De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

A arte virou bruxa da inquisição,

Com vassouras e armas na mão.

 

Não me encontro nesse presente;

Do passado, aprendiz das lembranças;

Prefiro seguir em frente,

Na procura de um novo futuro,

De um porto firme e seguro,

Sem as amarras dessas alianças.

 

Arrebentaram as cordas do meu violão,

Minha voz está ferida e rouca,

Foi-se o perfume da linda canção;

A linguagem ficou louca,

Até a flor da arte está murcha,

Virou bruxa da inquisição.

 

Não sou nenhum Dom Quixote,

Nesse moinho de tanta ilusão,

Nem açoite dessa boiada;

Perdi o compasso do mote,

Nessa cultura ensanguentada;

Não mais viver nessa contramão.