MUITA ENROLAÇÃO DA VIA BAHIA QUANTO A DUPLICAÇÃO DA BR-116
Não me venha com essa de mimimi, senhor presidente da Via Bahia, José Bartolomeu, sobre a duplicação da BR-116, prometida há 13 anos e que até agora nada foi feito, a não ser uma extensão de Feira de Santana até o Paraguaçu. Muita enrolação e nada de concreto!
O encontro para discutir essa obra, realizado na manhã de ontem (dia 17/03), no auditório do Cemae, com entidades conquistenses, foi uma total decepção em termos de resultados práticos, e a própria organização pecou quando o dirigente falou por último dos pronunciamentos da mesa.
A reunião mais pareceu um debate político em época de eleições para ver quem mais se sobressaia no discurso para ganhar o voto do eleitor. Somente alguns representantes dos segmentos da sociedade tiveram o direito de fazer as ponderações e perguntas.
O debate deveria ter sido aberto ao público em geral, por sinal bem seleto, sem a participação das comunidades e associações de bairros em torno do Anel Viário que mais sofrem com os acidentes e transtornos de locomoção. A representação direta do povo sempre fica excluída nessas ocasiões.
O sr. Bartolomeu começou por narrar a difícil situação financeira da empresa e só faltou propor aos presentes da plateia a formação de uma “vaquinha” para ajudar a Via Bahia cobrir seu suposto “déficit” de caixa. Bem que ele poderia ter vindo com uma cuia!
Em sua fala, o presidente tratou logo de jogar a culpa nos órgãos do governo federal que não aceitam, segundo ele, assinar cláusulas de reavaliação do contrato. Seus advogados incluíram itens absurdos como forma de prolongar o processo que corre na Justiça para que a empresa cumpra com suas responsabilidades ou entregue a concessão.
Essa de descumprimento de acordos, tratados e convenções, sr. Bartolomeu, é uma questão cultural que veio de Portugal e se disseminou pelo Brasil colonial até os tempos atuais. Adotou-se aqui entre empreiteiros e construtores a cultura dos aditivos, sempre com mais verbas para concluir os serviços. Os acordos assinados em papel nunca são respeitados.
Esse contrato da Via Bahia foi feito “para inglês ver”, como a lei da abolição do tráfico negreiro assinada entre Brasil e Inglaterra, em 1831, onde as companhias de traficantes burlavam e transgrediam as normas estabelecidas. Foi preciso os britânicos ameaçarem invadir o país para ser criada a Lei Eusébio de Queirós, em 1850.
Não venha com essa, sr. Bartolomeu, de reequilibrar para voltar mais forte! Ninguém engole mais isso. Foi tão irritante que o público presente ensaiou um movimento de “Fora Via Bahia”, o que significa que essa concessionária não é mais desejada aqui. É persona non grata, e que se faça a licitação com outra empresa, mesmo tendo que esperar por mais quatro anos.
A única promessa amarelada que o presidente da Via Bahia deixou foi a de que as obras de duplicação, a partir de Poções até depois de alguns quilômetros de Vitória da Conquista, começariam a partir do segundo semestre, mas ninguém acredita mais nisso.
Lembro quando foi construído o Anel Viário de Conquista há quase 30 anos no Governo de Fernando Henrique Cardoso por proposição do deputado federal Coriolano Salles e emendas de outros parlamentares. Se não me engano, a princípio o projeto contemplava viadutos e passarelas nas vias de saídas e acessos da cidade.
Hoje esse Anel é uma arapuca da morte, e a Via Bahia fez apenas uns armengues com a colocação de cones e fechamento de ruas e loteamentos com gradis de ferro, impedindo a passagem das pessoas de um local para o outro. O mesmo armengue foi feito na BR na entrada do aeroporto. Cadê o viaduto e a outra pista paralela até a cidade prometidos pelo Governo do Estado e a empresa?
No Centro Industrial dos Imborés a situação é caótica e sempre está ocorrendo acidentes com mortes. O trânsito pesado de caminhões, carretas e veículos pequenos na entrada e saída de quem vem do Rio de Janeiro para o Norte ou vice-versa se tornou um inferno.
São mais de 36 milhões de carros em circulação por ano que atravessam Conquista. Até quando vamos ter que aturar essa Via Bahia, só nos tirando dinheiro nos pedágios? É abusar muito da nossa paciência! Como as vozes que clamaram da plateia: Fora Via Bahia!
TUDO COMEÇOU COM O “VINHO VINIL”
São mais de dez anos de história que nasceu do encontro de amigos que tiveram a ideia de criar o grupo do “Vinho Vinil”. Como a própria denominação já diz tudo, o objetivo era unir as duas coisas, mas com o propósito principal de valorizar o vinil. Não se podia ouvir músicas de outra mídia, tocar viola e nem tomar outra bebida que não fosse o vinho. Não demorou muito e outras pessoas foram chegando. Em pouco tempo, o “Vinho Vinil” se transformou num sarau, com cantorias variadas, declamação de poemas, contação de causos e a concessão de se tomar outras bebidas, mas o vinho permaneceu como carro-chefe. O “Vinho Vinil” tomou outras proporções e formatos se tornando em “Sarau a Estrada”, com um tema em sua abertura, como no último do dia 11 de março (sábado) que foi “Uma Nação em Correrias”, que discorreu sobre a vida e a história do povo cigano. Foi uma noite em que baixou o espírito cigano, com muita alegria e as mulheres todas fantasiadas, de acordo com a temática. Durante esses anos já falamos sobre diversos assuntos, mas existe um princípio que não pode ser quebrado: Não discutir política partidária para não ocorrer atritos. Dito tudo isso, a cereja do bolo é que esse sarau hoje tem sua própria personalidade, história e identidade. Nesses mais de dez anos aconteceram muitas coisas interessantes e curiosas que merecem uma crônica bem contada. A parte triste é que três participantes mais frequentadores já partiram para o além. A história desse sarau e mais detalhes, prometo registrar depois através de um artigo ou uma crônica com fatos interessantes. No mais, por enquanto, o nosso papo vai ficando por aqui.
LUA ADVERSA
Cecília Meireles
Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
Fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e vêm,
No secreto calendário
Que um astrólogo arbitrário
Inventou para meu uso
E roda a melancolia,
Seu interminável fuso!
Não me encontro com
Ninguém
(tenho fases como a lua…)
No dia de alguém ser meu
Não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
O outro desapareceu…
OS MALDITOS CANAIS DOS SEGUIDORES
A DISPUTA É ACIRRADA, MEU AMIGO! LEVA A MELHOR QUEM CONSEGUIR MAIS SEGUIDORES. É UM DUELO DE VIDA OU MORTE COMO NO VELHO OESTE NORTE-AMERICANO!
– Eu tenho 10 milhões e logo olha para a tela, dizendo que subiu para 12 e 15 milhões com sua última postagem. Basta uma careta ou palavrão de assassinato da gramática. Do outro lado o concorrente grita que já está com mais de 20 milhões. No leilão da caça de seguidores, o mocinho ou a mocinha prontamente rebate que estourou a cifra dos 100 milhões ou mais da metade da população brasileira. Fala-se até em bilhões no exterior.
O entrevistador da mídia banal descartável só aplaude os feitos e faz elogios. Tudo é fantasia, ilusão e fama no mundo das danças, das mexidas, dos rebolados e das piadas sem graça e ofensivas de sentidos duplos, se possível contra os mais excluídos. É a própria cara da decadência da humanidade. É assim que a coisa gira e funciona. Quem não entrar na onda fica para trás. Você que critica não passa de um velho atrasado que perdeu o bonde da vida ou está fora da curva.
Esses seguidores nem lavam os rostos ou escovam os dentes. Mal se alimentam. Os adolescentes e os jovens levantam com o celular na mão imitando as danças e gestos dos tais “influenciadores digitais” e “celebridades” fúteis, inúteis e imorais. São ídolos idolatrados dos tempos modernos chamados civilizatórios da internet infestada de porcarias. A contaminação desse vírus é caso de saúde pública, física e psíquica.
Eles ditam seus padrões para milhões de seguidores, na sua grande maioria sem conteúdo, personalidade própria, com problemas de ansiedade, transtornos psicológicos e sem formação escolar que nunca pegaram num livro para ler. Existem os bons vídeos instrutivos, educacionais e culturais, mas estes são pouco vistos. Quem acompanha um deles de 33 minutos sobre vida e obra do grande jurista baiano Rui Barbosa? Passa longe.
Eles são filhos da geração dessas redes, que desde criança os pais ausentes não souberam controlá-los. Com dois anos, ele ou ela já sabe manipular bem o celular – dizem com orgulho para seus amigos e familiares. – É craque, gênio e sabe de tudo, um prodígio! Muitos não têm limites e terminam sendo dopados pela droga desses canais malditos.
Conheço alguns jovens viciados nessa rota que estão estragados, sem perspectivas e dominados por aqueles que estão do outro lado da câmara gesticulando e falando um monte de besteiras. Perderam o gosto pela escola, que também é deficitária (algumas sem estrutura e caindo aos pedaços), e mal fazem os exercícios do professor.
O filósofo italiano Humberto Eco dizia que depois da internet e do celular a nossa sociedade ficou mais imbecil. Com a baixa escolaridade da nossa gente brasileira, por exemplo, até agora essa tecnologia avançada nos deu mais desvantagens que vantagens.
Por ironia, esse próprio progresso da revolução da informática, da era das informações (a maioria falsas) que é denominada de evolução do ser humano em seu estado mais avançado, está levando a humanidade para uma destruição de morte (guerras e violências), de engolidor de almas, de neuroses, isolamento, de angústia, individualismo e depressão, atingindo em cheio uma grande massa da nossa juventude.
Bem, como o nosso foco são esses canais dos chamados “influenciadores” que viraram “famosos” por passar o dia todo atrás de um aparelho alimentando de lixo plástico seus milhões de seguidores, conheço pais desesperados com seus filhos que não mais lhes ouvem e nem obedecem. Muito pelo contrário, hostilizam como se fossem seus inimigos e carrascos antiquados.
Piamente, esses jovens seguidores só ouvem seus deuses da alienação verbal, corporal e espiritual. Muitos se enveredam até para o extremismo do ódio e da intolerância ideológica, religiosa, nazifascista, do racismo e da homofobia.
Muitos até se tatuam com símbolos dos seus ídolos ou representações daquilo que propagam como padrões da verdade. Outros procuram se vestir como eles; usar seus estilos de cabelos; adotar seus comportamentos; rosnar; grunhir; e falar palavras de seus vocabulários primitivistas.
Esses milhões de jovens seguidores terminam perdendo suas personalidades e identidades, e entram em desagregação com suas famílias. São levas de alienados, sem conteúdo e sem memória. Perdem o gosto pelo ensino, e milhares até viram “nem-nem”, nem estudam e nem trabalham.
NÃO MUITO A COMEMORAR NO DIA MUNICIPAL DA CULTURA E DA POESIA
No Dia Municipal da Cultura de Vitória da Conquista, instituído em 2006 pela lei 1367, em homenagem ao nascimento do cineasta Glauber Rocha (1939- 1981), não temos muito a comemorar, a não ser algumas atividades pontuais, como no Natal, no São João e alguns editais que beneficiaram artistas durante o período da pandemia.
Aliás, nem houve atos comemorativos por parte do poder público e nem a nossa mídia noticiou a data, com raras exceções. Entendo que os artistas em geral em suas diversas linguagens e manifestações, os intelectuais e os fazedores de cultura também comungam comigo dessa mesma visão crítica, principalmente se for levar em conta o porte da nossa cidade, a terceira maior da Bahia com mais de 340 mil habitantes. Não devemos nos contentar com o pouco.
Não temos muito a comemorar quando três equipamentos importantes, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a própria Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, continuam fechados por falta de reformas, embora o nosso secretário Xangai, da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel tenha ido nesta data (14 de março) a Brasília conversar com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sobre essas questões e outras.
Espero que tenha levado em sua pasta os projetos de custos para reformar essas casas e transformá-las em centros culturais de arenas para apresentações de eventos e espetáculos nas áreas da música, do teatro, da dança, da literatura, do cinema, do audiovisual e das artes plásticas, dentre outras expressões. Torço para que as coisas aconteçam e tenhamos uma cultura pungente que lembrem as efervescências de outrora.
Não temos muito a comemorar quando não temos um Plano Municipal de Cultura que contemple durante todos os anos a promoção de festivais de músicas com premiações, feiras literárias, salões de artes plásticas, seminários, encontros e recursos suficientes para apoiar e ajudar os artistas a concretizarem seus projetos.
É verdade que muitos grupos e pessoas, individualmente, vêm fazendo cultura em Conquista por iniciativa própria, mesmo com sérias dificuldades, mas o poder público, tanto o executivo como o legislativo, tem a obrigação de chegar mais. É aquela velha história de nunca se ter dinheiro para a cultura, mas não falta para outras que rendem votos eleitorais.
Não temos muito a comemorar quando a classe em geral não se une para se mobilizar, se organizar profissionalmente e cobrar mais ações do executivo. Falo de provocar, de agir, de todos chegarem juntos e não apenas ficarem na posição confortável da crítica e só pensarem em si. A maioria se contenta com o pouco e se isola. Nada se consegue nada sem brigar, sem lutar.
DIA DA POESIA
Quatorze de março é também dedicado ao Dia Nacional da Poesia em comemoração ao nascimento de Castro Alves (1847-1871), poeta condoreiro que, com seus poemas, que brotavam do fundo da sua alma, condenava a escravidão e as injustiças sociais. Era também um condoreiro romântico e até lírico. Ele transbordava sua dor. Seu lamento era como o tinir do facão no cascalho da pedra ou na terra estorricada do sertão.
Também diria que não temos muito a comemorar quando ainda em pleno século XXI temos um Brasil atrasado culturalmente pela falta de educação de qualidade e, que por isso, não valoriza a poesia, especialmente a nossa juventude que passa o dia agarrada num celular, engrossando os milhões de seguidores desses canais bestiais, fúteis, inúteis e imorais.
Infelizmente, não temos muito a comemorar quando a grande maioria dos nossos jovens ainda confunde um Manuel Bandeira, um Castro Alves, um Drummond, João Cabral de Melo Neto, uma Cecília Meireles, uma Cora Coralina, um Patativa do Assaré, um Zé Dantas, Humberto Teixeira e tantos outros como jogadores de futebol ou até cantores de funk. Só os abnegados e teimosos ainda resistem fazendo poesia, para ouvir das pessoas que ninguém ler isso.
NOITE DE MUITA ALEGRIA E DANÇA NO SARAU SOBRE A VIDA DO POVO CIGANO
Danças, declamações de poemas, causos, cantorias, muita alegria e fantasias no Sarau colaborativo, realizado no último sábado (dia 11/03/23), no Espaço Cultural a Estrada, que teve como tema “Uma Nação em Correrias” sobre a história e vida dos ciganos no mundo e no Brasil.
Os trabalhos foram abertos por Jeremias Macário com a recepção calorosa da sua esposa Vandilza Gonçalves. Antes de começar a palestra, Macário agradeceu a presença de todos amigos e amigas frequentadores do evento e de outros visitantes que pela primeira vez vieram prestigiar nossa festa cultural.
Jeremias, que está completando 50 anos de jornalismo profissional, destacou a importância do sarau nesses mais de dez anos de vida (dois anos parado por causa da pandemia), acrescentando que ele já tem sua história, personalidade e identidade própria.
Ao longo desses mais de dez anos foram debatidos muitos assuntos, como sobre escritores e poetas, os movimentos revolucionários de 1968, escravidão, história do cinema e da música, Nordeste e seu povo, educação, Castro Alves, Glauber Rocha, Graciliano Ramos, Tropicália e tantos outros temas, elevando os nossos conhecimentos.
Poderíamos dizer que foi uma noite iluminado pelo espírito cigano quando o palestrante Fagner Cruz começou a discorrer sobre história, origens e a vida dos ciganos, um povo em correrias empurrados de um lugar para outro para sobreviver. Orientado pelo professor Itamar Aguiar, ele fez uma dissertação de metrado com relação ao tema.
Fagner disse que não se sabe muito bem sobre as origens precisas de qual país os ciganos vieram. Segundo ele, historiadores apontam como vindos do Egito, da Grécia e de países da Ásia, mas existem fortes evidências de que partiram da Índia para a Pérsia e de lá se espalharam pelo mundo.
Para elaborar sua dissertação, Fagner entrevistou e até conviveu com algumas comunidades da região sudoeste onde constatou que nunca existiram políticas públicas dos governantes de assistência social, especialmente nas áreas da saúde e da educação, voltadas para o povo cigano, sempre vistos de forma estereotipada como bandidos, embusteiros, vadios, sujos, trapaceiros e vagabundos.
Ele criticou esse abandono e, na ocasião, lembrou das últimas perseguições policiais contra os ciganos em Vitória da Conquista quando muitos foram mortos e outras famílias escorraçadas do município de forma truculenta.
Por fim, o palestrante citou as etnias Calon e Rom, como as principais que vieram da Europa para o Brasil. A primeira, muito perseguida no reinado de D. João V (início do século XVIII), partiram da Península Ibérica como degredados e aqui chegaram ainda por volta do século XVI e XVII quando se instalaram no Campo de Santana, no Rio de Janeiro. Eram caldeireiros, funileiros, latoeiros e exerciam outros ofícios, inclusive artísticos e circenses.
Os rons de língua Romani vieram mais, na sua quase totalidade, da Europa Central misturados como imigrante no início do século XIX e tinham mais um tino artístico chegando a se apresentar na Corte Real. Como não tinham muitas opções de trabalho, muitos ciganos entraram no ramo do comércio de escravos de segunda mão. Foram também oficiais de justiça e depois negociantes de cavalos e bestas animais.
Houve uma participação ativa nos debates por parte dos presentes que não tinham muito conhecimento sobre os ciganos e queriam saber das curiosidades e da história desse povo que até hoje não tem uma nação só deles.
Depois do bate papo, todos caíram alegremente na dança ao som de músicas ciganas, a grande maioria de mulheres fantasiadas com suas saias coloridas. Foi um espetáculo à parte que coincidiu com a semana das mulheres.
O sarau prosseguiu com as cantorias de músicas populares brasileiras na voz e violão dos cantores e compositores Dorinho Chaves, Manu di Souza, Baducha e outros. Nos intervalos, mais declamações de poemas e causos com Dorinho e Jhesus que chegou mais tarde para abrilhantar nosso evento.
Foi mais uma noite cultural inesquecível no “Espaço A Estrada” onde se fizeram presentes Sheyla Alves, Jurandi de Oliveira, que também fez algumas apresentações musicais, Rose Emília, Armando Santos, Igor Brito, Viviane Gama, Karine, Rosângela, Sel, Baducha, Dorinho, Conça, Cleide, Manu, Maria Luiza, Leda Novais, Núbia e Núlia Coelho, professor Itamar Aguiar, Luiz Altério, Marta Moreno e Jhesus, além do palestrante Fagner.
A anfitriã da casa, Vandilza Gonçalves a todos recepcionou com dedicação e muito prestativa com os frequentadores que só deixaram o espaço lá pela madrugada ao raiar do dia, num ambiente cordial e de muita amizade.
Foi uma noite fraternal de muita troca de ideias, saber e conhecimentos, acompanhados de um bom vinho, cerveja e outras bebidas, sem falar nos tira-gostos e comidas saborosas. Como o sarau é colaborativo, todos entraram com suas contribuições. Durante as discussões foi criada uma comissão que irá dirigir e comandar os próximos saraus.
“FLUXO E REFLUXO” X
O TRÁFICO ILEGAL E OS ACORDOS
VIOLADOS PELA BAHIA E O BRASIL
Desde 1807/08 que a Inglaterra havia decretado a abolição da escravidão negreira africana e passou a fazer várias acordo e tratados com Portugal e o Brasil para pôr fim ao comércio de cativos, mas todos eles eram violados, culminando com a pressão inglesa de até uma ameaça de invasão territorial, em 1850 (Lei Eusébio de Queirós), quando os negociantes foram obrigados a parar com a atividade. Mesmo assim, alguns continuaram agindo ilegalmente.
No livro “Refluxo e Refluxo”, o autor Pierre Verger conta que em 1809 a Inglaterra concedeu um empréstimo de 600 mil libras esterlinas para o governo português, seguido de uma convenção entre as duas partes para pôr fim ao tráfico negreiro.
Uma aliança era assinada no Rio de Janeiro e o príncipe regente D. João VI, convencido das injustiças e da má política do comércio de escravos e de suas grandes desvantagens, resolveu cooperar com a majestade britânica na causa da humanidade e da justiça.
Na ocasião, se comprometeu que seus vassalos não seriam mais autorizados a traficar escravos em nenhuma parte da África que não fossem nas possessões da Coroa da Alteza Real nos territórios de Cabinda e Molembo.
Os negociantes da Bahia se manifestaram contrários e sempre davam seus jeitos para burlar as leis. Por volta de 1811/12, a Marinha da Inglaterra aprisionou dezessete navios e quase todos faziam o tráfico na costa da África.
De imediato houve uma grande reação. O conde de Linhares, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra de Portugal contestava, dizendo que a Inglaterra queria impor a extinção do comércio, o único a poder fornecer os braços indispensáveis às minas e às culturas do Brasil.
Para o ministro, esse fim do tráfico teria que ser de forma lenta e nunca pela força como a Inglaterra adotava, que irrita os negociantes. Afirmava ainda que os direitos da Sua Alteza de fazer o comércio nas costas de Bissau, da Mina, das Ilhas de São Tomé e Príncipe, como no Porto de Calabar, Cabinda e Molembo, devem ser respeitados, e nenhum dos navios apresados deve ser feito sem que todos esses pontos sejam discutidos.
Claro que a realeza da Inglaterra se colocava como protetor das nações infelizes. Lembrava das promessas feitas por Portugal e reafirmava que toda embarcação portuguesa empregada no tráfico se arriscaria a ser capturada.
As hostilidades da população da Bahia contra os ingleses se manifestavam sob forma de vexações e ameaças às tripulações dos navios britânicos que se abasteciam no porto. Salvador não tinha somente uma grande parte de responsabilidade neste tráfico, mas fornecia falsos contratos e documentos e bandeiras aos especuladores de carne humana de todas nações.
Portugal, Espanha, Inglaterra e França podiam ir de cabeça ao reino das sombras, pouco importava, contanto que seu precioso tráfico… pudesse ser mantido. Só o argumento da força poderia controlar. Os ingleses eram até acusados de fomentar revoltas que aconteciam na Bahia desde 1807.
Em 1815, o Congresso de Viena dava uma solução às divergências entre Rio de Janeiro e Londres a respeito da captura dos navios portugueses. A Inglaterra marcava um ponto e aceitava pagar 300 mil libras esterlinas para satisfazer as reclamações dos prejuízos dos navios. Os ingleses até renunciaram receber o empréstimo feito de 600 mil libras.
No entanto, dali em diante o tráfico ficava proibido na Costa da Mina. Mesmo assim, os traficantes baianos não se conformavam com a proibição e prosseguiam enviando seus navios para fazer o tráfico, apesar da vigilância dos cruzadores britânicos à repressão ilícita. Durante 35 anos, os baianos iriam continuar com suas atividades, e com numa intensidade maior do que na época que era legal.
Ainda em 1815, o conde dos Arcos enviava ao Rio de Janeiro um relatório no qual propunha o abandono do castelo de Ajudá em razão da extinção do tráfico ao norte do Equador. O governo do Rio de Janeiro não aceitava abandonar o estabelecimento.
Na Bahia reinava o estado de irritação contra os ingleses, cujo cônsul descrevia que o comércio não parava, citando que o número de escravos importados nesta cidade durante 1815 montava a quase sete mil. Ele denunciava as viagens ilícitas além dos limites prescritos pelo tratado.
Em março do mesmo ano, um número considerável de marujos portugueses reuniu-se às margens das águas da Cidade Baixa e atacou os navios britânicos em terra, com facas e bastões. Chegaram a matar um jovem inglês.
Para despistar a fiscalização, navios portugueses mudavam as bandeiras para as cores de outras nações, como a espanhola. Os armadores estavam decididos a continuar fazendo o tráfico na Costa da Mina. Os laços entre a Bahia e Uidá subsistiam e não estavam prestes a se romper. As revoltas de escravos aconteciam determinando um movimento de volta à África.
Os navios do tráfico não podiam ser apresados a não ser que fossem encontrados com escravos a bordo ao norte do Equador, e não podiam sê-lo ao sul, a não ser que a perseguição tivesse começado ao norte da linha. Os navios portugueses deviam estar munidos de um passaporte. O capitão e os dois terços da tripulação dos navios deviam ser de nacionalidades portuguesas.
Ocorreram outras convenções para acabar com o tráfico negreiro, como a anglo-brasileira de 13 de novembro de 1826. O Brasil era pressionado para ter sua independência reconhecida, mas havia grande resistência dos traficantes. O governo inglês dava a entender que as relações entre os dois países dependiam somente da proclamação ou não da abolição do comércio de escravos.
Em 1825, por exemplo, a independência do Brasil foi reconhecida por Portugal e Inglaterra, e pouco tempo depois um tratado foi assinado entre Brasil e Inglaterra para abolição do tráfico, feito em 1826.
Os ingleses tinham noção que o tráfico continuaria por um sistema de contrabando, com a conivência do governo brasileiro. Pelo tratado, ratificado em março de 1827, três anos mais tarde, em 1830, o tráfico deveria ter sido totalmente abolido no Brasil, mas não foi.
Os negociantes ilegais faziam através da bandeira francesa. O Cônsul inglês Charles Weiss comentava que, considerando a organização ineficaz da justiça deste país, e a opinião unânime de todas as classes do povo sobre a moralidade do tráfico e os motivos do governo britânico para tentar suprimir, está claro que nenhuma medida efetiva será tomada pelo governo brasileiro para abolir o tráfico, ou punir os culpados…
Veio depois a conhecida lei de 1831 e esta já é conhecida como “para inglês ver”. Segundo Pierre Verger, em 1831, o governo do Brasil tomava pelo avesso a política seguida por D. Pedro I (Abdicou-se do trono em sete de abril) e inclinava-se para a abolição do tráfico de escravos, completamente proibido em 1830, após o tratado.
Os principais interessados no comércio eram os portugueses estabelecidos no Brasil. Eles haviam acumulado grandes fortunas durante o tráfico em decorrência do bom convívio com o governo precedente. Dessa forma, os sentimentos antilusitanos eram levados em conta.
Uma série de revoltas e insurreições ocorreu na Bahia, especialmente nos anos de 1826/28/30. Ainda haviam prenúncios de eventos sangrentos. O artigo 1º da lei de sete de novembro de 1831 dizia que todos escravos que entrarem no território ou portos do Brasil vindos de fora, ficam livres, mas existiam exceções. A lei foi complementada por um decreto de 1832 regulando a reexportação dos negros que pudessem ser trazidos futuramente ao Brasil. Era justamente esta questão que gerava mais polêmica.
QUEM CUIDA DA NOSSA CULTURA?
CARTA ABERTA
Numa troca de ideias sobre a situação em que vive a nossa cultura em Vitória da Conquista, um grupo de artistas se reuniu e, de forma sensibilizada e indignada, resolveu fazer uma carta aberta às autoridades, relatando os pontos mais graves que atualmente atravessa o setor em nosso município.
Esta carta está circulando nas principais redes sociais para ser assinada por artistas e demais pessoas da sociedade para ser entregue ao poder público, principalmente ao legislativo e ao executivo. Infelizmente, como se tudo estivesse a mil maravilhas, poucos até agora aderiram à proposta. Fica, então, uma pergunta: Quem cuida da nossa cultura?
CARTA
Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, berço de Glauber Rocha e Elomar Figueira, precisa com urgência romper essa inércia na cultura que já viveu seus tempos de efervescência em todas linguagens artísticas, principalmente entre os anos 50, 60 e 70. Com tantos movimentos, chegou a ganhar a fama de cidade politicamente cultural.
Nos últimos anos, tudo isso virou mito. Os artistas de um modo geral dos setores da música, do teatro, da dança, da literatura, das artes plásticas, do audiovisual, da fotografia, artesãos e demais expressões se sentem decepcionados e desesperançosos com essa inércia do presente e de um futuro incerto desanimador.
Diante do exposto, em forma de manifesto, conclamamos todos artistas conquistenses a formarem uma frente única nesta carta aberta à sociedade em defesa da nossa cultura que tanto gera emprego e renda, e ainda devolverá à Vitória da Conquista o título de cidade cultural, com a volta dos festivais de música, teatro, dança, salões de fotografia e artes plásticas e feiras literárias.
A mudança desse cenário de inércia começa por essa mobilização dos artistas, subscrevendo este documento, divulgando seus anseios na mídia, em manifestações, mas é imprescindível o estímulo e apoio direto do poder público em suas atribuições legais de promover e realizar eventos culturais tão escassos em nossa cidade, hoje uma capital do sudoeste baiano.
Nesse conjunto de esforços para soerguer a nossa cultura, é importante também que o setor privado, as empresas em geral, se juntem a nós, acreditando que cultura é um investimento com retorno no turismo e proporcionando benefícios para as áreas do comércio e serviços.
Vivemos em tempos de acomodação e desânimo. Um exemplo disso é que hoje nossa Conquista, como bem expressam os músicos, vive limitada aos bares como opção de entretenimento e precisa retomar o caminho do crescimento cultural, a exemplo de outras cidades, até menores, onde acontecem festivais, eventos nas praças, feiras e centros culturais movimentados.
A verdade é que a nossa cultura hoje se resume aos calendários do São João e do Natal que ilumina bastante a praça e muito pouco a arte. É só vazio nos restantes dos outros meses. Necessitamos urgentemente preencher essa lacuna.
Para piorar ainda mais a situação, os equipamentos municipais, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, estão fechados sem definição de reformas e reabertura, sem falar na Praça Céus (J. Murilo) no Alto Maron, que funciona de forma precária.
Sem muitos exageros, é um quadro desolador. Para reverter essa situação, queremos a reativação desses pontos ou a construção de um centro cultural à altura da nossa cidade para a constante realização de eventos.
Nós, abaixo-assinados desta carta, queremos também a implantação de um Plano Municipal de Cultura que sirva de diretrizes básicas para o estabelecimento em lei de uma política cultural do poder público, que ocupe de vez esse vazio cultural.
Queremos tão somente o que nos é de direito constitucional que é o conhecimento, o saber, o fomento à cultura e o estímulo à diversidade artística de uma terra tão rica e talentosa nas artes, as quais, infelizmente, se encontram adormecidas. Queremos sair dessa inercia cultural.
Queremos o apoio de todos artistas, da sociedade em geral, dos jovens estudantes, professores, intelectuais, da Câmara Municipal de Vereadores, promotores culturais e demais interessados na subscrição dessa carta, tão fundamental para o desenvolvimento cultural e artístico da nossa cidade.
COMO ENTENDER O SER HUMANO?
Está lá bem visível, conforme mostra a imagem da nossa lente, que a vaga está reservada para o idoso, mas três motoqueiros estacionam seus veículos no lugar, num claro desrespeito ao estabelecido por um conjunto de lojas localizadas na Avenida Juracy Magalhães nas proximidades do Hotel Ibis. A própria foto já diz tudo e vale por mil palavras, mas temos que insistir num comentário, infelizmente, inglório neste país das leis que são feitas para serem transgredidas. Como entender a cabeça do ser humano? Ele é acima de tudo egoísta, individualista e hipócrita porque em público numa entrevista e numa mesa de bar são esses mesmos imbecis das motos que, no maior cinismo, defendem o respeito aos outros. O acinte é bem escancarado e se você for lá falar com eles pode levar até porrada ou ser morto, não importando se a pessoa é idosa e merece consideração. Vivemos numa sociedade primitiva brucutu dos tempos das cavernas, mas com celular na mão para fofocar, odiar, xingar, passar fake news e depois arrotar de que é um civilizado, mesmo não respeitando os outros. É uma terra de ninguém onde impera a lei do mais forte, do mais safado, do sem ética e daquele que só pensa em levar vantagem em tudo. Assim caminha a humanidade, mas, os mais otimistas acham que estamos indo em direção à harmonia e ao bem-estar igualitário de todos. Acredite se quiser e quem viver verá.
PORTA FECHADA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Como aranha a tecer sua teia,
Uma porta fechada,
É outra que se abre.
Assim é a vida, camarada,
Como onda levada,
Que espuma na areia.
Às vezes, bate em sua memória:
Sonhos do passado,
De caça e de caçado,
De porta fechada,
E de outra que lhe serviu,
Para conduzir sua história,
No calor ou no frio.
Não lamente e chore,
Se teve uma porta fechada.
O vento que assovia lá fora,
Traz depois a calmaria,
E sua porta se abre,
Para uma outra Maria.
A vida corta como sabre,
De uma porta fechada,
E de outra que se abre.
Se o futebol lhe deixou,
Médico, filósofo, cronista,
De poeta, professor ou artista,
O destino lhe reservou.
Não se apoquente, seu moço!
Você veio do ventre da terra:
É foice, facão e machado,
Montanha e serra,
Arrasto do arado,
Paz, amor e alvoroço.





























