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:: 26/jan/2023 . 22:24

NÃO REZES POR MIM

Nova criação poética de autoria do jornalista Jeremias Macário

Quando a doença

Atacar meu corpo,

Não mais da cura a crença,

Em estado terminal,

A sofrer em casa,

Ou na tortura de um hospital,

Não rezes por mim,

Não intercedas pra eu ficar;

Ores para eu ir,

Deixas minha alma viajar,

E não rezes por mim.

 

Se tens compaixão,

Se sentes minha dor finita,

Se entendes a finitude,

Se acreditas,

Que tem a hora de partir,

De ir embora,

Não rezes por mim,

Rezes sim,

Para eu ir,

E não chores por mim.

 

Alegras teu espírito,

Olhas o azul infinito,

Tudo tem o seu fim,

Pagues ao barqueiro,

Para levar à outra margem,

Mais um velho estradeiro,

Passageiro de uma viagem.

Não rezes para ficar,

Rezes para eu ir,

Para outro qualquer lugar.

CACHORROS DE CAMBÃO

Já vi jegue e vaca de cambão para impedir a invasão de cercas para terrenos de vizinhos por serem considerados arrombadores costumasses, mas cachorros de cambão é uma coisa rara que me chamou a atenção no sitio de um sobrinho lá no povoado de Jenipapo, em Jacobina. A curiosidade me levou à pergunta sobre o motivo e ele me respondeu que os animais estavam pegando os cabritinhos das fazendas próximas. Ele, então, improvisou um cambão feito de canos porque os cachorros estavam matando os cabritos da vizinhança. Foi o único meio para eles não saírem do sítio e o dono não mais receber reclamações e pagar os prejuízos. Andando pelo interior desse sertão nordestino sempre nos deparamos com coisas inusitadas e as lentes estão sempre preparadas para flagrar fatos que nem sempre vemos por aí. São pé duros, mas valentes quando algum estranho se aproxima. Pelo menos foi uma forma criativa encontrada para deixar os cabritinhos sossegados em seus pastos.





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