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:: 18/maio/2026 . 22:27

O ESCREVER À MÃO

A DIFERENÇA ENTRE ESCREVER À MÃO E O DIGITALIZAR NO COMPUTADOR. A MÁQUINA DESUMANIZA. A MÃO, A TINTA, A CANETA E O PAPEL FAZEM O ELO DA INTERATIVIDADE COM O CÉREBRO.

  A cabeça reage bem melhor e com mais emoção quando se escreve à mão, deslizando a caneta no papel, do que na máquina datilográfica – há muito tempo em desuso – ou no atual computador. No modo tradicional do papel, as ideias brotam mais rápidas, com mais força e inspiração.

  A maior parte dos famosos escritores fazia seus livros à mão, não importando o gênero, e depois as secretárias ou as editoras digitalizavam o material, observando as devidas correções pontuais. Mesmo com os atuais avanços da tecnologia, ainda existem aqueles que mantém o hábito convencional da era das cartas. E como era satisfatório assinar embaixo!

  Escrever à mão é bem mais prazeroso e sentimos que a mente se conecta com maior intensidade com a pena. Ainda hoje faço meus versos e alguns pedaços de textos à mão para depois digitar. O texto flui e as palavras parecem cair em borbotões, sem muito esforço.

Sinto a diferença quando escrevo direto no computador, como estou a fazer agora. Não é a mesma coisa. O pensamento se torna mais lento, às vezes bate a fadiga e se exige mais esforços racionais dos neurônios.

A escrita à mão galopa como no picado de um cavalo de raça, e a cabeça corresponde bem melhor, de uma forma mais sequencial e livre. Tem-se a sensação de liberdade! O enredo, ou a história, voa como um pássaro, num ritmo cadenciado e silencioso, bem diferente do teclado.   

  Na pressa do dia a dia, no corre-corre, perdeu-se o hábito da escrita à mão para economizar tempo, indo direto ao computador. A tecnologia também nos levou a isso. Confesso que levei tempo para me acostumar e percebo que as palavras não caem do mesmo jeito como quando coloco a caneta para funcionar no papel.

   As colocações, os termos e as expressões se unem com maior precisão ao tema. O texto tem mais alma e sentimento, procurando o leitor que por ele se atrai. Nem tudo, mas muitas coisas dos meus livros foram parições escritas às mãos, inclusive em papéis de guardanapos em mesas de bares.

   Quando entrei para o jornalismo, nas redações corridas das matérias, para fechar as páginas nos horários marcados, perdi o hábito tradicional, ainda como estudante, mas foi muito difícil adaptar o cérebro à máquina de escrever.

  Muitas vezes, pelo menos fazia a abertura (o lide e o sublide) da reportagem à mão, para depois dar sequência ao resto do texto na máquina.  Muitos colegas também assim procediam enquanto se esperava por uma máquina.

   Nos museus e arquivos ainda se encontram manuscritos à mão de obras e cartas de grandes escritores, como Machado de Assis, José Lins do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Hermann Hesse, Ernest Hemingway, Dostoievski e tantos outros.                                    





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