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A REFORMA DO “CRISTO”

Assim como o Teatro Carlos Jheová e outros equipamentos que já fazem parte do nosso patrimônio cultural e precisam de atenção especial para que não pereçam, a obra do “Cristo de Mário Cravo”, lá no ponto mais alto da Serra do Periperi, necessita, com urgência, de uma reforma em sua estrutura para que não venha a ser corroído pelo tempo. Quer chova, faça frio, neblina, calor e sol, lá está o monumento ao Cristo nos oferecendo uma visão privilegiada da cidade, principalmente o pôr-do-sol deslumbrante. Por várias vezes já esteve abandonado ao ponto do local não ser recomendado a visitantes por causa do perigo de assaltantes. Passaram-se governantes e vários projetos foram propostos, como até a construção de um bonde ligando o Cristo ao centro da cidade, mas, a maioria ficou no meio do caminho. Era para ser o cartão postal mais visitado de Vitória da Conquista, inclusive com a implantação de um restaurante e outros serviços, como existe no Rio de Janeiro. Fizeram alguns reparos, mas o tempo está a exigir uma reforma mais completa, pois corre o risco de ser completamente deteriorado.

O maior Cristo crucificado do mundo, com 33 metros de altura, foi instalado, em 1980, na data do aniversário de Vitória da Conquista (9 de novembro). Com o abandono, o local chegou a se transformar num covil de ladrões. Até hoje continua sendo pouco visitado pelos moradores e turistas que passam por Conquista. Devido ao seu isolamento, ainda persiste aquele receio de assalto. Por isso, não se trata apenas da reforma do Cristo, que não é do artista Mário Cravo, mas de todo Planalto da Conquista e sua região. É também de todos baianos e brasileiros. Além da estátua, o local carece de urbanização e projetos de infraestrutura ambiental e turística.

 

MINHA FILHA DOWN

Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

Sou continente e ilha;

Navegante errante,

Dessa insensata nau.

Esse meu verso e canto,

É para minha filha Down,

Que perdoe meu egoísmo,

Por tanto lidar com esse ismo,

Que me deixa confuso,

Mas seu olhar de ver,

Acalanta o meu ser.

 

Sou deserto e mar,

Horizonte finito e infinito;

Você é facho de luz,

Ternura que me conduz;

Desculpe esse meu ego conflito;

Sou como vento cortante;

Você rosa perfumante.

 

Minha filha Down!

Sou dúvida do sentido sentir;

Você é certeza do existir,

Sem pecado, imaculada,

Pedra reluzente preciosa,

Alma de encanto formosa,

De pura beleza sideral:

Down estrela da natureza,

Do ventre da mãe Tereza.

A INTERDIÇÃO DO TEATRO CARLOS JHEOVÁ

Desde o início da pandemia, portanto, já são mais de dois anos que a casa de espetáculos de Vitória da Conquista, Teatro Carlos Jheová, localizado na Praça da Bandeira, se encontra interditado, privando os artistas conquistenses de realizarem suas atividades artísticas.

Durante esse período correu um boato na cidade de que aquelas instalações junto com o Mercado de Artesanato, que fica ao lado, seriam demolidas para, em seu lugar ser erguido um shopping comercial.

Atento ao problema, um grupo de jovens dos setores de audiovisual e teatro fizeram um movimento condenando essa possível derrubada do prédio e cobrando do poder público municipal uma urgente reforma das duas unidades.

Provocado pelas manifestações, o Conselho Municipal de Cultura realizou, no final do ano passado, vários debates com os artistas em torno do assunto, chegando a enviar ofícios ao poder executivo solicitando explicações em torno das especulações imobiliárias e providências para recuperar o teatro.

A prefeitura desmentiu qualquer possibilidade de demolição do conjunto artístico da cidade e reiterou que está em andamento o plano de uma reforma do Teatro Carlos Jheová e do Mercado de Artesanato. Segundo informações, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer está empenhada em resolver o problema e na busca por soluções efetivas.

Na ocasião, o grupo de jovens chegou a se manifestar perante à Câmara de Vereadores visando intermediar ações no sentido de que a reforma fosse agilizada em tempo hábil para a reabertura do teatro. Sensibilizados, alguns parlamentares chegaram a liberar emendas para somar recursos com fins de iniciar a obra. No entanto, com o passar do tempo, a situação só tende a piorar para uma maior degradação.

Com o abrandamento da pandemia e a flexibilização dos encontros e shows, os artistas de um modo geral, inclusive do setor musical onde existe uma maior demanda, estão sem um local apropriado, no caso um teatro específico de arena, para apresentar seus trabalhos ao público.

UMA CATEGORIA ENFRAQUECIDA POR CAUSA DO INDIVIDUALISMO

Sempre foi vista, até certo tempo, como o quarto poder por ser formadora de opinião, tida por muitos como “o cão de guarda” em defesa da liberdade de expressão e a voz por uma sociedade mais justa e igualitária. Era para ser uma das categorias mais fortes e respeitadas do país, com sindicatos bem estruturados e com grande poder de barganha sobre os patrões.

Claro que estou falando da classe jornalística, que depois de passar por tantas adversidades, como ser censurada durante o regime militar de 1964; fazer história; romper com barreiras; e ser guardiã da democracia quando levanta matérias investigativas sobre corrupção e complôs na política, vive hoje uma crise de identidade, a começar pelo enfraquecimento de suas entidades, sem falar dos xingamentos de um presidente da República que odeia as críticas e abomina a liberdade.

Na minha concepção particular, essa falta de fortalecimento da categoria está no individualismo, naquele egoísmo do cada um cuidando de si para sobreviver. Sempre foi uma profissão mal paga em termos de remuneração e, para preencher essa deficiência, o trabalhador ou operário da notícia (jornalista não gosta de ser assim chamado) tem dois ou três empregos por fora, alguns deles até chamados de bicos. A prepotência é outro mal.

CADA UM QUE SE VIRE

Até hoje ainda persiste aquela ideia fechada de que cada um que se vire no mercado. Quando comecei a atuar na atividade, lá pelos anos 70, ouvia muita essa conversa de que o sindicato só faz atrapalhar. Somente poucos falavam o contrário e me apoiaram quando resolvi me filiar. Outro problema que atrapalhava na busca pelos interesses do profissional era a politização em demasia. Muitos preferiam se afastar.

Naqueles anos ainda existia uma militância mais robusta que foi definhando até os dias de hoje, principalmente com o fim da obrigatoriedade do diploma, por volta de 2009/10, mas a decadência já havia batido na porta bem antes disso. Não são propriamente os dirigentes que são culpados.

Estou falando no geral em termos de Brasil, a partir da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mas quero trazer esse problema para a questão local, no caso o nosso Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), que só consegue arrecadar seis mil reais por mês dos seus minguados associados.

Será que foi a tecnologia da internet e a diversificação do mercado que provocaram esse enfraquecimento? Ou a própria desunião? As redes sociais têm alguma culpa nisso? Atualmente, para ser jornalista é só abrir um site, ou mesmo um perfil na internet. Numa discussão sobre jornalismo, todos se acham entendidos no assunto.

Sem união, uma rede de proteção e uma regulamentação da profissão, os sindicatos tendem a se esvaziar, ficando apenas alguns abnegados na trincheira da resistência. A realidade baiana não é diferente da de outros estados. Aqui mesmo em Vitória da Conquista, faz quantos anos que não se teve uma reunião?

CASA E MUSEU

Não deveria estar falando isso, mas quando aqui cheguei, nos anos 90, a diretoria regional e de outras cidades maiores eram bem mais atuantes. Digo isso porque fui diretor por várias vezes e até vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas. Recordo dos memoráveis encontros onde se discutia e se “brigava” por melhorias. Estávamos sempre vigilantes no combate aos desvios de conduta, os chamados “picaretas”.

Foi nesse idos que juntos conseguimos um terreno, doado pela Prefeitura Municipal, com intuito de construirmos a “Casa dos Jornalistas”, uma espécie de clube onde ali teríamos uma local de reunião e condições de realizarmos atividades culturais, de esporte e lazer. O lote, com planta e tudo, está localizado, isto é, se ainda existe, no Bairro Santa Cecília.

Há muitos anos que não se fala mais nisso, e o Sindicato não se pronuncia a respeito do assunto.  Infelizmente, a classe é desunida e individualista. Outra ideia que nasceu daqueles movimentos de outrora foi a implantação do Museu da Imprensa de Vitória da Conquista, um tipo de resgate da nossa história.

CORRUPÇÃO INVADE FORÇAS ARMADAS

O capitão presidente disse certa vez em seu “cercadinho de seguidores” que a Lava-Jato havia acabado porque em seu governo não existia mais corrupção. Como tantas de suas bravatas, essa soou como mais uma piada, a começar pelas rachadinhas dele e de seus filhos.

No Ministério da Educação apareceram os pastores vendilhões da pátria pedindo dinheiro e quilos de ouro para liberar projetos dos prefeitos. Antes disso, as forças armadas, tidas como de conduta ilibada, abriram suas portas para compras superfaturadas as mais diversas, como bacalhau, filé mignon e outros produtos de luxo. Enquanto isso, milhões passam fome.

Como se não bastasse tudo isso, agora estourou mais um escândalo por deveras inusitado que foi a compra de 35 mil comprimidos de viagra com sobrepreço. Isso deu vazão a uma enxurrada de memes, como de que o medicamento, recomendado para casos de impotência sexual, seria para levantar a moral dos soldados.

Outros casos vêm sendo denunciados, como a concessão de verbas para reforma e construção de igrejas evangélicas na Amazônia, dentre outros absurdos nunca visto em sua história. Essa reputação de seriedade das forças armas (exército, marinha e aeronáutica) com a coisa pública caiu por terra nesse governo que se blindou com os generais.

Antes do capitão, que se cercou dos generais de pijama para atentar contra a democracia e pedir intervenção militar, algumas pesquisas apontavam as forças armadas como uma das instituições do país mais bem conceituada. Depois de tantas atrapalhadas, como a do viagra, temos certeza que essa visão dos brasileiros deixou de existir.

Diante de tanto descalabro, muito generais, talvez a grande maioria, não estão nada satisfeitos e não concordam com o que está acontecendo, pois tudo isso mancha a corporação que já vem de uma passagem tenebrosa durante a ditadura civil-militar de 1964.

Os militares, nem todos, se incorporaram a esse governo para arrancar privilégios e mordomias, se nivelando às mazelas do Congresso Nacional e a políticos contumazes da corrupção. Por vaidade, status e dinheiro aceitaram cargos num governo que tem como sua maior marca a destruição da pátria, a começar pelo meio ambiente e extinção por completo do povo indígena.

O que eles estão fazendo é de estarrecer, e os quarteis deveriam ou devem estar envergonhados com tudo isso, pois eles, os generais, estão no lugar de dar o bom exemplo e cumprir com suas funções determinadas pela Constituição Federal, e não enlamear suas fardas como vem ocorrendo. Um dia, a história vai condenar todos eles por prevaricação.

CURIOSIDADES DO TRÁFEGO NEGREIRO (VII)

O livro de Laurentino Gomes, “ESCRAVIDÃO” mostra curiosidades do tráfico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravidão no Brasil.

Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles sobre os sofrimentos dos negros no cativeiro:

No século XVII, o consumo de açúcar estava em franca ascensão na Europa. Na Inglaterra, as importações saltaram de 10 mil para 150 mil toneladas entre 1700 e 1800, ajudadas pela novidade que, em 1662, a princesa portuguesa Catarina de Bragança, filha de D. João IV, levou para Londres ao se casar com o rei Charles II. Ela introduziu o hábito de se tomar chá açucarado todo final de tarde (o chá das cinco da tarde).

Em 1580, de acordo com o autor do livro “Escravidão”, Laurentino Gomes, Pernambuco tinha 66 engenhos operados por duas mil famílias portuguesas e já liderava a produção de açúcar no Brasil. Os primeiros engenhos eram pequenos, movidos a bois e cavalos ou rodas d´água. No Recôncavo Baiano, a prosperidade do produto fez com que a população de Salvador triplicasse num curto período de 65 anos, passando de 14 mil habitantes em 1585 para cerca de 40 mil em 1750.

A malandragem brasileira já vem desde os tempos coloniais. Nas operações de vendas para a Europa, muitas vezes, açúcar de baixa qualidade era declarado como de primeira e entregue em quantidades inferiores à declarada. Os exportadores colocavam o açúcar de boa qualidade no alto da caixa, enquanto embaixo, em volume maior, o açúcar inferior. Em casos extremos de fraude, botavam pedras no lugar do produto. Os comerciantes portugueses reclamavam da má reputação do açúcar brasileiro, embora de melhor qualidade que o do Caribe.

A maior parte (dois terços) do açúcar era transportada pelos holandeses, que também cuidavam do refino. Outra curiosidade era que quase metade das propriedades pertencia aos cristãos-novos (judeus forçados à conversão), isto entre 1587 e 1592. Por volta de 1590, a Inquisição Católica descobriu uma sinagoga escondida num engenho, em Matoim, Recôncavo Baiano. Diogo Lopes de Ulhoa, comerciante e plantador de cana foi denunciado, mas livrou-se da fogueira graças à riqueza e o poder que acumulou na Bahia.

Além dos cristãos-novos, jesuítas, padres carmelitas e beneditinos eram donos de algumas das maiores fazendas açucareiras do Nordeste, com numeroso plantel de escravos.

O corte da cana era feito em dupla de escravos, com base em cotas diárias prefixadas. No século XVII, a média era de 4.200 canas por escravo do Engenho Sergipe, situado no Recôncavo Baiano. Os mais fracos e idosos só conseguiam preencher a cota ao anoitecer e sob pressão do chicote.

Havia diferentes especialidades desde os canaviais aos engenhos. Os mais valorizados eram os purgadores, mestres de açúcar, supervisores, carpinteiros, ferreiros e ferramenteiros. Os trabalhadores do campo eram tratados com mais desprezo e os que tinham menos privilégios, bem como jornadas de trabalhos mais árduas.

Os grupos mais especializados compunham-se, majoritariamente, de mulatos ou crioulos, que trabalhavam lado a lado com pessoas livres ou alforriados. Existia uma hierarquia social entre os próprios escravos. A moagem e o processamento requeriam habilidades, em geral mulheres que introduziam as hastes das canas nas prensas.

Qualquer descuido resultaria em mutilação de uma mão ou um braço. Os engenhos movidos a água eram mais perigosos que os tracionados a bois. Segundo o padre jesuíta André João Antonil, o lugar de maior perigo era a moenda porque a escrava poderia ser mutilada.

Por esse motivo era comum manter ao lado da prensa um facão afiado, que poderia ser usado para amputar um braço, impedindo que seu corpo inteiro fosse tragado e esmagado pela máquina. Houve o caso de uma rainha do povo Cabinda, norte de Angola, que se tornou escrava e acabou tendo seus dois braços amputados enquanto tentava salvar outra escrava presa pela moenda.

UMA REFORMA ESCRAVAGISTA

Quando o governo Temer (o mordomo de Drácula), há cinco anos, com o lobby dos empresários e apoio do Congresso Nacional, implantou a maldita Reforma Trabalhista logo disseram que iria aumentar os empregos, e o país tomaria o rumo do desenvolvimento social e econômico. Quando o setor empresarial aplaude, coisa boa não é.

Passado esse tempo, nada disso aconteceu, muito pelo contrário, o que houve foi uma volta à escravidão do trabalhador brasileiro onde não existe mais negociação, e quem manda é o patrão. O operário se cala porque não tem outra alternativa. Na verdade, criaram uma reforma escravagista.

Confesso que eu já sabia disso, porque, na época, o capital, advogados, juristas e até mesmo a Justiça Trabalhista, com algumas exceções, foram unânimes e, somente os sindicatos fizeram algumas manifestações contrárias. Hoje está aí a realidade, nua e crua de uma nova escravidão.

Inventaram o trabalho intermitente, cortaram benefícios da CLT, podaram a ação dos sindicatos nos acordos, expandiram a terceirização para todas as atividades, justamente num país de mais de treze milhões de desempregados e com uma das maiores informalidades do mundo. Deu no que deu!

De lá para cá, a situação só fez piorar, e não me venham com essa de que a culpa foi da pandemia! Sem poder de barganha diante dos empregadores, os operários tiveram que baixar a cabeça para não entrarem na lista dos mais de 50 milhões de famintos e em condições subalimentar.

Hoje, o cidadão aceita qualquer valor irrisório, sem carteira assinada e outros benefícios que teria, para não ficar no olho da rua pedindo esmolas, ou até mesmo furtando em feiras e supermercados. Os sindicatos foram quase todos enfraquecidos, e o postulante ao emprego aceita qualquer coisa, como o subemprego. Isso não é escravidão?

Agora, está do jeito que os capitalistas queriam, só que eles são imediatistas e têm uma visão atrasada. Se existe menos emprego e o cara tem seu salário reduzido, fatalmente cai o poder de consumo e a economia não cresce, conforme está ocorrendo. Nesse ciclo de horror, o industrial corta sua produção, e os setores comercial e de serviço faturam menos.

De acordo com pesquisas dos institutos do IBGE, Fundação Getúlio Vargas, Dieese e outros, nos últimos anos da Reforma Trabalhista para cá, o rendimento do trabalhador caiu quase 9% e aumentou a informalidade. Na quase sua totalidade, os chamados “colaboradores” do capital não tiveram reajustes salarias numa inflação superior a 10%. Isso não é uma calamidade, uma escravidão?

Somando subemprego ou subutilizados (27 milhões) onde as pessoas poderiam trabalhar mais, desempregados (12 milhões), desalentados (4,7 milhões) e outras espécies, temos no pais mais de 50 milhões sem ocupação, uma legião de desesperados. Foi tudo isso que a Reforma Trabalhista gerou da sua barriga fétida neoliberalista burguesa.

Diante de tudo isso, o endividamento das famílias atingiu o índice de mais de 77%. Quem se atreve hoje entrar no gabinete do chefe para pedir um aumento salarial por merecimento? Ele pode correr o risco de ser demitido sumariamente. Já se foi o tempo em que se fazia isso e saia de lá com alguma coisa a mais. O cara tem que comer a gororoba calado! Isso não é escravidão?

Milhões hoje trabalham sem carteira assinada, ou com valores abaixo do mínimo, que não correspondem ao que eles deviam receber no final de cada mês. Labutam dia e noite em péssimas condições, sofrendo assédio moral e sexual. Engolem tudo isso porque precisam da merreca para levar um pouco de pão para suas famílias. Aliás, comem o pão que o diabo amassou!

Os empregados hoje não podem reclamar e nem dar uma queixa no Ministério do Trabalho ou na Justiça Trabalhista, pois temem ser botados para fora, porque existem milhões batendo a porta para aceitar a miséria salarial. As filas por emprego são quilométricas. Isso é, ou não é escravidão trabalhista? Essa Reforma não é boa para ninguém, nem para o ganancioso e selvagem capitalismo mundano e nem para o país. É uma vergonha para a nação.

Trabalho escravo não é somente os registrados em fazendas, empresas de construção civil, carvoarias e outros serviços onde se encontram pessoas vivendo em estado degradante, sem o direito de ir e vir, comendo rações limitadas sem nada receber no final do mês. Isso também que está aí nesse mercado é escravagismo.

 

 

 

EM PLENO VOLUME

  FotoATardedivulgaçãoIvandeAquino

Depois de 16 anos, a Barragem de Sobradinho, no norte do estado, próximo a Juazeiro, alcançou seu pleno volume de água (100% da sua capacidade). Nesse período, sofreu também sua pior baixa por causa da seca e da degradação do Rio São Francisco pelo homem que, ao invés de revitalizá-lo, prefere dele tudo extrair sem repor e preservar, principalmente suas margens. No dia 31 de março teve sua vazão defluente reduzida de três mil metros cúbicos por segundo para 1.500. Todo processo é controlado pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf. Com isso, houve uma baixa no nível de água que invadiu vários bairros de cidades ribeirinhas. O reservatório foi construído na década de 1970 com a finalidade de produzir energia elétrica e acumular água para o consumo das populações locais, bem como irrigar plantações de frutas e outras lavouras da região. O aproveitamento dessa água beneficia toda sociedade, principalmente os pequenos produtores. Mesmo assim, o Comitê da Bacia do Lago de Sobradinho, que abrange 11 municípios, vem cobrando do governo federal que seja feito um estudo geológico do fundo da barragem, para calcular o volume de sedimentos decantados para o leito desde a edificação do lago, que não tem mais 34 bilhões de metros cúbicos devido ao assoreamento. Essa situação ocorre pela falta de mata ciliar em longos trechos do reservatório e em toda extensão do “Velho Chico”. Com certeza, esse governo que destrói o meio ambiente não vai fazer estudo nenhum.

CABARÉ PÉ DE SERRA

Mais um poeminha inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

A terra pegando fogo em guerra,

E eu aqui nesse cabaré

Do Nordeste pé de serra

Dos poros transpiro sofrência

Nas luzes ultravioletas

Bani da alma toda crença

Sem mais fé e consciência

Sangrando pela Julieta

Que na cama me traiu

Com um cara de nome Capeta

 

Sem você acabou melodia

Tô pior que cachorro de rua

Vira-lata todo pulguento

Ninguém cura meu sofrimento

Nem sei mais o que é noite e dia

Nem vejo o sol, nem vejo a lua

 

Nesse cabaré pé de serra

Entre mulheres quebrantes

Só vejo o rosto de Julieta

Com suas coxas rebolantes

 

Nesse cabaré pé de serra

Como cartucho na linha de frente

Nem sei mais o que é ser gente

Na embriaguez dessa agonia

Ninguém escuta meu pranto

Sou como papel em branco

Na lagoa uma simples gia

Um inseto lá no canto

Jogado numa sarjeta

Por aquela ingrata Julieta

Que fugiu com o Capeta.

A INIMIGA NÚMERO UM DO GOVERNO

Como se não bastasse a destruição do meio ambiente, nosso maior patrimônio nacional, desde o início do seu mandato trapalhão e aberrante, o capitão-presidente elegeu a cultura como sua maior inimiga e começou por cortar o Ministério da Cultura. Essa sua obsessão de que cultura é coisa de comunista ficou agora bem clara com o veto à Lei Paulo Gustavo que destina 3,8 bilhões de reais para o setor, beneficiando, principalmente, o audiovisual.

Dessa verba, pouco mais de 2,7 bilhões contemplam o audiovisual e os restantes para promoção de editais, comunidades negras e indígenas dentre outras linguagens artísticas, visando ajudar essas categorias que ficaram paradas sem trabalhar por dois anos por causa da pandemia. Será que o Bozó vetou por discriminação ao nome do artista Paulo Gustavo? Não existem outras razões plausíveis.

O Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista está emitindo uma nota de repúdio pelo veto, ao mesmo tempo em que apela aos deputados e senadores que juntem forças para derrubar esse ato insano e criminoso. Dessa verba, Conquista, um dos grandes celeiros do audiovisual, com quase 400 mil habitantes e terceira maior cidade da Bahia, deve ser contemplada com cerca de 2,5 milhões ou mais.

Os artistas conquistenses estavam contando com esses recursos para desenvolver seus projetos e, mais uma vez, se sentem frustrados e decepcionados, tendo ainda em vista que o poder público municipal tem investido muito pouco em cultura, um setor que vive à mingua com o pires, ou a cuia na mão, para realizar seus trabalhos. Muitos talentos estão sendo engavetados e sepultados.

Em toda minha vida, nunca vi tanta insanidade e perseguição contra a cultura, tida pelo capitão destruidor da pátria como coisa de esquerdista comunista, de vagabundos e maloqueiros vadios. Até quando esse racista, misógino, homofóbico e tantas coisa de ruim vai continuar abusando da nossa paciência?

Ele, junto com o Paulo Guedes, da Economia, e Damares, dos Direitos Humanos e da Mulheres justificam que a lei é inconstitucional por não estar previsto no orçamento, ou coisa assim, mas no Ministério da Educação os pastores evangélicos metem a mão em milhões e quilos de ouro em troca da liberação de recursos.

A cultura, ou a chamada economia criativa nesse país representa, ou já representou, quase 3% do Produto Interno Bruto (PIB e emprega, ou já empregou, mais de cinco milhões de pessoas. Um veto desse é mais um crime na mão assassina de um capitão que prega o negacionismo, o fanatismo religioso, a não vacinação, a aglomeração, a derrubada das florestas e o aumento de mais armas para matar.

A cultura nunca foi tão vilipendiada, ultrajada e sangrada na história do Brasil, nem nos tempos dos governos dos generais, sem contar que a arte e a liberdade de expressão estão sendo também censuradas e amordaçadas.

Nesses quatro anos, o Brasil ficou mais atrasado que há quarenta anos. Somos campeões de retrocesso no mundo, porque, sem cultura não existe memória e nem povo desenvolvido socialmente. Milhões vivem nas favelas passando fome, sem água e pisando nos esgotos porque nunca lhe deram educação e cultura.

Para os bispos vendilhões dos tempos, que rezam a Deus para agradar  satanás, milhões de reais; para as forças armadas que estão traindo nossa pátria, outros milhões, para seu Centrão no Congresso Nacional, bilhões; para os montadores das fake news mais milhões; e para a cultura, sua maior inimiga, nada através de seus vetos e cortes de verbas.





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