:: 12/maio/2022 . 22:38
ROLINHAS E O PERFUME DAS FLORES
Na barafunda das cidades de concreto, do corre-corre e do vaivém das multidões, cada um com seus problemas existenciais, ainda existe um pouco de verde que acolhe nossas aves, inclusive do nosso sertão catingueiro, como as rolhinhas que, vez por outra, visitam meu modesto quintal, talvez atraídas pelo perfume das flores. Outros pássaros aqui pousam para cantarolar, principalmente ao amanhecer e no poente, para sugar o néctar do café da manhã e do jantar antes do pernoite. O flagrante das nossas lentes sempre está a registrar esse aconchego da natureza que faz acalmar nossos espíritos atribulados diante de tantos fatos desumanos que não se cansam de acontecer. Tudo isso nos faz refletir mais e mais sobre a malvadeza do homem contra o nosso meio ambiente, o qual está sendo, pouco a pouco, destruído pela ignorância e ambição gananciosa desse capital assassino que só visa o consumismo. Quando a harmonia entre o homem e a natureza se esvai, é sinal de que o fim está se aproximando. Abençoados sejam as rolinhas e o perfume das flores do meu quintal.
BRUXA DA INQUISIÇÃO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
A arte virou bruxa da inquisição,
Com vassouras e armas na mão.
Não me encontro nesse presente;
Do passado, aprendiz das lembranças;
Prefiro seguir em frente,
Na procura de um novo futuro,
De um porto firme e seguro,
Sem as amarras dessas alianças.
Arrebentaram as cordas do meu violão,
Minha voz está ferida e rouca,
Foi-se o perfume da linda canção;
A linguagem ficou louca,
Até a flor da arte está murcha,
Virou bruxa da inquisição.
Não sou nenhum Dom Quixote,
Nesse moinho de tanta ilusão,
Nem açoite dessa boiada;
Perdi o compasso do mote,
Nessa cultura ensanguentada;
Não mais viver nessa contramão.
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