UMA FESTA CRISTÃ QUE VIROU PAGÃ
É aquele frenesi maluco de gente nas ruas, lojas e supermercados, num consumismo desenfreado para se comemorar uma festa cristã que se transformou em pagã como nos tempos romanos do deus Júpiter! Natal é sinônimo de se banquetear e se lambuzar ao máximo em comidas e bebidas, como faziam os antigos celtas.
Irônico é que a Igreja Católica Apostólica Romana via naquilo tudo um paganismo que deveria ser extinto diante da nova era do cristianismo. Os séculos se passaram e o que vemos hoje é a tara carnal devorar o espírito, porque o tal Papai Noel dos países nórdicos cheios de neves é mais lembrado do que o Cristo do menino Jesus que nasceu em Belém.
Todos sabem que Jesus não nasceu propriamente no dia 25 de dezembro. Muitos historiadores e especialistas no assunto até apontam que o Messias tenha vindo até mesmo antes da era cristã. A data foi fixada pela Igreja para substituir os festejos pagãos realizados para celebrar as colheitas na passagem do verão para o inverno.
O sentido também era confraternizar, quando todos entravam numa espécie de transe orgístico com muita bebida e comida, não tão diferente do que vemos nos tempos atuais onde todos só pensam em gastar, cada um dentro de suas posses financeiras.
As luxúrias são de proporções desiguais, mas talvez seja o período onde o pobre mais tenta imitar o rico, com a diferença que os pratos da mesa deste último são compostos de importados, como nozes, lentilhas, castanhas, vinhos franceses e outras iguarias estrangeiras.
Sem distinção de classes, além do Feliz Natal, existe uma regra padrão que é comprar um presente, mesmo que tenha que se endividar, deixando a prioridade para depois. Todos entram naquela correria frenética irracional que já está impregnada no subconsciente da pessoa.
Depois entra o final de ano, mais conhecido como réveillon para os ricos, quando a grande maioria, por superstição, se veste de branco e faz promessas de mudanças de vida que pouco acontecem. Nesse baile pagão do Natal e final de ano, milhões ficam de fora para pegar as migalhas jogadas do alto dos sobrados.
Na grande maioria, os planos não vingam e são renovados na próxima data. Ocorre que o tempo é cruel, não perdoa, e o sujeito vai se envelhecendo sem concretizar seus objetivos porque ele nunca deixa de gastar o que não pode.
Nessa de Ano Novo o pobre já está esgotado em suas finanças, mas, mesmo assim, como grande teimoso, encara a parada e compra umas cartilagens de bacalhau e um espumante vagabundo para dizer que é champanhe. Se serve de consolo, no início do ano o pobre fica rico de dívidas, mas ele segue “alegre” e “feliz da vida”.











