:: 1/dez/2022 . 22:39
PRAÇA GUADALAJARA OU NORMAL
Em toda parte do mundo sempre existe um ponto (praça, avenida, monumento ou centro histórico) onde as pessoas se reúnem para expressar suas manifestações e protestos a favor e até contra a democracia e a liberdade. Dalí nascem os grandes ativistas com seus discursos e pronunciamentos que mudam os destinos de uma nação e de um povo. Em Salvador temos a Praça Castro Alves, a Sé; São Paulo, a Avenida Paulista; Rio de Janeiro, a Cinelândia e assim por diante como nas grandes capitais estrangeiras, só para citar Pequim, Paris, Londres, Madrid, Lisboa, Nova York e tantas outras. Em Vitória da Conquista nós temos a Praça Guadalajara ou simplesmente Escola Normal (foto), um patrimônio que, infelizmente, o Estado está demolindo. Aqui vai o meu repúdio. Essas praças se tornaram e fizeram história na luta pelos direitos humanos (contra ditaduras), reivindicações dos trabalhadores, passeatas LGBT, movimentos sociais e até encontros religiosos e “gritos de guerra” de blocos de carnavais, micaretas e festas em geral. Da Guadalajara partiram organizações contra e a favor de presidentes da República formando-se um colorido de bandeiras e camisas amarelas e vermelhas. As ideias e as discussões se afloram. Para o bem e para o mal, de lá saíram até alaridos que ferem a nossa pátria como os pedidos de intervenção militar no país. Cartazes criativos os mais diversos se juntam na Guadalajara e estampam frases lamentosas sobre o desemprego, a má qualidade na educação e na saúde e até para dizer que estou com fome, quero comer. São locais que devemos reverenciar porque representam nossas ágoras gregas que nunca podem ser esquecidas e servem de recordações memoráveis para o resto de nossas vidas como participantes ativos dessa sociedade, na maioria das vezes desumanas.
EU VI TUDO
Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Parodiando o cancioneiro Raul,
Te conheci há cinco mil anos,
Do leste oeste, norte a sul,
Trago comigo o sangue cigano,
Alma negra, mestiça- iberiana,
E vivi no mundo dos insanos.
Não mais me importo,
Com a inveja de fulano;
Vivi até no faroeste americano,
Vi Cristo nascer em Belém,
Na palestina de Jerusalém.
Vi tudo nesse mundo imundo;
Aníbal estraçalhar os romanos;
Spartacus com cem mil escravos,
Derrubar gauleses, celtas e eslavos.
Vi Portugal criar a escravidão,
Lá em Gana na Costa da Mina;
A triste sina da chibata africana;
O terror dos senhores da cana,
Dos cafezais e da mineração.
Vi a Igreja conivente trair sua fé;
Hitler e Stalin matar milhões;
Fidel e Cheguevara tomar Cuba;
Toda essa loucura capitalista,
Estuprar o ideal socialista.
Vi o muro de Berlim cair;
A terra girar em torno de mim;
Roma ser incendiada por Nero,
E em seu violino cantar bolero.
Vi a Revolução Francesa
Cortar cabeças de reis e rainhas,
E me embriaguei nas vinhas.
Quando perdi o existir da certeza.
De carro de boi ao lombo de burro,
Fui até sacristão e seminarista;
Só não aprendi ser pilantra vigarista;
Lutei em guerras contra a ditadura;
Sofri prisão, cusparada e tortura;
Sol quadrado sem lua enluarada.
Tive amores de prazeres esquecidos,
Sem meus sonhos ficarem perdidos:
De voltar pro meu sertão relicário,
Para contemplar as raízes do chão;
Ouvir o som da alma violeira,
Ao lado da morena cabocla faceira,
No meu eu pensador solitário.
Na vida fui até conselheiro;
Aluguel matador pistoleiro;
Boiada, vaqueiro e boiadeiro;
Invisível dessa raça desprezível.
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