OS GRÃOS BRASILEIROS, DESMATAMENTO E A DEPENDÊNCIA NO SETOR INDUSTRIAL
Essa guerra insana entre a Rússia e a Ucrânia – sem entrar no mérito da questão – pelo menos serviu para escancarar duas realidades. Uma no âmbito externo na relação entre o tratamento dado aos refugiados do país atacado e os árabes e africanos que foram escorraçados de suas terras e obrigados a viver em campos de concentrações, sendo expulsos onde chegavam. A outra realidade é no tocante ao Brasil produtor e exportador de grãos, ainda colonial, dependente de produtos industrializados, especialmente de fármacos e fertilizantes.
Foi só estourar a guerra para aparecer a discriminação étnico-racial. Os mesmos países que estão recebendo os refugiados ucranianos de braços abertos, com plaquinhas para abrigá-los em suas casas e abrigos, são os mesmos que construíram muralhas de arames farpados para enxotar os sírios, os iraquianos, afegãos e africanos, vistos como terroristas, criminosos, bandidos e gente do mal. Foram recebidos com bombas, tiros e pé na bunda.
Quanto ao Brasil, ora sem posição, para muita gente que até então não sabia, a guerra está mostrando o lado da dependência industrial. Trata-se de um país do agro, vivendo ainda nos tempos coloniais, que derruba as florestas para plantar grãos e criar bois, para vender soja, algodão, milho, café e carne.
Nesses mais de 500 anos, o país ainda não conseguiu desenvolver um parque industrial consistente. Agora mesmo ficou patente a necessidade de importação de fertilizantes da Rússia e da Ucrânia, para atender o setor agrícola, sem falar nos remédios, como a insulina. Os mais variados produtos da química fina são comprados dos Estados Unidos, China, Alemanha e outros países.
O Brasil ainda continua sendo um produtor e exportador de matérias primas (ferro, aço, grãos, petróleo cru) e poucos manufaturados e semi-industrializados. A agropecuária ainda é o carro-chefe da economia que mantém a balança comercial em superávit e, para sustentar esse peso, cada vez mais desmata nossos biomas para plantar e criar bois.
Quando os preços dessas matérias-primas estão em alta no mercado internacional, tudo é uma maravilha, e cada vez mais enchem os bolsos dos empresários latifundiários capitalistas, sustentados com o dinheiro do povo. Esses caras, que dizem botar alimento na mesa do brasileiro (uma mentira), sempre foram presenteados com subsídios do Tesouro Nacional, principalmente quando as cotações desses produtos sofrem queda no exterior.
Como consequência, o Brasil continua sendo um concentrador de rendas nas mãos de poucos, e sofrendo o amargo das desigualdades sociais. Não existe um plano de desenvolvimento econômico que faça distribuir os ganhos entre os mais pobres.
Quem manda no Congresso Nacional são as bancadas ruralistas e evangélicas. Uma só pensa em destruir o meio ambiente. A outra em disseminar seu fanatismo religioso moralista de família, pátria e tradição.
Que eu saiba, não existe a bancada da indústria e, muito menos, do povo. O negócio é plantar mais e mais soja e criar bois. A própria Amazônia pode um dia se transformar numa pastagem, ou em campos de grãos para vender no mercado externo, importando inflação e espalhando pobreza e miséria.











