O lado da cidade de Petrolina

Meu caro amigo jornalista e companheiro Carlos Gonzalez me sugeriu fazer uma crônica sobre Petrolina/Juazeiro, ou vice-versa Juazeiro/Petrolina. Topei a tarefa e lá vou eu com minhas impressões e digitais para agradar a uns e desagradar a outros, mas é assim mesmo com quem se atreve a escrever: Tem que dar a cara a tapa.

Quando estive em Juazeiro pela primeira vez, início da década de 70, foi numa excursão universitária para intercâmbio cultural e disputar uma partida de futebol, mas tudo virou em farra nas boates da noite e nelas me embriaguei até o dia clarear. Terminei me casando com uma juazeirense sangue bom.

Vista de Juazeiro

Uma das primeiras coisas que ouvi nos papos era que Petrolina simbolizava trabalho e Juazeiro diversão, esbórnia, curtição, festas, boemias, paqueras e tudo começava no famoso bar-restaurante “Vaporzinho do Saldanha”, encostado na orla do Rio São Francisco, ou o “Velho Chico”. De lá, depois de uns goles, se partia para as noitadas bregueiras e etílicas.

Admiro Petrolina por ser mais desenvolvida e avançada política e socialmente, mas amo Juazeiro das memoráveis lembranças dos anos 70 e 80 com uma turma da “pesada”, como Renatinho, Bubu. Nivaldo presepeiro, Márcia, Regina, Toinho humorista, Toló, Jorjão, que nunca tinha dinheiro na carteira, Titinho, minha ex-mulher, Rutinha e outros que apareciam nas horas dos programas malucos.

Orla de Petrolina

A noite era mesmo uma criança e não se tinha hora para voltar. A gente nem ligava para as muriçocas, sempre famosas em Juazeiro. Elas que se incomodavam com o bafo das bebidas e o sangue embriagado. Era só deitar e se entregar aos braços de Orfeu.

Meus dois primeiros filhos nasceram em Juazeiro porque a mulher queria ficar perto da família e lá estava eu com os amigos para aquela comemoração que parecia não mais terminar. Nos carnavais, então, era um tal de cheirar lança-perfume e até loló, sem falar em outras coisas. Inventavam até o esquema de brigar com a mulher para sair sozinho.

Vista da cidade de Juazeiro

As coisas mudaram e Juazeiro hoje não é mais o mesmo da vida noturna intensa (muitas boates fecharam), mas continua sendo mais atrasado que Petrolina. A ponte separa e, ao mesmo tempo, une as duas cidades nordestinas, uma de Pernambuco e a outra da Bahia.

Na última viagem no início do mês ouvi de um jovem sentado ao meu lado num bar em Petrolina de que os prefeitos de Juazeiro são todos safados, preguiçosos e corruptos, que não levam o crescimento para a cidade. Seria falta de representantes fortes no Governo do Estado?

Praça do Índio em Juazeiro

A orla de Juazeiro é mais bagunçada e suja. A de Petrolina mais limpa e com maior estrutura. Uma parte da ponte do lado de Petrolina é mais larga e apresentável, diferente da outra fronteiriça a Juazeiro. As mudanças são bem visíveis quando se entra na Bahia vindo de Petrolina.

Os anos se passaram desde quando conheço as duas cidades, cerca de 50, e sempre tenho ouvindo que a pernambucana é bem mais desenvolvida. Dizem que os prefeitos baianos são os culpados por Juazeiro ter ficado para trás, ou o próprio povo.

No entanto, numa coisa as duas não têm do que se queixar, pois são abençoadas pelo “Velho Chico” que empresta suas águas para irrigar os campos de uvas, mangas, melões, melancias e outras frutas. É isso meu amigo Gonzalez, senão terei que me alongar e ficar enfadonho para os poucos leitores que temos atualmente nessas magras eras culturais.

 

Orla de Juazeiro