:: 9/dez/2022 . 23:22
NA PÁTRIA DAS DANCINHAS
Não que esteja condenando as danças (do pombo) dos jogadores brasileiros na Copa do Qatar, mas parodiando o cronista Nelson Gonçalves quando intitulou o Brasil de pátria das chuteiras, vimos mais dancinhas que foco no objetivo principal que seria chegar ao final do campeonato, pelo menos isso. Terminamos na pátria das dancinhas.
Muitos pintaram as cabeças de branco a lá Neymar em formatos de cuia e esqueceram de usá-la para se concentrar melhor nos lances quando o Brasil estava dando um a zero na Croácia. Vão dizer que brasileiro é assim mesmo, mas para que tanta papagaiada?
A Croácia, com mais seriedade e apetite de decisão, terminou dando pipoca para os pombos. O favoritismo repetido tantas vezes pelos técnicos adversários subiu à cabeça da equipe e não deram conta da missão que era ganhar de um país menor que o estado de Sergipe.
Com eles levaram as famílias, mulheres, filhos, netos, sobrinhos, cachorro e papagaio como se fossem a um piquenique ou a uma viagem de férias, como fizeram na África do Sul onde até alugaram casas. Numa competição como esta, os atletas (muitos desconhecidos dos torcedores) precisam é de concentração total e não de distrações, passeios e até folgas.
Tudo começou errado lá atrás em 2018 quando a seleção foi eliminada nas quartas (o Brasil sempre cai de quatro) pela Bélgica e a Globo, na voz do Galvão Bueno (poucos lembram disso), foi a primeira a defender a permanência de Tite como treinador. Ganhou todas dos pernas de paus, até de goleada.
A CBF acatou o grito de Galvão, o polivalente que faz as narrações, os comentários, papel de juiz e ainda a função de técnico dando berros nas jogadas, como passa a bola, pra cima deles, cruza, não faça isso e aquilo. Galvão deve achar que os jogadores ouvem ele no campo. Montaram uma Central da Copa que se fala de tudo, menos de futebol. Mais parece um programa de humorismo. Talvez o Brasil fosse hexa se colocasse o Galvão como técnico e Tite como narrador.
Foi muita empolgação quando o Tite saiu arrasando os sul americanos nas eliminatórias, competindo com países fracos como Venezuela, Paraguai, Equador, Chile, Peru, Bolívia e Uruguai, com exceção da Argentina, a mais forte.
Foram para o Qatar todos cheios de certeza de que a taça já era nossa e de mais ninguém. Foi fácil passar na fase de grupos. Nas oitavas pegou uma Coreia do Sul cujos atletas só fazem correr como tontos e ainda não aprenderam a jogar futebol.
Fizeram aquela lambança ou dança do pombo, enquanto os outros técnicos e suas equipes estavam nos hotéis concentrados, estudando os movimentos do Brasil em campo para neutralizar as “estratégias” do senhor Tite. Tirando o Neymar, o melhorzinho porque pouco se cuida, o resto dos jogadores é do mesmo nível. Nas substituições, é o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Não faz muita diferença.
Com as dancinhas e outras presepadas encheram os torcedores – a maioria entra na onda e pouco entende de futebol – de confiança ao acreditar que o Brasil estava com um time imbatível. Sobrou festa das dancinhas e faltou concentração e disciplina para enfrentar os inimigos na “guerra” da bola.
“FLUXO E REFLUXO” II
“As Três razões Determinantes das Relações da Costa a Sotavento da Mina com a Bahia de Todos os Santos”
A importância do tabaco da Bahia como produto nas negociações em troca de cativos africanos, principalmente na Costa da Mina.
Neste capítulo do livro de “Fluxo e Refluxo”, o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger trata das negociações dos traficantes negreiros da Bahia na Costa da Mina entre os holandeses, ingleses e franceses, principalmente entre os séculos XVII e XVIII, incluindo o período em que a Espanha dominava Portugal que vivia em guerra contra a Holanda.
A pesquisa de Verger, que durou 20 anos, é recheada de dados históricos, datas e relatos de viajantes, capitães dos navios e governadores das províncias e fortalezas que existiam na Costa da Mina. Por Costa da Mina ele mapeia o Golfo ou a Baia de Benin, Guiné até o rio Lagos.
Em seus estudos, assinala que a Costa da Mina (Castelo São Jorge da Mina fundada pelos portugueses em 1482) era desprovida de interesse por Portugal. Nela não se encontrava ouro, especiarias e marfim para negociar.
Essa parte da África só veio adquirir importância no final do século XVII porque era lá que os navegantes da Bahia iam buscar seu reabastecimento de escravos. Apesar do tráfico na região ter sido posteriormente proibido aos portugueses, o nome Costa da Mina ficou ligada durante os séculos XVII e XVIII à parte leste de São Jorge da Mina.
Na Bahia “negro da mina” era aquele vindo da Costa a Sotavento, atual costa do Togo e do Benin. Somente nessa parte os negociantes baianos encontravam saída para seu fumo de terceira categoria que era proibido entrar em Portugal.
A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, fundada em 1621, que reservava o monopólio do comércio para si na Europa e Costa da Mina, após a tomada do Castelo de São Jorge da Mina e o tratado de 1664, deixava livre somente o comércio do tabaco da Bahia e Pernambuco. Porém, a população banta da costa ocidental dava mais valia para as fazendas, aguardente e outras quinquilharias. Os navios levavam bugigangas da Europa para África, os negros da África às Américas, e açúcar, anil, rum e outros produtos das Américas para Europa.
Em 1644, um decreto real autorizava os navegadores portugueses, carregados de tabaco, a irem diretamente da Bahia para a Costa da Mina a fim de procurar escravos e trazê-los para o Brasil. Nessa época, Angola estava ocupada pelos holandeses e só foi libertada em 1648.
Sobre a cultura do tabaco, muito negociada por cativos, o padre André João Antonil fez um minucioso estudo da sua cultura. Ele estimava que por ano entravam em Lisboa 25 mil rolos de tabaco da Bahia e 2.500 de Alagoas e Pernambuco. Esse tabaco ruim passava por um beneficiamento e se tornava bem aceito na Costa a Sotavento da Mina.
Os portugueses de Lisboa tentavam impedir que os negociantes da Bahia traficassem na Costa da Mina, mas eles possuíam suas artimanhas com subornos e conseguiam realizar seu comércio. Eram obrigados a pagar dez por cento de tudo que vendiam.
No próximo comentário vamos falar da regulamentação do comércio do tabaco, uma mercadoria muito apreciada pelos negros, especialmente no uso do cachimbo.
- 1










