“MOMENTO HISTÓRICO”
Carlos González – jornalista
O título de uma das principais matérias do Diário Oficial de Vitória da Conquista da última sexta-feira (dia 1 º) chama atenção para suas primeiras palavras: “Momento histórico”. Na leitura do texto concluímos que esse relevante acontecimento, que entrará para os anais do município, se resumiu numa simples transmissão de cargo, no qual a prefeita Sheila Lemos, que vai fugir do frio por 15 dias, cede sua cadeira ao presidente da Câmara de Vereadores, Luís Carlos Dudé.
O papa Bento XVI entregou as chaves da sede da Igreja Católica Romana ao cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que se tornou papa Francisco; o rei João Carlos I, da Espanha, abdicou em favor do seu filho Felipe VI, de quem sou um respeitoso súdito. Esses e outros atos similares vêm ocorrendo há séculos, sem afetação, principalmente nos países de regime parlamentarista, com constante troca de chefes de governo.
Para que amanhã Conquista não venha a ser comparada com Sucupira, a risível cidade criada pelo escritor baiano Dias Gomes (1922-1999), não vejo necessidade de se repetir as formalidades, daqui a 15 dias, quando a prefeita retornar de seu merecido e tropical descanso. Um aperto de mãos e um abraço firmam a transmissão de poder.
Mas, em vez de um simples cumprimento, na presença de poucas testemunhas, em seu gabinete, a prefeita optou por uma festa cívica, num auditório decorado, na presença de políticos, servidores municipais, dirigentes de entidades empresariais e financeiras, e da imprensa – os veículos considerados independentes ficaram de fora. O texto do decreto de posse e assunção do cargo foi encadernado e recebeu as bênçãos de um sacerdote cristão.
Creio que o presidente Jair Bolsonaro – o governador Rui Costa, “persona non grata” desta gestão, nem foi lembrado – não foi convidado, porque, certamente, não perderia a oportunidade de promover mais uma motociata nas ruas de Conquista. Usando e abusando das aeronaves da FAB, o destemperado Messias atravessou os três anos e meio de seu (des)governo passeando pelo país, e “inaugurando” obras dos outros, uma delas, o Aeroporto Glauber Rocha.
“Não tenho dúvida que aqui se registra um momento histórico da maior grandeza”, admitiu Sheila Lemos no discurso de passagem do cargo, lembrando que Luís Carlos Dudé “é um amigo de muitos anos”, que adquiriu experiência política com os amigos que fez.
Ao agradecer, Dudé elogiou a gestão de Sheila, com realização de obras nos “quatro cantos da cidade” (não mencionou o caos na saúde e na educação e o abandono da zona rural); destacou o fato de ter nascido na Alegria (zona oeste), onde mora até hoje; de ter ganhado as primeiras moedas vendendo picolé e cocada; de sua identidade com o catolicismo. Dudé se referiu ao ex-prefeito José Pedral como “meu professor e como o maior político na história de Vitória da Conquista”.
Em cima do tema em questão eu perguntaria: quem acredita que Bolsonaro vai passar a faixa presidencial a Lula? Ele já disse que vai deixar o Brasil, mas não informou o destino. Suas divergências com chefes de governo, por causa da sua política em relação a Amazônia, vão lhe mostrar que só há um caminho: a Hungria, cujo primeiro-ministro, Viktor Orbán, é um ultradireitista, que, praticamente, amordaça a imprensa.
AS TORTURAS CONTRA OS ESCRAVOS
Castigar, segundo a ideologia da violência no Brasil escravista “era uma eficiente forma de controle social, destinada a servir de exemplo aos demais cativos. Por isso, muitas sessões de açoite eram executadas em praça pública, com o escravo amarrado no pelourinho, o símbolo do poder régio nas vilas do Brasil colonial, como mostram os famosos quadros e ilustrações de Jean-Batiste Debret e Johann Mortz Rugendas do começo do século XIX”.
A descrição é do jornalista e escritor Laurentino Gomes na segunda trilogia das obras “Escravidão”, no capítulo intitulado ”A Violência”. Mais adiante ele diz que no imaginário escravista, o castigo, além do seu caráter educativo e pedagógico, era também uma maneira de disciplinar e organizar a força de trabalho cativa.
Por isso, de acordo com Laurentino, após as sessões de açoite, aplicavam-se sobre as feridas misturas consideradas cicatrizantes, como salmoura (uma combinação de água morna com sal), suco de limão, vinagre, pó de carvão moído ou mesmo urina. Muitas vezes, o feitor picava a carne do escravo com uma navalha, para aplicar as misturas, conforme relatam historiadores da época.
Descreve ainda o autor que nas chamadas casas de correção, caso do prédio conhecido até hoje como Calabouço, no Rio de Janeiro, havia espaços especialmente destinados ao castigo dos escravos que para lá eram mandados a fim de serem punidos por desobediência ou falhas pequenas.
Era, na verdade, torturas institucionalizadas pelo Estado, e o fazendeiro pagava uma quantia para ter seu cativo castigado, muitas vezes com até 200 e 300 chibatadas. “No livro caixa eram anotados os custos dos serviços judiciais, que incluíam o açoite e a permanência do escravo no local, e que depois seriam reembolsados pelo seu dono”.
Era impressionante a lista dos instrumentos utilizados nas torturas. O historiador Arthur Ramos classificou em três categorias, como os de captura e contenção, os de suplício e os de aviltamento. “Para prender os escravos, eram usadas correntes de ferro, gargalheiras (que se prendiam ao pescoço), algemas, machos e peias para os pés e as mãos, além do tronco, que era um pedaço de madeira dividido em duas metades com buracos nos quais se introduziam a cabeça, os pés e as mãos dos cativos. A máscara de folhas de flandres servia para impedir o escravo de comer cana, rapadura, terra ou engolir pedras de diamante e pepitas de ouro”.
“Os fugitivos eram marcados com ferro em brasa com a letra F no rosto ou nas costas ou obrigados a usar o libambo, uma argola de ferro que lhes era presa ao pescoço, com uma haste apontada para cima, às vezes equiparada com chocalhos, para denunciar os movimentos do escravo”.
Destaca Laurentino que, em 1692, o padre jesuíta Barnabé Soares escreveu um regimento para regular a vida no engenho Pitanga, na Bahia, no qual se previa pena de até 24 açoites para crimes comuns cometidos por cativos. Dizia ele que, para trazer bem domados e disciplinados os escravos, é necessário que o senhor não lhes falte com o castigo, quando eles se demandam e fazem por onde o merecerem.
O jesuíta Jorge Benci também salientava que não é crueldade castigar os servos, quando merecem por seus delitos ser castigados, mas antes é uma das sete obras da misericórdia que mandam castigar os que erram. Existiam leis régias que mandavam punir os fazendeiros que exagerassem nos castigos, muitas vezes até com mortes, mas essas normas não eram obedecidas. O braço da justiça não alcançava os longínquos sertões do Brasil.
“Os holandeses, que ocuparam parte do Nordeste, entre 1624 a 1654, seguiam as mesmas fórmulas de castigos. Quem quiser tirar proveito de seus negros, há de mantê-los, fazê-los trabalhar bem e surrá-los melhor; sem isso não se consegue serviço, nem vantagem alguma, recomendava Johannes de Laet, diretor da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.
Os religiosos aconselhavam que os castigos fossem ministrados com prudência. Jorge Benci, por exemplo, indicava que o número de açoites nunca ultrapassasse quarenta por dia, de modo a não mutilar o escravo e nem incapacitar para o trabalho. No entanto, segundo Laurentino, no século XVIII, havia notícias de sessões de duzentas e até quatrocentas chibatadas.
Um dos maiores torturadores da época foi o mestre de campo Garcia D´Ávila Pereira Aragão, da ilustre Casa da Torre, na Bahia, pelas heresias que fez aos seus escravos. Contam que Garcia “colocava ventosas com algodão e fogo nas partes pudentes das escravas. Uma delas, surpreendida enquanto dormia fora de hora, teve uma vela acesa inserida pelas suas partes venéreas. Certa vez, usara uma torquês de sapateiro para arrancar de uma só vez chumaços de cabelos de uma mulher. A um menino ele deitava e pingava dentro da via (o ânus) cera derretida. Um escravo fora açoitado por três horas seguidas e, depois, pendurado pelos pulsos, por mais duas horas, com um peso enorme atado aos testículos e torniquetes presos aos dedos dos pés”.
LANÇAMENTO DO MUSICANTE 2022
Foi lançado nesta sexta-feira (dia 1/07), num café da manhã, no salão Rafiki, o Musicante 2022 – 2º Festival de Música Estudantil do Sudoeste Baiano, com as presenças dos deputados federal e estadual, Waldenor Pereira e José Raimundo, respectivamente, o diretor do Núcleo Estadual de Educação, Ricardo, o presidente do Conselho Municipal de Cultura, Jeremias Macário, professores, estudantes e demais convidados da sociedade conquistense.
O evento é uma promoção do Núcleo Territorial de Educação-NTE20, cuja diretora é a professora Nellyne Celene, com apoio financeiro da Secretaria de Educação do Estado e emendas parlamentares de Waldenor e José Raimundo. O concurso do festival, como qualquer outro, segue suas regras de seleção, e os vencedores serão premiados com verbas e troféus.
A solenidade de lançamento foi encerrada pelo cantor e compositor Evandro Correia e Igor de Brito, vencedor da primeira edição do Musicante, realizado de forma presencial e virtual em 2021, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, quando contou com a participação de 24 municípios da região sudoeste e 51 escolas.
O 2º Musicante deste ano será totalmente presencial no mês de novembro, no Centro de Cultura, devendo contar com maior número de inscritos, conforme previsão da diretora do NTE, Nellyne Celene, que se mostrou muito entusiasmada com a adesão dos estudantes ao Festival Estudantil, um sucesso de público.
Na ocasião, do lançamento do 2º Musicante, falaram os deputados Waldenor e José Raimundo enaltecendo a cultura e a arte que, segundo eles, foram mutiladas no atual governo federal, inclusive com o fim do Ministério da Cultura, mas reafirmaram que sempre sobreviverão às dificuldades do tempo.
PELO VISTO, A FOME E A MISÉRIA SE ACABAM LOGO APÓS AS ELEIÇÕES
Sem muitos comentários sobre a proposta do capitão-presidente de aumentar o auxílio de 400 reais para 600; conceder mil reais mensais aos caminhoneiros; e aumentar a ajuda ao gás de cozinha para as famílias pobres. Tudo isso só até o final do ano, bem próximo às eleições.
É uma cara de pau mesmo! Trata-se de uma atitude explícita de compra de votos, em conluio com um Congresso Nacional desmoralizante e corrupto. Pelo visto, a fome, a inflação e a miséria se acabam logo após as eleições. A saída desses parlamentares vendidos é votar um decreto de emergência.
Será que o nosso povo vai engolir mais essa safadeza? O Bozó e sua turma de cínicos acreditam que sim, porque eles estão confiantes que na fome de mais de 30 milhões de brasileiros será fácil comprar esses eleitores com um mísero prato de comida.
Enquanto isso, o nosso Brasil cada vez mais se afunda nos escândalos do Ministério da Educação e agora do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, o assediador sexual das mulheres funcionárias, um psicopata na gestão de uma estatal.
Como sempre, todos são inocentes, ninguém viu, ninguém sabe e ninguém fez nada. O silêncio dos brasileiros continua a compactuar com toda essa bandalheira, em nome da desgraça dos desamparados e ignorantes. É uma psicopatia geral que tomou conta do país.
Com tudo isso acontecendo, ainda tem deputado que critica quem fala mal do Brasil lá fora. Gostaria de saber dele e de quem se sente incomodado se, no momento atual, existem coisas boas para se dizer aos estrangeiros?
O capitão vem há tempos tentando golpear as eleições, dizendo que as urnas não são confiantes e que vai haver fraudes. Tudo isso é uma trama armada por ele e os militares, com o propósito único de praticar irregularidades eleitorais e ficarem impunes.
Vem muito mais coisa absurda por aí nessa campanha, e seus atos criminosos vão passar incólumes pelo Tribunal Superior Eleitoral que terá receio de agir porque ele vai apelar de que está sendo perseguido. É um script montado por ele para ficar livre, para fazer o que bem entender.
O CABRITO PERDIDO A BERRAR
Estava eu a clicar imagens da caatinga do sertão norte da Bahia, no distrito de Carnaíba, em Juazeiro, quando me deparei com um cabritinho perdido e agoniado a berra, incansavelmente, à procura da sua mãe. Fiquei compadecido com aquela cena e falei com o dono do rebanho para conduzi-lo até o seu grupo e se juntar aos seus, no que ele respondeu que era assim mesmo, e que no final da tarde todos estariam juntos. Os bodes e as cabras vagam pela vegetação rasteira e seca se alimentando de alguma coisa e sempre terminam se encontrando num ponto para o pernoite. O cabrito berrava desassossegado com sinais de cansaço e estresse e me olhava com ar de desespero. Fiquei a imaginar uma criança a chorar perdida numa multidão das cidades grandes quando se perde de seus pais. No mesmo dia ela é dada como desaparecida e, na maioria das vezes, leva muito tempo para ser encontrada, ou nunca mais. A dor da perda e de se sentir só é a mesma, mas no campo os bichos conseguem pelo sentido da intuição e do faro a se achar. Ainda bem, pensei comigo, que ali não existia predadores perigosos como em outros biomas da nossa natureza. Sai por ali e acolá tirando outras fotos e não mais ouvi os berros sofridos do cabritinho. Certamente sua mãe veio ao seu socorro, ou ele mesmo conseguiu se juntar a ela.
CONTRASTE
Autor Erathósthenes Menezes, do livro “O Poeta do Mulungu”
Obra resgatada pelo professor Durval Menezes
Aqui, a dor a lancinar, fremente,
Um triste peito, aflito, suspirando,
Além um outro a delirar, contente,
Tendo de amores a alma transbordando.
Aqui, um Creso a rir, indiferente,
Tendo um sabor de glórias, ouro e mando,
Além, um outro, da ventura ausente,
Roto, na rua, triste, mendigando.
Num lar, festas, um mundo de esperança,
Já noutro lar a brusca morte lança,
O dardo agudo, cheio de terror.
É passageira, pois, e indefinida,
Esta balbúrdia que se chama vida
Em que se enlaçam a alegria e a dor.
Conquista, 22 de agosto de 1981
UM EMPREENDIMENTO ARROJADO EM PLENO SERTÃO DO NORTE DA BAHIA
Em pleno sertão seco do norte da Bahia, no distrito de Maçaroca, distante 60 quilômetros de Juazeiro, onde predomina o árido do sol durante todo o ano, mas de terra farta em frutas, alimentadas pelas águas do Rio São Francisco, nasce um arrojado empreendimento movido a energia solar, voltado para a prestação de serviços nas áreas do lazer, esporte, entretenimento e do turismo.
Quem está erguendo este projeto visionário (quase concluído), que vai engrandecer mais ainda a cidade de Juazeiro da Bahia, é o empresário Rosemberg Macário, proprietário do conjunto de restaurante e posto denominado de “Folha Seca”, muito conhecido dos viajantes, turistas e caminhoneiros de todas as partes do Brasil que ali sempre fazem suas paradas para degustar uma boa comida caseira sertaneja, descansar e ainda comprar algumas lembranças artesanais da terra e do estado.
O movimento é intenso dia e noite naquela paisagem seca catingueira, cortada pela BR-407 onde as cabras e os bodes pastam tranquilamente nas margens da pista, especialmente no trecho de 120 quilômetros entre Senhor do Bonfim e Juazeiro. Em breve essa movimentação vai ser mais constante e procurada quando da inauguração desse novo conjunto de equipamentos, possivelmente prevista para ainda este ano.
Um dos destaques que certamente será mais apreciado e inédito na Bahia será a conclusão de um campo oficial de futebol com grama mista (sintética e natural) que só existe no estádio do Palmeiras, em São Paulo. Além de uma pista de corrida, será erguida uma arquibancada com capacidade para três mil pessoas.
Com outras instalações em torno, o campo se completa como um centro de treinamento para equipes profissionais de futebol que irão disputar partidas em Juazeiro, bem como a prática de outros esportes, tudo isso no sossego de lindas paisagens cinzentas e verdes da nossa caatinga do semiárido baiano onde ainda sobrevoam o carcará e o gavião.
De acordo com Rosemberg, já estão prontos três chalés de dois quartos com um de casal e outro com três camas para cinco a seis pessoas, sala de estar e cozinha. Em outra área foi construída uma pousada com dez apartamentos, todos eles com duas, três e quatro camas completos com televisão, internet, ar condicionado, frigobar, banheiros e outros móveis de uso pessoal.
Ainda fazem parte do conjunto, salão de jogos, um salão de eventos para seminários, simpósios e reuniões corporativas, com capacidade para 150 a 200 pessoas. O usuário vai conta também com uma área de restaurante, academia, dois vestiários para duas equipes com oito banheiros, piscina semiolímpica e um parque de diversão para crianças, uma pista de coper de 1.200 metros que ficará pronta nesses trinta dias, um campo gramado para futebol soçaite para oito pessoas de cada lado e outro oficial cuja grama está sendo instalada, ambos com modernos refletores, além de quadra de tênis, futevôlei e futebol de areia.
Segundo informações do próprio empresário, será acrescentado à piscina, próxima aos chalés, um tobogã com quarenta metros de altura para entretenimento dos visitantes, inclusive destinado a crianças, jovens e adultos. Toda área construída terá cerca de 600 metros de fundo por 200 de frente. Para atender toda essa demanda, o local contará com um extenso estacionamento para veículos.
PREFEITA PROMETE REALIZAR FEIRA LITERÁRIA E APOIAR CRIAÇÃO DO PLANO DE CULTURA
Em audiência com representantes do Conselho Municipal de Cultura, nesta terça feira (dia 28/06), a prefeita Sheila Lemos prometeu realizar, ainda neste ano, a Feira Literária de Vitória da Conquista, e se colocou solidária e disposta a apoiar a criação do Plano Municipal de Cultura e da Fundação Cultural a partir de uma conferência pública, sem data ainda para acontecer.
Participaram da audiência, o presidente do Conselho, Jeremias Macário, os secretários de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai) e da Educação Edgar Larry, o chefe de gabinete Lucas Dias, o vice-presidente do Conselho, Mateus Amaral, a conselheira Rosa Aurich, o coordenador da Secretaria de Cultura Alexandre Magno e outros conselheiros indicados pelo poder público.
Na ocasião, a prefeita apresentou ações visando a preservação do patrimônio histórico cultural, como o Teatro Carlos Jheová e o mercado de artesanato, a revitalização do Cristo de Mário Cravo, bem como a transformação da Casa Glauber Rocha em um museu interativo. Sobre a questão de mais recursos para a cultura, Sheila Lemos afirmou a intenção de alocar mais verbas, mas que, no momento, os problemas com a saúde têm impedido dar uma maior prioridade ao setor.
Segue na íntegra o documento entregue à prefeita, assinado pelo presidente do colegiado e pelos conselheiros Rosa Aurich e Mateus Amaral:
Do: Conselho Municipal de Cultura
Para: Excelentíssima Sra. prefeita Sheila Lemos
Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista
Documento: Audiência do dia 28/06/2022
O CMC, em suas pautas de trabalho, tem colocado em discussão as nossas principais preocupações em prol da nossa cultura conquistense, e solicitamos da V. Excelência o devido empenho, dentro do possível, para que se junte a nós nessa luta:
– POR UMA CONFERÊNCIA PÚBLICA E UM PLANO MUNICIOAL DE CULTURA (CRIAÇÃO DA FUNDAÇÃO CULTURAL DE CONQUISTA), UM GRANDE LEGADO PARA O MUNICÍPIO.
– PELA REFORMA DO TEATRO CARLOS JEHOVAH E DO MERCADO DE ARTESANATO. UM PALCO QUE ESTÁ FAZENDO MUITA FALTA AOS ARTISTAS.
– POR UMA DEFINIÇÃO DE USO DO ANTIGO CINE MADRIGAL COM GESTÃO DA SECRETARIA DE CULTURA, TURISMO, ESPORTE E LAZER.
– PELA REFORMA INTERNA DO MONUMENTO DO CRISTO DE MÁRIO CRAVO.
– PELA INSTALAÇÃO DO MEMORIAL GLAUBER ROCHA EM SUA ANTIGA CASA NA RUA 2 DE JULHO.
– POR MAIS RECURSOS PARA NOSSA CULTURA E MAIOR VISIBILIDADE AO CONSELHO.
Deliberar, normatizar, consultar e fiscalizar as atividades culturais do município são papéis fundamentais do Conselho Municipal de Cultura (CMC), criado pela Lei Complementar número 2.106, de 11 de outubro de 2016, com base no Sistema Municipal de Cultura de Vitória da Conquista.
Nesse sentido, contando com apoio do poder público, esse novo colegiado, eleito para o biênio 2021/23, tem procurado trilhar por essa linha, no esforço de fortalecer e resgatar nossas tradições e feitos culturais que tanto enalteceram Vitória da Conquista aqui e lá fora através de seus grandes talentos de renome estadual, nacional e internacional, como Glauber Rocha, Elomar Figueira, o próprio Eugênio Avelino (Xangai), nosso secretário de Cultura, Turismo Esporte e Lazer, dentre tantos outros.
Senhora prefeita, nesse curto período em que estamos à frente deste Conselho, temos nos deparado com várias questões da maior importância para a cultural da nossa cidade e que, se solucionados, irão impulsionar o nosso setor em todas linguagens artísticas, deixando um legado histórico incomparável no cenário político e administrativo cultural.
Sem partidarismo (a cultura é a nossa política), os novos membros deste CMC estão imbuídos na luta pela maior visibilidade deste órgão, tão cobrado pela classe artística no exercício de suas funções e, para atingirmos este objetivo, temos certeza do prestigioso apoio da sua administração, tendo em vista a relevância da cultura para o desenvolvimento do ser humano e geração de emprego e renda.
Acima, senhora prefeita, elencamos seis itens principais que têm sido pautas constantes das nossas reuniões mensais, preocupações estas que rogamos à vossa excelência a maior atenção no atendimento destas reivindicações. Sabemos dos limites orçamentários, mas a cultura tem seu lugar de grande importância na comunidade. Sem ela, perecem nossas tradições, nossa história e nossa identidade como povo.
PLANO MUNICIPAL DE CULTURA
Estamos travando uma das principais lutas que é a construção de um Plano Municipal de Cultura através da realização de uma Conferência Pública, com a consequente Fundação Cultural de Vitória da Conquista. Esse plano irá nortear as diretrizes básicas da política cultural para todo ano, não somente as festas de São João e Natal, mas contemplar todas linguagens, como a literatura (Feira Literária), as artes plásticas (Salão de Artes), o teatro, a dança, o audiovisual e o cinema, a música (Festival), a cultura popular, dentre outras.
A criação da Fundação trará inúmeros benefícios para o município, como o maior poder de credibilidade na arrecadação de recursos de outros organismos nacionais e internacionais, inclusive para o nosso Fundo Cultural que, no momento, se encontra com baixa verba para atender as demandas dos nossos artistas atrás de novos projetos e editais.
TEATRO CARLOS JHEOVAH E OUTROS
Quantos aos outros itens assinalados, senhora prefeita, por si só já dizem tudo quanto a relevância de serem implementados. Um deles é sobre uma posição mais concreta com relação à reforma do Teatro Carlos Jheovah (construído na década de 1980), interditado há cerca de dois anos e que tanta falta está fazendo aos artistas da cidade pela sua própria especificidade. O conjunto (mercado de artesanato) é mais um patrimônio que precisa ser preservado e conservado, e não extinto, como pensam alguns.
Outro equipamento de suma importância é o Cristo de Mário Cravo. Conforme relatos da família e de amigos do artista já falecido, conhecedores do assunto, o monumento está a necessitar de uma urgente reforma em sua parte interior, a qual vem sendo corroída pelo tempo. Caso contrário, pode ocorrer um desmoronamento, impossível de ser recuperado.
Quanto aos outros pontos destacados em nosso documento, como a utilização do Cine Madrigal, que pode servir como mais um teatro para a cidade, a instalação do Memorial Glauber Rocha e mais recursos para nossa cultura dando maior visibilidade ao nosso CMC, também merecem toda atenção, e esperamos da senhora prefeita que esteja sintonizada com nossos propósitos e possa atender aos nossos anseios.
Sem mais a constar, agradecemos toda sua atenção, e temos certeza que também está imbuída em resgatar a nossa cultura, uma luta de todos nós.
ESTRADA DE ANAGÉ PARA TANHAÇU ESTÁ TODA ESTOURADA E PERIGOSA
A única coisa mesmo que se pode dizer é que é uma vergonha lamentável o estado da BA-142 ou 152, de cerca de 60 quilômetros, que liga o entroncamento de Anagé para o distrito de Suçuarana, em Tanhaçu. Existem trechos que estão intransitáveis onde a vegetação alta e seca da caatinga invadiu a pista.
Para quem não conhece, essa via se situa na região sudoeste, distante 60 quilômetros de Vitória da Conquista, talvez uma das piores da Bahia, e que recebe um grande volume de veículos, como vans, ambulâncias, carros particulares e carretas com cargas pesadas. Todo esse movimento diário vai em direção a Conquista, no bate e volta pela manhã e final da tarde, transportando milhares de pessoas, inclusive doentes.
A passagem por essa estrada, na maioria dos casos obrigatória, se transformou num tormento e estresse para os motoristas e passageiros que levam quase duas horas nos solavancos e tombos entre uma buraqueira danada e sem acostamento, correndo perigo de vida.
Senhor governador, tenha piedade desse povo sofrido e conserta logo essa estrada, não fazendo tapagem de buracos com borras de asfalto! Aliás, essa BA, de Anagé para Suçuarana, é famosa por estar sempre cheia de buracos, animais na pista, sem sinalizações e sem acostamento. Nela já morreu muita gente.
Estamos sabendo, conforme informações, que o Governo do Estado vai começar em breve os trabalhos de conserto. Esperamos que não seja mais uma obra eleitoreira, daquelas para enganar nosso povo sofrido, com tapagens de buracos ou uma camada fina de asfalto que logo se derrete com as chuvas e os carros.
Sempre fazem isso, tanto que em pouco tempo a estrada volta ao mesmo estado precário. Por ser bastante transitada de que vem da região (Contendas do Sincorá, Ituaçu, Ibicoara, Barra da Estiva e Mucugê), o serviço tem que ser de qualidade asfáltica, com acostamentos largos e sinalizações, para suportar o movimento por muito tempo. Normalmente superfaturam ou fazem uma maquiagem com poucos recursos, o que no fim resulta em mais gastos porque logo tem que começar tudo novamente. É o dinheiro do contribuinte sendo jogado fora.
Nessa BA-142, existem partes onde os veículos rodam em ziguezague, com riscos de acidentes graves, sem contar a vegetação de espinheiros que tomou conta de parte da pista. Transitar por ela à noite só em casos de maior necessidade e urgência de vida ou morte.
Não entendemos como o governo estadual deixa uma BA chegar nessas condições lamentáveis! Será que é de propósito para aproveitar a proximidade das eleições e ganhar mais uns votos? Se é isso, trata-se de mais uma politicagem onde a população é engabelada e manipulada, como sempre neste país dos coronéis do poder.
ANIMAIS NAS RUAS
Em qualquer cidade que você visita, sempre se encontra animais abandonados nas ruas e até mesmo nas estradas. Em Juazeiro não poderia ser diferente, como neste flagrante que cliquei no Bairro Castelo Branco. Cavalos passeavam tranquilamente no trânsito, num visível perigo de acidentes para motoristas e transeuntes. Aqui em Vitória da Conquista se depara também com a mesma cena de equinos pastando em praças e atravessando ruas e avenidas. Cachorros abandonados são mais frequentes de se ver, pois os donos, muitos sem condições de alimentá-los, costumam jogá-los em qualquer esquina ou ponta de rua. Os bichos ficam a vagar com fome e todo tipo de doenças, a maioria em estado deplorável que termina morrendo em qualquer canto. Existem leis que protegem e incriminam quem maltrata os animais, mas, como todas elas, não são cumpridas no Brasil. Funcionam somente na teoria, e os responsáveis quase sempre não são punidos, nem respondem a processos.


































