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E SE FOSSE O CONTRÁRIO?

Lembram do episódio ocorrido semana passada em São Conrado, no Rio de Janeiro, onde uma mulher mordeu outra e avançou com cólera, com a cólera do seu cachorro, para espancar a chibatas (lembra os tempos da escravidão) um rapaz negro entregador?  Até agora não deu nada em termos de punição para a agressora. Depois de dias, somente ontem se apresentou na delegacia.

Vendo aquelas cenas horríveis de uma pessoa descontrolada e raivosa fiquei a imaginar: E se fosse ao contrário em que o moço batesse na mulher? Com certeza, o caso teria maior repercussão na mídia e o cara estaria preso, principalmente porque se tratava de uma violência contra uma mulher.

O advogado arranjou um atestado médico (coisa vergonhosa e mais que duvidosa) que carece de maior investigação contra esse profissional da saúde. Está mais do que sabido que essa nossa sociedade é hipócrita, contraditória e paradoxal. Ela carrega consigo o DNA dos monstros e fantasmas em seu ventre.

Justiça deve ser justiça, mas ela no Brasil sempre foi cega e tardia. Mais uma vez, não me venham com essa de que todos são iguais perante a lei. É a maior mentira que essa lei constitucional e penal nos prega. Como umas das provas estão aí as “condenações” da Operação Lava Jato.

Os arquivos foram engavetados e todos considerados inocentes. A Operação não passou de mais uma mentira. Diziam na época que dessa vez o país iria entrar nos eixos. O que existe mesmo no Brasil é a lei da impunidade onde os ricos e poderosos sempre se safam e os pobres vão para a cadeia, quando não são executados a sangue frio pela polícia.

Não estou aqui, de forma alguma, defendendo que o homem bata na mulher, mas está chegando ao ponto em que ela pode até dar chibatas no homem e ele não pode revidar. Toda ação tem uma reação. As imagens são bem claras, mas a delegada ainda está investigando, ouvindo testemunhas e analisando. É hilário e ridículo!

Por falar em ridículo e contraditório, a novela das seis da Rede Globo “Amor Perfeito” está fazendo esse papel para agradar e fazer média (audiência) com os movimentos negros, mostrando um cenário que não era real naquela década de 1940 onde o racismo era bem mais nítido e escancarado.

A novela coloca negros em posição de destaque, como médicos, advogados, engenheiros e ainda a classe mais baixa frequentando eventos, salões, restaurantes e hotéis de luxos, quando isso não correspondia com a realidade. Brancos namorando e se casando com negros sem nenhum olhar racista da sociedade burguesa.

Aqui no Brasil criou-se um clima de animosidade e extremismo alarmante entre classes, cor da pele e gênero quando não deveríamos nem estar mais falando nisso. Não estou mais me referindo sobre a atitude horrível da mulher que ficou bem claro seu ódio racista e menosprezo pelos mais pobres.

No entanto, existem outros fatos que carecem de racionalidade e ponderação quanto o que é mesmo racismo ou não. É que um assunto puxa o outro. Qualquer olhar, aproximação, maneira de falar ou ação, logo a pessoa está sendo enquadrada como injúria racial sujeito às penalidades da lei e até a indenizações. O mesmo ocorre com o tal do assédio moral e sexual.

Tenha cuidado no que vai falar. Tem que medir as palavras, senão você será enquadrado. Até no modo de olhar você pode ser chamado a dar depoimento numa delegacia. Numa entrevista de trabalho entre um branco e um preto, se este último for eliminado do teste, sai logo dizendo que foi racismo, quando não é bem assim.

O mesmo está acontecendo com o assédio moral onde um chefe sente até medo de exigir mais empenho do subordinado. É outra questão muito subjetiva que precisa ser melhor analisada antes que a outra pessoa seja vilipendiada, ultrajada e até sentenciada antes de ser julgada como assediador. Quando cai na mídia, meu amigo, não há mais jeito de reparar os danos.

Falo aqui também do assédio sexual, que deve ser condenado sob todas as hipóteses. No entanto, pergunto se só existe assédio sexual quando é contra a mulher. Muitos homens hoje são assediados e se sentem constrangidos por determinadas mulheres, mas o sujeito vai a uma delegacia para denunciar? Com certeza ele vai ser levado em deboche e vão duvidar da masculinidade dele.

Em muitos casos está existindo muita injustiça como as coisas estão sendo postas e termina se criando um distanciamento entre as pessoas e ativando mais a intolerância. São essas contradições e paradoxos que necessitam ser corrigidos. Como as redes sociais hoje têm uma velocidade enorme, tudo termina sendo considerado racismo, machismo, homofobias e assédios. O sujeito pode até ser linchado moralmente sem ter cometido o “pecado”.

Quem se lembra do caso da Escola de Base, em São Paulo, onde uma família foi toda destruída por ser acusada de pedofilia no estabelecimento de ensino? Portanto, está se criando um ambiente de animosidades e separações absurdas na sociedade num simples gesto e atitude, sem a intenção de discriminar o outro. Tudo agora virou preconceito, desder uma opinião mal interpretada.

 

 

“FLUXO E REFLUXO” XIV

AS BANDEIRAS E OS PASSAPORTES DUPLOS NO TRÁFICO NEGREIRO ILEGAL

Os traficantes negreiros baianos, o mais famoso era Francisco Xavier de Souza, o Xaxá de Uidá, usavam de vários artifícios para burlar a vigilância dos cruzadores ingleses contra o tráfico, tanto na costa brasileira como africana e no mar. Os embarques e desembarques eram feitos em locais distantes e ermos dos portos tradicionais.

Entre as trapaças se destacavam as bandeiras estrangeiras em navios do Brasil, como a portuguesa, espanhola, alemã, francesa, norte-americana, escocesa e as de outros países (a exceção era a Suiça)l, bem como passaportes duplos para enganar a proibição do tráfico selada nos acordos e tratados com Inglaterra, Portugal e o Brasil.

Veja o que escreveu o cônsul geral da Inglaterra no Rio de Janeiro, Chamberlain, para uma autoridade brasileira, em outubro de 1824: “Recebi instruções para fazer saber à Vossa Excelência que os comissários de Sua Majestade em Serra Leoa fazem frequentemente representações para seu governo a respeito dos perniciosos efeitos da prática das autoridades brasileiras, que dão aos vasos (navios) com destino a Molembo para o comércio de escravos  a permissão de fazer escala nas ilhas de São Tomé e Príncipe.

Com tal permissão, esses vasos têm uma desculpa para serem vistos perto da Costa dos Escravos, ao norte do equador, e em geral se aproveitam da ocasião para obter carregamento de negros naqueles lugares onde, pelas leis de todas nações civilizadas, o tráfico de escravos foi proibido. É do meu dever acrescentar que o governo de Sua Majestade espera que o governo brasileiro, agora está ciente dos males que resultam da forma pela qual os passaportes são redigidos, não perca mais tempo para fazê-los mudar”.

Essa e outras observações sobre o tráfico ilegal no século XIX estão no livro “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, ao descrever que nessa mesma época um cruzador inglês, nos golfos do Benin e Biafra, apresou três vasos brasileiros de nomes Minerva, Cerqueira e Creola, além de um brigue brasileiro Bom Caminho.

Haviam outorgas de passaportes para Molembo, com faculdade de fazer escala nas ilhas de São Tomé e Príncipe. Os ingleses argumentavam que se alguns vasos tocam aquela linha ao norte do Equador não são para abastecimento ou reparos de avarias e sim para pegar escravos em regiões proibidas.

Pierre Verger cita diversos exemplos de navios que pegavam rotas diferentes para driblar a vigilância no mar, quer com bandeiras estrangeiras ou passaportes duplos. Por volta de 1827, quatorze vasos foram apresados e condenados, fato esse que provocou reações na opinião pública da Bahia.

Os negociantes baianos forneciam dois passaportes, sendo que um levava o nome verdadeiro para ir fazer o tráfico lícito de escravos ao sul do Equador e outro para realizar o comércio de produtos africanos na Costa da Mina, ao norte do Equador. A segunda embarcação ficava na Bahia.

A total abolição do tráfico no Brasil foi decretada em 13 de março de 1830 após o tratado de 1826, mas os traficantes continuavam usando o sistema de dois passaportes. Em suas investigações, os agentes ingleses constatavam essa ilegalidade e advertia as autoridades brasileiras.

Outra saída ilegal era traficar escravos com o pretexto de serem colonos no Brasil, bem como aprendizes. Os comerciantes faziam os cativos entrarem no país com contratos para servir os importadores e seus agentes durante um certo número de anos em troca de uma determinada soma em dinheiro, para depois comprarem suas liberdades.

Também aconteceu, em 1835, a organização de uma pretensa colônia de negros africanos libertos na Banda Oriental de Montevidéu, com a única intenção de reexportá-los para o Brasil. Em 1841 chegaram 24 negros na Bahia vindos da ilha de São Tomé, munidos de passaportes daquele governo, com o título de colonos.

 

 

AS FLORES E AS FRUTAS

Nada mais aprazível do que você adentrar no jardim da Praça Tancredo Neves, em Vitória da Conquista, e se deparar com as flores que acalentam sua alma, como estas clicadas pelas minhas lentes. Elas são como bálsamos para suas feridas abertas pelos problemas e desafios do seu dia. Exalam perfumes da natureza fresca e têm o poder de contrastar com essa selva de pedra agitada do corre-corre. Ainda bem que temos plantas, árvores e flores nas cidades, mas muitos passam avexados em nem param um pouco para se desafogar e sentir o alívio que elas propiciam ao seu espírito. É bom ter momentos de reflexão e conversar com as flores.

Outro colorido que também faz bem à alma e ao corpo são as frutas, de preferência as espalhadas nas bancas e barracas das feiras, uma das tradições mais antigas da humanidade onde cada agricultor, depois da sua colheita, levava seus produtos para comerciar, não por dinheiro em espécie, mas na base do chamado escambo. Tanto as flores como as frutas são saudáveis à saúde do corpo e do espírito. O homem moderno dos grandes centros costuma consumir porcarias enlatadas industrializadas e pouca importância dá às frutas naturais, se bem que elas hoje estão tão caras que somente os de maior poder aquisitivo têm acesso. A maioria das nossas frutas são originárias da agricultura familiar que coloca o alimento na mesa do brasileiro, bem diferente dos plantadores de soja e pecuaristas que visam tão somente o mercado externo por causa dos lucros. Uma mesa deveria ser composta de flores e frutas.

NOS TEMPOS DO CANDEEIRO

Autoria do jornalista Jeremias Macário

Sou dos tempos do candeeiro,

Do pavio no óleo da mamona,

Pilada no velho pilão,

Pra clarear o forró do sanfoneiro,

A sanfona do Gonzagão,

E o xaxado dos cabras de Lampião.

 

Sou dos tempos do candeeiro,

Do oi de casa!

Oi de fora. É de bem?

É da paz, que a paz esteja nesta casa!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Para sempre seja louvado!

Saudavam o rancho e o rancheiro,

Com abraços e café no bule,

Pra com fé prosear,

Em noites de luar.

 

Sou dos tempos do candeeiro,

Do ferro em brasa,

Da goma de engomar,

Pra missa da Vila Umbuzeiro,

Que o padre não se atrasa,

Quando o sino toca pra rezar.

 

Sou do candeeiro,

Do fole do ferreiro,

Da ferradura na tropa do tropeiro,

Do namoro distante respeitoso,

Do jovem que respeitava idoso.

É TUDO ENROLAÇÃO DA VIA BAHIA

Tudo não passou de mais uma encenação no encontro dos segmentos da sociedade conquistense (CDL, OAB, Associação das Indústrias, Câmara de Vereadores, representantes do poder executivo e demais entidades) com a Via Bahia, promovido pelo movimento dos empresários “Duplica Sudoeste”, realizado no auditório do Cemae há quase um mês.

Infelizmente, o presidente da empresa concessionária dos pedágios na BR-116, José Bartolomeu, deve ter imaginado que tudo aquilo ali não passava de uma palhaçada. Sua fala por último foi horrível e, porque não dizer, desrespeitosa com todos que foram ao evento na esperança de que iria sair alguma coisa concreta.

Foi mais que ridículo o sr. Bartolomeu afirmar que a Via Bahia opera com déficit e até culpar os órgãos do governo federal que não cumprem com as cláusulas e as exigências adicionais para fazer a duplicação da BR, sendo que Vitória da Conquista pede apenas um trecho.

Quem foi à reunião deve ter saído dali se sentindo um palhaço (muitos nem puderam expressar sua opinião). Na verdade, foi um insulto porque o homem português enrolou aquela gente como Cabral fez com os índios quando invadiu nossas terras e dela só fez extrair suas riquezas. Alguém aí acreditou no que ele disse?

Numa mensagem pelo seu Zap, José Maria Caires, organizador do movimento, informa que a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) não virá mais a Conquista como combinado e acrescenta que a Via Bahia utiliza da revisão contratual como forma de não cumprir o contrato.

Ele denuncia que a ANTT, responsável pela concessão de fiscalização, não tem cumprido com rigor com suas atribuições. José Maria endossa as palavras do Tribunal de Contas da União de que realizou auditoria para avaliar os contratos de concessão de rodovias e que a Agência é a responsável por administrar esses acordos com as 21 concessionárias que administram mais de 10 mil quilômetros de estradas no país.

O empresário destacou ainda que o TCU encontrou diversas falhas no gerenciamento e fiscalização dos contratos. “Já ouvimos a Via Bahia e sabemos que sem revisão e reequilíbrio ela não fará viadutos, passarelas e nem duplicação da BR-116 (só duplicou de Feira de Santana até o Paraguaçu). Estamos convidando a ANTT para prestar esclarecimentos à sociedade, porém, até agora não temos respostas” – disse José Maria.

Pelo visto, tudo não passa de uma máfia portuguesa, com certeza, com a devida omissão da ANTT que se nega a conversar com a sociedade de Vitória da Conquista. Com relação a esse problema, gostaria de saber qual a posição do novo governo federal e o que ele deve fazer no caso da Via Bahia.

Por sua vez, onde estão os políticos representantes do município e de toda região sudoeste que é também diretamente beneficiária da duplicação da rodovia? Só de Conquista, temos dois deputados estaduais e um federal, sem deixar de fora a Câmara de Vereadores que sempre diz ser a casa do povo.

Se esgotaram os diálogos, cabem outros meios de pressionar a Via Bahia, como manifestações, protestos e até fechamento de pontos estratégicos da rodovia para que a empresa comece logo com as obras de duplicação, ou caia fora dando lugar a uma nova licitação. Como alguém já disse certa vez, não sei se o estadista francês Charles de Gaulle, este não é um país sério, ou “que país é este? ”.

 

OS 100 DIAS DO GOVERNO LULA

Primeiro eu não consigo entender o porquê desse tempo mágico estabelecido de 100 dias para avaliação do mandato de um governo, se foi ruim ou bom. Não sei onde está essa tradição que colocaram na política, inclusive com pronunciamentos do mandatário e análises da mídia. Não poderia ser de 90 dias ou três meses? É um período suficiente para julgar um governo?

Segundo eu diria que depois de uma desastrosa administração do capitão-presidente, com todo seu negativismo da ciência, suas práticas de homofobia, racismo, agressões contra jornalistas, palavrões, atitudes nazifascistas, abandono dos indígenas, estimulo ao garimpo clandestino na Amazônia e desmantelamento dos órgãos de proteção ao meio ambiente, seria até impossível vir um governante ainda pior.

No entanto, na minha visão dos 100 dias, que criaram como parâmetro de julgamento, é claro que houve mudanças, a começar pela postura presidencial que melhorou a imagem do Brasil no âmbito interno e externo. Os índios ianomâmis que estavam morrendo de desnutrição e doenças na floresta, em Roraima, foram socorridos, evitando uma tragédia bem maior.

Na questão do meio ambiente, o governo entrou em ação para destruir os garimpos ilegais em terras indígenas, que estavam desmatando e poluindo nossos rios. O Ibama, que estava em mãos dos coronéis e, praticamente, desativado, voltou a agir com as forças armadas queimando tratores, aviões, balsas, acampamentos e outros equipamentos dos garimpeiros.

Entretanto, o problema do meio ambiente precisa ser tratado de forma racional e com respeito à nossa soberania como nação independente. No Brasil existem dezenas ou centenas de Ongs estrangeiras que estão mais interessadas em aniquilar nosso potencial agropecuário do que mesmo proteger a natureza.

Fosse Lula ou outro, até mesmo de direita, governo nenhum poderia ser pior que o passado vergonhoso que deixou o nosso país isolado em relação a outras nações, sobretudo na Europa, sem levar ainda em conta o seu viés tendencioso ditatorial golpista através de seus seguidores extremistas que pediam nas ruas uma intervenção militar (não cito aqui as invasões ao Congresso Nacional, ao Executivo e ao Superior Tribunal Federal).

Outro ponto positivo foi a conciliação com as forças armadas, fazendo elas entenderem o seu lugar e posição constitucional de defesa e segurança da nação. Os generais de pijama retornaram para suas cozinhas, e os da ativa para seus quarteis.

O curioso é que nesse ano não houve manifestações e comemorações ao golpe de 1964, considerado pelos militares como revolução. Mesmo num governo dito de esquerda, os torturadores e matadores de presos políticos continuam impunes (muito já se foram para o além).

Por outro lado, nesses 100 dias fatídicos para os políticos, não houve mudanças de melhoras na economia, que continua patinando, com inflação e desemprego nas alturas. O custo de vida permanece pesado para as famílias de menor poder aquisitivo. Temos hoje um Estado assistencialista, sem projetos alternativos para saída da pobreza e da miséria.

Outra coisa é que muitos ministros batem cabeça, especialmente nessa área econômica, e existe o temor de uma desarrumação fiscal com déficit nas contas públicas. Na educação e na cultura nada de novo que se possa elogiar. O ministro da Fazenda não passa confiança e não será uma reforma tributária que irá colocar o país nos trilhos do desenvolvimento sustentável.

Nada se falou até agora sobre uma revisão da maldita reforma trabalhistas, ou escravista, feita no Governo Temer para agradar os patrões. No geral, enxergo como um governo ainda tímido. Daqui para frente, esperamos muito mais que isso. Sua aprovação e popularidade ainda são baixas.

UM MUSEU DA IMPRENSA

Essa ideia surgiu há muitos anos quando eu ainda era diretor do Sindicatos dos Jornalistas da Bahia-Sinjorba, em Vitória da Conquista, no início dos 2000 e quando elaborava o livro “A Imprensa e o Coronelismo na Região Sudoeste”. Nasceu também quando conseguimos, em meu mandato como dirigente sindical, um terreno doado pela Prefeitura Municipal, no Bairro Santa Cecília, para os jornalistas conquistenses.

Essa história é longa, mas o terreno foi registrado em cartório, inclusive com a planta da Casa dos Jornalistas e nela estaria incluído este museu com a finalidade de resgatar a memória da imprensa de Conquista e região. Os tempos passaram. São mais de 20 anos e não se sabe hoje com quem está esse projeto depois do falecimento de Edna Nolasco, com a qual cheguei a tratar do assunto.

Há alguns anos retomei a ideia do museu com o companheiro Luis Fernandes (falecido) e Rui Medeiros, inclusive com a proposta de ser instalado numa casa antiga da prefeitura, mas, infelizmente, não houve continuidade. Nem chegamos a ver essa possibilidade com o prefeito da época.

Neste domingo (dia 09/04) estive no Museu Kard e apresentei a sugestão para Alan Kardec que topou, com entusiasmo, ceder um espaço no local para a criação do Museu da Imprensa de Vitória da Conquista.

Ele acrescentou que a categoria montasse uma equipe de trabalho para fazer um esboço do projeto e cair em campo no resgate de peças, equipamentos (linotipo), jornais antigos, máquinas fotográficas, gravadores, máquinas de datilografia e outros objetos relacionados com a nossa imprensa.

Por áudio tive uma longa conversa hoje com o nosso companheiro do antigo e conceituado jornal Hoje, se não me engano, Paulo Nunes (bom de memória) que fez uma leitura minuciosa sobre a história dos jornais aqui em Conquista e algumas cidades da região, considerando ser o Museu da Imprensa de fundamental importância para não deixar que toda essa memória se perca com o tempo. Trocamos boas informações, muitas das quais nem conhecia. Lembramos de nomes, periódicos e fatos curiosos.

Paulo Nunes propôs, inclusive, fazer parte de um grupo de trabalho para alavancar meios para retornarmos o terreno dos jornalistas, doado pela prefeitura, e estudar a viabilidade da construção da Casa dos Jornalistas e do Museu da Imprensa.

Sabemos que a tarefa não é tão fácil assim, mas basta uma disposição de toda classe e colocarmos aquele jargão de “a união é que faz a força” para colocarmos a ideia em prática. Até brincamos que já estamos com idades avançadas, mas isso não importa porque o projeto ficaria para a posteridade e para esses moços que estão aí na labuta da profissão.

Fico a pensar e a me indagar do porquê que as coisas em Conquista são tão difíceis de acontecer?  Acho que faltam disposição e compromisso coletivo. Na realidade, existe entre nós um grande individualismo onde cada um só quer saber de si visando apenas seus interesses. A verdade é dura, mas deve ser dita.

Com o advento da internet e dos meios eletrônicos em geral, os jornais foram substituídos por sites e blogs e hoje pouca gente ler textos, mesmo sendo nas telas dos celulares ou no computador. Existem muito mais leitores de manchete e títulos. Não é por isso que não temos a missão de recuperarmos essa história da imprensa em nossa região através da implantação de um museu.

NÃO VEJO NENHUMA GRAÇA

Sei de antemão que muitos vão me censurar, mas não vejo nenhuma graça ricos e pobres correndo às prateleiras dos supermercados para comprar um ovo de Páscoa, recheado de chocolate, ao custo que varia de 10 a 300 ou 500 reais, a depender do tamanho e dos ingredientes nele embutidos!

O ovo em si tem uma relação com o coelho por simbolizar fertilidade e era presenteado para celebrar a passagem do solstício, época de fartura. Alguns historiadores dizem que essa tradição pode ter vindo dos persas ou dos chineses. Essa associação do coelho com os ovos de Páscoa foi levada da região da Alemanha para os Estados Unidos pelos imigrantes.

O de chocolate é derivado de um costume iniciado no século XII, na França, depois da volta de Luis VII da Segunda Cruzada. Ele foi recebido com festa e com vários produtos da terra, incluindo o ovo. O seu retorno coincidiu com o jejum da Quaresma.

O de Páscoa, segundo Wikipédia, é um ovo, normalmente de chocolate, pintado com gravuras e em cores, para significar a ressurreição de Cristo. A Páscoa é uma festa anual dos judeus, comemorativa da saída deles do Egito para a terra prometida. Tudo isso, incluindo os festejos considerados pagãos, foi incorporado pelo cristianismo.

Nos tempos modernos, no caso específico da Páscoa, o sistema capitalista da indústria chocolateira aproveitou essa tradição secular para aumentar suas vendas e, consequentemente, incrementar o consumismo, como acontece com outras festas durante o ano, a exemplo do Natal.

Depois desse bolodoro todo, o que quero dizer é que as pessoas entram na onda como manadas no estouro da boiada para comprar um ovo de páscoa, muitas vezes sem nem saber o simbolismo daquilo. As propagandas e a mídia televisiva, sobretudo, empurram o povo a consumir o tal ovo, atraído, principalmente, pelas crianças.

Nessa época, quem mais sofre com isso é o pobre que, com seu poder aquisitivo baixo, vê o filho pedir um ovo de páscoa e termina se sacrificando para satisfazer o apetite da mídia. Mais uma vez, o pobre, sem condições financeiras, termina imitando o rico.

Podem me chamar como quiserem, mas não vejo nenhuma graça nessas festas puramente consumistas, copiadas de outros países e introduzidas pelo cristianismo. No caso da Páscoa, sua origem é judaica. Pior ainda é que o símbolo capitalista de consumismo é substituído hoje pelo o de Cristo, como o Papai Noel durante o Natal.

Como uma coisa está relacionada a outra, antigamente os cristãos     católicos jejuavam (hoje são poucos) na Semana Santa, principalmente na Sexta-Feira da Paixão, e comiam pouco no almoço. Atualmente se empanturram numa mistura de peixe caruru, vatapá, azeite de dendê e outros ingredientes acompanhados de bebidas alcoólicas.

O mais irônico é que muitos, sem saber o que está fazendo, trocam a Sexta-Feira da Paixão pelo Domingo de Páscoa, como vi numa entrevista de uma mulher na televisão falando do sacrifício e morte de Cristo na cruz para salvar a humanidade do pecado. Ela misturou as bolas, confundiu paixão com ressurreição, e terminou dizendo um bocado de besteiras.

“FLUXO E REFLUXO XIII

O PERÍODO MAIS CRÍTICO DO TRÁFICO NEGREIRO

No livro “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, de mais de 900 páginas, ele faz um trabalho detalhado e acadêmico com cartas e documentos da época, desde o século XVI, sobre o tráfico negreiro, especificamente do Golfo do Benin (Reino de Daomé) para a Bahia.

No início do século XIX, por volta de 1807/08, quando a Inglaterra decretou a abolição da escravatura, esse tráfico entrou em seu período mais crítico, justamente por ter se tornado ilegal através dos acordos e convenções estabelecidos entre os ingleses e Portugal e depois com o Brasil independente.

Como esses tratados não eram obedecidos pelos governos e comerciantes de escravos, os britânicos passaram a usar a força naval para aprisionar navios que continuavam a embarcar ilegalmente cativos para o Brasil, especialmente para os centros da Bahia e do Rio de Janeiro.

Por pressão da Inglaterra, após Brasil independente, o Governo Imperial criou várias leis, como a de 1831 que ficou conhecida para “inglês ver”, porque os traficantes faziam suas trapaças, como desvios de rotas, embarques e desembarques em outros locais fora dos portos tradicionais e uso de bandeiras estrangeiras, para manter o tráfico ilícito.

Nas trocas de cartas com as autoridades do Império (também faziam seus conluios com os senhores patrões e traficantes), os cônsules ingleses se irritavam com os brasileiros até que por volta do final dos anos 40 a Inglaterra começou a apertar o cerco com cruzadores que aprisionaram dezenas de navios que estavam com cargas irregulares.

Nesse interim, houve um acordo onde determinava que os traficantes só podiam transportar escravos abaixo da linha do Equador, ou seja, eram proibidos fazer esse tipo de negócio no Porto de Uidá ou Ajudá, no Golfo do Benin. Mesmo assim o comércio ilegal não parou de ser feito.

Chegou ao ponto que os navios ingleses invadiram as águas brasileiras para impedir o tráfico e até ameaçou bombardear o Porto do Rio de Janeiro. O estopim de tudo ocorreu no Porto de Paranaguá quando o forte daquele local reagiu atirando contra um cruzador inglês matando um marujo.

Os comerciantes colocavam o povo contra os ingleses e estes tentavam comover a população de que aquele comércio era vergonhoso e desumano. Como o poderio britânico era de longe maior que o do Brasil, o Império apressou uma lei mais dura em 1950 que ficou conhecida como Lei Eusébio de Queirós. Somente em 1951 esse tráfico ilegal cessou, mas alguns ainda se atreviam a colocar navios para realizar esse comércio.

MUNDO MALUCO DESUMANO

Não me sinto mais filho desse mundo maluco desumano onde os amigos são descartados como máquinas que dão defeito e são jogadas fora para a aquisição de outras de outras mercadorias. Vivemos nessa época onde tudo é por interesse. Nesse mercado de doido, convive-se com a pessoa até onde ela lhe serve e descarta-se quando não tem mais serventia.

Ao longo do tempo, pela ganância, ambição e com aquele pensamento individualista voltado somente para seu próprio eu, as amizades foram se desgastando, como se fosse um aparelho de celular que sai de linha, um fogão ou uma geladeira que não estão mais funcionando como antes. Assim é com o amor e com o outro, que se tornaram máquinas e simples números de interesse.

É raro encontrar aquela amizade, companheiro ou companheira, que entenda seus defeitos, suas angústias, problemas e fases difíceis, para lhe confortar e dar aquele abraço de apoio. Geralmente o outro afasta-se do seu convívio e simplesmente desaparece. Poucos são sinceros e fieis que continuam ali ao seu lado nos momentos certos e incertos. O ser humano dessa revolução tecnológica tornou-se desumano nesse mundo maluco.

Queria voltar aos 40 ou 50 anos atrás e deitar nas pedras dos lagartos e sentir o cheiro da minha terra fresca ou escaldada da seca. Como na canção “Filhos de Câncer”, de Fagner e Zé Ramalho, preciso ser fera para ter as soluções das esperas, onde ainda diz que a evolução dos tempos mudou as falas.

Hoje são os filhos de Freud, de Getúlio e Lampião. Acrescentaria que da ditadura, da globalização, da geração alienada, da violência e do apego ao material. Bajulação quando se tem alguma coisa para oferecer e distanciamento quando se está na pior. Não é somente um mundo maluco desumano, mas um mundo das falsidades. Pior ainda quando se cai na velhice. Nem os filhos aparecem!

Sou filho de outra era onde a palavra valia bem mais que um documento assinado e carimbado em cartório. De que valem os acordos, convenções, tratados e promessas, se não são cumpridos? A toda hora estamos sendo garroteados pelos monstros do dinheiro e do poder político.

Sinceramente, prefiro hoje viver em minha loca como um mocó, do que ser importunado e ter que ouvir falsas palavras de que você é meu “irmão-amigo-camarada”, principalmente quando se está num bar com um copo ao lado. É um tal de trocar contatos no zap, como se fossem selos de qualidade de que aquela amizade está firmada para sempre! Que nada! Depois, tudo cai no esquecimento!

Confesso que não sou mais filho desse mundo maluco desumano, da incoerência, dos golpes e das fake news que correm como pólvoras em rastilhos nas redes sociais. Não sou filho desse consumismo desvairado que só traz felicidade momentânea e que está aos poucos destruindo a nossa mãe terra. Não sou mais filho desse mundo maluco dos assassinatos monstruosos até de crianças e nem dessa gente, que não é mais gente.





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