abril 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  


COMO NASCEM OS EXTREMISMOS?

O EXTREMISMO NÃO É SOMENTE DE DIREITA, MAS TAMBÉM DE ESQUERDA. PARA O EXTREMISTA, A “COMPAIXÃO É PARA OS FRACOS”!, COMO DIZIA O PRUSSIANO NIETZSCHE.

É uma pergunta difícil de se responder, mas a história da humanidade nos ensina que o extremismo surge a partir da decadência de um povo órfão de lideranças confiáveis. Na tempestade, o extremista se agarra no primeiro tronco ou árvore que encontra, não importa se suas raízes são podres. Lembra daquele filme “Da Terra nascem os Brutos”?

Costuma-se dizer que esse rebanho desnorteado, errante, desregrado e sem respeito ao convívio social com outras pessoas é alvo fácil dos extremistas. Muitos dos extremismos nascem das religiões e desembocam no fanatismo. Extremistas saem debaixo da terra quando seus líderes fraquejam e outros surgem prometendo redenção e o reino dos céus.

O Antigo Testamento, por exemplo, que deu origem ao judaísmo com Abraão, Jacob, Moisés (os dez mandamentos), profetas e os reis David e Salamão, com muitos códigos baseados nas leis de Hamurabi, criou um Deus carrasco, impiedoso e vingativo para punir os maus costumes chamados de pecados da carne.

Depois veio Cristo com uma pregação filosófica humanística para condenar o moralismo extremista dos hipócritas fariseus e daqueles que se achavam acima das leis. Esse mesmo cristianismo, posto para uns amarem os outros e viverem em paz, caiu no extremismo dos papas, num convívio promíscuo entre poder e Estado.

Na mesma linha, 500 ou 600 anos depois de Cristo, aparece o extremista Maomé com o islamismo, que tentou impor sua religião em Meca. Não conseguindo, fugiu para Medida e de lá volta com um exército para eliminar os ditos infiéis na denominada guerra santa. O Alcorão é outro livro com passagens e importações extremistas. Ele dizia guiar seu povo perseguido e intencionava dominar o mundo através de seus califados.

A própria Igreja Católica também enveredou para o extremismo com suas vendas de indulgências, torturas, imposições e inquisições contra aqueles que seus líderes consideravam pagãos, bruxos e hereges. Os Cruzados também se achavam no direito de eliminar os árabes muçulmanos de Israel.

Por volta de 1500 Martinho Lutero e João Calvino fazem a ruptura religiosa do extremismo católico que abusava do seu poder para explorar a fé cristã e escrevem sua própria Bíblia luterana-calvinista para contestar uma moral decadente. Logo depois se tornam também extremistas.

Com o tempo, o que veio para combater o extremo vai dando lugar a outro extremo, como aconteceu com as correntes do protestantismo através dos evangélicos fanáticos, mas antes disso tivemos o fascismo de Mussolini, na Itália, e o nazismo hitlerista, na Alemanha, justamente aproveitando a decadência dessas nações que perderam as esperanças em seus líderes. O mesmo ocorreu com o comunismo de Lenin e Stalin para derrubar o extremo de um Czar já enfraquecido.

O nazifascismo prometeu a supremacia racial, soerguer as nações, acabar com a devassidão e tirar o povo da escravidão social e política, como fez Moisés perante os Faraós. A bola da vez eram os judeus, os ciganos e minorias.

Na terra prometida de Moisés brotaram os extremistas. Nas circunstâncias de desespero, esses líderes, psicopatas ou não, conseguem arrebanhar seguidores e multidões. Só eles estão com a verdade absoluta, sejam de direita ou de esquerda. Não aceitam ser contrariados.

NO BRASIL

Em nosso país, essa extrema-direita teve início há mais de 20 anos através de pastores evangélicos fanáticos, aproveitando a miséria e a ignorância do nosso povo abandonado e esquecido pelos governantes. O extremismo também tem raízes na pobreza, na disparada da violência, na desagregação familiar e nas mudanças do novo, não aceitas por eles pastores que guiam as mentes fracas.

O extremismo no Brasil é um somatório de fatos desde os atos de corrupção e desvios de conduta do Governo do PT diante das promessas de ética e honestidade para corrigir os malfeitos. Veio a Operação Lava-Jato e o povo foi se sentindo traído e decepcionado. Os evangélicos conservadores aproveitaram para adentrar ao poder.

O estopim culminou com o mandato de Dilma, uma líder fraca, vulnerável e manipulável que cometeu vários erros políticos. Veio a onda das corrupções e seu governo não conseguiu decolar. O povo foi para as ruas e tudo terminou com o golpe civil-parlamentar.

No meio das manifestações, uma boa maioria era de fanáticos extremistas, muitos dos quais evangélicos, que gritavam ordens de moral, família e tradição contra o PT, com o slogan “Nunca Mais”. Para dar voz aos esqueletos macabros medievais que saíram do armário apareceu o Bolsonaro, o “Bozó” psicopata genocida que há anos já expressava suas ideias racistas, misóginas, homofóbicas e autoritárias ditatoriais na Câmara dos Deputados.

Sua senha era justamente o “PT Nunca Mais” e aí o circo foi pegando fogo. Prometia moralizar os costumes, exterminar os “infiéis” pecadores taxados de comunistas e demônios vermelhos. Foi a partir disso que os extremos foram saindo de suas locas com paus, pedras, facões, facas, porretes, revólveres, fuzis e até metralhadoras através do incentivo ao armamento coletivo como salvação da sociedade.

O lema fascista moralista sempre foi pátria, família e tradição contra o que eles acham de baderna democrática essa coisa de igualdade social e de gênero para todos. Quanto ao resto, todos sabem muito bem no que deu e aconteceu com as eleições e a invasão desses bárbaros extremistas às sedes dos três poderes, no dia 8 de janeiro, com o objetivo de implantar uma ditadura militar.

PETROLINA/JUAZEIRO OU VICE-VERSA

O lado da cidade de Petrolina

Meu caro amigo jornalista e companheiro Carlos Gonzalez me sugeriu fazer uma crônica sobre Petrolina/Juazeiro, ou vice-versa Juazeiro/Petrolina. Topei a tarefa e lá vou eu com minhas impressões e digitais para agradar a uns e desagradar a outros, mas é assim mesmo com quem se atreve a escrever: Tem que dar a cara a tapa.

Quando estive em Juazeiro pela primeira vez, início da década de 70, foi numa excursão universitária para intercâmbio cultural e disputar uma partida de futebol, mas tudo virou em farra nas boates da noite e nelas me embriaguei até o dia clarear. Terminei me casando com uma juazeirense sangue bom.

Vista de Juazeiro

Uma das primeiras coisas que ouvi nos papos era que Petrolina simbolizava trabalho e Juazeiro diversão, esbórnia, curtição, festas, boemias, paqueras e tudo começava no famoso bar-restaurante “Vaporzinho do Saldanha”, encostado na orla do Rio São Francisco, ou o “Velho Chico”. De lá, depois de uns goles, se partia para as noitadas bregueiras e etílicas.

Admiro Petrolina por ser mais desenvolvida e avançada política e socialmente, mas amo Juazeiro das memoráveis lembranças dos anos 70 e 80 com uma turma da “pesada”, como Renatinho, Bubu. Nivaldo presepeiro, Márcia, Regina, Toinho humorista, Toló, Jorjão, que nunca tinha dinheiro na carteira, Titinho, minha ex-mulher, Rutinha e outros que apareciam nas horas dos programas malucos.

Orla de Petrolina

A noite era mesmo uma criança e não se tinha hora para voltar. A gente nem ligava para as muriçocas, sempre famosas em Juazeiro. Elas que se incomodavam com o bafo das bebidas e o sangue embriagado. Era só deitar e se entregar aos braços de Orfeu.

Meus dois primeiros filhos nasceram em Juazeiro porque a mulher queria ficar perto da família e lá estava eu com os amigos para aquela comemoração que parecia não mais terminar. Nos carnavais, então, era um tal de cheirar lança-perfume e até loló, sem falar em outras coisas. Inventavam até o esquema de brigar com a mulher para sair sozinho.

Vista da cidade de Juazeiro

As coisas mudaram e Juazeiro hoje não é mais o mesmo da vida noturna intensa (muitas boates fecharam), mas continua sendo mais atrasado que Petrolina. A ponte separa e, ao mesmo tempo, une as duas cidades nordestinas, uma de Pernambuco e a outra da Bahia.

Na última viagem no início do mês ouvi de um jovem sentado ao meu lado num bar em Petrolina de que os prefeitos de Juazeiro são todos safados, preguiçosos e corruptos, que não levam o crescimento para a cidade. Seria falta de representantes fortes no Governo do Estado?

Praça do Índio em Juazeiro

A orla de Juazeiro é mais bagunçada e suja. A de Petrolina mais limpa e com maior estrutura. Uma parte da ponte do lado de Petrolina é mais larga e apresentável, diferente da outra fronteiriça a Juazeiro. As mudanças são bem visíveis quando se entra na Bahia vindo de Petrolina.

Os anos se passaram desde quando conheço as duas cidades, cerca de 50, e sempre tenho ouvindo que a pernambucana é bem mais desenvolvida. Dizem que os prefeitos baianos são os culpados por Juazeiro ter ficado para trás, ou o próprio povo.

No entanto, numa coisa as duas não têm do que se queixar, pois são abençoadas pelo “Velho Chico” que empresta suas águas para irrigar os campos de uvas, mangas, melões, melancias e outras frutas. É isso meu amigo Gonzalez, senão terei que me alongar e ficar enfadonho para os poucos leitores que temos atualmente nessas magras eras culturais.

 

Orla de Juazeiro

NO CENTRO HISTÓRICO DE CANAVIEIRAS O DESTAQUE PARA A GALERIA DO PORTO

Uma cidade aprazível e acolhedora para os turistas com belas praias, localizada entre Ilhéus e Porto Seguro, no sul da Bahia, O Centro Histórico de Canavieiras precisa de urgentes reparos, pois alguns casarões estão abandonados e outros caídos. A própria igreja matriz de São Boaventura carece de serviços de pintura externa e interna.

A última reforma do centro foi realizada nos anos 90 no Governo de Paulo Souto, conforme consta de uma placa. Outro problema sério é a sujeira na orla do rio Pardo que desagua no mar, bem como do rio Patipe.  Barcos velhos e o lixo poluem o rio ao ponto de exalar mau cheiro.

Mesmo assim, o Centro Histórico é bastante visitado por turistas principalmente à noite no conjunto de bares e restaurantes com música ao vivo. É uma cidade sossegada que proporciona maior descanso para quem não gosta de muita agitação, como Porto Seguro, Salvador e Morro do São Paulo.

É uma boa opção para curtir as férias. Para quem sai de Vitória da Conquista por Itapetinga, entrando em Potiraguá, as estradas estão péssimas e em alguns lugares nem existe mais asfalto. Na BR-101 você roda mais 40 quilômetros em direção a Ilhéus até o entroncamento de Canavieiras, passando por Santa Luzia. A partir dali não existe mais asfalto e o trecho é bastante perigoso.

No Centro Histórico, o maior destaque é a Galeria do Porto ou museu, como queira, de um colecionador suíço de nome Cristie. São objetos raros e antigos de grande valor, como uma cama no formato de um leão, uma vitrola, telefones, máquinas de costurar, ferros de passar roupa, mesas de madeira de lei, bonecas, quadros e outros itens preciosos.

As praias formam uma paisagem à parte com várias opções para os turistas, com uma boa estrutura de cabanas, mas os preços não são nada agradáveis, especialmente nessa época do ano. Logo na entrada, o visitante é recebido por uma grande escultura de um caranguejo, uma marca de Canavieiras pela fama dessa iguaria que está cada vez mais escassa pela exploração predatória do homem.

DEMOLIÇÃO DA PREFEITURA DE PIRITIBA É CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO PÚBLICO

De passagem por Piritiba, Piemonte da Chapada Diamantina, onde tenho fortes lembranças quando moleque no início da década de 60, confesso que fiquei triste quando vi o tapume indicando a demolição do antigo prédio sede da prefeitura, símbolo da criação da cidade por volta de 1954 ao se desmembrar de Mundo Novo.

A derrubada, segundo moradores porque o telhado estava deteriorado, vai dar lugar a uma praça em homenagem ao primeiro mandatário da nova cidade Carlos Ayres de Almeida, o que não justifica sr, prefeito Samuel Santana! Isto não passa de um crime contra o patrimônio público, coisa do nosso Brasil que tem a cultura perversa de demolir nossa história e apagar a memória.

Recordo muito bem daquela sede na conhecida “Rua do Rico”, próximo da feira e a primeira via a ser calçada, se não me engano, no segundo mandato de Joaquim Sampaio, o “Quinzinho”. Da minha amada Piritiba tenho fortes lembranças como moleque onde vendia doces de leite, lenha e água (lenhador e agueiro no lombo de jegues).

No início dos anos 60 quase todas ruas eram no chão, como a atual Praça Getúlio Vargas onde com outros amigos batia o sagrado baba nos finais de tarde perturbando moradores e donos de bares em torno da área. Lembro do primeiro cinema onde a sensação eram os filmes de faroeste com torcidas para Zorro, o cachorro Ritimtim, Búfalo Bill, Roy Rogeres e outros heróis norte-americanos.

Recordo muito bem das molequeiras e brincadeiras de chicotinho queimado, esconde-esconde, pau de bosta, bola de gude, das brigas com meninos de outras ruas e claro, dos furtos de manga e frutas nos quintais e nas roças. Matava aula no Colégio Almirante Barroso para tomar banho no rio Maxixe. À noite ia para a estação de trem carregar malas dos passageiros para ganhar umas moedas, ou tostões. Os ganhos serviam para a compra de revistas em quadrinhos.

Era uma cidade ainda bebê e eu tinha uns 13 ou 14 anos, mas bem antes disso vendia farinha na feira com meu pai, produzida nas fazendas Queimadinha e Caldeirãozinho. O tempo foi passando e vi a cidade se evoluindo com aquele casarão onde abrigava a prefeitura, um prédio antigo que deveria ser preservado e não demolido para dar lugar a uma praça sem muita serventia.

Pela Piritiba, que tem como padroeiro o Senhor do Bonfim, que me criou e ensinou as primeiras letras para seguir em outros estudos em terras diferentes, fica aqui, sr. prefeito, vereadores e a comunidade piritibana, meu veemente protesto por terem consentido derrubar um prédio que nunca deveria ter sido caído, mas reformado e utilizado para outros fins. Malditos tratores e maldito o homem que destrói sua história!

UM POUCO DA SUA HISTÓRIA

De acordo com pesquisa do Google, o Município de Piritiba, está localizado no Piemonte da Chapada Diamantina, no centro do interior baiano. Possui clima ameno, (temperatura média de 25° C), devido a sua altitude.

A região foi desbravada em 1883, e tudo começou na Fazenda Cinco Várzeas de propriedade do Cel João Damasceno Sampaio, que era totalmente coberta pela Mata Atlântica. Possui um bom número de rios e riachos, quase todos temporários, com exceção do Rio Jacuípe que corre o ano todo.

O Cel João Damasceno Sampaio, tinha um grande sonho: Ser o fundador de uma grande cidade. Em 1925, começou a realizar sua vontade. A história do município começa na sede da “Fazenda Cinco Várzeas”, chamada de “Sobradinho”, de propriedade de João Damasceno Sampaio, no ano de 1925.

Conta Francelino França da Silva, fiscal de rendas da Prefeitura Municipal, que o sr. João Damasceno, mandou chamar á sede de sua fazenda, o sr. Manoel Nazeozeno Lopes, mais conhecido como Manoel de Alcino, homem com vasto conhecimento prático de agrimensura e desenho, e pediu para o mesmo providenciar a medição e o projeto de uma cidade que faria construir dentro de sua propriedade.

A princípio, o sr. Manoel de Alcino, pensou tratar-se de um sonho maluco, pois não achava o local muito adequado para se construir uma cidade, devido a escassez de água tendo em vista que o riacho que passava pelo local era temporário. Mesmo assim, providenciou a medição e o projeto do loteamento, com suas ruas e praças e o entregou a João Sampaio. Este sem perder tempo, convocou um agregado de sua fazenda de nome Manoel Apolônio e mandou limpar o local e convocou alguns parentes para iniciar a construção das primeiras casas.

João Sampaio ia vendendo os lotes para os que podiam pagar. Os que não tinham recursos, ele doava para pagamento posterior em caso de venda. Neste tempo estava em construção a Estrada de Ferro da Companhia Brasileira de Estradas de Ferro, sendo que em 1927, os primeiros trilhos chegaram à Fazenda “Cinco Várzeas”, e começou a ser construída a Estação Férrea, a casa do Chefe da Estação, as casas dos feitores e dos demais trabalhadores (cada grupo de trabalhadores era chamado de “Turma”).

Este fato trouxe enorme impulso à vila que já se formava, pela quantidade de pessoas que trabalhavam ou que eram fornecedores de matérias (dormentes), e que viviam em função da Estrada de Ferro. Assim foi chegando gente de todos os lugares no chamado povoado Cinco Várzeas.

A partir dali foi construída uma feira no local. Essa feira foi realizada em baixo de umbuzeiro e, segunda a narração de Francelino Silva, além da primeira banda do boi trazida por Horacio Marcelino, só tinha pra ser vendido, um carneiro e um porco abatidos, uns quatro sacos de farinha, um saco de feijão, e mais algumas bobagens. Isto aconteceu em abril de 1928.

O CRESCIMENTO

Em 1932, na gestão do prefeito de Mundo Novo, Raul da Costa Vitória, o povoado de Cinco Várzeas, foi elevado à categoria de Distrito de Paz, sendo nomeados as primeiras autoridades, como o  juiz de Paz Jose Umbelino, Escrivão de Paz Jose Maria de Lima, subdelegado Januário Marques, Fiscal Municipal Francelino França da Silva. Nesta época também chegou o 1° médico para o distrito que foi o Dr. Julio Olimpio da Cruz, agente da estação João Jeanbastian.

Em 1933, com a chegada da Estrada de Ferro, o povoado de Cinco Várzeas, passou a denominar-se de “Povoado do Junco”. Em 05.04.1934 o Decreto Estadual 8.881, criou o Distrito de Cinco Várzeas, para ser mudado novamente em caráter definitivo para o nome de “Piritiba”, através do decreto estadual 11.089 de 30.11.38.

Ainda no mesmo ano chegava ao distrito os primeiros professores públicos, nomeados pelo estado: Osvaldo Macedo, designado para Andaraí e sua esposa D. Anna Macedo, para Cinco Várzeas. Lecionaram por longos 35 anos.

Com a inauguração da Estrada de Ferro, em 1934, o distrito de Piritiba teve um grande impulso em seu desenvolvimento comercial, pois começaram a chegar comerciantes vindos de Juazeiro, Saúde, Jacobina, Senhor do Bonfim, Salvador, e outros locais, tornando o movimento na Estação Ferroviária muito intensa.

O distrito exportava gado bovino, farinha de mandioca, mamona, dormentes, coco babaçu e ouricuri, pó de palha do ouicurizeiro, além de receber diversas mercadorias oriundas de Jacobina, Senhor do Bonfim, Juazeiro e Salvador. Em dezembro de 1939, desembarca em Piritiba, pela Estrada de Ferro, o Dr. Carlos Ayres de Almeida, a convite do farmacêutico Aloísio Cedraz. Ambos trabalhavam no Distrito do França.

Nessa época existia um grande surto de malária, principalmente às margens do rio Jacuípe que dizimou várias vidas. Após concluir o seu trabalho naquele distrito, Dr. Carlos Ayres fixou residência em Piritiba, vindo a ser posteriormente um grande batalhador pela independência política da nossa cidade, culminado por exercer o cargo de prefeito, eleito que foi em 03 de outubro de 1954.

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Um fato mudou o destino do distrito de Piritiba através de uma epidemia de febre tifoide e disenteria bacilar, motivados pelos detritos de um matadouro público, localizado no terreno onde hoje é a Delegacia de Polícia. O Dr. Carlos Ayres, preocupado com o problema da saúde pública, comunicou o fato ao prefeito de Mundo Novo, Dr. Adalberto S. Campos, pedindo providencias, e obteve como resposta a indiferença e a omissão.

Um dia, aproveitando a visita do prefeito ao distrito, uns quatro homens pediram que a prefeitura mandasse tapar os buracos e varrer as ruas, pois estes serviços há muito tempo não eram realizados. Mais uma vez a resposta do prefeito que não gostava do distrito, segundo Dr. Carlos Ayres, era detestável, pois feria a dignidade e a honra das pessoas que aqui viviam.

A revolta com o descaso como eram tratadas as reivindicações do nosso povo, por partes das autoridades municipais de Mundo Novo, despertou num jovem médico um desejo de liberdade política para o distrito de Piritiba, fazendo uma convocação aos homens do lugar, para a luta pela Emancipação.

João Sampaio, indignado com tudo o que estava acontecendo, viajou para a capital, manteve vários contatos com políticos e conhecidos e quando voltou, trouxe um mapa do futuro município de Piritiba, com os limites já delineados, num trabalho digno de louvor.

Formou-se então uma comissão encabeçada por Dr. Carlos Ayres e mais Joaquim Sampaio Neto, Carlos Brandão da Silva, Milton Almeida Sodré, entre outros, e após vários contatos, a Assembleia Legislativa, assinou a Lei 503 de 27 de setembro de 1952 pelo então governador Dr. Régis Pacheco, concedendo a Emancipação Política de Piritiba, desmembrando do município de Mundo Novo.

O Sr., Otavio Souza Santos foi nomeado gestor por 02 anos, até o advento das eleições que seriam realizadas em 03 de outubro de 1954, quando foi eleito o 1° Prefeito de Piritiba, o Dr. Carlos Ayres de Almeida, do PSD, que disputou a eleição com o Sr. Dionísio Almeida, da UDN.

Após dois meses de mandato do prefeito Carlos Ayres de Almeida, as pessoas influentes de Mundo Novo conseguiram tornar sem efeito a Lei 503 que emancipou politicamente Piritiba, voltando nossa cidade à condição de distrito de Mundo Novo.

Na mesma semana chegou à cidade uma comissão formada pelo prefeito de Mundo Novo, Sr. Osvaldo Vitória, pelo Juiz de Direito da Comarca de Mundo Novo, e o Pe. Nicanor, com a missão de tomar posse da prefeitura.  Dr. Carlos Ayres, prefeito de Piritiba, resistiu e informou que só entregaria o cargo ao governador do Estado, o Dr. Antônio Balbino.

Nesse ínterim, uma multidão de piritibanos já estava em frente à prefeitura, o que intimidou a comitiva mundunovense que bateu em retirada. Uma semana após este incidente, o prefeito de Piritiba, acompanhado do Sr. Davino Soares e o Sr. Milton Sodré foi recebido em uma audiência pelo governador Antônio Balbino, que apoiou a atitude assumida pelo prefeito e declarou que enquanto fosse governador do Estado, a Prefeitura de Piritiba continuava sob a administração de Dr. Carlos Ayres, que assim pode cumprir o seu mandato, mesmo contrariando a Lei que revogou a emancipação.

Em março de 1958, faltando oito meses para a realização das eleições para prefeitos dos municípios, uma comissão encabeçada pelo prefeito Dr. Carlos Ayres, volta novamente a Assembleia Legislativa, agora com o apoio do Deputado Dr., Waldir Pires que abraçou a causa dos piritibanos e colocou em tramitação a Lei 140 que foi aprovada e restaurou a Emancipação Política de Piritiba.

Essa Lei foi assinada pelo governador Dr. Antônio Balbino, no final do seu mandato. Em retribuição, Piritiba através de suas lideranças deram uma votação histórica ao deputado Waldir Pires, de 1.033 votos num Colégio Eleitoral de 3.800 votos aproximadamente.

A nova eleição foi realizada, em outubro de 1958, desta vez saiu vitorioso o Sr. Joaquim Sampaio Neto (PSD), que derrotou novamente o Sr. Dionísio Almeida UDN).

A gestão de Joaquim Sampaio Neto foi corada de êxito, tendo então Piritiba a oportunidade de se desenvolver urbanisticamente. O prefeito Joaquim Sampaio Neto providenciou o calçamento de ruas, melhorou as estradas vicinais, construiu pontes e mata-burros, escolas, prédio da Câmara de Vereadores, recuperou o prédio da Prefeitura Municipal entre outras obras. O terceiro prefeito foi José Batista Viana Neto, entre 1962-1966.

“BR2466 OU A PÁTRIA QUE O PARIU”

Uma mistura de contonetas com croniquetas, se me permite os termos esdrúxulos meu amigo crítico literário e filósofo Nélio Silzantov a respeito do seu novo livro “Br2466 ou a pátria que os pariu”, numa capa antropofágica que nos lembra faces de pinturas humanas da idade média. Seu livro é como abrir a porta para receber um grande amigo para prosear por horas.

Quem sou eu para fazer uma análise mais profunda sobre sua linguagem curta e direta do cotidiano da vida rodriganiana, numa interação copular entre a língua falada e a escrita, sem medo de se expor aos mais conservadores. As expressões são como bofetadas de pelicas em nossas faces.

Em muitos capítulos, fáceis de serem digeridos, como “Toda insanidade é uma forma desesperada de adestrar um marido”, Nélio fala de renovação dos votos de amor para um marido culpado pelo casamento ter sido motivo de falatórios. Ela acreditava que em suas veias corriam o sangue dos bravos selvagens, mas “teu sangue é ralinho”.

Em “O amor não é tudo o que importa”, o autor desnuda as relações sexuais entre Adrielly e Otoniel que tudo faz para não transar com a mulher. “O amor não é tudo o que importa, repetia em seu íntimo, enquanto buscava reacender o tesão observando as silhuetas daquela apetitosa esposa deitada ao seu lado, que àquela altura, cansada de esperar pelo pau mole do marido, devia estar sonhando qualquer coisa num sono profundo”.

Otoniel era fixo nos estudos, mas “sua carreira de escritor não passava de um exercício intelectual, visto por parentes e amigos como um hobby utópico e narcisista que lhe rendia mais despesas, desdenho dos pares e frustração pessoal do que lucro e conformidade aos valores nacionais resguardas pelo Estado”.

Em seus contos ou croniquetas, como já dizia meu saudoso amigo Sérgio Fonseca que falava várias línguas e transbordava conhecimento sem ser reconhecido, nosso Nélio dá as suas porradas nessa sociedade hipócrita, corrupta e sem ética política e social.

“O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, minha querida. Estamos felizes agora?, é claro que estamos. Mas e quando a miséria que se alastra por todo canto bater à nossa porta? As ruas já não abrigam mais os infortunados de outrora” diz o seu personagem. “Sonhar acordado, como dizem, não paga imposto”.

Se em seu romance “Desumanizados”, Nélio escancara a realidade do ser humano, da forma como ele é, em seus contos-croniquetas de “Br2466 ou a pátria que os pariu”, de linguagem accessível, Nélio observa o cotidiano da vida e o transpõe em textos concisos e reais que somente ele consegue fazer.

De fácil e prazerosa leitura, Nélio joga com a política, o social e o comportamento das pessoas, com críticas ácidas que fazem o leitor parar para refletir sobre seu eu existencial.  Bem verdade quando afirma que o “Estado é uma máquina de triturar homens”.

“Br2466 é a diversão com uma mistura de temas inusitados, como a ideia de um regionalismo puro sangue, a dedicação de Deus para criar um Rei do Brega e o comportamentalismo que envolve cabras e poluções noturnas” – como bem assinalou o prefaciador Leonardo Araújo Oliveira, professor do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagem da Uesb.

 

INTOLERANTES DEMOCRÁTICOS

Carlos González – jornalista

Pesquisa Datafolha mostra que 93% dos brasileiros condenam os atos antidemocráticos promovidos por bolsonaristas no último dia 8, em Brasília; outra consulta popular revela que mais de 50% dos evangélicos aprovam a invasão, acompanhada de destruição, aos prédios do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Palácio do Planalto.  

Essa desproporção entre as duas pesquisas afasta qualquer dúvida que ainda havia sobre os autores dos atos de intolerância religiosa, praticados contra a Igreja Católica e as religiões de raízes africanas.  

Denúncias às autoridades policiais têm sido feitas em todo o país, inclusive em Vitória da Conquista, relatando destruição de imagens sacras seculares e atos de vandalismo nos terreiros de candomblé. .A interrupção de uma missa solene em Aparecida, no Dia da Padroeira, por bolsonaristas – o ex-presidente Jair Bolsonaro estava entre o fieis – embriagados, foi condenada pelos católicos.  

Os evangélicos, extremamente dedicados aos seus superiores nos templos da Assembleia de Deus e Igreja Universal do Reino de Deus, alimentam há décadas a ideia de tomar o poder no Brasil. O “enviado de Deus” chegou em 2018, trazendo na bagagem a negação à ditadura militar (1964-1985) e uma expulsão do Exército por indisciplina.  

Nos últimos quatro anos, Jair Bolsonaro presenteou regiamente aquelas pessoas que lhe colocaram à frente do Executivo, nomeando-os para cargos nos primeiro e segundo escalões do governo, – dois devotados ministros foram nomeados para o STF -, a maioria deles sem nenhum preparo para a função que exerciam.  

A derrota de Bolsonaro nas urnas em outubro passado não estava na imaginação de bispos, pastores e apóstolos, que pretendiam desfrutar dos favores do governo por tempo indeterminado, colocando em prática as normas da doutrina fundamentalista. Maus perdedores, divulgaram pelas redes sociais a idéia de que houve fraude nas eleições presidenciais, e convocaram seus apoiadores para uma jornada antidemocrática, na certeza de que as Forças Armadas acreditariam nas suas mentiras.  

 Não há mais dúvida da participação dos evangélicos na montagem e manutenção dos acampamentos em frente aos quartéis do Exército, contrariando a Bíblia, que faz opção pelas armas espirituais (orações, jejum e a palavra de Deus). Os tresloucados imaginavam que as muralhas da democracia, representada nas casas dos Três Poderes, cairiam facilmente, graças ao poder divino, como caíram em 1315 aC as muralhas de Jericó.  

O ambulante José (nome fictício) aproveitava a movimentação dos golpistas em frente ao QG do Exército, em Salvador, para vender picolé, quando recebeu uma oferta de R$ 400 para fazer “turismo” em Brasília. Nem pensou. Embarcou num ônibus que lhe deixou num acampamento a 8 kms da Praça dos Três Poderes.  

José deixou o acampamento na tarde do dia 8 como um dos milhares de autodeclarados “patriotas” de uma marcha pacífica, na opinião do governo do Distrito Federal. Finalmente ia conhecer as casas da democracia do seu país. Mas o que ele presenciou foram atos de terrorismo, com a depredação do patrimônio público e o confronto violento entre golpistas e policiais.  

No calor das batalhas, um policial e sua montaria foram confundidos com os comunistas que, segundo os golpistas, se infiltraram na marcha. Agredidos, o soldado Leles e o cavalo “Drácula” foram feridos por objetos cortantes. O PMDF agradeceu nas redes sociais aos que se preocuparam com ele, escrevendo: “O Senhor dos exércitos nos guardou. Bendito seja o Senhor, minha rocha, que ensinou minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra”.     

Com exceção da intolerável música sertaneja, os neonazistas têm aversão a tudo o que diz respeito à cultura, contrariando seu doutrinador, Adolf Hitler, que se apoderava das obras de arte dos países conquistados, além de ser um admirador da música clássica, principalmente das peças do compositor alemão Richard Wagner.  

Os brasileiros foram testemunhas da destruição do nosso patrimônio cultural na invasão ao Planalto. Eu mesmo fui vítima desse retrocesso cultural: uma réplica do quadro “A Guernica”, adquirido no Museu do Prado, em Madri, foi destruído por uma fanática, sob a justificativa de que eram demônios as figuras criadas pelo famoso pintor espanhol Pablo Picasso.  

Os milhares de bolsonaristas presos em Brasília não significam que estamos num clima de paz. Os inimigos do Estado Democrático de Direito não vão desistir facilmente de tomar o poder, mesmo com a condenação das maiores lideranças mundiais e da maioria do povo brasileiro. Não vamos esquecer que a partir de fevereiro o Congresso Nacional receberá algumas das figuras mais reprováveis do condenável bolsonarismo.  

 

 

UMA VISITA À FAZENDA CALDEIRÃOZINHO

Foi como entrar no fundo do túnel e reviver os tempos de menino criança quando plantei e capinei feijão, milho e mandioca com meu pai durante os anos mais difíceis, principalmente nas épocas de seca em que quebrava coquinho de ouricuri e fazia paçoca para matar a fome.

Da mandioca fazíamos farinha e beijus com ajuda da minha mãe e nos sábados na madrugada era pequeno tropeiro na terra de chão batido, com lamas nas chuvas, tocando jumentos com cargas dos produtos da roça até a feira de Piritiba. Era uma labuta diária e dura para termos o pão que nos alimentava.

Lembro ainda menino naquela roça na localidade conhecida até hoje como “Caldeirãozinho” que há mais de 40 anos não o visitava, o que veio acontecer somente agora nessa viagem de retorno de Juazeiro quando passei por Piritiba onde aprendi as primeiras letras no Colégio Almirante Barroso.

Foram muitas as recordações e histórias que me deixaram emocionado, como do pequeno açude “Caldeirãozinho” onde tomava banho todas as semanas. Ali aprendi a ser trabalhador honesto e enfrentar os desafios da vida com meu pai, inclusive cuidando de um arrozal contra a invasão de passarinhos.

A visita me trouxe uma carga de outras lembranças, como das prosas dos compadres nas bocas das noites com bules de café, dos adjutórios, das cantorias nas batidas de feijão, das idas aos domingos no distrito de Andaraí passando pelo povoado da Tabela e quando parti para estudar em Amargosa no seminário de padres Nossa Senhora do Bom Conselho.

Foi muito prazeroso tomar uma gelada com minha esposa Vandilza na Tabela, no bar do Betão, onde encontrei gente que conheceu meu pai naqueles velhos tempos. Revelaram que nunca viram uma pessoa trabalhar tanto, ao ponto de fazer serviços de dois homens numa roda de ralar mandioca. Ele mesmo fazia sozinho a casa de farinha.

Seu Denga disse sorrindo e brincando que ele ganhava para seu “Lunga” nas tiradas diretas quando lhe perguntavam o óbvio. Era um “casca dura” no bom sentido, mas homem de palavra e de bom coração.

Cismado e direto quando tinha de falar com alguém, mesmo que fosse seu amigo, às vezes ficava tempos sem falar com alguém até se aproximar novamente da pessoa, sem rancor e mágoas.  Lembro quando me dizia com firmeza para ir estudar e não ficar como ele puxando o cabo da enxada, como um ignorante.

A estrada continua a mesma, mas muitas casas desapareceram como a de seu Antônio Barbosa que uma vez, por descuido ou barbeiragem, atropelou minha mãe num fusquinha. Ficou preocupado com a reação do meu pai que não era brincadeira.

De toda viagem de Vitória da Conquista para Juazeiro e no retorno, foi o local que há anos planejava ir para reviver minhas verdadeiras raízes e origens. Posso até afirmar que foi o “Caldeirãozinho” que me deu régua e compasso para ser o que sou hoje.

CAPELINHA DA TABELA, EM PIRITIBA

A TECNOLOGIA ULTRAPASSADA

Nem tanto antiga assim, mas com os avanços acelerados das pesquisas, ninguém mais se fala através de um telefone público. Numa viagem pelo sertão da Bahia até Juazeiro me deparei com essa peça que caiu em total desuso, mas ainda continua lá como relíquia de museu e nos faz lembrar daqueles tempos das moedas e dos cartões telefônicos. Havia até filas para alguém se comunicar com um amigo ou parente, muitas vezes distante, em outros estados. Podia ser para namorar, dar notícias da vida e a negócios urgentes. As lentes da minha máquina flagraram duas peças dessas, um no povoado de Jenipapo, em Jacobina, e outra na Tabela, um lugarejo rural pertencente a Piritiba onde me cresci moleque. Naquela época o fogão era a lenha e quase não se tinha energia elétrica, a não ser movida pelo motor a diesel. No interior, nem se falava em telefone, quanto mais o público. Na tecnologia atual, pouco se fala pelo telefone, mas através de mensagens, vídeos ou áudios nos celulares móveis que ninguém larga da mão por nada, até na hora de comer e tomar banho, inclusive de mar. Virou um vício para a grande maioria, para não dizer uma droga. Para uns, o antigo era os melhores tempos. Para outros as coisas mudaram para melhor, mesmo com a violência e os assaltos.  É o avanço da tecnologia que vai deixando rapidamente as inovações para trás, sem uso e ultrapassadas.

O SERTÃO EXUBERANTE!

Depois que batem as chuvas, o sertão do semiárido brota exuberante de encher os olhos, como observei nas paisagens verdes saindo de Vitória da Conquista para Juazeiro. As flores se abrem, as águas jorram para todos os lados, os rios transbordam e a terra fica viçosa para alegria do sertanejo que vê chegar a fartura.

Logo partindo de Conquista, na boca do sertão para Anagé, o colorido toma conta com árvores floridas que substituem os engaços cinzentos dos tempos da seca onde só o mandacaru, os cactos e a palma sobressaem, para tristeza do homem do campo que fica sem água e alimentação para si e seus rebanhos.

As duas épocas servem de contrates nas lentes das máquinas fotográficas e ambas produzem lindas fotos, umas de desolação e outras de esperança e fé. As reportagens são diferentes, mas enchem as páginas dos jornais, e as imagens ilustram as televisões e as redes sociais.

Os açudes, tanques e barreiros secos voltam a dar vida com as chuvas, como nos últimos meses. Dá gosto ver a natureza renovada e sentir o vento cortante balançar as árvores exuberantes, como os ipês e outras espécies da caatinga.

Os animais se alimentam da seiva de barriga cheia. Os sapos saltam das lagoas e as aves cantam com mais harmonia. Todos agradecem a fartura. Os frutos ficam mais saborosos, como os umbus e até me aventureirei nos matos para catar essas delícias.

Pena que o homem não aprendeu zelar por toda essa riqueza natural e ainda joga lixo nas estradas e derrama esgotos e detritos nos rios. Toda essa sujeira pode ser vista nas corredeiras e nas margens dos rios e riachos, poluindo nosso amado meio ambiente.

É o sertão forte e bonito de se ver. Entristece a alma quando bate a estiagem e o sertanejo é obrigado a se retirar para outros rincões mais distantes da sua terra natal. É bom retornar, mas é necessário refletir e mudar de comportamento quando se trata de preservar a natureza que ela nos presenteia com suas dádivas.

Confesso que fiquei encantado em ver toda essa exuberância nos mais de mil quilômetros de viagem, mas em minha mente também passavam os fleches dos engaços e bagaços, dos carros-pipas levantando a poeira das estradas para abastecer as cisternas desse semiárido tão castigado que os governantes pouco dão a devida assistência e apoio para se conviver com as secas.

 

DO SUDOESTE, NORTE E SUL

NOSSO SÃO FRANCISCO CONTINUA MALTRATADO

Foi uma viagem que me fez lembrar dos velhos tempos que saia de férias cortando estradas de carro por vários estados, especialmente na região Nordeste, da qual me orgulho em apreciar suas lindas paisagens e interagir com a cultura das pessoas.

Foram cerca de quinze dias e quase três mil quilômetros percorridos com minha companheira e parceira Vandilza Gonçalves.  No início do mês atravessamos a Chapada Diamantina por várias cidades históricas, como Ituaçu, Barra da Estiva, Mucugê, Andaraí, Rui Barbosa, entre outras, rumo a Juazeiro, no norte da Bahia.

Nem é preciso dizer o quanto prazeroso ver um sertão exuberante e colorido que há sete meses estava entre os engaços e bagaços da sequidão. Muita água nos rios, tanques, açudes e barreiros, sem falar das corredeiras das cachoeiras e das árvores coloridas, como dos ipês amarelos.

Foi uma viagem para rever amigos e parentes mais próximos, como minha filha Cíntia e primos. Prazer por mais uma visita ao “Velho Chico”, dessa vez transbordando, mas ainda necessitando de revitalização. No retorno fizemos o roteiro por Senhor do Bonfim, Jacobina e Piritiba, com a mesma finalidade.

Felizmente as estradas estão recuperadas, o que facilitou esse trajeto sem aquele cansaço e irritação quando se depara com buraqueiras. Mesmo assim, falta acostamento nas estaduais. Vimos coisas que não gostamos, como as sujeiras por esgotos nas margens do rio São Francisco.

Procurei me desligar dos assuntos mais polêmicos e falar de assuntos mais leves sobre a vida e outras fofocas de parentes que sempre estão no script, mas fui arrebatado com a invasão dos vândalos e terroristas aos três poderes, no domingo dia 8 de janeiro.

Procurei deixar o espírito fluir com as prosas dos caboclos e caboclas nas paradas estratégicas. É bom sentir aquela aconchego sincero e hospitaleiro das pessoas simples que nos recebem com presentes nas saídas. Mesmo com essa tecnologia de doido, ainda existe vida.


CACHOEIRA NA CHAPADA, EM ANDARAÍ

Em Jacobina, no povoado de Jenipapo, onde moram uma das minhas irmãs e sobrinhos, um senhor já idoso gostou quando falei que residia em Vitória da Conquista. Lembrou dos tempos de caminhoneiro e foi logo dizendo que a cidade era dividida em duas pela Rio Bahia, ou BR-116, uma era Vitória e a outra era Conquista. Não quis se convencer que era em duas zonas, a oeste e a leste.

Papos engraçados e muitas estórias, como em Piritiba, mais precisamente na localidade chamada de Calderãozinho onde me criei ainda menino. Foi como entrar no túnel do tempo no chão que plantei mandioca e transportava farinha em lombos de jumentos com meu pai.

SUJEIRAS DE ESGOTOS NO RIO PARDO, EM CANAVIEIRAS

Não sabia que era tão famoso por aquelas vizinhanças dos povoados da Tabela e Andaraí. Aquele jeitão rústico e “bruto” do velho deixou suas marcas com suas cismas, mas, principalmente, por ser um homem de palavra, coisa que não mais existe.

De Vitória da Conquista fomos ver o mar nas praias de Canavieiras, saindo do norte para o sul da Bahia. Pela rota de Itambé, Itapetinga e Potiraguá, entramos na BR-101 e saímos em Santa Luzia até o trevo para Canavieiras.

O cenário de boa parte das estradas é de buraqueiras e, em alguns locais, como próximo a Potiraguá, nem existe mais asfalto. Um verdadeiro sofrimento para os turistas que descem de Brasília e Goiás.

De Santa Luzia até perto de Canavieiras, a situação é precária com alto risco de acidentes. Uma vergonha para o governo baiano que faz propaganda enganosa sobre vias que ainda se encontram em estado de conservação.

Fiquei triste com as sujeiras que vi nas margens do rio Pardo que desagua no mar. O homem continua destruindo a nossa natureza, não sabendo que terá um retorno desastroso.

No centro histórico, carente de reformas, muitos casarões estão abandonados, mas compensa visitar a Galeria do Porto de um senhor suíço por nome Cristian que criou um verdadeiro museu com antiguidades preciosas e raras. No mais, sentimos na pele a carestia e a exploração, como sempre, dos turistas nesta época do ano.

 

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia