“FLUXO E REFLUXO”
O tráfico negreiro baiano no Golfo do Benin entre os séculos XVII e o XIX tem muita semelhança com o tráfico de drogas praticado no Brasil de hoje, considerando suas intrigas, conflitos, mortes e descumprimento das ordens dadas pelas autoridades de Lisboa, os diretores das fortificações e os vice-reis da Bahia, conforme relatos do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger em seu livro “Fluxo e Refluxo”.
Claro que o autor não faz essa referência, mas lendo sua obra e analisando o que acontece atualmente com as redes de traficantes de drogas e armas, os métodos aplicados para trazer escravos da Costa da Mina (Golfo do Benin) para as lavouras e a mineração brasileira eram bem parecidos. Prevalecia a lei do mais forte e tudo mera resolvido no derramamento de sangue.
No tráfico negreiro existia um intrincado de corrupções e uma disputa acirrada pelos negócios, tendo como moedas principais o tabaco da Bahia, a cachaça e o ouro de Minas Gerais. O fumo era muitas vezes adulterado, bem como a bebida e o ouro contrabandeado. Além das guerras entre os reis de Daomé e outras etnias, em Ajuda ou Uidá, as brigas também ocorriam entre as fortalezas portuguesas, francesas, inglesas e as forças holandesas.
As cartas trocadas entre os vice-reis da Bahia, os capitães de navios, diretores das fortificações e seus mandatários colonizadores eram recheadas de intrigas, difamações, calúnias e desrespeito às regras emanadas pelas coroas de cada nação europeia. Era como se fosse uma terra de ninguém e vencia o mais astuto e o mais forte.
As conspirações andavam soltas naquela zona perigosa e o diretor da fortificação portuguesa em Ajuda, João Basílio, por volta de 1743/45 foi vítima de uma delas. Foi preso injustamente, padeceu numa cadeia imunda da Bahia e morreu à mingua. Seus filhos foram vendidos como escravos, tudo por causa de calúnias de outros traficantes que não concordavam com suas ordens.
De acordo com pesquisa feita por Pierre Verger em “Fluxo e Refluxo”, ele e o tenente Manoel Gonçalves embarcaram em Uidá e foram saudados pelo forte francês com uma salva de nove tiros. Dali seguiram ao longo do litoral com escala na Bahia onde foram feitos prisioneiros pelas autoridades da cidade.
Eles eram acusados de terem abandonado, com grande prejuízo para a Fazenda Real, a fortaleza de Ajudá. Em outra parte, cita que todos os bens de João Basílio e de Manoel Gonçalves foram sequestrados por ordem do provedor-mor da Fazenda Real. Tiraram deles até as roupas.
O vice-rei conde das Galveas dizia que o Basílio foi condenado injustamente. Outro que caiu em desgraça foi o diretor Francisco Nunes Pereira. Na Costa da Mina ou Sotavento, o comércio negreiro era uma tremenda bagunça. Não havia organização e os preços dos cativos variavam de acordo com a oferta e a procura.
Da Bahia, 24 navios eram autorizados a negociar, mas existia uma ordem que, enquanto um capitão estivesse no porto, outro não poderia entrar, só que os traficantes não obedeciam. Muitas vezes, o rei de Daomé nomeava seu próprio diretor para a fortificação de Portugal, passando por cima da Coroa de Lisboa e do vice-rei da Bahia.
Como o único meio de comunicação era através dos navios, as medidas e diretrizes passadas para os diretores do forte de Ajuda caducavam. O mesmo acontecia do Golfo de Benin para a Bahia e Lisboa. Uma missiva para Portugal transitava primeiro na Bahia para depois chegar o reino. Muitas vezes duravam seis meses para se saber da morte de uma autoridade.
CADA DIA
De autoria do jornalista Jeremias Macário
O celular nosso de cada dia,
Santificado seja a internet,
Que nesse reino nos conecte;
Dai-nos hoje, oh Senhor!
Os sinais das redes sociais;
Perdoai nossas ofensas;
Livrai-nos das falsas crenças,
Dos ônibus da lotação,
Desse cartão consumidor,
Das dívidas de cada dia.
Cada dia é novo existir,
De um colorido pôr-do-sol,
Um outro de porvir;
Não nos deixai-nos só,
Nesse tempo de cada dia.
Cada dia acordo com você,
Minha razão de ser;
Sem seu amor,
Não sei mais como viver.
Tem a estradeira poeira,
Para enfrentar o desafio;
Tem dia sem saída,
Outro da vida sorrir,
Um de nascer, outro de partir,
Como diz o cancioneiro,
Cada dia vai ter que sofrer,
Vai ter que vencer,
Varrer o seu terreiro.
Deus e o diabo na terra,
Como canta o Moreira,
Uns subindo a serra,
Outros descendo ladeira,
No tempero de cada dia,
Nos feitiços da Bahia.
“JOÃO DE BARRO”
Dizem os mais sábios que a natureza é sábia, e um dos exemplos está na ave chamada “João de Barro” no construir da sua casa, conforme mostra a imagem das nossas lentes flagradas numa mangueira. A sua morada é perfeita porque até a sua entrada é feita de acordo com a direção do vento. Cada pássaro faz seu ninho que nenhum artesão consegue imitá-lo por mais semelhante que possa parecer. O “João de Barro” é um engenheiro e artista que não trabalha com números e equações, mas com sua sabedoria natural. Mesmo com as adversidades do tempo, com chuvas, temporais e ventos fortes, sua casa não desmorona, ao contrário dos seres humanos onde sempre um prédio está vindo abaixo. O “João de Barro” não precisa de escola, empreiteiro corrupto e arquiteto que faz cálculos errados. Ele trabalha pacientemente, ponto por ponto, e só usa para abrigar seus filhotes quando tudo está completo e seguro. São os mistérios da natureza que o homem perverso e predador só faz destruir.
FEVEREIRO É DO CARNAVAL
Depois de dois anos, por causa da pandemia, fevereiro volta a ser sinônimo de carnaval, principalmente em Salvador. O ano de trabalho na Bahia só começa mesmo a partir de março. Tudo na capital da informalidade, onde se registra um dos maiores números de pessoas inadimplentes do Brasil, é só festa desde início de dezembro. São três meses que não se faz quase nada.
Os organizadores da folia e a própria Prefeitura Municipal anunciam uma movimentação de quase dois bilhões de reais em negócios, só não falam que a maior parte desse bolo vai cair nas mãos dos mais poderosos donos de trios elétricos, agências de vi8agens, empresas de aviação, montadores de estruturas, os hotéis, as empresas de bebidas e o setor de propaganda.
O resto, ou as migalhas, ficam para os donos de barracas, ambulantes, cordeiros de blocos, catadores de latinhas e outros vendedores que ficam no asfalto das avenidas dormindo ao relento para não perderem suas vagas. Tem aqueles que entram nas muvucas durante uma semana e se endividam mais ainda.
A festa, que a mídia chama de popular, não passa de uma mentira porque no final o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. São os vassalos e súditos a serviço de uma nobreza que fica em seus trios e camarotes, lá do alto, assistindo a ralé pular e arrastar chinelos ou tênis velhos lá embaixo nos rebolados das músicas lixo de letras horríveis, machistas e misóginas onde tratam as mulheres como objeto do sexo.
Os economistas, sociólogos e estudiosos no assunto sempre comentam que um país só se desenvolve com trabalho e educação. O Brasil ainda é um pais dos feriadões, das fuzarcas e da falta de um ensino de qualidade. Então, não é preciso analisar mais nada.
Outro “bolodoro” do carnaval é que a festa gera milhares de empregos nessa época, mas escondem a exploração trabalhista, com remunerações baixas e em condições de escravismo onde a pessoa é sujeita a trabalhar quase 24 horas por dia, sem o devido descanso. É um dinheiro amaldiçoado.
Nessa Bahia festeira, a começar pela capital soteropolitana, o nível de instrução é um dos mais baixos, tendo como consequência a pobreza e a miséria que requer um maior número de atendimento do Bolsa Família, mas, em se tratando de carnaval, os governantes não estão nem aí e investem pesado porque dá voto.
Eles sempre escondem os valores e enganam o povo dizendo que os festejos de uma semana (antes só eram quatro dias) são pagos pelo setor privado através das cotas de patrocínios. Também não colocam na conta o aumento da violência, acidentes e mortes quando os hospitais costumam ficar superlotados. Quem paga tudo isso?
É outra mentira deslavada porque não incluem na planilha os gastos com cachês dos artistas de trios independentes, das bandas nas praças, serviços de decoração, do efetivo policial e dos profissionais da saúde mobilizados, entre outras despesas.
A maior ressaca do carnaval depois da quarta-feira de cinzas não é da cachaça, das bebidas, das drogas ingeridas e injetadas. A maior enxaqueca é dos pobres e endividados, porque muitas deixam de quitar suas contas e até colocar comida em casa para cair na folia. É aquele negócio: depois resolvo isso e esvaziam os bolsos e os cartões de crédito, agora o PIX.
TANTAS NOTÍCIAS E CONFUSÃO!
Como bárbaros, “os patriotas” quebraram tudo que encontraram pela frente em nome da pátria, da família, religião e tradição; as forças de segurança facilitaram e deram passagem; os ianomâmis morrem de desnutrição nas florestas contaminados pelo mercúrio e malária; os garimpeiros querem a terra; a Justiça pede justiça; Lula recebe chefes de Estado e dá seu tom de conciliação; o mercado reage; os parlamentares fazem seus conchavos; os extremistas recuam, mas podem voltar; e uns querem aculturar os índios.
São tantas notícias e “a morte é confusão”, como já dizia Fernando Pessoa. O tempo corre e janeiro anuncia fevereiro do carnaval. Quase tudo é vendaval e festa para março chegar de ressaca para o moço trabalhar pensando nos próximos feriadões. As dívidas batem na porta, com IPTU, escolas das crianças e IPVA. A violência, o tráfico de drogas e os homicídios não param de crescer, mesmo com o reforço do armamento e mais soldados para combater com truculência.
As redes sociais perigosas e fúteis continuam a bombar, destilando intrigas políticas, ódios, intolerâncias religiosas e de gênero. As pessoas estão cada vez mais doentes superlotando as filas nos corredores dos hospitais. Nos bancos milhões dependem do Bolsa Família para matar a fome da pobreza que não para de aumentar nos casebres e favelas contaminadas por milicianos e traficantes.
O tempo segue com a impressão de ser vagaroso para uns e galopante para outros. São tantos assuntos que nos deixam confuso escolher um para escrever, de tão batidos e comentados. Parte do noticiário é requentado. Cada um emite sua opinião e logo aparece o contraditório, seja de esquerda ou de direita. As pessoas estão estressadas.
Uns se enroscam na filosofia e no academicismo, mas outros são diretos nos recados. A grande maioria nem ler tudo. Uma pedagoga me disse na lata que não gosta de ler. De vergonha, fiquei sem saber o que responder. Melhor ficar quieto, como se fala, na sua. Tem coisa que é melhor manter o silêncio que alguém já disse ser ouro.
Mesmo com tantas notícias e informações nacionais, estaduais e regionais que, às vezes, nos deixam pirados, confesso ser difícil realizar um texto sobre determinado tema que não torne enfadonho e chato para meu único leitor que seja. Nos tempos de hoje, já é uma glória ter um que vá além da manchete.
Escrever é uma arte e já atraiu admiradores. Dava fama nas eras onde a cultura tinha seu valor na linha de frente. Os livros e autores eram discutidos em mesas de bar com acirramento dos ânimos em discussões acaloradas. Hoje é um ofício ingrato. Coisa de teimosos cabeça dura! Muitos falam ser uma cachaça.
Pois é, tem dias que, mesmo diante de tantas notícias, dá um nó na cuca sobre o que escrever para não ser repetitivo. Melhor ser mais ameno com uma crônica da vida bem-humorada que nos faça rir, sem essa coisa pesada que nos deixa mais depressivo como numa sala de consultório médico onde só se ouve queixas de doenças dos pacientes. Não somente a morte, a vida é também uma confusão.
A BAGUNÇA DA IDENTIDADE PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Uma campanha da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista visando tirar identidade de crianças e jovens virou uma bagunça e muita gente ficou sem ser atendida. Só no SAC do Shopping Boulevard foram mais de 200 pessoas pela manhã, mas poucos foram recebidos. A grande maioria retornou revoltada para suas casas sem conseguir o documento desejado.
O sr. Edivaldo Fagundes, morador da Vila Verde, depois da Lagoa das Flores, conta que perambulou pela cidade para tirar a identidade de sua filha adolescente e não obteve êxito. No SAC do Centro informaram que ele teria que chegar às seis horas da manhã e lhe mandaram para o Boulevard. Pior ainda foi para quem saiu de povoados distantes e passou pelo mesmo sofrimento.
Conforme ainda relata, lá encontrou um tremendo tumulto de cerca de 200 a 300 pessoas e foi avisado que as senhas haviam se esgotado. Ora, Vitória da Conquista é uma cidade com mais de 300 mil pessoas, o que requeria por parte da prefeitura e do próprio SAC uma programação mais ampla com vários pontos de atendimento, inclusive no Espaço Glauber Rocha.
Em seu desabafo, Edvaldo classificou de verdadeira baderna o que viu no Boulevard e uma falta de respeito para com as pessoas, principalmente as crianças e adolescentes que voltaram frustradas sem a identidade prometida. Ele disse que se sentiu um palhaço rodando de um canto para outro na cidade.
Assim como ele, centenas de pais e mães não foram atendidos por completa falta de organização e planejamento, como tudo que acontece nesse nosso Brasil e na Bahia. Apesar das inovações tecnológicas, as informações são imprecisas e limitadas a um site do poder executivo onde nem todos têm acesso fácil.
Que campanha é essa que deixa as pessoas revoltadas, como foi o caso de Edivaldo com sua filha? É mais uma propaganda enganosa, como tantas outras onde as pessoas são obrigadas a enfrentar filas intermináveis ou acordar madrugada para pegar uma senha, restrita a pouca gente. Se não tem capacidade, melhor não fazer esse tipo de campanha!
AINDA SOBRE “BR2466 OU A PÁTRIA QUE OS PARIU”
No último capítulo do seu livro “Isso é apenas o começo”, o crítico literário e filósofo Nélio Silzantov diz que “os patriotas estão nas ruas, saudosos das prisões alheias, torturas e desaparecimentos”, creio que numa alusão à ditadura civil-militar de 1964 e até mesmo sobre as injustiças praticadas contra os direitos humanos, principalmente dos mais pobres.
Para ser mais enfático e direto, o autor destaca que “os patriotas não se importam com a extrema miséria do povo ou se ele morre de fome, desde que todo aquele que quiser, possa ter em mãos o seu próprio fuzil”. Aqui vai um recado para o psicopata do Bozó que incentivou o armamento durante todo seu governo.
“A falta de emprego, saúde, educação e renda não lhes diz nada, contanto que as exportações quebrem recordes e seus lucros continuem exorbitantes. Os patriotas se dizem os únicos que verdadeiramente amam a nação, mas o que eles mais odeiam são os miseráveis que a povoam por toda parte”.
Sua crítica nesse último capítulo de sua obra, que deve ser lida por todos aqueles que amam a leitura, é bem clara e não carece de maiores comentários. Ele próprio complementa afirmando que essa gente é “desprezível, marginais por natureza, o câncer a ser extirpado a todo custo e o quanto antes”.
Até parece que Nélio estava prevendo os acontecimentos do oito de janeiro quando esses “patriotas” invadiram os três poderes numa tentativa de dar um golpe na Constituição e implantar uma ditadura fascista no Brasil.
Depois dessa “bofetada”, o autor de BR2466 faz uma reflexão sobre a alienação da nossa gente que está mais ligada para os encantos das tecnologias que “mudariam nossas vidas em definitivo e que metamorfosearam-se na extensão do corpo humano, alterando, assim, o nosso modo de ver, ouvir, falar e existir”.
Sobre essa situação atual em que vivemos de ódio e intolerância, Nélio fala de avatares e sorriso amarelo de amigos e familiares. “Com o tempo, passamos a não nos reconhecer como há pouco imaginávamos. Incrédulos, numa última tentativa, buscamos exaustivamente o traço de uma face amiga que se perdeu. Por menor que fosse esse traço, depositamos nele a esperança de um resgate daquilo que para muitos não passa de ilusão”.
…”restou-nos o exílio, a fuga daqueles que não suportamos a presença, o medo de caminhar por entre as ruas e sermos apedrejados, o ódio espalhado feito peste epidemiológica colocando todos contra todos, a liberdade de expressão, tão cara aos regimes democráticos, convertida na liberdade de encolerizar-se contra o dissidente, o opositor, o que insiste em resistir, o que não aceita subjugar-se”.
NÃO REZES POR MIM
Nova criação poética de autoria do jornalista Jeremias Macário
Quando a doença
Atacar meu corpo,
Não mais da cura a crença,
Em estado terminal,
A sofrer em casa,
Ou na tortura de um hospital,
Não rezes por mim,
Não intercedas pra eu ficar;
Ores para eu ir,
Deixas minha alma viajar,
E não rezes por mim.
Se tens compaixão,
Se sentes minha dor finita,
Se entendes a finitude,
Se acreditas,
Que tem a hora de partir,
De ir embora,
Não rezes por mim,
Rezes sim,
Para eu ir,
E não chores por mim.
Alegras teu espírito,
Olhas o azul infinito,
Tudo tem o seu fim,
Pagues ao barqueiro,
Para levar à outra margem,
Mais um velho estradeiro,
Passageiro de uma viagem.
Não rezes para ficar,
Rezes para eu ir,
Para outro qualquer lugar.
CACHORROS DE CAMBÃO
Já vi jegue e vaca de cambão para impedir a invasão de cercas para terrenos de vizinhos por serem considerados arrombadores costumasses, mas cachorros de cambão é uma coisa rara que me chamou a atenção no sitio de um sobrinho lá no povoado de Jenipapo, em Jacobina. A curiosidade me levou à pergunta sobre o motivo e ele me respondeu que os animais estavam pegando os cabritinhos das fazendas próximas. Ele, então, improvisou um cambão feito de canos porque os cachorros estavam matando os cabritos da vizinhança. Foi o único meio para eles não saírem do sítio e o dono não mais receber reclamações e pagar os prejuízos. Andando pelo interior desse sertão nordestino sempre nos deparamos com coisas inusitadas e as lentes estão sempre preparadas para flagrar fatos que nem sempre vemos por aí. São pé duros, mas valentes quando algum estranho se aproxima. Pelo menos foi uma forma criativa encontrada para deixar os cabritinhos sossegados em seus pastos.
DA TERRA NASCEM OS BRUTOS
Não restam dúvidas que o Governo Lula saiu mais fortalecido da invasão bárbara à sede dos Três Poderes porque recebeu o apoio da grande maioria dos países contra qualquer atentado à democracia e ainda apaziguou as forças armadas, mas dizer que foi uma armação dos petistas, essa é um absurdo dos absurdos. São línguas de fogo!
Da terra nascem os brutos e também os fortes, os pacificadores, os rebeldes, os invejosos, os amorosos, os maldosos, os demônios e fantasmas, os anjos, a escória humana e os propagadores de mentiras e conjecturas falsas, algumas por ignorância e outras por intenção mesmo por causa da cegueira extremista.
Os brutos e violentos destroem nossos sonhos, nossa história e memória. Os fortes e pacificadores lutam, argumentam, dialogam racionalmente e até protestam para construir. Os outros são como párias da sociedade e se fazem de cegos, mudos e surdos e não pensam no coletivo para melhorar o seu habitat. São como ervas daninhas e cipós que se enroscam nas outras árvores para sugar suas seivas. Só assim conseguem sobreviver.
Bem, não sou juiz para fazer julgamentos e dar sentenças, mas não acreditei quando vi nas redes sociais gente conjecturando que as invasões do oito de janeiro podem ter sido coisa armada dos petistas, tudo depois de investigado e constatado com imagens, inclusive de muita gente que participava dos acampamentos em frente dos quarteis e até Tiros de Guerra, como em Vitória da Conquista.
Nem é preciso falar aqui da barbárie praticada contra nosso patrimônio artístico e cultural através da quebra de peças antigas, quadros e perfuração de pinturas valiosas que fazem parte da nossa história. Fico aqui a pensar, se a intenção era tomar o poder e instalar uma ditadura militar, o mais correto não seria preservar os objetos, móveis e os acervos culturais nacionais?
Cadê o patriotismo tão propagado e “defendido”. Isso não é coisa de patriota que diz preservar a família, a moral e a tradição. O governo pode até ter ´saído mais forte, mas é bom colocar as barbas de molho. A história pode se repetir como aconteceu com Jango em 1964 quando as ligas camponesas, os sindicatos e os estudantes apoiavam as mudanças sociais e políticas. Deu no que deu num golpe civil-militar.
Por isso que digo que da terra nascem os brutos. A raiva, o rancor e o extremismo falam mais alto que a razão. Um negócio de doido! Não havia uma liderança para conter o vandalismo e aí cada um agiu por conta própria. Foi um tiro no pé ou saiu pela culatra. A democracia saiu mais sólida e os militares linha dura saíram com o rabo debaixo das pernas, mas não é bom abrir a guarda.
O extremismo pode até avançar no início, mas termina perdendo e dando mais forças para o poder constituído. É só uma questão de tempo. O extremo está sempre fadado a cometer uma besteira e dar vitória ao adversário, mas é bom ter cuidado com o recuo. Nesse caso em pauta, o Lula e seu partido foram os mais beneficiados porque a grande maioria da sociedade demonstrou seu repúdio, bem como as nações das Américas e europeias.
No entanto, tudo isso não quer dizer que não venham mais “bombas” por aí, principalmente se os erros do passado forem repetidos, como essa do BNDES financiar obras estrangeiras, como o gasoduto argentino.
Vão começar os atos de suborno e corrupções? O banco de desenvolvimento tem mais que investir dentro do nosso país e se voltar para os pequenos e médios negócios. A nossa casa está desparafusada, desarrumada, meio ambiente sendo destruído, sem falar da pobreza e da miséria, vergonha da nossa nação. Não deve haver erros.















