julho 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  


OS IANOMAMIS E OS GARIMPEIROS

Essa situação polêmica entre os índios ianomâmis e os garimpeiros, em Roraima, já vem de muitos anos, inclusive nos governos do PT, mas chegou-se ao um ponto caótico com o capitão-presidente Bozó que intencionava exterminar de vez esse povo originário da Amazônia.

É mais um massacre e uma catástrofe anunciados, como tantos outros no Brasil, o mesmo que acontece com as invasões irregulares de construções de casas, prédios e casebres nos morros das grandes cidades, que desabam quando batem as fortes chuvas.

Tudo poderia ter sido evitado se as autoridades governamentais tomassem providências antecipadas em termos de disciplina e fiscalização, para impedir as irregularidades.  No entanto, as coisas vão tomando proporções que fogem do controle e aí vem a violência aplicada na base do ferro e do fogo.

No caso dos garimpeiros em terras ianomâmis não é muito diferente. Eles foram entrando e avançando com o tempo, contaminando o meio-ambiente e até atraindo tribos que consentiram e participaram também da garimpagem ilegal.

Não há dúvida que ali houve um lento genocídio contra os índios que não compactuaram com os invasores. O problema foi criado há anos, mas não se pode resolver a questão de uma hora para outra com a força bruta de uma retirada desastrada dos garimpeiros que estão fugindo atordoados para outras áreas. Todos são brasileiros.

Da forma como está sendo feito, vai-se criar outra frente social crítica, não somente com a disseminação de doenças, mas violências, roubos, tráfico e outros ilícitos e delitos em razão da ausência de uma ocupação de trabalho.

Não estou aqui defendendo a ação dos garimpeiros, mas eles também são vítimas de administrações que fizeram vistas grosas para o que vinha ocorrendo há tempos na Amazônia. Por que não se criar extrações de minérios disciplinados sob uma fiscalização rígido do governo, de modo que haja uma exploração sustentável e de convívio com os nativos?

Mais uma vez, não estou sendo advogado do diabo, mas todos sabem que grandes empresas estão lá há anos com suas máquinas destruindo as florestas, a fauna, a flora e envenenando rios. Tudo não passa de uma demonstração de força impensada que pode gerar outro caos social em cima de um marketing político.

Todos esses conflitos, essa tragédia de mortes por doenças e desnutrição dos índios poderiam ter sido evitados lá na frente. O que houve no governo do capitão foi um genocídio premeditado, mas entendo que poderá haver outra saída pensada e planejada de forma que uma tragédia resolvida sirva para constituir outra ainda pior.

UMA HUMANIDADE BRUTALIZADA

Neste domingo estava em casa sossegado tomando uma gelada e ouvindo umas músicas, mas terminei me contrariando por causa de umas cenas de estupidez do ser humano, aquelas que já se tornaram comuns de linchamentos e do querer fazer justiça com as próprias mãos. Confesso que fiquei revoltado com tanta violência consentida como se fosse normal.

Tudo começou na rua “G” – Jardim Guanabara ou Bairro Felícia, quando um rapaz tentou furtar no carro a carteira de um morador.  Foram ao encalço dele e próximo à casa de eventos Paradise derrubaram o cara em frente de um prédio abandonado e começaram as sessões de espancamentos e torturas.

Coisa de bárbaros enfurecidos que se dizem cristãos e sempre estão falando e fazendo tudo em nome Deus, como agredir os outros. Um colocou logo o pé na cabeça do acusado (agora virou prática fazer isso) e os outros aproveitavam para dar chutes e porradas. Teve até quem apareceu com uma taca e deram várias chibatadas como nos tempos da escravidão. Um bando de covardes!

Essa brutalidade durou quase uma hora e sempre aparecia mais um para dar sua porrada. Na roda, cerca de dez moradores (muitos vizinhos presenciando da porta de suas casas) com xingamentos e agressões contra o indivíduo pardo de uns 35 a 40 anos.

Não me contive e, para não ser conivente e incoerente com meus princípios o com que prego no que tange aos direitos humanos, fui até lá dizer que eles não podiam cometer aquela brutalidade e fazer justiça com as próprias mãos.

Como já esperava, fui prontamente rechaçado com argumentos fúteis típicos de pessoas ignorantes e brutas, de que logo eu morador da rua estava defendo um bandido. Alguém indagou o que eu faria se fosse a vítima.

Um até foi mais ameno e disse que entendida o que eu estava falando, mas isso não impediu de os brutos continuarem torturando o rapaz. Até um motoboy que passava deu seus ponta pés e porradas. Olhei ao redor e vi rostos raivosos e rancorosos de gente a destilar seus ódios e frustrações pessoais. Cada um ali queria mostrar sua força cavalar. Confesso que até tive medo de também ser agredido. Nessa hora, pensei, nem estão aí se sou ou não um idoso.

Debaixo do pau, o moço já gritava de dores e pedia para parar. Foi quando passou um carro da polícia (alguém deve ter ligado), algemou-o e o colocou no camburão. Foi nesse momento que dois ou três gritaram para os policias darem “um cafezinho” nele, isto é, baterem mais.

Com a deterioração ou degradação do ser humano, é essa própria sociedade hipócrita que incentiva e estimula a polícia ser mais violenta. Ouvi de um do grupo que tem mesmo que matar. A polícia demorou quase uma hora para chegar e tirar o acusado de furto das mãos dos estúpidos ensandecidos assassinos.

É essa a sociedade em que vivemos, fruto de vários governantes do passado que, na falta de educação, criaram monstros. Ela própria não tem a mínima consciência que foi fabricante da bandidagem, da marginalidade, assaltantes, dos traficantes de drogas e sequestradores impiedosos que têm o sangue na boca. Nessa guerra não haverá vencedor. Todos estão sendo derrotados.

Como agora essa sociedade se sente ameaçada, entende que vai combater essa violência com a própria violência, com tanques, fuzis, metralhadoras e mais soldados nas ruas para baixar o cassete. Essa sociedade nem tem o poder de percepção que é ignorante e bruta e que, ao bater no ser humano, não importa se ladrão ou não, está se igualando ao mesmo.

É triste dizer isso, mas nossos corações estão cheios de ódio e intolerância, de racismos, homofobias e desprezo pelo outro. Em nome de Cristo e de Deus partem logo para violência. Tem pessoas que saem da igreja e agridem o primeiro que encontrar, basta não concordar e ser diferente à opinião dele.

 

 

TODOS SÃO FARINHA DO MESMO SACO DIZENDO ESTAR A SERVIÇO DO BRASIL

É um quadro despudorado e desolador essa nossa política brasileira, coisa secular, que o povo mais instruído não consegue entender. Eu mesmo não engulo esse argumento da governabilidade. Nessa casa da Vera Cruz tudo continua como dantes. Uma minoria parlamentar vira maioria da noite para o dia e todos se acomodam no mesmo saco de farinha do pó queimado, sem nenhuma tapioca.

Agora mesmo, os bolsonaristas ou bozonaristas puxa-sacos se tornaram lulistas para compor o arcabouço dos cargos e das benesses, num bom termo objetivo, muita grana a rolar. Claro que em política existem as composições, mas aqui na terra do Pau Brasil é vergonhoso, descaração e cinismo. Não existe um mínimo de ética e seriedade. São todos produtos falsificados sem prazo de validade.

Os casos mais aberrantes foram escancarados agora com as eleições do Pacheco para o Senado e do Arthur Lira para a Câmara dos Deputados, este último, principalmente, um sujeito de recado do Bozó psicopata e cumplice de seus crimes, inclusive culpado indiretamente pelo atentado golpista de oito de janeiro.

Bastou o PT se aproximar deles prometendo as cestas recheadas de presentes que eles mudaram as camisas de verde-amarelo para vermelho. Agora eles são Lula e se reelegeram com os votos da esquerda. Será que vale a pena se filiar a um partido de esquerda neste país? Cuidado! Você pode se decepcionar e cair na frustração.

Na verdade, é uma bobagem dizer que nesse Brasil existe direita, centro e esquerda. Não dá para separar muito bem um do outro. Tudo depende do momento. Ideologia é sinônimo de grana no caixa e poder, meu amigo. O povo não passa de um bando de idiota besta que fica brigando uns com os outros e ainda se mata.

As pessoas se xingam, se odeiam e ficam até inimigas, inclusive irmão contra irmão e pai contra filho, enquanto eles lá fazem seus conluios e conchavos com o argumento mentiroso e safado de que tudo é para o bem da nossa pátria. Deixo aqui a minha revolta e desabafo porque minha formação não permite aceitar essa cachorrada.

Os dois (Pacheco e o Lira) foram eleitos com os votos do centrão do Bozó e a eles serviram fielmente, aprovando seus atos criminosos contra o meio-ambiente, o armamento e até fizeram vistas grossas para os genocídios praticados durante a pandemia (vacinação atrasada e mortes em Manaus pela Covid-19)) e contra os índios ianomâmis, dando guarida aos garimpeiros.

Agora pousam de bonzinhos e abraçam Lula com tapinhas nas costas. O Lira fez ainda o pior. Sentou em quase 200 pedidos de impeachment contra o capitão aloprado e não abriu nenhum processo. Se tivesse aberto um dos pedidos de afastamento do capitão poderia ter evitado as tentativas de golpes, as investidas de uma intervenção militar (ditadura) e a bárbara invasão aos três poderes da nação.

No entanto, agora eles são Lula, da esquerda, e foram excluídos da lista daqueles que colaboraram para ultrajar a democracia. Ninguém fala mais no engavetador Augusto Aras, o Procurador Geral da República, a vergonha da Bahia, que sempre foi moleque de recado do Bozó.

Não estou aqui de forma alguma defendendo os extremistas aloprados que falam em pátria, Deus e família e fazem completamente o contrário, mas somente os bois de piranhas foram presos e estão sendo julgados. O Lira e o Pacheco se safaram numa boa.

Sinceramente, nesse pais desavergonhado fico até ressabiado e sem jeito de dizer que sou de esquerda socialista filiado a um partido dessa linha. Essas safadezas me deixam sem argumento para discutir política no sentido sério, ético e honesto. Esse quadro de horrores deixa de cabeça baixa aqueles que primam pela ideologia, porque todos estão juntos no mesmo saco de farinha de péssima qualidade.

 

 

“FLUXO E REFLUXO”

O tráfico negreiro baiano no Golfo do Benin entre os séculos XVII e o XIX tem muita semelhança com o tráfico de drogas praticado no Brasil de hoje, considerando suas intrigas, conflitos, mortes e descumprimento das ordens dadas pelas autoridades de Lisboa, os diretores das fortificações e os vice-reis da Bahia, conforme relatos do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger em seu livro “Fluxo e Refluxo”.

Claro que o autor não faz essa referência, mas lendo sua obra e analisando o que acontece atualmente com as redes de traficantes de drogas e armas, os métodos aplicados para trazer escravos da Costa da Mina (Golfo do Benin) para as lavouras e a mineração brasileira eram bem parecidos. Prevalecia a lei do mais forte e tudo mera resolvido no derramamento de sangue.

No tráfico negreiro existia um intrincado de corrupções e uma disputa acirrada pelos negócios, tendo como moedas principais o tabaco da Bahia, a cachaça e o ouro de Minas Gerais. O fumo era muitas vezes adulterado, bem como a bebida e o ouro contrabandeado. Além das guerras entre os reis de Daomé e outras etnias, em Ajuda ou Uidá, as brigas também ocorriam entre as fortalezas portuguesas, francesas, inglesas e as forças holandesas.

As cartas trocadas entre os vice-reis da Bahia, os capitães de navios, diretores das fortificações e seus mandatários colonizadores eram recheadas de intrigas, difamações, calúnias e desrespeito às regras emanadas pelas coroas de cada nação europeia. Era como se fosse uma terra de ninguém e vencia o mais astuto e o mais forte.

As conspirações andavam soltas naquela zona perigosa e o diretor da fortificação portuguesa em Ajuda, João Basílio, por volta de 1743/45 foi vítima de uma delas. Foi preso injustamente, padeceu numa cadeia imunda da Bahia e morreu à mingua. Seus filhos foram vendidos como escravos, tudo por causa de calúnias de outros traficantes que não concordavam com suas ordens.

De acordo com pesquisa feita por Pierre Verger em “Fluxo e Refluxo”, ele e o tenente Manoel Gonçalves embarcaram em Uidá e foram saudados pelo forte francês com uma salva de nove tiros. Dali seguiram ao longo do litoral com escala na Bahia onde foram feitos prisioneiros pelas autoridades da cidade.

Eles eram acusados de terem abandonado, com grande prejuízo para a Fazenda Real, a fortaleza de Ajudá. Em outra parte, cita que todos os bens de João Basílio e de Manoel Gonçalves foram sequestrados por ordem do provedor-mor da Fazenda Real. Tiraram deles até as roupas.

O vice-rei conde das Galveas dizia que o Basílio foi condenado injustamente. Outro que caiu em desgraça foi o diretor Francisco Nunes Pereira. Na Costa da Mina ou Sotavento, o comércio negreiro era uma tremenda bagunça. Não havia organização e os preços dos cativos variavam de acordo com a oferta e a procura.

Da Bahia, 24 navios eram autorizados a negociar, mas existia uma ordem que, enquanto um capitão estivesse no porto, outro não poderia entrar, só que os traficantes não obedeciam. Muitas vezes, o rei de Daomé nomeava seu próprio diretor para a fortificação de Portugal, passando por cima da Coroa de Lisboa e do vice-rei da Bahia.

Como o único meio de comunicação era através dos navios, as medidas e diretrizes passadas para os diretores do forte de Ajuda caducavam. O mesmo acontecia do Golfo de Benin para a Bahia e Lisboa. Uma missiva para Portugal transitava primeiro na Bahia para depois chegar o reino.  Muitas vezes duravam seis meses para se saber da morte de uma autoridade.

 

CADA DIA

De autoria do jornalista Jeremias Macário

O celular nosso de cada dia,

Santificado seja a internet,

Que nesse reino nos conecte;

Dai-nos hoje, oh Senhor!

Os sinais das redes sociais;

Perdoai nossas ofensas;

Livrai-nos das falsas crenças,

Dos ônibus da lotação,

Desse cartão consumidor,

Das dívidas de cada dia.

 

Cada dia é novo existir,

De um colorido pôr-do-sol,

Um outro de porvir;

Não nos deixai-nos só,

Nesse tempo de cada dia.

 

Cada dia acordo com você,

Minha razão de ser;

Sem seu amor,

Não sei mais como viver.

 

Tem a estradeira poeira,

Para enfrentar o desafio;

Tem dia sem saída,

Outro da vida sorrir,

Um de nascer, outro de partir,

 

Como diz o cancioneiro,

Cada dia vai ter que sofrer,

Vai ter que vencer,

Varrer o seu terreiro.

 

Deus e o diabo na terra,

Como canta o Moreira,

Uns subindo a serra,

Outros descendo ladeira,

No tempero de cada dia,

Nos feitiços da Bahia.

“JOÃO DE BARRO”

Dizem os mais sábios que a natureza é sábia, e um dos exemplos está na ave chamada “João de Barro” no construir da sua casa, conforme mostra a imagem das nossas lentes flagradas numa mangueira. A sua morada é perfeita porque até a sua entrada é feita de acordo com a direção do vento. Cada pássaro faz seu ninho que nenhum artesão consegue imitá-lo por mais semelhante que possa parecer. O “João de Barro” é um engenheiro e artista que não trabalha com números e equações, mas com sua sabedoria natural. Mesmo com as adversidades do tempo, com chuvas, temporais e ventos fortes, sua casa não desmorona, ao contrário dos seres humanos onde sempre um prédio está vindo abaixo. O “João de Barro” não precisa de escola, empreiteiro corrupto e arquiteto que faz cálculos errados. Ele trabalha pacientemente, ponto por ponto, e só usa para abrigar seus filhotes quando tudo está completo e seguro. São os mistérios da natureza que o homem perverso e predador só faz destruir.

FEVEREIRO É DO CARNAVAL

Depois de dois anos, por causa da pandemia, fevereiro volta a ser sinônimo de carnaval, principalmente em Salvador. O ano de trabalho na Bahia só começa mesmo a partir de março. Tudo na capital da informalidade, onde se registra um dos maiores números de pessoas inadimplentes do Brasil, é só festa desde início de dezembro. São três meses que não se faz quase nada.

Os organizadores da folia e a própria Prefeitura Municipal anunciam uma movimentação de quase dois bilhões de reais em negócios, só não falam que a maior parte desse bolo vai cair nas mãos dos mais poderosos donos de trios elétricos, agências de vi8agens, empresas de aviação, montadores de estruturas, os hotéis, as empresas de bebidas e o setor de propaganda.

O resto, ou as migalhas, ficam para os donos de barracas, ambulantes, cordeiros de blocos, catadores de latinhas e outros vendedores que ficam no asfalto das avenidas dormindo ao relento para não perderem suas vagas. Tem aqueles que entram nas muvucas durante uma semana e se endividam mais ainda.

A festa, que a mídia chama de popular, não passa de uma mentira porque no final o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. São os vassalos e súditos a serviço de uma nobreza que fica em seus trios e camarotes, lá do alto, assistindo a ralé pular e arrastar chinelos ou tênis velhos lá embaixo nos rebolados das músicas lixo de letras horríveis, machistas e misóginas onde tratam as mulheres como objeto do sexo.

Os economistas, sociólogos e estudiosos no assunto sempre comentam que um país só se desenvolve com trabalho e educação. O Brasil ainda é um pais dos feriadões, das fuzarcas e da falta de um ensino de qualidade. Então, não é preciso analisar mais nada.

Outro “bolodoro” do carnaval é que a festa gera milhares de empregos nessa época, mas escondem a exploração trabalhista, com remunerações baixas e em condições de escravismo onde a pessoa é sujeita a trabalhar quase 24 horas por dia, sem o devido descanso. É um dinheiro amaldiçoado.

Nessa Bahia festeira, a começar pela capital soteropolitana, o nível de instrução é um dos mais baixos, tendo como consequência a pobreza e a miséria que requer um maior número de atendimento do Bolsa Família, mas, em se tratando de carnaval, os governantes não estão nem aí e investem pesado porque dá voto.

Eles sempre escondem os valores e enganam o povo dizendo que os festejos de uma semana (antes só eram quatro dias) são pagos pelo setor privado através das cotas de patrocínios. Também não colocam na conta o aumento da violência, acidentes e mortes quando os hospitais costumam ficar superlotados. Quem paga tudo isso?

É outra mentira deslavada porque não incluem na planilha os gastos com cachês dos artistas de trios independentes, das bandas nas praças, serviços de decoração, do efetivo policial e dos profissionais da saúde mobilizados, entre outras despesas.

A maior ressaca do carnaval depois da quarta-feira de cinzas não é da cachaça, das bebidas, das drogas ingeridas e injetadas. A maior enxaqueca é dos pobres e endividados, porque muitas deixam de quitar suas contas e até colocar comida em casa para cair na folia. É aquele negócio: depois resolvo isso e esvaziam os bolsos e os cartões de crédito, agora o PIX.

 

TANTAS NOTÍCIAS E CONFUSÃO!

Como bárbaros, “os patriotas” quebraram tudo que encontraram pela frente em nome da pátria, da família, religião e tradição; as forças de segurança facilitaram e deram passagem;  os ianomâmis morrem de desnutrição nas florestas contaminados pelo mercúrio e malária; os garimpeiros querem a terra; a Justiça pede justiça; Lula recebe chefes de Estado e dá seu tom de conciliação; o mercado reage; os parlamentares fazem seus conchavos; os extremistas recuam, mas podem voltar; e uns querem aculturar os índios.

São tantas notícias e “a morte é confusão”, como já dizia Fernando Pessoa. O tempo corre e janeiro anuncia fevereiro do carnaval. Quase tudo é vendaval e festa para março chegar de ressaca para o moço trabalhar pensando nos próximos feriadões. As dívidas batem na porta, com IPTU, escolas das crianças e IPVA. A violência, o tráfico de drogas e os homicídios não param de crescer, mesmo com o reforço do armamento e mais soldados para combater com truculência.

As redes sociais perigosas e fúteis continuam a bombar, destilando intrigas políticas, ódios, intolerâncias religiosas e de gênero. As pessoas estão cada vez mais doentes superlotando as filas nos corredores dos hospitais. Nos bancos milhões dependem do Bolsa Família para matar a fome da pobreza que não para de aumentar nos casebres e favelas contaminadas por milicianos e traficantes.

O tempo segue com a impressão de ser vagaroso para uns e galopante para outros. São tantos assuntos que nos deixam confuso escolher um para escrever, de tão batidos e comentados. Parte do noticiário é requentado. Cada um emite sua opinião e logo aparece o contraditório, seja de esquerda ou de direita. As pessoas estão estressadas.

Uns se enroscam na filosofia e no academicismo, mas outros são diretos nos recados. A grande maioria nem ler tudo. Uma pedagoga me disse na lata que não gosta de ler. De vergonha, fiquei sem saber o que responder. Melhor ficar quieto, como se fala, na sua. Tem coisa que é melhor manter o silêncio que alguém já disse ser ouro.

Mesmo com tantas notícias e informações nacionais, estaduais e regionais que, às vezes, nos deixam pirados, confesso ser difícil realizar um texto sobre determinado tema que não torne enfadonho e chato para meu único leitor que seja. Nos tempos de hoje, já é uma glória ter um que vá além da manchete.

Escrever é uma arte e já atraiu admiradores. Dava fama nas eras onde a cultura tinha seu valor na linha de frente. Os livros e autores eram discutidos em mesas de bar com acirramento dos ânimos em discussões acaloradas. Hoje é um ofício ingrato. Coisa de teimosos cabeça dura! Muitos falam ser uma cachaça.

Pois é, tem dias que, mesmo diante de tantas notícias, dá um nó na cuca sobre o que escrever para não ser repetitivo. Melhor ser mais ameno com uma crônica da vida bem-humorada que nos faça rir, sem essa coisa pesada que nos deixa mais depressivo como numa sala de consultório médico onde só se ouve queixas de doenças dos pacientes. Não somente a morte, a vida é também uma confusão.

A BAGUNÇA DA IDENTIDADE PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Uma campanha da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista visando tirar identidade de crianças e jovens virou uma bagunça e muita gente ficou sem ser atendida. Só no SAC do Shopping Boulevard foram mais de 200 pessoas pela manhã, mas poucos foram recebidos. A grande maioria retornou revoltada para suas casas sem conseguir o documento desejado.

O sr. Edivaldo Fagundes, morador da Vila Verde, depois da Lagoa das Flores, conta que perambulou pela cidade para tirar a identidade de sua filha adolescente e não obteve êxito. No SAC do Centro informaram que ele teria que chegar às seis horas da manhã e lhe mandaram para o Boulevard. Pior ainda foi para quem saiu de povoados distantes e passou pelo mesmo sofrimento.

Conforme ainda relata, lá encontrou um tremendo tumulto de cerca de 200 a 300 pessoas e foi avisado que as senhas haviam se esgotado. Ora, Vitória da Conquista é uma cidade com mais de 300 mil pessoas, o que requeria por parte da prefeitura e do próprio SAC uma programação mais ampla com vários pontos de atendimento, inclusive no Espaço Glauber Rocha.

Em seu desabafo, Edvaldo classificou de verdadeira baderna o que viu no Boulevard e uma falta de respeito para com as pessoas, principalmente as crianças e adolescentes que voltaram frustradas sem a identidade prometida. Ele disse que se sentiu um palhaço rodando de um canto para outro na cidade.

Assim como ele, centenas de pais e mães não foram atendidos por completa falta de organização e planejamento, como tudo que acontece nesse nosso Brasil e na Bahia. Apesar das inovações tecnológicas, as informações são imprecisas e limitadas a um site   do poder executivo onde nem todos têm acesso fácil.

Que campanha é essa que deixa as pessoas revoltadas, como foi o caso de Edivaldo com sua filha? É mais uma propaganda enganosa, como tantas outras onde as pessoas são obrigadas a enfrentar filas intermináveis ou acordar madrugada para pegar uma senha, restrita a pouca gente. Se não tem capacidade, melhor não fazer esse tipo de campanha!

 

AINDA SOBRE “BR2466 OU A PÁTRIA QUE OS PARIU”

No último capítulo do seu livro “Isso é apenas o começo”, o crítico literário e filósofo Nélio Silzantov diz que “os patriotas estão nas ruas, saudosos das prisões alheias, torturas e desaparecimentos”, creio que numa alusão à ditadura civil-militar de 1964 e até mesmo sobre as injustiças praticadas contra os direitos humanos, principalmente dos mais pobres.

Para ser mais enfático e direto, o autor destaca que “os patriotas não se importam com a extrema miséria do povo ou se ele morre de fome, desde que todo aquele que quiser, possa ter em mãos o seu próprio fuzil”. Aqui vai um recado para o psicopata do Bozó que incentivou o armamento durante todo seu governo.

“A falta de emprego, saúde, educação e renda não lhes diz nada, contanto que as exportações quebrem recordes e seus lucros continuem exorbitantes. Os patriotas se dizem os únicos que verdadeiramente amam a nação, mas o que eles mais odeiam são os miseráveis que a povoam por toda parte”.

Sua crítica nesse último capítulo de sua obra, que deve ser lida por todos aqueles que amam a leitura, é bem clara e não carece de maiores comentários. Ele próprio complementa afirmando que essa gente é “desprezível, marginais por natureza, o câncer a ser extirpado a todo custo e o quanto antes”.

Até parece que Nélio estava prevendo os acontecimentos do oito de janeiro quando esses “patriotas” invadiram os três poderes numa tentativa de dar um golpe na Constituição e implantar uma ditadura fascista no Brasil.

Depois dessa “bofetada”, o autor de BR2466 faz uma reflexão sobre a alienação da nossa gente que está mais ligada para os encantos das tecnologias que “mudariam nossas vidas em definitivo e que metamorfosearam-se na extensão do corpo humano, alterando, assim, o nosso modo de ver, ouvir, falar e existir”.

Sobre essa situação atual em que vivemos de ódio e intolerância, Nélio fala de avatares e sorriso amarelo de amigos e familiares. “Com o tempo, passamos a não nos reconhecer como há pouco imaginávamos. Incrédulos, numa última tentativa, buscamos exaustivamente o traço de uma face amiga que se perdeu. Por menor que fosse esse traço, depositamos nele a esperança de um resgate daquilo que para muitos não passa de ilusão”.

…”restou-nos o exílio, a fuga daqueles que não suportamos a presença, o medo de caminhar por entre as ruas e sermos apedrejados, o ódio espalhado feito peste epidemiológica colocando todos contra todos, a liberdade de expressão, tão cara aos regimes democráticos, convertida na liberdade de encolerizar-se contra o dissidente, o opositor, o que insiste em resistir, o que não aceita subjugar-se”.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia