Só pode ser a senha do demônio o que a Polícia Rodoviária Federal fez com um rapaz no estado de Sergipe, chegando ao ponto de asfixiá-lo no porta-malas do veículo até a morte. Quando uma pessoa civil comete um crime hediondo, a polícia costuma chamar o indivíduo de monstro, e o cara paga pelo que fez.  O que a PRF fez, é o quê? Qual termo se usa para isso?

Nos últimos anos, essa corporação aprendeu a imitar a mesma violência da polícia militar, e em desvio de funções. Gostaria de saber, por exemplo, o que a PRF estava fazendo na operação no Rio de Janeiro quando mais de 20 pessoas foram mortas? O papel dela, como o próprio nome diz, não é patrulhar nossas rodovias para punir com multas motoristas irregulares e apreender drogas e contrabando em trânsito? Isso se chama desvio de conduta.

O que esses policiais fizeram em Sergipe é de uma brutalidade e covardia imensuráveis. Como sempre, os seus chefes superiores soltam uma nota de que vai apurar o caso e tomar as providências, mas sabemos, antecipadamente, que essa investigação não vai resultar em nada. É a mesma coisa que falam as ouvidorias das polícias militares: “Vamos apurar os fatos”. As imagens, por si só, já dizem tudo. Nem precisam mais de provas.

Colocar uma pessoa num porta-malas e jogar gás lacrimogênio, não passa de uma barbárie. Pior ainda é emitir explicações de que assim agiram para conter o moço, e que só dispunham daqueles instrumentos para deter apenas um cidadão desarmado e sozinho. É uma crueldade que faz partir o coração de qualquer um que viu as cenas horrorosas. Imagina agora para os pais e parentes!

Por que tanta estupidez vem acontecendo em nosso país nos últimos anos, e sem punição? Os brasileiros não param mais para refletir e pensar, porque toda essa violência se tornou banal. No nosso Brasil de hoje, milhões até concordam com ações desse tipo. Pior do que numa guerra, estão matando os pobres, os negros e quem for minoria.

Nada acontece para reverter essa situação, e ficamos aqui parados, esperando que outra brutalidade aconteça, para dizerem a mesma coisa de que vão apurar. Logo depois, todos esquecem, inclusive a nossa mídia, e os monstros voltam aos seus postos. Ninguém fala mais nisso. Todos nós somos culpados, mas, é só dar uma cesta básica “solidária” para “apaziguar” a consciência. “Que país é esse”?