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“BR2466 OU A PÁTRIA QUE O PARIU”

Uma mistura de contonetas com croniquetas, se me permite os termos esdrúxulos meu amigo crítico literário e filósofo Nélio Silzantov a respeito do seu novo livro “Br2466 ou a pátria que os pariu”, numa capa antropofágica que nos lembra faces de pinturas humanas da idade média. Seu livro é como abrir a porta para receber um grande amigo para prosear por horas.

Quem sou eu para fazer uma análise mais profunda sobre sua linguagem curta e direta do cotidiano da vida rodriganiana, numa interação copular entre a língua falada e a escrita, sem medo de se expor aos mais conservadores. As expressões são como bofetadas de pelicas em nossas faces.

Em muitos capítulos, fáceis de serem digeridos, como “Toda insanidade é uma forma desesperada de adestrar um marido”, Nélio fala de renovação dos votos de amor para um marido culpado pelo casamento ter sido motivo de falatórios. Ela acreditava que em suas veias corriam o sangue dos bravos selvagens, mas “teu sangue é ralinho”.

Em “O amor não é tudo o que importa”, o autor desnuda as relações sexuais entre Adrielly e Otoniel que tudo faz para não transar com a mulher. “O amor não é tudo o que importa, repetia em seu íntimo, enquanto buscava reacender o tesão observando as silhuetas daquela apetitosa esposa deitada ao seu lado, que àquela altura, cansada de esperar pelo pau mole do marido, devia estar sonhando qualquer coisa num sono profundo”.

Otoniel era fixo nos estudos, mas “sua carreira de escritor não passava de um exercício intelectual, visto por parentes e amigos como um hobby utópico e narcisista que lhe rendia mais despesas, desdenho dos pares e frustração pessoal do que lucro e conformidade aos valores nacionais resguardas pelo Estado”.

Em seus contos ou croniquetas, como já dizia meu saudoso amigo Sérgio Fonseca que falava várias línguas e transbordava conhecimento sem ser reconhecido, nosso Nélio dá as suas porradas nessa sociedade hipócrita, corrupta e sem ética política e social.

“O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, minha querida. Estamos felizes agora?, é claro que estamos. Mas e quando a miséria que se alastra por todo canto bater à nossa porta? As ruas já não abrigam mais os infortunados de outrora” diz o seu personagem. “Sonhar acordado, como dizem, não paga imposto”.

Se em seu romance “Desumanizados”, Nélio escancara a realidade do ser humano, da forma como ele é, em seus contos-croniquetas de “Br2466 ou a pátria que os pariu”, de linguagem accessível, Nélio observa o cotidiano da vida e o transpõe em textos concisos e reais que somente ele consegue fazer.

De fácil e prazerosa leitura, Nélio joga com a política, o social e o comportamento das pessoas, com críticas ácidas que fazem o leitor parar para refletir sobre seu eu existencial.  Bem verdade quando afirma que o “Estado é uma máquina de triturar homens”.

“Br2466 é a diversão com uma mistura de temas inusitados, como a ideia de um regionalismo puro sangue, a dedicação de Deus para criar um Rei do Brega e o comportamentalismo que envolve cabras e poluções noturnas” – como bem assinalou o prefaciador Leonardo Araújo Oliveira, professor do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagem da Uesb.

 

INTOLERANTES DEMOCRÁTICOS

Carlos González – jornalista

Pesquisa Datafolha mostra que 93% dos brasileiros condenam os atos antidemocráticos promovidos por bolsonaristas no último dia 8, em Brasília; outra consulta popular revela que mais de 50% dos evangélicos aprovam a invasão, acompanhada de destruição, aos prédios do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Palácio do Planalto.  

Essa desproporção entre as duas pesquisas afasta qualquer dúvida que ainda havia sobre os autores dos atos de intolerância religiosa, praticados contra a Igreja Católica e as religiões de raízes africanas.  

Denúncias às autoridades policiais têm sido feitas em todo o país, inclusive em Vitória da Conquista, relatando destruição de imagens sacras seculares e atos de vandalismo nos terreiros de candomblé. .A interrupção de uma missa solene em Aparecida, no Dia da Padroeira, por bolsonaristas – o ex-presidente Jair Bolsonaro estava entre o fieis – embriagados, foi condenada pelos católicos.  

Os evangélicos, extremamente dedicados aos seus superiores nos templos da Assembleia de Deus e Igreja Universal do Reino de Deus, alimentam há décadas a ideia de tomar o poder no Brasil. O “enviado de Deus” chegou em 2018, trazendo na bagagem a negação à ditadura militar (1964-1985) e uma expulsão do Exército por indisciplina.  

Nos últimos quatro anos, Jair Bolsonaro presenteou regiamente aquelas pessoas que lhe colocaram à frente do Executivo, nomeando-os para cargos nos primeiro e segundo escalões do governo, – dois devotados ministros foram nomeados para o STF -, a maioria deles sem nenhum preparo para a função que exerciam.  

A derrota de Bolsonaro nas urnas em outubro passado não estava na imaginação de bispos, pastores e apóstolos, que pretendiam desfrutar dos favores do governo por tempo indeterminado, colocando em prática as normas da doutrina fundamentalista. Maus perdedores, divulgaram pelas redes sociais a idéia de que houve fraude nas eleições presidenciais, e convocaram seus apoiadores para uma jornada antidemocrática, na certeza de que as Forças Armadas acreditariam nas suas mentiras.  

 Não há mais dúvida da participação dos evangélicos na montagem e manutenção dos acampamentos em frente aos quartéis do Exército, contrariando a Bíblia, que faz opção pelas armas espirituais (orações, jejum e a palavra de Deus). Os tresloucados imaginavam que as muralhas da democracia, representada nas casas dos Três Poderes, cairiam facilmente, graças ao poder divino, como caíram em 1315 aC as muralhas de Jericó.  

O ambulante José (nome fictício) aproveitava a movimentação dos golpistas em frente ao QG do Exército, em Salvador, para vender picolé, quando recebeu uma oferta de R$ 400 para fazer “turismo” em Brasília. Nem pensou. Embarcou num ônibus que lhe deixou num acampamento a 8 kms da Praça dos Três Poderes.  

José deixou o acampamento na tarde do dia 8 como um dos milhares de autodeclarados “patriotas” de uma marcha pacífica, na opinião do governo do Distrito Federal. Finalmente ia conhecer as casas da democracia do seu país. Mas o que ele presenciou foram atos de terrorismo, com a depredação do patrimônio público e o confronto violento entre golpistas e policiais.  

No calor das batalhas, um policial e sua montaria foram confundidos com os comunistas que, segundo os golpistas, se infiltraram na marcha. Agredidos, o soldado Leles e o cavalo “Drácula” foram feridos por objetos cortantes. O PMDF agradeceu nas redes sociais aos que se preocuparam com ele, escrevendo: “O Senhor dos exércitos nos guardou. Bendito seja o Senhor, minha rocha, que ensinou minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra”.     

Com exceção da intolerável música sertaneja, os neonazistas têm aversão a tudo o que diz respeito à cultura, contrariando seu doutrinador, Adolf Hitler, que se apoderava das obras de arte dos países conquistados, além de ser um admirador da música clássica, principalmente das peças do compositor alemão Richard Wagner.  

Os brasileiros foram testemunhas da destruição do nosso patrimônio cultural na invasão ao Planalto. Eu mesmo fui vítima desse retrocesso cultural: uma réplica do quadro “A Guernica”, adquirido no Museu do Prado, em Madri, foi destruído por uma fanática, sob a justificativa de que eram demônios as figuras criadas pelo famoso pintor espanhol Pablo Picasso.  

Os milhares de bolsonaristas presos em Brasília não significam que estamos num clima de paz. Os inimigos do Estado Democrático de Direito não vão desistir facilmente de tomar o poder, mesmo com a condenação das maiores lideranças mundiais e da maioria do povo brasileiro. Não vamos esquecer que a partir de fevereiro o Congresso Nacional receberá algumas das figuras mais reprováveis do condenável bolsonarismo.  

 

 

UMA VISITA À FAZENDA CALDEIRÃOZINHO

Foi como entrar no fundo do túnel e reviver os tempos de menino criança quando plantei e capinei feijão, milho e mandioca com meu pai durante os anos mais difíceis, principalmente nas épocas de seca em que quebrava coquinho de ouricuri e fazia paçoca para matar a fome.

Da mandioca fazíamos farinha e beijus com ajuda da minha mãe e nos sábados na madrugada era pequeno tropeiro na terra de chão batido, com lamas nas chuvas, tocando jumentos com cargas dos produtos da roça até a feira de Piritiba. Era uma labuta diária e dura para termos o pão que nos alimentava.

Lembro ainda menino naquela roça na localidade conhecida até hoje como “Caldeirãozinho” que há mais de 40 anos não o visitava, o que veio acontecer somente agora nessa viagem de retorno de Juazeiro quando passei por Piritiba onde aprendi as primeiras letras no Colégio Almirante Barroso.

Foram muitas as recordações e histórias que me deixaram emocionado, como do pequeno açude “Caldeirãozinho” onde tomava banho todas as semanas. Ali aprendi a ser trabalhador honesto e enfrentar os desafios da vida com meu pai, inclusive cuidando de um arrozal contra a invasão de passarinhos.

A visita me trouxe uma carga de outras lembranças, como das prosas dos compadres nas bocas das noites com bules de café, dos adjutórios, das cantorias nas batidas de feijão, das idas aos domingos no distrito de Andaraí passando pelo povoado da Tabela e quando parti para estudar em Amargosa no seminário de padres Nossa Senhora do Bom Conselho.

Foi muito prazeroso tomar uma gelada com minha esposa Vandilza na Tabela, no bar do Betão, onde encontrei gente que conheceu meu pai naqueles velhos tempos. Revelaram que nunca viram uma pessoa trabalhar tanto, ao ponto de fazer serviços de dois homens numa roda de ralar mandioca. Ele mesmo fazia sozinho a casa de farinha.

Seu Denga disse sorrindo e brincando que ele ganhava para seu “Lunga” nas tiradas diretas quando lhe perguntavam o óbvio. Era um “casca dura” no bom sentido, mas homem de palavra e de bom coração.

Cismado e direto quando tinha de falar com alguém, mesmo que fosse seu amigo, às vezes ficava tempos sem falar com alguém até se aproximar novamente da pessoa, sem rancor e mágoas.  Lembro quando me dizia com firmeza para ir estudar e não ficar como ele puxando o cabo da enxada, como um ignorante.

A estrada continua a mesma, mas muitas casas desapareceram como a de seu Antônio Barbosa que uma vez, por descuido ou barbeiragem, atropelou minha mãe num fusquinha. Ficou preocupado com a reação do meu pai que não era brincadeira.

De toda viagem de Vitória da Conquista para Juazeiro e no retorno, foi o local que há anos planejava ir para reviver minhas verdadeiras raízes e origens. Posso até afirmar que foi o “Caldeirãozinho” que me deu régua e compasso para ser o que sou hoje.

CAPELINHA DA TABELA, EM PIRITIBA

A TECNOLOGIA ULTRAPASSADA

Nem tanto antiga assim, mas com os avanços acelerados das pesquisas, ninguém mais se fala através de um telefone público. Numa viagem pelo sertão da Bahia até Juazeiro me deparei com essa peça que caiu em total desuso, mas ainda continua lá como relíquia de museu e nos faz lembrar daqueles tempos das moedas e dos cartões telefônicos. Havia até filas para alguém se comunicar com um amigo ou parente, muitas vezes distante, em outros estados. Podia ser para namorar, dar notícias da vida e a negócios urgentes. As lentes da minha máquina flagraram duas peças dessas, um no povoado de Jenipapo, em Jacobina, e outra na Tabela, um lugarejo rural pertencente a Piritiba onde me cresci moleque. Naquela época o fogão era a lenha e quase não se tinha energia elétrica, a não ser movida pelo motor a diesel. No interior, nem se falava em telefone, quanto mais o público. Na tecnologia atual, pouco se fala pelo telefone, mas através de mensagens, vídeos ou áudios nos celulares móveis que ninguém larga da mão por nada, até na hora de comer e tomar banho, inclusive de mar. Virou um vício para a grande maioria, para não dizer uma droga. Para uns, o antigo era os melhores tempos. Para outros as coisas mudaram para melhor, mesmo com a violência e os assaltos.  É o avanço da tecnologia que vai deixando rapidamente as inovações para trás, sem uso e ultrapassadas.

O SERTÃO EXUBERANTE!

Depois que batem as chuvas, o sertão do semiárido brota exuberante de encher os olhos, como observei nas paisagens verdes saindo de Vitória da Conquista para Juazeiro. As flores se abrem, as águas jorram para todos os lados, os rios transbordam e a terra fica viçosa para alegria do sertanejo que vê chegar a fartura.

Logo partindo de Conquista, na boca do sertão para Anagé, o colorido toma conta com árvores floridas que substituem os engaços cinzentos dos tempos da seca onde só o mandacaru, os cactos e a palma sobressaem, para tristeza do homem do campo que fica sem água e alimentação para si e seus rebanhos.

As duas épocas servem de contrates nas lentes das máquinas fotográficas e ambas produzem lindas fotos, umas de desolação e outras de esperança e fé. As reportagens são diferentes, mas enchem as páginas dos jornais, e as imagens ilustram as televisões e as redes sociais.

Os açudes, tanques e barreiros secos voltam a dar vida com as chuvas, como nos últimos meses. Dá gosto ver a natureza renovada e sentir o vento cortante balançar as árvores exuberantes, como os ipês e outras espécies da caatinga.

Os animais se alimentam da seiva de barriga cheia. Os sapos saltam das lagoas e as aves cantam com mais harmonia. Todos agradecem a fartura. Os frutos ficam mais saborosos, como os umbus e até me aventureirei nos matos para catar essas delícias.

Pena que o homem não aprendeu zelar por toda essa riqueza natural e ainda joga lixo nas estradas e derrama esgotos e detritos nos rios. Toda essa sujeira pode ser vista nas corredeiras e nas margens dos rios e riachos, poluindo nosso amado meio ambiente.

É o sertão forte e bonito de se ver. Entristece a alma quando bate a estiagem e o sertanejo é obrigado a se retirar para outros rincões mais distantes da sua terra natal. É bom retornar, mas é necessário refletir e mudar de comportamento quando se trata de preservar a natureza que ela nos presenteia com suas dádivas.

Confesso que fiquei encantado em ver toda essa exuberância nos mais de mil quilômetros de viagem, mas em minha mente também passavam os fleches dos engaços e bagaços, dos carros-pipas levantando a poeira das estradas para abastecer as cisternas desse semiárido tão castigado que os governantes pouco dão a devida assistência e apoio para se conviver com as secas.

 

DO SUDOESTE, NORTE E SUL

NOSSO SÃO FRANCISCO CONTINUA MALTRATADO

Foi uma viagem que me fez lembrar dos velhos tempos que saia de férias cortando estradas de carro por vários estados, especialmente na região Nordeste, da qual me orgulho em apreciar suas lindas paisagens e interagir com a cultura das pessoas.

Foram cerca de quinze dias e quase três mil quilômetros percorridos com minha companheira e parceira Vandilza Gonçalves.  No início do mês atravessamos a Chapada Diamantina por várias cidades históricas, como Ituaçu, Barra da Estiva, Mucugê, Andaraí, Rui Barbosa, entre outras, rumo a Juazeiro, no norte da Bahia.

Nem é preciso dizer o quanto prazeroso ver um sertão exuberante e colorido que há sete meses estava entre os engaços e bagaços da sequidão. Muita água nos rios, tanques, açudes e barreiros, sem falar das corredeiras das cachoeiras e das árvores coloridas, como dos ipês amarelos.

Foi uma viagem para rever amigos e parentes mais próximos, como minha filha Cíntia e primos. Prazer por mais uma visita ao “Velho Chico”, dessa vez transbordando, mas ainda necessitando de revitalização. No retorno fizemos o roteiro por Senhor do Bonfim, Jacobina e Piritiba, com a mesma finalidade.

Felizmente as estradas estão recuperadas, o que facilitou esse trajeto sem aquele cansaço e irritação quando se depara com buraqueiras. Mesmo assim, falta acostamento nas estaduais. Vimos coisas que não gostamos, como as sujeiras por esgotos nas margens do rio São Francisco.

Procurei me desligar dos assuntos mais polêmicos e falar de assuntos mais leves sobre a vida e outras fofocas de parentes que sempre estão no script, mas fui arrebatado com a invasão dos vândalos e terroristas aos três poderes, no domingo dia 8 de janeiro.

Procurei deixar o espírito fluir com as prosas dos caboclos e caboclas nas paradas estratégicas. É bom sentir aquela aconchego sincero e hospitaleiro das pessoas simples que nos recebem com presentes nas saídas. Mesmo com essa tecnologia de doido, ainda existe vida.


CACHOEIRA NA CHAPADA, EM ANDARAÍ

Em Jacobina, no povoado de Jenipapo, onde moram uma das minhas irmãs e sobrinhos, um senhor já idoso gostou quando falei que residia em Vitória da Conquista. Lembrou dos tempos de caminhoneiro e foi logo dizendo que a cidade era dividida em duas pela Rio Bahia, ou BR-116, uma era Vitória e a outra era Conquista. Não quis se convencer que era em duas zonas, a oeste e a leste.

Papos engraçados e muitas estórias, como em Piritiba, mais precisamente na localidade chamada de Calderãozinho onde me criei ainda menino. Foi como entrar no túnel do tempo no chão que plantei mandioca e transportava farinha em lombos de jumentos com meu pai.

SUJEIRAS DE ESGOTOS NO RIO PARDO, EM CANAVIEIRAS

Não sabia que era tão famoso por aquelas vizinhanças dos povoados da Tabela e Andaraí. Aquele jeitão rústico e “bruto” do velho deixou suas marcas com suas cismas, mas, principalmente, por ser um homem de palavra, coisa que não mais existe.

De Vitória da Conquista fomos ver o mar nas praias de Canavieiras, saindo do norte para o sul da Bahia. Pela rota de Itambé, Itapetinga e Potiraguá, entramos na BR-101 e saímos em Santa Luzia até o trevo para Canavieiras.

O cenário de boa parte das estradas é de buraqueiras e, em alguns locais, como próximo a Potiraguá, nem existe mais asfalto. Um verdadeiro sofrimento para os turistas que descem de Brasília e Goiás.

De Santa Luzia até perto de Canavieiras, a situação é precária com alto risco de acidentes. Uma vergonha para o governo baiano que faz propaganda enganosa sobre vias que ainda se encontram em estado de conservação.

Fiquei triste com as sujeiras que vi nas margens do rio Pardo que desagua no mar. O homem continua destruindo a nossa natureza, não sabendo que terá um retorno desastroso.

No centro histórico, carente de reformas, muitos casarões estão abandonados, mas compensa visitar a Galeria do Porto de um senhor suíço por nome Cristian que criou um verdadeiro museu com antiguidades preciosas e raras. No mais, sentimos na pele a carestia e a exploração, como sempre, dos turistas nesta época do ano.

 

 

EM VISITA AO “VELHO CHICO”

Mais uma vez cá estou eu visitando o “Velho Chico” e desta vez cheio e “exuberante”, nem tanto porque ele continua recebendo detritos e esgotos das cidades que o margeiam, como em Juazeiro.

Isso é triste de dizer, mas é uma verdade porque passam anos e as autoridades nada fazem para sua revitalização e limpeza. Há anos que o homem só faz dele retirar seu alimento e utilizá-lo para irrigação de seus frutos.

Lembro que há anos estive aqui e em outras cidades. Fiquei triste porque estava vazio e seco mostrando ilhas de areias. Havia locais que se passava andando e nem os barcos nele navegavam.

Atualmente tem água em abundância graças as chuvas enviadas por São Pedro, como sempre fala o homem popular e os ribeirinhos. É tempo de abundância natural, mas basta um período de estiagem para o “Velho Chico”, ou o São Francisco, pedir socorro.

Por enquanto, ninguém mais fala da escassez de peixes, das plantações morrendo, dos rebanhos percorrendo distancias para saciar sua sede, da sua foz sendo invadida pelo mar e o sal penetrando em seu leito adentro.

Quem mais lembra do frade à beira do rio fazendo greve de fome para impedir a transposição do rio para os estados nordestinos? Faz muitos anos e, de lá para cá, nenhum projeto para impedir que as sujeiras das cidades sejam jogadas no “Velho Chico”.

O homem é um predador voraz que não respeita o meio ambiente e não aprende que ele reage quando é maltratado! Depois que chegam as mazelas, é só rogar a Deus e pedir que mande chuva! Além do mais, quando a situação fica difícil diz que é assim que o Senhor quis.





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