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RETRATOS DESSA GENTE

As lentes podem desfocar ou não captar as imagens se o artista e poeta da fotografia não tiver sentimentos e muita sensibilidade. Não é o caso do fotógrafo Hildebrando Oliveira, cujas obras estão expostas no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima. Vale a pena fazer uma visita para conhecer seu trabalho. Como no linguajar antigo, são retratos da vida dessa gente, com expressões e olhares os mais variados possíveis. Não é somente luz, tempo e espaço certos, mas conta muito o sentir e o pulsar. Antes de qualquer coisa, foto é poesia como bem retrata Hildebrando. As imagens dão um mergulho nas pessoas e deixam suas mensagens em cada um nas cores preto e branco. Os fotografados deixam de ser anônimos e os objetos se movimentam para entrar nas imaginações. Suas fotos, Hildebrando, são também jornalismo-reportagens, e cada uma delas vale mil palavras. Não precisam de textos. Cada leitor faz sua interpretação, seu julgamento e interação. São retratos da vida dessa gente.

POEMA NO GOGÓ

Autoria do jornalista Jeremias Macário, em homenagem a todos poetas natos, principalmente os repentistas e trovadores que já nascem com o poema no gogó

Como doce água do poço,

Tem cabra, seu moço,

Que tem o poema no gogó,

Derruba qualquer doutor;

Sabe como dar um nó;

Vira o verso pelo avesso,

Sobre vida, amor e dor,

E nem na morte se torna pó.

 

Tem cabra

Que tem o poema no gogó;

Seu verbo é raio de sol,

Nessa terra árida batida,

Nunca escola frequentou,

Ainda sola uma caipira viola,

Fazendo rima e poesia,

Na entrada e na saída,

Seja política ou Sofia,

Venha do jeito que vier,

Todo tema ele vence,

Como Patativa do Assaré,

Na secura de Triste Partida,

Ou no Luar do Catulo Cearense.

 

Tem cabra

Que tem o poema no gogó,

Vem de lá do seu altar,

Das brenhas do cafundó,

Com seu surrado emborná,

Cheio de sentimento profundo;

Fala do nosso mundo;

Expulsa o diabo imundo;

Conta causos dessa gente,

No cordel, no coco e repente,

Como um ser onipotente.

ELES NÃO QUEREM ELEIÇÕES

Os canalhas não têm amor à pátria; não prezam pela liberdade nem democracia; tampouco respeitam as famílias; e falam de Deus como se fosse um tirano sarcástico e sádico. São todos criminosos, imorais, insensatos e cometem atentados terroristas contra o Brasil.

Do outro lado tem a banda dos piadeiros e dos memes nas redes sociais, achando tudo isso engraçado. Não vejo humor em nada disso que está acontecendo. É tudo horrível e filme de terror de sexta-feira 13! Fico é entristecido, envergonhado e decepcionado como brasileiro.

Eles não querem eleições, mas uma ditadura militar que começou lá na República com Teodoro da Fonseca e Floriano Peixoto quando foram presos o abolicionista José do Patrocínio e o poeta Olavo Bilac. Aliás, nesses 522 anos de história já estamos empanzinados de ditadura. Poderia haver uma lei de enforcamento para quem se pronunciasse a favor dela.

No golpe de Getúlio Vargas ela durou quinze anos de atentados contra os direitos humanos. Teve ainda o Gaspar Dutra e a última em 1964 que se prolongou por quase 30 anos de torturas, desaparecimentos e mortes nos porões dos quartéis generais. Essa maldita indigesta, nunca mais no Brasil!

Esses aloprados não passam de uns idiotas nojentos imbecis e outros tantos inocentes úteis que estão sendo iludidos. Eles nem imaginam que numa possível intervenção militar serão os primeiros a ficarem na mira dos fuzis como forma de limpar a área dos conspiradores, como aconteceu em 64 com vários políticos (Carlos Lacerda e Adhemar de Barros) e personalidades que estavam na linha de frente apoiando o regime.

Acham que numa ditadura eles vão ser destaques e aplaudidos num governo militar. No mínimo serão usados como buchas de canhão porque o regime não vai suportar e dar guarida a traidores da pátria. A raia miúda que entra nessa onda extremista fascista vai logo sentir na pele a falta de liberdade e democracia, para fazer o que hoje estão fazendo nas ruas e rodovias sem serem presos nas solitárias cheias de ratos e baratas.

Como os generais das forças armadas vão impor mordaças aos brasileiros com seus atos e decretos, como o AI-5, por certo não vão tolerar manifestações de neonazistas e defensores de campos de concentração. A maioria esmagadora nunca viveu numa ditadura e nem leram sobre o assunto. Pelo contrário, juntam-se aos ignorantes negacionistas para afirmar nos botequins que ela nunca existiu.

Os corruptos e canalhas de hoje, como o Waldemar da Costa Neto e sua camarilha, sem falar no Roberto Jefferson, serão sumariamente expurgados e trancafiados. O próprio Bozó não ficaria no poder. Todos eles deixariam de ser golpistas e o comando seria outro, não essa corja imoral que nada tem de patriota.

São tão cretinos que pedem uma investigação do resultado das eleições somente para presidente no segundo turno e deixaram de questionar o primeiro que elegeu Damares e tantos outros do mesmo naipe para o Congresso Nacional. Não têm vergonha de serem contraditórios. Coisa mesmo de psicopata que precisa de cadeia ou internamento nos antigos manicômios, com camisa de força.

Como dizia o tribuno romano Cícero: Até quando Catilina vai abusar da nossa paciência, referindo-se às suas conspirações contra o Império. Em nosso caso, a democracia é o alvo maior, e ainda têm o cinismo de alardear que “a luta” é em nome dela e da liberdade.

Quem lidera essa baderna? Lá estão políticos, pastores evangélicos fanáticos doentes da mente e nazifascistas, todos financiados por empresários, a maioria do agronegócio, que há séculos, desde os tempos da escravidão e do Império, recebem dinheiro subsidiado do Tesouro Nacional e são os responsáveis por colocar na sarjeta da miséria mais de 30 milhões de brasileiros.

Toda essa cambada não está querendo ordem e progresso, mas desordem e retrocesso. Por tudo isso e mais, eles devem sim ser investigados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para pagar pelos danos e sofrimentos que estão causando à nação, mas será o mesmo que colocar raposa no galinheiro.

 

O SONHO SOCIALISTA É POSSÍVEL

Quando menino via meu pai na roça dividir com outros vizinhos o pouco que produzia e, ao mesmo tempo, a vizinhança socorria os mais necessitados. No trabalho para a capina ou plantio se fazia mutirão do adjutório com cantorias alegres e fraternais. Na colheita havia a batida do feijão e do milho. Existia uma repartição entre as comunidades.

Somente depois de muitos anos quando me entendi por gente e fui estudar a evolução dos sistemas políticos, compreendi que isso na prática se chama socialismo. Não daqueles que logo rebate citando Cuba, a antiga União Soviética, a recente Venezuela, a Albânia e a Romênia, por exemplo, onde sempre prevaleceu o totalitarismo.

Não vou entrar aqui na questão dialética de Engls ou do marxismo, nem falar do anarquista Prudhon, tampouco na luta de classe gerada pelo capitalismo da Revolução Industrial. O socialismo é uma coisa tão simples de se entender tanto quanto se ver no campo entre os pequenos agricultores familiares, como nas favelas das grandes cidades.

Mirem no exemplo de tribos africanas e sociedades indígenas norte-americanas que viviam em aldeamentos socialistas na base da troca de mercadorias, onde o trabalho comunitário e seus frutos eram distribuídos entre todos de forma igual. Na verdade, o socialismo nasceu com os primeiros grupos primitivistas.

Numa discussão, quando se fala ou se defende esse sistema, logo aparece um montão de gente sem aprofundamento analítico para citar países onde a coisa não deu certo e houve torturas, ditaduras, matanças e atos totalitários tirânicos. Estávamos numa guerra fria e o capitalismo saiu vencedor.

Para essas pessoas, socialismo está ligado à tirania que leva ao fracasso. Tudo depende do conceito que se tem, como se democracia e liberdade não se combinassem com socialismo. É possível sim conciliar democracia e socialismo, como em Portugal, Alemanha (social-democrata), Noruega, Espanha, Finlândia e tantos outros.

No lugar de priorizar o social com políticas públicas para reduzir as desigualdades, a grande maioria prefere esse capitalismo selvagem, avassalador, predador e, antes de tudo, competitivo, sem se pensar na colaboração, na coletividade. Por natureza, o capitalismo é individualista onde cada um só pensa em si.

Numa palestra de negócios, vendas e de empreendedorismo empresarial só se fala em competição e quase nada de contribuição e solidariedade. Socialismo é palavrão e logo dizem que não deu certo em lugar nenhum, o que não é verdade. Está funcionando em muitas nações, e esse sonho é possível.

Estou falando de um socialismo com cara humana que divide o poder de decisões, e não aquele centralizador onde as riquezas e as mordomias ficam nas mãos daqueles que mandam, criando verdadeiras castas sociais. O capitalismo já faz isso com toda crueldade, parindo pobreza e miséria. Esquecem que a democracia em muitos países capitalistas não passa de uma fachada, que só serve aos poderosos.

Por que não pode existir socialismo com respeito à liberdade dentro de um regime democrático onde haja a participação de todos com direito a críticas. Além do mais, o socialismo prima pela educação e a saúde. É o maior defensor contra os preconceitos raciais, de gênero e condena o moralismo hipócrita da elite capitalista.

Tem gente que ainda diz que o socialismo é contra o progresso, a evolução tecnológica, o crescimento econômico e que é símbolo de atraso. É pura ignorância e falta de leitura. Não tem argumento e só sabe falar aleatoriamente que não deu resultado em lugar algum.

Num mundo onde quase um bilhão de pessoas passa fome, uma pequena minoria domina as riquezas e a maioria é excluída e discriminada, qual moral tem o capitalismo para afirmar que esse é o melhor sistema? O socialismo não é contra a competitividade, desde que seja saudável e todos tenham chances iguais. No capitalismo prevalece a lei do mais forte e do faroeste bang-bang.

Tenho certeza que com o socialismo democrático, sem a concentração voraz das benesses na mão do poder dirigente, o mundo seria bem melhor e a humanidade menos desigual. O sonho não acabou, mesmo diante do surgimento do extremismo de direita e do neofascismo, fruto desse capitalismo desregrado.

UMA COPA VERGONHOSA

Diferente de todas as outras, inclusive no final do ano, a Copa do Mundo do Qatar, um pequeno país encravado em pleno deserto arábico, pode ser considerada a mais vergonhosa da história, a começar pelo alto nível de corrupção e a escravidão trabalhista dos operários que construíram os estádios.

Em tudo o país sede é o único e se supera em exotismos e aberrações contra os princípios e direitos humanos. Terceiro maior produtor de petróleo e gás do planeta, o Qatar é dirigido por uma ditadura mulçumana onde a mulher é submissa e as pessoas não têm liberdade.

Tudo começou com escândalos, com a conivência da própria FIFA. Para realizar o evento, os dirigentes compraram os votos de várias confederações como a CONMEBOL e a Concacaff.  Até o Michel Platini, da França foi subornado.

Outra questão foi o regime implantado de escravidão no trabalho dos imigrantes onde até seus passaportes foram retidos, com horários absurdos de servidão, sem as mínimas seguranças, tanto que morreram mais de seis mil durante as edificações das arenas.

Como lá quem manda são os petrodólares, a FIFA simplesmente fez vistas grossas. Por sua vez, é a Copa que vai mais emitir gases de efeito estufa na atmosfera porque todos locais vão funcionar com ar condicionado para controlar as altas temperaturas.

É a única Copa de Futebol do Mundo onde mochileiros não entram porque tudo lá é caríssimo, desde uma água mineral a uma hospedagem. É a Copa dos milionários numa cultura diferenciada da grande maioria dos países.

O Qatar tem cerca de três milhões de habitantes dos quais mais de 80% são de imigrantes, a maioria de indianos e países do Oriente Médio. Até o nível das seleções não é o mesmo da passada de 2018 e muitos craques estão se despedindo do futebol. A abertura entre o Gatar e o Equador foi horrível. Mais pareceu um “baba de várzea”.

As comemorações são feitas de “bico seco”, isto é, sem uma cervejinha. Existem outras nuances que se destacam das outras. Como já é a Copa das surpresas, a maioria negativas, pode até dar uma “zebra” na final e nenhum dos favoritos levar a taça.

A grande mídia só mostra o lado bonito, o fantástico de prédios suntuosos e até ilha artificial. O outro lado ela joga para debaixo do tapete. É a festa dos camelos e dos milionários em estádios e camarotes luxuosos. É uma Copa comprada, vergonhosamente!

 

A TERRA EM ROTA DE DESTRUIÇÃO

É tudo blábláblá cheio de discursos, promessas de ajuda dos ricos para com os pobres, abraços, confraternizações entre os povos, indígenas para todo lado, cocares, pinturas, falas inflamáveis sobre economia sustentável, energia alternativa, encontros entre chefes e chefões com direito a enxadas no final da festa para o plantio de árvores. A imagem sorridente gira o mundo. Todos se mostram felizes da vida. Mil maravilhas! Finalmente o planeta está a salvo!

Jornalistas de todas as partes de câmaras na mão clicando seus fleches e repórteres a tudo registrando. Movimentos com cartazes e entrevistas de líderes jovens e idosos. Muita euforia nos relatórios e documentos finais. As metas são traçadas para reduzir os gases tóxicos no ar; parar com os desmatamentos florestais; e conter o aquecimento global. Ah, existem ainda os contratos de vendas de carbono.

Todos sabem muito bem do que estou falando. São os retratos das conferências do clima (neste ano no Egito). Chamam de Cop 27. Depois os caciques das maiores potências arrumam suas malas de volta para suas casas e pedem aos seus súditos para consumirem mais e mais a fim de que o Produto Interno Bruto – o chamado rei PIB – cresça. Como consequência de tudo isso, mais lixo, mais sujeira e poluição no ar.

Os maiores produtores de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carvão e usinas movidas a diesel, principalmente, ora reduzem ora aumentam suas produções de acordo com as oscilações do mercado capitalista. E as guerras comerciais! Há anos falam em substituir as energias poluidoras pelas as limpas, mas o tempo avança e os projetos se arrastam.

Os projetos de economia sustentável são mínimos em comparação com o máximo de dióxido e metano jogados na atmosfera. A conta nunca bate em favor da preservação da terra. Atualmente são oito bilhões de habitantes vorazes que são induzidos a consumir, sobretudo produtos supérfluos, para gerar mais renda e emprego. A reciclagem não dá conta do volume desperdiçado.

Eles, os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, estão mais preocupados em soltar foguetes tripulados ou não para a Lua, Marte e descobrir novas estrelas. Os bilionários fazem seus passeios interplanetários, enquanto a nossa casa onde moramos vive em rota de bagunça, desavenças, guerras, intrigas e muralhas nas fronteiras para impedir a entrada de refugiados e famintos.

De tão castigada, não dá mais para a natureza esperar. Ela se revolta e sacode a terra com suas tempestades, tufões, ciclones, raios, demolições, deslizamentos de morros, terremotos, calor de até 50 graus, derretimento dos gelos polares, aumento do nível do mar e outras tragédias.

No açoite da chibata, os homens religiosos pedem socorro a Deus e até dizem ser castigo Dele. Logo mais teremos outra Cop, a 28, para analisar o avanço dos estragos e apontar os maiores culpados. Será que ainda há tempo para recuperação, ou não tem mais retorno? Como será o nosso planeta daqui a 100 anos?

 

“NINGUÉM ME CONTOU, EU VI – DE GETÚLIO A DILMA”

Do livro do grande jornalista, escritor, político e memorialista Sebastião Nery, ex-seminarista de Amargosa como eu, só que ele foi de uma safra bem antes de mim, trechos da sua obra que fala de Lula sobre o mensalão de 2002.

Em “Eu Vi o Mensalão Nascer”, Sebastião narra: “Tarde de sábado no restaurante Piantella, o melhor de Brasília. Lula havia ganhado a eleição presidencial de 2002 contra o tucano José Serra e estava em Porto Alegre, com José Dirceu e a cúpula do PT, discutindo com o PT gaúcho a formação do novo governo. Um grupo de jornalistas estava a um canto, almoçando e conversando sobre o país, eu junto.

De repente, entram nervosos, aflitos, os deputados Moreira Franco, Gedel Vieira Lima, Henrique Alves, da direção nacional do PMDB, começaram a discutir baixinho, quase cochichando. Em poucos instantes, chega o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Nem almoçaram. Beberam pouca coisa, deram telefonemas, saíram rápido. Nada falaram. Acontecera alguma coisa mais grave. Voltariam logo.

Um deles voltou e contou a bomba política do fim de semana. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, Lula encarregara José Dirceu, coordenador da equipe de transição e já convidado para ser o chefe da Casa Civil, de negociar com o PMDB o apoio a seu governo, em troca de ministérios de Minas e Energia, Justiça e Previdência, que seriam entregues a senadores e deputados indicados pelo partido.

Lula já havia dito ao PT que eles não podiam esquecer a lição da derrubada de Collor pelo impeachment, que o senador Amir Lando, do PMDB de Rondônia, relator da CPI de PC Farias, havia definido como uma “quartelada parlamentar”. No Brasil, para governar era preciso ter sempre maioria no Congresso. O PT tinha que fazer as concessões necessárias.

O primeiro a ser chamado era o PMDB, o maior partido da Câmara e do Senado. Lula mandou José Dirceu acertar com o PMDB, combinaram os três ministérios e ficaram todos felizes. Em Porto Alegre, na primeira noite, Lula encontrou a gula voraz do PT gaúcho, que exigia os ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Previdência.

Lula cedeu. Chamou Dirceu e deu ordem para desmanchar o acordo com o PMDB.

Dirceu perguntou como conseguiriam maioria no Congresso.

– Compra os pequenos partidos – disse Lula – fica mais barato.

Dilma virou ministra de Minas e Energia, Tarso Genro, da Justiça e a Previdência ficou para resolver na frente. E assim nasceu o mensalão.

O advogado Luiz Francisco Correal Barbosa disse ao Globo: Não só Lula sabia do mensalão como ordenou toda essa lambança. Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.

No dia 12 de agosto de 2005, em um pronunciamento, pela TV, a todo o povo brasileiro, Lula pediu “desculpas pelo escândalo”.

No mais, Sebastião Nery considerou Lula como amoral e diz no livro que somente os principais companheiros ficaram no banco dos réus, como Dirceu, Roberto Jeferson, Genoíno, Delúbio, Silvinho, Marcos Valério, Valdemar Costa Neto e outros, chamado pelo autor da obra como “organização criminosa”, uma quadrilha, chefiada por Dirceu, nas palavras do procurador-geral da República. O comando era de Lula, segundo Sebastião.

 

TODAS AS ARTES NO CINEMA

Quando criaram a televisão disseram que o cinema iria se acabar, o mesmo com relação ao e-book da internet de que era o fim do tradicional livro de papel. O VHS, o DVD, o celular e outros meios eletrônicos não conseguiram exterminar com o cinema porque ele é mágico na tela e representa todas as artes num só lugar. Cinema é música, literatura, teatro, dança, poesia, artes plásticas e escultura em seu desenho e arquitetura. A telona vai continuar atraindo público porque é a expressão de todas as artes numa só. Dito isso, quero só lembrar da 15ª edição da Mostra de Cinema de Conquista que está sendo realizada no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e se encerra nesta sexta-feira (dia 18/11). Desde terça-feira (dia 15/11) estão sendo exibidos bons filmes que tratam de questões sociais, do meio ambiente e da descriminação racial. Desde lá atrás, há 15 anos, a Mostra de Cinema de Conquista começou com Janela Indiscreta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, idealizada pelo saudoso Jorge Melquisedeque e com o criador do curso de Cinema pelo professor Itamar Aguiar. O Esmon Primo deu prosseguimento a esse trabalho e até agora já foram exibidos mais de 700 filmes vistos por milhares de conquistenses, pena que o setor empresarial dessa terra pouco tem contribuído. Aliás, nossos empresários locais, infelizmente, não são muito dados a colaborar com as iniciativas culturais da nossa Vitória da Conquista.

NÃO QUERO…

Autor: Jeremias Macário

Não quero vagar sem sentido,

Nem ver um amor se separar,

Nem perder de vista,

O horizonte azul do mar,

Nem fazer calar,

A voz do ativista,

Com sua ideologia,

Religião ou filosofia,

Cristã, judia ou mulçumana,

Tanto que seja humana.

 

Queria fazer o tempo parar,

Para nos livrar desse conflito,

Entre início e finitude,

De vida e morte,

Morte e vida,

Sem porta de saída.

 

Não quero mais ver refugiados,

De tantas etnias escorraçadas,

A chorar nas fronteiras farpadas,

Tratadas como chacais,

Numa marcha de desiguais.

 

Queria ver a arte do sorrir,

Ter o livro como lição,

Sem armas na mão,

Nem o açoite da chibata,

Que a alma mata.

 

Não quero ver,

Tanto indiferença e agonia,

Trilhar nessa distopia,

De caminhos de espinhos.

 

Nessa existência de aprendiz,

Tem o alegre e o infeliz,

Onde uns realizam seus planos,

Outros ficam nos desenganos.

 

 

OS RADICAIS CONTINUAM A PERTURBAR E A ESQUERDA DEVE CONSERTAR OS ERROS

Alguém me disse que o golpe militar vai sair de Vitória da Conquista através do Tiro de Guerra, comandado por um sargento que vai marchar até Brasília, fechar o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e anular as eleições. Conquista vai virar protagonista no noticiário nacional e internacional. David Salomão vai ser o porta-voz da Intervenção Militar e ministro da Defesa.

Não dá para acreditar, mas os imbecis (pior quem segue eles) continuam a perturbar e a bagunçar nas portas dos quarteis, dos Tiros de Guerra, dos batalhões e até das delegacias. Como se trata de manifestação contra a democracia e anticonstitucional, está na hora dos generais colocar ordem na casa; acabar de vez com essa baderna; e mandar todo mundo ir para suas casas.

No meio dessa desordem tem todo tipo de gente, desde os inocentes úteis manipuláveis, os fanáticos evangélicos, os extremistas de direita, os nazifascistas, homofóbicos, racistas e até gente que entra na onda cantando o hino nacional, marchando como palhaços, rezando em nome de Cristo e falando em pátria, família, tradição e liberdade, trocando as bolas e querendo que o juiz volte, anule o jogo e dê a vitória ao perdedor.

É a chamada virada de mesa, ganhar no chamado tapetão. Se o Brasil perder a Copa Mundial de Futebol, todos vamos protestar nas ruas para que a taça fique com os brasileiros. Vamos decretar guerra à FIFA e invadir sua sede na Suíça. Os movimentos vão ser em frente da CBF, nos estádios, nas portas das federações de futebol e nos clubes. As torcidas do Flamengo e do Corinthians vão quebrar tudo.

Agora imagina se o capitão-presidente tivesse vencido as eleições! Todos estariam até hoje comemorando o resultado e dizendo que as eleições foram limpas, mesmo com tantas sujeiras que ocorreram em seu transcurso, com fake news, bloqueios de eleitores nas estradas pela Polícia Rodoviária Federal e empresários do agronegócio injetando dinheiro para fechar as rodovias.

Como dizia o próprio Bozó, chega de mimimi! Vão ficar chorando até quando? Basta de frescuras! Acabaram as motociatas, os cercadinhos e os currais! Não mais tirar máscaras de crianças, xingar jornalistas, as mulheres e tratar os negros como arrobas. Sem mais desmontar os órgãos de fiscalização do Ibama e do Instituto Chico Mendes para deixar a boiada passar por cima do nosso meio ambiente. Sem mais garimpeiros clandestinos para expulsar os índios de suas terras!

DE PAU PARA CACETE

No entanto, como se diz no popular, mudando de pau para cacete, queremos mesmo é que a esquerda conserte seus erros do passado quando se meteu com gente da pior laia, ladrões, malfeitores, corruptos, salteadores, gananciosos e trapaceiros. Esta será a última chance do PT se redimir. Nossa história está repleta de absurdos.

Entendo que o Lula não deve só pensar em doar Bolsa Família, matar a fome, que são coisas que não dão para esperar. Como se diz, ela (a fome) tem pressa, mas não se pode ficar o tempo todo nessa de dar sem encontrar uma alternativa para que as pessoas passem a ter seu próprio sustento do trabalho. Nossa gente precisa é de dignidade e se sentir como cidadão integrado à sociedade. Nada de ser pária!

Nosso povo necessita urgentemente de autoestima. Basta de acomodação, submissão, humilhação nas filas e ficar totalmente dependente do dinheiro do Tesouro que é do contribuinte.  Os governos têm que passar em priorizar a educação de base, com investimentos pesados para em futuro próximo substituir essa política do dar que serve mais como esmola.

Outra coisa absurda é ficar fazendo o papel de pai dos pobres e mãe dos ricos, enchendo mais ainda as burras de dinheiro dos empresários e aprofundando as desigualdades sociais através do aumento da concentração de renda nas mãos de uns poucos. Será que queremos isso para o Brasil, um capitalismo selvagem e uma elite burguesa oportunista que só pensa em seus interesses?

A única saída é um socialismo de distribuição das riquezas dando oportunidade a todos. Há anos que as cidades estão inchadas de miséria e pobreza, amontoadas nos morros e favelas. Só pensam no direito de propriedade e nada de uma reforma agrária que vem sendo projetada desde o império com a abolição da escravatura, sem se acabar de vez com a escravidão.

Ninguém quer saber de dividir para a todos progredir. Temos ainda que acelerar os programas de saneamento básico, cuidar da saúde do povo por que esse só dar não é a solução. Há trinta anos ou mais que esse esquema eleitoreiro e de compaixão perdura em nosso seio social enquanto a pobreza só aumenta. Os milhões de desempregados continuam no olho da rua. Milhares vivem debaixo das pontes, das marquises, das praças e dos viadutos se entregando às drogas, não como seres humanos, mas como vivos-mortos.





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