:: jan/2023
TANTAS NOTÍCIAS E CONFUSÃO!
Como bárbaros, “os patriotas” quebraram tudo que encontraram pela frente em nome da pátria, da família, religião e tradição; as forças de segurança facilitaram e deram passagem; os ianomâmis morrem de desnutrição nas florestas contaminados pelo mercúrio e malária; os garimpeiros querem a terra; a Justiça pede justiça; Lula recebe chefes de Estado e dá seu tom de conciliação; o mercado reage; os parlamentares fazem seus conchavos; os extremistas recuam, mas podem voltar; e uns querem aculturar os índios.
São tantas notícias e “a morte é confusão”, como já dizia Fernando Pessoa. O tempo corre e janeiro anuncia fevereiro do carnaval. Quase tudo é vendaval e festa para março chegar de ressaca para o moço trabalhar pensando nos próximos feriadões. As dívidas batem na porta, com IPTU, escolas das crianças e IPVA. A violência, o tráfico de drogas e os homicídios não param de crescer, mesmo com o reforço do armamento e mais soldados para combater com truculência.
As redes sociais perigosas e fúteis continuam a bombar, destilando intrigas políticas, ódios, intolerâncias religiosas e de gênero. As pessoas estão cada vez mais doentes superlotando as filas nos corredores dos hospitais. Nos bancos milhões dependem do Bolsa Família para matar a fome da pobreza que não para de aumentar nos casebres e favelas contaminadas por milicianos e traficantes.
O tempo segue com a impressão de ser vagaroso para uns e galopante para outros. São tantos assuntos que nos deixam confuso escolher um para escrever, de tão batidos e comentados. Parte do noticiário é requentado. Cada um emite sua opinião e logo aparece o contraditório, seja de esquerda ou de direita. As pessoas estão estressadas.
Uns se enroscam na filosofia e no academicismo, mas outros são diretos nos recados. A grande maioria nem ler tudo. Uma pedagoga me disse na lata que não gosta de ler. De vergonha, fiquei sem saber o que responder. Melhor ficar quieto, como se fala, na sua. Tem coisa que é melhor manter o silêncio que alguém já disse ser ouro.
Mesmo com tantas notícias e informações nacionais, estaduais e regionais que, às vezes, nos deixam pirados, confesso ser difícil realizar um texto sobre determinado tema que não torne enfadonho e chato para meu único leitor que seja. Nos tempos de hoje, já é uma glória ter um que vá além da manchete.
Escrever é uma arte e já atraiu admiradores. Dava fama nas eras onde a cultura tinha seu valor na linha de frente. Os livros e autores eram discutidos em mesas de bar com acirramento dos ânimos em discussões acaloradas. Hoje é um ofício ingrato. Coisa de teimosos cabeça dura! Muitos falam ser uma cachaça.
Pois é, tem dias que, mesmo diante de tantas notícias, dá um nó na cuca sobre o que escrever para não ser repetitivo. Melhor ser mais ameno com uma crônica da vida bem-humorada que nos faça rir, sem essa coisa pesada que nos deixa mais depressivo como numa sala de consultório médico onde só se ouve queixas de doenças dos pacientes. Não somente a morte, a vida é também uma confusão.
A BAGUNÇA DA IDENTIDADE PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Uma campanha da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista visando tirar identidade de crianças e jovens virou uma bagunça e muita gente ficou sem ser atendida. Só no SAC do Shopping Boulevard foram mais de 200 pessoas pela manhã, mas poucos foram recebidos. A grande maioria retornou revoltada para suas casas sem conseguir o documento desejado.
O sr. Edivaldo Fagundes, morador da Vila Verde, depois da Lagoa das Flores, conta que perambulou pela cidade para tirar a identidade de sua filha adolescente e não obteve êxito. No SAC do Centro informaram que ele teria que chegar às seis horas da manhã e lhe mandaram para o Boulevard. Pior ainda foi para quem saiu de povoados distantes e passou pelo mesmo sofrimento.
Conforme ainda relata, lá encontrou um tremendo tumulto de cerca de 200 a 300 pessoas e foi avisado que as senhas haviam se esgotado. Ora, Vitória da Conquista é uma cidade com mais de 300 mil pessoas, o que requeria por parte da prefeitura e do próprio SAC uma programação mais ampla com vários pontos de atendimento, inclusive no Espaço Glauber Rocha.
Em seu desabafo, Edvaldo classificou de verdadeira baderna o que viu no Boulevard e uma falta de respeito para com as pessoas, principalmente as crianças e adolescentes que voltaram frustradas sem a identidade prometida. Ele disse que se sentiu um palhaço rodando de um canto para outro na cidade.
Assim como ele, centenas de pais e mães não foram atendidos por completa falta de organização e planejamento, como tudo que acontece nesse nosso Brasil e na Bahia. Apesar das inovações tecnológicas, as informações são imprecisas e limitadas a um site do poder executivo onde nem todos têm acesso fácil.
Que campanha é essa que deixa as pessoas revoltadas, como foi o caso de Edivaldo com sua filha? É mais uma propaganda enganosa, como tantas outras onde as pessoas são obrigadas a enfrentar filas intermináveis ou acordar madrugada para pegar uma senha, restrita a pouca gente. Se não tem capacidade, melhor não fazer esse tipo de campanha!
AINDA SOBRE “BR2466 OU A PÁTRIA QUE OS PARIU”
No último capítulo do seu livro “Isso é apenas o começo”, o crítico literário e filósofo Nélio Silzantov diz que “os patriotas estão nas ruas, saudosos das prisões alheias, torturas e desaparecimentos”, creio que numa alusão à ditadura civil-militar de 1964 e até mesmo sobre as injustiças praticadas contra os direitos humanos, principalmente dos mais pobres.
Para ser mais enfático e direto, o autor destaca que “os patriotas não se importam com a extrema miséria do povo ou se ele morre de fome, desde que todo aquele que quiser, possa ter em mãos o seu próprio fuzil”. Aqui vai um recado para o psicopata do Bozó que incentivou o armamento durante todo seu governo.
“A falta de emprego, saúde, educação e renda não lhes diz nada, contanto que as exportações quebrem recordes e seus lucros continuem exorbitantes. Os patriotas se dizem os únicos que verdadeiramente amam a nação, mas o que eles mais odeiam são os miseráveis que a povoam por toda parte”.
Sua crítica nesse último capítulo de sua obra, que deve ser lida por todos aqueles que amam a leitura, é bem clara e não carece de maiores comentários. Ele próprio complementa afirmando que essa gente é “desprezível, marginais por natureza, o câncer a ser extirpado a todo custo e o quanto antes”.
Até parece que Nélio estava prevendo os acontecimentos do oito de janeiro quando esses “patriotas” invadiram os três poderes numa tentativa de dar um golpe na Constituição e implantar uma ditadura fascista no Brasil.
Depois dessa “bofetada”, o autor de BR2466 faz uma reflexão sobre a alienação da nossa gente que está mais ligada para os encantos das tecnologias que “mudariam nossas vidas em definitivo e que metamorfosearam-se na extensão do corpo humano, alterando, assim, o nosso modo de ver, ouvir, falar e existir”.
Sobre essa situação atual em que vivemos de ódio e intolerância, Nélio fala de avatares e sorriso amarelo de amigos e familiares. “Com o tempo, passamos a não nos reconhecer como há pouco imaginávamos. Incrédulos, numa última tentativa, buscamos exaustivamente o traço de uma face amiga que se perdeu. Por menor que fosse esse traço, depositamos nele a esperança de um resgate daquilo que para muitos não passa de ilusão”.
…”restou-nos o exílio, a fuga daqueles que não suportamos a presença, o medo de caminhar por entre as ruas e sermos apedrejados, o ódio espalhado feito peste epidemiológica colocando todos contra todos, a liberdade de expressão, tão cara aos regimes democráticos, convertida na liberdade de encolerizar-se contra o dissidente, o opositor, o que insiste em resistir, o que não aceita subjugar-se”.
NÃO REZES POR MIM
Nova criação poética de autoria do jornalista Jeremias Macário
Quando a doença
Atacar meu corpo,
Não mais da cura a crença,
Em estado terminal,
A sofrer em casa,
Ou na tortura de um hospital,
Não rezes por mim,
Não intercedas pra eu ficar;
Ores para eu ir,
Deixas minha alma viajar,
E não rezes por mim.
Se tens compaixão,
Se sentes minha dor finita,
Se entendes a finitude,
Se acreditas,
Que tem a hora de partir,
De ir embora,
Não rezes por mim,
Rezes sim,
Para eu ir,
E não chores por mim.
Alegras teu espírito,
Olhas o azul infinito,
Tudo tem o seu fim,
Pagues ao barqueiro,
Para levar à outra margem,
Mais um velho estradeiro,
Passageiro de uma viagem.
Não rezes para ficar,
Rezes para eu ir,
Para outro qualquer lugar.
CACHORROS DE CAMBÃO
Já vi jegue e vaca de cambão para impedir a invasão de cercas para terrenos de vizinhos por serem considerados arrombadores costumasses, mas cachorros de cambão é uma coisa rara que me chamou a atenção no sitio de um sobrinho lá no povoado de Jenipapo, em Jacobina. A curiosidade me levou à pergunta sobre o motivo e ele me respondeu que os animais estavam pegando os cabritinhos das fazendas próximas. Ele, então, improvisou um cambão feito de canos porque os cachorros estavam matando os cabritos da vizinhança. Foi o único meio para eles não saírem do sítio e o dono não mais receber reclamações e pagar os prejuízos. Andando pelo interior desse sertão nordestino sempre nos deparamos com coisas inusitadas e as lentes estão sempre preparadas para flagrar fatos que nem sempre vemos por aí. São pé duros, mas valentes quando algum estranho se aproxima. Pelo menos foi uma forma criativa encontrada para deixar os cabritinhos sossegados em seus pastos.
DA TERRA NASCEM OS BRUTOS
Não restam dúvidas que o Governo Lula saiu mais fortalecido da invasão bárbara à sede dos Três Poderes porque recebeu o apoio da grande maioria dos países contra qualquer atentado à democracia e ainda apaziguou as forças armadas, mas dizer que foi uma armação dos petistas, essa é um absurdo dos absurdos. São línguas de fogo!
Da terra nascem os brutos e também os fortes, os pacificadores, os rebeldes, os invejosos, os amorosos, os maldosos, os demônios e fantasmas, os anjos, a escória humana e os propagadores de mentiras e conjecturas falsas, algumas por ignorância e outras por intenção mesmo por causa da cegueira extremista.
Os brutos e violentos destroem nossos sonhos, nossa história e memória. Os fortes e pacificadores lutam, argumentam, dialogam racionalmente e até protestam para construir. Os outros são como párias da sociedade e se fazem de cegos, mudos e surdos e não pensam no coletivo para melhorar o seu habitat. São como ervas daninhas e cipós que se enroscam nas outras árvores para sugar suas seivas. Só assim conseguem sobreviver.
Bem, não sou juiz para fazer julgamentos e dar sentenças, mas não acreditei quando vi nas redes sociais gente conjecturando que as invasões do oito de janeiro podem ter sido coisa armada dos petistas, tudo depois de investigado e constatado com imagens, inclusive de muita gente que participava dos acampamentos em frente dos quarteis e até Tiros de Guerra, como em Vitória da Conquista.
Nem é preciso falar aqui da barbárie praticada contra nosso patrimônio artístico e cultural através da quebra de peças antigas, quadros e perfuração de pinturas valiosas que fazem parte da nossa história. Fico aqui a pensar, se a intenção era tomar o poder e instalar uma ditadura militar, o mais correto não seria preservar os objetos, móveis e os acervos culturais nacionais?
Cadê o patriotismo tão propagado e “defendido”. Isso não é coisa de patriota que diz preservar a família, a moral e a tradição. O governo pode até ter ´saído mais forte, mas é bom colocar as barbas de molho. A história pode se repetir como aconteceu com Jango em 1964 quando as ligas camponesas, os sindicatos e os estudantes apoiavam as mudanças sociais e políticas. Deu no que deu num golpe civil-militar.
Por isso que digo que da terra nascem os brutos. A raiva, o rancor e o extremismo falam mais alto que a razão. Um negócio de doido! Não havia uma liderança para conter o vandalismo e aí cada um agiu por conta própria. Foi um tiro no pé ou saiu pela culatra. A democracia saiu mais sólida e os militares linha dura saíram com o rabo debaixo das pernas, mas não é bom abrir a guarda.
O extremismo pode até avançar no início, mas termina perdendo e dando mais forças para o poder constituído. É só uma questão de tempo. O extremo está sempre fadado a cometer uma besteira e dar vitória ao adversário, mas é bom ter cuidado com o recuo. Nesse caso em pauta, o Lula e seu partido foram os mais beneficiados porque a grande maioria da sociedade demonstrou seu repúdio, bem como as nações das Américas e europeias.
No entanto, tudo isso não quer dizer que não venham mais “bombas” por aí, principalmente se os erros do passado forem repetidos, como essa do BNDES financiar obras estrangeiras, como o gasoduto argentino.
Vão começar os atos de suborno e corrupções? O banco de desenvolvimento tem mais que investir dentro do nosso país e se voltar para os pequenos e médios negócios. A nossa casa está desparafusada, desarrumada, meio ambiente sendo destruído, sem falar da pobreza e da miséria, vergonha da nossa nação. Não deve haver erros.
COMO NASCEM OS EXTREMISMOS?
O EXTREMISMO NÃO É SOMENTE DE DIREITA, MAS TAMBÉM DE ESQUERDA. PARA O EXTREMISTA, A “COMPAIXÃO É PARA OS FRACOS”!, COMO DIZIA O PRUSSIANO NIETZSCHE.
É uma pergunta difícil de se responder, mas a história da humanidade nos ensina que o extremismo surge a partir da decadência de um povo órfão de lideranças confiáveis. Na tempestade, o extremista se agarra no primeiro tronco ou árvore que encontra, não importa se suas raízes são podres. Lembra daquele filme “Da Terra nascem os Brutos”?
Costuma-se dizer que esse rebanho desnorteado, errante, desregrado e sem respeito ao convívio social com outras pessoas é alvo fácil dos extremistas. Muitos dos extremismos nascem das religiões e desembocam no fanatismo. Extremistas saem debaixo da terra quando seus líderes fraquejam e outros surgem prometendo redenção e o reino dos céus.
O Antigo Testamento, por exemplo, que deu origem ao judaísmo com Abraão, Jacob, Moisés (os dez mandamentos), profetas e os reis David e Salamão, com muitos códigos baseados nas leis de Hamurabi, criou um Deus carrasco, impiedoso e vingativo para punir os maus costumes chamados de pecados da carne.
Depois veio Cristo com uma pregação filosófica humanística para condenar o moralismo extremista dos hipócritas fariseus e daqueles que se achavam acima das leis. Esse mesmo cristianismo, posto para uns amarem os outros e viverem em paz, caiu no extremismo dos papas, num convívio promíscuo entre poder e Estado.
Na mesma linha, 500 ou 600 anos depois de Cristo, aparece o extremista Maomé com o islamismo, que tentou impor sua religião em Meca. Não conseguindo, fugiu para Medida e de lá volta com um exército para eliminar os ditos infiéis na denominada guerra santa. O Alcorão é outro livro com passagens e importações extremistas. Ele dizia guiar seu povo perseguido e intencionava dominar o mundo através de seus califados.
A própria Igreja Católica também enveredou para o extremismo com suas vendas de indulgências, torturas, imposições e inquisições contra aqueles que seus líderes consideravam pagãos, bruxos e hereges. Os Cruzados também se achavam no direito de eliminar os árabes muçulmanos de Israel.
Por volta de 1500 Martinho Lutero e João Calvino fazem a ruptura religiosa do extremismo católico que abusava do seu poder para explorar a fé cristã e escrevem sua própria Bíblia luterana-calvinista para contestar uma moral decadente. Logo depois se tornam também extremistas.
Com o tempo, o que veio para combater o extremo vai dando lugar a outro extremo, como aconteceu com as correntes do protestantismo através dos evangélicos fanáticos, mas antes disso tivemos o fascismo de Mussolini, na Itália, e o nazismo hitlerista, na Alemanha, justamente aproveitando a decadência dessas nações que perderam as esperanças em seus líderes. O mesmo ocorreu com o comunismo de Lenin e Stalin para derrubar o extremo de um Czar já enfraquecido.
O nazifascismo prometeu a supremacia racial, soerguer as nações, acabar com a devassidão e tirar o povo da escravidão social e política, como fez Moisés perante os Faraós. A bola da vez eram os judeus, os ciganos e minorias.
Na terra prometida de Moisés brotaram os extremistas. Nas circunstâncias de desespero, esses líderes, psicopatas ou não, conseguem arrebanhar seguidores e multidões. Só eles estão com a verdade absoluta, sejam de direita ou de esquerda. Não aceitam ser contrariados.
NO BRASIL
Em nosso país, essa extrema-direita teve início há mais de 20 anos através de pastores evangélicos fanáticos, aproveitando a miséria e a ignorância do nosso povo abandonado e esquecido pelos governantes. O extremismo também tem raízes na pobreza, na disparada da violência, na desagregação familiar e nas mudanças do novo, não aceitas por eles pastores que guiam as mentes fracas.
O extremismo no Brasil é um somatório de fatos desde os atos de corrupção e desvios de conduta do Governo do PT diante das promessas de ética e honestidade para corrigir os malfeitos. Veio a Operação Lava-Jato e o povo foi se sentindo traído e decepcionado. Os evangélicos conservadores aproveitaram para adentrar ao poder.
O estopim culminou com o mandato de Dilma, uma líder fraca, vulnerável e manipulável que cometeu vários erros políticos. Veio a onda das corrupções e seu governo não conseguiu decolar. O povo foi para as ruas e tudo terminou com o golpe civil-parlamentar.
No meio das manifestações, uma boa maioria era de fanáticos extremistas, muitos dos quais evangélicos, que gritavam ordens de moral, família e tradição contra o PT, com o slogan “Nunca Mais”. Para dar voz aos esqueletos macabros medievais que saíram do armário apareceu o Bolsonaro, o “Bozó” psicopata genocida que há anos já expressava suas ideias racistas, misóginas, homofóbicas e autoritárias ditatoriais na Câmara dos Deputados.
Sua senha era justamente o “PT Nunca Mais” e aí o circo foi pegando fogo. Prometia moralizar os costumes, exterminar os “infiéis” pecadores taxados de comunistas e demônios vermelhos. Foi a partir disso que os extremos foram saindo de suas locas com paus, pedras, facões, facas, porretes, revólveres, fuzis e até metralhadoras através do incentivo ao armamento coletivo como salvação da sociedade.
O lema fascista moralista sempre foi pátria, família e tradição contra o que eles acham de baderna democrática essa coisa de igualdade social e de gênero para todos. Quanto ao resto, todos sabem muito bem no que deu e aconteceu com as eleições e a invasão desses bárbaros extremistas às sedes dos três poderes, no dia 8 de janeiro, com o objetivo de implantar uma ditadura militar.
PETROLINA/JUAZEIRO OU VICE-VERSA
Meu caro amigo jornalista e companheiro Carlos Gonzalez me sugeriu fazer uma crônica sobre Petrolina/Juazeiro, ou vice-versa Juazeiro/Petrolina. Topei a tarefa e lá vou eu com minhas impressões e digitais para agradar a uns e desagradar a outros, mas é assim mesmo com quem se atreve a escrever: Tem que dar a cara a tapa.
Quando estive em Juazeiro pela primeira vez, início da década de 70, foi numa excursão universitária para intercâmbio cultural e disputar uma partida de futebol, mas tudo virou em farra nas boates da noite e nelas me embriaguei até o dia clarear. Terminei me casando com uma juazeirense sangue bom.
Uma das primeiras coisas que ouvi nos papos era que Petrolina simbolizava trabalho e Juazeiro diversão, esbórnia, curtição, festas, boemias, paqueras e tudo começava no famoso bar-restaurante “Vaporzinho do Saldanha”, encostado na orla do Rio São Francisco, ou o “Velho Chico”. De lá, depois de uns goles, se partia para as noitadas bregueiras e etílicas.
Admiro Petrolina por ser mais desenvolvida e avançada política e socialmente, mas amo Juazeiro das memoráveis lembranças dos anos 70 e 80 com uma turma da “pesada”, como Renatinho, Bubu. Nivaldo presepeiro, Márcia, Regina, Toinho humorista, Toló, Jorjão, que nunca tinha dinheiro na carteira, Titinho, minha ex-mulher, Rutinha e outros que apareciam nas horas dos programas malucos.
A noite era mesmo uma criança e não se tinha hora para voltar. A gente nem ligava para as muriçocas, sempre famosas em Juazeiro. Elas que se incomodavam com o bafo das bebidas e o sangue embriagado. Era só deitar e se entregar aos braços de Orfeu.
Meus dois primeiros filhos nasceram em Juazeiro porque a mulher queria ficar perto da família e lá estava eu com os amigos para aquela comemoração que parecia não mais terminar. Nos carnavais, então, era um tal de cheirar lança-perfume e até loló, sem falar em outras coisas. Inventavam até o esquema de brigar com a mulher para sair sozinho.
As coisas mudaram e Juazeiro hoje não é mais o mesmo da vida noturna intensa (muitas boates fecharam), mas continua sendo mais atrasado que Petrolina. A ponte separa e, ao mesmo tempo, une as duas cidades nordestinas, uma de Pernambuco e a outra da Bahia.
Na última viagem no início do mês ouvi de um jovem sentado ao meu lado num bar em Petrolina de que os prefeitos de Juazeiro são todos safados, preguiçosos e corruptos, que não levam o crescimento para a cidade. Seria falta de representantes fortes no Governo do Estado?
A orla de Juazeiro é mais bagunçada e suja. A de Petrolina mais limpa e com maior estrutura. Uma parte da ponte do lado de Petrolina é mais larga e apresentável, diferente da outra fronteiriça a Juazeiro. As mudanças são bem visíveis quando se entra na Bahia vindo de Petrolina.
Os anos se passaram desde quando conheço as duas cidades, cerca de 50, e sempre tenho ouvindo que a pernambucana é bem mais desenvolvida. Dizem que os prefeitos baianos são os culpados por Juazeiro ter ficado para trás, ou o próprio povo.
No entanto, numa coisa as duas não têm do que se queixar, pois são abençoadas pelo “Velho Chico” que empresta suas águas para irrigar os campos de uvas, mangas, melões, melancias e outras frutas. É isso meu amigo Gonzalez, senão terei que me alongar e ficar enfadonho para os poucos leitores que temos atualmente nessas magras eras culturais.
NO CENTRO HISTÓRICO DE CANAVIEIRAS O DESTAQUE PARA A GALERIA DO PORTO
Uma cidade aprazível e acolhedora para os turistas com belas praias, localizada entre Ilhéus e Porto Seguro, no sul da Bahia, O Centro Histórico de Canavieiras precisa de urgentes reparos, pois alguns casarões estão abandonados e outros caídos. A própria igreja matriz de São Boaventura carece de serviços de pintura externa e interna.
A última reforma do centro foi realizada nos anos 90 no Governo de Paulo Souto, conforme consta de uma placa. Outro problema sério é a sujeira na orla do rio Pardo que desagua no mar, bem como do rio Patipe. Barcos velhos e o lixo poluem o rio ao ponto de exalar mau cheiro.
Mesmo assim, o Centro Histórico é bastante visitado por turistas principalmente à noite no conjunto de bares e restaurantes com música ao vivo. É uma cidade sossegada que proporciona maior descanso para quem não gosta de muita agitação, como Porto Seguro, Salvador e Morro do São Paulo.
É uma boa opção para curtir as férias. Para quem sai de Vitória da Conquista por Itapetinga, entrando em Potiraguá, as estradas estão péssimas e em alguns lugares nem existe mais asfalto. Na BR-101 você roda mais 40 quilômetros em direção a Ilhéus até o entroncamento de Canavieiras, passando por Santa Luzia. A partir dali não existe mais asfalto e o trecho é bastante perigoso.
No Centro Histórico, o maior destaque é a Galeria do Porto ou museu, como queira, de um colecionador suíço de nome Cristie. São objetos raros e antigos de grande valor, como uma cama no formato de um leão, uma vitrola, telefones, máquinas de costurar, ferros de passar roupa, mesas de madeira de lei, bonecas, quadros e outros itens preciosos.
As praias formam uma paisagem à parte com várias opções para os turistas, com uma boa estrutura de cabanas, mas os preços não são nada agradáveis, especialmente nessa época do ano. Logo na entrada, o visitante é recebido por uma grande escultura de um caranguejo, uma marca de Canavieiras pela fama dessa iguaria que está cada vez mais escassa pela exploração predatória do homem.
DEMOLIÇÃO DA PREFEITURA DE PIRITIBA É CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO PÚBLICO
De passagem por Piritiba, Piemonte da Chapada Diamantina, onde tenho fortes lembranças quando moleque no início da década de 60, confesso que fiquei triste quando vi o tapume indicando a demolição do antigo prédio sede da prefeitura, símbolo da criação da cidade por volta de 1954 ao se desmembrar de Mundo Novo.
A derrubada, segundo moradores porque o telhado estava deteriorado, vai dar lugar a uma praça em homenagem ao primeiro mandatário da nova cidade Carlos Ayres de Almeida, o que não justifica sr, prefeito Samuel Santana! Isto não passa de um crime contra o patrimônio público, coisa do nosso Brasil que tem a cultura perversa de demolir nossa história e apagar a memória.
Recordo muito bem daquela sede na conhecida “Rua do Rico”, próximo da feira e a primeira via a ser calçada, se não me engano, no segundo mandato de Joaquim Sampaio, o “Quinzinho”. Da minha amada Piritiba tenho fortes lembranças como moleque onde vendia doces de leite, lenha e água (lenhador e agueiro no lombo de jegues).
No início dos anos 60 quase todas ruas eram no chão, como a atual Praça Getúlio Vargas onde com outros amigos batia o sagrado baba nos finais de tarde perturbando moradores e donos de bares em torno da área. Lembro do primeiro cinema onde a sensação eram os filmes de faroeste com torcidas para Zorro, o cachorro Ritimtim, Búfalo Bill, Roy Rogeres e outros heróis norte-americanos.
Recordo muito bem das molequeiras e brincadeiras de chicotinho queimado, esconde-esconde, pau de bosta, bola de gude, das brigas com meninos de outras ruas e claro, dos furtos de manga e frutas nos quintais e nas roças. Matava aula no Colégio Almirante Barroso para tomar banho no rio Maxixe. À noite ia para a estação de trem carregar malas dos passageiros para ganhar umas moedas, ou tostões. Os ganhos serviam para a compra de revistas em quadrinhos.
Era uma cidade ainda bebê e eu tinha uns 13 ou 14 anos, mas bem antes disso vendia farinha na feira com meu pai, produzida nas fazendas Queimadinha e Caldeirãozinho. O tempo foi passando e vi a cidade se evoluindo com aquele casarão onde abrigava a prefeitura, um prédio antigo que deveria ser preservado e não demolido para dar lugar a uma praça sem muita serventia.
Pela Piritiba, que tem como padroeiro o Senhor do Bonfim, que me criou e ensinou as primeiras letras para seguir em outros estudos em terras diferentes, fica aqui, sr. prefeito, vereadores e a comunidade piritibana, meu veemente protesto por terem consentido derrubar um prédio que nunca deveria ter sido caído, mas reformado e utilizado para outros fins. Malditos tratores e maldito o homem que destrói sua história!
UM POUCO DA SUA HISTÓRIA
De acordo com pesquisa do Google, o Município de Piritiba, está localizado no Piemonte da Chapada Diamantina, no centro do interior baiano. Possui clima ameno, (temperatura média de 25° C), devido a sua altitude.
A região foi desbravada em 1883, e tudo começou na Fazenda Cinco Várzeas de propriedade do Cel João Damasceno Sampaio, que era totalmente coberta pela Mata Atlântica. Possui um bom número de rios e riachos, quase todos temporários, com exceção do Rio Jacuípe que corre o ano todo.
O Cel João Damasceno Sampaio, tinha um grande sonho: Ser o fundador de uma grande cidade. Em 1925, começou a realizar sua vontade. A história do município começa na sede da “Fazenda Cinco Várzeas”, chamada de “Sobradinho”, de propriedade de João Damasceno Sampaio, no ano de 1925.
Conta Francelino França da Silva, fiscal de rendas da Prefeitura Municipal, que o sr. João Damasceno, mandou chamar á sede de sua fazenda, o sr. Manoel Nazeozeno Lopes, mais conhecido como Manoel de Alcino, homem com vasto conhecimento prático de agrimensura e desenho, e pediu para o mesmo providenciar a medição e o projeto de uma cidade que faria construir dentro de sua propriedade.
A princípio, o sr. Manoel de Alcino, pensou tratar-se de um sonho maluco, pois não achava o local muito adequado para se construir uma cidade, devido a escassez de água tendo em vista que o riacho que passava pelo local era temporário. Mesmo assim, providenciou a medição e o projeto do loteamento, com suas ruas e praças e o entregou a João Sampaio. Este sem perder tempo, convocou um agregado de sua fazenda de nome Manoel Apolônio e mandou limpar o local e convocou alguns parentes para iniciar a construção das primeiras casas.
João Sampaio ia vendendo os lotes para os que podiam pagar. Os que não tinham recursos, ele doava para pagamento posterior em caso de venda. Neste tempo estava em construção a Estrada de Ferro da Companhia Brasileira de Estradas de Ferro, sendo que em 1927, os primeiros trilhos chegaram à Fazenda “Cinco Várzeas”, e começou a ser construída a Estação Férrea, a casa do Chefe da Estação, as casas dos feitores e dos demais trabalhadores (cada grupo de trabalhadores era chamado de “Turma”).
Este fato trouxe enorme impulso à vila que já se formava, pela quantidade de pessoas que trabalhavam ou que eram fornecedores de matérias (dormentes), e que viviam em função da Estrada de Ferro. Assim foi chegando gente de todos os lugares no chamado povoado Cinco Várzeas.
A partir dali foi construída uma feira no local. Essa feira foi realizada em baixo de umbuzeiro e, segunda a narração de Francelino Silva, além da primeira banda do boi trazida por Horacio Marcelino, só tinha pra ser vendido, um carneiro e um porco abatidos, uns quatro sacos de farinha, um saco de feijão, e mais algumas bobagens. Isto aconteceu em abril de 1928.
O CRESCIMENTO
Em 1932, na gestão do prefeito de Mundo Novo, Raul da Costa Vitória, o povoado de Cinco Várzeas, foi elevado à categoria de Distrito de Paz, sendo nomeados as primeiras autoridades, como o juiz de Paz Jose Umbelino, Escrivão de Paz Jose Maria de Lima, subdelegado Januário Marques, Fiscal Municipal Francelino França da Silva. Nesta época também chegou o 1° médico para o distrito que foi o Dr. Julio Olimpio da Cruz, agente da estação João Jeanbastian.
Em 1933, com a chegada da Estrada de Ferro, o povoado de Cinco Várzeas, passou a denominar-se de “Povoado do Junco”. Em 05.04.1934 o Decreto Estadual 8.881, criou o Distrito de Cinco Várzeas, para ser mudado novamente em caráter definitivo para o nome de “Piritiba”, através do decreto estadual 11.089 de 30.11.38.
Ainda no mesmo ano chegava ao distrito os primeiros professores públicos, nomeados pelo estado: Osvaldo Macedo, designado para Andaraí e sua esposa D. Anna Macedo, para Cinco Várzeas. Lecionaram por longos 35 anos.
Com a inauguração da Estrada de Ferro, em 1934, o distrito de Piritiba teve um grande impulso em seu desenvolvimento comercial, pois começaram a chegar comerciantes vindos de Juazeiro, Saúde, Jacobina, Senhor do Bonfim, Salvador, e outros locais, tornando o movimento na Estação Ferroviária muito intensa.
O distrito exportava gado bovino, farinha de mandioca, mamona, dormentes, coco babaçu e ouricuri, pó de palha do ouicurizeiro, além de receber diversas mercadorias oriundas de Jacobina, Senhor do Bonfim, Juazeiro e Salvador. Em dezembro de 1939, desembarca em Piritiba, pela Estrada de Ferro, o Dr. Carlos Ayres de Almeida, a convite do farmacêutico Aloísio Cedraz. Ambos trabalhavam no Distrito do França.
Nessa época existia um grande surto de malária, principalmente às margens do rio Jacuípe que dizimou várias vidas. Após concluir o seu trabalho naquele distrito, Dr. Carlos Ayres fixou residência em Piritiba, vindo a ser posteriormente um grande batalhador pela independência política da nossa cidade, culminado por exercer o cargo de prefeito, eleito que foi em 03 de outubro de 1954.
EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
Um fato mudou o destino do distrito de Piritiba através de uma epidemia de febre tifoide e disenteria bacilar, motivados pelos detritos de um matadouro público, localizado no terreno onde hoje é a Delegacia de Polícia. O Dr. Carlos Ayres, preocupado com o problema da saúde pública, comunicou o fato ao prefeito de Mundo Novo, Dr. Adalberto S. Campos, pedindo providencias, e obteve como resposta a indiferença e a omissão.
Um dia, aproveitando a visita do prefeito ao distrito, uns quatro homens pediram que a prefeitura mandasse tapar os buracos e varrer as ruas, pois estes serviços há muito tempo não eram realizados. Mais uma vez a resposta do prefeito que não gostava do distrito, segundo Dr. Carlos Ayres, era detestável, pois feria a dignidade e a honra das pessoas que aqui viviam.
A revolta com o descaso como eram tratadas as reivindicações do nosso povo, por partes das autoridades municipais de Mundo Novo, despertou num jovem médico um desejo de liberdade política para o distrito de Piritiba, fazendo uma convocação aos homens do lugar, para a luta pela Emancipação.
João Sampaio, indignado com tudo o que estava acontecendo, viajou para a capital, manteve vários contatos com políticos e conhecidos e quando voltou, trouxe um mapa do futuro município de Piritiba, com os limites já delineados, num trabalho digno de louvor.
Formou-se então uma comissão encabeçada por Dr. Carlos Ayres e mais Joaquim Sampaio Neto, Carlos Brandão da Silva, Milton Almeida Sodré, entre outros, e após vários contatos, a Assembleia Legislativa, assinou a Lei 503 de 27 de setembro de 1952 pelo então governador Dr. Régis Pacheco, concedendo a Emancipação Política de Piritiba, desmembrando do município de Mundo Novo.
O Sr., Otavio Souza Santos foi nomeado gestor por 02 anos, até o advento das eleições que seriam realizadas em 03 de outubro de 1954, quando foi eleito o 1° Prefeito de Piritiba, o Dr. Carlos Ayres de Almeida, do PSD, que disputou a eleição com o Sr. Dionísio Almeida, da UDN.
Após dois meses de mandato do prefeito Carlos Ayres de Almeida, as pessoas influentes de Mundo Novo conseguiram tornar sem efeito a Lei 503 que emancipou politicamente Piritiba, voltando nossa cidade à condição de distrito de Mundo Novo.
Na mesma semana chegou à cidade uma comissão formada pelo prefeito de Mundo Novo, Sr. Osvaldo Vitória, pelo Juiz de Direito da Comarca de Mundo Novo, e o Pe. Nicanor, com a missão de tomar posse da prefeitura. Dr. Carlos Ayres, prefeito de Piritiba, resistiu e informou que só entregaria o cargo ao governador do Estado, o Dr. Antônio Balbino.
Nesse ínterim, uma multidão de piritibanos já estava em frente à prefeitura, o que intimidou a comitiva mundunovense que bateu em retirada. Uma semana após este incidente, o prefeito de Piritiba, acompanhado do Sr. Davino Soares e o Sr. Milton Sodré foi recebido em uma audiência pelo governador Antônio Balbino, que apoiou a atitude assumida pelo prefeito e declarou que enquanto fosse governador do Estado, a Prefeitura de Piritiba continuava sob a administração de Dr. Carlos Ayres, que assim pode cumprir o seu mandato, mesmo contrariando a Lei que revogou a emancipação.
Em março de 1958, faltando oito meses para a realização das eleições para prefeitos dos municípios, uma comissão encabeçada pelo prefeito Dr. Carlos Ayres, volta novamente a Assembleia Legislativa, agora com o apoio do Deputado Dr., Waldir Pires que abraçou a causa dos piritibanos e colocou em tramitação a Lei 140 que foi aprovada e restaurou a Emancipação Política de Piritiba.
Essa Lei foi assinada pelo governador Dr. Antônio Balbino, no final do seu mandato. Em retribuição, Piritiba através de suas lideranças deram uma votação histórica ao deputado Waldir Pires, de 1.033 votos num Colégio Eleitoral de 3.800 votos aproximadamente.
A nova eleição foi realizada, em outubro de 1958, desta vez saiu vitorioso o Sr. Joaquim Sampaio Neto (PSD), que derrotou novamente o Sr. Dionísio Almeida UDN).
A gestão de Joaquim Sampaio Neto foi corada de êxito, tendo então Piritiba a oportunidade de se desenvolver urbanisticamente. O prefeito Joaquim Sampaio Neto providenciou o calçamento de ruas, melhorou as estradas vicinais, construiu pontes e mata-burros, escolas, prédio da Câmara de Vereadores, recuperou o prédio da Prefeitura Municipal entre outras obras. O terceiro prefeito foi José Batista Viana Neto, entre 1962-1966.
































