O SONHO SOCIALISTA É POSSÍVEL
Quando menino via meu pai na roça dividir com outros vizinhos o pouco que produzia e, ao mesmo tempo, a vizinhança socorria os mais necessitados. No trabalho para a capina ou plantio se fazia mutirão do adjutório com cantorias alegres e fraternais. Na colheita havia a batida do feijão e do milho. Existia uma repartição entre as comunidades.
Somente depois de muitos anos quando me entendi por gente e fui estudar a evolução dos sistemas políticos, compreendi que isso na prática se chama socialismo. Não daqueles que logo rebate citando Cuba, a antiga União Soviética, a recente Venezuela, a Albânia e a Romênia, por exemplo, onde sempre prevaleceu o totalitarismo.
Não vou entrar aqui na questão dialética de Engls ou do marxismo, nem falar do anarquista Prudhon, tampouco na luta de classe gerada pelo capitalismo da Revolução Industrial. O socialismo é uma coisa tão simples de se entender tanto quanto se ver no campo entre os pequenos agricultores familiares, como nas favelas das grandes cidades.
Mirem no exemplo de tribos africanas e sociedades indígenas norte-americanas que viviam em aldeamentos socialistas na base da troca de mercadorias, onde o trabalho comunitário e seus frutos eram distribuídos entre todos de forma igual. Na verdade, o socialismo nasceu com os primeiros grupos primitivistas.
Numa discussão, quando se fala ou se defende esse sistema, logo aparece um montão de gente sem aprofundamento analítico para citar países onde a coisa não deu certo e houve torturas, ditaduras, matanças e atos totalitários tirânicos. Estávamos numa guerra fria e o capitalismo saiu vencedor.
Para essas pessoas, socialismo está ligado à tirania que leva ao fracasso. Tudo depende do conceito que se tem, como se democracia e liberdade não se combinassem com socialismo. É possível sim conciliar democracia e socialismo, como em Portugal, Alemanha (social-democrata), Noruega, Espanha, Finlândia e tantos outros.
No lugar de priorizar o social com políticas públicas para reduzir as desigualdades, a grande maioria prefere esse capitalismo selvagem, avassalador, predador e, antes de tudo, competitivo, sem se pensar na colaboração, na coletividade. Por natureza, o capitalismo é individualista onde cada um só pensa em si.
Numa palestra de negócios, vendas e de empreendedorismo empresarial só se fala em competição e quase nada de contribuição e solidariedade. Socialismo é palavrão e logo dizem que não deu certo em lugar nenhum, o que não é verdade. Está funcionando em muitas nações, e esse sonho é possível.
Estou falando de um socialismo com cara humana que divide o poder de decisões, e não aquele centralizador onde as riquezas e as mordomias ficam nas mãos daqueles que mandam, criando verdadeiras castas sociais. O capitalismo já faz isso com toda crueldade, parindo pobreza e miséria. Esquecem que a democracia em muitos países capitalistas não passa de uma fachada, que só serve aos poderosos.
Por que não pode existir socialismo com respeito à liberdade dentro de um regime democrático onde haja a participação de todos com direito a críticas. Além do mais, o socialismo prima pela educação e a saúde. É o maior defensor contra os preconceitos raciais, de gênero e condena o moralismo hipócrita da elite capitalista.
Tem gente que ainda diz que o socialismo é contra o progresso, a evolução tecnológica, o crescimento econômico e que é símbolo de atraso. É pura ignorância e falta de leitura. Não tem argumento e só sabe falar aleatoriamente que não deu resultado em lugar algum.
Num mundo onde quase um bilhão de pessoas passa fome, uma pequena minoria domina as riquezas e a maioria é excluída e discriminada, qual moral tem o capitalismo para afirmar que esse é o melhor sistema? O socialismo não é contra a competitividade, desde que seja saudável e todos tenham chances iguais. No capitalismo prevalece a lei do mais forte e do faroeste bang-bang.
Tenho certeza que com o socialismo democrático, sem a concentração voraz das benesses na mão do poder dirigente, o mundo seria bem melhor e a humanidade menos desigual. O sonho não acabou, mesmo diante do surgimento do extremismo de direita e do neofascismo, fruto desse capitalismo desregrado.
UMA COPA VERGONHOSA
Diferente de todas as outras, inclusive no final do ano, a Copa do Mundo do Qatar, um pequeno país encravado em pleno deserto arábico, pode ser considerada a mais vergonhosa da história, a começar pelo alto nível de corrupção e a escravidão trabalhista dos operários que construíram os estádios.
Em tudo o país sede é o único e se supera em exotismos e aberrações contra os princípios e direitos humanos. Terceiro maior produtor de petróleo e gás do planeta, o Qatar é dirigido por uma ditadura mulçumana onde a mulher é submissa e as pessoas não têm liberdade.
Tudo começou com escândalos, com a conivência da própria FIFA. Para realizar o evento, os dirigentes compraram os votos de várias confederações como a CONMEBOL e a Concacaff. Até o Michel Platini, da França foi subornado.
Outra questão foi o regime implantado de escravidão no trabalho dos imigrantes onde até seus passaportes foram retidos, com horários absurdos de servidão, sem as mínimas seguranças, tanto que morreram mais de seis mil durante as edificações das arenas.
Como lá quem manda são os petrodólares, a FIFA simplesmente fez vistas grossas. Por sua vez, é a Copa que vai mais emitir gases de efeito estufa na atmosfera porque todos locais vão funcionar com ar condicionado para controlar as altas temperaturas.
É a única Copa de Futebol do Mundo onde mochileiros não entram porque tudo lá é caríssimo, desde uma água mineral a uma hospedagem. É a Copa dos milionários numa cultura diferenciada da grande maioria dos países.
O Qatar tem cerca de três milhões de habitantes dos quais mais de 80% são de imigrantes, a maioria de indianos e países do Oriente Médio. Até o nível das seleções não é o mesmo da passada de 2018 e muitos craques estão se despedindo do futebol. A abertura entre o Gatar e o Equador foi horrível. Mais pareceu um “baba de várzea”.
As comemorações são feitas de “bico seco”, isto é, sem uma cervejinha. Existem outras nuances que se destacam das outras. Como já é a Copa das surpresas, a maioria negativas, pode até dar uma “zebra” na final e nenhum dos favoritos levar a taça.
A grande mídia só mostra o lado bonito, o fantástico de prédios suntuosos e até ilha artificial. O outro lado ela joga para debaixo do tapete. É a festa dos camelos e dos milionários em estádios e camarotes luxuosos. É uma Copa comprada, vergonhosamente!
A TERRA EM ROTA DE DESTRUIÇÃO
É tudo blábláblá cheio de discursos, promessas de ajuda dos ricos para com os pobres, abraços, confraternizações entre os povos, indígenas para todo lado, cocares, pinturas, falas inflamáveis sobre economia sustentável, energia alternativa, encontros entre chefes e chefões com direito a enxadas no final da festa para o plantio de árvores. A imagem sorridente gira o mundo. Todos se mostram felizes da vida. Mil maravilhas! Finalmente o planeta está a salvo!
Jornalistas de todas as partes de câmaras na mão clicando seus fleches e repórteres a tudo registrando. Movimentos com cartazes e entrevistas de líderes jovens e idosos. Muita euforia nos relatórios e documentos finais. As metas são traçadas para reduzir os gases tóxicos no ar; parar com os desmatamentos florestais; e conter o aquecimento global. Ah, existem ainda os contratos de vendas de carbono.
Todos sabem muito bem do que estou falando. São os retratos das conferências do clima (neste ano no Egito). Chamam de Cop 27. Depois os caciques das maiores potências arrumam suas malas de volta para suas casas e pedem aos seus súditos para consumirem mais e mais a fim de que o Produto Interno Bruto – o chamado rei PIB – cresça. Como consequência de tudo isso, mais lixo, mais sujeira e poluição no ar.
Os maiores produtores de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carvão e usinas movidas a diesel, principalmente, ora reduzem ora aumentam suas produções de acordo com as oscilações do mercado capitalista. E as guerras comerciais! Há anos falam em substituir as energias poluidoras pelas as limpas, mas o tempo avança e os projetos se arrastam.
Os projetos de economia sustentável são mínimos em comparação com o máximo de dióxido e metano jogados na atmosfera. A conta nunca bate em favor da preservação da terra. Atualmente são oito bilhões de habitantes vorazes que são induzidos a consumir, sobretudo produtos supérfluos, para gerar mais renda e emprego. A reciclagem não dá conta do volume desperdiçado.
Eles, os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, estão mais preocupados em soltar foguetes tripulados ou não para a Lua, Marte e descobrir novas estrelas. Os bilionários fazem seus passeios interplanetários, enquanto a nossa casa onde moramos vive em rota de bagunça, desavenças, guerras, intrigas e muralhas nas fronteiras para impedir a entrada de refugiados e famintos.
De tão castigada, não dá mais para a natureza esperar. Ela se revolta e sacode a terra com suas tempestades, tufões, ciclones, raios, demolições, deslizamentos de morros, terremotos, calor de até 50 graus, derretimento dos gelos polares, aumento do nível do mar e outras tragédias.
No açoite da chibata, os homens religiosos pedem socorro a Deus e até dizem ser castigo Dele. Logo mais teremos outra Cop, a 28, para analisar o avanço dos estragos e apontar os maiores culpados. Será que ainda há tempo para recuperação, ou não tem mais retorno? Como será o nosso planeta daqui a 100 anos?
“NINGUÉM ME CONTOU, EU VI – DE GETÚLIO A DILMA”
Do livro do grande jornalista, escritor, político e memorialista Sebastião Nery, ex-seminarista de Amargosa como eu, só que ele foi de uma safra bem antes de mim, trechos da sua obra que fala de Lula sobre o mensalão de 2002.
Em “Eu Vi o Mensalão Nascer”, Sebastião narra: “Tarde de sábado no restaurante Piantella, o melhor de Brasília. Lula havia ganhado a eleição presidencial de 2002 contra o tucano José Serra e estava em Porto Alegre, com José Dirceu e a cúpula do PT, discutindo com o PT gaúcho a formação do novo governo. Um grupo de jornalistas estava a um canto, almoçando e conversando sobre o país, eu junto.
De repente, entram nervosos, aflitos, os deputados Moreira Franco, Gedel Vieira Lima, Henrique Alves, da direção nacional do PMDB, começaram a discutir baixinho, quase cochichando. Em poucos instantes, chega o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Nem almoçaram. Beberam pouca coisa, deram telefonemas, saíram rápido. Nada falaram. Acontecera alguma coisa mais grave. Voltariam logo.
Um deles voltou e contou a bomba política do fim de semana. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, Lula encarregara José Dirceu, coordenador da equipe de transição e já convidado para ser o chefe da Casa Civil, de negociar com o PMDB o apoio a seu governo, em troca de ministérios de Minas e Energia, Justiça e Previdência, que seriam entregues a senadores e deputados indicados pelo partido.
Lula já havia dito ao PT que eles não podiam esquecer a lição da derrubada de Collor pelo impeachment, que o senador Amir Lando, do PMDB de Rondônia, relator da CPI de PC Farias, havia definido como uma “quartelada parlamentar”. No Brasil, para governar era preciso ter sempre maioria no Congresso. O PT tinha que fazer as concessões necessárias.
O primeiro a ser chamado era o PMDB, o maior partido da Câmara e do Senado. Lula mandou José Dirceu acertar com o PMDB, combinaram os três ministérios e ficaram todos felizes. Em Porto Alegre, na primeira noite, Lula encontrou a gula voraz do PT gaúcho, que exigia os ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Previdência.
Lula cedeu. Chamou Dirceu e deu ordem para desmanchar o acordo com o PMDB.
Dirceu perguntou como conseguiriam maioria no Congresso.
– Compra os pequenos partidos – disse Lula – fica mais barato.
Dilma virou ministra de Minas e Energia, Tarso Genro, da Justiça e a Previdência ficou para resolver na frente. E assim nasceu o mensalão.
O advogado Luiz Francisco Correal Barbosa disse ao Globo: Não só Lula sabia do mensalão como ordenou toda essa lambança. Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.
No dia 12 de agosto de 2005, em um pronunciamento, pela TV, a todo o povo brasileiro, Lula pediu “desculpas pelo escândalo”.
No mais, Sebastião Nery considerou Lula como amoral e diz no livro que somente os principais companheiros ficaram no banco dos réus, como Dirceu, Roberto Jeferson, Genoíno, Delúbio, Silvinho, Marcos Valério, Valdemar Costa Neto e outros, chamado pelo autor da obra como “organização criminosa”, uma quadrilha, chefiada por Dirceu, nas palavras do procurador-geral da República. O comando era de Lula, segundo Sebastião.
TODAS AS ARTES NO CINEMA
Quando criaram a televisão disseram que o cinema iria se acabar, o mesmo com relação ao e-book da internet de que era o fim do tradicional livro de papel. O VHS, o DVD, o celular e outros meios eletrônicos não conseguiram exterminar com o cinema porque ele é mágico na tela e representa todas as artes num só lugar. Cinema é música, literatura, teatro, dança, poesia, artes plásticas e escultura em seu desenho e arquitetura. A telona vai continuar atraindo público porque é a expressão de todas as artes numa só. Dito isso, quero só lembrar da 15ª edição da Mostra de Cinema de Conquista que está sendo realizada no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e se encerra nesta sexta-feira (dia 18/11). Desde terça-feira (dia 15/11) estão sendo exibidos bons filmes que tratam de questões sociais, do meio ambiente e da descriminação racial. Desde lá atrás, há 15 anos, a Mostra de Cinema de Conquista começou com Janela Indiscreta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, idealizada pelo saudoso Jorge Melquisedeque e com o criador do curso de Cinema pelo professor Itamar Aguiar. O Esmon Primo deu prosseguimento a esse trabalho e até agora já foram exibidos mais de 700 filmes vistos por milhares de conquistenses, pena que o setor empresarial dessa terra pouco tem contribuído. Aliás, nossos empresários locais, infelizmente, não são muito dados a colaborar com as iniciativas culturais da nossa Vitória da Conquista.
NÃO QUERO…
Autor: Jeremias Macário
Não quero vagar sem sentido,
Nem ver um amor se separar,
Nem perder de vista,
O horizonte azul do mar,
Nem fazer calar,
A voz do ativista,
Com sua ideologia,
Religião ou filosofia,
Cristã, judia ou mulçumana,
Tanto que seja humana.
Queria fazer o tempo parar,
Para nos livrar desse conflito,
Entre início e finitude,
De vida e morte,
Morte e vida,
Sem porta de saída.
Não quero mais ver refugiados,
De tantas etnias escorraçadas,
A chorar nas fronteiras farpadas,
Tratadas como chacais,
Numa marcha de desiguais.
Queria ver a arte do sorrir,
Ter o livro como lição,
Sem armas na mão,
Nem o açoite da chibata,
Que a alma mata.
Não quero ver,
Tanto indiferença e agonia,
Trilhar nessa distopia,
De caminhos de espinhos.
Nessa existência de aprendiz,
Tem o alegre e o infeliz,
Onde uns realizam seus planos,
Outros ficam nos desenganos.
OS RADICAIS CONTINUAM A PERTURBAR E A ESQUERDA DEVE CONSERTAR OS ERROS
Alguém me disse que o golpe militar vai sair de Vitória da Conquista através do Tiro de Guerra, comandado por um sargento que vai marchar até Brasília, fechar o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e anular as eleições. Conquista vai virar protagonista no noticiário nacional e internacional. David Salomão vai ser o porta-voz da Intervenção Militar e ministro da Defesa.
Não dá para acreditar, mas os imbecis (pior quem segue eles) continuam a perturbar e a bagunçar nas portas dos quarteis, dos Tiros de Guerra, dos batalhões e até das delegacias. Como se trata de manifestação contra a democracia e anticonstitucional, está na hora dos generais colocar ordem na casa; acabar de vez com essa baderna; e mandar todo mundo ir para suas casas.
No meio dessa desordem tem todo tipo de gente, desde os inocentes úteis manipuláveis, os fanáticos evangélicos, os extremistas de direita, os nazifascistas, homofóbicos, racistas e até gente que entra na onda cantando o hino nacional, marchando como palhaços, rezando em nome de Cristo e falando em pátria, família, tradição e liberdade, trocando as bolas e querendo que o juiz volte, anule o jogo e dê a vitória ao perdedor.
É a chamada virada de mesa, ganhar no chamado tapetão. Se o Brasil perder a Copa Mundial de Futebol, todos vamos protestar nas ruas para que a taça fique com os brasileiros. Vamos decretar guerra à FIFA e invadir sua sede na Suíça. Os movimentos vão ser em frente da CBF, nos estádios, nas portas das federações de futebol e nos clubes. As torcidas do Flamengo e do Corinthians vão quebrar tudo.
Agora imagina se o capitão-presidente tivesse vencido as eleições! Todos estariam até hoje comemorando o resultado e dizendo que as eleições foram limpas, mesmo com tantas sujeiras que ocorreram em seu transcurso, com fake news, bloqueios de eleitores nas estradas pela Polícia Rodoviária Federal e empresários do agronegócio injetando dinheiro para fechar as rodovias.
Como dizia o próprio Bozó, chega de mimimi! Vão ficar chorando até quando? Basta de frescuras! Acabaram as motociatas, os cercadinhos e os currais! Não mais tirar máscaras de crianças, xingar jornalistas, as mulheres e tratar os negros como arrobas. Sem mais desmontar os órgãos de fiscalização do Ibama e do Instituto Chico Mendes para deixar a boiada passar por cima do nosso meio ambiente. Sem mais garimpeiros clandestinos para expulsar os índios de suas terras!
DE PAU PARA CACETE
No entanto, como se diz no popular, mudando de pau para cacete, queremos mesmo é que a esquerda conserte seus erros do passado quando se meteu com gente da pior laia, ladrões, malfeitores, corruptos, salteadores, gananciosos e trapaceiros. Esta será a última chance do PT se redimir. Nossa história está repleta de absurdos.
Entendo que o Lula não deve só pensar em doar Bolsa Família, matar a fome, que são coisas que não dão para esperar. Como se diz, ela (a fome) tem pressa, mas não se pode ficar o tempo todo nessa de dar sem encontrar uma alternativa para que as pessoas passem a ter seu próprio sustento do trabalho. Nossa gente precisa é de dignidade e se sentir como cidadão integrado à sociedade. Nada de ser pária!
Nosso povo necessita urgentemente de autoestima. Basta de acomodação, submissão, humilhação nas filas e ficar totalmente dependente do dinheiro do Tesouro que é do contribuinte. Os governos têm que passar em priorizar a educação de base, com investimentos pesados para em futuro próximo substituir essa política do dar que serve mais como esmola.
Outra coisa absurda é ficar fazendo o papel de pai dos pobres e mãe dos ricos, enchendo mais ainda as burras de dinheiro dos empresários e aprofundando as desigualdades sociais através do aumento da concentração de renda nas mãos de uns poucos. Será que queremos isso para o Brasil, um capitalismo selvagem e uma elite burguesa oportunista que só pensa em seus interesses?
A única saída é um socialismo de distribuição das riquezas dando oportunidade a todos. Há anos que as cidades estão inchadas de miséria e pobreza, amontoadas nos morros e favelas. Só pensam no direito de propriedade e nada de uma reforma agrária que vem sendo projetada desde o império com a abolição da escravatura, sem se acabar de vez com a escravidão.
Ninguém quer saber de dividir para a todos progredir. Temos ainda que acelerar os programas de saneamento básico, cuidar da saúde do povo por que esse só dar não é a solução. Há trinta anos ou mais que esse esquema eleitoreiro e de compaixão perdura em nosso seio social enquanto a pobreza só aumenta. Os milhões de desempregados continuam no olho da rua. Milhares vivem debaixo das pontes, das marquises, das praças e dos viadutos se entregando às drogas, não como seres humanos, mas como vivos-mortos.
A VOLTA DA MOSTRA DE CINEMA CONQUISTA MARCA SUA 15a EDIÇÃO
Em sua décima quinta edição, a Mostra de Cinema Conquista – um olhar para o novo cinema, que passou dois anos sem se apresentar por causa da pandemia da Covid, teve início ontem (dia 15/11), às 19h30min, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, com dois curtas “Eu Carrego um Sertão dentro de Mim” (homenagem a Geraldo Sarno) e “Central de Memórias” (documentário), seguidos do longa de “Alice dos Anjos”, de Daniel Almeida.
A Mostra é uma idealização do saudoso Jorge Melquisedeque, seguida por Esmon Primo, mas sua trajetória teve a participação do professor Itamar Aguiar. Os trabalhos foram abertos com as presenças do secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai), do seu coordenador de Cultura, Alexandre Magno, representantes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb e cineastas presentes ao evento.
São quinze edições de democratização e acesso ao cinema brasileiro, mostrando um panorama atualizado de cada certame da significante produção cinematográfica surgida nos quatro cantos do nosso país. Durante esse período da Mostra de Cinema foram exibidos mais de 700 filmes de longas e curtas metragens contemporâneas, muitos inéditos em circuito nacional.
Os filmes estabelecem uma radiografia da nossa imensa identidade plural. Além das exibições, a Mostra proporciona – por meio das mesas temáticas, conferências, papo de cinema e oficinas com cineastas, professores e profissionais audiovisuais – uma reflexão sobre esta produção. Em 2022, a Mostra Cinema Conquista – ano 15, retornou em formato presencial.
A iniciativa conta com apoio cultural do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia, do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, TV Sudoeste, Uesb e outras entidades. Tem o apoio financeiro da Prefeitura Municipal por meio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. O Centro de Cultura esteve superlotado na noite de ontem.
A mostra de Cinema prossegue até o dia 18/11 com uma vasta programação de atividades, inclusive de seminários e oficinas. Nesta quarta, a partir das 15 horas, serão exibidos os curtas Muxima, de Juca Badaró, o Ovo, de Rayane Teles, Chão de Fábrica, de Nina Kopko, a Máquina Infernal, de Francis Vogner, O Retrato do Mal e Veneno, de Kauan Oliveiraos. Temos ainda os longas Fé e Fúria, de Marcos Pimentel, Carro Rei, de Renata Pinheiro e o Cemitério das Almas Perdidas, de Rodrigo Aragão.
Na quinta feira, também a partir das 15 horas, teremos vários curtas, como Stone Heart, de Humberto Rodrigues, Sideral, de Carlos Segundo, O Sonho de Zezinho, de Edmundo, Cabeça de Nego, de Deó Cardoso, entre outros, e dois longas, Manguebit, de Jura Capela e Madalena, de Madiano Marchheti por volta das 20 horas.
Na sexta, dia 18/11, segue a mesma programação no mesmo horário das 15 às 20 horas com uma série de curtas e longas metragens. Durante os dias 16, 17 e 18/11 serão realizadas mesas temáticas pela manhã e à tarde com diversos palestrantes, abertas ao público interessados, principalmente professores, cinéfilos e estudantes.
SARAU A ESTRADA VALORIZANDO A NOSSA CULTURA HÁ DOZE ANOS
Com o tema “Escravidão II” e subtema “A Marchar dos Abolicionistas e os Confederados Norte-Americanos”, os amigos do “Sarau Colaborativo A Estrada” fizeram neste sábado (dia 12/11), uma noite sublime de valorização da nossa cultura, com cantorias, declamações de poemas e causos. Tivemos uma parada de dois anos por causa da pandemia, mas retornamos com toda força.
Os trabalhos foram abertos com os informes do português Luis Altério sobre o lançamento, em breve, do livro de textos poéticos do jornalista Jeremias Macário e o anúncio do artista Dorinho Chaves do próximo sarau, no dia 10 de dezembro próximo, com o tema “Tropicalismo”. O evento será realizado em sua mansão no Bairro Brasil.
Em seu bate papo, Jeremias Macário destacou os quatro principais abolicionistas – o baiano e advogado rábula Luiz Gama, o pernambucano advogado graduado Joaquim Nabuco, o carioca farmacêutico José do Patrocínio e o baiano de Cachoeira, engenheiro militar André Rebouças.
Cada um com seu papel (em comum todos foram jornalistas) dentro do contexto da escravidão, todos desempenharam sua função para o avanço da Abolição em 1888, principalmente a partir de 1870 com o fim da Guerra do Paraguai, a Lei do Ventre Livre, em 1871, e a dos Sexagenários, em 1885.
Luiz Gama, o único de origem social pobre que amargou o cativeiro durante oito anos, conseguiu com suas defesas libertar mais de quinhentos negros das garras dos senhores fazendeiros. Joaquim Nabuco, o branco “Quincas, o Belo”, era mais moderado e achava que a Abolição era coisa para os políticos e as instituições. Em sua opinião, os negros não deveriam se envolver nessa luta da libertação. Foi também um reformador do Império.
José do Patrocínio, o sarará, mais afoito e brigão, fazia a população delirar em seus comícios e movimentos. Sofreu muito com o preconceito. Monarquista, foi ele quem deu o título à princesa Isabel de “A Redentora”. André Rebouças foi um dos que mais se atormentou com a discriminação racial, especialmente quando esteve nos Estados Unidos (Nova York) e foi barrado nos hotéis e restaurantes. Isso lhe fez entrar num processo profundo de depressão. Foi para África do Sul e de lá para a Ilha das Madeiras onde faleceu. Num certo dia, seu corpo apareceu boiando no rio.
Sob a batuta do diretor ´musical Mano Di Souza, que trouxe seus instrumentos e equipamentos, foi montado um palco onde Marta Moreno, Cleide, Dorinho, Aurelício Oliveira Amorim, cantando de sua autoria “Mãe Preta”, e outros abriram a voz para prestigiar a música popular brasileira. Foi mais uma noite fraternal e memorável. Até o nosso professor Itamar Aguiar, o maior frequentador do nosso sarau, se revelou numa cantoria acompanhando Mano e outros.
O sarau, como sempre, abriu espaço também para os poetas e contadores de causos (Dorinho Chaves) que declamaram poemas de suas autorias, como a poetisa Regina Chaves. No mais, o papo rolou com a troca de ideias sempre no âmbito da cultura, sem essa discussão de política partidária que procuramos sempre evitar.
A anfitriã do “Espaço Cultural a Estrada”, Vandilza Silva Gonçalves a todos recebeu com muita dedicação, brindando os participantes do encontro com uma deliciosa dobradinha que, segundo José Carlos, o atrasado, foi de rezar e lamber os beiços, no que os demais concordaram.
Odete Alves Marlini, representante da Casa da Cultura (olá Poliana, sentimos sua ausência) a tudo registrou nas redes sociais e foi uma autêntica assessora de imprensa e relações públicas. Participaram ainda do nosso evento cultural colaborativo, a professora da Uesb, Lídia Nunes Cunha, Humberto Lima de Oliveira, Sônia, Rosângela de Oliveira, Conça Andrade, Alexsandra, Rodrigo Celino e outros convidados. Para finalizar, as cantorias e as declamações vararam a madrugada num ambiente cordial, divertido e de intercâmbio de conhecimentos.
O PROCESSO DO BRANQUEAMENTO
Na onda da abolição da escravatura, os senhores fazendeiros e latifundiários começaram em pensar na substituição da mão de obra escrava africana pelos imigrantes europeus já com a ideia introduzida por alguns intelectuais sobre o processo de branqueamento do povo brasileiro. A primeira leva começou logo por volta de 1846 com a chegada de prussianos e da região da Bavária.
Centenas começaram a chegar aos portos brasileiros que antes recebiam os cativos vindos da África. Os colonos recebiam diversos incentivos, como passagem entre a Europa e o Brasil, hospedagem durante os oito primeiros dias após o desembarque e transporte terrestre para toda família, tudo por conta do Tesouro Nacional. Cada adulto receberia uma subvenção pessoal de 150 mil réis. As crianças teriam direito à metade.
De acordo com Laurentino Gomes, autor da trilogia “Escravidão, a importação de colonos estrangeiros era um projeto antigo, ainda da época da corte de D. João VI, em que foram criados pequenos núcleos com alemães e suíços, mas o plano foi adiado devido a abundância de mão-de-obra cativa.
O programa foi retomado com a proibição do tráfico negreiro, em 1850, através da Lei Eusébio de Queirós. A partir dali os preços dos escravos começaram a disparar, mesmo com a comercialização entre as províncias, despencando após a Lei Áurea de 1888.
Segundo Laurentino, entre 1886 e 1900, com o estímulo à imigração, o Brasil receberia cerca de 1,3 milhão de europeus, 60% dos quais eram italianos. Isso era quase o dobro de toda população escrava existente no país no ano da Abolição. O projeto era uma questão de sobrevivência nacional.
Os próprios abolicionistas Joaquim Nabuco e André Rebouças defendiam a criação de um imposto territorial como forma de acabar com o latifúndio improdutivo, democratizar a propriedade da terra e atrair imigrantes de outros países. André Rebouças, inclusive, defendia a reforma agrária, coisa que provocou a ira dos fazendeiros até com movimentos de revolta.
Nabuco acreditava que a redução do latifúndio estava ligada ao fim da escravidão como forma de acelerar o desenvolvimento do país. Dizia que era preciso destruir a obra da escravidão. O manifesto da Confederação Abolicionista, fundada em 1883, no Rio de Janeiro, acusava os grandes latifundiários e o sistema escravista de levar o país à ruína ao inviabilizar todo incentivo ao trabalho livre.
“O hábito de distribuir sesmarias era praticado pela Coroa Portuguesa ao longo de todo período colonial, mas o sistema foi sendo desvirtuado após a Independência do Brasil pelas relações de promiscuidade entre o governo imperial e sua base de apoio agrária”- destacou Laurentino. Havia um limite para a área de terra a ser doada de até 12 mil hectares. Depois da independência passou a valer a lei do mais forte, chegando a mais de 200 mil hectares.
Ao contrário dos Estados Unidos, a Lei de Terras Brasileira ergueu barreiras à aquisição dela tanto por parte de negros libertos como de imigrantes pobres que chegavam da Europa. No entanto, havia exceções, como no caso dos confederados norte-americanos.
A lei dos EUA, em 1862, atraiu mais de 5 milhões de imigrantes. Na mesma época, no Brasil, o número não passava de 50 mil. A lei de 1850, conforme descreve Laurentino, foi responsável por boa parte do legado de desigualdades e concentração de privilégios que marcariam o futuro do país.
No âmbito da imigração, a primeira tentativa partiu do senador Nicolau dos Campos Vergueiro, um traficante clandestino de escravos africanos. No começo do século XIX, Vergueiro conseguiu da Coroa vastas poções de terras na região de Piracicaba, Limeira e Rio Claro.
Em 1846 ele iniciou o assentamento de imigrantes na fazenda Ibicaba pelo sistema de parceria. Os colonos assinavam um contrato pelo qual o fazendeiro pagava as passagens, transporte e alimentação até o local de trabalho. Em troca, o colono assumia o compromisso de cultivar as lavouras até ressarcir o proprietário, com 6% de juros por ano. As primeiras famílias vieram da Bavária e da Prússia. Vergueiro colocava o colono na situação de escravo branco.
O tratamento dispensado pelos feitores era semelhante ao vigente nas antigas senzalas. Como resultado, houve uma revolta de estrangeiros na fazenda Ibicaba, em 1857. As denúncias de maus tratos levaram alguns países, como a Prússia, a proibir a vinda de imigrantes para o Brasil.
A TEORIA DO BRANQUEAMENTO
Além de substituir a mão-de-obra cativa, Laurentino assinala que a chegada dos colonos cumpria a tarefa de realizar um dos projetos mais acalentados pela elite brasileira escravocrata no século XIX, o de branqueamento da população, sob a influência das teorias raciais onde se dizia que o negro era inferior e que deveria ser devolvido para a África.
Um dos maiores defensores dessa teoria foi o juiz, deputado e crítico literário Sílvio Romero, desde 1881. “ A vitória na luta pela vida, entre nós, pertencerá no povir ao branco” Ele defendia a extinção do tráfico de africanos e o desaparecimento dos índios, e de outro, a imigração europeia.
Também, o médico Domingos José Nogueira afirmava ser preciso aperfeiçoar a raça no cruzamento do africano com o mulato e este com o branco. O deputado alagoano Aureliano Cândido ia mais longe quando enfatizava que um Brasil só habitado por brancos teria sua riqueza triplicada.
O médico francês Louis Couty foi um dos principais teóricos da inferioridade racial do negro. Era misógino e racista atém a raiz. Couty via a mulher negra somente como objeto sexual que qualquer um poderia possuir.


























