula, se sentem felizes no trabalho que faz? Nesta semana estava ouvindo uma reportagem na TV sobre ter felicidade no emprego, como se isso fosse possível num sistema capitalista selvagem que só faz explorar e sugar o trabalhador o quanto pode.

Na teoria é muito fácil esses palestrantes burocráticos falarem em realização no trabalho, quando o indivíduo passa todo tempo na empresa sendo pressionado para cumprir as tais metas, sob o risco de perder o emprego. Como se diz no popular, ser mandado para o olho da rua. Muitos nem dormem direito, pensando no que será o dia do amanhã.

O operário braçal da construção civil, o metalúrgico numa fornalha de uma siderúrgica, o encanador ou mesmo o limpador de rua estão felizes em suas funções? Acredito que estão mais por necessidade porque não tiveram instrução para galgar melhores cargos no mercado.

Esse negócio de felicidade é coisa passageira, e até serviu de mote para Marx fazer sua revolução da luta de classe no século XIX após o advento da Revolução Industrial na Inglaterra. Foi a partir dali que o trabalhador descobriu sua infelicidade nas minas de carvão ou nos teares têxteis.

A máquina trouxe progresso e, em seu pacote desumano, a infelicidade de ter que trabalhar o tempo todo só para sobreviver, sem ser reconhecido como ser humano. O trabalhador nesse bruto sistema, só serve enquanto presta. Para aliviar suas tensões, ele se chafurda no consumismo, o qual lhe passa momentos ilusórios de sensação de felicidade.

No nosso país atual, de tanta exploração do homem e da mulher, a felicidade no trabalho atua como se fosse uma droga que se toma todos os dias, mas vira depressão quando se cai na velhice ou perde seu prazo de validade.

Nem os espertos malfeitores, ladrões e corruptos conseguem alcançar essa tão almejada felicidade, porque ela não está apenas no dinheiro, mas na satisfação espiritual, que nunca é plena. Portanto, falar em felicidade no trabalho nessa era tão conturbada, é coisa complicada.

O ESTADO MÍNIMO E A INFORMALIDADE

Diz lá o entrevistado de uma emissora de televisão, com ar de sabichão e profeta dos tempos, que a tendência geral dos países é a de que todos trabalhadores vão passar a atuar na informalidade, principalmente a partir da evolução tecnológica da internet, nessa nova era da revolução da informática.

Confesso que tudo isso soa para mim como um mundo desumano de um Estado mínimo, e não me sinto mais pertencente a ele. Sou como um peixe fora do aquário. O outro entregador por aplicativo revela que tira R$1.5000,00, um pouco maior quando trabalhava com carteira assinada, e que prefere sua nova atividade, mesmo sem o amparo das leis.

Fiquei a imaginar comigo como será esse jovem daqui a uns 30 ou 40 anos, sem uma aposentadoria certa e os benefícios trabalhistas. De um modo geral, nesse desgoverno desastrado, as pessoas não querem mais estudar, se especializar em alguma profissão e adquirir conhecimento.

Esse jovem não vai passar, quando estiver com 50 ou 60 anos, de um simples entregar por aplicativo, transportando encomendas ou comidas para seus patrões (o dono do negócio e o que recebe o pedido), ou estará noutro ramo do mesmo nível. Ele não é mais que um simples número.

Segundo as estatísticas, mais de 40% dos trabalhadores brasileiros estão na informalidade e, desse contingente, quase dois milhões são de entregadores que passam o dia arriscando suas vidas no trânsito do asfalto assassino. Quando sofrem um acidente grave, são levados diretamente para o SUS e, se forem acometidos de alguma deficiência física, vão receber uma migalha desse Estado mínimo, ou anos para conseguir uma pensão mixuruca.

Em outros países desenvolvidos, esses operários, mesmo na info9rmnalidade, são protegidos por leis estatais, não aqui no Brasil ignorante e selvagem onde fizeram uma reforma escravagista que coloca o ser humano como um lixo que não serve nem para ser reciclado.

É esse Estado mínimo dragão, pior que neoliberal em que vivemos, onde o brasileiro está sendo incentivado a não mais fazer uma faculdade ou universidade. Não posso dizer que me sinto animado e cheio de boas expectativas futuras, senão estaria traindo a mim mesmo ou sendo um hipócrita para agradar a maioria que pensa o contrário.

 

A PROVAÇÃO DA VACINAÇÃO

Carlos González – jornalista

Educação e saúde são os pilares de qualquer administrador público, ao assumir o compromisso de zelar pelo bem-estar do seu povo. Com raras exceções, nossos governantes, do presidente da República ao prefeito de cidadezinhas escondidas nos lugares mais remotos deste imenso país, estão mais interessados no “venha a nós, ao vosso reino nada”. Vitória da Conquista, infelizmente, não foge à regra. No momento, vamos abordar a assistência médico-hospitalar que é oferecida aos conquistenses; o ensino escolar fica para depois.

Acompanhamos um idoso, com mais de 80 anos, ao posto de saúde batizado de Panorama, no Alto Maron, um dos quatro em todo o município onde está sendo aplicada a vacina contra a influenza. Essas unidades estão instaladas em bairros da periferia, a quilômetros de distância do Centro, da zona rural e de áreas populosas como Recreio e Candeias.

Depois de percorrer ruas e becos esburacados, com dezenas de quebra-molas, odiados pelos motoristas, adorados pelos donos de oficinas mecânicas e objeto dos requerimentos dos vereadores à prefeitura, chegamos ao posto, instalado numa ampla área, mas com suas dependências internas necessitando de reformas urgentes.

As horas se passavam e os pacientes (definição dupla) resignados observavam que somente estavam sendo chamadas gestantes e crianças, estas em busca de cobertura vacinal contra o sarampo. “Idoso não tem garantia de prioridade”, resposta de uma funcionária a um questionamento que fiz. Conclusão: meu acompanhante não foi imunizado.

Aluna aplicada

Aluna atenta das aulas de política de saúde ministradas por seu antecessor, Sheila Lemos vem dando continuidade aos métodos antipedagógicos de Herzem Gusmão (1948-2021), sob a fiscalização de alinhados herzistas, abrigados no seu gabinete (alguns deles levam os sobrenomes Lemos e Gusmão) e na Câmara de Vereadores. Herzem, nos seus quatro anos como gestor público, absorveu o obscurantismo que reprime a ciência, aplicado pelo seu mestre, o inseguro presidente Jair Bolsonaro.

Com olhos e pensamento voltados para a reeleição, a exemplo do capitão-presidente, Herzem não adotou medidas concretas para combater o coronavírus e nem para minorar o sofrimento do povo pobre que chega na madrugada e passa horas nas filas dos postos de saúde, em busca de tratamento, exames e cirurgias.

A cura para a Covid-19, acreditava o alcaide, estava nos medicamentos comprovadamente ineficazes, receitados pelo “novo Messias” de Brasília, que procurou sabotar as campanhas de vacinação e a adoção de medidas de proteção para a população. “E daí? Eu não sou coveiro!”, reagiu o ex-capitão ao número crescente de mortes, que hoje chegam a quase 700 mil, inferiores somente aos Estados Unidos. Em Conquista, Herzem alimentava um conflito injustificável com o governador Rui Costa, o verdadeiro responsável pelo envio dos primeiros lotes de vacinas para o município.

Prometendo priorizar a ciência (não se falou mais em cloroquina), Sheila Lemos assumiu a prefeitura em março de 2021, na fase mais viva da pandemia, quando a maioria dos municípios brasileiros já estava numa etapa mais adiantada da campanha de vacinação. Bolsonarista não declarada, a gestora deixou de cumprir decretos estaduais, cujo objetivo era de evitar maior disseminação do vírus, incorrendo no artigo 286 do Código Penal. As diretrizes de seu governo sempre colocaram em primeiro plano a sucessão estadual de outubro próximo e a sua própria, em 2024.

Uso da máscara

No mês passado, Sheila Lemos tirou a máscara, gesto acompanhado por uma grande parcela da população local, no momento em que o município registra 691 óbitos (uma das maiores taxas de letalidade do Estado) e 70 pessoas em recuperação ou sob suspeita de contaminação. Os que persistem em usar a máscara se queixam de que têm sido alvos de zombaria.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) acaba de emitir   um comunicado, alertando para o risco de uma nova onda da Covid-19, com base na ocorrência da doença nos Estados Unidos, Reino Unido, França e leste da Ásia, atribuída pelos especialistas à flexibilização das medidas restritivas, principalmente à liberação das máscaras.

O aparecimento da variante Ômicron BA2 transferiu para 2023 a realização dos Jogos Olímpicos Asiáticos, previstos para setembro deste ano, na China. Notamos que houve um arrefecimento da imprensa na cobertura da doença no mundo.

 

 

 

 

A NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA, SEUS GRANDES ESCRITORES E POETAS IMORTAIS

A última flor do Lácio, descendente do latim, cortou séculos de mudanças e evoluções com seus dialetos e expressões em cada território; sofreu e ainda sofre misturas de outros idiomas, principalmente do inglês no Brasil, mas tem mantido régua e compasso em sua essência, suas raízes e sua árvore genealógica, imortal como o Baobá africano.

Foi comemorado nesta quinta-feira (05/05) o Dia Mundial da Língua Portuguesa, infelizmente sem muitos comentários públicos, a não ser fechados em quatro paredes de algumas instituições, academias e agremiações. Será que ainda é o complexo de vira-latas de que tanto falou o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues?

Com cerca de 300 milhões de habitantes, dentre os que falam a língua portuguesa estão Portugal, o colonizador, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Cabo Verde, Timor Leste e Macau, na Ásia. Devido a opressão do conquistador, os africanos conseguiram suas independências somente nas décadas de 60 e 70.

Em 1996 foi criada a Comunidade de Países da Língua Portuguesa, para tratar, entre outros assuntos políticos e econômicos, sobre a uniformização da língua, quando foi instituída a Nova Ortografia, que não encontrou o respaldo de todos. Uma marca desses países são as ditaduras violentas que atrasaram seus desenvolvimentos e oprimiram milhões.

A quase totalidade dessas nações ainda está na classificação de subdesenvolvidos ou emergentes, sendo diariamente triturados pela globalização do sistema capitalistas perverso. Neles habitam a maior parte da pobreza mundial, excluídos de seus direitos universais básicos, como alimentação, justiça, liberdade, educação, moradia, saneamento e saúde para todos.

No Brasil de mais de 200 milhões de almas, vive-se hoje uma profunda crise de retrocesso em todos os setores, especialmente no âmbito das ideias, voltadas para a época da Idade Média, com suas discriminações e preconceitos. Na verdade, nosso país vem sofrendo um processo de destruição interna, inclusive da sua língua.

Sobre o emprego dessa nossa língua, sua gramática tem sido maltratada diante da baixa qualificação educacional de nossas escolas, sem contar a intervenção das redes sociais da internet com o uso codificado de suas palavras. Outro fator desastroso tem sido a invasão de idiomas estrangeiros em nossa língua, especialmente o inglês, numa mistura danosa de termos, como uma faca afiada que sangra aos poucos suas normas e regras.

No comércio em geral e nos shoppings, as lojas exibem placas, faixas, cartazes e letreiros em inglês que nos faz parecer que estamos nos Estados Unidos ou na Inglaterra. A maioria inculta nada entende, mas adquire camisetas e calças com frases em inglês, e saem por aí felizes da vida exibindo seus troféus.

Na mídia, nas propagandas, nas páginas de economia, em matérias jornalísticas e nos anúncios de reuniões, seminários e congressos, o que mais se ler são palavras, como hatera, cyberbilling, business, happy hour, webnario, workshop, commodities, website, compliance, Food Park Salvador, trolls, drive trhow e tantas outras que infestam nosso português.

Na data do Dia Mundial da Língua Portuguesa só temos mesmo que prestar uma eterna homenagem aos nossos imortais escritores e poetas, verdadeiros artistas das palavras, como Luiz de Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Saramago e tantos outros portugueses.

Nos resta ainda homenagear os africanos Mia Couto, Pepetela, Amílcar Cabral, Vanhenga Xitu e os nossos brasileiros José de Alencar, Machado de Assis, José Lins do Rego, Câmara Cascudo, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Euclides da Cunha, Gilberto Freire, Afrânio Peixoto, João Cabral de Melo Neto, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Olavo Bilac, Guilherme de Almeida, Castro Alves, Álvaro de Azevedo, Lima Barreto, Luiz Gama e outros milhares que fizeram do nosso português a morada do nosso saber.

 





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