DÓI, DÓI MUITO!
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
A seca se acoita na caatinga,
Como onça famélica faminta,
O graveto ao sol se estala,
Só o mandacaru, verde vinga,
A bala faísca no cangaço,
O choro entalado se cala,
E o sertão sangra em pedaço.
Dói, dói muito!
Tardar o socorro do além,
Ver o sertanejo encurralado,
Nesta terra de ninguém,
Entre a seca e o fuzil,
Vivendo nesse barril.
De um lado, o chefe político,
Do outro, o coronel fazendeiro,
A volante rouba e tortura,
Aperta o cerco, o cangaceiro,
O jeito é ser soldado, ou coiteiro.
Dói, dói muito!
O lamento do pobre penitente,
O cabrito berrar no agreste,
No Nordeste dessa gente.











