:: 18/jan/2023 . 23:22
O SERTÃO EXUBERANTE!
Depois que batem as chuvas, o sertão do semiárido brota exuberante de encher os olhos, como observei nas paisagens verdes saindo de Vitória da Conquista para Juazeiro. As flores se abrem, as águas jorram para todos os lados, os rios transbordam e a terra fica viçosa para alegria do sertanejo que vê chegar a fartura.
Logo partindo de Conquista, na boca do sertão para Anagé, o colorido toma conta com árvores floridas que substituem os engaços cinzentos dos tempos da seca onde só o mandacaru, os cactos e a palma sobressaem, para tristeza do homem do campo que fica sem água e alimentação para si e seus rebanhos.
As duas épocas servem de contrates nas lentes das máquinas fotográficas e ambas produzem lindas fotos, umas de desolação e outras de esperança e fé. As reportagens são diferentes, mas enchem as páginas dos jornais, e as imagens ilustram as televisões e as redes sociais.
Os açudes, tanques e barreiros secos voltam a dar vida com as chuvas, como nos últimos meses. Dá gosto ver a natureza renovada e sentir o vento cortante balançar as árvores exuberantes, como os ipês e outras espécies da caatinga.
Os animais se alimentam da seiva de barriga cheia. Os sapos saltam das lagoas e as aves cantam com mais harmonia. Todos agradecem a fartura. Os frutos ficam mais saborosos, como os umbus e até me aventureirei nos matos para catar essas delícias.
Pena que o homem não aprendeu zelar por toda essa riqueza natural e ainda joga lixo nas estradas e derrama esgotos e detritos nos rios. Toda essa sujeira pode ser vista nas corredeiras e nas margens dos rios e riachos, poluindo nosso amado meio ambiente.
É o sertão forte e bonito de se ver. Entristece a alma quando bate a estiagem e o sertanejo é obrigado a se retirar para outros rincões mais distantes da sua terra natal. É bom retornar, mas é necessário refletir e mudar de comportamento quando se trata de preservar a natureza que ela nos presenteia com suas dádivas.
Confesso que fiquei encantado em ver toda essa exuberância nos mais de mil quilômetros de viagem, mas em minha mente também passavam os fleches dos engaços e bagaços, dos carros-pipas levantando a poeira das estradas para abastecer as cisternas desse semiárido tão castigado que os governantes pouco dão a devida assistência e apoio para se conviver com as secas.
DO SUDOESTE, NORTE E SUL
NOSSO SÃO FRANCISCO CONTINUA MALTRATADO
Foi uma viagem que me fez lembrar dos velhos tempos que saia de férias cortando estradas de carro por vários estados, especialmente na região Nordeste, da qual me orgulho em apreciar suas lindas paisagens e interagir com a cultura das pessoas.
Foram cerca de quinze dias e quase três mil quilômetros percorridos com minha companheira e parceira Vandilza Gonçalves. No início do mês atravessamos a Chapada Diamantina por várias cidades históricas, como Ituaçu, Barra da Estiva, Mucugê, Andaraí, Rui Barbosa, entre outras, rumo a Juazeiro, no norte da Bahia.
Nem é preciso dizer o quanto prazeroso ver um sertão exuberante e colorido que há sete meses estava entre os engaços e bagaços da sequidão. Muita água nos rios, tanques, açudes e barreiros, sem falar das corredeiras das cachoeiras e das árvores coloridas, como dos ipês amarelos.
Foi uma viagem para rever amigos e parentes mais próximos, como minha filha Cíntia e primos. Prazer por mais uma visita ao “Velho Chico”, dessa vez transbordando, mas ainda necessitando de revitalização. No retorno fizemos o roteiro por Senhor do Bonfim, Jacobina e Piritiba, com a mesma finalidade.
Felizmente as estradas estão recuperadas, o que facilitou esse trajeto sem aquele cansaço e irritação quando se depara com buraqueiras. Mesmo assim, falta acostamento nas estaduais. Vimos coisas que não gostamos, como as sujeiras por esgotos nas margens do rio São Francisco.
Procurei me desligar dos assuntos mais polêmicos e falar de assuntos mais leves sobre a vida e outras fofocas de parentes que sempre estão no script, mas fui arrebatado com a invasão dos vândalos e terroristas aos três poderes, no domingo dia 8 de janeiro.
Procurei deixar o espírito fluir com as prosas dos caboclos e caboclas nas paradas estratégicas. É bom sentir aquela aconchego sincero e hospitaleiro das pessoas simples que nos recebem com presentes nas saídas. Mesmo com essa tecnologia de doido, ainda existe vida.

CACHOEIRA NA CHAPADA, EM ANDARAÍ
Em Jacobina, no povoado de Jenipapo, onde moram uma das minhas irmãs e sobrinhos, um senhor já idoso gostou quando falei que residia em Vitória da Conquista. Lembrou dos tempos de caminhoneiro e foi logo dizendo que a cidade era dividida em duas pela Rio Bahia, ou BR-116, uma era Vitória e a outra era Conquista. Não quis se convencer que era em duas zonas, a oeste e a leste.
Papos engraçados e muitas estórias, como em Piritiba, mais precisamente na localidade chamada de Calderãozinho onde me criei ainda menino. Foi como entrar no túnel do tempo no chão que plantei mandioca e transportava farinha em lombos de jumentos com meu pai.
SUJEIRAS DE ESGOTOS NO RIO PARDO, EM CANAVIEIRAS
Não sabia que era tão famoso por aquelas vizinhanças dos povoados da Tabela e Andaraí. Aquele jeitão rústico e “bruto” do velho deixou suas marcas com suas cismas, mas, principalmente, por ser um homem de palavra, coisa que não mais existe.
De Vitória da Conquista fomos ver o mar nas praias de Canavieiras, saindo do norte para o sul da Bahia. Pela rota de Itambé, Itapetinga e Potiraguá, entramos na BR-101 e saímos em Santa Luzia até o trevo para Canavieiras.
O cenário de boa parte das estradas é de buraqueiras e, em alguns locais, como próximo a Potiraguá, nem existe mais asfalto. Um verdadeiro sofrimento para os turistas que descem de Brasília e Goiás.
De Santa Luzia até perto de Canavieiras, a situação é precária com alto risco de acidentes. Uma vergonha para o governo baiano que faz propaganda enganosa sobre vias que ainda se encontram em estado de conservação.
Fiquei triste com as sujeiras que vi nas margens do rio Pardo que desagua no mar. O homem continua destruindo a nossa natureza, não sabendo que terá um retorno desastroso.
No centro histórico, carente de reformas, muitos casarões estão abandonados, mas compensa visitar a Galeria do Porto de um senhor suíço por nome Cristian que criou um verdadeiro museu com antiguidades preciosas e raras. No mais, sentimos na pele a carestia e a exploração, como sempre, dos turistas nesta época do ano.
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