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:: 27/jan/2023 . 22:38

AINDA SOBRE “BR2466 OU A PÁTRIA QUE OS PARIU”

No último capítulo do seu livro “Isso é apenas o começo”, o crítico literário e filósofo Nélio Silzantov diz que “os patriotas estão nas ruas, saudosos das prisões alheias, torturas e desaparecimentos”, creio que numa alusão à ditadura civil-militar de 1964 e até mesmo sobre as injustiças praticadas contra os direitos humanos, principalmente dos mais pobres.

Para ser mais enfático e direto, o autor destaca que “os patriotas não se importam com a extrema miséria do povo ou se ele morre de fome, desde que todo aquele que quiser, possa ter em mãos o seu próprio fuzil”. Aqui vai um recado para o psicopata do Bozó que incentivou o armamento durante todo seu governo.

“A falta de emprego, saúde, educação e renda não lhes diz nada, contanto que as exportações quebrem recordes e seus lucros continuem exorbitantes. Os patriotas se dizem os únicos que verdadeiramente amam a nação, mas o que eles mais odeiam são os miseráveis que a povoam por toda parte”.

Sua crítica nesse último capítulo de sua obra, que deve ser lida por todos aqueles que amam a leitura, é bem clara e não carece de maiores comentários. Ele próprio complementa afirmando que essa gente é “desprezível, marginais por natureza, o câncer a ser extirpado a todo custo e o quanto antes”.

Até parece que Nélio estava prevendo os acontecimentos do oito de janeiro quando esses “patriotas” invadiram os três poderes numa tentativa de dar um golpe na Constituição e implantar uma ditadura fascista no Brasil.

Depois dessa “bofetada”, o autor de BR2466 faz uma reflexão sobre a alienação da nossa gente que está mais ligada para os encantos das tecnologias que “mudariam nossas vidas em definitivo e que metamorfosearam-se na extensão do corpo humano, alterando, assim, o nosso modo de ver, ouvir, falar e existir”.

Sobre essa situação atual em que vivemos de ódio e intolerância, Nélio fala de avatares e sorriso amarelo de amigos e familiares. “Com o tempo, passamos a não nos reconhecer como há pouco imaginávamos. Incrédulos, numa última tentativa, buscamos exaustivamente o traço de uma face amiga que se perdeu. Por menor que fosse esse traço, depositamos nele a esperança de um resgate daquilo que para muitos não passa de ilusão”.

…”restou-nos o exílio, a fuga daqueles que não suportamos a presença, o medo de caminhar por entre as ruas e sermos apedrejados, o ódio espalhado feito peste epidemiológica colocando todos contra todos, a liberdade de expressão, tão cara aos regimes democráticos, convertida na liberdade de encolerizar-se contra o dissidente, o opositor, o que insiste em resistir, o que não aceita subjugar-se”.





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