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:: 29/maio/2026 . 23:58

“UM BANDIDO SOCIAL?”

  Depois de quase 88 anos de morto, Lampião continua sendo cultuado no Nordeste. Para uns como herói, justiceiro e até generoso. Para outros, um bandido sanguinário que se aliou aos poderosos proprietários de terras, os coronéis e aos chefes políticos.

  De qualquer forma, o cangaço foi uma cria do sistema injusto, sem lei e até mesmo das grandes secas, como a de 1877/79 que chegou a ceifar a vida de cerca de 300 mil nordestinos. Para historiadores, entre os bandidos sociais, existiram três tipos, o nobre salteador, o chefe de guerrilhas e o vingador.

  Em seu último capítulo “Um Bandido Social? ”, o escritor Billy Jaynes Chandler fecha sua obra “Lampião, o Rei dos Cangaceiros” dizendo que “em geral, as autoridades, e a maior parte do povo, sentiam pena deles, ponto de vista este que se originava da ideia de que o cangaço era o reflexo da ignorância, pobreza e injustiça da sociedade sertaneja: os cangaceiros eram, portanto, criminosos comuns, porém, vítimas das circunstâncias”.

  Em falando da questão das cabeças dos chefes terem sido expostas em museu (Lampião, Maria Bonita e outros), Billy cita que nos Estados Unidos, já na década de 1850, uma cabeça, que diziam ser do bandido Joaquim Murieta, foi exibida, conservada em uísque na Califórnia, e sua chegada foi anunciada por uma salva de tiros.

  Quanto à sua indagação no capítulo, o escritor destaca a análise feita pelo historiador britânico Eric Hobsbawm que estabeleceu uma teoria para classificar os bandidos segundo suas características e opinião que sobre eles tinham as diferentes pessoas. O historiador incluiu Lampião neste estudo, mas só que ele fez sua crítica mais baseada nas lendas do que nas realidades.

  Chandler se fixa mais nos bandidos vingadores que, de acordo com o autor, se distinguem dos verdadeiros bandidos sociais, devido ao seu uso excessivo de violência. Hobsbawm reconhece que Lampião podia ser terrível e, por esta razão, o coloca entre os vingadores. Declara ainda que Lampião não pode se classificar como um verdadeiro bandido social em vista de sua aliança com proprietários.

 O britânico chega a afirmar, até de forma contraditória, que o “rei do cangaço” defendia os pobres. Justifica sua violência como involuntária, pois resultava das diversas tensões que marcaram a ruptura social entre o Nordeste tradicional e a nova ordem capitalista e, portanto, era inevitável.

  Além de Robin Hood (não se sabe se sua existência foi verdadeira), Hobsbawm, no capítulo sobre os nobres salteadores, do seu livro banditismo, destaca dois tipos, Juro Janosik, da Eslováquia, e Diego Corrientes, da Andaluzia, personagens imprecisos do século XVIII.

  Billy Chandler ressalta que o povo humilde dos sertões deu altas notas a Lampião – embora alguns, de má vontade – pelo seu sucesso. Segundo Billy, há uma tendência entre eles, de esquecer parte do horror que acompanhou sua carreira e lembrarem mais de suas ações, muitas delas inventadas. 

 Na verdade, Lampião nunca desejou alterar a estrutura básica da sociedade em que viveu. Seus laços com ela eram íntimos e profundos, como Hobsbawm reconheceu. O cangaceiro se aproveitou de uma sociedade injusta, para explorá-la brutalmente.

  O cangaço teve várias e diferentes origens, umas baseadas na perversidade humana, e outras, nas condições sociais extremamente injustas – completa o autor.

   Mesmo assim, foi uma forma de protesto social. Há dúvidas se essa caracterização de banditismo social pode ser aplicada a Lampião. “A preocupação com a opressão dos pobres e dos fracos pelos ricos e poderosos nunca despertou seu interesse”.        

CÂMARA LANÇA CONSULTA POPULAR

     Além dos debates de propostas e projetos na sessão ordinária, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista lançou, nesta sexta-feira (dia29/05/2026), uma nova consulta pública com objetivo de aproximar a população do poder legislativo e fortalecer a participação popular nas decisões que impactam o município.

  Por meio de um formulário simples, qualquer cidadão poderá apontar quais melhorias deseja ver em sua rua, bairro ou em toda cidade nos próximos anos. A iniciativa busca ouvir as necessidades da população visando a construção do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).

  Entre os pontos que poderão ser sugeridos estão a operação tapa buracos, drenagem pluvial, criação de novos pontos e linhas de ônibus, além de demandas relacionadas com a saúde, a educação, mobilidade urbana, esporte, lazer, dentre outros.

  Vale lembrar que o PLDO foi lido na sessão da Câmara da última terça-feira, 27 de maio, dando início à tramitação da matéria. A partir da leitura na plenária, abriu-se o prazo de 30 dias para a realização de audiências públicas e da consulta popular.

  Depois desse período, o projeto seguirá para análise das comissões da Casa, incluindo a Comissão de Legislação Participativa, que também acompanhará o processo. De acordo com o presidente do legislativo, Ivan Cordeiro, a proposta é mostrar que a participação popular pode ajudar a mudar os rumos da cidade.

  Na sessão ordinária desta sexta, ainda foram apresentados vários projetos, como o que institui o Programa Municipal de Pontos de Parada Seguros para o transporte por aplicativo, bem como requerimentos para sessões itinerantes.          





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